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Conviver com os millennials

A geração dos que nasceram entre 1980 e 1995 é chamada de “Geração Y” ou “Millennial”. Nascem com chip, estão permanentemente plugados e navegam com desenvoltura pelas redes sociais. Suas características são bem conhecidas. Portadores de atenção múltipla e difusa, são multitarefas. Ou seja: conseguem responder a diversos estímulos simultaneamente. São acostumados com a flexibilidade, ou seja, não acreditam em regras rígidas, em horários predeterminados, mas preferem dar conta do recado cumprindo as metas estabelecidas.

O questionamento é uma prática rotineira. São oriundos de uma educação que procurou evitar traumas. Desacostumados de qualquer hierarquia, discutem com os pais de igual para igual. Perquirem, insis­tem e não desistem enquanto não estiverem satisfeitos.

Como não aceitam hierarquias nem chefias, a liderança há de ser conquistada e não imposta. Confiam na reputação do gestor, independentemente de sua autoridade.

Acostumaram-se a prestar e a exigir contas. Replicam essa conduta com seus funcionários. São adeptos do “feedback” frequente, atrelado ao “coaching”, ou seja, à orientação de alguém com experiência maior. Não conseguem separar adequadamente o trabalho e a vida pessoal. Fazem do trabalho um lugar de divertimento e de convívio agradável. Mas não querem permanecer durante doze horas no escritório ou local de trabalho. Aceitam responder a e-mail profissional de sua casa. Quando assumem responsabilidades, procuram satisfazer as necessidades de seus colaboradores.

Um caractere comum é a ansiedade. Como têm foco no curto prazo, não hesitam na troca de postos de trabalho. Não pensam em “fazer carreira” no mesmo espaço em que iniciaram sua jornada profissional. Em regra, não permanecem mais do que cinco anos na mesma empresa.

Para melhor compreender os “millennials”, é bom saber que 64% deles em cargos de comando consideram valores pessoais muito importantes ao tomar decisões. 61% dos “millennials” se recusam a desempenhar uma atribuição se ela não se alinhar a seus princípios. 76% dos jovens executivos preferem ambiente de trabalho criativo e inclusivo e, finalmente, 71% querem mudar de empresa ao final dos cinco anos de atividade. Esses os líderes do século 21, aos quais legamos a missão de resgatar os valores deste Brasil tão abalado, moral, política e financeiramente.

*José Renato Nalini é desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, secretário da Educação do Estado de São Paulo, imortal da Academia Paulista de Letras e membro da Academia Brasileira da Educação. Blog do Renato Nalini.

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