Credibilidade é credibilidade!

Por Aristóteles Drummond em 04/11/2009

Lula, Palocci e MeirelesAcima, o presidente Lula, o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Não se sabe como surgiram nuvens preocupantes no cenário político e econômico nacional. E justamente naquele ponto em que se constituiu a grande surpresa positiva do governo do presidente Lula: a credibilidade.

A questão da credibilidade foi colocada em dúvida pelos seus opositores, quando da eleição, que falavam em quebra de contratos, ameaça às privatizações e outros fatores que elevaram o dólar a casa dos quatro reais. Lula e sua equipe, com destaque por justiça ao então ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, contrariando esta onda maldosa, implantaram uma política econômica séria, austera. A mesma, inclusive, que nos colocou numa posição de conforto quando da crise mundial. Tudo foi feito de forma segura e lenta, até a desejável queda das taxas de juros, ficando a dever apenas uma reforma que ampliasse a base e diminuísse a carga fiscal, que é muito alta.

No mais, formou uma sólida maioria no Congresso, mesmo que às custas de alguns problemas, e administrou os excessos de companheiros mais afoitos. Ajudado pela conjuntura mundial, o Brasil acabou virando até referência positiva quando se fala em crise. Mas, sem nenhum motivo aparente, as coisas começaram a se complicar com uma tomada de posição desnecessária, fazendo o país voltar a um debate ideológico que praticamente acabou no mundo. Fomos nos aproximando perigosamente de lideranças no velho estilo latino-americano. Entregamos os pugilistas cubanos, abrimos nossa embaixada em Tegucigalpa para manifestações políticas locais, lutamos pelo ingresso da Venezuela no Mercosul, quando está cada dia mais evidente que ali resta muito pouco de democracia e bom senso. Agora, o governo opina sobre a gestão de empresas privadas, com desejo de influir na escolha de dirigentes. No entanto, o correto, já defendemos aqui, seria uma legislação que proibisse fundos de pensão de participarem da gestão de empresas nas quais investe. O papel deveria se limitar aos conselhos fiscais.

Por outro lado, o agronegócio anda inseguro e intervenções tributárias importantes são anunciadas, envolvendo contratos de exportação. E a mineração, que é um setor forte, precisa mais de estímulos do que de aumento da carga fiscal.

Tudo isso preocupa quando a economia mundial não está de todo normalizada e temos pontos vulneráveis, a começar por um gasto público criticado por todos.

Além dos gastos em convênios muito pouco explicados. Uma pena se, em troca de uns pontos desnecessários na sua popularidade, o presidente gastar o patrimônio que acumulou na credibilidade.

São constatações preocupantes, pois como bem disse o ex-presidente FHC, seu grande legado foi deixar o Brasil sem opção eleitoral que não de esquerda. E dos que andam falados por aí, não se sabe qual é o pior.

*Aristoteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro.

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