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Plínio Montagner

Amigos

A amizade é um bem maravilhoso. Mas como tudo que é bom custa caro, manter amigos também é uma tarefa que exige cuidados. É incrível como as pessoas têm dificuldades para expressar seus sentimentos, até para conversar. Não se trata de timidez ou receio, é que não dá tempo mesmo. Antes do disparo da tecnologia as pessoas conversavam mais, as famílias sentavam à mesa, lutavam junto, percorriam os mesmos caminhos, empregavam os mesmos meios de comunicação. A tecnologia alterou o comportamento das pessoas que não conseguem mais “conversar com seus botões”, ficando isoladas mentalmente. Estão sempre conectadas. O resultado é que o toque, que já estava meio sumido, agora acabou. Sobrou algum cumprimento seco, discreto, meio sem vontade. Abraçar... nem pensar.
Plínio Montagner

Baguassu: passado e presente

Baguassu lembrou-me de meu pai com saudade. Era uma pequena estação de trem entre as cidades de Santa Cruz das Palmeiras e Pirassununga. O nome, talvez seja pela beleza de coqueiros (babaçu) da fazenda São Luis, hoje sede de uma Usina do mesmo nome. Meu pai era ferroviário, e morávamos numa casa ampla, construída pela Paulista, com um quintal sem fim, à beira do leito da ferrovia. A década de 50 foi o tempo do romantismo, do amar à distância, das novelas de rádio, do terno e gravata, da brilhantina Coty.
Plínio Montagner

Cadê as visitas?

As visitas eram geralmente no finalzinho da tarde e começo da noite. As casas não tinham grades nem nas janelas nem na rua. Na frente, um portão, uma portinhola, marcava o limite da privacidade.0 Poucas casas tinham garagem. Não havia droga nem tanta infelicidade nem medos. Ninguém fazia seguro de nada. Agora, bem - como tudo que é bom traz alguma desvantagem - temos modernidade, tecnologia, internet, computador, remédios milagrosos - e vida mais longa.
Plínio Montagner

Gente e bicho

“O que diferencia o homem de outros seres é a capacidade de ser consciente de si, do outro e da vida”, diz o psicólogo Carlos Alberto de Oliveira Carvalho. O gato, o cachorro, a cobra, a borboleta, não sabem que existem. A castanheira de 500 anos não sabe que é majestosa. O papagaio reconhece o dono, mas não sabe que existe o hoje e o amanhã. Se o burro soubesse de sua força ele não puxaria carroça. Se o rouxinol reconhecesse sua fraqueza não atacaria o gavião que ameaça seu ninho. A tartaruga que tem um membro decepado por uma hélice, ignora sua mutilação. O gatinho que perdeu as patas dianteiras leva a vida numa boa; e seus amigos e parentes não ficam olhando para ele com desdém...
Plínio Montagner

Carnaval, liberdade em excesso!

Ser livre é não ter patrão. Ser livre é viver num lugar onde não existe polícia, nem padre, nem pai, nem mãe, nem marido, nem esposa... Ser livre é não ser obrigado a fazer nada, não precisar obedecer à regra nenhuma; ir e voltar a qualquer hora, andar como quiser, não ter horários; poder dormir e levantar à vontade. Onde existe isso? No céu? No inferno? Na casa da sogra? Ah! Se livre é não ter sogra também...
Plínio Montagner

Visita ou novela?

As visitas estão na rabeira da tabela de qualquer compromisso. Está com saudades da vovó? Do cunhado? Telefona, e pronto. Mas, e o contato, a emoção, a etiqueta e o cafezinho que fortalece relações? Então, para quê - aquelas xícaras e talheres maravilhosos? Visitar faz bem. Não é como conversar ao redor de uma mesa de bar, com barulho e presença de outros. É bom conhecer ambientes, a decoração e como vivem seus donos. Isso não é bisbilhotar. É como um abraço social. Visitar parentes próximos, até nossa mãe, a etiqueta ensina: avise, ou não vá, mesmo que seja seu amigo de infância.