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Rui Ramos

De Trump a Macron, do populismo ao elitismo

O que Macron significa é que não é só o “povo miúdo”, que votou Le Pen, que está disponível para correr o risco de uma ruptura. São também os “quadros superiores”, que votaram em Macron. Falou-se muito até agora de populismo. Com Macron, talvez se venha a falar de elitismo
Rui Ramos

França: a dúvida no coração da Europa

Macron derrotou Le Pen, mas agora pode salvá-la, se conseguir destruir, nas legislativas, os velhos partidos do regime e assim entregar a Le Pen a chefia da oposição. O segundo ponto é que Emmanuel Macron não foi apenas o candidato que derrotou Le Pen
Rui Ramos

A França, o homem doente da Europa

No século XIX, usava-se a expressão “o homem doente da Europa” para designar um país cujas dificuldades ameaçavam pôr em causa os equilíbrios políticos europeus. Quem poderia ser hoje esse “homem doente”, do ponto de vista da União Europeia?
Rui Ramos

O cristianismo arrancado pelas raízes

As elites europeias, com o seu desinteresse pelo destino da cristandade oriental, admitem que o multiculturalismo está condenado no Médio Oriente. Por que pensam então que terá futuro na Europa?
Rui Ramos

Castigar os britânicos por causa do Brexit é uma má ideia

A classe política europeia exibe perante o Reino Unido a coragem que lhe falta perante a Rússia de Putin ou a Turquia de Erdogan. Julgará que castigando os britânicos evitará outras saídas da UE? O Reino Unido faz falta à Europa unida.
Rui Ramos

O terrorismo faz parte de viver numa grande cidade?

Muita gente estranhou o comentário do mayor de Londres (de há uns meses, mas lembrado agora), de que o risco do terrorismo faz parte de viver numa grande cidade. Mas Sadiq Khan tem razão: é assim que se vive nas cidades da Síria e da Turquia, do Iraque e do Paquistão.
Rui Ramos

Os inimigos dos nossos inimigos

Ou Trump ou o radicalismo, eis os termos a que os partidários de um e outro gostariam de reduzir a política. A pressão sobre a direita para que se submeta a esse tratado de Tordesilhas vai ser enorme.
Rui Ramos

Qual o maior perigo: Trump ou os inimigos de Trump?

Trump é considerado um perigo para a democracia. Mas os anti-trumpistas não parecem menos perigosos. Entre a mentira e o assédio, os anti-trumpistas vão fazendo o que dizem que Trump fez ou vai fazer.
Rui Ramos

A Europa está nas mãos de Erdogan

A semana passada, o parlamento europeu decidiu, ao fim de onze anos de conversas, que afinal não deseja a Turquia na União Europeia. Recep Tayyip Erdogan, o ditador turco que a Europa promoveu durante anos na ilusão de que podia fabricar um islamista moderado, respondeu logo: se os europeus não tiverem juízo, ele abrirá imediatamente as fronteiras para deixar passar milhões de migrantes.
Rui Ramos

Qual é o problema da esquerda com Trump?

Qual é, afinal, o problema das esquerdas com Trump? Trump propôs-se rasgar tratados de comércio, reduzir compromissos militares, aumentar o déficit. Não é isso, num mesmo patamar de demagogia, que desejam os inimigos do “neoliberalismo” e da “austeridade”?
Rui Ramos

Tenham medo: Trump pode acabar com a austeridade na América

Trump bateu as asas na América, e agora muita gente espera uma tempestade na Europa. O medo é que Trump anime os “populismos” europeus. Trump assusta muito as esquerdas. Provou que o politicamente correcto, em eleições, é um tigre de papel, que só faz mal a quem dele tem medo.
Rui Ramos

Por que os pobres votaram no Trump?

Para a esquerda politicamente correta, os trabalhadores e os pobres do Ocidente são hoje piores do que os “ricos”, uns “maus selvagens” culpados pelo Brexit e por Trump.
Rui Ramos

Acriânia, a revolução acreana sob uma perspectiva atual

É uma excelente retrospectiva histórica que revela o que é essencial: a região se tornou brasileira graças aos nordestinos que migraram para a Amazônia, viraram extratores de látex da seringueira, se estabeleceram nos vales do altos rios Purus, Acre, Juruá e Javari, que, antes eram desabitados, estabelecendo a posse brasileira da região.
Rui Ramos

Os EUA vão eleger um mau presidente

Nestas eleições, parece que os americanos, à direita ou à esquerda, não esperam escolher mais do que um mal menor. Mas um mal menor é ainda um mal. Os EUA vão ter um mau presidente, ganhe quem ganhar.
Rui Ramos

Brasil: o que é uma democracia?

No Brasil, importa menos o que aconteceu, do que o modo como aconteceu. Dilma não foi derrubada na rua, por soldados ou manifestantes. Caiu onde devia, no Senado. É a diferença que faz a democracia. Não é a primeira vez que isso acontece.
Rui Ramos

Esta é uma guerra que podemos perder

O terrorismo islâmico é uma tragédia para as suas vítimas. Mas os jihadistas não querem só matar pessoas, mas também sociedades. O jihadismo pode transformar Europa. Não deve ser subestimado. Mas uma guerra é sempre uma coisa que se pode perder.
Rui Ramos

A Europa na roleta dos referendos

O referendo britânico talvez tenha mudado a Europa e o mundo. E aconteceu mesmo: por quatro pontos percentuais, o Reino Unido pôs-se fora da União Europeia. Será possível continuar a integração europeia, sem saber quem é que, no próximo ano, vai apostar tudo na roleta dos referendos? O mundo mudou ontem, e a partir de agora a história vai ser outra. Mas não esqueçamos como tudo começou.
Rui Ramos

A revolta contra a globalização

Sim, a globalização gera inseguranças; sim, a globalização gera desigualdades. Mas o encerramento protecionista não geraria mais segurança, nem mais igualdade. Teríamos guerras alfandegárias entre países. A liberdade comercial, sobretudo a partir da década de 1980, propiciou algumas décadas de crescimento e convergência económica no mundo.
Rui Ramos

Donald Trump começa a fazer história

Trump seria apenas o meio através do qual uma parte do eleitorado americano reage contra uma elite de governo que em Washington parece sempre pronta, segundo Trump, para acolher os excedentes demográficos do México, financiar a industrialização da China ou pagar a defesa da Europa. Por vezes, o mundo cansa-se dos EUA: mas os EUA também estariam cansados do mundo. Trump seria o nome desse cansaço.
Rui Ramos

Trump: de que é feito o populismo?

Os republicanos foram mesmo sequestrados por Trump, e os democratas não conseguem sacudir Sanders. Trump não é simplesmente uma força da natureza ou um fenómeno sociológico. O populismo e o radicalismo não são apenas a face feia do eleitorado, mas a face abjecta de uma oligarquia política, do seu egoísmo e do seu oportunismo.
Rui Ramos

Povos em marcha

No estilo apocalíptico em vigor na imprensa dos nossos dias, já lhe chamam o maior movimento de população na Europa desde a II Guerra Mundial. Primeiro, foram os africanos a cruzar o Mediterrâneo entre a Líbia e a Itália; agora, são os sírios na rota balcânica entre a Turquia e o Norte da Europa. Não há mistério aqui: uma das regiões mais ricas e mais seguras do planeta está cercada por algumas das regiões mais pobres e mais perigosas. A Alemanha prevê acolher 800 000 candidatos a asilo este ano. E não será o fim. Nos países vizinhos da Síria, há mais quatro milhões de refugiados. No Norte de África, haverá outro milhão de migrantes acampados. Que fazer? E antes disso: que dizer?
Rui Ramos

Eu culpo François Hollande!

Quem redigiu o novo guião de austeridade de Tsipras não foi a Alemanha: foi a França. Deixem portanto Merkel e Schauble em paz. Se querem um culpado, olhem para François Hollande: "a Europa é ele". Há três anos, Hollande foi, com a sua conversa de “crescimento”, o primeiro D. Sebastião dos inimigos da austeridade. Mas a austeridade é ele. Em França, através do ministro Macron. Na Grécia, por meio de Tsipras. E isto é assim, não porque Hollande pretenda liberalizar a França ou a Grécia, mas porque há muito tempo – desde François Mitterrand — que os políticos franceses resolveram sacrificar tudo e todos à sua ideia de capturar o poder económico alemão através de uma união monetária à escala continental.
Rui Ramos

O problema da Grécia é a democracia, dos outros!

Quando se examina a questão da Grécia, há um vício de análise a que poucos escapam: é pôr de um lado a democracia grega, com o seu povo, e do outro lado, abstracções como a “Europa”, a “troika” ou as “instituições”. Por mais erradas que sejam as posições do governo grego, representariam a vontade de um povo que vemos na televisão a andar na rua ou a votar; por mais certas que estejam as propostas da “Europa”, não corresponderiam a mais do que às folhas de Excel, sem sangue nem alma, de uma tecnocracia económica internacional, de que os funcionários engravatados do FMI seriam o rosto fugidio.
Rui Ramos

Grécia: a Europa é o dinheiro dos outros

Não me peçam para adivinhar o fim desta história. Com os bancos fechados, um pagamento falhado ao FMI, a população em fila diante das caixas automáticas, e um confuso referendo marcado para domingo, vai a Grécia ficar no euro, ou sair? Ninguém sabe. Nem Juncker, nem Tsipras, nem Merkel, nem Obama. Ninguém, nos bastidores, está a puxar os cordelinhos. Ninguém tem um plano, ninguém percebe bem o que está a acontecer, ninguém sabe o que vai acontecer.