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	<title>Debates Culturais - Liberdade de Idéias e Opiniões &#187; Uili Bergamin</title>
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		<title>Da escrita</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Mar 2010 00:01:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Uili Bergamin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uili Bergamin]]></category>

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		<description><![CDATA[Todo escritor é um pouco anarquista. Por isso meus escritos não consolam nem oferecem respostas. A verdade, porém, é que pouco importa o que digo e escrevo. O que importa são as palavras que se dizem, vindas das funduras de quem lê. É o leitor quem dará ou não vida a estas letras mortas. Depois de ressuscitadas sim é que elas podem mudar mundos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Escrita.JPG" alt="Escrita" title="Escrita" width="221" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-4890" />Meus três primeiros livros &#8211; <strong>&#8220;O Sino do Campanário&#8221;</strong>, <strong>&#8220;Cela de Papel&#8221;</strong> e <strong>&#8220;Do Útero do Mundo&#8221;</strong> nasceram sob o império do acaso. Alheio a minha intenção, confesso que se construíram sozinhos. Não que eu não os desejasse. Muito antes pelo contrário, sempre sonhei em escrevê-los. É que, no caso dessas obras, atraído pelo prazer momentâneo de criar personagens e mundos &#8212; uma historinha aqui, outra ali &#8212; de repente me dou de cara com elas. E. E. Cummings observa acerca de um de seus livros: <em>“Quando este livro se escreveu&#8230;”</em> Como se o livro já estivesse escrito em regiões muito distantes da consciência, emergindo repentinamente de seu esconderijo. Talvez seja isso mesmo.</p>
<p>Por isso a gravidez me interessa; porque escrever é como parir um filho. Um descuidinho e nos tornamos pais, ou escritores. </p>
<p>Diz uma antiga lenda que a Virgem Maria foi engravidada pelo ouvido. Que linda metáfora para sugerir as relações eróticas entre a carne e a escrita. Mas não é precisamente nisso que consiste a arte de escrever, em produzir palavras que engravidam? A palavra é masculina: a fala se projeta como falus, eleva-se e penetra, a fim de dar prazer e engravidar. O ouvir é feminino. O ouvido é um vazio, concha, um convite à palavra que lhe trará prazer e vida.</p>
<p>E esta arte é construída a partir de um fragmento sumamente perigoso – o Verbo. Sim, quem não ouviu dizer que no princípio era o Verbo? O Verbo então se fez carne: o corpo é a escrita encarnada. </p>
<p>Dizem também que palavras são como flechas: uma vez disparadas é impossível recuperá-las. E elas machucam. Doem. Palavras tanto podem ser cutelos como bálsamos; só é preciso conhecer sua alquimia, suas combinações. Eis meu grande desafio, descobrir todas as suas nuanças e mistérios. Nestes três livros seguem minhas primeiras experiências como escritor-alquimista.</p>
<p>Mas não pense o leitor que esta é uma tarefa fácil. Nikos Kazantzakis conhecia bem esta dificuldade. Tanto que disse: <em>“&#8230; as letras do alfabeto me aterrorizam. Elas são demônios astutos e desavergonhados – e perigosos! Você abre o tinteiro e as solta: elas correm – e você não mais conseguirá trazê-las de novo para seu controle! Elas ficam vivas, juntam-se, separam-se, ignoram suas ordens, arranjam-se a seu bel-prazer no papel – pretas, com rabos e chifres. Você grita e implora: tudo em vão. Elas fazem o que querem&#8230;” </em></p>
<p>Todo escritor é um pouco anarquista. Por isso meus escritos não consolam nem oferecem respostas. Não tenho vocação para escritor de auto-ajuda. Meus escritos, pelo contrário, tem a função única de instigar, questionar, mostrar a realidade como ela é, através da ficção, sem enfeites ou demagogias. Que cada um se resolva, depois, com suas eventuais feridas. </p>
<p>A verdade, porém, é que pouco importa o que digo e escrevo. O que importa são as palavras que se dizem, vindas das funduras de quem lê. É o leitor quem dará ou não vida a estas letras mortas. Depois de ressuscitadas sim é que elas podem mudar mundos.</p>
<p><em>*<strong>Uili Bergamin</strong> nasceu em Bento Gonçalves, RS, no dia 02 de fevereiro de 1979. Destaca-se por sua escrita concisa, e pela busca das palavras certas, que encaixam perfeitamente ao texto. Bergamin é também colunista em jornais e revistas de circulação em Caxias do Sul e região.<br />
Obras publicadas</p>
<p><strong>O Sino do Campanário</strong> (2005, contos, Editora Maneco) Coletânea de catorze contos e obra inaugural do autor. Apesar do título, não é propriamente um livro religioso. Talvez seja antes o contrário. O conto que nomeia a obra, por exemplo, narra a história de um padre que, aos 70 anos, revê sua vida e relembra um grande amor do passado. A solidão do celibato, a angústia de estar teminando de viver, o fracasso de uma vida que não realizou seus sonhos nem o de seus pais, faz com que transfira suas dores ao sino de sua igreja, como única forma de redenção. Praticamente todos os contos têm como fio condutor a crença, o amor e a dúvida. Seus contos são independentes e escritos de maneira simples, porém, seu texto é polêmico e questionador, e incita à reflexão sobre crenças, verdades e dogmas.</p>
<p><strong>Cela de Papel </strong>(2006, novela, Editora Maneco) Novela fragmentada, com nuance autobiográfica. É uma fantasiosa alegoria sobre a arte da leitura. Repleta de metalinguagens.</p>
<p><strong>Do Útero do Mundo</strong> (2007, poesias, Editora Doravante) Impiedosos e intensos, luminosos e sombrios, a maioria dos poemas que compõem a obra já obteve alguma premiação literária. <strong>Do Útero do Mundo</strong> vem sendo muito elogiado pelos leitores e também pela crítica.</p>
<p></em></p>
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		<title>A Era da negação</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Mar 2010 03:02:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Uili Bergamin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uili Bergamin]]></category>

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		<description><![CDATA[A moda agora é negar. Negar que recebeu, negar que pagou, negar que sabia... Essa onda vem de cima e avalancha tudo e todos. Negar é mais fácil, a gente se exime de tudo. Negro nega que é negro. Pobre nega que é pobre. Até rico anda negando que é rico. Vejam só onde chegamos. Uma negação total.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Não.JPG" alt="Não" title="Não" width="221" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-4807" />A moda agora é negar. Negar que recebeu, negar que pagou, negar que sabia&#8230; Essa onda vem de cima e avalancha (nego que criei esse verbo esdrúxulo) tudo e todos. Negar é mais fácil, a gente se exime de tudo. </p>
<p>Negro nega que é negro. Pobre nega que é pobre. Até rico anda negando que é rico. Vejam só onde chegamos. Uma negação total.</p>
<p>E essa onda negativa acaba de tomar conta inclusive do último foco de resistência que havia: o meio literário.  Não todos, mas quase (percebam aqui também a negação). Depois de ouvirem nosso presidente negar a leitura, dizendo que lhe dá azia, e que não consegue ler muitas páginas porque lhe dão sono, muitos novos autores acham que podem tornar-se escritores sem ler. E muitos velhos autores acham que podem negar tudo de novo que se produz. Mas o presidente fez pelo menos uma afirmativa, o que nos salva da negação absoluta. Ele assegurou: <em>“Vejo televisão, quanto mais bobagem, melhor.”</em>.</p>
<p>Confesso que eu, que trabalho para a literatura há anos, vejo meus esforços renegados diante desta frase da maior autoridade do país. Ouso afirmar, no meio disso tudo, que essa crise <em>“negatória” </em>não passa de um problema de identidade. Não sabemos quem somos, nem de onde viemos, nem onde estamos.</p>
<p>Digo <em>“nem onde estamos”</em> pois muitos tem vergonha de se dizer brasileiros, gaúchos ou caxienses. A alcunha de <em>“escritor caxiense”</em>, por exemplo, soa como um estigma para alguns, que em suas cabeças desavisadas parecem residir em Paris ou em Nova Iorque. Confundem sua pessoa, que mora em uma cidade localizada geograficamente, com sua obra, que pode ou não ser universal. E pregam a distinção entre autor e obra. Mas a contradição vai sem rédeas quando esses burocratas da literatura negam que haja uma fórmula para a arte e ao mesmo tempo dizem que não há caminhos duplos. Como assim? Se não há uma fórmula é porque existem vários caminhos, duplos, quíntuplos. A negação pode ser muito contraditória. Cuidado!</p>
<p>Sempre desconfiei de pessoas que vivem com o “não” na boca. Negam a terra, negam a liberdade, negam até a arte, criando fórmulas escamoteadas nas entrelinhas de seu discurso proibitivo.</p>
<p>É hora de assumirmos nossa identidade, planejarmos nossas ações e, de uma vez por todas, dizer SIM às nossas origens e à nossa literatura.  </p>
<p><em>*<strong>Uili Bergamin</strong> nasceu em Bento Gonçalves, RS, no dia 02 de fevereiro de 1979. Destaca-se por sua escrita concisa, e pela busca das palavras certas, que encaixam perfeitamente ao texto. Bergamin é também colunista em jornais e revistas de circulação em Caxias do Sul e região.<br />
Obras publicadas</p>
<p><strong>O Sino do Campanário</strong> (2005, contos, Editora Maneco) Coletânea de catorze contos e obra inaugural do autor. Apesar do título, não é propriamente um livro religioso. Talvez seja antes o contrário. O conto que nomeia a obra, por exemplo, narra a história de um padre que, aos 70 anos, revê sua vida e relembra um grande amor do passado. A solidão do celibato, a angústia de estar teminando de viver, o fracasso de uma vida que não realizou seus sonhos nem o de seus pais, faz com que transfira suas dores ao sino de sua igreja, como única forma de redenção. Praticamente todos os contos têm como fio condutor a crença, o amor e a dúvida. Seus contos são independentes e escritos de maneira simples, porém, seu texto é polêmico e questionador, e incita à reflexão sobre crenças, verdades e dogmas.</p>
<p><strong>Cela de Papel </strong>(2006, novela, Editora Maneco) Novela fragmentada, com nuance autobiográfica. É uma fantasiosa alegoria sobre a arte da leitura. Repleta de metalinguagens.</p>
<p><strong>Do Útero do Mundo</strong> (2007, poesias, Editora Doravante) Impiedosos e intensos, luminosos e sombrios, a maioria dos poemas que compõem a obra já obteve alguma premiação literária. <strong>Do Útero do Mundo</strong> vem sendo muito elogiado pelos leitores e também pela crítica.</p>
<p></em></p>
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		<title>Mais um erro estatístico</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 02:03:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Uili Bergamin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uili Bergamin]]></category>

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		<description><![CDATA[Um presidente negro nos EUA, uma primeira-dama também negra, vinda das classes baixas, um mulato, gago, epiléptico e com pouquíssimo estudo se tornar o maior escritor brasileiro de todos os tempos, são apenas alguns exemplos do que digo. Essas pessoas são fracassos estatísticos. Tinham tudo para dar errado, como as estatística apontavam, e serem mais números na montanha de números que eram para ser. Mas alguma coisa houve, em algum momento do caminho, que os transformou em pessoas. Esqueceram sua condição de número, para assumir uma personalidade capaz de mudar a realidade – e conseqüentemente as estatísticas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Estatística.JPG" alt="Estatística" title="Estatística" width="220" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-4445" />Tanto as estatísticas oficiais &#8212; ou seja, as que são divulgadas na imprensa – como as não-oficiais – aquelas que desde sempre são incutidas em nossa mente – são tão falsas quanto o cinema norte-americano. Elas nos fazem pensar de determinada forma, nos induzem a algo, quando nem sempre aquilo é aquilo que é. Ao pensarmos em números, porcentagens, chances, já damos um passo atrás rumo ao que queremos.</p>
<p>Um presidente negro nos EUA, uma primeira-dama também negra, vinda das classes baixas, um mulato, gago, epiléptico e com pouquíssimo estudo se tornar o maior escritor brasileiro de todos os tempos, são apenas alguns exemplos do que digo. Essas pessoas são fracassos estatísticos. Tinham tudo para dar errado, como as estatística apontavam, e serem mais números na montanha de números que eram para ser. Mas alguma coisa houve, em algum momento do caminho, que os transformou em pessoas. Esqueceram sua condição de número, para assumir uma personalidade capaz de mudar a realidade – e conseqüentemente as estatísticas.</p>
<p>Leandro Angonese, 38 anos, metalúrgico, casado e pai de dois filhos é nosso exemplo caxiense de falha estatística. Com o ensino médio mal concluído em escolas públicas, nascido em família humilde e sem possuir sequer um computador ultrapassado, Leandro acaba de ser premiado em um dos concursos de poesia mais importantes do sul do país, o Prêmio Cataratas, de Foz do Iguaçu. A mim, que acompanho sua trajetória há anos, não é novidade. Só estatisticamente é. Porque Leandro é consumidor da alta literatura desde os 14 anos e escreve desde os 18. Porque leu e releu Mário Quintana, Augusto dos Anjos, Paulo Leminski, Flávio Ferrarini e Dinarte Albuquerque diversas vezes. Porque já venceu mais de dez concursos literários e tem dois livros publicados, ambos financiados pelo Fundoprocultura, a saber: <strong>“Palavras ao Vento”</strong> e <strong>“Pá de Cata-Vento”</strong>, encaminhando-se para o terceiro, sem dúvida o melhor e que eu tive a honra de ler em primeira mão: <strong>“Orações de um Ateu”</strong>. Aliás, o poema premiado no Paraná é justamente o que dá título a este livro, que anda à cata de patrocínio para poder sair da probabilidade.</p>
<p>Leandro é um guerreiro, um exemplo de brasileiro, um poeta de mão cheia, que conhece muito bem o tamanho do que ainda deve aprender. Ávido leitor, gosta de comprar o que vai ler, para ter em casa e pesquisar depois e sempre. Um homem aberto a novos conhecimentos e disposto a isso. Simples, tímido até. Muito longe da arrogância intelectualóide que vemos por aí, tomada de um eruditismo seco e sem viço. Leandro vê a poesia mais como sentimento do que como técnica. Porque a técnica, sozinha, é fria, embora importante.</p>
<p>Não dá para saber  o que será deste poeta daqui para a frente. Se eu tentasse profetizar, estaria caindo em estatística, e isto, está mais do que provado, não funciona, pelo menos com este tipo de pessoas. Porém, o que Leandro já fez o coloca como exemplo a ser seguido, demonstrando que o meio em que vivemos e os meios que temos para alcançar determinados fins são fatores importantes, mas não decisivos.</p>
<p>Leandro Angonese, precisamos guardar este nome.</p>
<p><em>*<strong>Uili Bergamin</strong> nasceu em Bento Gonçalves, RS, no dia 02 de fevereiro de 1979. Destaca-se por sua escrita concisa, e pela busca das palavras certas, que encaixam perfeitamente ao texto. Bergamin é também colunista em jornais e revistas de circulação em Caxias do Sul e região.<br />
Obras publicadas</p>
<p><strong>O Sino do Campanário</strong> (2005, contos, Editora Maneco) Coletânea de catorze contos e obra inaugural do autor. Apesar do título, não é propriamente um livro religioso. Talvez seja antes o contrário. O conto que nomeia a obra, por exemplo, narra a história de um padre que, aos 70 anos, revê sua vida e relembra um grande amor do passado. A solidão do celibato, a angústia de estar teminando de viver, o fracasso de uma vida que não realizou seus sonhos nem o de seus pais, faz com que transfira suas dores ao sino de sua igreja, como única forma de redenção. Praticamente todos os contos têm como fio condutor a crença, o amor e a dúvida. Seus contos são independentes e escritos de maneira simples, porém, seu texto é polêmico e questionador, e incita à reflexão sobre crenças, verdades e dogmas.</p>
<p><strong>Cela de Papel </strong>(2006, novela, Editora Maneco) Novela fragmentada, com nuance autobiográfica. É uma fantasiosa alegoria sobre a arte da leitura. Repleta de metalinguagens.</p>
<p><strong>Do Útero do Mundo</strong> (2007, poesias, Editora Doravante) Impiedosos e intensos, luminosos e sombrios, a maioria dos poemas que compõem a obra já obteve alguma premiação literária. <strong>Do Útero do Mundo</strong> vem sendo muito elogiado pelos leitores e também pela crítica.</p>
<p></em></p>
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		<title>Literatura marginal</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/literatura-marginal/</link>
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		<pubDate>Sat, 30 Jan 2010 02:01:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Uili Bergamin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uili Bergamin]]></category>

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		<description><![CDATA[Definir literatura marginal é sempre um complicador, visto que muitos negam sua marginalidade. Mas, como lembra Fernando Paixão, poesia marginal, no caso, é toda aquela produzida/consumida fora dos circuitos de editoras comerciais e leitores convencionais. Quero crer que desde a Grécia Antiga muitos autores percorreram esse caminho. Os poetas franceses do Simbolismo, os russos da Era Stalin, segregados, os fazedores do haicai nas sendas do Oriente de sete, oito anos atrás, os brasileiros Cacaso, Paulo Leminski, Chacal e tantos outros. Na prosa, recentemente houve um movimento organizado de publicação de autores como Ferréz. Em todos os casos, pode-se ver que todos "encontraram" um caminho nas editoras (pequenas ou grandes) e, com isso, sopraram ventos novos no fazer literário.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Literatura-marginal.JPG" alt="Literatura marginal" title="Literatura marginal" width="220" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-4085" /><strong>Entrevista de Uili Bergamin com o Professor Universitário e Poeta Dinarte Albuquerque Filho</strong></p>
<p><em><strong>1 &#8211; O que é literatura marginal? Quem são seus precursores no mundo e no Brasil?</strong></em></p>
<p>Definir literatura marginal é sempre um complicador, visto que muitos negam sua marginalidade. Mas, como lembra Fernando Paixão, poesia marginal, no caso, é toda aquela produzida/consumida fora dos circuitos de editoras comerciais e leitores convencionais. Quero crer que desde a Grécia Antiga muitos autores percorreram esse caminho. Os poetas franceses do Simbolismo, os russos da Era Stalin, segregados, os fazedores do haicai nas sendas do Oriente de sete, oito anos atrás, os brasileiros Cacaso, Paulo Leminski, Chacal e tantos outros. Na prosa, recentemente houve um movimento organizado de publicação de autores como Ferréz. Em todos os casos, pode-se ver que todos &#8220;encontraram&#8221; um caminho nas editoras (pequenas ou grandes) e, com isso, sopraram ventos novos no fazer literário.</p>
<p><em><strong>2 &#8211; Qual a contribuição da marginalidade para a literatura brasileira?</strong></em></p>
<p>Difícil  de apreciar, ainda, a não ser da geração dos anos 60 que, como dito, alguns tornaram-se, inclusive, &#8220;campeões&#8221; de vendas.</p>
<p><em><strong>3 &#8211; Podemos dizer que existe hoje um nome que se destaca neste gênero (se assim podemos chamar) de literatura? </strong></em></p>
<p>Sim Ferréz, com seu trabalho em Capão Redondo , é um bom exemplo.</p>
<p><em><strong>4 &#8211; A sua poesia, pelo que se percebe, sofreu forte influência de Leminski, além de outros escritores marginais ou que flertaram com o movimento. Você se considera um poeta marginal?</strong></em></p>
<p>Se formos observar os parâmetros acima, somando que os livros, com exceção dos dois últimos, foram publicados às próprias custas, sim. Mas, ao mesmo tempo, não tamanha &#8220;pureza&#8221;.</p>
<p><em><strong>5 &#8211; Estar &#8220;à margem&#8221; é um obstáculo para o artista ou uma forma idealizada de encarar a vida e a arte? </strong><br />
</em><br />
Às vezes, uma coisa, outras, a segunda.</p>
<p><em><strong>6 &#8211; Existe algum tipo de movimento marginal em Caxias do Sul hoje? Um Fanzine pode ser considerado um veículo de disseminação de cultura marginal?</strong></em></p>
<p>Desconheço, mas é o veículo próprio, pelas suas características, de fácil distribuição e baixo custo e com certa independência para expressar idéias às vezes até conflitantes.</p>
<p><em>*<strong>Uili Bergamin</strong> nasceu em Bento Gonçalves, RS, no dia 02 de fevereiro de 1979. Destaca-se por sua escrita concisa, e pela busca das palavras certas, que encaixam perfeitamente ao texto. Bergamin é também colunista em jornais e revistas de circulação em Caxias do Sul e região.</p>
<p>Obras publicadas</p>
<p><strong>O Sino do Campanário</strong> (2005, contos, Editora Maneco) Coletânea de catorze contos e obra inaugural do autor. Apesar do título, não é propriamente um livro religioso. Talvez seja antes o contrário. O conto que nomeia a obra, por exemplo, narra a história de um padre que, aos 70 anos, revê sua vida e relembra um grande amor do passado. A solidão do celibato, a angústia de estar teminando de viver, o fracasso de uma vida que não realizou seus sonhos nem o de seus pais, faz com que transfira suas dores ao sino de sua igreja, como única forma de redenção. Praticamente todos os contos têm como fio condutor a crença, o amor e a dúvida. Seus contos são independentes e escritos de maneira simples, porém, seu texto é polêmico e questionador, e incita à reflexão sobre crenças, verdades e dogmas.</p>
<p><strong>Cela de Papel </strong>(2006, novela, Editora Maneco) Novela fragmentada, com nuance autobiográfica. É uma fantasiosa alegoria sobre a arte da leitura. Repleta de metalinguagens.</p>
<p><strong>Do Útero do Mundo</strong> (2007, poesias, Editora Doravante) Impiedosos e intensos, luminosos e sombrios, a maioria dos poemas que compõem a obra já obteve alguma premiação literária. <strong>Do Útero do Mundo</strong> vem sendo muito elogiado pelos leitores e também pela crítica. </em></p>
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		<title>Quem quer progredir?</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/quem-quer-progredir/</link>
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		<pubDate>Fri, 27 Nov 2009 02:01:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Uili Bergamin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uili Bergamin]]></category>

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		<description><![CDATA[O problema é que muitas pessoas não conseguem compreender a profundidade desse pensamento. Seu egoísmo e suas pequenas vaidades falam mais alto. Principalmente os que estão no comando das situações. O poder lhes turva a vista. Embrutece e emburrece. Para estes já não importa o progresso coletivo. Às vezes, nem mesmo o da entidade que dirigem. Só o seu ilusório, momentâneo e mesquinho progresso é que importam.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Progredir.JPG" alt="Progredir" title="Progredir" width="219" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-3235" />Progresso é movimento, marcha para frente, avanço, evolução. Nosso progresso pessoal e o da nossa comunidade estão absolutamente indissociáveis. O aperfeiçoamento de um leva ao desenvolvimento do outro.</p>
<p>Este acontece com a acumulação de bens materiais e conhecimentos capazes de transformar a vida social e conferir-lhe um maior significado. Mas também pode ser entendido como aprimoramento civilizatório, espiritual, tecnológico, cultural e etc. O que, no fundo, se pensarmos bem, dá na mesma.</p>
<p>O caminhar pela vida nesse intuito criará o progresso de nossa cidade e do nosso país. Se cada um fizer sua parte, o progresso de todos será muito mais rápido e evidente. Ajude seu colega a progredir, incentive seu funcionário (inclusive com um salário digno) a trabalhar mais e melhor, esforce-se para que a firma que o emprega aumente seu padrão de qualidade e de ganhos. Ao fazê-lo, você estará progredindo junto. </p>
<p>O problema é que muitas pessoas não conseguem compreender a profundidade desse pensamento. Seu egoísmo e suas pequenas vaidades falam mais alto. Principalmente os que estão no comando das situações. O poder lhes turva a vista. Embrutece e emburrece. Para estes já não importa o progresso coletivo. Às vezes, nem mesmo o da entidade que dirigem. Só o seu ilusório, momentâneo e mesquinho progresso é que importam. Então, obliteram qualquer nova ideia, obscurecem qualquer voz dissonante, calam e punem qualquer um que discorde de sua forma errônea de progredir. Voltaire disse: “Não concordo com uma palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-las.” Este era um grande homem. Os pequenos dizem: concordo plenamente com tudo que dizes, mas farei o que puder para tapar a tua boca.</p>
<p>Por mais difícil que seja a situação, jamais devemos nos curvar. Lutemos sempre, com ética, sabedoria e trabalho. Se não conseguirmos assim o tão sonhado progresso comum, pelo menos estaremos muito próximos do pessoal. Pois uma consciência tranquila e a satisfação do dever cumprido, também tem o seu valor. Já é um progresso.</p>
<p><em>*<strong>Uili Bergamin</strong> nasceu em Bento Gonçalves, RS, no dia 02 de fevereiro de 1979. Destaca-se por sua escrita concisa, e pela busca das palavras certas, que encaixam perfeitamente ao texto. Bergamin é também colunista em jornais e revistas de circulação em Caxias do Sul e região.<br />
Obras publicadas</p>
<p><strong>O Sino do Campanário</strong> (2005, contos, Editora Maneco) Coletânea de catorze contos e obra inaugural do autor. Apesar do título, não é propriamente um livro religioso. Talvez seja antes o contrário. O conto que nomeia a obra, por exemplo, narra a história de um padre que, aos 70 anos, revê sua vida e relembra um grande amor do passado. A solidão do celibato, a angústia de estar teminando de viver, o fracasso de uma vida que não realizou seus sonhos nem o de seus pais, faz com que transfira suas dores ao sino de sua igreja, como única forma de redenção. Praticamente todos os contos têm como fio condutor a crença, o amor e a dúvida. Seus contos são independentes e escritos de maneira simples, porém, seu texto é polêmico e questionador, e incita à reflexão sobre crenças, verdades e dogmas.</p>
<p><strong>Cela de Papel </strong>(2006, novela, Editora Maneco) Novela fragmentada, com nuance autobiográfica. É uma fantasiosa alegoria sobre a arte da leitura. Repleta de metalinguagens.</p>
<p><strong>Do Útero do Mundo</strong> (2007, poesias, Editora Doravante) Impiedosos e intensos, luminosos e sombrios, a maioria dos poemas que compõem a obra já obteve alguma premiação literária. Do Útero do Mundo vem sendo muito elogiado pelos leitores e também pela crítica.</em></p>
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		<title>A implosão da Ética II</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 02:04:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Uili Bergamin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uili Bergamin]]></category>

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		<description><![CDATA[O que vemos nos pleitos de hoje é a antiética. É a total indiferença ou ignorância ideológica partidária. É o descaso para com qualquer regra moral ou mesmo de etiqueta. Nossos “homens do povo” trocam de partido como quem troca de sapatos (reparem que os sapatos nos sustentam e são sempre pisados). Nós imaginamos que um indivíduo, ao se filiar num partido, tenha lido o estatuto do mesmo e não só concordado com ele, como tentará fazer o possível para pô-lo em prática.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Anti-ética.JPG" alt="Anti-ética" title="Anti-ética" width="217" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-2955" />Como já aconteceu em outras oportunidades, dependendo do assunto abordado, recebi inúmeros e-mails e comentários sobre minha última coluna. Óbvio, o assunto ética não se esgota em uma, nem em dez crônicas jornalísticas de espaço reduzido. Poderia escrever um tratado – como tantos melhores que eu fizeram – e ainda assim meandros importantes dela ficaram de fora. </p>
<p>Mas o que achei mais interessante foi o fato de que todos que me abordaram ligaram a palavra – ou conceito, como queiram – à política. Isso mesmo com o fato de eu ter me esmerado em atribuir à ética uma concepção relativa ao indivíduo. Talvez eu tenha falhado em meu intuito. Talvez as pessoas só pensem em ética quando diretamente relacionada à política. </p>
<p>A felicidade pessoal tem íntima relação com a conduta ética,  assim como o progresso e a qualidade de vida de um país tem estreita relação com o padrão ético dos seus governantes. Mas as pessoas parecem esperar que os políticos tenham ética, para que depois a tenham também. Acho que é mais fácil e provável que o povo a tenha antes, para formar políticos éticos depois. E isso, obviamente, só será alcançado através de uma educação de primeira. </p>
<p>O que vemos nos pleitos de hoje é a antiética. É a total indiferença ou ignorância ideológica partidária. É o descaso para com qualquer regra moral ou mesmo de etiqueta. Nossos “homens do povo” trocam de partido como quem troca de sapatos (reparem que os sapatos nos sustentam e são sempre pisados).</p>
<p>Nós imaginamos que um indivíduo, ao se filiar num partido, tenha lido o estatuto do mesmo e não só concordado com ele, como tentará fazer o possível para pô-lo em prática. Então como pode, tempos depois, por um carguinho ou salário, renegá-lo, execrá-lo, e abraçar outro completamente oposto? Que ética é essa? Este “político” está demonstrando que seu objetivo é puramente financeiro e egoísta (logo ele que jurou amor ao povo). E como pode esse antigo adversário (o partido político oposto)  aceitar  um indivíduo desses no seu corpo. Esse partido também não é ético, pois tacitamente está aprovando uma atitude antiética.</p>
<p>Não é uma questão de que lado se está. Não é uma questão de quanto se vai ganhar ou perder. É uma questão de caráter, de compromisso. De ser Ético, primeiro com seus próprios ideais, depois com o povo, que ele representa.</p>
<p>Sim, tem razão os meus leitores ao escreverem que a política é o maior palco da Implosão da Ética. E está contaminando todo o resto.</p>
<p><em>*<strong>Uili Bergamin</strong> nasceu em Bento Gonçalves, RS, no dia 02 de fevereiro de 1979. Destaca-se por sua escrita concisa, e pela busca das palavras certas, que encaixam perfeitamente ao texto. Bergamin é também colunista em jornais e revistas de circulação em Caxias do Sul e região.</p>
<p><strong>Obras publicadas</strong></p>
<p><strong>O Sino do Campanário</strong> (2005, contos, Editora Maneco) Coletânea de catorze contos e obra inaugural do autor. Apesar do título, não é propriamente um livro religioso. Talvez seja antes o contrário. O conto que nomeia a obra, por exemplo, narra a história de um padre que, aos 70 anos, revê sua vida e relembra um grande amor do passado. A solidão do celibato, a angústia de estar teminando de viver, o fracasso de uma vida que não realizou seus sonhos nem o de seus pais, faz com que transfira suas dores ao sino de sua igreja, como única forma de redenção. Praticamente todos os contos têm como fio condutor a crença, o amor e a dúvida. Seus contos são independentes e escritos de maneira simples, porém, seu texto é polêmico e questionador, e incita à reflexão sobre crenças, verdades e dogmas.</p>
<p><strong>Cela de Papel</strong> (2006, novela, Editora Maneco) Novela fragmentada, com nuance autobiográfica. É uma fantasiosa alegoria sobre a arte da leitura. Repleta de metalinguagens.</p>
<p><strong>Do Útero do Mundo</strong> (2007, poesias, Editora Doravante) Impiedosos e intensos, luminosos e sombrios, a maioria dos poemas que compõem a obra já obteve alguma premiação literária. Do Útero do Mundo vem sendo muito elogiado pelos leitores e também pela crítica.</em></p>
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		<title>A implosão da Ética!</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Oct 2009 15:00:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Uili Bergamin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uili Bergamin]]></category>

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		<description><![CDATA[Ser ético é a condição sem a qual ninguém pode alcançar a grandeza, o saber, o progresso e, principalmente, a felicidade. Talvez o mais antigo e importante preceito ético seja <em>“amar ao próximo como a si mesmo”</em>. E reparem que podemos tirar dele qualquer coloração religiosa que ele continuará tão válido quanto antes, ou talvez mais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Aula-de-Ética2.JPG" alt="Aula de Ética" title="Aula de Ética" width="220" height="198" class="aligncenter size-full wp-image-2654" />O pânico é geral. O medo anda nos rondando como lobo esfaimado. Nós, mansas e brancas ovelhinhas, apenas aguardamos o golpe, a dentada na jugular. O mundo está se desfazendo sob o impacto de uma crise sem precedentes. Há quem chame tal crise de demoníaca. Sim, algumas religiões não perdem tempo para afirmar que é o Armagedon, a Apocalipse que se anuncia. </p>
<p>Eu, de minha parte, ouso dizer que tudo decorre de uma crise ética. Nunca se falou tanto na dita cuja e, paradoxalmente, nunca se viu tão pouca por aí. Acho que até seu significado se deturpou. Por isso, trago à baila minha humilde e talvez vaga concepção sobre ela.</p>
<p>Ética é o estudo dos juízos sobre a conduta humana, do ponto de vista do bem e do mal. Com tais juízos, tomamos consciência do bem ou do mal que resultam das nossas ações em relação a nós mesmos e/ou aos nossos semelhantes.</p>
<p>É incrível como em todas as nossas ações estamos praticando o bem ou o mal. Das mais simples, como fumar um cigarro, fazer exercícios físicos, comer ou beber em demasia, até as atividades mais complexas, como estabelecer uma relação afetiva, exercer uma atividade profissional ou atuar como líder político.</p>
<p>Precisamos ter consciência ética de cada um de nossos atos, buscar a própria felicidade, respeitando a dos outros, ter virtudes, ter moral, eleger o bem como valor a ser perseguido, independente da religião. Fazer o bem esperando a recompensa do paraíso talvez nem seja tão ético. </p>
<p>O indivíduo ético não quer o gozo e a riqueza às custas da infelicidade de ninguém. Toda conquista humana sem ética tem o gosto amargo da falta de mérito, do vazio de um mundo sem valores, construído com os tijolos da mentira, da pequenez, do desamor e da miséria.</p>
<p>Ser ético é a condição sem a qual ninguém pode alcançar a grandeza, o saber, o progresso e, principalmente, a felicidade. Talvez o mais antigo e importante preceito ético seja <em>“amar ao próximo como a si mesmo”</em>. E reparem que podemos tirar dele qualquer coloração religiosa que ele continuará tão válido quanto antes, ou talvez mais.</p>
<p>Se o mundo irá se desfazer de fato, se as profecias dos livros apocalípticos de confirmarão, isso eu não sei. Mas sei que podemos fazer do nosso planeta – ou do que resta dele – um lugar melhor para viver, se compreendermos e colocarmos em prática esta pequena palavra.</p>
<p><em>*<strong>Uili Bergamin</strong> nasceu em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, no dia 02 de fevereiro de 1979. Destaca-se por sua escrita concisa, e pela busca das palavras certas, que encaixam perfeitamente ao texto. Bergamin é também colunista em jornais e revistas de circulação em Caxias do Sul e região.</p>
<p><strong>Obras publicadas</strong></p>
<p><strong>O Sino do Campanário</strong> (2005, contos, Editora Maneco) &#8211; Coletânea de catorze contos e obra inaugural do autor. Apesar do título, não é propriamente um livro religioso. Talvez seja antes o contrário. O conto que nomeia a obra, por exemplo, narra a história de um padre que, aos 70 anos, revê sua vida e relembra um grande amor do passado. <em>A solidão do celibato</em>, a angústia de estar teminando de viver, o fracasso de uma vida que não realizou seus sonhos nem o de seus pais, faz com que transfira suas dores ao sino de sua igreja, como única forma de redenção. Praticamente todos os contos têm como fio condutor a crença, o amor e a dúvida. Seus contos são independentes e escritos de maneira simples, porém, seu texto é polêmico e questionador, e incita à reflexão sobre crenças, verdades e dogmas.</p>
<p><strong>Cela de Papel </strong>(2006, novela, Editora Maneco) &#8211; Novela fragmentada, com nuance autobiográfica. É uma fantasiosa alegoria sobre a arte da leitura. Repleta de metalinguagens.</p>
<p><strong>Do Útero do Mundo</strong> (2007, poesias, Editora Doravante) &#8211; Impiedosos e intensos, luminosos e sombrios, a maioria dos poemas que compõem a obra já obteve alguma premiação literária. <strong>Do Útero do Mundo</strong> vem sendo muito elogiado pelos leitores e também pela crítica.</em></p>
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		<title>A Festa</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 03:02:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Uili Bergamin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uili Bergamin]]></category>

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		<description><![CDATA[Nossa Feira é exemplo. Um belo exemplo que vem sendo seguido por outras cidades. Tive o prazer de ser convidado para outras, em todo o estado: Bento Gonçalves, Flores da Cunha, Veranópolis, Gramado, Carlos Barbosa, Boa Vista do Sul, Paraí, Cotiporã, Nova Prata, Passo Fundo, Palmeira das Missões entre outras, são municípios que passam a valorizar cada vez mais o saudável hábito da leitura. Sem contar as escolas, que dentro de seus muros passam a também promover Feiras aos pais e alunos. Eis uma das poucas iniciativas com real potencialidade de transformar o mundo (antes as pessoas, pois esta é a ordem).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Feira-do-Livro-de-Caxias-do-Sul.JPG" alt="Feira do Livro de Caxias do Sul" title="Feira do Livro de Caxias do Sul" width="220" height="195" class="aligncenter size-full wp-image-2290" /><br />
Como todo leitor que se preze, gosto de circular por Feiras do Livro. As Feiras são uma Festa, como respondi a uma repórter que me abordou dia desses entre os saldos de uma banca.</p>
<p>Para mim, pelo menos, é Festança. O local onde encontro amigos, onde conheço gente bacana e onde gasto meu dinheiro com prazer. Danço entre uma livraria e outra, ouço músicas vindas de bocas diversas. Músicas de qualidade, de autores renomados ou nem tanto. Local onde as crianças se divertem e mostram-se felizes. Onde adultos lançam olhares sequiosos por conhecimento. Tem coisa mais bonita que uma criança, ou mesmo um adulto, atento às palavras de um mestre numa palestra ou bate-papo, bebendo de suas palavras, na ânsia por se tornar pessoa melhor? Ora, isso é raro e, portanto, digno de nota.</p>
<p>A Feira é também local de troca. Escritores trocam com escritores. Leitores trocam com escritores. Leitores trocam com leitores. Trocam livros, experiências, elogios e críticas. Tudo muito bem-vindo. A Feira é democrática, é do povo. A Feira é um mundo. O mais próximo do ideal que se pode chegar.</p>
<p>Nossa Festa, em Caxias do Sul, para quem não sabe, é a segunda maior do estado. Nosso estado, para quem não sabe, é um dos que mais lê no Brasil. E nossa região, a da Serra Gaúcha, é uma das que mais consome livros no Rio Grande do Sul. Isso nos coloca muito bem na foto, e uma foto nessa Festa, nos faz até mais belos. Sempre pode melhorar, é verdade, e deve, mas comparativamente ao resto do país, estamos muito bem, obrigado.</p>
<p>Nossa Feira é exemplo. Um belo exemplo que vem sendo seguido por outras cidades. Tive o prazer de ser convidado para outras, em todo o estado: Bento Gonçalves, Flores da Cunha, Veranópolis, Gramado, Carlos Barbosa, Boa Vista do Sul, Paraí, Cotiporã, Nova Prata, Passo Fundo, Palmeira das Missões entre outras, são municípios que passam a valorizar cada vez mais o saudável hábito da leitura. Sem contar as escolas, que dentro de seus muros passam a também promover Feiras aos pais e alunos. Eis uma das poucas iniciativas com real potencialidade de transformar o mundo (antes as pessoas, pois esta é a ordem).</p>
<p>Assim, fica minha dica para que participem destes eventos. Prestigiem. Tenham a pretensão de torná-los ainda maiores. Deixem de tomar algumas cervejas, aguardem mais um pouco para trocarem de sapatos. Seu time não irá perder o jogo se você deixar de ir ao estádio uma única vez. </p>
<p>Quem sabe um dia não nos igualemos aos países de primeiro mundo em termos de leitura. E, tenho certeza, assim que isto acontecer, em pouquíssimo tempo seremos país de primeiro mundo em todos os sentidos.</p>
<p>Vá à Feira. É uma Festa. </p>
<p><em>*<strong>Uili Bergamin</strong> nasceu em Bento Gonçalves, RS, no dia 02 de fevereiro de 1979. Destaca-se por sua escrita concisa, e pela busca das palavras certas, que encaixam perfeitamente ao texto. Bergamin é também colunista em jornais e revistas de circulação em Caxias do Sul e região.<br />
Obras publicadas</p>
<p><strong>O Sino do Campanário</strong> (2005, contos, Editora Maneco) Coletânea de catorze contos e obra inaugural do autor. Apesar do título, não é propriamente um livro religioso. Talvez seja antes o contrário. O conto que nomeia a obra, por exemplo, narra a história de um padre que, aos 70 anos, revê sua vida e relembra um grande amor do passado. A solidão do celibato, a angústia de estar teminando de viver, o fracasso de uma vida que não realizou seus sonhos nem o de seus pais, faz com que transfira suas dores ao sino de sua igreja, como única forma de redenção. Praticamente todos os contos têm como fio condutor a crença, o amor e a dúvida. Seus contos são independentes e escritos de maneira simples, porém, seu texto é polêmico e questionador, e incita à reflexão sobre crenças, verdades e dogmas.</p>
<p><strong>Cela de Papel</strong> (2006, novela, Editora Maneco) Novela fragmentada, com nuance autobiográfica. É uma fantasiosa alegoria sobre a arte da leitura. Repleta de metalinguagens.</p>
<p><strong>Do Útero do Mundo</strong> (2007, poesias, Editora Doravante) Impiedosos e intensos, luminosos e sombrios, a maioria dos poemas que compõem a obra já obteve alguma premiação literária. <strong>Do Útero do Mundo</strong> vem sendo muito elogiado pelos leitores e também pela crítica.<br />
</em></p>
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		<title>Vida longa à poesia</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Sep 2009 03:01:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Uili Bergamin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uili Bergamin]]></category>

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		<description><![CDATA[Olhando para trás, revendo a história dos grande escritores, vemos que vários deles iniciaram com a poesia. Até o maior de nossos prosadores, Joaquim Maria Machado de Assis, começou assim. Consagrado como exímio romancista e excelente contista, foi com o poema “Ela” que conseguiu sua primeira publicação, na então conhecida Marmota Fluminense, em 1855, quando contava apenas 16 anos de idade. Mais tarde, em 1864, publica seu primeiro livro “Crisálidas”, também de poemas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Machado-de-Assis.JPG" alt="Machado de Assis" title="Machado de Assis" width="165" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-1994" /><em>Acima, gravura retratando Machado de Assis.</em></p>
<p>Não sei se é impressão minha, mas acho que nunca ouvi falar tanto em poesia como ultimamente. Também nunca vi publicar tanto poema como de uns tempos para cá. Sempre torci o nariz para as modinhas, mas se esta pegar, creio que ficarei feliz. Nos concursos literários, tanto os que tenho concorrido como os que tenho julgado, o gênero poesias é sempre o mais disputado, e com larga vantagem sobre os demais. Todo mundo tem um pouco de poeta, já diz a sabedoria popular.</p>
<p>O problema é que poucos lêem poesia. O drama é que esses novos poetas são tão bons, mas tão bons, que escrevem maravilhosamente bem sem ler, sem aprender com ninguém, por puro instinto e talento nato. Aí a produção poética deles mesmos e dos outros fica encalhada nas livrarias, ou embaixo das camas de seus criadores.</p>
<p>De minha parte, posso garantir que quase um terço da minha biblioteca é composta de poesia, entre cânones e caxienses. Gosto de conferir o que é feito aqui e no mundo. Creio que li boa parte do que Caxias produziu em verso. No mundo já é mais complicado.</p>
<p>Também comecei escrevendo poesia. Minha curta produção literária iniciou através dos versos. Mas antes de escrever li muito, muito poema. E ironicamente, só fui publicar uma seleção de meus melhores versos há pouco, na obra “Do Útero do Mundo”, que em oito meses, inexplicavelmente, está quase esgotada. Acho que as pessoas gostaram da capa.</p>
<p>Olhando para trás, revendo a história dos grande escritores, vemos que vários deles iniciaram com a poesia. Até o maior de nossos prosadores, Joaquim Maria Machado de Assis, começou assim. Consagrado como exímio romancista e excelente contista, foi com o poema “Ela” que conseguiu sua primeira publicação, na então conhecida Marmota Fluminense, em 1855, quando contava apenas 16 anos de idade. Mais tarde, em 1864, publica seu primeiro livro “Crisálidas”, também de poemas. Além desta obra, ao longo de sua carreira escreveu e publicou mais três livros de poesias, a saber: “Falenas”, 1870; “Americanas”; 1875 e “Poesias Completas” (incluindo Ocidentais), 1901.</p>
<p>Assim, recomendo aos novos e velhos poetas que leiam poesia. É necessário e, além de tudo, agradável. Pode ser no mínimo interessante ver como outros sentem e expressam emoções semelhantes às nossas. Aquele verso, aquela frase contundente, redonda, perfeita, que pode tocar tão fundo. A poesia é a origem da palavra escrita, que juntamente com as orações aos deuses, eram pintadas ou talhadas nas paredes das cavernas.</p>
<p>Não vamos permitir que tão nobre expressão de arte seja banalizada e desdenhada. O poeta não é um deus, mas também não pode ser um mendigo. Aos poetas, que escrevam cada vez mais e melhor. Aos leitores, que degustem bons poemas. </p>
<p>Vida longa à poesia. À poesia escrita com embasamento. E à poesia lida. </p>
<p><em>*<strong>Uili Bergamin</strong> nasceu em Bento Gonçalves, RS, no dia 02 de fevereiro de 1979. Destaca-se por sua escrita concisa, e pela busca das palavras certas, que encaixam perfeitamente ao texto. Bergamin é também colunista em jornais e revistas de circulação em Caxias do Sul e região.</p>
<p><strong>Obras publicadas</strong></p>
<p><strong>O Sino do Campanário</strong> (2005, contos, Editora Maneco) Coletânea de catorze contos e obra inaugural do autor. Apesar do título, não é propriamente um livro religioso. Talvez seja antes o contrário. </p>
<p>O conto que nomeia a obra, por exemplo, narra a história de um padre que, aos 70 anos, revê sua vida e relembra um grande amor do passado. A solidão do celibato, a angústia de estar teminando de viver, o fracasso de uma vida que não realizou seus sonhos nem o de seus pais, faz com que transfira suas dores ao sino de sua igreja, como única forma de redenção. Praticamente todos os contos têm como fio condutor a crença, o amor e a dúvida. Seus contos são independentes e escritos de maneira simples, porém, seu texto é polêmico e questionador, e incita à reflexão sobre crenças, verdades e dogmas.</p>
<p><strong>Cela de Papel</strong> (2006, novela, Editora Maneco) é uma novela fragmentada, com nuance autobiográfica. É uma fantasiosa alegoria sobre a arte da leitura. Repleta de metalinguagens.</p>
<p><strong>Do Útero do Mundo</strong> (2007, poesias, Editora Doravante) Impiedosos e intensos, luminosos e sombrios, a maioria dos poemas que compõem a obra já obteve alguma premiação literária. <strong>Do Útero do Mundo</strong> vem sendo muito elogiado pelos leitores e também pela crítica.</em></p>
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