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Wagner Siqueira

Afinal, as organizações não são morais!

A empresa não age de acordo com um dever moral, mas por interesse. Por mais síncrona que seja à moral, a sua ação não tem nenhum valor moral, já que realizada na realização primacial de seus interesses. Marx quis moralizar a economia, submeter a economia à ordem moral. É o que as empresas hoje querem fazer por intermédio da responsabilidade social, da empresa cidadã, da ética empresarial, do desenvolvimento sustentável e do voluntariado solidário. Pretendem-se assim serem os agentes da transformação social, os aristocratas da virtude do mundo contemporâneo.
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Tudo é permitido, mas nem sempre me convém

Quando se renuncia ao “tudo é permitido”, por exemplo, ponto essencial das atitudes e dos comportamentos da “Geração 68″ ou da “Geração Anos Dourados”, coloca-se a questão de saber o que não é permitido. Perguntar o que não é permitido é colocar o problema dos limites das ordens. Não se trata, assim, de separar as ordens como se não houvesse permanente interação entre elas, mas distingui-las para racionalmente melhor compreender como e porque interagem. A sua adequada compreensão e aplicação contribuem efetivamente para aumentar a objetividade de nossas ações pessoais individualmente e em sociedade.
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A motivação para a realização

Quase todas as pessoas tendem a se autoperceberem como motivadas para a realização. Julgam-se empreendedoras. Mas é claramente necessário ter muita cautela com tais percepções. Afinal, virou lugar comum se falar todo o tempo do empreendedorismo como o diferencial competitivo indispensável para o sucesso na trajetória organizacional. O indicador mais relevante de uma atitude centralmente motivada para a realização é daquela pessoa que pensa todo o tempo sobre os meios, caminhos ou maneiras de realizar algo difícil e importante, mesmo em momentos em que está livre para descontrair-se e deixar-se levar por devaneios e que esteja distante e afastada dos temas mais áridos a que se dedica em situações de trabalho efetivo.
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A responsabilidade dos empregados nos Conselhos de Administração

A participação de um representante dos empregados nos Conselhos de Administração de empresas públicas e nas sociedades de economia mista da União é resultado da Lei 12.353, de 2010. Os conselheiros representantes dos empregados têm mandato de um ano, com direito a reeleição, e não podem participar de discussões e decisões sobre assuntos que configurem conflito formal de interesses, como relações sindicais, remuneração e benefícios. Ao não estabelecer critérios mínimos para essas candidaturas, no que diz respeito, por exemplo, à apresentação formal de planos de trabalho por parte dos empregados candidatos, essa abertura legal pode representar uma aventura descompromissada para muitos e um problema irreversível para outros. Empresas de porte como Petrobrás, Eletrobrás, Correios e Embrapa, muitas com ações em bolsas de valores, tomam decisões estratégicas que afetam a vida de todos, empregados, acionistas, sociedade. O mínimo que se espera é que os empregados postulantes a essas cadeiras nos Conselhos de Administração apresentem publicamente propostas que sejam aprovadas pelo conjunto dos empregados representados e acompanhadas por todas as partes interessadas.
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A indústria dos diplomas falsos e requentados

A reportagem-denúncia do "Fantástico" (Rede Globo) que foi ao ar no dia 17 de março mostra a facilidade com que diplomas falsos de 2º grau são comprados e expedidos em poucos dias, permitindo inclusive aos seus portadores a obtenção de registro profissional junto a Conselhos de Fiscalização Profissional. Mas essa prática é antiga, sob a complacência das autoridades, pois não é difícil identificarmos anúncios e estabelecimentos bem visíveis e acessíveis a quaisquer interessados. Só não ver quem não quer.
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Compras acima do preço de mercado, quem paga é a sociedade!

Uma recente auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) constatou significativas diferenças na tabela de materiais de construção, também conhecida como 'banco de preços', que o governo usa para definir preços máximos em licitações. Um em cada três itens está mais de 30% acima do preço médio praticado no mercado. Dados como esse demonstram que não só a Lei 8.666/93 (a Lei de Licitações) está anacrônica, mas também que os métodos de gestão dos governos, incluindo os estados e municípios, carecem de uma gestão profissional que considere os modernos recursos de Tecnologia da Informação. Porque não organizar um banco de preços em um sistema integrado que possa ser diariamente alimentado por repartições públicas (compradoras) e por fornecedores (vendedores) classificados por objetos e por regiões do Brasil? Mais simples, moderno, democrático e transparente que isso impossível.
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E para nós, brasileiros, nada?

Matéria da jornalista Bárbara Ladeia publicada pela "Exame.com", sob o título "Brasil é país mais difícil para contratação de expatriados", diz que o trabalho de estrangeiros por aqui é dificultado pela burocracia. A jornalista não revela em sua curta matéria as razões do governo brasileiro para essa postura, ao mesmo tempo que ignora as dificuldades que milhares de profissionais brasileiros têm enfrentado há décadas para exercerem seus ofícios no exterior. Podemos ainda não ter todos as demandas atendidas no mercado de trabalho, mas essa é uma questão que passa pela definição soberana de nossos marcos técnicos, políticos e institucionais.
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Elementos essenciais do trabalho em equipe

Uma equipe de trabalho possui elementos peculiares de atitude e de ação. As análises de seu desempenho, dos comportamentos de seus membros individuais ou dos resultantes do trabalho coletivo são bastante expressivas para a compreensão de sua atuação e de como deveria funcionar para tornar-se mais eficaz. Qualquer equipe tem um chefe, líder ou coordenador cuja responsabilidade é alcançar resultados por meio dos esforços de várias pessoas. Ele está investido de poder/autoridade para dirigi-los e controlá-los. Cada integrante conhece suas atribuições, deveres e responsabilidades, quer individual quer coletivamente. A interação chefes-subordinados ou líderes-liderados, e as interações destes entre si são substancialmente mais complexas e subliminares, em termos de comunicação, controle e tomada de decisão do que as descrições das rotinas e os processos de trabalho pretendem especificar.
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Trabalho pode fazer alguém feliz?

Stress, insatisfação, depressões, inseguranças, desajustamentos, vícios e até suicídios: o trabalho é uma fonte de infelicidade ou existem pessoas felizes com o que fazem nas organizações a que pertencem? Divino castigo ou fonte de plenitude da realização humana? Todo trabalho comporta em si mesmo uma dimensão de insatisfação. A realidade normalmente resiste á ação daquele que trabalha. A questão é como superar essa insatisfação, compreendê-la como intrínseca àquilo que fazemos, ou, pelo menos, contê-la em níveis aceitáveis. A satisfação no trabalho decorre essencialmente daquilo que se faz, que tenha sentido e significado para nós, que nos possibilite reconhecimento e valor. É também decorrente da valorização do capital econômico do empreendedor ou do capital intelectual do profissional.
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Intenção x ação

O líder que dedica seu esforço à concentração nas intenções ou nos desejos pavimenta uma larga avenida para o fracasso. Não creio que em gestão sejam as intenções a dimensão mais decisiva da ação gerencial. A ética da gestão não é a ética da intenção, mas sim a ética da responsabilidade, da busca permanente e obsessiva por resultados. Nunca é demais recorrer aos "Lusíadas" de Luís de Camões: "Não se aprende, senhor, na fantasia sonhando, imaginando ou estudando senão vendo, tratando e pelejando".
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O dia do profissional de RH

O dia 03 de junho é a data comemorativa do profissional de RH em todo o mundo. A data nos estimula a escapar de comemorações laudatórias do tipo oba-oba, tão peculiares na espécie, para emitirmos mais um grito de alerta contra a crescente deterioração das relações de trabalho constatada no cotidiano das organizações em geral. Vivemos o apogeu do humanismo empresarial, exaltam todos! O colaborador se transformou numa espécie de empregador de si mesmo.
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A economia do consumo e do crédito

Como as drogas, viver a crédito cria dependência. E, assim os empréstimos tóxicos propagam-se pela disseminação de toxicômanos por dívidas da economia de consumo e de crédito. Cuidado: você pode ser a próxima vítima! Pior ainda, talvez já o seja! É preciso escapar da “ditadura do curto prazo”, que tem monopolizado inteiramente o debate sobre a crise global de 2008 em todo o mundo. Mais do que tudo, o debate tem que se concentrar efetivamente no que importa, no que fará a diferença, ou seja, na construção de uma nova civilização, num novo modelo que atenue de fato os atuais efeitos da crise e minimize a incidência de outras no futuro. Tudo sem deixar de simultaneamente atentar para a gestão de nosso cotidiano, com vistas a humanizá-lo e a torná-lo mais justo e equitativo, que garanta uma melhoria real da qualidade de nossas vidas comuns ou ordinárias.
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Não deixe o ressentimento prosperar

Imagine a situação de cinco colaboradores que disputam uma promoção a supervisor numa determinada organização. Todos dispõem de excelentes currículos profissionais, experiência para a função e potencial de liderança. Mas somente um é promovido. Os demais se sentem preteridos, já que desejavam com muito afã a nova posição. Por que eu não fui o escolhido, perguntam todos? Os colaboradores ficam ressentidos por se sentirem injustiçados com base em razões efetivas e, em muitos casos, por motivos absolutamente irrelevantes e até ilegítimos. A decepção proveniente de uma aspiração frustrada de promoção é um bom exemplo de ressentimento provocado por motivo que deve ser ilegítimo. Afinal, somente um poderia ser o escolhido, não sendo natural que os demais ficassem tão sensibilizados por não terem sido preteridos.
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Democracia, instituições e costumes

As instituições democráticas são desmoralizadas sistematicamente: constituições que não são cumpridas, leis que não são para pegar, poderes Legislativo e Judiciário desrespeitados permanentemente por um Executivo imperial, invasão de um poder sobre as competências do outro, impunidade e corrupção generalizadas. Estamos pobres, despidos, inteiramente nus para o exercício da democracia. Estamos como um falido depois do desastre total, da falência absolutamente consolidada, que se dispõe a fazer vida nova por meio de declarações vazias de sentido. Todos falando em democracia, exaltando a transparência e a austeridade, a necessidade de transformação e de modernidade – palavras da moda –, mas como um falido, palavras ocas e vazias, sem sentido.
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Exames de (in)suficiência?

Há muitos anos em minhas andanças por universidades brasileiras por todo o Brasil tenho sido interpelado por alunos, professores e profissionais a respeito de minha opinião sobre os exames que são aplicados aos bacharéis de algumas carreiras de nível superior, como condição para, se aprovados, acessarem o mercado de trabalho como profissionais técnica e legalmente habilitados. Passo a expor abaixo algumas das reservas que tenho em relação a essa prática que cada vez mais preocupa os jovens – outros não tão jovens assim – que freqüentam as universidades e que temem ver seus sonhos de trabalhar em determinada área interrompido por rigorosos e restritos exames ditos de proficiência.
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Os déspotas de uma burocracia insensível

Depois de o vice-governador e coordenador geral de infra-estrutura Luiz Fernando Pezão e o secretário de obras Hudson Braga afirmarem que as 73 pontes que deveriam ter sido construídas na Região Serrana não foram feitas devido a obstáculos impostos pelo Instituto Estadual do Ambiente, foi a vez de o Secretário do Meio Ambiente rebater as acusações e partir para novos ataques. E assim o tiroteio continuou e continua um responsabilizando o outro. As divergências entre os secretários e o vice-governador são profundas. E o pior: todos têm razão.
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O elo perdido das organizações

O que nos demonstram os desajustamentos, depressões e até suicídios de empregados que marcam o funcionamento das grandes corporações nesta primeira década do século XXI? O que significam, mais ainda, as explicações e justificativas para tais fatos de seus dirigentes, que oscilam entre o cinismo e a compaixão, ou seja, apresentam sentimento aparente de piedade pelos sofrimentos dos empregados? E, pior ainda, o que quer dizer a convocação urgente e atabalhoada de psicólogos e de médicos do trabalho para identificar causas e propor soluções de imediato face ao inusitado dessa situação anômica, que estraçalha os ambientes organizacionais e afeta criticamente o desempenho?
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O problema dos limites e da distinção das ordens

Como se formam as doutrinas e as ideologias organizacionais, as teorias e as práticas que vicejam no mundo corporativo, nas relações de trabalhos, nas circunstâncias da vida empresarial? No cotidiano de nossas vidas perpassamos indistintamente por ordens de conduta convenientes que nos levam à atitudes e a comportamentos característicos de nossas identidades como pessoas. É evidente que essas ordens se fecundam reciprocamente, uma influencia a outra, e as distinções delas entre si só são possíveis para efeito didático ou pedagógico, não se distinguindo facilmente na realidade vivencial.
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O professor de administração

Falar dos professores de administração, formadores de consciências, de valores e de opções éticas na gestão das organizações, como se todos pertencessem a um grupo homogêneo é uma insensatez. Há distintas ideologias, níveis de engajamento, de participação e de comprometimento na formação da estrutura de pensar dos alunos, futuros gestores do mundo corporativo. A função dos professores como formadores de poder ideológico muda de organização para organização, de sociedade para sociedade, de época para época. Mudam também as relações, ora de contraposição, ora de aliança, que os professores de administração mantêm com as estruturas organizacionais.
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A sociedade do conhecimento integrada no âmbito empresarial

A escola vive uma crise crônica, em que os amplos debates no seio da sociedade, entre pais, alunos, educadores, políticos e a opinião pública em geral, praticamente têm por consenso a colocarem em estágio de “morte clinica”. Ou pior: “a escola está morta”, apenas para me reportar ao clássico de Ivan Illich e Everett Reimer publicado aqui no Brasil nos idos de 1975 pela Francisco Alves Editora.
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Ócio criativo

A profunda alteração do modelo econômico globalizado, de um capitalismo de produção, bem descrito por Marx, para um capitalismo de crédito e de consumo, ainda pouco percebido, muito menos compreendido, joga por terra para a quase totalidade das pessoas empregadas nas organizações e, muito mais, para os desempregados temporários e os definitivos, os desejos e aspirações de construção de um "admirável novo mundo" de ócio criativo.
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A teoria X e a Teoria Y, de Douglas McGregor

As pessoas agem como se as suas crenças sobre a natureza humana estivessem necessariamente corretas, fossem verdades absolutas que não requeressem qualquer revisão em particular ou que não pudessem ser submetidas a questionamento ou mesmo confrontadas. Em geral, as pessoas nem se dão conta de que pode existir outros feixes de idéias, com repercussões distintas no comportamento humano nas organizações.
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O pensamento único nas organizações

A privatização da sociedade civil, umbilicalmente vinculada à profissionalização das grandes ONGs internacionais, traz em seu bojo o florescimento de um novo risco à democracia nos tempos modernos, ou seja, o ovo da serpente do totalitarismo: o espírito crítico da sociedade se circunscreve à hegemonia de um pensamento único, percebido equivocadamente como a quintessência do consenso na sociedade em que vivemos.
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A economia do consumo e do crédito

A fina flor da doutrina empresarial moderna afirma que a função da oferta é criar demanda, ou seja, é preciso induzir e ampliar novas necessidades, que exigem cada vez mais diferentes níveis de satisfação e de aumento do número de novos clientes. E isto vale tanto para produtos industriais quanto financeiros. Os empréstimos neste contexto são a jóia da coroa: a oferta crescente de empréstimos deve criar e ampliar a necessidade de novos empréstimos para dar vazão a um consumo cada vez mais concupiscente.
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A privatização da sociedade civil

As ONG´s sofrem crescente questionamento em todo o mundo. Mas, ao mesmo tempo, aumentam a sua importância e influência no conjunto da sociedade, no mundo das organizações, na vida política e comunitária, nos governos e na administração pública em geral. Assumem-se como verdadeiras expressões da sociedade civil, as quais julgam legitimamente representar. Por demais atuantes, superativas, agem à revelia de uma enorme maioria silenciosa, que não necessariamente as aprova, mas que as permite exercer o papel de porta-voz da sociedade civil.
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O empregado descartável

A presença atuante dos sindicatos lutando pela preservação e avanços nas conquistas dos trabalhadores e o estado do bem-estar social garantido por um sistema previdenciário que se pensava sólido, associado a organizações empresariais complexas de grande porte, construíram um período na história da humanidade de razoável estabilidade e de certeza de relações no trabalho. Esse período talvez tenha perpassado os três primeiros quartéis do século XX. Mas já não mais existe. A geração pós-Anos Dourados ou pós-Baby-boomers hoje convive com uma realidade inteiramente diversa.
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Voluntariado solidário e responsabilidade social

As grandes corporações crescentemente identificam e evoluem por um novo espaço de ação institucional que lhes tem granjeado enorme prestígio público e social. Atuam no vácuo produzido pelo claro propósito dos governos de deixar sob responsabilidade da iniciativa privada a minimização do problema de desigualdade e do destino dos excluídos da sociedade ou submetidos ao risco da vulnerabilidade social. A difusão dos conceitos de responsabilidade social e empresa-cidadã é uma clara resposta do mundo empresarial à supremacia hegemônica praticada pelos governos que conduzem ao Estado mínimo, com a radical redução das dimensões da ação do poder público para equacionar problemas relativos ao desemprego, à mendicância, à exclusão social, à gravidez precoce, à violência contra a infância e as mulheres, à violência em geral que se dissemina em todos os centros urbanos.
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As organizações e a expansão do fundamentalismo religioso no mundo

As referências atitudinais e psicológicas entre o fundamentalismo religioso de quaisquer denominações – sejam os evangélicos, católicos, islâmicos, judeus, umbandistas, candomblecistas, espíritas, etc – e o empregado convertido ao cultismo das organizações empresariais no mundo dos negócios guardam visíveis semelhanças. Por exemplo: a vida, no seu sentido mais amplo, não é um valor por si mesmo, a não ser quando associada ao coletivo dos crentes para os religiosos e aos colegas de trabalho para o empregado da organização deificada. Só na integração e na participação com seus semelhantes – na comunidade religiosa ou na organização corporativa – o indivíduo se sente pessoa, preserva o seu próprio eu.
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A hora da verdade

O Brasil precisa compreender que a sua crise também é de gestão. Uma perversão econômica persistente por décadas deformou a capacidade de perceber das pessoas, como se uma hemiplegia ético-moral só nos fizesse acreditar no lucro fácil, na desnecessidade do trabalho árduo, nos ganhos financeiros improdutivos e desmesurados, na lógica corrosiva do sempre querer levar vantagem em tudo, no jeitinho desonesto, no pistolão e na malandragem.
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A Justiça atravessou na avenida

O Carnaval do ano passado ensejou uma oportunidade especial de vislumbrar os riscos das trevas do totalitarismo que se abatem sobre uma sociedade quando o Estado envereda pelo caminho da apreciação moral das regras políticas e jurídicas. Refiro-me aos episódios da violação da liberdade de expressão em que a Justiça proibiu no Rio de Janeiro a Escola de Samba Unidos do Viradouro de desfilar com um carro alegórico sobre o holocausto da II Guerra Mundial, e de a Prefeitura de Recife ter sido acusada de haver desrespeitado a lei do aborto ao distribuir a chamada “pílula do dia seguinte” durante o tríduo momesco.
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Organizações: coletividades sociais de trabalho?

Downsizings e reengenharias, busca permanente do número mínimo necessário à realização do trabalho, contenção de despesas, pressão crescente na redução de quadros, empurrando os empregados à demissão, individualização das remunerações mesmo para cargos idênticos, papel cada vez mais pífio da representação sindical, avaliações subjetivas de desempenho, intensificação da carga de trabalho, multiplicação de constrangimentos à execução das tarefas e atividades, supressão dos ditos tempos improdutivos por aumento de responsabilidades e ampliação do conteúdo ocupacional,
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O elo perdido das organizações.

A globalização e a mundialização da economia produzida pela sociedade de mercado, em especial a partir dos anos 1980, com a intensificação dos paradigmas dominantes dos lucros e dos resultados nos balanços, jogaram às trevas tudo o que cientificamente já se conhecia do processo de condicionamento do comportamento humano no trabalho. E o mundo corporativo em vez de avançar nas práticas das melhores formas de estimular o desempenho de seus colaboradores, produziu desde então passos significativos de retrocesso.
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Grave crise nas entidades de fiscalização profissional.

As entidades de fiscalização de exercicio profissional no Brasil, conhecidas como conselhos, sofrem grave crise de sustentabilidade institucional diante do seguinte impasse: de um lado decisões judiciais federais em todas as comarcas fixam o consenso de que as entidades de fiscalização têm que calcular o valor de suas anuidades com base na MVR. Praticamente já virou jurisprudência.
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Por um novo Conselho: opções de destino

De início, é preciso que se compreenda que a realização apenas de seminários e congressos, por mais bem sucedidos que sejam, não esgota a contribuição de uma profissão. Podem até por algum tempo fazer algum barulho na mídia, granjear os famosos 15 minutos de fama para uns poucos conselheiros. No entanto, pouco a pouco, como um bumerangue, ações e atividades dissociadas de uma concepção mais ampla do que deva ser a profissão acabam por minar a credibilidade do Administrador, se não houver uma contrapartida de benefícios tangíveis, concretos e reais que justifiquem a sua adoção.
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Como dispor de mais tempo e espaço na sua vida?

Aparício Torelli, o festejado barão de Itararé, gostava de dizer que "a única coisa que se leva dessa vida é a vida que se leva". Esta é a questão fundamental a qual precisamos responder: pretendemos usar todo este tempo adicional de vida da forma como hoje a levamos? Será que você é daqueles que toma remédio para dormir, pois o estresse e a fadiga residual do cotidiano não o deixam relaxar, acorda de manhã com a sensação de que precisa sair correndo atrás do prejuízo, faz as suas refeições em fast food para não perder tempo e transforma inelutavelmente os seus fins de semana e feriados em períodos extraordinários de trabalho?
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Qual é o maior problema da avaliação de desempenho?

Um sistema ruim pode ser trocado por outro melhor. Os fatores podem ser ajustados e adequados às características da organização e da natureza do trabalho dos profissionais objetos da avaliação. Os prazos podem ser modificados, negociados, encurtados ou estendidos. Os formulários podem ser mais bem concebidos e dimensionados em termos de cor, tamanho, campos e números. As dimensões de avaliação podem sofrer tratamento estatístico. No entanto, corrigir essas distorções significa tentar acertar os efeitos e não as causas da má avaliação. Persiste a dificuldade fundamental: a má avaliação decorre do mau avaliador.
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Aprenda a dizer não!

A nossa indisposição com o “não” invade até a nossa língua, já que faz do “pois sim” um “não” e do “pois não” um sim. E os machistas inveterados sempre se lamentam, pois custam a aprender, em suas vidas de conquistas, que na comunicação sutil das mulheres muitos “não” são “sim”.
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Pontualidade e assiduidade

Pontualidade e assiduidade são obrigações funcionais do funcionário decorrente do contrato de trabalho mantido com o empregador. São condições preliminares para o desempenho de quaisquer relações de emprego. Assim, não deveriam ser tratadas pela avaliação de desempenho, mas ser objeto da disciplina da gestão de pessoas.
Wagner Siqueira

Programe o tempo, depois o trabalho.

No mundo globalizado, o conceito americano do “just do it” propagou-se como uma verdade definitiva. Há uma compulsão pela ação, por estar sempre fazendo alguma coisa. Até as crianças já refletem também tal tendência, tantas são as atividades simultâneas que realizam, além das escolares.
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Administrar em Contexto de Mudança.

A mudança é difícil de gerenciar. É imprevisível, super solicitante. Chacoalha o senso de controle das pessoas, afeta a presença da organização no mercado. A solução consiste no esforço sistemático de desenvolver uma atitude pessoal e grupal de equilíbrio
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Democracia: Instituições e Costumes

A boa prática da democracia depende de duas condições: das instituições e dos costumes. Onde as instituições são adequadas e os costumes saudáveis, está assegurada...
Wagner Siqueira

A acumulação perversa do capital

Afirma-se que o capital cria riqueza. Isto é muito simplório: uma pilha de dinheiro acumulado não cria coisa alguma. O que cria riqueza é o...
Wagner Siqueira

Ser versus Fazer

Para os existencialistas a dissonância SER X TER seria a marca definitiva do homem moderno em busca do auto-encontro e da felicidade. Mal sabiam que...