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Uili Bergamin

Da escrita

Todo escritor é um pouco anarquista. Por isso meus escritos não consolam nem oferecem respostas. A verdade, porém, é que pouco importa o que digo e escrevo. O que importa são as palavras que se dizem, vindas das funduras de quem lê. É o leitor quem dará ou não vida a estas letras mortas. Depois de ressuscitadas sim é que elas podem mudar mundos.
Uili Bergamin

A Era da negação

A moda agora é negar. Negar que recebeu, negar que pagou, negar que sabia... Essa onda vem de cima e avalancha tudo e todos. Negar é mais fácil, a gente se exime de tudo. Negro nega que é negro. Pobre nega que é pobre. Até rico anda negando que é rico. Vejam só onde chegamos. Uma negação total.
Uili Bergamin

Mais um erro estatístico

Um presidente negro nos EUA, uma primeira-dama também negra, vinda das classes baixas, um mulato, gago, epiléptico e com pouquíssimo estudo se tornar o maior escritor brasileiro de todos os tempos, são apenas alguns exemplos do que digo. Essas pessoas são fracassos estatísticos. Tinham tudo para dar errado, como as estatística apontavam, e serem mais números na montanha de números que eram para ser. Mas alguma coisa houve, em algum momento do caminho, que os transformou em pessoas. Esqueceram sua condição de número, para assumir uma personalidade capaz de mudar a realidade – e conseqüentemente as estatísticas.
Uili Bergamin

Literatura marginal

Definir literatura marginal é sempre um complicador, visto que muitos negam sua marginalidade. Mas, como lembra Fernando Paixão, poesia marginal, no caso, é toda aquela produzida/consumida fora dos circuitos de editoras comerciais e leitores convencionais. Quero crer que desde a Grécia Antiga muitos autores percorreram esse caminho. Os poetas franceses do Simbolismo, os russos da Era Stalin, segregados, os fazedores do haicai nas sendas do Oriente de sete, oito anos atrás, os brasileiros Cacaso, Paulo Leminski, Chacal e tantos outros. Na prosa, recentemente houve um movimento organizado de publicação de autores como Ferréz. Em todos os casos, pode-se ver que todos "encontraram" um caminho nas editoras (pequenas ou grandes) e, com isso, sopraram ventos novos no fazer literário.
Uili Bergamin

Quem quer progredir?

O problema é que muitas pessoas não conseguem compreender a profundidade desse pensamento. Seu egoísmo e suas pequenas vaidades falam mais alto. Principalmente os que estão no comando das situações. O poder lhes turva a vista. Embrutece e emburrece. Para estes já não importa o progresso coletivo. Às vezes, nem mesmo o da entidade que dirigem. Só o seu ilusório, momentâneo e mesquinho progresso é que importam.
Uili Bergamin

A implosão da Ética II

O que vemos nos pleitos de hoje é a antiética. É a total indiferença ou ignorância ideológica partidária. É o descaso para com qualquer regra moral ou mesmo de etiqueta. Nossos “homens do povo” trocam de partido como quem troca de sapatos (reparem que os sapatos nos sustentam e são sempre pisados). Nós imaginamos que um indivíduo, ao se filiar num partido, tenha lido o estatuto do mesmo e não só concordado com ele, como tentará fazer o possível para pô-lo em prática.
Uili Bergamin

A implosão da Ética!

Ser ético é a condição sem a qual ninguém pode alcançar a grandeza, o saber, o progresso e, principalmente, a felicidade. Talvez o mais antigo e importante preceito ético seja “amar ao próximo como a si mesmo”. E reparem que podemos tirar dele qualquer coloração religiosa que ele continuará tão válido quanto antes, ou talvez mais.
Uili Bergamin

A Festa

Nossa Feira é exemplo. Um belo exemplo que vem sendo seguido por outras cidades. Tive o prazer de ser convidado para outras, em todo o estado: Bento Gonçalves, Flores da Cunha, Veranópolis, Gramado, Carlos Barbosa, Boa Vista do Sul, Paraí, Cotiporã, Nova Prata, Passo Fundo, Palmeira das Missões entre outras, são municípios que passam a valorizar cada vez mais o saudável hábito da leitura. Sem contar as escolas, que dentro de seus muros passam a também promover Feiras aos pais e alunos. Eis uma das poucas iniciativas com real potencialidade de transformar o mundo (antes as pessoas, pois esta é a ordem).
Uili Bergamin

Vida longa à poesia

Olhando para trás, revendo a história dos grande escritores, vemos que vários deles iniciaram com a poesia. Até o maior de nossos prosadores, Joaquim Maria Machado de Assis, começou assim. Consagrado como exímio romancista e excelente contista, foi com o poema “Ela” que conseguiu sua primeira publicação, na então conhecida Marmota Fluminense, em 1855, quando contava apenas 16 anos de idade. Mais tarde, em 1864, publica seu primeiro livro “Crisálidas”, também de poemas.