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Rolando Lazarte

Valorização da vida

Quem conhece o que é uma ditadura, não quer saber disso. Medo, violência contra as pessoas, censura, repressão, desaparecimento de pessoas, tortura, isto para falar apenas do mais grave, que é o que as ditaduras costumam fazer com as pessoas. Resta dizer que também com as ditaduras, rouba-se (e muito) e ninguém fica sabendo, ou, se fica sabendo, deve ficar calado. Nas recentes manifestações de rua no Brasil, houve quem pedisse uma ditadura. Essas pessoas ou são ignorantes, ou são idiotas úteis. Alguém pôs um cartaz na mão delas e as mandou mostrar por aí, sem que elas saibam o que estão pedindo.
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Humanidade

Hoje de manhã, assisti a "Globo News". Um painel sobre relações internacionais. Três especialistas partilhando as suas visões sobre o cenário mundial. A pergunta era quais os/as líderes mundiais mais significativos/as no mundo atual, e por que. Me chamou a atenção que um professor da FEA-USP, José Augusto Guilhon, mencionasse dentre essas figuras mundiais, o Papa Francisco, e o por que desta menção. Este professor disse que o Papa Francisco, diferentemente das outras personalidades mencionadas (Putin, da Rússia; Obama, dos EEUU; Merkel, da Alemanha, e o líder chinês, cujo nome não retive), se dirige à humanidade, e não ao poder. Minutos antes, no programa anterior, peguei o finalzinho de um programa sobre literatura, dedicado a Julio Cortázar, de quem no ano passado fizeram cem anos do seu nascimento.
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Por que o PT?

Por que o PT? Por causa da inclusão social, uma bandeira que me é muito cara. Detesto a exclusão social. E quando escuto muita propaganda atacando o PT no poder por corrupto, penso: quem é que está acusando? O poder corrompe, isto é bem sabido. Mas a corrupção do PT ou no PT foi julgada e punida. Os corruptos estão no xadrez. E a corrupção do PSDB? E a corrupção do PMDB? Não teve? Gente, vamos fazer memória, vamos olhar para a história. Os escândalos do governo FHC foram denunciados, mas não houve julgamento nem punição.
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Valorização da família, uma contribuição!

Valorizar a família é reconhecer a diversidade de formas com que ela se apresenta na sociedade atual. Diante dessa diversidade, é necessário não apenas uma adequação discursiva, mas, sobre tudo, uma amplitude de compreensão e uma ação efetiva. Ação no sentido de proteger a mulher vítima da violência doméstica, que atinge graus alarmantes em muitos países do mundo. Ação que estimule os jovens ao estudo e ao trabalho produtivo, afastando-os das drogas, do narcotráfico e da violência.
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Perguntas e afirmações para a libertação

A pergunta é a resposta. Quando fazemos as perguntas para a libertação da pessoa humana, no contexto da Terapia Comunitária Integrativa e dos cursos de "Cuidando do Cuidador", isto se verifica com frequência. Nestas práticas, escutamos perguntas como: “Quem é você?” Quando escuto esta pergunta, sei a resposta. A pergunta é a resposta. Eu sei quem sou embora não saiba da forma como alguns poderiam esperar que eu soubesse. Eu sei, sem saber. É um saber certo, um saber verdadeiro. Poderei ir aprendendo a pôr palavras a este conhecimento, mas isto não é o principal, na minha compreensão. O importante é o efeito. Que eu saiba quem sou. Que eu viva sabendo quem sou.
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O aleijado às avessas

Zarathustra, o solitário (solidário?) profeta que um dia desceu da montanha, comenta, espantado: “Desde que vivo entre os homens, porém, o que menos me importa é ver que a este falta um olho, àquele um ouvido, a um terceiro a perna, ou que haja outros que perderam a língua, o nariz ou a cabeça. Vejo e já vi coisas piores: e as há tão espantosas, que não quereria falar de todas elas nem também calar-me sobre alguma, a saber: há homens que carecem de tudo, conquanto tenham qualquer coisa em excesso – homens que são ùnicamente um grande olho, ou uma grande boca, ou um grande ventre, ou qualquer outra coisa grande. – A esses chamo eu aleijados às avessas”.
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Experimentando com a expêriencia

A Terapia Comunitária Integrativa abre um espaço para esta escuta interna. As pessoas podem se ver como algo que conflui com tudo que existe. Apaga-se em boa medida a angústia por um desempenho sempre melhor, a angústia pela morte, tão humana, começa a se dissolver, na medida em que vamos nos naturalizando. Da mesma forma que as folhas caem e que tantos seres queridos já se foram, um dia será a nossa vez. Não tenho pressa em que chegue essa hora, mas acho que esta caminhada da TCI, que é um eco de caminhadas anteriores e contemporâneas da humanidade, é uma ferramenta preciosa para que cada um de nós, cada pessoa humana, se re-integre ao ciclo da existência.
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A mensagem de Jesus

Jesus não veio anunciar uma vida depois da morte, como erradamente costuma se interpretar. Jesus veio evidenciar com a sua vida, com as suas palavras e com a sua prática, a sacralidade desta vida, deste estar aqui, neste mundo, vivendo a vida que nos toca viver, da qual e na qual somos responsáveis. Não é uma mensagem complicada, como pode se perceber facilmente, embora seja difícil muitas vezes pô-la em prática, uma vez que há toda uma estrutura de escurecimento da verdade e da justiça, sobre a qual está edificado o sistema de exploração em que vivemos, o capitalismo.
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Integração literária

Nunca irei me cansar de enfatizar o quanto devo à interação com algumas pessoas que leem os meus textos, e que se dão ao trabalho de se comunicarem com o autor. Este feedback, este retorno, realimenta a construção coletiva de espaços de integração, de libertação de prisões mentais e emocionais. O capitalismo exacerba os distanciamentos, exagera as diferenças no que elas têm de oposição entre as pessoas, entre os modos de pensar, entre as culturas. A nossa caminhada vai no sentido contrário. Sempre admirei os autores e as autoras (sempre há que aclarar) que me incluíam nos seus relatos, nos seus livros.
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Libertação

Uma das coisas das quais necessitamos nos libertar, é da propriedade privada. Toda pessoa pode e deve desenvolver formas não privadas de apropriação da realidade, como maneiras de se tornar dona dela mesma. A apropriação de si não é uma prisão, e sim, uma libertação. A pessoa se torna dona de si, quando se percebe como uma continuidade e um fruto de incontáveis esforços, próprios e alheios, da qual ela como totalidade, é resultado. A pessoa se torna dona de si mesma, quando ela percebe que a sua vida não morre na morte, mas se perpetua de um dia para outro. Isto é descobrir a continuidade da vida, a continuidade do tempo. Isto é fugir do medo da morte, do medo da dissolução no nada. O dia começa e sinto uma alegria profunda. Todo meu ser se alegra quando começo a perceber que a claridade está chegando novamente ao céu.
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Quantas consciências?

Um tema que me apaixona, é o da multiplicidade de consciências. Não sei se todas as pessoas tem conhecimento disto, talvez sim, talvez não. Mas não é esta a questão: a questão é a de que a gente pode perceber que tem mais de uma consciência. É necessário estarmos atentos, para nos darmos conta disso. Não é algo que se mostre a simples vista, mas que aparece quando temos a suficiente acuidade de atenção como para podermos perceber que somos uma multiplicidade de seres, uma multiplicidade de percepções, de formas de atenção, de formas de nos apropriarmos do mundo, e de sermos muitas coisas ao mesmo tempo.
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O que há por trás destes protestos?

Muitas coisas, como sempre que estamos diante de um fenômeno social irruptivo. Aqui apenas pretendo me referir a algumas coisas que me parecem relevantes. Acredito que em boa medida estas passeatas tenham a sua origem em uma profunda insatisfação de vastos setores da cidadania (mormente os mais excluídos e explorados, mas não somente) com um sistema político que não apenas não os representa, mas, pior ainda, descaradamente os explora além do suportável. Se somente tivéssemos dito isto, teríamos dito muito pouco, mas talvez estejamos, ainda assim, chegando perto da razão de base (ou, ao menos, uma das razões centrais) de todo este descontentamento que as passeatas vêm evidenciando pelas ruas do Brasil, de norte a sul e do leste ao oeste.
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De quem são as calçadas?

Buracos, calçadas quebradas, ou simplesmente inexistentes. Calçadas obstruídas por carros estacionados atravessados. Calçadas sujas, cobertas de entulho ou de lixo. Eu acho que toda calçada é pública, mas posso estar enganado: existem calçadas privadas? Desde dezembro de 2012, venho tentando chamar a atenção das autoridades municipais de João Pessoa, acerca de um problema que afeta aos pedestres desta cidade: o lamentabilíssimo estado das calçadas. Esta minha tentativa tem se tornado uma espécie de aventura, de aprendizado. Tenho sido interrogado pelas autoridades municipais, acerca do local em que estas coisas acontecem.
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Escrevo para parar o tempo

Às vezes escrevo para que o tempo não vá embora. Escrevo simplesmente para agarrar alguma coisa, alguma lembrança, um sentimento, algo muito precioso que possa querer guardar para sempre comigo. Percebo que, ao longo da minha vida, devo ter ido guardando todas estas lembranças muito preciosas, embora não as tenha posto no papel. Mas elas estão guardadas. Elas ficaram comigo, elas estão aqui. Quando numa manhã de abril, ou em outro dia qualquer, ponho alguma coisa sobre guardar lembranças preciosas pela escrita, sei que isto deve tocar a muitas pessoas. Pois para todos nós, humanos, a vida corre de uma maneira tal, que de algum modo temos que dar um jeito de detê-la. Ela se vai, vai passando, e não podemos deixar que ela se vá, pois iriamos junto.
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Quem é você?

Quem é você? Esta pergunta dificilmente possa ser respondida, ao menos não de maneira direta, total e definitiva. Eu posso ter uma noção do que vou sendo, se prestar atenção não só a esta pergunta, mas ao contexto da minha história de vida, do meu grupo familiar, meus amigos e amigas, os lugares onde morei, as coisas que fiz e deixei de fazer. Você é quem você é, ou quem os outros esperam que você seja? Esta pergunta tampouco pode ser respondida de maneira completa ou excludente. Eu sou tanto quem eu sou, como alguém que é em parte também o que os outros esperam que ele seja. A questão está no balanço, na equilibração.
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Escrever

Quando começo a juntar os textos em direção a um novo livro, vou experimentando muitas sensações, que gosto de partilhar com quem possa estar lendo isto. Uma delas, muito forte, é difícil de expressar, mas tem a ver com reunião, com recuperação de identidade, unidade. São pedaços de mim que foram sendo escritos em diferentes momentos. Esses pedaços contém vivências, experiências. Foram passeios, conversas. Contém esperanças, dores, frustrações, tristezas, sonhos, tudo que é o viver humano. É um reviver, um viver a vida em dobro, como disse Anaîs Nin em seu livro Em busca de um homem sensível. Esse livro teve um papel fundamental na minha decisão de escrever, de me trazer para o papel.
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Uma ciência includente

A Terapia Comunitária Integrativa é verdadeiramente uma ferramenta que permite com que a pessoa volte a ser quem ela é. Mas a ferramenta apenas oferece a possibilidade. A pessoa é quem decide se vai fazer o seu caminho de volta ou não. A pessoa que se expressa desde ela mesma, tem um poder transformador. Ela está dando testemunho do seu habitar o seu próprio ser. Ao invés de uma fala técnica, alienada e alienante, uma fala includente, que vem desde uma experiência de recuperação da própria identidade. A universidade pode fazer muito para diluir as fronteiras entre o saber acadêmico e outros saberes.
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Perguntas para o desenvolvimento da pessoa humana

Você somente tem sofrido, ou tem crescido com os seus sofrimentos? Todos sofremos, mas as nossas dores podem servir para um crescimento. Isto não é uma tarefa especulativa, meramente mental, intelectual. Eu posso ter sofrido perdas, dores imensas na minha vida, e ter-me colado, por assim dizer, a elas, como vítima, como apenas alguém que sofre ou sofreu. Posso olhar para o que ganhei, o que ganho, o que estou ganhando graças a estas dores que tive ou tenho. Não é um culto ao masoquismo, e sim o contrário. É aprendermos a crescer com o que nos faz ou nos fez sofrer. Estas reflexões não são banais, mas libertam. Por serem simples, tem um efeito enorme e imediato, muitas vezes. Podemos ir construindo uma vida mais feliz, a través de perguntas que nos libertam do passado, da culpa, da auto-punição tão comum na nossa cultura.
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Valoração positiva da afetividade, da sexualidade, do prazer

Quase que nem deveria ser dito nada sobre isto, de tão óbvio que é: o ser humano necessita se desenvolver em harmonia com estes três valores básicos. Mas desde que existem instituições que condenam o prazer e concebem o ser humano como pecaminoso, que condenam o sexo e fazem do amor humano uma coisa tão abstrata que nem parece que tenhamos todos nascido do amor de dois seres humanos, é necessário dizer, sim, algumas coisas. A pessoa feliz não pode ser dominada. Então foi criado o pecado, a culpa, a condenação. Portanto, é necessário recordar ao ser humano que o seu estado natural é de felicidade e de inocência. E isto supõe aceitação de si mesmo, do seu corpo, dos seus desejos, da sua sexualidade, da sua afetividade.
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Um agir integral

Não basta que cada um, cada uma de nós, esteja voltado/a para um tipo de ação específica, não importa em qual dos campos da existência social. É necessário que nos tornemos permeáveis ao que a humanidade, o fato de sermos seres vivos neste Cosmos, nos diz, pelo mero fato de fazermos parte dessa totalidade. Não basta o agir pontual, por mais envolvente e importante que seja, se ele não estiver animado por um afã de ser, ao mesmo tempo, parte de uma resposta global que eu, como indivíduo e como parte de um ou mais coletivos, estou obrigado a dar, pelo mero fato –repito— de existir, de ser um ser humano deste tempo.
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Em 2013

Quando eu era jovem, muito mais jovem do que agora, nem pensava em coisas como a morte. Um jovem não pensa na morte. Mas agora não tenho mais remédio que pensar, embora não goste, embora tente dispensar, não pensar. Nesta altura da vida, nesta altura de mim mesmo, já não posso mais fazer de conta de que nunca morrerei, de que nunca morrerão meus seres mais queridos. No entanto, contudo, porém, todavia, embora tenha aprendido que um dia, sim, um dia todos nós morremos fisicamente, definitivamente, ainda assim, decido que continuarei pelejando para que a eternidade me envolva por completo, ainda no meio da minha caminhada terrestre.
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Lições de um ofício

Creio já ter me referido em outras oportunidades, ao quanto tenho colhido de bons frutos, nesta tarefa de escrever, partilhando descobertas e sentires, experiências e reflexões. Não sei se conseguirei agora resumir estes benefícios. Apenas gostaria de me referir a um deles, em especial. A certeza de estar cumprindo com uma atividade útil, de estar fazendo algo que é bom para mim e para outras pessoas também. Os comentários de quem lê o que escrevo, tem ido me ajudando a me recuperar como pessoa, a me ter de volta, a ser mais eu mesmo, a descobrir que tenho um lugar no espaço e no tempo. Que a minha vida vale a pena. Uma palavra bem dita, que chega a uma pessoa na hora certa, faz um bem enorme. Eu tenho me beneficiado de muitas leituras, agora é a minha vez de colaborar com outras pessoas que vem se buscando na leitura.
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Você só tem sofrido, ou tem crescido com seu sofrimento?

Poucas perguntas podem ter o efeito de reintegrar tanto uma pessoa à sua própria trajetória existencial, quanto esta. Esta pergunta repõe a gente, também, no quadro da humanidade, pois não tem um ser humano que não esteja desafiado a ressignificar, constantemente, todas e cada uma das dores pelas que passou ou passa. Como muitas outras perguntas e reflexões que se escutam nas vivências da abordagem barretiana (1), o que importa mais, no meu modo de entender, é o espaço que possa vir a ser dado, e não tanto as respostas ou explicações.
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Crescendo

Você somente tem sofrido, ou tem crescido com os seus sofrimentos? Todos sofremos, mas as nossas dores podem servir para um crescimento. Isto não é uma tarefa especulativa, meramente mental, intelectual. Eu posso ter sofrido perdas, dores imensas na minha vida, e ter-me colado, por assim dizer, a elas, como vítima, como apenas alguém que sofre ou sofreu. Posso olhar para o que ganhei, o que ganho, o que estou ganhando graças a estas dores que tive ou tenho. Não é um culto ao masoquismo, e sim o contrário. É aprendermos a crescer com o que nos faz ou nos fez sofrer. Estas reflexões não são banais, mas libertam. Por serem simples, tem um efeito enorme e imediato, muitas vezes. Podemos ir construindo uma vida mais feliz, a través de perguntas que nos libertam do passado, da culpa, da auto-punição tão comum na nossa cultura.
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Conectando

Sempre quis, ao escrever, encontrar espaços com os leitores e leitoras. Criar espaços em comum, portas, pontes, quem sabe escadas, veredas, que nos possibilitassem irmos construindo dimensões de aproximação tão necessárias à vida. O mundo em que vivemos por vezes distancia muito as pessoas. Muitas vezes vivemos pensando que estamos totalmente sós, isolados ou isoladas, que ninguém se parece conosco, que ninguém se importa com o que nos acontece, com a nossa vida.
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Um governo duro com os trabalhadores, dócil ao capital

Mais uma vez, o autoritarismo de uma esquerda viciada no poder. O governo tenta enganar a população com informações truncadas que fazem aparecer as propostas do governo para os docentes em greve nas universidades federais como positivas, quando na verdade apenas mantém a tentativa de quebrar a categoria docente e indispor contra ela a população. Velhas manobras do poder. Um poder ensoberbecido de autoritarismo. Agora o governo pretende substituir trabalhadores em greve, como se as pessoas não pudesse mais ter o direito de reclamar pelas injustas condições de trabalho e remuneração. O governo usa a midia, como sempre a direita fez e continua a fazer, para espalhar as suas mentiras. Aliás, direita e governo são cada vez mais sinônimos.
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Escrevendo

Pode haver uma alegria maior do que sabermos quem somos? Sou um escritor. Achei que fosse outras coisas. Pintor sei lá. Sociólogo. Mas por que um sociólogo não pode também ser um escritor? Ou por que um escritor não pode ser também sociólogo? Poeta. E o que é um poeta, a não ser um escritor, alguém que traz a vida, a beleza do mundo, o instante, a fugacidade do presente, para o papel? Enquanto escrevo estas coisas, vem um alivio no peito. Nada melhor do que saber quem eu sou, do que saber quem a gente é. Sou outras coias, também. Ninguém é uma única coisa. Temos papéis sociais. Mas ser, o que se diz ser, somos uma coisa só. Nestes dias em Lagoa Seca, me dei conta disto.
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Construindo redes comunitárias, empoderando pessoas

Muitas vezes, desejamos comunicar alguma coisa, partilhar algo que nos chama a atenção, ou que consideramos valioso. Nos dias de hoje, com frequência estas trocas de mensagens se referem ao chamado mundo externo, a fatos sobre os quais temos muito pouca ou nenhuma capacidade de modificá-los. Neste contexto, trocas de mensagens sobre pequenas coisas do mundo cotidiano, tendem a passar despercebidas, ou a serem descartadas, por considerá-las irrelevantes. No entanto, é nessas pequenas partilhas que muitas vezes colhemos importantes informações sobre a vida.
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A libertação na Terapia Comunitária

Desde há já bastante tempo, venho trilhando os caminhos da Terapia Comunitária Integrativa criada por Adalberto de Paula Barreto, o teólogo e médico psiquiatra cearense. E muitas vezes, durante todos estes anos, tenho me voltado para esta espécie de manancial de auto-descoberta e de auto-conhecimento, em momentos em que a vida me parece demasiado confusa ou difícil, em que a co-existência social me parece estar me impondo fardos demasiadamente pesados. Este ir ao manancial da TCI, tem-se revelado como uma espécie de apoio constante, de suporte forte e firme que me ajuda a superar as crises de todo tipo que se encontram nesta aventura chamada vida. A TCI não te dá respostas prontas, mas sim te propõe perguntas, que vão desenredando as armadilhas internas, os equivocos a respeito de ti mesmo ou de ti mesma.
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Leituras

Há algumas vezes em que a pessoa acorda com a sensação vaga de um sonho. Alguma coisa fica no umbral da memória ou da percepção, e, como diz Julio Cortázar, ali mas onde, como, aquilo que não consegues trazer de todo para a consciência, fica ali, como que a te querer dizer alguma coisa, ou a te dizer de fato, não sabes o que. Algo parecido ocorre quando pegas um livro para ler, como me ocorreu agora há pouco, ao começar a ler as primeiras páginas de "A Fera da Selva", de Henry James. Começa o livro, e em seguida, as reminiscências, os ecos. De um outro livro do próprio Henry James, que estou lendo também ao mesmo tempo (não os dois exatamente na mesma hora, se entende, mas em tempos sucessivos), intitulado "Os papéis de Aspern".
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Educação superior em greve: e a ética?

Há algumas distorções gritantes no quadro atual da política nacional de educação superior. Que uma professora ou um professor universitário tenha um vencimento básico no valor de um salário mínimo é por demais ofensivo, e fala de um esquecimento de um setor fundamental para o desenvolvimento social do Brasil. Isto é a continuidade da política de desmoralização do ensino superior executada por FHC, o lamentável professor que chamava seus pares de “vagabundos”. Atualmente o salário das professoras e professores universitários é quase que completamente composto por gratificações, que podem ser retiradas a qualquer momento. Na atual greve, uma das reivindicações, é a incorporação das gratificações ao vencimento básico. Não adianta o Brasil se projetar para fora, para os mega-eventos, e esquecer da sua população. O ensino superior é de uma importância estratégica fundamental, tanto na produção do conhecimento, quanto na geração de cidadania.
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A educação superior esquecida pelo governo e pelo PT

É lamentabilíssimo que o governo de Dilma Rousseff, que teve um apoio maciço da população, por se pensar que fosse prosseguir na linha da inclusão social iniciada pelo governo Lula, esteja contrariando frontalmente esta perspectiva. Aposta-se num Brasil para fora, um Brasil de costas para o seu povo. Um Brasil que olha para as Nações Unidas, para o Conselho de Segurança de um organismo que, supostamente nascido para impedir as guerras no mundo, acoberta ma após outra, cada uma das invasões e agressões que o imperialismo vem perpetrando pelo mundo afora. Não é esse o mandato das urnas, Sra Presidente.
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Diante da greve dos professores das universidades federais

O desenrolar do atual conflito que levou à paralização da quase totalidade das universidades federais brasileiras, tem mostrado alguns aspectos que me parece necessário destacar. Este governo em nada se diferencia de governos voltados apenas para a exploração dos trabalhadores, uma vez que a sua ação revela descaso para com a educação superior. Diante deste quadro, é necessário que a população se mantenha informada, se conscietizando de que apenas a mobilização ampla poderá fazer com que o governo atenda às necessidades de valorização da educação superior no país.
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Libertatura

Creio que todas as pessoas são, em si mesmas, um mistério, uma realidade apenas desvendável em parte, e muito laboriosamente. Isto faz com que a minha atitude, e entendo que também de muitas outras pessoas, seja de uma profunda reverência pela vida. Quando a pessoa já viveu um certo número de anos, uma densa experiência se acumula na sua memória. Isto é uma fonte de riqueza, mas também pode nos vedar os olhos para uma realidade que está constantemente mudando, dentro e fora de nós. Tenho tentado encontrar meu lugar no mundo de muitas maneiras, e continuo tentando. Nisto, os humanos somos tenazes. Admiro a persistência das pessoas que não se rendem, que mesmo quebradas (e quem não esteve?), não se abandonam por completo. Uma réstia, uma faísca, permanecem na maior escuridão. Tal vez a imagem que melhor expresse a condição em que me vejo retratado, seja a de um aprendiz. Alguém que trata de ir descobrindo a cada instante, cada dia, o que vem de novo, o que há de novo. E nesta tentativa, a literatura tem se mostrado para mim a ferramenta mais eficaz.
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Uma espécie de balanço

Todo ofício é uma fonte contínua de ensinamentos. O de escrever, obviamente, não foge à regra. Tem vezes que o que nos ensina, é o comentário de um leitor inconsequente ou agressivo, incompreensivo, que entende o avesso do que temos dito. Este foi o caso, recentemente, a respeito de um texto meu chamado Atitudes positivas, publicado nos Debates Culturais. O incômodo provocado pelos comentários levianos de um leitor, me fez pensar muito, e ainda estou pensando. Creio que isto de aprender trabalhando, ou aprender com o que os nossos textos despertam nas pessoas, é muito interessante. Tenho colhido verdadeiras pérolas, de leitoras e leitores que se sentem animados e estimulados a se auto-conhecerem em profundidade, outros que descobrem coisas de si ao lerem meus artigos. E este leitor que me agride ao dizer que eu deveria assumir uma posição, o que não se sabe o que quer dizer, me leva a pensar que devo continuar aprendendo, este ofício ensina muitas coisas, e um comentário desrespeitoso pode se rum sinal de que devo me voltar com mais atenção para a forma como encaro a diferença, como sou capaz de conviver ou não com as pessoas que não pensam como eu. Um aprendizado, aliás, contínuo, em qualquer condição de vida e circunstância.
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Atitudes positivas

Desde há já algum tempo, venho meditando sobre atitudes que possam melhorar o meu modo de enfrentar dificuldades em geral, e em particular, de convivência. Isto me levou, entre outras coisas, a pensar com frequência, na "Oração da Serenidade", que aconselha aceitação perante o que não se pode mudar, coragem para mudar o que estiver ao alcance, e sabedoria para distinguir uma da outra. Nessa mesma oração, há um apelo para que a pessoa viva um momento de cada vez. Nestes mesmos dias, coincidentemente, veio-me às mãos um artigo da “Psicologia positiva”, que nada tem a ver com o behaviorismo, mas que destaca a importância de focalizarmos a atenção no que funciona, no que está bem, nas pequenas coisas belas e boas à nossa volta, além de valorizar o bom humor e a gratidão. Achei interessante esta convergência de textos, ambos pequenos.
Rolando Lazarte

Sentidos

Oigo la lluvia cayendo en el patio, y es inevitable. Como en tantas otras oportunidades, viene a la memoria la canción Beatle respectiva: Rain, en este caso. Un perro ladra a lo lejos. La literatura deshace la falsa objetividad creada por el intelectualismo. El arte, podríamos decir. Pero no cualquer arte. Hay un arte que sí, que deshace la falsa objetividad creada por el intelectualismo. Y es ese arte que al romper con esa apariencia hueca, te muestra lo que está, lo que es. En estos últimos años, me hedicado a leer bastante. Cronin, Cortázar, Borges, Fernando Pessoa, José Saramago. Y entonces piuedo decir, sí que sé de que´está hablando Cortázar al decir que la literatura borra esa fasa objetividad creada por el intelectualismo. La falsa objetividad que te hace no ver a tu hijo que está ahí o a tu hija o a tu padre o a tu amigo o tu cara en el espejo o las hojas de las plantas o la tierra o la lluvia o las nubes o un río o una piedra o lo que sea, sino su copia, una copia guardada en el cerebro y que,
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Estado literario

Hay días en que estás como que en un estado letárgico, podríamos decir. No es bien la expresión correcta, pero por ahora la vamos a dejar como está. Es como si estuvieras solamente en parte del lado de acá, del lado de la llamada realidad concreta, que de concreta no tiene nada o casi nada. Pues es eso justamente, en esos días, estás más del lado literario de la existencia, del lado de los libros y de las historias que has leído, de los autores cuyos mundos has aprendido a habitar, mundos que te han cautivado, palabras en las que has aprendido a vivir.
Rolando Lazarte

Livros

Os escritos, a literatura, são um lugar de acolhimento. Tenho dito isto várias vezes, de diversas maneiras, mas não é a pretensão de estar dizendo algo novo o que me move, neste momento, a escrever estas linhas. É mais o desejo de mais uma vez, repetir o mesmo já dito: a literatura, os livros, são portas para mundos que ampliam e acolhem. Um livro à sua frente é uma porta. Uma porta se abre na sua frente, e outra se fecha atrás de você. Muitas vezes necessitamos um refúgio, um refluir, um voltar a lugares de paz, sem conflitos, sem agressões. Pura harmonia. Nessas horas, um bom livro é um companheiro insubstituível.
Rolando Lazarte

Ser terapeuta comunitário

Ser terapeuta comunitário envolve um retorno da pessoa a si mesma. É o processo pelo qual alguém se torna quem é. Isto envolve um abandono das “prisões no papel”, que tantas vezes presenciamos nas formações ou sensibilizações. Eu era quem os outros queriam que eu fosse, e não eu mesmo. Envolve a mudança de vítima para vencedor, de culpado para alguém capaz de se permitir ser feliz, de objeto passivo, que cumpria ordens, para alguém que decide o que quer e se torna responsável pelas suas decisões.
Rolando Lazarte

Sobre a linguagem interna

Pensava como poderia ser bom escrever um texto despretensioso, sem que isto possa ser visto como auto-depreciativo. Antes ao contrário, digo despretensioso no modo de querer dizer, deixar o texto vir, deixar o texto correr, deixar a palavra vir a dizer coisas. Muitas vezes tentamos dizer alguma coisa, partilhar coisas com outras pessoas, e o texto não vem, de tanto estar aí a intencionalidade de dizer isto ou aquilo. Talvez tenha te passado já isto. Às vezes dá certo, uma mistura de disciplina e intencionalidade, podem dar certo na tentativa de deixar vir a tona alguma das coisas que andas buscando, dessas que julgas do maior valor, mas que nem sempre, Na hora de escrever, pode vir à página.
Rolando Lazarte

Os fundamentos da domesticação humana

Todas as pessoas somos ensinadas, ao nascermos. Esse ensino chama-se socialização, e consiste na interiorização, em cada um de nós, de formas de ser, fazer, sentir, e pensar alheias. Tais formas de pensar, agir e sentir são chamadas de “normas” ou “valores sociais”, que não é o mesmo, mas tanto faz. O mecanismo básico do ensino é a recompensa-castigo, que termina inibindo no indivíduo aquilo que será punido pelos demais. A culpa desempenha um papel fundamental neste processo. “Por quê você só está feliz quando está triste?”, pergunta Osho.
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Recomeço

Nestes dias passados, escrevendo sobre as pontes entre sociologia e terapia comunitária, umas sensações antigas voltaram. Estão voltando. Coisas que o tempo parecia ter apagado, estão aí, vivas, ativas. Um espírito antigo, daqueles anos em que, com teus companheiros e companheiras, vivias um clima de mudar o mundo pela sociologia, pelos estudos, pela ação que iria fazer da sociedade uma sociedade mais justa, sem fome, sem violência, sem dominação. Os anos passaram, mas estas sensações que voltam, te trazem de novo para aqueles tempos virginais. Então constatas, há uma permanência.
Rolando Lazarte

Lecturas, lugares

Hay veces que me pongo a pensar en La caída de la Casa de Usher, que ha sido traducido también como La caída de la casa Usher. Cuando pienso en este cuento de Edgar Allan Poe, me admira su maestría, su manera de llevarnos a ese lugar, que talvez haya existido solamente en su imaginación. Pero decir esto es decir muy poco, o, peor, puede ser que uno esté rebajando la imaginación del autor a un lugar secundario, lo cual no es en absoluto mi intención. Lo que quiero señalara es que al evocar el relato sobre la caída de la casa de Usher,
Rolando Lazarte

The day after

El dia después de la elección de Dilma Rousseff como presidenta de Brasil, muchos respiramos aliviados. No solamente porque proseguirán los programas sociales de inclusión iniciados por Lula, sino sobre todo, porque en su primer discurso, Dilma dijo que su principal preocupación será erradicar la miseria. Eso a mí me tranquiliza, y deberá tranquilizar mucha gente. Creo que esto ya bastaría para decir que el día después es un día de reposo, de descanso. No se trata de cuestiones ideológicas, que a mí, en lo personal, no me importan en absoluto.
Rolando Lazarte

Minha fé

Sou espiritualista, e isto está evidente nos meus livros e, mais, na minha vida diária, desde o começo da minha existência social. Isto não me faz propagandista de alguma doutrina ou crença, mas um praticante ou aprendiz, constante, do mistério do viver. Nunca pensei que a mudança de partidos no poder, de ideologias dominantes, pudesse fazer nada a não ser piorar as coisas, enganar mais ardilosamente os oprimidos para se deixarem submeter sem resistências. Tudo isto é para dizer, em tom de desabafo, que se publiquei ou ainda publico em algum site ou lugar virtual ou real, é somente enquanto posso dizer o que penso. A partir do momento em que começa a haver sugestões, advertências, coações, para me alinhar com esta ou aquela postura, caio fora.
Rolando Lazarte

Las lecciones del proceso

El hecho de que el continuador del proceso, el presidente Carlos Saul Menem, impusiera el dólar y terminara de liquidar lo que restaba de nacional en la Argentina, debe llamarnos la atención poderosamente. El lacayo que hoy sirve de balanza para la dominación del matrimonio Kirchner, proclamaba las relaciones carnales de sumisión a los Estados Unidos, como meta de su gobierno.
Rolando Lazarte

El camino interior

Llegar a ese lugar puede ser algo que ocurra gracias a la ayuda de imágenes internas que se refieren a lo eterno en ti, el Cristo interior, o el Cristo cósmico de que habla Yogananda. Puede ser la luz interior, cada uno irá descubriendo este camino. Lo importante es saber que allí estás en contacto con tu realidad más profunda y esencial, es tu propia esencia, lo que no cambia en medio de los cambios constantes, lo que es más allá de las apariencias. Rabindranath Tagore, en La religión del hombre, dice: “renunciar no es dejar, renunciar es sacarnos de encima todo lo que nos echaron encima, e ir atrás del único tesoro que siempre nos perteneció.”.
Rolando Lazarte

Resiliência, quando a carência gera competência

Toda carência gera uma competência. A resiliência, um dos pilares básicos em que se apóia a Terapia Comunitária, se refere ao saber que a pessoa adquire ao longo da sua vida, pela experiência, a luta, as vitórias sobre dores que poderiam tê-la quebrado ou, de fato, a quebraram durante anos. Quando a pessoa emerge vitoriosa do processo de estranhamento de si mesma, quando ela recupera a sua autoestima, aprende que ela é alguém de valor sem igual na sua vida, alguém que por ter vencido todas as batalhas que se apresentaram até o momento atual, é dona de um saber e de um poder que nada deve a ninguém, mas apenas a si mesma.
Rolando Lazarte

El amor

El amor es la dirección del sentimiento. El amor es un lugar. El apóstol Pablo dijo en su epístola a los Coríntios, “Aún que hablara las lenguas de los hombres y también la lengua de los ángeles, si no tuviera amor, nada sería. Si yo tuviera fe, aún aquella que mueve montañas, pero no tuviera amor, nada sería”. No dice qué es el amor, pero todos saben, al leer y evocar estas palabras, que el amor es todo lo que el ser humano necesita para vivir, para ser feliz y pleno, para poder existir sobre la tierra sin arrepentirse de haber nacido.
Rolando Lazarte

A teoria da comunicação humana, um dos pilares da Terapia Comunitária

A teoria da comunicação humana é um dos pilares básicos da terapia comunitária. Formulada por Watzlawick, Helmick-Beavin e Jackson, permite compreender a ação humana como um comportamento em que são transmitidas mensagens. Toda a conduta humana é transmissora de mensagens, inclusive quando nos propomos a não comunicar, estamos dizendo algo: você não existe, você não me importa, você não é de nada. Bem dizem que o contrário do amor não é o ódio, mas a denegação. Na terapia comunitária, aprendemos que uma pessoa deixa de ter sentido ou passa a ser ignorada deliberadamente, e isto acarreta conseqüências para a sua auto-estima, para a noção de si, para o seu modo de ser e de se comportar no mundo.
Rolando Lazarte

Palestina, todavía

Los últimos episodios en el ámbito internacional, involucrando agresiones de parte de un estado que actúa por encima de las leyes y principios del derecho, deben haber hecho pensar a mucha gente, que estamos delante de un episodio que puede traer consecuencias nefastas para el orden mundial, ya bastante fragilizado por la inexistencia de un órgano capaz de garantizar la existencia pacífica de los distintos pueblos y naciones.
Rolando Lazarte

Argentina, um sonho

Daqui a alguns dias, Argentina comemora seus 200 anos de existência. Para muitos, entre os que me conto, a data chama lembranças dos primeiros anos de vida. O sol de maio, o grito de liberdade, os mitos e fatos que marcam a vida das crianças num país que insiste em tentar caminhos, a pesar das muitas dificuldades internas que enfrenta para tentar se levar a sério. 200 anos depois, Argentina não tem ainda um claro projeto como nação.