Ciências e Interdisciplinaridade na Educação: uma questão sócio-política


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Resumo

É possível realizar algumas mudanças em nosso sistema de ensino que sejam capazes de contribuir efetivamente com a melhoria do desempenho de nossos alunos, principalmente nas disciplinas de ciências, tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio? Com a aplicação de algumas mudanças no ensino de ciências podemos ser otimistas em não termos que esperar demasiadamente para alcançarmos os índices propostos pelo MEC para termos uma educação compatível com a que é pratica nos países de primeiro mundo. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB n0 9.394/96 convoca toda a comunidade escolar a participar da elaboração e execução do projeto pedagógico da instituição de ensino da qual é integrante. A lei permite, assim, que se possam atender às expectativas e peculiaridades de cada realidade escolar.

Interdisciplinaridade nas Ciências

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), propostos pelo MEC, orientam para uma educação comprometida com a cidadania. Desta forma, apesar dos currículos escolares possuírem uma flexibilidade que lhes permitem desenvolver e contextualizar vários temas de acordo com as suas realidades locais e regionais, os temas sugeridos nos PCN devem servir de eixo norteador em todo o Brasil, a fim de que toda a rede de ensino possa participar ativamente da discussão desses temas considerados de grande urgência social.

Os chamados Temas Transversais dos PCN tratam de questões sociais e são de tal complexidade que nenhuma área do conhecimento, isoladamente, pode abordá-los completamente. A problemática destes Temas Transversais atravessa todas as áreas e, como tal, deve ser tratada de modo integrado. Por exemplo, o Meio Ambiente compõe um destes temas, e como tal não se pode tratá-lo como se fora um assunto exclusivo de abordagem apenas a partir das contribuições da Geografia. Sua plena compreensão necessita de conhecimentos históricos, das Ciências Naturais, da Sociologia, da Demografia, da Economia, da Matemática, etc. Através do trabalho sistemático e contínuo no decorrer da escolaridade, espera-se aprofundar cada vez mais as questões emergentes dos Temas Transversais.

A compreensão integrada dos diversos fenômenos naturais que permeiam o nosso habitat natural depende de uma visão integrada, interdisciplinar, do estabelecimento de vínculos conceituais entre as diferentes Ciências. Não podemos isolar alguns fenômenos em sua conceituação, restringindo o seu significado a uma área especifica do conhecimento. Conceitos como: energia, matéria, espaço, tempo, transformação, sistema, equilíbrio, variação, ciclo, fluxo, relação, interação e vida, estão presentes em diferentes campos, com significados particulares, mas sempre contribuindo para conceituações gerais.

Através da interdisciplinaridade pode-se trabalhar, por exemplo, a Ecologia. Dentro do escopo dos PCN, a Ecologia é um dos chamados Temas Transversais. Estuda as relações de interdependência entre os organismos animados e inanimados do habitat, formando o ecossistema. Através de outros conhecimentos, contudo, a ecologia poderá verdadeiramente ser uma ciência interdisciplinar. Os novos desafios tecnológicos requerem do aluno não apenas o conhecimento das ciências exatas como Matemática e Física, por exemplo, mas também o domínio de como elas se relaciona com as demais disciplinas e demais áreas do conhecimento.

Um agravante para o ensino das ciências, além das poucas aulas oferecidas, é a metodologia aplicada. Aulas como Física, Química e Biologia são totalmente teóricas na maior parte das unidades escolares, e a maioria esmagadora dos alunos jamais entraram em um laboratório ou sequer viram uma experiência em sala de aula. Ainda que apenas demonstrativa. Aulas demonstrativas, dentro do atual panorama educacional, não seria “a solução”, mas uma alternativa bastante viável para a melhoria do aproveitamento das escassas aulas de ciência. Medidas que poderiam ser adotadas para melhorar a eficiência das aulas de ciência:

• Laboratórios individuais de ciências (Física, Química e Biologia), composto principalmente de experiências básicas para cada disciplina
• Na impossibilidade acima, uma alternativa seria a construção de um espaço multidisciplinar, com experiências básicas de cada uma das disciplinas no mesmo local.
• Independente da existência de laboratórios, as aulas teóricas devem ter cunho demonstrativo. Esta simples atividade aumenta consideravelmente a atenção, o interesse e o entendimento do assunto.
• Um laboratório alternativo com materiais de baixo custo poderia tornar a sugestão viável para boa parte das escolas.

Em 2007 foi criado o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O indicador, que mede a qualidade da educação, foi pensado para facilitar o entendimento de todos e estabelecido numa escala que vai de zero a dez. A partir deste instrumento, o Ministério da Educação traçou metas de desempenho bianuais para cada escola e cada rede até 2022. O Ideb é um índice que leva em conta o desempenho do aluno em testes padronizados, aplicados pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e a taxa de aprovação escolar, que permite monitorar o desempenho ao longo do tempo. O novo indicador utilizou na primeira medição dados que foram levantados em 2005.

A média nacional do Ideb em 2005/2007, medindo o desempenho observado dos alunos do Ensino Fundamental e Médio foram, respectivamente (Ideb – Resultados e Metas. Em: http://ideb.inep.gov.br/Site/, acesso em 23/05/2009):

Ensino Fundamental (Fase I -1a a 4a series) – 3,8/4,2;
Ensino Fundamental (Fase II – 5a a 8a series) – 3,5/3,8;
Ensino Médio – 3,4/3,5.

Outro índice de avaliação é o PISA (Programa Internacional de Avaliação Comparada) cuja principal finalidade é produzir indicadores sobre a efetividade dos sistemas educacionais em diversos países para jovens na faixa dos 15 anos após a conclusão do ensino fundamental.

Tabela 1

Tais índices mostram claramente que a situação atual do ensino no Brasil é dramática. O MEC trabalha com a expectativa de que em 2022 o Brasil possa alcançar os índices de 6,0 (1a fase do Ensino Fundamental); 5,5 (2a fase do Ensino Fundamental); 5,2 (Ensino Médio).

A meta brasileira é alcançar um nível de educação compatível com o que hoje é praticado em países de primeiro mundo. Como sugestão registre-se a experiência de milhares de alunos e professores do ensino fundamental e médio, de instituições públicas e privadas têm visitado nos últimos anos, por exemplo, o Laboratório de Experimentos Alternativos no Instituto de Física da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Neste local são desenvolvidos experimentos com material didático de baixo custo. Os fenômenos reproduzidos, em muitos casos, são os mesmos encontrados na natureza. Por exemplo, o arco-íris, a capilaridade, a atração e repulsão elétrica e magnética. Em outros casos há simulações muito parecidas com os fenômenos reais, como tornados, erupções vulcânicas, além da simulação de aeronaves, submarinos, embarcações, caleidoscópios.

*Claudio Elias da Silva é ex-Secretário Municipal de Educação de São João de Meriti/RJ (2005-2009); Doutor em Geofísica (Observatório Nacional-RJ/NASA-EUA); professor adjunto do Instituto de Física da UERJ.

*Adílio Jorge Marques é professor de Física e História da Ciência da rede pública e particular de ensino do Rio de Janeiro. Pesquisador em História da Ciência luso-brasileira e história das Tradições.






Por Adílio Jorge Marques, Claudio Elias da Silva, em 03/08/2009.

1 resposta to “Ciências e Interdisciplinaridade na Educação: uma questão sócio-política”

  1. wilson

    ….

    #2481

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