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Rui Peralta

O trem africano

Na Rodésia do Sul, (actual Zimbabwe) antes da independência proclamada pela minoria branca (Rodésia), o processo de industrialização foi acompanhado por um incremento salarial da mão-de-obra negra, na indústria e nos transportes. Esta tendência manteve-se após a independência, durante a vigência da minoria branca. Assim, entre 1958 e 1971, os salários dos trabalhadores da indústria aumentaram cerca de 120% e nos transportes cerca de 200%, o que foi acompanhado pela diminuição dos postos de trabalho. De salientar que a mão-de-obra negra auferia - apesar destes aumentos - de salários que representavam cerca de um décimo dos auferidos pela mão-de-obra branca. Estes aumentos salariais, consistentes, foram essencialmente devidos a dois factores: a pressão sindical e o processo de industrialização.
Rui Peralta

Síria: o drama e a comédia

A Frente al-Nusra, um bando armado fascista islâmico, que combate o governo sírio, declarou a sua lealdade ao líder da al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri e aceitou a fusão com o grupo iraquiano desta organização, liderado por Abu Bakr al-Baghdadi, com o objectivo de, combater por um califado que integre a Síria e o Iraque. A declaração foi feita via rádio pelo líder da Frente al-Nusra, Abu Mohammed al-Julani. A Frente al-Nusra e o grupo iraquiano de al-Baghdadi aguardam que al-Zawahiri designe um emir, para dirigir o novo grupo. Muitas figuras da oposição síria, como o líder da Coligação Nacional Síria (CNS), Moaz al-Jatib, criticaram o papel da al-Qaeda, exigindo distanciamento face á Frente al-Nusra, enquanto outros grupos consideram que as declarações de al-Julani são prejudiciais para oposição e que podem comprometer os apoios internos e externos de que a oposição síria goza. As críticas mais duras vieram dos Comités de Coordenação Local (CCL), que rechaçam este acordo.
Rui Peralta

O olho do pirata

Durante o século XVII e século XVIIII piratas e corsários criaram uma rede de informação global dedicada, principalmente, aos negócios proibidos. Repartidas pela rede havia ilhas remotas, muitas delas “escondidas” e fora das rotas comerciais, onde os seus barcos descarregavam os frutos da pilhagem e eram aprovisionados. Algumas destas ilhas eram autênticas micro-sociedades e mantinham comunidades que intencionalmente ali estabeleciam o seu espaço vital, vivendo de forma consciente fora das leis dominantes. Em alguns casos essas comunidades formaram autênticas “utopias piratas”, como denominou-as Hakim Bey.
Rui Peralta

Singapura: o modelo dos deslumbrados

O sucesso de Singapura nestes últimos 47 anos (independente desde 1965, fazia parte do Imperio Britânico) é indiscutível. Há 50 anos atrás a ilha era dividida em dois segmentos: De um lado os elegantes bairros europeus, com os seus quarteirões floridos, os seus jardins e do outro um amontoado imundo e mal cheiroso de barracas onde a população de malaios, chineses e indianos se acotovelavam por espaço para respirar. Para além da sua posição comercial estratégica, Singapura não tinha mais nada. Não tinha terra suficiente, a maioria da população vivia do que o mar dava, não havia recursos minerais, nem grandes áreas florestais, nem rios…A maioria do povo vivia em péssimas condições, numa vida de dor e de infâmia. 50 anos depois o PIB per capita ronda os 50 mil USD (contra umas poucas centenas em 1960), é considerada a economia mais competitiva, o melhor local para os negócios, o maior porto marítimo, o melhor aeroporto internacional e o melhor país asiático para trabalhar, viver e passar férias.