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Vittorio Medioli

O Brasil tem jeito

O Brasil se apresenta ao mundo como um paciente terminal e intratável, sem credibilidade e sem referências morais remanescentes. Perdeu-se no espaço, e perderam-se os timoneiros. A roubalheira destinada para acumulação de patrimônios pessoais fantásticos é que se firmou como a causa de tudo
Vittorio Medioli

Dharma e educação

Sem subestimar os demais, os primeiros anos de vida são os mais importantes do ser humano. Nesse período ele recebe e arquiva a maior parte de seu modus vivendi, aquilo que na Índia é entendido como dharma. Quer dizer: a natureza interna caracterizada em cada homem pelo grau de desenvolvimento adquirido, sucessivamente colocado à disposição da evolução futura.
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O túmulo da verdade

Seria prudente dar ao mundo um instrumento que permitisse assistir cenas do passado? Tudo que já se passou neste e outros planetas em qualquer época? Ainda podendo ouvir os sons e as palavras como se ocorressem ao vivo?
Vittorio Medioli

A conta chegou!

O momento é grave. A economia brasileira parou de crescer e desde 2013 despenca em ritmo assustador, nos últimos dois anos repetiu a queda de 3,6%. Minas Gerais, um dos Estados mais vastos, populosos e ricos da Federação, conseguiu despencar pela segunda vez em 5%.
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O excesso de riqueza

O fenômeno que desemprega e joga na miséria milhões de brasileiros decorre de uma crise moral assombrosa que afetou a capacidade de discernimento das elites dominantes. O Brasil está em convulsão. Os projetos que poderiam acelerar a economia nacional estão fora da compreensão e dos interesses corporativos, o que se discute são propostas do Fundo de Financiamento da Democracia, um assalto legalizado de R$ 12 bilhões por legislatura, colocado nos ombros dos contribuintes.
Vittorio Medioli

Uma eleição com novas regras

Inicia-se em 16 de agosto uma campanha eleitoral totalmente diferente das anteriores. Espremida em 45 dias de calendário e apenas 35 dias de divulgação em TV e rádio, sem outdoor, superplacas ou recursos mirabolantes, sem show de cantores e atores, terão os candidatos um enorme trabalho para arrancar votos dos eleitores usando de sua cara e capacidade pessoal.
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O prazo de Temer

Torcer contra Temer seria torcer para que a desgraça que desabou sobre o Brasil se ampliasse. Certamente, não é o sentimento que prevalece na nação que espera e torce por uma saída da crise. A missão quase impossível é dar resultado palpável antes de 18 de agosto, início da campanha eleitoral, quando os candidatos em palanques se apresentarão associando-se a sucessos ou malhando os fracos resultados de Temer.
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Dilma só pensa em se salvar e esquece de salvar o país

O país transformado em cemitério de empregos e de empresas não é o suficiente? Precisa esperar que o Brasil fique cinza para trocar de governo? Mais de 1,1 milhão de desempregados nos últimos três meses são dose de elefante de se aguentar. Esse é problema a se discutir.
Vittorio Medioli

A qualidade dos impostos

Açoitado, tratado como sonegador, privado do seu direito constitucional à boa-fé, o cidadão enfrenta limitações no Brasil que superam os limites de uma organização civilizada de direito. Acorrentados pela burocracia e asfixiados pelos tributos que alimentam um Estado perdulário e afamado, tirano e velhaco, o cidadão e as famílias sofrem privações ilegais.
Vittorio Medioli

Governo do PT atrasou o país em vinte anos, pelo menos!

No Brasil, rifado pelos banqueiros e pelos corruptos, não se valoriza a qualidade dos impostos. Arrecadar admite qualquer meio, por mais regressivo e destrutivo que seja. Em 2015, o Brasil foi ferido, martirizado, sem necessidade alguma. A produção industrial no Brasil despencou em 9,5%, e a nova queda esperada do PIB é 3,6%. Para as indústrias, o fantasma da falência e volumes de queda no nível da década de 90. E o pior está por vir com mais dois milhões de desempregados previstos para 2016. Um nível de colapso e falência social.
Vittorio Medioli

A virtude da beleza

Uma leitora, depois de ter assistido a um programa de moda em canal de TV paga, gentilmente me pediu para comentar o uso de peles de animais no vestuário feminino. Seria apenas uma escolha cruel, não fosse absolutamente inútil e de gosto duvidoso.
Vittorio Medioli

O início de um novo ciclo

Joaquim Levy herdou uma situação complicada do seu antecessor, Guido Mantega, no fim de 2014, e devolve agora a Nelson Barbosa uma escabrosa. Deixa para trás um milhão e meio de desempregados, fechamento de milhares de indústrias, mercados em pânico, redução da arrecadação pública, apesar de estrondosos índices de alíquotas de impostos. A inflação, com ele, passou de 6% para 10%, o dólar subiu de R$ 2,30 para R$ 4. O PIB, de um crescimento de 0,1% para uma queda de 2,7%.
Vittorio Medioli

O descaso e o mosquito

Continua-se a abandonar em áreas o que serve ao mosquito para se reproduzir. Sua difusão representa a esta altura o menosprezo do ser humano com sua espécie. Para piorar o quadro, chegou agora a crise econômica, que determina aos municípios cortes de despesas. Nessa conjuntura, as ações de limpeza se enfraqueceram ainda mais. Nota-se, como nunca, que as áreas urbanas são tomadas de entulhos, descartes domésticos, coisas sem utilidade e valor. Os canteiros se transformaram em depósitos de milhões de toneladas de lixo, que monumentalizam a falta de maturidade geral.
Vittorio Medioli

O perfil mudando para pior

As medidas excessivamente ortodoxas e de costas para os setores produtivos, aqueles que sustentam de verdade a economia nacional, notadamente os primários, vêm dizimando vagas de emprego e fechando empresas, acabando com fontes de renda e até de arrecadação de tributos. De tudo isso quem ganha? Setores que davam sinais de falta de competitividade estão sendo tragados no vórtice gerado pelas medidas do interventor Joaquim Levy, banqueiro licenciado do Bradesco. Os maiores bancos em 2015 já anunciam recordes de lucros no semestre mais infeliz da economia nacional dos últimos 20 anos.
Vittorio Medioli

Embrulhando o arco-íris

Um desses “afortunados” gênios, Pierre Omidyar, da eBay, titular de uma dezena de bilhões, explica que, alcançando a riqueza espetacular, entendeu que esta não provoca necessariamente a satisfação. “Fiquei, da noite para o dia, estupidamente rico e vi que podia comprar não só o carro dos meus sonhos, mas como todos os 30 carros que estavam na loja. E, quando você percebe isso, todos os carros, de repente, deixam de ser interessantes e não satisfazem mais nada”.
Vittorio Medioli

A corrupção mata!

Na dantesca selva, até que enfim, um raio fulgurou na Fifa. Destampou a fossa e colocou à vista as lúgubres figuras que a povoam. Mais que uma moralização do mundo do futebol infestado de cartolas velhacos, a atitude, que partiu dos Estados Unidos, parece uma declaração de guerra à corrupção pelo mundo afora, contraria o jeito de arrancar propinas que se generalizou no mundo e perdeu o controle no continente latino-americano. Neste quadrante, a corrupção devasta as economias nacionais e as deixa em frangalhos. Se a guerra era apenas contra os cartéis do tráfico na América Latina, agora os EUA pretendem enfrentar as quadrilhas organizadas da corrupção. Pegaram pesado contra a Petrobras pelos rombos aos fundos que nela investiram, e não poderia ficar de fora a Fifa, que rapa, da paixão do mais difundido esporte no planeta, bilhões a cada ano.
Vittorio Medioli

Um país injusto

Não precisa ser um iluminado para enxergar os graves erros cometidos nas escolhas e apostas nacionais. Jogar todo o cacife da Petrobrás no pré-sal, que se viabilizaria apenas num cenário de preços crescentes do barril de petróleo, mais que atender o interesse nacional, atendia o interesse de um esquema que hoje se revela como “petrolão”. Aumentar estupidamente os custos da máquina estatal, como se impostos e contribuições para sustentá-los caíssem de graça do céu, criou um ralo colossal nas contas públicas, penalizando diretamente a capacidade de desenvolvimento da economia. Pior, adicionando uma burocracia marcada de corrupção de toda espécie num quadro de selva de complicações.
Vittorio Medioli

Pietro Ubaldi e sua grande síntese do conhecimento

De vez em quando, aparece alguém, com um ar de outro mundo, que desce à Terra para acelerar o desenvolvimento humano. Quanto mais adiantados forem seus ensinamentos e ideias, maior será a possibilidade de ser incompreendido, contestado e perseguido. Não se quebram paradigmas impunemente. Três pregos e duas tábuas no alto da colina podem esperar o precursor de ideais. Leonardo não era compreendido quando desenhava helicópteros; Galileu mal escapou da fogueira por ensinar que a Terra roda em volta do Sol; só depois da morte, Van Gogh foi reconhecido como um gênio da pintura; passaram-se dois séculos da descoberta da luneta antes que ela fosse adotada pelos cientistas; o cristianismo penou 300 anos para ser aceito em Roma, e os cristãos gastaram o mesmo período para se desculpar pelas barbaridades contra índios e negros em terras brasileiras.
Vittorio Medioli

A cleptocracia brasileira

Recebi coincidentemente três mensagens nos últimos dias de pessoas que declaram não ter comemorado tradicionalmente a passagem de ano. Não encontraram motivos de alegria para prolongar a noitada. Sentimento de melancólica tristeza, apreensão e incerteza. São eles uma parte deste mundo verde-amarelo, captando as radiações do momento nacional. Que motivo têm de ter orgulho nacional? Quebra de autoestima brota das circunstâncias reais.
Vittorio Medioli

Um gesto pode mudar o mundo

Devido ao engarrafamento, desviamos por um bairro de Contagem. Uma mulher de 50 anos, com seus 20 kg a mais, rodopia o braço e arremessa o saco de lixo, além do arame farpado, num lote vazio. Sem pudor algum. Sem ao menos deixar nosso carro passar. Atitude que já tomou infinitas vezes. O local onde o embrulho aterrissa já é coberto de entulhos e imundices depositados ali por livre escolha de seres que ainda não fazem jus ao atributo de humanos.
Vittorio Medioli

O sujo que continua vencendo

A gasolina deixa apenas a emissão de CO² que respiramos no trânsito e aumenta gastos com saúde. Os governos que se sucedem são incapazes de estancar esse círculo vicioso e perverso que empobrece nossa economia. Minas é o maior consumidor proporcional de gasolina do país. Nos últimos dois anos fecharam oito usinas, e mais quatro fecharão no próximo, pois anunciaram a impossibilidade de renovar canaviais agora. O paradoxo é tamanho que quem chega de um ambiente mediamente lúcido espanta-se com a lógica perversa tupiniquim. Tudo para ter o melhor, e chutamos o balde cheio de oportunidades. A “incompetentocracia” chega ao seu ápice na política energética nacional.
Vittorio Medioli

O momento da definição eleitoral chegou

Nada está definido, existem, sim, tendências que estão se solidificando, mas a cada candidato se concedem ainda possibilidades de vitória. Nem tudo está perdido, nem tudo está ganho. Faltam quatro semanas, 28 dias, para decidir quem passará ao segundo turno. A cada dia, fica mais árdua uma mudança radical de tendência. O que sobra de tempo, como lembrou um marqueteiro argentino, é essencialmente para intensificar a “porradaria”. Quer dizer, a desconstrução dos adversários, removendo-os do caminho. Em outras palavras: “demonização” para fins eleitorais.
Vittorio Medioli

O branco e nulo que ganha a eleição

Uma parcela assombrosamente enorme do eleitorado se pronuncia a favor de anular o voto ou deixá-lo em branco na cédula eletrônica, mesmo dando-se ao trabalho de atender a obrigatoriedade de se apresentar para votar. O fenômeno espanta, ultrapassa qualquer outro momento da história do país. Não se trata apenas de indecisão, de indiferença. Retrata a vontade, neste momento, de reprovar as opções disponíveis. Isso fere diretamente a “classe política”, macula o princípio de democracia que deveria garantir ampla possibilidade de escolha. Nem um lado quanto menos outros se mostram merecedores do esforço de digitar apenas dois números na urna daqui a 60 dias.
Vittorio Medioli

A derrota, um legado indissolúvel

A Copa permitiu ao mundo refletir e não encontrar explicação pelos 50 mil homicídios que se contabilizam no país em apenas 12 meses. Outro 7 a 1 em mortes violentas comparando-se com as mortes do Afeganistão e do Iraque, que vivem a guerra civil. Não bastasse, pareceu que aqui se desenvolveu um dos maiores mercados de consumo de drogas, invadido pelo pó da Bolívia, do “aliado” Evo Morales, a quem dispensamos do bom e do melhor. Os distúrbios em volta dos estádios fizeram aparição também nas telas, estarrecendo a violência com que eram reprimidos com “clava forte”, destacando que uma minoria estudantil, insatisfeita, não se conforma com os gastos faraônicos da Copa.
Vittorio Medioli

Fazer por merecer

Cabe lembrar, no momento em que se aproximam as eleições, que milhões de pessoas escolherão seus representantes para dirigir o destino da nação. O que acontece nesse momento? É o mérito do candidato ou o saldo de méritos de uma nação? Esse último pesa mais, e os dois se entrelaçam. O escolhido virá para fazer o bem ou o mal que a Justiça Divina decide ser conveniente para aquele momento. Mais que de vontade própria, as coisas acontecem longe da lógica comumente aceita. Tudo bem, nós podemos mudar, mas mudar significa adicionar méritos e pecados, e ambos serão cobrados.
Vittorio Medioli

Ganhar copas de verdade

A Copa do Mundo chega agora como um contra-senso, apesar da paixão nacional que a envolve e apesar de tudo e mais alguma consideração em relação ao futebol brasileiro. Poder-se-iam justificar os gastos com um torneio de poucos dias aproveitando-se da meia dúzia de bons estádios que existem no país. Revitalizados ou, como diz meu amigo, “embelezados”, atenderiam a Copa como se deu na África do Sul. Aqui não, a responsabilidade de nossos representantes legitimamente eleitos fez com que a construção de estádios de nível mundial se desse por valores absurdos, alguns em localidades que hospedam apenas times “de várzea”.
Vittorio Medioli

Em defesa da nação

Nos últimos meses, o maior esforço empreendido pelos nobres senadores da República dilmista, sob coordenação do presidente da Casa, Renan Calheiros, se deu na tentativa de evitar a investigação que colocaria à luz os desmandos na maior empresa do país, a estatal Petrobras. Os senadores foram vencidos por uma avassaladora onda de denúncias. Abriu-se a CPI, e os esforços de Renan e cia. se concentraram em reduzi-la à ópera bufa que levanta indignação. Instituição antigamente respeitada, o Senado virou uma piada de mau gosto, deixando aos brasileiros (que pensam) a sensação de uma tremenda amargura.
Vittorio Medioli

A dívida da imoralidade

Hoje, que líderes temos? Existe um vislumbre de figura carismática e “moral”, dessas que podem fazer sonhar e se orgulhar uma nação inteira? Nos últimos anos, têm alcançado o poder não só no Brasil, com insolente frequência, figuras que de moral são exemplos inversos e que competência para governar têm ainda menos. O avanço do Brasil medido com a régua internacional, nos últimos 14 anos, é muito abaixo da média, assim como ilusórias e demagógicas as comemorações. Se países congêneres subiram três degraus durante uma onda mundial, o Brasil subiu um. Ainda perdeu os ventos que sopravam a favor.
Vittorio Medioli

Como acaba o IPTU

O Brasil pode servir perfeitamente como exemplo de mau uso na aplicação de recursos públicos. É uma observação surrada, entretanto, necessária de ser lembrada, já que está na base de inúmeras desgraças nacionais. Excesso de impostos, ônus que desabam sobre o cidadão, nesses dias o IPTU cheio de cálculos propositadamente fraudados. A indignidade até nas fórmulas de cobrança não é poupada, nossos governantes não sabem o que é ter respeito, vergonha, se esbaldam da burocracia medieval enraizada no Estado brasileiro, essencialmente patrimonialista, abusado e perdulário. Faltam-lhes transparência e honestidade. A carência endêmica é de honestidade. A qualidade dos governantes, dos “poderosos” é lastimável. Falta-lhes grosseiramente embasamento moral, em geral o espírito público, e sobram-lhes interesses pessoais, sede de poder, desatrelados do genuíno interesse da população. Falta-lhes amor ao ser humano, um sentimento que o olhar, as palavras, os gestos revelam a quem tem um mínimo de sensibilidade.
Vittorio Medioli

Pouco com Deus

Aristóteles acreditava que “O homem sábio não procura o prazer, mas a ausência de dor”, não se desgasta para ter, se satisfaz em ser. Não existem luxo, opulência e poder que valham a perda da serenidade, portanto, o sábio rejeita sonhos fantásticos, metas ambiciosas, complicações fúteis que, uma vez alcançadas, despertam mais ambição, apetite, mais orgulho do que paz. O filósofo grego ainda sentenciou: “A felicidade é de quem é suficiente a si mesmo”. O esforço tem que se voltar para dominar nosso inquieto interior, e a “fome de vento”. As fontes externas de felicidade e prazer por natureza são extremamente frágeis, perecíveis, sujeitas ao acaso e podem, mesmo nas melhores circunstâncias, ressecar repentinamente. O que era pó, mais cedo ou mais tarde, a pó voltará.
Vittorio Medioli

Uma razão para tudo no Hinduísmo

Ensina a doutrina hinduísta que existem quatro Devarajas, entidades de categoria superior inacessíveis aos sentidos do ser comum desta terra. São eles os grandes arquivistas, registradores onipresentes e oniscientes das venturas de todos os homens. A eles nada escapa, cabem-lhes assim as tarefas de julgar e cobrar qualquer pequena ou grande ação, e até o conjunto da obra. O método de avaliação é perfeito na lógica atemporal e divina, incontestável, por vez, obscuro ao entendimento imediato, mas correto e inquestionável na infinita trajetória deste fato misterioso que é o homem. Chamados também de senhores dos ventos, são eles os fiéis administradores da justiça divina, da qual nada consegue esconder. À prova de engano, nem o mais experimentado dos dissimuladores consegue despistar o valor real de uma ação, de um gesto, de um pensamento, de qualquer intenção. Eles, soberanos, encarregam-se de premiar e de castigar, de dar corda ao livre-arbítrio, de conceder prazo, para que o ser humano conquiste seus méritos, ou acumule mais dívidas.
Vittorio Medioli

Pietro Ubaldi, o espírito e a matéria

De vez em quando, aparece alguém, com um ar de outro mundo, que desce à Terra para acelerar o desenvolvimento humano. Quanto mais adiantados forem seus ensinamentos e ideias, maior será a possibilidade de ser incompreendido, contestado e perseguido. Não se quebram paradigmas impunemente. Três pregos e duas tábuas no alto da colina podem esperar o precursor de ideais. Leonardo não era compreendido quando desenhava helicópteros; Galileu mal escapou da fogueira por ensinar que a Terra roda em volta do Sol; só depois da morte, Van Gogh foi reconhecido como um gênio da pintura; passaram-se dois séculos da descoberta da luneta antes que ela fosse adotada pelos cientistas; o cristianismo penou 300 anos para ser aceito em Roma, e os cristãos gastaram o mesmo período para se desculpar pelas barbaridades contra índios e negros em terras brasileiras.
Vittorio Medioli

A chegada do novo

Muito precisa ser feito para resgatar socialmente minorias étnicas, raciais, religiosas e outras discriminadas por suas livres escolhas comportamentais. Registramos um portentoso progresso nos últimos cem anos comparando-se com os séculos anteriores. Deram-se avanços juntamente com a expansão da consciência, com o reconhecimento apenas do “óbvio” que se incorporou nos costumes da população. O que era “normal” no século XVIII, como deportar, destratar, açoitar, enforcar e exterminar, passou a ser crime, e, mesmo que não o fosse, hoje, felizmente, não se coadunaria com algo de minimamente civilizado. Não há quem duvide de que discriminar uma pessoa pela cor da pele é errado, estúpido e reprovável, além de antissocial.
Vittorio Medioli

Volta, Dilma!

Durante a semana passada, o que era boato passou a soar como alarme. As notícias circularam em off, entretanto as fontes e os detalhes, além das mudanças repentinas de atitude, permitem dar crédito a que o ex-presidente Lula só tem remotas possibilidades de voltar à vida normal, quanto mais de se candidatar. Dilma é a única via do PT. Ponto final. E, como disse o marqueteiro João Santana, até dezembro ela pode recompor seus índices de popularidade. Quer dizer que o partido e os aliados deverão se engajar na restauração do brilho que se apagou recentemente.
Vittorio Medioli

À procura de uma saída

Quem tenta demonizar as manifestações e os manifestantes, definindo-os como “despolitizados”, evidentemente não entendeu o sentido dos acontecimentos ou prefere confundi-los, imaginando que ainda existe margem para a enganação. Outra bobagem: “mídia de direita”. Pois é emparedada e acuada e torce sem desdém para tudo acabar rápido. Não é certamente ela cúmplice do levante popular, mas alvo da contestação, de carros incendiados e restrições ao exercício de ficar presente. Não serão, certamente, um plebiscito ou um referendo fórmulas suficientes para escapar do deserto de alternativas e se chegar a calar o levante, mas fundamentalmente eleições, que refrescarão o país assolado. Novos compromissos, rediscussão do papel de Estado e das prioridades, tremendamente confusos, mesmo com o risco que representa a inexperiência de um contingente de calouros que ocupará parte relevante das cadeiras do Congresso e os mandatos eletivos em jogo.
Vittorio Medioli

O verdadeiro sentido da vida

Na estúpida corrida para bater recordes de acumulação de riquezas, o verdadeiro sentido da vida tende a ficar para trás. Continua gozando de maior respeito um homem rico do que um sábio. O primeiro é mais visível, possui acessórios caros; impõe-se pela capacidade de comprar soluções; o segundo, por evitar comprá-las, pois não gera problemas. Um mede seu êxito pelo tamanho da inveja que suscita; o outro, pela arte de insuflar satisfação, pois ele compreendeu que não é feliz quem mais tem, mas quem mais se satisfaz com o que tem. A felicidade, em si, não é algo exterior, não vive fora do indivíduo nem se pode comprar na feira. Ela se gera bem no tabernáculo humano, num recinto pessoal e intocável, como um sentimento de plena harmonia, e não de superioridade. Engana-se, portanto, quem desfila entre seus semelhantes recolhendo olhares invejosos ou medindo sua importância pela riqueza. Será um Sísifo empurrando eternamente a pedra e recomeçando sempre do princípio.
Vittorio Medioli

Entre os países do BRICS, Brasil é o que tributa mais e cresce menos

Entre os países dos Brics, o Brasil é recorde de menor crescimento e de maior confisco tributário sobre o PIB. Com nossos estonteantes 35,78%, enquanto a Rússia registra 24%, a China, 21%, e a Índia, apenas 12%. Também somos recordistas em mordomias concedidas a quem ocupa altos escalões. Esses são os fatores que desequilibram drasticamente nossa economia. O que tem que se entender urgentemente, acima de fatores de renúncias tributárias, manejados supostamente com finalidades “particulares” aqui, em Minas – que precisam, obviamente, ter nome, endereço e apuração revelados –, é a necessidade inadiável de desonerar a produção mineira e brasileira dos escorchantes impostos e da burocracia demoníaca.
Vittorio Medioli

Privatização e abandono da saúde

Levantamentos estatísticos recentes traçam um perfil interessante, e que precisa ser avaliado, sobre saúde, a maior preocupação e a maior necessidade lembrada por cerca de 75% dos cidadãos brasileiros. Sempre se tratou de um grande desafio. Entretanto, a forma de se enfrentar esse tema pelo poder público, a partir do governo federal e seguindo até os municipais, na última década, foi desastrosa. Segundo as pesquisas, a opinião dos entrevistados aponta um abandono. Se, no começo do século em curso, encontravam-se insatisfações na ordem de 45%, atualmente, elas passam dos 75%.
Vittorio Medioli

A incrível política econômica e a falta de oposição

Muito distante da efervescência, cada vez mais diluída, da política nacional, posso dizer que Dilma faz sucesso. Popularidade como nunca ninguém registrou. E o faz num momento em que deveria, pelas circunstâncias, estar em sérias dificuldades. Confusa e até meio descontrolada em suas decisões mais recentes, a presidente continua “inoxidável” ao desgaste, arriscando-se onde não deveria e ficando inerte onde precisaria de uma ação decidida. Tomou uma medida arriscada em relação às contas de energia elétrica, não por elas exigirem justamente uma diminuição, mas pelo fato de que não se barateia por decreto um serviço que é escasso, endemicamente problemático e luta à beira do apagão. Ademais, o setor precisa de altos investimentos para garantir energia para o crescimento econômico. Nos cursos de economia, se aprende que o preço é proporcional à demanda e que a escassez o faz aumentar. Nessa aventura de preços em queda, Dilma entrou, por decisão pessoal e soberana, na contramão da história.