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Silvio Persivo

Governo trata inundação como se fosse vazamento

Segundo apurou o jornal "Folha de S. Paulo", Lula teria estimulado o Tribunal de Contas da União-TCU, para questionar as contas de Dilma Rousseff. Isto mesmo. Segundo publicado pelo jornal “Lula disse ao ministro José Múcio Monteiro, de quem é próximo, achar razoável que o órgão pedisse explicações sobre as pedaladas fiscais”. Parece até coisa de maluco, mas, faz sentido quando se verifica que o ex-presidente, segundo também a imprensa, não temtido boas noites de sono com a possibilidade de ser preso em futuro próximo. Possibilidade que se agravoumuito com a homologação da delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, pelo procurador-geral da República, Janot, “que deve abrir nos próximos dias mais procedimentos" onde, segundo consta, se inclui Lula e Edinho Silva numa primeira fase e, em seguida, Dilma Rousseff.
Silvio Persivo

Só para chatear

Penso que todo mundo que tem um pouco de senso já se indignou com as injustiças da vida. Confesso que já fui um seguidor, um leitor voraz, um marxista convicto. Talvez, tenha lido muito mais Marx do que, para ser modesto, 90% dos que o citam. Mas, até o próprio Marx não se considerava marxista ainda vivo. Depois da queda do Muro de Berlim a defesa de uma sociedade estatal, de uma sociedade coletiva é uma tarefa ingrata e contra os princípios básicos da vida, mas, aparece uma imensa horda urrando bordões ultrapassados ainda crentes que estão salvando o mundo e, em geral, guiados por pessoas que somente pensam no poder.
Silvio Persivo

O presente chinês será grego?

As manchetes já festejaram e o governo brasileiro vê quase como uma tábua de salvação a vinda do primeiro-ministro da China, Li Keqiang, com mais de 200 empresários e um pacote de investimentos destinados ao Brasil estimados em 53 bilhões de dólares, que tornaria realidade alguns grandes projetos brasileiros necessitados de capital, como é o caso da Ferrovia Transoceânica, um mega-projeto de ligação ferroviária entre o Rio de Janeiro e os portos do Peru, investimentos em energia, como a linha de transmissão da usina de Belo Monte e projetos industriais, com ênfase no setor automobilístico e de máquinas e equipamentos. Bem, a própria denominação “negócios da China” já traz em si, a idéia de lucros extraordinários. A questão, quando se trata com os chineses, é de perguntar: extraordinários para quem?
Silvio Persivo

Nem tudo é tão relativo

Não deixa de ser folclórico que, muitas das pessoas que se dizem de esquerda, fiquem babando e rejubilando-se pelo fato de terem divulgado que Vaccari, o tesoureiro petista, possui um patrimônio pequeno como se isto fosse uma prova de honestidade. Convenhamos que, como em outros casos, é muito provável que os bens e valores adquiridos estejam em nome de outras pessoas ou até mesmo em contas no exterior. Afinal, devemos lembrar que, não é por acaso que a justiça o acusa: inúmeros os delatores que citam sua participação e/ou recebimento de parte das propinas da Petrobrás.
Silvio Persivo

A informação no nosso tempo

Que tudo se acelerou ninguém tem dúvidas. A pressa, que sempre foi inimiga da perfeição, é quem nos escraviza no presente. A pressa e a novidade, ou, se quiserem, a presencialidade que se expressa na visão de que é preciso estar "in", estar por dentro, num mundo altamente tecnológico e pós-moderno, ou seja, é preciso estar informado para se decidir. Mas, como estar informado num mundo onde a informação entra aos borbotões? Como tomar decisões onde há um imenso excesso de estímulos, de vertentes que, invés de dissipar incertezas, contribui para aumentar as dúvidas? Afinal com a evolução tecnológica, o volume crescente de dados que chegam por sistemas de informações, por e-mail, twitter, redes sociais, feeds, mídias convencionais, newsletter etc. é tão incrivelmente grande que a esmagadora maioria das pessoas não consegue nem ler e ver o que precisaria quanto mais filtrar o que é importante para direcionar sua vida, seus negócios, suas decisões.
Silvio Persivo

A crônica dor de barriga brasileira

Infelizmente, no momento, o Brasil experimenta uma enorme (e prolongada) prisão de ventre, se formos comparados com um corpo. Efetivamente, para um país funcionar bem é preciso, indispensável que seus órgãos políticos processem bem as demandas públicas. É o oposto do que acontece no país: passamos por uma imensa e crônica incapacidade de processar as necessidades da população, ou seja, de fato, os organismos políticos não funcionam, não processam, nem expelem os materiais nocivos ao funcionamento da política. Estamos sim, emperrados, com um imenso bolo que faz com que os intestinos políticos fiquem presos não por dias, mas, por meses, anos e, o que é pior, o médico que nos trata deve ser um daqueles “sem noção”, cubano do “Mais Médicos”, que não entende nem as causas, nem da prevenção e/ou do tratamento para nos ajudar a obter alívio.
Silvio Persivo

O leão está solto nas ruas!

Não importa se foram os mais de um milhão em São Paulo ou se os quinze mil de Porto Velho ou os supostos cinquenta mil de Brasília. O que importa é que “nunca antes neste país”, nem mesmo Collor teve uma rejeição tão alta. O que importa é que predominaram os gritos de “nossa bandeira não é vermelha e sim verde e amarela” pedindo a saída de Dilma e do PT, demonstrando o cansaço com um governo pelo qual não se sentem representados. E isto é ainda mais fantástico por não se ter visto nenhuma presença política significativa, nenhuma citação, bandeira ou sigla de qualquer partido ou político. Voluntária, ou não, com toda a tranquilidade, transparência, a manifestação pacifica foi um gigantesco e homérico protesto contra o que o governo fez e faz. Foram manifestantes que, majoritariamente, se posicionaram contra o governo.
Silvio Persivo

Mídias sociais tendem a aumentar a influência no consumo

Uma pesquisa norte-americana, feita durante um período de mais de dois anos, pela Civic Science, mapeou o que influencia mais os consumidores na hora de comprar, onde comer e o que assistir: anúncios na TV, propaganda na internet ou conversa nas redes sociais. O questionário foi respondido por mais de 17 mil adultos norte-americanos e o total de respostas variou entre 2 mil e 5 mil, de forma que se trata de uma pesquisa bastante representativa. Há, no entanto, algumas análises que foram feitas que devem ser levadas em consideração. Apesar de tudo, a pesquisa mostra que existe uma crescente percentagem de consumidores dizendo que conversas em redes sociais são as que mais os influenciam.
Silvio Persivo

Jogo de velho é videogame

É fantástico que as novas tecnologias sejam aconselháveis para os mais velhos (e a adesão das pessoas de mais 60 anos à internet, por exemplo, tem sido acima de 50%), porém, é mais interessante ainda que os videogames sejam considerados como excelentes para a prevenção e para o tratamento de algumas enfermidades. Especialistas afirmam que, se usados pelos mais velhos, o videogame melhora o condicionamento físico, a força, o equilíbrio e também ajuda o lado cultural e social. E, pasmem, ao contrário do que seria esperado, quanto maior o período de uso melhor é a concentração, a agilidade e até mesmo o processamento das informações e, meses depois que param, os benefícios permanecem. Confesso que fiquei com inveja de alguns deles que, ao jogar, se esqueciam de tudo, inclusive mulheres, que deixavam as panelas no fogo queimar a comida.
Silvio Persivo

Um aniversário sem festa

O PT ao completar 35 anos de história conseguiu um feito inédito, nas palavras de seu guia, como “nunca antes neste país”, partido algum teve. A associação imediata que se faz com o nome do partido: corrupção. A grande contradição é a de que foi um partido que construiu sua reputação brandindo a bandeira da ética, com ferozes ataques aos adversários contra a corrupção! O Lula e seu partido que, agora, são acusados de patrocinar os dois maiores escândalos que o país já assistiu- o “Mensalão” e o “Petrolão” não podia ver, antes, qualquer sinal, de qualquer vírgula errada, sem apontar o dedo, e indignado, gritar contra o assalto aos cofres públicos. No entanto, hoje, diante dos esquemas muito maiores de corrupção fecha os olhos e até indulta e bate palmas para os acusados.
Silvio Persivo

O custo real das campanhas eleitorais

Na campanha eleitoral os candidatos, em especial a nossa presidente, Dilma Roussef, com um marketing afiado, prometeram tudo, se disseram capazes de resolver todas as coisas. Aliás, pelo que se via, e as polianas, os petistas convictos por ideologia ou por dinheiro, atestavam o Brasil não podia estar melhor. O Brasil, pelo que entendi, se é que consigo entender alguma coisa, somente não estava melhor por causa do ambiente externo, mas, por aqui, os nossos dirigentes não erraram nada e tudo permaneceria no melhor dos mundos possíveis, como sempre esteve, pelo menos, depois que o PT alcançou o poder, ou seja, quando, por fim, descobriram ou inventaram este Brasil maravilhoso e novo do presente.
Silvio Persivo

A sombra da retrospectiva de 2014

Que retrospectiva se pode fazer de 2014? Em termos de fatos não se pode dizer que não tenham existido muitos, embora, de fato, o Brasil viva mais de marketing, de escândalos e manchetes do que de qualquer outra coisa. Foi um ano do qual não se pode falar sem citar dois momentos que galvanizaram a atenção dos brasileiros e, por incrível que pareça, ambos marcados por duas grandes decepções: a Copa do Mundo e as eleições. Da Copa não se precisa falar grande coisa na medida em que os expressivos 7x1 são uma clara demonstração de que não somente perdemos, mas, que perdemos vergonhosamente.
Silvio Persivo

Sentimento de Natal

É mais um Natal. Os natais passam na nossa vida quase sem nos darmos conta. E, só depois de muito tempo, passei a compreender que cada natal é um natal diferente. Não que o Natal mude, pois, na verdade, quem muda somos nós, quem muda são as condições do mundo, da economia, da vida. Não desejo ficar nostálgico nem olhar para o passado, porém, não há jeito. Para quem, igual a mim, carrega muitos natais nas costas, um olhar retrô é imprescindível, inescapável, fatal mesmo. E, por menos que se deseje negar, o Natal, realmente, não é mais o mesmo. Também pudera! Qual o Natal de comparação? Falar que o Natal mudou, como numa série histórica, é preciso que se fixe uma base, um natal que sirva de comparação, uma espécie de Natal padrão.
Silvio Persivo

Luiz Gonzaga e Anastácia, o rei e a rainha

Se, no filme, o destaque está para a vida, nem sempre em linha reta, de Gonzaga e a tumultuada relação familiar, em especial com o filho, o que se destaca no livro de Anastácia é sua coragem, sua ousadia, sua alegria de viver, que se esparrama mesmo nas piores situações. Em ambos as criações tomamos contato com a figura real de Luiz Gonzaga, uma pessoa generosa, mas, ao mesmo tempo, casmurra, com certos padrões nordestinos antigos entranhados que, hoje, seriam considerados “preconceitos”, porém, que revelam os padrões éticos e o caráter de uma certa época, mesmo que com suas contradições, na medida em que não somos perfeitos.
Silvio Persivo

Erros da política econômica deixam governo sem rumo

O Partido dos Trabalhadores (PT) sempre teve o problema genético de ter um viés estatista, de desejar controlar a economia e a sociedade a partir do governo. Se, com Lula da Silva, este, pelo menos, conservava canais de comunicação com a sociedade para diminuir os impactos das intervenções, o mesmo não ocorreu na gestão Rousseff. Esta se caracterizou por impor à sociedade, cada vez mais, uma filosofia e uma política que contraria os princípios básicos de uma sociedade democrática e pluralista, e o que deve ser a bússola mais importante para orientar a vida econômica, que é a lei da oferta e da procura, que, foi, sistematicamente, desrespeitada no seu governo.
Silvio Persivo

A fé é inabalável

Por necessidade virei professor, mas, sempre perto de uma redação de jornal, e procurando entender como a economia se movia. Já fui (e até tentei aprender alemão para ler Marx no original) e, creiam, poucas pessoas (obsessivo que fui) leram tanto Marx. Fui um marxista convicto, mas, ser marxista é, por definição, superar Marx. Não repeti-lo como muitos fazem como um papagaio. Aliás, Marx é uma parte do conhecimento. Se virar, como virou para muitas pessoas, uma certeza não se trata mais de Marx, mas, de uma nova bíblia, pior que a original que, certamente, ninguém conhece.
Silvio Persivo

A política econômica atual penaliza o futuro do país

Com os juros altos e a inflação se elevando começam a sentir os efeitos negativos de viver em cima do crédito e não da renda. Sob o ponto de vista macroeconômico, no entanto, a política do governo Lula, e continuada por Dilma, cometeu o grave equívoco de buscar o crescimento pela demanda. E a demanda estimula o crescimento, mas, não o garante. Crescimento somente existe pelo lado da oferta na medida em que é resultado do aumento da produção, ou seja, de existir maior capacidade produtiva e mais bens e serviços no mercado. Somente com novos investimentos, com aumento da produção industrial isto pode acontecer.
Silvio Persivo

Uma encruzilhada entre ter ou não ter esperança

O Brasil deve decidir se quer ser mais competitivo, ter mais liberdade, ser um pais mais inclusivo e mais diversificado ou vai aceitar a canga que nos querem impor de mais estado, de um modelo, o modelo petista, que, apesar de doze anos de comando do país, aumenta o poder do estado, a carga tributária, as imposições burocráticas e pretende até mesmo regular o lucro e encabrestar a mídia. Especialistas em desenvolvimento, mais do que ninguém, são consensuais num ponto: o estado é ineficiente e sempre mais ineficiente que a iniciativa privada.
Silvio Persivo

A credibilidade na internet

É de todos conhecido, ou, se não é, esta disponível nos melhores dicionários, o sentido da palavra credibilidade que origina-se do latim “credibilitas”, que tem o sentido de “o que é de acreditar, o que é de confiança” e que pode ser definido como atributo, qualidade ou característica de quem é crível, de quem merece confiança. Falar de credibilidade é essencial num momento em que, com o descrédito geral nas instituições e, principalmente, na política, se tende a colocar todas as coisas em dúvida como se não houvesse, de fato, muitas pessoas, instituições, órgãos e até mesmo políticos que merecem que se dê um crédito, que merecem, enfim, confiança.
Silvio Persivo

A falta que Marx nos faz!

Qualquer um que tenha o mínimo de conhecimento sobre política e história, e seja um estudioso, é claro, conhece a clássica referência sobre a repetição na história que é o texto de Karl Marx sobre o 18 Brumário de Luís Bonaparte. Sua publicação data de 1852 e gira sobre um golpe de Estado recém-ocorrido na França. Carlos Luís Napoleão Bonaparte, eleito presidente do país em 1848, resolveu impor uma ditadura três anos depois. A data escolhida para o golpe foi 2 de dezembro de 1851, aniversário de 47 anos da coroação de seu tio, o general e estadista Napoleão Bonaparte, como imperador da França.
Silvio Persivo

Uma pesquisa sob medida para o governo

Todos sabiam que a entrada de Marina Silva iria mudar o jogo. Os números, porém, da primeira pesquisa do Datafolha são estarrecedores não tanto por colocar a nova pretendente no jogo (o que já era esperado), mas, por configurar uma situação de favoritismo que não se coaduna com as tendências que pareciam estar estabelecidas. Há na pesquisa algumas coisas que não parecem bem colocadas (para não dizer que estão bem arrumadas). É uma pesquisa que, por tudo que mostra, e na hora que mostra, somente favorece a candidata oficial, apesar de, aparentemente, ser boa para a nova concorrente. Em primeiro lugar, ao colocar Marina num empate técnico (e na frente de Aécio) estabelece logo de início a condição de que será um dos dois que estará fora do jogo, ou seja, na prática, coloca Dilma como estabelecida no segundo turno e joga os dois para trocarem chumbo na arena eleitoral.
Silvio Persivo

A necessidade inadiável do bom jornalismo brasileiro

Todo governo anti-democrático a primeira coisa que pretende é manietar a imprensa. O governo, e muitas vezes o partido do governo, que vive pretendendo colocar rédeas na imprensa é um governo, por definição, fascista ou totalitário, seja de esquerda ou de direita. Thomas Jefferson, com seu pensamento revolucionário e democrático já havia dito que a imprensa é indispensável para a democracia. Os jornais, as redações, mesmo com a pobreza mental que o estreitamento dos meios de manutenção tem tornado uma realidade, ainda são a melhor maneira de apreender a realidade mesmo com sua falta de cultura pela simples razão de que, ainda que de forma cada vez menos culta, possuem algum método de determinar o que é relevante e, ainda que de forma imperfeita, discutir os seus diversos lados.
Silvio Persivo

O mundo ficcional do pensamento conservador

Bruno Garschen defende com uma argumentação bem feita, no seu artigo “Os anticapitalistas estão contra nós”, divulgado pelo jornal "Gazeta do Povo", a tese correta de que “Defender o capitalismo é uma tarefa inglória” porque, na sua quase totalidade o anticapitalista não é um interlocutor intelectualmente honesto. E não o é porque, previamente, já hostiliza quem pensa diferente com acusações pessoais de odiar os pobres e os beagles, além de elencar sobre o capitalismo pecados que não tem, de vez que, na definição de capitalismo, vaga e aberta a qualquer significado, pode-se atribuir, como Marx fez com vigor e crença, tanto que existe uma força sobrenatural que governa acima da razão de todos (um espírito imaterial, todo-poderoso e onipresente), bem como que o empresário, o dono do capital, age sempre para explorar a mão de obra do coitadinho do trabalhador.
Silvio Persivo

O vexame do Brasil na Copa afeta as eleições?

É provável, quase certo, que haverá um impacto imediato nas pesquisas sobre a imagem da candidata do governo. Dilma deve voltar a cair, talvez até um pouco mais do que levemente subiu com o bom humor que a seleção ao vencer inflou no país. Aliás, a tendência de queda que se sentia na sua candidatura deve continuar. A Copa do Mundo, como é praxe, paralisa, em grande parte, as atividades do país e, mesmo as convenções, a política, se resumiu ao essencial e, agora, deve ser retomada com mais intensidade. E, como é natural, a rotina também. E não se pode esconder que na rotina do brasileiro, desde o ano passado, dos famosos movimentos de rua de junho, produz um olhar para o cenário com uma perspectiva muito negativa, o que, é lógico, não favorece o governo.
Silvio Persivo

Os fatos rasgam a fantasia

Há uma evidente, e continuado, noticiário internacional que, ao analisar a Copa de Mundo de 2014 no Brasil que, no momento, dá mais atenção aos protestos da população do que ao evento. O governo se queixa de que existe uma “contaminação” da mídia internacional pela versão dos grandes meios de comunicação internos. Num esforço de modificar esta imagem a presidente Dilma convidou os correspondentes de 21 meios de comunicação que escreveram sobre o país para um jantar no qual tentou fazer um exercício de sedução para mudar a visão dos jornalistas.
Silvio Persivo

Baixo crescimento é fruto dos erros da política econômica

Por mais que as autoridades façam discursos otimistas, o fracasso da política atual de desenvolvimento centrada no consumo, torna-se evidente com a pequenina expansão de 0,2%, no primeiro trimestre, acompanhada de inflação alta e um enorme rombo comercial. Não adianta o ministro da Fazenda, Guido Mantega, desejar atribuir o baixo crescimento brasileiro a algum problema conjuntural ou a fatores externos. É o ambiente econômico, a indústria em declínio e a baixa produtividade que conduzem ao baixo desempenho dos indicadores de nossa economia. Isto é visível, por exemplo, na pesquisa divulgada pelo IMD, escola de negócios da Suíça, o Índice de Competitividade Mundial, no qual o Brasil perdeu três posições este ano, estando, agora, em 54º lugar, num universo de 60 países analisados. Em quatro anos, desde o início do mandato de Dilma Roussef foram 16 posições perdidas.
Silvio Persivo

A crueldade da burocracia brasileira

Se formos pensar em termos de burocracia será imprescindível ir buscar o seu conceito em Max Weber. É do sociólogo alemão a concepção científica da burocracia que ganhou com ele o significado clássico de que a burocracia seria a organização eficiente por excelência por conseguir explicar nos mínimos detalhes como as coisas deverão ser feitas. Para Weber, aliás, a burocracia moderna não seria apenas uma forma avançada de organização administrativa, com base no método racional e científico, como também uma forma de dominação legítima. Para conceber esta visão ele creditava aos burocratas os atributos que regem o funcionamento da burocracia como formas de relações sociais das sociedades modernas.
Silvio Persivo

Os sinais da mudança

Ao contrário do que se veicula o problema maior da reeleição de Dilma não é a queda na pesquisa CNI/Ibope que, em geral, tem maior efeito apenas nas classes mais politizadas. Embora a queda da popularidade acentue os problemas e, de fato, tenha acontecido no pior momento para o governo até agora, uma boa leitura mostra que é apenas mais um sinal no ponto de inflexão de um governo que não fez o seu dever de casa. Por mais que o controle da imprensa, por meios econômicos, a propaganda intensa e a tentativa permanente de sufocar a oposição seja um traço do poder opressivo que busca se tornar único do PT, os furos no dique se acumulam e todos eles derivam da incapacidade administrativa do governo seja em relação à política econômica, ao atendimento de suas bases ou na construção da infraestrutura e oferta de serviços básicos à população.
Silvio Persivo

Palco Giratório: a vitória da diversidade cultural

O que de fato diferencia o Palco Giratório é sua capacidade de promover o que o próprio Ministério da Cultura não consegue, que é uma política cultural que fomenta a formação e a criatividade. O projetoabre espaço para o novo e consegue abranger os diversos olhares da produção nacional, a partir de uma avaliação sensível e honesta dos artistas e seus trabalhos, sem privilegiar, como normalmente acontece, os nomes já estabelecidos e atentando para os processos e dinâmicas capazes de gerar discussões, reflexões e até mesmo a perplexidade. Enfim, a grande vantagem do projeto tem sido a capacidade de fortalecer e desenvolver a produção local e lhe proporcionar possibilidades de alcançar outras fronteiras.
Silvio Persivo

O descontentamento surdo

Quando se olha para trás e se observa a eleição da atual presidente, Dilma Roussef, se constata que o Partido dos Trabalhadores-PT e seus candidatos estavam numa situação muito mais confortável. Lula conseguiu, com uma estratégia esmagadora e a fragilidade e incompetência da oposição, fazer Dilma vencer a eleição para a Presidência, em grande parte pelo fato da economia brasileira, aparentemente, andar bem, pois, se gabavam, com farta publicidade, de ter superado o baque causado pela crise mundial de 2008 e, para demonstrar isto, mesmo sem pesar os custos, trabalharam (e abriram generosamente os cofres) para que o crescimento do Produto Interno Bruto-PIB, em 2010, atingisse, na única vez que se conseguiu isto no governo petista, o recorde de 7,5%. Nem mesmo o alerta da inflação alta de 6,71% afetou o resultado, de vez que, para gregos e troianos, se exibiam os números do aumento de emprego, de renda da população e a continuidade de uma política que se trombeteava correta.
Silvio Persivo

O Paraguai não é aqui!

Que o mundo muda muito e rápido todo mundo sabe, mas, quem, objetivamente, poderia pensar que o Paraguai seria um exemplo para o Brasil? Bem, para quem somente pensa no nosso país vizinho como um sócio menos importante, deveria observar que, no mês passado, uma Missão Empresarial Brasil-Paraguai, composta de 178 empresários ou representantes de empresas e entidades brasileiras, esteve em Assunção, capital do país, para conhecer de perto os incentivos oferecidos para investimentos estrangeiros e casos de empreendedores que já estão instalados no país. A missão foi organizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Rede Brasileira de Centros Internacionais de Negócios (Rede CIN), e liderada pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).
Silvio Persivo

A morte do carnaval

O carnaval brasileiro está difícil. Ingressou, definitivamente, no mar da mediocridade geral. Prefiro o sossego que assistir a maior festa nacional ter se transformado num imenso zumbi. Nós, brasileiros, estamos provando que chegaremos ao passado sem ter tido presente. O carnaval de hoje é um imenso velório disfarçado de alegria. E já tendo vivido os velhos carnavais do Rio de Janeiro, de Recife, Salvador e Porto Velho, certamente, tenho sólidas razões para ter saudades. Afinal quem conheceu os carnavais de outrora não pode olhar senão, com uma certa nostalgia, os carnavais atuais. A grande realidade é a de que, apesar da festa ter crescido em tamanho, perdeu em uma série de outros quesitos, entre eles, os mais sensíveis de paz, beleza e alegria. O carnaval, no Rio ou em Salvador, virou um grande negócio que engorda diretorias de escolas e blocos, hotéis, fazedores de abadás, e o que acontece de real mesmo é a aglomeração dos jovens, com roupas padronizadas, em torno de bares e casas noturnas. Ah! Tem o desfile da Sapucaí. Outro grande negócio que virou palco de desfile de celebridades enxertadas com silicone. Longe, bem longe, estamos dos sambas enredos de verdade, uma mistura de samba do crioulo doido e ingenuidade que tinha sabor. Hoje até o samba tem gosto de linguiça. Nem queira saber como se fabrica.
Silvio Persivo

O desacerto do tempero

Tem sido quase uma fórmula consagrada dos governos petistas, o processo que se iniciou com Lula da Silva, de, nos dois primeiros anos de governo, agir com mão de ferro, sufocando as demandas sociais, para fazer os ajustes necessários e, no último ano, abrir as portas para fazer gastos e se reeleger. É um tipo de comportamento que tem dado certo, tanto que elegeu Dilma, mas, esta, pelo andar da carruagem, não adotou o sistema, o que pode influir, decisivamente na próxima eleição, apesar da passividade e da falta de uma maior capacidade de aproveitar os erros da política atual do governo.
Silvio Persivo

O primeiro fracasso de 2014

É certo que, no fim do ano, com a mudança do calendário até tentei reviver o otimismo relevando os problemas, como se fossem fruto de uma certa melancolia que sempre ataca as pessoas mais maduras. Como tento viver o presente, com o otimismo possível sobre o futuro, abomino a ideia de que o passado foi melhor, mas, ultimamente, está difícil, muito difícil mesmo, não pensar que foi. A questão é que, mesmo tentando exercitar o otimismo, houveram os assassinatos de pessoas na Zona Leste com tiros que, pelo menos, foi a versão passada, atingiram os que tiveram o azar de estar por ali. Depois houve o episódio de uma prisão no Porto Velho Shopping que espalhou um pânico geral. Porto Velho ficou uma capital, por uns dias, tomada pelo medo. É verdade que não se trata de uma síndrome local. Basta ver os ônibus depredados Brasil afora, os fechamentos de comércios, “rolezinhos”, as mortes, assaltos e roubos que infestam o noticiário.
Silvio Persivo

Uma opção pela esperança

Fim de ano é sempre tempo de balanços, de memórias, de planos, de retrospectivas e de previsões. O ano de 2013 não foi um ano fácil. Foi um ano surpreendente, em especial, por causa das grandes manifestações públicas de junho pelo Brasil afora, porém, mais ainda inquietador por ter deixado a descoberto os grandes problemas nacionais, como o da crescente violência, da baixa qualidade da educação, dos hospitais e universidades sucateadas, pela desindustrialização crescente do país com o aumento explosivo das exportações e, para encerrar as coisas negativas, o fato de que as ações do governo tem sido burocráticas, meras panaceias, que não atacam as raízes dos problemas nacionais.
Silvio Persivo

O sinal de alerta ao “país do faz de conta”

Somos um país no qual se cobra dos professores a produtividade dos professores norte-americanos, que ganham 20% a mais do que a média de todos os salários do país, enquanto os pobres professores brasileiros ganham 20% a menos. Como a carreira não é atraente será que os melhores a procurarão? E, muitos, sem o menor preparo, desprestigiados e desanimados, ainda enfrentam na sala de aulas jovens que vivem no tempo da internet, dos vídeos, dos audiovisuais e dos games, com cuspe e giz. Como resultado será que é de estranhar que 5,3 milhões de brasileiros, entre 18 e 25 anos, não estudam nem trabalham?
Silvio Persivo

Sexta CBAPL foi uma exposição da diversidade brasileira

Em geral conferências nacionais tem sido ou uma mera convalidação de políticas antes já decididas, com a arregimentação de grupos de apoio para bater palmas, ou, quando muito, uma ocasião para fazer política eleitoreira com promessas de melhorias que terminam nas proposições. Não foi o caso da 6ª CBAPL-Conferência Brasileira de Arranjos Produtivos Locais, que teve como tema “Sustentabilidade dos APLs: Governança, Conhecimento e Inovação”, realizada entre os dias 03 e 05 dezembro, em Brasília. Quem participou teve condição de verificar que foi uma conferência múltipla, rica e com diversos desafios estimulantes tanto sob o ponto de vista do fazer, como da elaboração de políticas públicas e de debates acadêmicos.
Silvio Persivo

O Brasil é um enorme vácuo

O Brasil, apesar de ter avançado em muitos pontos, passa por uma crise sem precedentes na sua história. As suas elites atuais (inclusive as que dizem ou mesmo até pensam que não são elites) se mostram incapazes de criar um projeto viável para o País. O que se lê (ou vê e ouve) no noticiário reflete a pobreza das expectativas e da mais completa falta de visão futura: são manchetes de crimes, a discussão tediosa e inútil sobre os mensaleiros ou a falsa polêmica criada em torno de um cartel do passado, talvez, gerada para distrair dos crimes presentes. Tudo uma fuga da realidade, da necessidade que o país impõe de mudar, de se atualizar, de cuidar de ter desenvolvimento e competitividade, o único caminho possível para um futuro melhor.
Silvio Persivo

As incertezas da economia

O que se verifica é que o Brasil corre riscos, nos próximos anos, de ter um desempenho mais fraco no mercado de trabalho, com efeitos fortes sobre o emprego e renda, se a economia continuar, como está patinando e, sem uma recuperação mais robusta. Os sinais de exaustão do modelo baseado no consumo e no crédito ficaram mais evidentes, neste segundo semestre, sem que o governo consiga dar uma resposta adequada à dificuldade de recuperação da economia. Se,no começo do próximo, persistirem os mesmos resultados, as perspectivas para 2014/2015 tendem a apontar para o agravamento do quadro, com a continuidade de níveis de crescimento medíocres e uma maior queda na geração de empregos.
Silvio Persivo

Os cem anos de Vinícius de Moraes

Na verdade conheci a poesia de Vinícius de Moraes antes de conhecê-lo. E digo conhecê-lo mesmo por suas obras e por uma admiração que se estendeu a outros grandes nomes da música brasileira que foram, são, o inesquecível Tom Jobim e o então jovem violonista e também notável compositor Toquinho. Vinícius me conquistou, sem quem soubesse quem era, pela maravilhosa letra de “Serenata do Adeus”: “Ai, vontade de ficar mas tendo que ir embora/Ai, que amar é se ir morrendo pela vida afora/É refletir na lágrima, um momento breve/De uma estrela pura cuja luz morreu”. Bastaria ter feito isto para já ser considerado um dos grandes poetas brasileiros. Vinícius, no entanto, era uma fonte permanente de poesia e de musicalidade.
Silvio Persivo

Um dia só para ser elogiado

Ser professor é quase se condenar a ser pobre, a ser um ser quase monástico. Não é à-toa que os pais, hoje, não desejam de forma alguma que seus filhos sejam professores. Professor é sinônimo de pobreza. E, muitos alunos, na sala de aula mesmo, tratam o professor como se fosse um sonhador ou um acomodado, na medida em que não compreendem como alguém sabe tanto e ganha tão pouco. De fato, é inexplicável até mesmo sob o ponto de vista econômico, de vez que quanto mais aumenta a demanda por professores mais a média dos salários, no país, baixam. Sou professor. Tenho, nem o sabia até o dia em que comecei por circunstâncias a ser, uma vocação inata para a profissão que sempre me orgulhou e me deu, ao longo da vida, uma imensa satisfação. Mas, reconheço que ser professor, hoje, é ser, acima de tudo, um sobrevivente, um ser que não é respeitado senão por poucos, muito poucos, não importa a contribuição que tenha dado, o que tenha feito e, pelo menos no horizonte visível, sem perspectivas. Longe de mim vim aqui destilar queixas, contar as agruras próprias, desnudar a insatisfação e, algumas vezes, o desespero de verificar que, embora os discursos enalteçam a figura, a triste realidade é a da completa desvalorização da profissão.
Silvio Persivo

O gargalo da infraestrutura

A BR-364, única rodovia de ligação da Amazônia com o Sudeste, não suporta mais o tráfego ininterrupto de carretas que transitam rumo ao porto graneleiro da capital. Acrescente-se que o Grupo Amaggi já iniciou um novo terminal de soja com capacidade para 05 milhões de toneladas, um investimento de mais de R$ 200 milhões, que deve aumentar ainda mais os problemas da rodovia que já se notabiliza por trilhas de soja (um desperdício inaceitável) e enorme quantidade de acidentes.
Silvio Persivo

Todo julgamento é um ato intelectual

Considero que, ao contrário de Sartre, o intelectual não pode ser engajado. Se ele é engajado deixa de ser intelectual por passar a ser partidário, se distanciar do discurso racional e passar, efetivamente, a fazer propaganda. Bem, muitos podem dizer que não se consegue fugir da ideologia. É verdade. Não há discurso totalmente objetivo, todavia, penso que não se pode condicionar os princípios aos interesses contingentes da conjuntura política. De forma que não preciso nem tenho, por exemplo, de ser PT ou PSDB quando nenhum dos dois realiza melhor os princípios nos quais creio. Neste sentido, posso estar errado, entretanto, luto para que o monopólio da força não se torne também o monopólio da verdade e tendo sempre presente que, numa democracia, para se construir o futuro não se têm inimigos, mas, adversários.
Silvio Persivo

Só oscilações à vista

O governo comemora o fato de que a economia cresceu 1,5% no 2º semestre. Não há como não concordar que o comportamento da economia foi melhor que o esperado e melhor que o anterior, mas, é preciso lembrar que isto já aconteceu inúmeras vezes na história recente e não assegura nada a respeito do comportamento futuro. Há dados que, se forem mantidos no tempo, são muito bons. Um deles é o aumento da taxa de investimento e do consumo privado que cresceu, mas, perdendo participação no PIB. O consumo público também, ao aumentar, nos leva a ter certeza de que a poupança está crescendo como proporção do PIB. Bem como a agropecuária e indústria cresceram sua participação na economia deslocando os serviços. É uma mudança necessária por causa do imenso passivo externo. O governo alega que este rombo está sendo coberto por investimento direto, produtivo. Mas, capital externo tem de ser remunerado, seja por juros, lucros e dividendos e, num prazo maior, isto é insustentável e se transforma, como sabe quem entende o mínimo de finanças, numa bola de neve. Neste sentido é bom que a taxa do câmbio tenha se depreciado. O exame, portanto, dos dados nos induz a pensar que o resultado foi mesmo muito bom e alguns setores econômicos, se mantiverem o comportamento, farão uma grande diferença, todavia, deve-se olhar com a frieza do curto prazo e de que foi uma oscilação. Nada nos dá certeza, pelo menos por enquanto, que se trata de uma tendência.
Silvio Persivo

A banalidade do mal

É muito característico da época, e de grande atualidade, o filme “Hannah Arendt”, da escritora e cineasta Margarethe Von Trotta (“Os Anos de Chumbo”), que passeia por um período da vida dela, que vai de 1961 a 1964, bastante turbulento para Hannah, vivida por Barbara Sukowa (“Lola”). É um filme que mostra a filósofa que foi encarar o monstro Eichmann, acusado de matar milhões de judeus, e encontrou um burocrata medíocre (e os burocratas medíocres são os que mais banalizam o mal). E foi em torno deste choque que ela foi capaz de observar e tentar entender o que chamou de banalidade do mal, com uma coragem e uma honestidade intelectual incríveis, que, como sempre acontece com quem a tem, lhe causou um enorme mal-estar, muitas incompreensões, hostilidades e perseguição no seu trabalho e à sua figura. A busca de Hannah Arendt foi sempre a de querer entender e, de forma original, compreendeu que o mal pode se originar não da monstruosidade de uma opção política ou ideológica, mas, simplesmente da obediência cega, da inabilidade para pensar autonomamente e até mesmo da falta de motivo, do simples fato de que pessoas que não pensam, muitas vezes, somente sabem ter inveja, buscar tirar o brilho de quem tem brilho.
Silvio Persivo

Uma visão realista da economia brasileira

Considerado um dos mais brilhantes economistas do Brasil, com participação na elaboração dos Planos Cruzado e Real, o doutor em Economia e economista André Lara Resende, numa entrevista veiculada no "Estado de São Paulo", no dia 07 de julho último, sob o título “Projeto do PT parece o do regime militar”, afirma que o mix de políticas do governo federal está equivocado, pois, para que a economia melhore será indispensável que se estimule a oferta de moedas e os investimentos e não, como tem sido feito, estimular a demanda e o aumento dos gastos públicos correntes.
Silvio Persivo

O momento é de inovação

O grande problema é que a nossa sociedade mudou profundamente e todos nós estamos num esforço de adaptação, de acomodamento e numa tentativa de compreensão ativa da mudança. E não é uma mudança qualquer. É uma mudança feita com um fenômeno impactante que nos exige novas habilidades como é a mobile internet, a internet móvel, que tem implicações no cotidiano, nas comunicações, nas modificações sofisticadas da produção, nos grupos de interesses e se mostram diante dos nossos olhos modificando o tempo, exigindo respostas rápidas de nós, dos empresários e dos políticos que somente utilizam instrumentos novos, como os celulares de última geração, mas, se comportam como se estivessem ainda nos tempos da Velha República metendo os pés pelas mãos, trocando o público pelo privado.
Silvio Persivo

Não podemos chamar o retrocesso

O mundo precisa de ordem. E a verdade que há uma certa ordem até mesmo no caos. Só os anarquistas, que não primam, aliás, por deixar de gostar das coisas que funcionam, das coisas bem ordenadas, é que são capazes de acreditar que a ordem não seja necessária. Aliás, o problema deles não é nem mesmo a ordem. Eles não gostam mesmo é que haja comando, governo, mas, sem estas coisas, aí, principalmente, com a complexidade do mundo moderno, é que nada funciona mesmo. A ordem, por menos que gostemos, dela é uma necessidade essencial. Claro que, mais jovem, também me rebelava contra a ordem estabelecida, mas, existiam razões sensíveis: o mundo era preto e branco. As coisas eram mais simples: havia um governo militar e se desejava a democracia. Era evidente quem estava de um lado ou de outro e o que se desejava era o que, hoje, existe: um governo eleito pelo voto.
Silvio Persivo

A imprensa que todo governo deseja!

Inevitável é tratar das manifestações nas ruas brasileiras, mas, a verdade é que, como qualquer outro fato, num mundo de rápidas transformações e excesso de notícias, até mesmo as manifestações, depois de uma semana, parecem repetitivas e tão velhas quanto às respostas que o governo dá ao movimento. Por isto, procuro aspectos que fujam das visões tradicionais sobre esta onda que percorre as ruas. E, para mim, um deles diz respeito à questão da imprensa e sua atuação inclusive nas manifestações. Na Veja, desta semana, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, numa análise lúcida, afirma que não é possível, como desejam inúmeras alas governistas, controlar a informação ou, como dizem, num eufemismo pouco esclarecedor, regular a mídia. É evidente que a mídia, impressa, ou não, tem que formar e informar e, neste sentido, não pode nem deve estar atrelada a nenhum governo. A realidade brasileira é que, por uma questão econômica, e até política, na medida em que a proibição de muitos tipos de publicidade, como de bebidas e cigarros, tornou a sobrevivência delas extremamente dependente de verbas ou benesses governamentais. E, ao contrário do que afirmam os militantes partidários do governo, a mídia é extremamente benevolente com o governo e a Rede Globo, mais ainda, apesar de estigmatizada como protótipo da mídia elitista, concentrada e manipuladora, espécie de oposição sistemática ao governo e representação por excelência dos interesses capitalistas mais empedernidos.
Silvio Persivo

As ruas dizem que falta política com P maiúsculo

Analistas reconhecidos como notáveis, e políticos, diante dos protestos que cobrem as ruas brasileiras, confessam se dizem perplexos com o que está acontecendo e procuram dizer que os protestos são legítimos. Não é lá um primor de ilação, mas, mostra o quão distante se encontram da realidade brasileira. Mas, os cartazes que os populares postavam demonstram o que os políticos não desejam ver: deixaram de representar a imensa maioria das necessidades do país. Tanto fizeram para se manter no poder, sem estruturar seus partidos, enroscados em gabinetes, cercados de seguranças e somente fazendo acordos para se manter que se deslocaram completamente da política que é arte de cuidar dos interesses públicos.
Silvio Persivo

Prelúdio eleitoral

A situação econômica brasileira, com todos os problemas que apresenta, de vez que em recente avaliação da agência de classificação de risco a Standard&Poor's diminuiu, de neutra para negativa, a perspectiva de nota para a economia brasileira, é boa. Quando falo em boa, na verdade, estou apenas minimizando alguns profetas que falam que “o país está quebrado”, que vem por aí uma crise violenta e outras previsões mais nefastas ainda. Não é esta uma probabilidade provável, ainda que possível, pois, tudo é possível, como também não dá para acreditar nas previsões otimistas do ministro Mercadante, que, como membro do governo, vê tudo cor de rosa, afirmando que o Brasil terá “um excelente segundo semestre”, graças ao pacote de investimentos do governo federal com o leilão de extração da camada pré-sal do Campo de Libra, a abertura de portos no Nordeste (depois da aprovação da Medida Provisória dos Portos) e das novas concessões para exploração da iniciativa privada de estradas, ferrovias e aeroportos.
Silvio Persivo

Um gol no último minuto

O futebol brasileiro, para o bem ou para o mal, é o retrato acabado do país. Só revela o imediatismo, a falta de compromisso, a politicagem e o despreparo dos seus dirigentes rebaixando a qualidade do material que deveria produzir sucesso. No futebol isto se revela pelas dispensas mensais dos técnicos, pelas derrotas, pelo baixo desempenho dos jogadores e pelos passes e chutes errados, a falta de gols. Na vida, o futebol de verdade, pela corrupção, pelo desperdício, pela ignorância popular que elege os Silvas iletrados e sem visão de futuro. Tudo igual: perdemos no futebol e na vida por não cuidar do essencial: a administração e os fundamentos.
Silvio Persivo

Sobre a sabedoria da memória ou a benção do esquecimento

Que nós vivemos numa época de excesso de informações ninguém tem muita dúvida. A sucessão de imagens, de slogans, de publicidades e de propagandas que nos perturbam só é menor que a nossa procura incessante de estar à par do novo, de não perder a onda da modernidade, de, enfim, saber do que se passa em todo canto, todo tempo. Lembro que, garoto (claro que no século passado, seus implacáveis) não existia esta volúpia da notícia, o que nos poupava, por exemplo, das páginas sangrentas dos jornais, dos sequestros, dos crimes ou até mesmo de saber que existiam tantos criminosos, em especial, dos cofres públicos. Ladrão era ladrão mesmo, de galinha que fosse, mas, reconhecido na profissão e com, um traço que, hoje, infelizmente se perdeu, de ser uma coisa vergonhosa. O estereotipo do ladrão era sempre o de estar mascarado e carregar consigo um saco para levar as coisas roubadas. Era um tempo de inocência onde, visivelmente, não acontecia nada ou, se acontecia, era devagar, devagar, devagarinho, como recomendou, sabiamente, Martinho da Vila. A vida tinha tempo, estações, processos lentos para acontecer.
Silvio Persivo

A injustiça tributária brasileira

Todo mundo louva a eficácia da Receita Federal. E ninguém discute a sua eficiência. Mas, esta eficiência acaba sendo, na verdade, contra o cidadão, contra o contribuinte que não tem como se defender da forma draconiana como é taxado, inclusive, com reiterados esbulhos que passam pela não atualização das tabelas e por fixação de valores de gastos inverossímeis. O que deveria ser despesa de manutenção, custo mesmo de sobrevivência, é taxado sem perdão como renda. A renda do trabalhador é taxada, na fonte, em 7,5%, se ganhar mais de R$ 1.710, 78, porém, o próprio Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE, reconhece que é impossível alguém se manter, ou mesmo pensar em economizar, se ganhar menos de R$ 2.100,00, ou seja, na prática, este deveria ser reconhecido como um piso de manutenção da pessoa que impediria qualquer taxação sobre seus salários.
Silvio Persivo

A cachaça dança e rola em direção ao futuro

Li na imprensa que, por meio de acordo entre Brasil e Estados Unidos, a cachaça foi reconhecida como uma bebida genuinamente brasileira. Os produtores comemoraram o fato tendo em vista que os norte-americanos tem se tornado, nos últimos anos, um mercado promissor para a bebida, que ganha espaço com a maior participação do país no mundo. O Instituto Brasileiro da Cachaça, o IBRAC, acredita que vendida com seu verdadeiro nome, unicamente de cachaça, as vendas devem ser impulsionadas porque, atualmente, ela é vendida com o nome de Brazilian Rum, de vez que o rum também é feito com cana de açúcar, o que não permite diferenciar os dois destilados. Com o reconhecimento todo destilado com o nome cachaça no rótulo será brasileiro. Ou seja, é bem possível, que se acrescente aos símbolos brasileiros, além do futebol, do samba e da música, a cachaça, que deve passar a ser internacionalmente mais um ícone da nossa cultura.
Silvio Persivo

Sobre o futuro de livros, editoras e livrarias

Não tenho dúvidas, porém, que o e-book é o futuro e que se precisa avançar na sua utilização, mas, cabe aos empresários do setor repensar o futuro das editoras e livrarias. Ambas, para sobreviver, terão que se adaptar a uma nova dinâmica com a oferta de novos serviços e o a qualidade do atendimento e a diferenciação que precisarão ter é essencial para moldar um novo formato sustentável. As livrarias terão que ser mais do que um polo de encontro de livros e terão que se transformar num ponto de encontro de lazer e de alternativas onde as palavras terão seu espaço como parte de um convívio cultural e social.
Silvio Persivo

Reforma de faz de conta

Reforma, o nome já está dizendo, é algo que se faz quando o que existe tem problemas. Em geral se reforma algo que não está dando certo seja uma casa, uma política ou um governo, no fundo, se precisa consertar algo que não funciona direito. O sentido seria o de melhorar, buscar a solução de alguma coisa ou de mais espaço ou conforto. Ocorre que, em política, como se sabe, reforma vira redistribuição de cargos. E, na grande maioria das vezes, não se melhora, nem se conquista espaço, mas, se faz trocas pela pressão dos problemas políticos, ou seja, quem faz cede às circunstâncias e faz trocas cedendo poder. Não deve ser muito diferente com a reforma que anuncia a presidente Dilma Rousseff que, tem como fito apenas acalmar o PMDB e PSD. Não é uma questão gerencial. É uma questão de tentar rearrumar o tabuleiro do xadrez eleitoral de 2014.
Silvio Persivo

O Brasil e a sustentabilidade do futuro

O Brasil começa 2013 imerso em grandes problemas em relação ao seu futuro. É evidente que, qualquer que seja ele, o país sempre irá pesar no contexto mundial por seu tamanho, porém, sua maior influência depende muito mais do que será capaz de realizar internamente do que se pensa. Efetivamente, o país não poderá continuar posando de grande nação se não obtiver, como acontece com a China e com a Índia, expressivos índices de crescimento e, como se sabe, nossos resultados têm sido, para não ser muito crítico, raquíticos. Crescer 01%, em 2012, significa, de fato, um retrocesso que não pode ser explicado, como teimam em nos querer impingir, por causa de fatores externos. Afinal, atrelados como temos estado, ao império chinês, nós acabamos por nos beneficiar de sua ascensão.
Silvio Persivo

Não basta apenas ter Neymar

Numa sociedade complexa como a atual não existe mais como as coisas serem resolvidas por um líder sozinho, por mais carismático e talentoso que seja. É claro que o personalismo existe, e sempre existirá. As grandes personalidades, os grandes líderes, são seres que são socialmente moldados pelas circunstâncias para ocuparem certos espaços e resolverem os problemas sociais com sua perseverança e força de vontade. No entanto, num mundo cada vez mais multifacetado, usando os símbolos do futebol, hoje, tão comuns na política, cada vez mais, o talento individual está sendo soterrado pelo jogo coletivo. Não basta apenas ter Neymar.
Silvio Persivo

O paradoxo brasileiro

De fato o Brasil, nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e no atual, mesmo com os baixos índices de crescimento, conseguiram melhorar a distribuição de renda e aumentar o consumo interno, em grande parte graças a uma melhoria dos estratos sociais mais pobres, por um crescimento da renda que não tem contrapartida produtiva, bem como uma notável expansão do crédito e, em consequência do endividamento das famílias. É verdade que, diante da crise, o Brasil apresenta uma relativa solidez econômica, estabilidade política e conquistas sociais significativas, mas, o paradoxo brasileiro é que, ao vendermos externamente, uma imagem de capacidade de resolver nossos problemas e propor uma formula para os outros países, em contrapartida, como ressaltou o Embaixador Valdemar