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Petrônio Souza Gonçalves

O dia em que Brasília chorou

Quando morreu o eterno presidente do Brasil moderno, Juscelino Kubitschek de Oliveira, no distante ano de 1976, foi encontrado no bolso de seu paletó o recorte de um artigo de jornal assinado pelo jornalista Carlos Chagas, intitulado “Brasília não vê JK chorar”; o Brasil também não. Juscelino foi um clandestino em seu próprio país. Viveu seus últimos anos um exílio permitido, consentido, monitorado; um martírio diário. Quando voltou ao Brasil em 1967, era um exilado na Europa, foi proibido de ir a Brasília.
Petrônio Souza Gonçalves

Ventos da história…

Era a tarde de um sábado do mês de agosto do distante ano de 1976, exatamente uma semana antes da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, quando saiu na imprensa e nos corredores do poder o boato da morte de JK. Juscelino estava com a família em sua fazendinha, em Luziânia, incomunicável, nos arredores de Brasília, vivendo seu exílio consentido, e sua amiga de todas as horas Vera Brant - irmã mais velha de meu saudoso amigo e inconfidente pós-moderno Celso Brant - sabia disso. Anos depois, ela me contou essa história, por telefone, e ainda se emocionava, muito. Abalada, Vera Brant pegou o carro com seu motorista particular, já à noite, e foi até a fazendinha encontrar com Juscelino, quando contou ao presidente a péssima nova que pairava no céu do Brasil. O ex-presidente e toda a família ficaram assustados e chocados com a notícia e com o episódio em que se viram envolvidos.
Petrônio Souza Gonçalves

O doce vento da saudade

Aos poucos, vamos jogando a nossa história fora. Primeiro foram as fitas K7s. Depois, os LPs, os filmes em VHS. Agora, os livros. Cada um deles trazia sempre um cheiro, uma marca do tempo, um sinal, um comentário, um registro. Era só pegá-los e antes de assistir, ler ou ouvir; um filme, com trilha sonora e tudo, passava dentro de nós, bem diante de nossos olhos. Era mesmo um tempo de lembranças, de convivências, de temperança e espera. Não sei, mas acho que essas pequenas coisas, povoadas de nós mesmos, nos faziam mais tolerantes, generosos, sensíveis, ligados uns aos outros. Mas o tempo é mesmo um deus cruel, vem sempre e leva tudo; um pouco de nós também.
Petrônio Souza Gonçalves

No ano que vem…

O ano que vem está prestes a chegar e eu me preparo para no ano que vem arrasar! Deixarei de fumar, falarei mais baixo, irei ler mais livros, beberei menos, irei mais ao cinema. Serei mais calmo e tolerante, dedicarei mais ao meu trabalho e farei mais viagens. Ah, no ano que vem quero ir atrás dos meus sonhos, pouco vai me importar a falta de dinheiro, pois as pessoas são mais presas a ele que eu à falta dele. No ano que vem farei tudo que este ano não fiz. Cuidarei mais de mim, visitarei mais amigos, deixarei o cabelo crescer e farei a barba só quando quiser. É ano que vem, não demore a chegar.
Petrônio Souza Gonçalves

Um presente do céu

Na ala de tratamento do câncer da Santa Casa de Belo Horizonte, uma paciente admirava o ir e vir das belas e inocentes crianças pelos corredores do hospital, com uma indignação silenciosa e doída. Perguntava a Deus, ao nada, ao além, o porquê de tão triste sorte. Falava sozinha, sabendo ser mais uma entre tantos. Pedia por um momento de paz, um sinal de vida, um sopro de esperança, quando a chuva caía lá fora, molhando os sonhos que ela não nutria mais. Era final de ano, véspera de Natal, e ela pedia por um presente que sabia não ganhar. Chorou por ela, pelas crianças que, aleias a tudo, brincavam a sua volta.
Petrônio Souza Gonçalves

Eleição na ABI

O jornalista Domingos Meirelles foi eleito, nesta sexta-feira, presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) pela Chapa Vladimir Herzog. Pela primeira vez na história da entidade um repórter assume a Presidência da Casa dos Jornalistas. Duas chapas concorreram à eleição. A Chapa Vladimir Herzog teve 218 votos e a Chapa Prudente de Morais, neto, 147 votos, sendo apurados dois votos nulos.
Petrônio Souza Gonçalves

Assim caminha a política nacional

E os políticos vão deixando pelas ruas de nosso imenso país o que trazem dentro deles mesmos. Pensam ser as cidades uma extensão de seus gabinetes e tomam conta das praças, das avenidas, das áreas públicas. Demonstram, antes de conquistar o poder, o respeito que têm aos cidadãos, ao homem comum das ruas, à família brasileira. E vão, por todos os cantos, engendrando em toda fresta, lançando proposta ao vento, impressos que vão ganhar a sarjeta da história.
Petrônio Souza Gonçalves

A rodovia, a ferrovia e a vida

Muito se fala nas contradições brasileiras e cada vez mais se constata nossa inversão de valores. No mundo inteiro os trens são utilizados como um dos principais meios de transporte, como uma forma segura e tranquila de dinamizar a vida nos grandes centros urbanos e em longas viagens. No entanto aqui, cada vez mais em desuso, o vemos apenas transportando mercadorias, matérias primas que vão gerar emprego e renda em outras partes do mundo. É assim com nosso minério, é assim que nossos grãos que vão ser beneficiados lá fora.
Petrônio Souza Gonçalves

As cores de meu país

Nosso arraigado patriotismo é tão profundo que dura menos que um mês. É pré-datado. A culpa é da cor de nossa bandeira, verde e amarela, tão condizente com nossa história. Tudo nela nos foi dado pela natureza, não construído por nossas honras e glórias. O amarelo traduz mais a vergonha histórica de todos os ‘grandes homens’ da Inconfidência terem abandonado à própria sorte o ‘soldado raso’ Tiradentes, que o ouro que representaria nossa memória em momento síntese da nação. Representa mais a vergonha de ter feito Teófilo Otoni, o aclamado Ministro do Povo, um dos maiores mineiros em todos os tempos, depois de rendido e vencido pelo Exército Nacional, ser levado, prisioneiro, a pé, puxado por cavalo, da revoltosa Santa Luzia a Ouro Preto, capital da Província.
Petrônio Souza Gonçalves

Pobres meninos do Brasil…

E o futuro do Brasil? Assassinado, segue o país dos filhos torturados. Em todas as camadas sociais, o futuro do Brasil agoniza. Nas mãos dos pais, do Estado, das Forças Armadas, dos bandidos diplomados, os meninos do Brasil são massacrados. A sociedade brasileira assiste a tudo, calada, apenas achando lúgubre o triste espetáculo. Somos vencidos, diariamente, por essa realidade que acerta, todos os dias, impiedosamente, uma bala perdida bem no meio das nossas esperanças. Até quando, não sei! Sei apenas que tudo isso é o produto final de um país que vive sob a vigência da total falta de valores. Aqui, roubar e matar são sentidos de vida tão banais, que aceitamos o político fanfarrão como aceitamos o assassinato do menino de olhar triste do Rio Grande do Sul. Tudo tem sua origem, e a origem de nosso mal maior é a omissão, a aprovação silenciosa de toda a sociedade. Pobres meninos do Brasil, pobres de nós!
Petrônio Souza Gonçalves

Ao entardecer

Em todas as cidades brasileiras, a manhã chega assim, como se viesse de um outro mundo, não povoado por nós. Ao contrario dele, fazemos esse tempo alquebrado, como poucas coisas renascidas na manhã do pensamento, e quase nenhuma poesia. Pouco importa se faz chuva, se faz sol, quando o dia chega de mansinho, renovado em luz em nossas janelas, nos convidando para viver a paz desejada dos quintais, para sentir a vida que poderíamos ter e não vivemos. É como se tudo acontecesse em um plano paralelo, distante e diante de todos nós. Mas é preciso ter olhos despertos para vê-lo, para identificá-lo.
Petrônio Souza Gonçalves

À sombra do cajueiro

Arraial D´Ajuda já é belo e generoso pelo nome. Não imaginaria outro lugar que não esse, um arraial que nos ajuda a ver que a vida vai muito além daqui, e lá, depois do fim do morro, bem ao pé da ladeira, um mar infinito de azul nos espera, para nos levar além da paisagem... Vou com ele, enquanto encontro o arraial no povo que faz a vida do lugar. Para o Arraial que cabe o mundo inteiro, gente de toda parte do planeta: o francês que trocou os cenários de Paris para tocar tambor e ser feliz; o italiano que se casou com a menina baiana para se casar consigo mesmo; o senhor do interior de Minas que trocou os aposentos pelo poente, quando o sol dourava as horas e fez brilhar a sua sorte.
Petrônio Souza Gonçalves

Arroz e canja de galinha

O sim retumbou por toda igreja, como algo que jamais seria proferido, ou melhor, ouvido! Por uma articulação dos amigos, os sinos badalaram sete vezes, enquanto um sorriso disfarçado ecoava por entre os bancos, no meio dos convidados. Paulinho havia se casado. Sim, era verdade! Como ele mesmo dizia, o último romântico havia chegado ao fim de sua longa e duradoura jornada. Amores, vários; viagens, inúmeras; mulheres, tantas quantas as que ele quis e elas o aceitaram. Foi uma vida de "bon vivant" que parecia irrecuperável. Flávia, com seu ar de eterna menina, havia destronado o rei das noites belorizontinas, o tornando fiel namorado e, agora, marido apaixonado. Ele, apenas sorria, desconversava, quando a surpresa e o espanto tomaram conta da turma. Todos já casados, alguns separados, com novas namoradas. Só ele resistia a uma união estável. Agora não, seria mais um.
Petrônio Souza Gonçalves

Um passarinho pousou em minha sorte

Só queria entender como pode um ser amar tanto outro ser sem nunca o ter visto, ouvido, tocado, o sentido perto... Já era noite. A casa vazia. A mesa ainda posta e uma saudade surda das coisas mal vividas que invadem a gente nessa hora de sombras e solidão. Passeava pela casa como que se buscasse todos que foram levados pelo tempo. Dentro de mim, mil sentimentos e o eterno desejo de quebrar as horas e sorver delas os momentos vividos na eternidade do pensamento. Na janela, fitando o infinito, pensando na finitude de nossa vida tão besta, tão presa a essas coisas que ficam aqui por não terem herdado a eternidade. Longe, a noite se achegava devagarzinho, invadindo as ruas, as casas, as praças desse imenso país.
Petrônio Souza Gonçalves

O eterno equívoco humano

A espionagem eletrônica praticada pelos Estados Unidos em todo o planeta é um revelador depoimento de nossa pobre condição humana aqui na terra. Se evoluímos tecnologicamente, não acompanhamos espiritualmente, socialmente e culturalmente essa evolução. Basta ver que produzimos os melhores equipamentos de comunicação de todos os tempos e o utilizamos para vigiar as ações do vizinho, fofocar, fazer intrigas, para dominar e até mesmo ridicularizar o próximo. É a ausência total dos valores primordiais da convivência humana, como o respeito às nações, da consideração aos povos, do apreço aos que estão à nossa volta. O que há de evoluído nisso? O que deveria cumprir uma missão universal serve apenas aos desejos mais provincianos. Continuamos segregados em nossas tribos, com espírito armado para guerrear e dominar. A espionagem não é apenas dos EUA, mas de todos nós, que a praticamos e a justificamos todos os dias.
Petrônio Souza Gonçalves

Porto dos casais

Ela dançava, ele suspirava. Os olhos seguiam o balanço da bela menina, que percebia e delirava. Quanto mais dançava, mais ele olhava. Quanto mais olhava, mais ela dançava. As longas botas batiam no chão do salão e sapateavam em cima daquele pobre coração. Já noite finda, ele chegou, de mansinho, como um pescador que mira com o arpão afiado a pesca do dia. Depois de um boa noite rainha, disse que era marinheiro. Ela desdenhou: Um amor em cada porto, né! Ele sentiu, sorriu: Um amor para fazer cada porto alegre! A parada seria dura, mas a beleza da guria valeria investidas repetidas, como foram todos os dias nas duas semanas que por ali ficaria, enquanto não voltava para o azul sem fim do mar.
Petrônio Souza Gonçalves

Coisas de Clarice

Adoro lojas de perfumes, lojas que sempre têm mulheres falantes, fumegantes... Fico por ali, entre uma escolha e outra, ouvindo sensações, gostos e histórias, desejos, sonhos, tudo devidamente aromatizado, muito bem embalado, essas coisas que tornam nossa fútil vida diária um pouco mais aceitável. Talvez por isso repita tanto os temas de meus presentes. Mas como são escolhidos com um criterioso carinho e envolvidos em sentimentos, recebo de volta o sorriso generoso e o abraço gestado. Esse trocar de abrigo dá um sentido renovador à nossa existência. A vida ainda permite essas distinções.
Petrônio Souza Gonçalves

Coisas do tempo

A tradição vem do conhecimento traduzido, de lábios a ouvidos, além do tempo... Seu início e fim se fundem em si mesmos e a cada dia são reinventados, revelando o doce gosto das coisas que o tempo não leva mais. Assim é esta historinha, que nasceu, um dia, cresceu e floriu em outros, dando frutos e alimentando a alma humana pelos vários cantos do mundo. Como já foi dito, na pequena floresta ao pé da serra, três diferentes árvores conversavam sobre o mundo de bichos e homens que se descortinava aos seus pés. Uma árvore, que mais se balançava com o vento, resolveu indagar às outras quando o sol já queria se esconder por detrás da paisagem:
Petrônio Souza Gonçalves

Das inúmeras vantagens de ser bobo

Ele é um político de expressão nacional. Não dividimos as mesmas ideias, mas o mesmo respeito. Sempre nos saudamos de longe, reverencial, bem ao jeito dos mineiros. Era tarde de quinta-feira, fazia o trajeto contrário de quem inicia o fim de semana, em voo do Santos Dumont para Belo Horizonte, quando nos saudamos, mais uma vez, de longe, na sala de embarque do outrora charmoso aeroporto do Rio de Janeiro. Ficamos em nossa distância, lendo alguma coisa naquela quente entardecer carioca. Chamada para o embarque, nos alinhamos em fila, avião adentro.
Petrônio Souza Gonçalves

Jericoacoara, caminho do mar

Jericoacoara é o mar, as dunas e o vento. Por onde se vai, estão os três lá, em perfeita harmonia, com o mar beijando a areia e o vento soprando histórias de um caso de amor natural, de belezas infinitas... Difícil não sentir a forte vibração dessa antiga vila de pescadores, distante 300km de Fortaleza, no extremo norte do Ceará, protegida pelas dunas e onde só se chega em carro 4x4 ou caminhonete. A viagem até lá é quase uma aventura, com o inusitado nos surpreendendo a cada curva. Em Fortaleza tem saída diária em ônibus convencional até Jijoca de Jericoacoara, município sede da Vila, em dois horários: às 8h e 18h30, na rodoviária. Mas a melhor dica é fazer o traslado em van ou micro-ônibus, com as várias agências de turismo que existem na capital do Ceará, que levam diariamente os passageiros ao preço médio de R$ 60,00 por pessoa, com tudo incluso: o transporte até Jijoca e a caminhonete até Jericoacoara.
Petrônio Souza Gonçalves

Rede Sustentabilidade divulga nota nacional

A Rede Sustentabilidade, liderada por Marina Silva, preocupada com o futuro da Nação e da atividade mineraria no Brasil diante das últimas definições do governo Federal e encaminhadas ao Congresso Nacional por ordem direta da presidente Dilma Rousseff, vem externar, nacionalmente, suas idéias sobre o assunto que pode mudar o futuro do Brasil. A nota segue abaixo, na íntegra!
Petrônio Souza Gonçalves

Estados Unidos: mundo dividido

Os cidadãos americanos fazem dentro do seu país o que suas Forças Armadas fazem fora: matam! É impossível uma nação ficar impune aos seus próprios pecados, há ‘forças’ que duelam em cada lado. Uns chamam de destino, outros, de karma, e assim fica mais amarga nossa pobre vida diária. Ao que se constata, em décadas e décadas de guerras e histórias, eles chegam aos países em momento estratégico, sob a égide de libertadores. Pouco tempo depois, se revelam invasores. Opressores por natureza, exerceram decisivo papel nas ditaduras das Américas. Intervieram diretamente nas frágeis democracias. Na nossa, especificamente, após a aprovação e sanção presidencial da Lei de Remessas de Lucros - fruto do nacionalismo lúcido do saudoso mineiro Celso Brant - orquestraram uma silenciosa guerra à democracia brasileira, se arrastando pelos corredores imaturos e quase sombrios da recém criada capital federal.
Petrônio Souza Gonçalves

Saudade de mar

Foi uma operação de guerra o translado do tubarão capturado em Meaipé, litoral capixaba, para a mansão do grande publicitário na Pampulha. A viagem foi realizada à noite, em caminhão baú, quando sedado o grande tubarão vinha tranquilo pelas curvas da longa estrada. Era madrugada quando foi deixado no imenso aquário. Já no almoço, a grande visitação para ver a exótica novidade do narcisista publicitário. O tubarão quieto, escondido, acuado. Nem lembrava a fera temida dos mares. Nos dias seguintes, novas e renovadas visitas: os amigos de trabalho, a família da namorada, os vizinhos, os clientes, e o tubarão acuado, escondido pelos cantos.
Petrônio Souza Gonçalves

O silêncio dos partidos

No Congresso Nacional, apenas os projetos de lei que interessam diretamente ao governo, ao poder central, vão para a pauta e são votados. Muitos projetos de lei são ignorados, esquecidos e banidos de suas comissões e das pautas de votação. Parece que a antecipação da corrida presidencial de 2014 fez apressar também a votação de um projeto de lei menor e que tem endereço certo: barrar a criação de novos partidos, distanciando o processo político e democrático dos movimentos sociais e sindicais. Ao que tudo indica, prefere-se o silêncio dos partidos que o barulho dos movimentos livres.
Petrônio Souza Gonçalves

Triste dia distante

Drummond nasceu em uma cidade de ferro. Fez dela sua poesia diária. Alquimista do tempo, transformou ferro em ouro, matéria em sentimento, sentido de tudo que move o mundo! Nossa vida ficou fria, ferro não forjado, não malhado. É preciso coragem e vontade para existir, quando viver parece apenas valer a pena. Duro é cavar o dia em busca de um poema quando a vida não quer nem ser educada... Quanto mais impessoal, menos verdade, e vamos cheios de desamor, de equivocos, enganos e frustrações maiores construindo esse triste mundo facebookiano, da espionagem consentida, da imagem forjada, da alegria montada, da felicidade de apenas um momento, tão breve, que passou. Passou, não foi no vento.
Petrônio Souza Gonçalves

A nobreza de Thereza

‘A vida quer da gente é coragem’. Coragem e amor, por que sem amor, seríamos nada. Assim foi Therezinha Martins Rabêlo, porto seguro que fundiu o amor e a coragem em uma só pessoa, maior, um exemplo de mãe e esposa para todos nós. Sua vida foi uma saga, uma epopéia, uma diáspora moderna, vivendo anos e anos de incertezas, angústias e indefinições no exílio, longe de tudo e de todos. Ainda assim, encontrava força para reunir a família e agradecer por estarem juntos, vivos e salvos. O marido, conheceu em uma aula de geografia, no Rio de Janeiro. Ele, professor. Ela, aluna. Após a aula, vendo a lapela do paletó suja de giz do mestre, depois da protocolar reverência, postou-se a limpá-la com as mãos. Era o início de tudo. Limpou o agasalho do professor e dos filhos deles, vida afora.
Petrônio Souza Gonçalves

Uma cara nova para o Brasil

Joaquim Barbosa é o “Brasil” que deu certo, que superou todas as adversidades, que rompeu com as injustiças, que venceu as atrocidades. Somos um povo que se acostumou com a omissão, uma gente que não gosta de se indispor, que prefere compor. Ele não, não se escondeu atrás de sua cor, não se rendeu às atrocidades de um mundo que o queria rendido diante de sua realidade, que não compactuou com uma verdade velada, tão discriminatória que mais de século depois da Abolição da Escravatura ainda impõe a milhões de brasileiros sua escravidão moderna, customizada e tão bem disfarçada. Para Barbosa a cor não foi um fim, mas o início de tudo
Petrônio Souza Gonçalves

Um veto para o desenvolvimento

Nos últimos anos, uma verdadeira cruzada política tem pautada as ações dos mineiros, tudo pela revisão dos irrisórios royalties pagos pela extração do minério de ferro e a ausência de uma política minerária em nosso país. Soma-se a isso os vários projetos de lei versando pela criação do "Marco Regulatório do Minério", nos mesmo moldes que vigora o do Petróleo. No entanto, nada de verdadeiramente concreto chegou à sanção presidencial alterando essa realidade de séculos e séculos de submissão e espoliação ao estado de Minas Gerais.
Petrônio Souza Gonçalves

Um país à procura de um povo

O Brasil é hoje a sexta economia do mundo. No entanto, ocupa a 84ª posição em Índice de Desenvolvimento Humano. Não somos um país da contradição, mas, sim, da omissão. Pagamos os mais altos impostos e recebemos os mais baixos serviços prestados pelos governos. Formamos uma grande massa de silenciados da pátria, um “assombro de misérias e grandezas”. Aqui, a parcela mais pobre e esquecida da sociedade produz o maior espetáculo, o carnaval. Tudo para ser vivido fora, debaixo dos holofotes das avenidas, bem distante de sua comunidade. O que é a democracia senão o direito e o dever da minoria representativa de fiscalizar e cobrar a maioria no parlamento? No entanto, o que vemos nesta terra desde Cabral é a maioria silenciando e cooptando a minoria e a minoria não buscando uma nova posição, não apresentando um novo projeto de país, um novo caminho. Não querem repensar o país, apresentar um programa de nação, mas sim um palanque e a chance de reivindicar os privilégios que não tem. Não legislam pela necessidade, mas pela conveniência.
Petrônio Souza Gonçalves

Das câmaras e dos empórios

A vereança deveria ser, na política, uma das atividades mais nobres, o princípio de uma vocação, a certeza de representar e legislar para o bem comum, a representatividade encarnada e vivida. Diariamente lado a lado com o eleitor, com vida da família brasileira nos bairros, distritos e municípios deste imenso Brasil, onde vive e vota o cidadão, o vereador deveria cumprir uma das mais belas missões, de resignação e entrega ao bem comum. No entanto, são os que parecem mais distantes da realidade de seus municípios e do eleitor que sempre lhe dá o voto de confiança, àquele que o representa diretamente. Brasil afora, em pequenos, médios e grandes municípios e sempre a mesma história encenada e repetida, para desilusão maior da população. Os escândalos são vários, sempre envolvendo os privilégios do poder e as benesses do cargo.
Petrônio Souza Gonçalves

Minas, nas páginas do tempo

A história da Humanidade é escrita pelos momentos. Sem eles, ela seria um amontoado de acontecimentos cíclicos, não seria uma história. Assim também é a historia de Minas, com passagens em momentos marcantes, que a fazem intrigante e fascinante, até os dias de hoje. No Brasil republicano, dois momentos de Minas merecem uma cuidadosa e minuciosa visita. Um quando ainda engatinhava a República e Minas deu a sua providencial colaboração ao Brasil, elevando ao mais alto posto da Nação um estadista que fundou os pilares da outrora apreciada e reverenciada tradicional política mineira. Afonso Augusto Moreira Pena, saído dos bancos humanistas do Seminário do Caraça, fazia a dobradinha administrada com o glorioso João Pinheiro da Silva no governo de nosso Estado.
Petrônio Souza Gonçalves

A culpa que condena

Ao passar pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília, tem-se a clara sensação de não se estar passando por entre imensos prédios públicos, construídos para gerir e prover o bem da nação, mas sim por imensas barricadas da corrupção, bem estruturadas para abrigar legiões de corruptos e corruptores da pátria. Cada ministério vai se revelando, à mais primária investigação, realizadas por jornalistas de plantão, um balcão de negociatas, uma agência administradora de generosas comissões. A imprensa nacional sabe muito bem disso e vai, no dia a dia, pautando as ações e demissões do governo Dilma, pautando suas futuras edições. Ontem foi o ministério liderado pelo PC do B. Hoje, do PDT e, amanhã, uma legenda amiga que trocou o calor dos protestos das ruas pelos corredores gelados dos gabinetes federais.