Copenhague, um lamentável teatro!

Por em 12/01/2010


ClimaAs vésperas da conferência do clima de Copenhague, a CPO 15, escrevi um artigo “Os Desafios de Copenhague: Preservação e Sustentabilidade Ambiental”, no qual manifestávamos nossa preocupação quanto á possibilidade de fracasso face ás resistências dos maiores poluidores – EUA, China e Índia – em assumir compromissos (metas) de diminuição de emissões de gases poluentes. Entendíamos ser este encontro a grande oportunidade para salvar a civilização de um colapso causado pelo aquecimento global. Esta conferência era considerada como a única chance de evitar que a temperatura média da terra viesse a subir mais do que 2 graus Celsius, onde, segundo os especialistas sobre variações climáticas, dois graus seriam “o limite até onde é possível adaptar nosso modo de viver e produzir riquezas para as novas condições climáticas”.

A missão, que por razões de desenvolvimento econômico, disputa pela supremacia, e domínio de mercado, parecia impossível se confirmou em um verdadeiro fracasso, em razão da falta de consenso político sobre as metas de redução, empacando a negociação em Copenhague, ficando como resultado uma proposta de documento político sem força legal, que não prevê metas de redução de emissões globais, nem compromissos, prorrogando decisões fundamentais e urgentes para 2010, confirmando que o encontro foi totalmente inócuo em relação aos resultados pretendidos, tornando-o uma grande encenação.

O fracasso do encontro, diante do risco ambiental que ameaça o planeta, deixou evidente a falta de uma liderança que fosse capaz de assegurar a aprovação de prioridades, viabilizando e materializando pontos fundamentais e indispensáveis para avançar na construção de um acordo para salvar o planeta. Ficou claro que os grandes líderes mundiais estão reféns do atual modelo de desenvolvimento atrelado á energia de derivados fósseis, matriz do século XX, sem autonomia política para impor ao sistema econômico um novo modelo de desenvolvimento sustentável, pautado na energia limpa ou verde.

Diante da gravidade em que se encontra o planeta, não haverá saída se os líderes continuarem a pensar em soluções isoladas voltadas aos interesses de seu país, sem levar em conta o princípio da solidariedade entre as nações. Torna-se emergencial que os líderes, principalmente dos países ricos, os mais poluidores, busquem soluções e caminhos para o mundo inteiro.

Enquanto permanecerem as divergências, e o jogo de interesses entre os países ricos e os em desenvolvimento, sobre os custos do combate ao avanço do aquecimento global, as esperanças de se obter um entendimento capaz de deter as mudanças climáticas continuarão sendo remotas. Torna-se, portanto, imperativo que os países ricos, maiores e principais beneficiários do atual modelo econômico, se conscientizem que têm que dar uma cota maior de sacrifícios para o benefício de toda a humanidade. No entanto, os países em desenvolvimento ou emergentes, precisam, também, aceitar os novos parâmetros para um desenvolvimento sustentável, não ficando atrelados ao um discurso reacionário, baseado na constante recusa dos países ricos em adotarem uma política de metas de redução de gases poluentes, preservando e garantindo os recursos naturais do planeta para gerações futuras.

*Amaury Cardoso é físico do IMETRO / IPEM-RJ, pós-graduado em Administração Pública e Políticas Públicas e Governo. Pós-graduado em Gestão Pública. Membro e delegado do Diretório Municipal / Rio e do Diretório Estadual/RJ do PMDB.




Por Amaury Cardoso, em 12/01/2010 - 00:03. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

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