Computador nas escolas: sonho ou pesadelo?

Por em 06/01/2011


Computador nas escolasPode ser um sonho. Pode ser um pesadelo. Laptops para cada aluno

O que foi feito dos computadores comprados no final de 2008 para professores e escolas do Rio? Nos últimos meses da gestão César Maia, 26.315 notebooks foram comprados para uso dos professores da Secretaria Municipal de Educação, no valor total de R$ 40,3 milhões. Ou seja, R$ 1.532,00 cada um. Outros 6366 microcomputadores foram entregues a todas as 1061 escolas (média de seis por escola), no valor total de R$ 7,1 milhões. Aí o valor unitário caiu para R$ 1.118,00.

Qual a efetividade da compra? Como os computadores ajudaram a melhorar o aprendizado dos alunos?

Essas perguntas se tornam mais relevantes quando se anuncia a compra de 112 mil laptops para alunos da 6ª à 9ª séries. Nas 45 escolas em áreas de risco, um computador por aluno e, nas outras escolas, um para cada três alunos, cobrindo 246 mil alunos. Valor total: R$ 39 milhões – e o valor unitário passa para R$ 340,00.

A experiência revela que comprar é o mais fácil. Usar, o mais difícil. Os notebooks adquiridos em 2008 para uso dos professores foram doados a eles pela Prefeitura, em 2009. Deixaram de ser um bem público. Entre outros motivos, porque a Secretaria não tinha como fazer a manutenção, o reparo e essas outras necessidades que aparecem a cada momento quando se usa o equipamento. Quem não sabe disso? Mais barato, portanto, passar o problema para o professor. Sobre o uso efetivo dos laptops direcionados à sala de aula, não se tem notícia.

Quanto aos computadores para 1063 escolas, informação mais recente do programa Rio Como Vamos, indica que 80% delas não têm laboratórios de informática (pelo visto nem tinham para aqueles seis entregues a cada uma em 2008), e apenas 19% estão equipadas. Das 19% equipadas, apenas 3,74% têm acesso à internet.

Já o último relatório do Tribunal de Contas do Município (2008) refere-se a 243 (das 366) escolas do 2º segmento, com os seguintes dados: 65% estão equipadas com laboratórios: sala exclusiva, dez micros, uma impressora jato de tinta, uma impressora laser, bancada, ar condicionado, 20 cadeiras (não há informação sobre conexão à internet).

Nas entrevistas feitas com 2391 alunos das escolas visitadas, 53% nunca usaram o laboratório de informática, outros 11% utilizam pelo menos uma vez por semana e 35% apontaram a ausência do laboratório. Parece óbvia a conclusão do TCM: “O número de alunos que declarou nunca utilizar a sala de informática demonstra a ausência de uma política mais consistente no uso destes equipamentos; a política da área não deve ser baseada apenas na instalação de mais equipamentos, mas também no aproveitamento mais racional dos mesmos”.

Com o otimismo cauteloso que procuro adotar, a boa notícia é que, desta vez, aparentemente, a compra está acoplada a um programa previamente estabelecido, para o qual o laptop terá uso prático, na sala de aula, com professor-orientador.

Trata-se da Educopédia, um programa que ainda tem provocado muita polêmica entre os professores, e que pretende dar uma alavancada nos alunos da 6ª à 9ª séries, cujo desempenho no IDEB foi desastroso, carregando para o ensino médio o deficit de aprendizado que resulta num efeito negativo ainda maior nos indicadores acadêmicos do Estado do Rio.

Mas permanecem sérios problemas práticos e essa é a má nótícia: o aluno vai levar o laptop para casa? Como a escola pretende guardar os equipamentos, se até monitores de TV e aparelhos de ar refrigerado ficam trancados a cadeado numa espécie de gaiola de ferro? Como se dará a manutenção e conserto desses laptops? Será também com o pequeno recurso recebido pelas escolas para despesas gerais?

A outra questão é o acesso à internet. Há anos inauguram-se idéias, jamais concretizadas, de universalizar a internet em toda a cidade, não apenas nas escolas públicas. Promete-se, de novo, banda larga para todas as escolas que receberão os laptops.

Inicia-se o terceiro e penúltimo ano da gestão do prefeito Eduardo Paes. Oremos!

*Andrea Gouvêa Vieira é jornalista, casada, mãe três filhos, três enteados e três netos. Foi eleita vereadora pelo município do Rio de Janeiro ao concorrer pela primeira vez em 2004. É filiada ao PSDB.




Por Andrea Gouvêa Vieira, em 06/01/2011 - 00:01. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

1 resposta to “Computador nas escolas: sonho ou pesadelo?”

  1. john kelson

    EU ACHO QUE VAI SER BOM TER COMPUTADORES EM ESCOLAS PORQUE QUANDO O ALUNO SE INTERESSA POR UMA COISA ELE APRENDE MAIS OU SEJA O COMPUTADOR NA ESCOLA PODE AJUDAR MUITO O DESEMPENHO DO ALUNO, ASSIM VAMOS TER ALUNOS MAIS APLICADOS CLARO NÃO VAI SER TODOS POR QUE SEMPRE TEM AQUELE QUE GOSTA DE FAZER BAGUNÇA, MAS TODOS AJUDANDO ESTE ALUNO QUEM SABE NO FUTURO ELE MELHORA.

    #1513

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