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Solange Diniz

Minha bolsa não é uma lixeira!

É muito desagradável enquanto fazemos nossas compras sermos bombardeados por pessoas nos empurrando panfletos. Sim, porque a abordagem é de “toma aí”! Você se sente intimidado a receber o panfleto. O pior é que se no caminho de volta passarmos pela pessoa novamente ela te empurra o mesmo panfleto mais uma vez. Então, como somos gentis aceitamos o panfleto, que na maioria das vezes nem olhamos, só esperamos a próxima lixeira para descartá-lo, ou então vamos colocando-os dentro da bolsa, porque achar uma lixeira pode ser uma tarefa árdua muitas vezes e, quando chegamos em casa a nossa bolsa está repleta de papéis, de lixos.
Solange Diniz

Não queremos “Pão e Circo”

A minha geração, a que foi às ruas pelas "DIRETAS JÁ!" foi a última geração que brigou por algum ideal. Acreditávamos que podíamos mudar o país e mudamos. Mas, infelizmente a democracia se perdeu. Quem acredita que os “Caras Pintadas” tiraram o Collor também deve acreditar em Papai Noel e coelhinho da Páscoa. Então, temos aí 20 anos de passividade, inércia total dos jovens. Os jovens de 2013, entretanto, não querem apenas pão e circo. Querem o futuro e seus direitos. Acordaram os brasileiros que sofrem todos os dias a violência dos ônibus lotados, a violência do transporte público de má qualidade, a violência da educação de péssima qualidade, a violência da “insegurança pública”, a violência da corrupção, a violência do serviço precário da saúde, a violência dos salários baixos dos professores e profissionais de saúde, a violência de viver com um salário mínimo etc. Então, fica a pergunta: a violência vem dos jovens de 2013?
Solange Diniz

Falando de amor

Acabo de escrever uma peça de teatro, “Cicatrizes”. O texto é uma adaptação das minhas poesias e prosas poéticas de André Poubel, ator e direto, para o teatro. Estamos numa fase de escolha de elenco, projeto, enquadramento na Lei Rouanet e o mais difícil: captação de recursos. O leitor deve estar se perguntando do que se trata o espetáculo. Quem acompanha meu trabalho, meus textos, já deve imaginar que é um espetáculo sobre o amor. Em 2007 fui também fui a autora do espetáculo “Desalinhos do Amor”. “Cicatrizes” também fala de amor, mas é um pouco diferente. São diálogos, quatro personagens em cena. Depois de um longo tempo a personagem central volta à sua casa. Lá, encontra tudo exatamente como deixou. Mas, ao se confrontar com cada objeto do seu passado as lembranças virão à tona e ela perceberá as suas mudanças internas. Neste encontro consigo mesma, a personagem faz uma catarse ao ver-se diante de amores mal resolvidos. Este encontro e o autoconhecimento farão com que os seus sentimentos amadureçam e cicatrizem as feridas do tempo. O espetáculo leva o público a fazer essa viagem interna junto com a personagem, num resgate de si mesmo para assim viver um amor pleno.
Solange Diniz

Liberdade de imprensa

A liberdade de pensamento impulsiona as grandes mudanças, as revoluções. O que incomoda não é apenas a expressão do pensamento, mas e principalmente, a sua propagação. E o jornalista é o veículo desta propagação porque não fala para alguns, mas para milhares. Calar um jornalista é calar toda a sociedade, é privá-la do direito à democracia. A liberdade de imprensa é a mais pura expressão de uma sociedade democrática de fato e de direito. Falar em liberdade de expressão, de pensamento e de imprensa não deve ser somente uma reivindicação para nós jornalistas. Cabe a todos nós mostrar que a liberdade de expressão é causa pétrea de nosso contrato social. É causa de toda sociedade que pretende lutar pelos seus direitos democráticos. Não deve ser uma luta de uma classe, mas de uma sociedade. Um jornalista sem liberdade de expressão é um ser aprisionado. Ser jornalista é ser idealista, brigador pela democracia e pela sociedade. Escolher esta profissão é querer uma sociedade mais justa e fazer da caneta a sua espada e sua bandeira.
Solange Diniz

Cultura não vicia!

Infelizmente, vivemos num país que cultua o corpo e esquece os intelectuais. Nossos salários não correspondem ao que estudamos, pelo tempo que investimos nas universidades. Ao contrário, tenho a impressão, muitas vezes, de que quanto mais estudamos menos ganhamos. Fiz uma obra em casa e quando o pedreiro me deu o orçamento fiz um cálculo rápido de quantas obras ele faz num mês e não resisti à uma exclamação: “O senhor ganha mais que eu”! Assim, é o nosso país, uma inversão de valores sem fim. Estava no metrô a caminho da cidade quando me deparei com um viajante ilustre, professor Evanildo Bechara. Percebi, infelizmente, que ninguém o conhecia. Mas, eu não resisti e fui tietar o nosso querido imortal. As pessoas me olhavam quando eu cheguei externando toda a minha felicidade por encontrar aquele senhor de cabeça branca. É, acho que é apenas assim que os passageiros daquele metrô o identificavam.
Solange Diniz

Educação não é mercadoria!

Escolher uma faculdade, uma profissão, não é o mesmo que ir ao shopping. É preciso fazer a escolha certa, fazer um teste vocacional, procurar se informar sobre a profissão escolhida, porque quem trabalha sem colocar amor no que faz não o faz bem. O mercado de trabalho é cada vez mais exigente e se você escolhe uma profissão porque é a profissão do momento, porque dá dinheiro está indo pelo caminho errado. Tenho um conhecido que os conselhos profissionais dele para o filho chegam a me dar arrepios. O filho passou para estágio numa empresa de marketing de referência no país, mas pagava uma bolsa simbólica e também passou para uma grande Banco que além de bom salário tinha muitos benefícios. O pai aconselhou o filho a ficar com a segunda opção. Ora, se ele estagiasse na empresa de referência conseguiria emprego em qualquer lugar depois do estágio! Mas, acreditem, os pais erram e muito.
Solange Diniz

Ninguém é insubstituível?

Minha breve retórica pretende mostrar que não, as pessoas são insubstituíveis, cada pessoa é única. Não há sinônimos de pessoas, nem para os gêmeos. Mas, acredito que se você ouve uma música que lembra alguém de um passado tão remoto ela não foi substituída por ninguém em sua vida. Ela está com certeza guardada no seu coração, nas suas lembranças, faz parte da sua história. Cada pessoa é singular e plural e marca as nossas vidas para sempre. Se ao terminarmos de ler um livro somos uma pessoa modificada, imaginem convivendo com o universo que é cada indivíduo. Todos temos uma história que com certeza daria um belo livro.
Solange Diniz

Amar só se aprende amando

O que faz uma pessoa se destacar aos olhos da outra no meio da multidão? Que mistério é esse que fala direto ao coração? Tantas pessoas, tantos rostos, mas o coração escolhe como um pólo magnético sem controle e não explicado pela razão. Seria a Física? Uma reação química? Encontro de duas vidas passadas? Almas gêmeas? Amor à primeira vista? Destino? A Ciência ainda não sabe explicar. Duas vidas, dois caminhos que se cruzaram por algum motivo. É uma sensação estranha, uma deliciosa euforia. Será o amor da sua vida? O que é aquele sentimento inesperado que não consegue traduzir em palavras? Não é fácil compreender as coisas do amor.
Solange Diniz

Vida real ou virtual?

O mundo virtual está cada vez mais presente nas nossas vidas e não há mais como fugir dele ou se tornar um dinossauro virtual. O Orkut é a rede social que apresenta maior número de cadastramentos com 69 %, em segundo lugar aparece Linkedin com 64,7%. O Facebook aparece em terceiro lugar na pesquisa com 64,3%. Mas, as pessoas estão migrando do Orkut para o Facebook. O Brasil é um dos poucos países no mundo que o Orkut ainda está na frente do Face. Mas, o fato é que brasileiro adora as redes sociais. Você já se pegou visitando a sua página do Face de quinze em quinze minutos só para ver se tem alguma coisa nova? Então, cuidado! Pesquisas alertam para estresse, ansiedade e “depressão facebook”.
Solange Diniz

Bem-vindo ao século XXI?

Li um artigo, cujo autor, um psicólogo, dizia que a mulher do século XXI não mais sente culpa de trair seu parceiro. Ou seja, as mulheres estão com um comportamento teoricamente masculino. Sabemos que os homens, de uma forma geral, traem suas parceiras, mas para eles é apenas sexo. Isso não compromete o relacionamento na cabeça deles. De uma forma geral as mulheres traem por carência ou “vingança”, dizia o artigo. Enquanto lia, fui me sentindo antiquada, démodê, uma mulher quase do século XIX! Uma romântica incorrigível. Não acredito em traição em hipótese alguma. Não acredito em fazer para alguém o que não desejamos para nós mesmos.