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Ricardo Hirata Ferreira

O amor e o abismo

Os dois fizeram várias tentativas para transpor o precipício que os separava de maneira avassaladora, ao longe um gritava o nome do outro, relembrando incansavelmente dos momentos que estavam tão próximos e sussurravam um no ouvido do outro
Ricardo Hirata Ferreira

A difícil tarefa de pensar o Brasil de hoje!

O Brasil precisa de fato de um governo comprometido com a sua gente. Sem dúvida nenhuma a imensa maioria de deputados e de senadores movidos pelos seus próprios interesses e por interesses daqueles que os financiaram não está preocupada com aqueles e aquelas que se encontram mais fragilizados no território que por enquanto ainda é nacional
Ricardo Hirata Ferreira

O meu primeiro amor

Meus olhos fixaram-se na sua direção, um pouco de longe, não parava de ficar observando seus movimentos ao ritmo da música. Sim, fiquei hipnotizado com o brilho da sua luz. Aos poucos fui notando que timidamente ele começava a me olhar.
Ricardo Hirata Ferreira

O teatro e o encontro do personagem

Quando me deparei com aquela multidão no primeiro dia do curso de teatro, resolvi imediatamente ir embora, ao descer as escadas do salão, me deparei frente a frente com o meu futuro diretor e professor: Paulo Carriel.
Ricardo Hirata Ferreira

Um amor proibido

Em um remoto vilarejo na Europa da Idade Média dois jovens foram perseguidos e condenados por tentarem viver o seu grande amor. Os religiosos e inquisidores da época eram implacáveis: jamais duas pessoas do mesmo sexo poderiam se amar, pois isso era contra as ordens do seu deus, do deus e das ordens criadas (elaboradas) por eles.
Ricardo Hirata Ferreira

O lugar que apenas fala

Tudo ali eram migalhas: as migalhas de gente, de espontaneidade, de pequenas felicidades e de sobrevivência. Para o sistema, Elias talvez ainda fosse Elias, porque constava em alguma estatística de controle.
Ricardo Hirata Ferreira

A introdução: “O segundo sexo” e a emancipação

O desafio é pensar um “nós” das mulheres diante das diferenças sociais, culturais e espaciais. Romper a dependência e estabelecer um laço forte e significativo entre: a mulher burguesa, a mulher proletária, a negra, a lésbica, a asiática, a norte-americana, a francesa, a brasileira, a mulçumana, a budista e a evangélica, etc. Isto seria possível?
Ricardo Hirata Ferreira

A beleza do teatro: “A Condessa e o Bandoleiro”

Uma delícia de peça! "A Condessa e o Bandoleiro" do Grupo Barracão Cultural é contagiante, cheia de cores e de musicalidade. Ela mostra uma condessa que está entediada com a sua vida na corte e quer atravessar a floresta para ir a um baile. O barão que gosta dela acaba tendo que acompanhá-la.
Ricardo Hirata Ferreira

Partidos políticos em crise: o mundo sem confiança!

É fato que os partidos deturpam a sua identidade quando colocam como meta apenas a chegada e a manutenção do poder. Quando eles deixam completamente de ser o espaço onde se faz a pedagogia, o estudo, o debate e o aprofundamento de idéias, eles se tornam muito mais siglas do que partidos.
Ricardo Hirata Ferreira

O golpe no Brasil: o triunfo do capital

A tomada do poder pelo então vice-presidente Temer, pelo partido derrotado na última eleição e demais partidos de direita e de extrema direita representam o triunfo de uma agenda neoliberal, que não comporta em sua essência as questões sociais e humanitárias.
Ricardo Hirata Ferreira

Escola não é cárcere!

Em um lugar muito distante perdido no mundo a sala de aula fora transformada em uma gaiola. Neste reino desencantado os alunos eram os passarinhos, os inspetores eram os gatos domesticados que não deixavam os passarinhos fugirem das suas gaiolas. A função deles era manter os alunos presos na sala.
Ricardo Hirata Ferreira

Rivotril day, o corpo como carne

O encontro dos corpos para o prazer que pode ser saboroso e até sublime se fragiliza ao máximo quando os corpos são tratados como algo que se consome em partes (aos pedaços), experimenta-se e depois se joga fora, como um produto qualquer que se transforma (rapidamente) em lixo.
Ricardo Hirata Ferreira

No reino dos objetos

O VIRTUAL E O REAL NA CONSTITUIÇÃO HUMANA Vivemos em um período que tende a superficialidade, mas muitas vezes a radicalidade da superficialidade. Soma-se a...
Ricardo Hirata Ferreira

Estado, educação e espaço escolar

O espaço que poderia ser do conhecimento e da reflexão cede lugar para a obsessão de manter os alunos e as alunas dentro (confinados) na sala de aula que na maioria das vezes têm apenas lousa e giz. E isso se repete por longas horas, dia após dia, ano após ano em um processo de catequização de mentes e de corpos a serem domesticados para reprodução do status quo.
Ricardo Hirata Ferreira

As categorias de indivíduos

A eficiência do sistema necessita de corpos domesticados. Aqueles que se desviam das normas de algum modo são anulados. Pode-se dizer que existem três categorias de indivíduos: os que estão dentro do sistema, os que continuam dentro, porém foram inutilizados, e os que estão excluídos.
Ricardo Hirata Ferreira

Pensar outra cidade

Por décadas as cidades foram moldadas e/ou planejadas para a mobilidade dos automóveis, privilegiando assim o setor empresarial automobilístico, com incentivos e patrocínios dos governos estaduais e federais. Diante do transbordamento dos automóveis (muitos exageradamente avantajados) no espaço urbano e do problema da não circulação, tenta-se inverter esta lógica, propondo-se então uma cidade para a mobilidade do pedestre e do ciclista. Parte dos urbanistas contemporâneos defende um desenho urbano que atendam consumidores e pessoas com algum tipo de deficiência. A acessibilidade para todos parece ser uma palavra-chave no mundo urbanizado.
Ricardo Hirata Ferreira

O gay e os lugares

Em quais espaços o gay se sente a vontade? Pertencer a um lugar ou a um território é como estar em casa, ter um lar, se sentir abrigado, acolhido, protegido, entendido e integrado. O incomodo e a estranheza são suportáveis e fazem parte do viver. O processo de exclusão, de marginalização, de segregação, porém, é alimentado e intensificado também pelo avanço do preconceito visível e invisível dentro e fora dos diversos grupos e dos lugares. A indignação que surge, potencializa por sua vez a ampliação da visão de mundo no lugar dos espaços vividos e muitas vezes não percebidos.
Ricardo Hirata Ferreira

A política da mídia repetitiva

É bastante cômoda a mídia diariamente apresentar e enfatizar os erros e os problemas do governo federal. Todos os dias a maior parte dos noticiários dão enorme ênfase e espaço para os fatos de corrupção. É impressionante como a população brasileira não se cansa de ouvir e ver os mesmos assuntos na TV. A mídia tem um papel social ativo não só de ficar mostrando/fazendo denuncias e dramalhões mas também de agir no sentido de propor e construir uma sociedade e um país melhor para todos. São empresas que lucram em cima das desgraças e acontecimentos negativos do mundo político. Tomam uma posição que beneficiam primeiramente a si próprias.
Ricardo Hirata Ferreira

A miséria humana

A questão perturbadora é por que a pessoa chega a uma condição de miséria humana. Encontrar-se com alguém assim é o mesmo que encontrar-se com uma criatura viva, porém morta. A amargura e o sofrimento tomaram conta da sua existência. Ela sobrevive em dimensões confusas e paralelas, reais e sombrias da imaginação. Apega-se a um único pensamento e não possui uma visão de horizonte.
Ricardo Hirata Ferreira

Repensando nossa política atual

No período atual existe um exagero de informações e uma ausência de um pensamento profundo sobre o território brasileiro. Eu não sou elite e nem classe média (alta) e por isso não defendo a direita. Acho lógico aqueles que detém o capital se identificarem com a direita. O governo Dilma está aí, temos que recuperá-lo para aqueles que mais precisam dele. Fazer a leitura crítica, apontar os avanços e ajudar é o nosso dever enquanto brasileiros. Dilma é a que foi eleita na democracia brasileira e não o outro.
Ricardo Hirata Ferreira

O mundo acelerado é inevitável

A máxima que cada um é responsável pelo que cativa naufraga neste século. A velocidade das coisas e das emoções é acelerada. O avanço da tecnologia propõe uma “diminuição” do tempo e do espaço. Nem todos os lugares e nem todas as pessoas participam deste processo contemporâneo de forma homogênea, porém praticamente tudo é afetado por esta aceleração. Como diria o geógrafo Milton Santos (1999, 2000) a tecnoesfera se materializa em alguns territórios do globo, que são privilegiados e “escolhidos”; enquanto que a psicoesfera parece tomar conta do mundo.
Ricardo Hirata Ferreira

Sobre a homossexualidade

A homossexualidade é uma orientação sexual, e não é uma opção, pois não se trata de um ato de escolher se relacionar com uma pessoa do mesmo sexo ou do outro. De maneira geral ela aparece na infância e aflora na adolescência. Se desde o início a família consegue compreender esta orientação e agir de uma maneira coerente, melhor será o convívio e o desenvolvimento dos filhos. É muito importante evitar traumas com argumentos e expressões: “Você é menino, deve se comportar e brincar com meninos.”; “Menino joga futebol!”; “A homossexualidade é um pecado mortal!” etc.
Ricardo Hirata Ferreira

O extremo de uma paixão imaginária

A loucura me invadiu por dentro, mas a razão me paralisou por fora. Desde a primeira vez que a vi nossas vidas se encontraram. Não sei dizer quantas vezes nos vimos, mas tinha certeza que esse era um amor impossível. Nós estávamos juntos no mesmo lugar, porém em dimensões separadas. Ela estava no vício há mais ou menos cinco anos. Tinha a pele clara e apresentava ter por volta de 33 anos. Residia provisoriamente com mais duas pessoas que trabalhavam com o corpo. Nós nos observávamos de forma embaraçada e encantadora.
Ricardo Hirata Ferreira

O silêncio sem memória

Por um instante ele percebeu que havia perdido a memória, não sabia quem era e nem se lembrava de mais nada. Acordou em algum lugar desconhecido, muitas vezes não conseguia distinguir os objetos dos humanos. Não reconhecia ninguém. Algumas poucas pessoas se aproximavam dele e tentavam falar o que estava acontecendo,mas o homem não entendia a língua deles. A sensação era constrangedora, aos poucos muitos se afastaram, uma vez que o esforço era em vão. Não sabia onde estava, o que fora seu passado, não se lembrava quantos anos tinha e nem sabia escrever. Tudo o que via não fazia sentido, os ouvidos de nada adiantavam, poisos sons eram estranhos.
Ricardo Hirata Ferreira

Momento de dizer adeus…

Quando o céu se fecha e o tempo muda é o momento de dizer adeus... Ao trancar a porta deixa-se para trás todo um caminho percorrido. É inevitável olhar ao redor e tentar encontrar brechas de luz para seguir... As vozes não param de falar. As paisagens correm ao lado mostrando que tudo é passageiro. O cinza se mistura a resistência e ao isolamento das árvores em um mundo devastado pelo delírio dos homens. As condições da realidade e do imaginário em cada fase da existência permitem a dimensão do movimento. Contudo ainda sim alguma coisa resta (fragmentos?) para encontrar as possibilidades desta “nova” situação.
Ricardo Hirata Ferreira

Voltar a ser velho e reencontrar as utopias

O velho teve uma rápida impressão de que ao final de sua vida não apresentou nada de concreto e de útil ao mundo. Alo longo de uma jornada pela Terra, ele percorreu diferentes caminhos: cruzou mares, oceanos e desertos. Incansavelmente escalou montanhas e avistou vales. Pode contemplar inúmeras paisagens acinzentadas e coloridas. Ele sentiu dor, sofreu e agonizou diante de tanta hipocrisia entre os homens. Sorriu, foi feliz e apaixonou-se, acreditando que muitos dos momentos que viveu fossem eternos. Conheceu cidades memoráveis e instantâneas. Assombrou-se com a miséria humana em lugares suntuosos. O velho também encontrou sonhos e esperanças em cotidianos vividos na escassez. Na ânsia de conhecer sobre tudo descobriu que não sabia absolutamente de quase nada.
Ricardo Hirata Ferreira

O homem normal

Ele tinha o hábito de acordar cedo para preparar o café. Lia o jornal enquanto afagava seu cãozinho no colo. Com carreira consolidada em uma multinacional de prestígio possuía um cargo administrativo que lhe dava muito orgulho. O homem normal era admirado por aqueles que o rodeavam. Sua família bem estruturada era composta por uma esposa dedicada, muito atenciosa com a casa, e por dois filhos que estudavam: administração e engenharia nas melhores universidades do país. A esposa era para ele a rainha do lar. O homem normal gostava de agradá-la com presentes e pequenos mimos que a faziam se sentir segura no seu relacionamento. Sempre que podia ela assumia o papel de conselheira entre as amigas e as irmãs principalmente no que se refere a problemas de relacionamentos e coisas do cotidiano.
Ricardo Hirata Ferreira

O prisioneiro sem nome

A sensação de estar preso o incomodava todos os momentos. Sentia-se a margem do mundo. Alguém que conheceu a liberdade, os lugares e caminhava sem rumo ao sabor do vento não conseguia aceitar a duradoura condição de prisioneiro. Por vários acertos realizados, mas por alguns poucos erros cometidos na vida fora posto ali, atrás das grades. Todas as noites seu desejo de voltar ao passado o fazia sonhar que estava reencontrando a felicidade.
Ricardo Hirata Ferreira

O sofrimento humano

Em suas andanças John chegou à casa de uma senhora chamada Sara, onde ela já o estava esperando antes mesmo dele saber. Sara estava estática próxima ao portão, com os olhos vidrados em uma miragem desértica. John podia ver seu corpo, mas sua alma estava fria. No fundo do seu intimo sentia calafrios. Durante todo o tempo que conversavam era possível encontrar estilhaços de fragmentos em um passado que conheceu alguma forma tênue de amor: afetos e lembranças perdidas... Em completo abandono na sua casa vazia, sobrevivendo de migalhas de pão e de um sopro de vida Sara fazia John se perguntar o tempo todo:
Ricardo Hirata Ferreira

O estranhamento do mundo

Fred era um ser estranho. Ele se sentia estranho. Por todos os lugares que passava se via como um estranho. Os lugares onde estava eram estranhos. O mundo era estranho para ele. Desde criança, quando saia da escola e vinha sozinho andando para casa percebia que era um estranho. Na família começou a notar que era diferente. Por muito tempo não teve amigos, apenas alguns colegas. Passou sua adolescência escondendo seus sentimentos. Fingia quem não era e por isso se achava mais estranho ainda. Vivia escondido, sendo o que não era, sendo o que os outros queriam que ele fosse. O silêncio era melhor, apenas ouvia, e muitas vezes ouvia o que não queria ouvir. Quando faziam brincadeiras com seus segredos, Fred se sentia envergonhado, triste e confusamente estranho.
Ricardo Hirata Ferreira

Que mundo é esse?

Bruce mergulha no silêncio da noite, observa o mar de estrelas a sua frente. Quer tocá-las, mas elas estão distantes demais. Quando era criança sonhava em viajar pelo espaço só para estar próximo delas. Sentado nas escadas da sua casa mirava o céu escuro e reluzente. A mesma brisa que tocava suavemente a sua pele e o fazia levitar agora lhe causava sensações desconhecidas. Alguns sons passam ao seu redor tirando-lhe a frágil concentração. Por alguns instantes retira-se do mundo, olha ao redor e vê as ruas desertas. Máquinas alienígenas passam lentamente e/ou bruscamente. Os seres que as dirigem são de outro planeta. Estão procurando alguma coisa que ainda não encontraram. Sentem-se protegidos dentro delas, pois não podem ser identificados. Acreditam estar no controle pensando assim estarem na realidade.
Ricardo Hirata Ferreira

Escola: quem é você?

É na escola real que ocorre o encontro da confusão e da paixão. Ela é o lugar de relações ricas e também pobres. É o espaço da dialética e da fenomenologia. A escola tenta sobreviver em meio a tantas contradições e tantas vozes que se juntam e se chocam. Ordens de cima e ordens de baixo que querem arrumar uma desordem social, mental e existencial. A escola é ainda (e não sei como) o lugar de conhecimentos, de falas soltas, perdidas, repetitivas e angustiadas. O seu movimento é lento, rápido porém muitas vezes vazio, ela anda em círculos viciosos, caminha em campos movediços e por horas fica atolada sem saber o que fazer... Retrocede e se perde em inúmeras tentativas de tentar acertar. Recebe comandos de forças alienígenas que acreditam ou figem acreditar que entendem de educação. Uma educação vista de fora, analisada com luvas estéreis e pensada para um mundo ridiculamente minúsculo em termos de imaginação.
Ricardo Hirata Ferreira

Uma leitura da cidade

Ver a cidade é percorrer suas ruas e avenidas largas e estreitas. É admirar a obra possível elaborada por suas criaturas. Ao andar pela cidade é notável o predomínio dos automóveis. Para onde vão essas pessoas muitas vezes solitárias dentro dos seus objetos técnicos de rodas? Objetos que ostentam o status social de indivíduos fantasmas. Fantasmas porque o capitalismo subsumiu a sociedade e a alma das pessoas. Colocando lixos e mais lixos nas calçadas, atendendo o celular, dialogando com os caixas eletrônicos, vendendo coisas, oferecendo serviços e firmando contratos a cidade funciona como espaço privilegiado de troca das mercadorias e da realização das mercadorias.
Ricardo Hirata Ferreira

O consumo da política

No capitalismo o que vem em primeiro lugar é o lucro e em último lugar o ser humano (se é que ainda existe o ser humano). A mercadoria vale mais que a vida. A própria vida na sociedade de consumo é engolida pelas mercadorias. Ela mesma se transforma em uma mercadoria descartável. A política também se torna um produto para ser vendido e consumido. Ganha uma roupagem superficial ou uma embalagem colorida que pode ser azul, vermelha ou verde. Logo os candidatos precisam agradar o gosto do consumidor, a preferência média de consumo. Evidencia-se assim uma servidão da política pelo mercado. Nos discursos políticos ocorre um predomínio de falas que querem resolver os problemas de trânsito devido à proliferação dos automóveis, da falta de formação de mão-de-obra qualificada que pede a implantação de cursos técnicos, e a vinda de empresas que representam a ilusão da criação de mais empregos. Tudo acaba girando em torno de uma subserviência ao mercado e as necessidades geradas por este no cotidiano das cidades, por exemplo.
Ricardo Hirata Ferreira

Por que os gays preferem a metrópole?

É surpreendente como a metrópole exerce um fascínio sobre os gays. Muitos desejam viver nela devido à possibilidade do anonimato que ela oferece. É na metrópole que os gays podem ser visíveis e invisíveis. A identidade gay é mutável e muitas vezes acionada quando lhe é conveniente. Uma parte deles pode se camuflar em meio de uma multidão individualizada. O estilo de vida urbano metropolitano associado ao consumo atrai os gays que buscam também melhores oportunidades de trabalho e serviços, vislumbrando a realização de seus sonhos.
Ricardo Hirata Ferreira

O cotidiano de uma sonhadora

Frida era uma mulher simples. Duas recordações marcaram definitivamente sua vida: a primeira foi à imagem da sua existência quando viu o mar pela primeira vez na infância e a segunda foi o estupro sofrido ainda adolescente que guardava secretamente na porção sombria de seu coração e da sua memória. Já adulta nas raras vezes em que voltou a ver o mar, sempre tinha a sensação de chegar às margens de uma travessia para a liberdade. Desde muito nova começou a trabalhar vendendo roupas em uma pequena loja no interior do estado de São Paulo.
Ricardo Hirata Ferreira

Desaparecendo no mundo

“Iris” (de Richard Eyre, 2001) é um filme lindo e sensível, baseado em uma história real. A célebre escritora e filósofa irlandesa Iris Murdoch se descobre acometida pelo Mal de Alzheimer. Uma mulher a frente de seu tempo, ousada nas ações e nos pensamentos. A professora de Oxford na década de 50 que tinha o controle da sua vida, o domínio do conhecimento e arte das palavras se vê pouco a pouco perdendo a memória, sumindo no mundo. Em seus mundos secretos criados por ela, as luzes começam a se apagar e Iris passa a não mais encontrar as portas de entrada e de saída de um mundo para o outro.
Ricardo Hirata Ferreira

Procurando a felicidade

Um filme iraniano, isso me despertou uma vontade imensa de ir ao Cine Clube (ao cinema). Hoje sabemos que o Irã, país localizado na Ásia, mais especificamente no Oriente Médio está na mira dos Estados Unidos da América. Região de muitos conflitos devido à presença do petróleo. Território não democrático, mas teocrático e de acordo com as informações dos EUA, suspeito de possuir e de estar desenvolvendo armas nucleares. A teocracia em choque com o capitalismo "democrático" ocidental? Um choque de civilizações? Um choque de culturas? Um confronto entre ditaduras: a do capital mundializado, que se impõe como verdade absoluta e naturalizada e a do islamismo enraizado, conservador demais para os grandes negócios do mercado global contemporâneo?
Ricardo Hirata Ferreira

O tempo do mundo

Hoje falo do tempo e com o tempo. Estou no presente, no passado e no futuro. Vivo cada dia, instante, minuto do ontem e do amanhã, não mais que isso. Caminho com as horas e converso com a minha memória. Ando respirando o sonho e assim me vejo acordado na imaginação. Percorro ruas com poucas curvas e encontro um mínimo de gente ainda inocente. Os olhos miram outros olhos enviesados. A conversa que ouço parece ser a mesma. Os assuntos pouco mudam. Mergulho em lugares aparentemente rasos e novos.
Ricardo Hirata Ferreira

A superficialidade é inviável

A hipocrisia é o elemento chave do filme: “Cronicamente Inviável” (de Sérgio Bianchi, 2000). O cineasta mostra de forma explícita a miséria humana, especificamente a brasileira. É sem dúvida uma viagem pelo Brasil, mas por um Brasil sombrio e perverso. É como se as máscaras fossem arrancadas revelando pensamentos, sentimentos e comportamentos mesquinhos e preconceituosos que ficam escondidos no ser brasileiro. A sombra ganha evidência com a luz das filmagens. As principais questões que se colocam, são: O Brasil é isso mesmo? É cronicamente inviável? Existe uma coisa que não essa? Ao término do filme é possível ter esperança? Vários temas são abordados, como: a discriminação sofrida pelos nordestinos na cidade de São Paulo; a relação de dominação de classes, o separatismo sulista; o corpo humano enquanto mercadoria (a prostituição masculina); o abandono da Amazônia etc.