Convicção e posicionamentos

É sábio se conhecer. Você precisa se conhecer muito bem, se deseja viver melhor.

Sabendo quem você é, defenda as suas causas, sem se preocupar demasiado com as convenções sociais. Lute, batalhe em cima daquilo que você acredita, e aproveite bem cada dia de sua jornada porque o tempo é precioso.

Creia, haverá prós e haverá muitos contra em sua jornada. Não desanime. Se a sua convicção é firme, posicione-se e não siga a maioria.

Lembre-se que pensamentos e atitudes convencionais não trazem melhorias, e é preciso ousar e fazer melhor qualquer coisa que podem ser feitas melhor. É isso que muda o mundo, e sair do convencional, às vezes pode ser a solução para mudar sua vida.

Em 1985, fui incumbido de avaliar e aprovar o embarque de grande volume de milho em grão, na cidade de Rosário, Argentina. Logo constatei que o cereal era de excepcional qualidade e esta massa de grãos supriu a fábrica de rações que gerenciava na cidade de Concórdia, SC, por um período de aproximadamente cinco meses.

Enquanto se utilizou este milho no fabrico de rações, o resultado zootécnico da produção de aves e suínos deu um salto de qualidade muito significativo. Menores índices de mortalidade, menos problemas sanitários, maior ganho de peso, melhor conversão alimentar, e carcaças com melhor rendimento no frigorífico, saltavam aos olhos. E o diferencial era o milho procedente da região de Rosário.

A partir desta experiência comecei a exigir com mais veemência melhoria nos padrões de qualidade, nos ingredientes que adentravam a fábrica. Qualidade melhor sempre pressupõe preço mais elevado. Problemas a vista!

Você faz relatórios evidenciando os pontos chave, mas as chefias não entendem o que você entende. Elas não conhecem o tema como você conhece, e então contra argumentam, e mostram outras prioridades. E o problema não é solucionado. Passa batido!

As pessoas não aprendem com a experiência e cometem sempre os mesmos erros. É assim desde sempre!

Dois anos depois houve uma reestruturação na Empresa e fui alçado ao cargo de coordenador do núcleo de nutrição animal do Grupo Sadia. Legislava sobre tudo que envolvia rações, mas não tinha mais nenhum poder de executar nada. Era um general sem tropa, como alguns comentavam com ar irônico.

Mas os desafios eram grandes e eu trabalhei com entusiasmo. Não poucas vezes nossas recomendações não eram seguidas porque as pessoas são assim mesmo: Teimosas!

Em 1989, cansei de reclamar da qualidade do milho adquirido no mercado interno, sempre acenando para a opção de comprar milho argentino que tem qualidade superior, porque as condições de armazenamento do grão são melhores.

Meus relatórios nada adiantavam e a área comercial queria comprar milho barato, então resolvi encaminhar um alerta informando toda a Direção da Empresa, os prejuízos que teríamos se não mudássemos os procedimentos na aquisição de milho.

O número era assustador e excedia alguns milhões de dólares. E eu tinha pilhas de documentos que comprovavam aqueles números. Eu não blefava!

Mas, eu não tive nenhum sucesso nesta empreitada! Sabem o que aconteceu? Fui chamado para uma conversa e assim questionado: Dr. Pagliosa, sabe o que você conseguiu com o seu alerta a toda a cúpula da Empresa? NADA, você não conseguiu nada. Só causou confusão neste circo que armou. O que tem para dizer?

Respondi: Vocês me colocaram nesta função. Enquanto eu estiver nesta função vou fazer o que acho que devo fazer. Eu faço a minha parte e se vocês não fazem a parte de vocês, eu nada mais posso fazer. Eu apenas oriento, eu apenas legislo. A conversa terminou com todos desconfortáveis.

As dificuldades, os problemas precisam ser encarados de gente. Não podem ser varridos para debaixo do primeiro tapete.

Em 1994, após longas reflexões com meus botões, decidi deixar a Empresa que servira por vinte e dois anos. Foi difícil porque eu aprendi muito naquela Empresa, e ensinei um pouco. Tive sucessos e colecionei alguns fracassos. Tive amigos e tive pessoas que não compreendi nem me fiz compreender. Coisas da vida.

Cada um briga com as armas que possui e eu sou um incansável batalhador pelo conhecimento. É só o entendimento das coisas que nos liberta e nos dá asas para voos mais altos.

Fazer tudo conforme as convenções, conforme regras impostas com dúbia coerência, decididamente não condiz com meu estilo.

E por isso aconselho a todos que posso: “Posicione-se, faça o que precisa ser feito dando o seu melhor. Não se entregue e não desista de suas lutas”. “Não se acovarde!”

O exemplo do jovem Sama é propício para ilustrar melhor o que penso. Ele era um judeu que não se acovardou quando os filisteus vieram para levar sua colheita. Diferentemente dos outros, Sama não permitiu que levassem os frutos de seu trabalho. Você pode ler sobre isso em 2 Samuel 23:11 e 12.

Deus agiu em favor do jovem Sama, e agirá em seu favor se você acreditar e se posicionar. Nunca desista de suas lutas. Simples assim!

*João Antônio Pagliosa é engenheiro agrônomo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *