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Pedro do Coutto

Temer sai de vez da coordenação política

Afirmando-se indignado com a revelação do consultor Júlio Camargo de ter-lhe entregue uma propina de cinco milhões de dólares pela contratação de empresa especializada em sondas pela Petrobrás, o deputado Eduardo Cunha, logo na manhã de sexta-feira, através da GloboNews, anunciou seu rompimento com o governo Dilma Rousseff, o que praticamente obriga o vice Michel Temer a sair da tarefa de coordenador político do Planalto. Uma coisa leva a outra.
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Acaba o casamento entre PMDB e o PT de Lula!

No momento em que anunciou que o PMDB terá candidatura própria na sucessão presidencial de 2018, quando lançou quarta-feira a plataforma digital do partido na internet, o vice-presidente Michel Temer antecipou, de fato, a ruptura com o projeto do PT, Lula 2018. E não só com a candidatura do ex-presidente, mas no fundo da questão, com o próprio governo Dilma Rousseff. Aliás, este caminho, na mesma ocasião, foi defendido pelo deputado Eduardo Cunha, que afirmou estar a separação acontecendo de fato. Ficou evidente que o PMDB não deseja ser atingido pela impopularidade da presidente da República, agravada, a cada dia, com os reflexos das denúncias que se desenvolvem sobre os assaltos praticados contra a Petrobrás.
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A crise sem fim de Petrobrás

A Petrobrás vai colocar à venda 49% da Gaspetro e também negociar a BR Distribuidora com setores privados, a fim de reduzir, na fração de praticamente 15%, o total de sua dívida, que se eleva a 106 bilhões de dólares. Observa-se assim que o governo Dilma Rousseff inicia um roteiro para a privatização parcial da empresa. As transações devem ser concluídas, espera a administração da Petrobrás, até o primeiro trimestre de 2016.
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Dilma erra, se vetar o reajuste dos aposentados do INSS

A presidente Dilma Rousseff cometerá mais um erro, dessa vez tanto político quanto administrativo, se vetar, como anunciou o senador Delcídio Amaral, líder do governo, o projeto de lei que amplia a todos os aposentados e pensionistas do INSS as mesmas regras que regem o aumento anual do salário mínimo. O veto, além de socialmente injusto, funcionará na prática para desgastar ainda mais o governo. Afinal de contas, se o salário mínimo incorpora ganho geral, por pequeno que seja, acima da inflação, e se 33% dos segurados ganham apenas o salário mínimo, através do tempo, como logicamente sustentou Paulo Paim, que é do PT, chegará a uma escala na qual todos os aposentados e pensionistas vão receber o salário mínimo. O que será um retrocesso, uma vez que contribuíram com valores que incidiram sobre remunerações acima do piso legal.
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Lula rompe com Dilma e ataca o PT

O novo pronunciamento do ex-presidente Lula significa seu rompimento quase definitivo com Dilma Rousseff e o PT, partido do qual foi fundador em 1980 e que se transformou num bloco fisiológico. Luiz Inácio da Silva, surpreendentemente, não se referiu ao maior desastre do atual governo que sem dúvida foi o gigantesco assalto à economia da Petrobrás e que tantos problemas causou e causa, tanto no plano interno quanto na área internacional.
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Marketing sem conteúdo não funciona na política

(...) a forte queda registrada na popularidade da presidente Dilma Rousseff, que foi parar numa aprovação de 12% e numa rejeição de 64 pontos. Em junho de 2013 o índice positivo de seu governo atingia 55 pontos e o negativo situava-se em 13%. Basicamente era exatamente o contrário no panorama de hoje. Isso prova mais uma vez que o marketing, por si só, não funciona campo político, tão pouco influi no julgamento da opinião pública. Porque se funcionasse não teria havido o declínio que ocorreu, sobretudo depois da sua reeleição em outubro de 2014.
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Temer rompe com a candidatura de Lula para a sucessão de 2018

O vice-presidente Michel Temer, ao defender a tese de que o PMDB deve ter candidato próprio à sucessão de 2018, praticamente rompeu com a candidatura de Lula para suceder Dilma Rousseff no Planalto. O PMDB, disse ele, não quer mais o papel de noiva preferida e sim assumir a posição de protagonista principal. Esse o enfoque essencial das palavras de Temer, antecipando-se portanto ao encadeamento dos fatos previstos para o futuro próximo. A matéria deve ter contrariado frontalmente Luiz Inácio da Silva e criado uma situação sensível para Dilma Rousseff, sobretudo em face de ser ele o coordenador político do governo. Sendo assim, ficou claro que suas ações serão coordenadas também em torno das eleições de 2018.
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Economia não se recuperará este ano!

Ao anunciar no final da tarde de sexta-feira o corte de praticamente 70 bilhões de reais no orçamento de 2015, o ministro Nelson Barbosa, do Planejamento cometeu uma contradição essencial: ao mesmo tempo em que previu uma redução de 1,2% no PIB este ano, levantou a perspectiva de uma reação positiva da economia no segundo semestre. O ano, como se sabe é formado por dois semestres. Assim a retração de 1,2% no PIB abrange tanto o primeiro quanto o segundo semestre. O desajuste das contas apresentadas pelo ministro Nelson Barbosa entretanto, não termina aí. Ao anunciar que o corte na lei de meios foi o maior da história, como prova de um esforço geral para equilibrar as contas públicas, esqueceu de acrescentar aos 70 bilhões a taxa inflacionária dos últimos 12 meses, que se encontra na escala de 8,2 pontos.
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Ameaça de Cunha faz Dilma manter Janot na Procuradoria

A ameaça da do deputado Eduardo Cunha à presidente Dilma Rousseff para que ela não renove o mandato de Rodrigo Janot como Procurador Geral da República, revelada por Simone Iglesias e Paulo Celso Pereira, "O Globo" edição de sábado, vai inevitavelmente obrigá-la a reconduzir o chefe do Ministério Público para novo mandato de dois anos. Eduardo Cunha nega a ameaça, mas o fato é que a matéria publicada cita um diálogo seu com o Chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, a respeito do tema. De qualquer forma a repercussão do fato já por si funciona como um ultimato à presidente da República.
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Problema está na compra e não na construção de imóveis!

O governo do país está pensando em destinar mais 40 bilhões de reais no setor da construção civil para reabilitar o mercado imobiliário da queda de vendas que vem enfrentando. Nos primeiros quatro meses deste ano, por exemplo,a retração ocorreu em forte escala, inclusive com as retiradas das contas de poupança que superaram por larga margem os depósitos. Somente no mês de abril os saques superaram os depósitos numa escala de 6,2 bilhões de reais. No mesmo período foram negociados 109 mil imóveis, enquanto no primeiro quadrimestre de 2014 as vendas atingiram 1123 mil unidades habitacionais.
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Imagem negativa do PT afastou Dilma do programa na TV

A presidente Dilma Rousseff decidiu cancelar sua participação no programa organizado pelo PT, sob o motivo preponderante de não desejar, na fase atual, se vincular à imagem desgastada do Partido dos Trabalhadores, agravada com a prisão do ex-tesoureiro Joao Vacari Neto. O tempo que caberia à presidente da República foi ocupado pelo ex-presidente Lula, acrescenta a matéria. Com isso, torna-se flagrante a divergência essencial entre Dilma Rousseff e a agremiação, com a primeira querendo distância da segunda. Para Andreia Sadi, figuras dos bastidores petistas interpretaram a decisão como uma tentativa da chefe do Executivo se descolar da legenda, ao mesmo tempo deslocando o relacionamento para segundo plano, um espaço mais distante do centro do poder.
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Pobres são 70% da população brasileira

Como ser uma nação de classe média um país cujos assalariados recebem por ano, no total, 2 trilhões de reais e cujas dívidas atingem 1 trilhão e 400 bilhões? O endividamento alcança portanto, a escala de 70% de seus vencimentos. As favelas e os cortiços proliferam, quase 40% dos domicílios não contam com sistemas adequados de saneamento. Esgotos correm a céu aberto. 70% da população do país não são de classe média. Os que mais necessitam, assim, não podem ser considerados de classe média. Este mito, portanto, necessita ser destruído, porque enquanto não houver uma compreensão exata do país, por ele mesmo, esse caminho de evolução jamais será percorrido.
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Se Dilma fugir da raia…

Lula, o marqueteiro João Santana e o ministro da Secom, Edinho Silva, estão aconselhando a presidente Dilma Rousseff a não dirigir, pela televisão, a tradicional mensagem de primeiro de maio ao povo brasileiro. Os três, e mais alguns auxiliares do Palácio do Planalto, chegaram à conclusão , de que qualquer pronunciamento dirigido à sociedade pela passagem do Dia do Trabalho, data comemorada em muitos países, será sucedido por um panelaço que apagará suas palavras e prejudicará ainda mais sua imagem, já abalada pelo assalto à Petrobrás e sua iniciativa de comprimir direitos sociais.
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PT naufraga no mar revolto da corrupção

O PT, assim, praticamente naufraga num mar da corrupção, cujas águas revoltas escolheu cruzar. É claro que a perspectiva não é das melhores. Mas também Andréia Sadi e Marina Dias transmitem a impressão inevitável de que a fonte dos recursos financeiros secou para o partido. Tanto assim que no final da semana passada a comissão executiva do PT decidiu suspender o recebimento de doações por parte de empresas privadas. A suspensão representa uma figura simbólica, pois na realidade, como no samba de Monsueto, a fonte secou. Assim, a sustação de captar recursos financeiros já havia antecedido o ato de suspender tais ações.
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Aumentar impostos agora?

Uma contradição embutida na política global do próprio governo. De um lado uma política voltada para conter a taxa inflacionária com medidas restritivas. De outro, o risco de romper com as organizações sindicais. E no topo do triângulo, o temor de desagradar o ex-presidente Lula. Dilma Rousseff, portanto, não dispõe de largo campo de manobra. Terá que decidir, de optar. Escolher uma direção, todas elas trazem risco político. E assim o exercício do poder. A equipe econômica, liderada pelo ministro Joaquim Levy, insiste também no corte orçamentário de 80 bilhões de reais. Isso a partir do momento em que a presidente da República assinar a Lei de Meios para 2015, o que ainda não aconteceu, até hoje, apesar de já nos encontrarmos em pleno mês de abril, no segundo trimestre, portanto. O corte é falsamente apresentado como forma de reduzir a dívida interna do país.
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A farsa das doações para campanhas

É claro que as empreiteiras e fornecedoras vão fazer doações maiores para os candidatos à presidência, aos governos estaduais e municipais que aparecem bem nas pesquisas. Maiores recursos para os que estiverem na véspera de receber a caneta mágica do poder. É lógico, não é preciso sequer ser inteligente para interpretar o eterno jogo de interesses, num sentido ou no outro. Quem oferece espera receber algo em troca, no menor prazo possível, quem recebe está sabendo muito bem o que está por trás da doação. O ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, definiu as regras muito claramente em declarações contidas em sua delação premiada: não há doações, existem empréstimos. Com a diferença – digo eu – que o resgate é pago por todos nós, assalariados, que temos de arcar com a transferência a se refletir nos preços. É sempre assim.
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Cresce número de inadimplentes

Agravando a situação dos endividados inadimplentes, surge a questão de que as elevações do custo de vida antecedem – não sucedem – , os reajustes salariais. Assim, os aumentos ocorrem diariamente e se adicionam à obrigação dos juros pelas prestações em atraso. Surge então um processo devastador com reflexos na própria estrutura social, jogando para baixo o próprio mercado de consumo. Custo de vida subindo antecipadamente, juros progressivos, várias fontes de endividamento, onde e quando vai a roda parar? Não se sabe. A culpa, no caso geral, não cabe exclusivamente ao governo, mas a uma parte da população que, fascinada pelas “ofertas”, acaba assumindo compromissos impossíveis de resgatar.
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Corte no orçamento divide o governo

O projeto de cortar 80 bilhões de reais no orçamento da União para este ano, de autoria do ministro Joaquim Levy, está dividindo o governo. A presidente Dilma Rousseff, assim, terá que assumir a decisão final quanto à iniciativa, que também depende de aprovação pelo Congresso. Como alguém disse no passado, o remédio pode ser tão forte que, ao invés de curar, faça piorar o doente. O problema não se esgota na redução em si, mas nos seus efeitos junto a população. Some-se a isso a iniciativa das distribuidoras de energia elétrica, desejam antecipadamente repassar aos consumidores as taxas prováveis de inadimplência, diante do processo de aumento de preços do mercado.
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Dilma entrou pelo cano, e nós também!

O jornal britânico "Financial Time", matéria transcrita pelo "O Globo" na edição de 23, prevê que a situação econômica brasileira pode se agravar em 2015 e até estender-se por mais tempo. De fato, esse é o desafio que se coloca à frente da presidente Dilma Rousseff: sair da crise o mais rapidamente possível, pois ela se reflete diretamente nos níveis de emprego e consumo. E sem ambos os setores funcionando normalmente, não existe atmosfera política que resista. A estabilidade do país depende da superação dos obstáculos colocados na rota do Planalto.
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As confusões de Levy

O titular da Fazenda pede rapidez para aprovação do projeto que introduz modificações na contabilidade fiscal do país, incluindo as desonerações nas folhas de pagamento das empresas, mas surpreendentemente, a meu ver, diz que o governo ainda está concluindo a elaboração da matéria que, em princípio, substitui a medida provisória devolvida pelo senador Renan Calheiros, presidente do Congresso, ao Palácio do Planalto. Aliás, antes de ser recebido por Eduardo Cunha, avistou-se com Renan. Pediu a mesma pressa a Calheiros. Mas e o texto? Encontra-se ainda no laboratório da Fazenda em busca da fórmula final do remédio.
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Constituição blinda Renan e Cunha contra ações judiciais

Os que sonharam que os processos, mesmo na esfera do Supremo Tribunal Federal, vão transcorrer rapidamente contra Renan e Eduardo Cunha, principalmente entre aqueles que possuem foro especial, estão enganados. Basta ler os artigos 53, 54 e 55 da Constituição para se chegar a esta conclusão. Há uma série de obstáculos a serem transpostos na esfera do Congresso Nacional. Sobretudo tratando-se dos presidentes do Senado e da Câmara. Vamos transcrever os dispositivos citados nesse artigo para que seja verificada a complexidade das tarefas judiciais. Recebida a denúncia contra senador ou deputado, o Supremo dará ciência à Casa Legislativa, respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado, e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final (do STF) sustar o andamento da ação.
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A mentira do superávit primário

A presidente Dilma Rousseff vai editar um decreto ampliando em 65,5 bilhões de reais os cortes nos gastos do Tesouro até o mês de abril, no sentido tanto, é claro, de reduzir as despesas públicas, quanto para assegurar o enigmático superávit primário, que não passa de um sofisma para os desembolsos e receitas do Executivo. Inclusive, na mesma sexta-feira, "O Estado de São Paulo" publicou matéria acentuando que o superávit primário registrado em janeiro (10,4 bilhões de reais) foi o menor dos últimos seis anos. Mas afinal de contas, o que é superávit primário?
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Queda no consumo confirma projeções de Joaquim Levy

Sem dúvida. Os preços efetivos dispararam. E não podia ser de outra forma. Subiram os combustíveis, as tarifas elétricas, transportes, alimentação, além de impostos. Caso do Imposto de Renda é típico de um aumento indireto. Uma correção de 4,5% para os abrangidos pelas declarações anuais quanto à correção do que antecipadamente pagaram na fonte. Para uma inflação oficial de 6,5%, o governo Dilma Rousseff acena com uma correção de 4,5%. O que significa isso? Um aumento real de 2%. Enquanto isso, os salários permanecem onde se encontravam no ano passado. A classe C, acentua João Sorima Neto, com base no Instituto Datapopular, foi a mais atingida. Evidente. É o grupo que menos pode cortar despesas consideradas não obrigatórias. Alimentação, moradia, transporte, gastos com higiene pessoal, não são passíveis de redução. Especialmente os alimentos. Sem eles, surge o fantasma da fome. Com todas as suas consequências, a começar pela maior vulnerabilidade às doenças. Está na hora, aliás, de se produzir dados concretos a respeito da inflação real, dividindo sus efeitos para as diversas categorias sociais. Pois o reflexo do aumento do custo de vida não é o mesmo para todas elas. Há situações limite.
Pedro do Coutto

Advogados de empreiteiras abalam José Eduardo Cardozo

Os advogados de empresas empreiteiras que procuraram e foram recebidos pelo ministro José Eduardo Cardozo, com seus clientes figurando entre os acusados pela Operação Lava jato, cometeram um erro enorme e, no final de mais esse capítulo, abalaram seriamente a posição política do titular da Justiça. O juiz Sérgio Moro e o ministro aposentado Joaquim Barbosa condenaram tanto a iniciativa dos advogados quanto o fato de terem sido recebidos fora da agenda ministerial. Cardozo chegou ao ponto de afirmar que o cargo que ocupa inclui receber advogados que funcionam em processos relativos à sua pasta. Não é o fato. Pois se assim fosse, teria que receber, não apenas alguns, mas todos os advogados que solicitarem audiência. Nesse caso, o ministro não teria tempo para fazer coisa alguma. Basta lembrar o número de processos que aguardam anos pelo cumprimento de decisões judiciais contra o INSS, por exemplo. A oposição parlamentar vai pedir a convocação de Eduardo Cardozo para depor na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e também na CPI da Petrobrás, criada há poucos dias na Câmara dos Deputados.
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Outra derrota para o governo

A perspectiva de um novo insucesso espera o governo no caminho. A votação da Medida Provisória que estabelece cortes sociais, restringindo a concessão do seguro desemprego, cortando o abono do INSS aos aposentados e pensionistas de renda mais baixa, além da redução de 50% nas pensões por morte deixadas pelos trabalhadores e servidores públicos no caso de falecimento. A este elenco, poder-se-ia juntar outros como o aumento indireto do Imposto de Renda. A presidente da República vetou a correção do tributo pago na fonte, em 2014, fixada em 6,5%, exatamente a inflação oficial do IBGE. Vai mandar outra Medida Provisória reduzindo tal correção para 4,5%.
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Roubos e rombos explodem em todo o país!

Não há como deixar de reconhecer que o Brasil, infelizmente para a enorme maioria da população, está vivendo um estado de calamidade pública, com roubos e rombos acontecendo e explodindo a torto e a direito, em todas as escalas, em todas as direções. Na administração pública, a desonestidade, que antigamente era uma exceção, ameaça tornar-se uma regra. No andar da carruagem, dizer que alguém é honesto não é de bom tom nas rodas sociais mais altas.
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Novos impostos e tarifas terão que refletir na inflação

Num café da manhã com jornalistas, o ministro Joaquim Levy revelou que nos próximos dias o governo deve anunciar aumento de alguns impostos e reajustes de tarifas. Reportagem de Sônia Fernandes e Valdo Cruz, Folha de São Paulo de quarta-feira 14, focalizou amplamente o tema com as declarações do titular da Fazenda. Acrescentou, no caso das distribuidoras de energia elétrica, que não haverá injeção de recursos do Tesouro. Esse custo será bancado pelos consumidores, modo mais lógico do que pelos contribuintes.
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A maior despesa do Governo

A dívida interna do país soma algo bem próximo dos 2 trilhões de reais. É sobre este total que incide a taxa anual Selic, de 11,75%. O que representa um desembolso superior a 200 bilhões ao longo de doze meses. O superávit primário, assim chamado, reside no confronto entre a receita e a despesa que formam as contas públicas, não incluindo os juros pagos. Se estes juros fossem incluídos no cálculo concreto, poderia o resultado, se positivo, ser considerado uma redução do desembolso, mas não superávit primário. No caso, realmente, superávit primário traduz-se como déficit secundário, dentro de uma sequência lógica.
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Verdades sobre a Selic

A verdade básica do panorama financeiro relativo a este plano específico está contida no título, embora muitas vezes lermos o contrário em comentários publicados na imprensa veiculados na televisão. Daí a dificuldade de reduzir-se o montante efetivo da dívida pública interna do país que gira à velocidade de 11,75% ao ano, exatamente o valor percentual atribuído à Selic. Este índice é fixado e periodicamente revisado, para cima ou para baixo, pelo Comitê de Política Monetária, o COPOM. Assim, quanto maior for a necessidade de captação de recursos no mercado, mais alta será a taxa. Quanto mais reduzida foi essa demanda, o peso percentual da taxa recua.
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Analisando o salário mínimo…

A questão salarial como um todo possui diversos aspectos, a começar pela realidade de que os trabalhadores e servidores públicos brasileiros não são apenas os que percebem o piso básico. Estes compõem uma faixa, muito ampla, de 33%. Porém, e as outras correntes? Na verdade nenhum grupo assalariado deve ter seu reajuste menor do que a inflação do ano anterior, pois se tal ocorrer ele estará sendo reduzido em seus vencimentos, de maneira disfarçada, porém essencialmente inconstitucional, já que a Carta Magna impede a redução salarial.
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Dilma reduz pensões

O ministro Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil, anunciou que a presidente Dilma Rousseff está enviando ao Congresso projeto de Medida Provisória estabelecendo reduções em benefícios (direitos, na verdade) hoje existentes na Previdência Social, o destinado a causar maior impacto o corte de 50% nas futuras pensões deixadas para viúvos e viúvas.
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O Brasil possui uma lei anticorrupção

Pode parecer incrível, mas o Brasil conta com uma lei anticorrupção, a Lei 12.846/2014, em vigor há quase um ano. Mas não tendo sido ainda regulamentada, tem baixa adesão concreta por parte das empresas, de modo geral. Tanto assim que pesquisa realizada junto a trezentas companhias revela que dela somente tomaram conhecimento trinta e duas, 04%. A fração de 4,1% não soube informar, enquanto 63,5% ignoram, ou ignoravam, sua existência.
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Dilma tem que reforçar ministério para superar crise

Nesta altura dos acontecimentos, nos quais se refletem com intensidade os inquéritos na Petrobrás e o que eles vêm revelando, não basta a presidente Dilma Rousseff adotar o critério de formar seu novo ministério apenas considerando as indicações partidárias da base aliada no Congresso. Esta escala é importante, mas exige que os nomes escolhidos sejam de peso e por suas qualidades refletirem na opinião pública a favor da imagem do governo.
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Quem serão os políticos envolvidos?

Ao afirmar na CPI do Congresso sobre os escândalos da Petrobrás que, em seu depoimento à Polícia Federal dentro do processo de delação premiada, há 35 políticos envolvidos, entre os quais senadores e deputados, o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa tornou obrigatória a divulgação dos nomes, tarefa que, em primeiro lugar, deve caber à Justiça. Isso porque, antes de se tentar avaliar o peso negativo, para o país, do produto bruto da corrupção, tem que se levar em consideração terem sido publicados os nomes dos administradores públicos e dos executivos de empresas envolvidos no esquema.
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Economia depende da estabilidade política

No seu primeiro pronunciamento depois de ter seu nome formalizado pela presidente Dilma Rousseff como novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy anunciou uma política gradual de ajuste fiscal com meta para três anos: 2015, 2016 e, portanto, 2017. Acentuou um superávit de 1,5% respectivamente em 2016 e 2017. Ressaltou, dessa forma, sua confiança em poder executar seu projeto, junto com Nelson Barbosa e Alexandre Tombini, pelo menos até a fase final do segundo mandato de Dilma Rousseff.
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Querem destruir o juiz!

Somente pode ser analisada como manobra a reclamação junto ao Supremo pelos advogados que defendem dirigentes das Empresas UTC e Engevix contra o desempenho do juiz Sérgio Moro à frente do processo da Operação Lava Jato. O que alegaram? Que o magistrado, aliás de atuação impecável, omitiu as acusações feitas a políticos, a fim de bloquear a transferência total do caso de sua alçada a do STF.
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Com a criação da Rede, Marina libera o PSB de ser oposição

Ao anunciar às repórteres Carolina Alencastro e Simone Iglesias a criação da Rede Sustentabilidade até março de 2015, e sua consequente saída do Partido Socialista Brasileiro, em "O Globo" de 24 de novembro, a ex-senadora Marina Silva praticamente liberou a legenda do bloco de oposição ao governo Dilma Rousseff, deixando portanto à vontade os integrantes do partido para se posicionar. Isso de um lado.
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Um freio à corrupção?

Pode não mudar para sempre, mas, sem dúvida, representará um freio à onda de corrupção no país. Passou dos limites. A prova está no fato de somente um dos acusados anunciar a disposição de devolver 23 milhões de dólares, dos quais é possuidor na rede bancária suíça. Mas quando se pensava que Paulo Roberto Costa fosse um exemplo isolado, a Folha de segunda-feira publica que p ex gerente da estatal, Pedro Barusco, fechou um acordo de delação, através do qual prontifica-se a devolver 97 milhões de dólares aos cofres da empresa. Como é possível que uma pessoa tenha se apoderado de tal quantia?
Pedro do Coutto

Contas públicas brasileiras

E só com um avanço positivo pode-se reduzir o endividamento e ampliar o mercado interno, o qual, por sua vez, quanto maio, mais tributos poderá gerar para as contas públicas. Governar é difícil sobretudo pelo processo de causa e efeito, eternamente um desafio que só através de esforços conjuntos será vencido. O mercado depende do nível dos salários. O emprego gira em função do nível do mercado. Uma viagem como a dos bondes antigos. Talvez aquele que deu título a uma peça famosa de Tennessee Williams.
Pedro do Coutto

A projeção de Marta Suplicy

Reportagem de Valdo Cruz e Natuza Nery, "Folha de São Paulo", edição de 12/11, focaliza o episódio da carta de demissão da agora senadora Marta Suplicy, com a qual deixou a pasta da Cultura dirigindo críticas diretas à política econômica adotada pela presidente Dilma Rousseff. Surpreende a forma que adotou para sair do governo, quando na campanha eleitoral, como destacam Valdo e Natuza, numa recente carreata no centro de São Paulo, ela, ainda ministra, disputou um lugar no caminhão em que Dilma se encontrava. Isso de um lado.
Pedro do Coutto

Os problemas de Obama

Os republicanos conquistaram 243 cadeiras no total de 435, os democratas perderam 21 assentos. Nove para o Partido Republicano, 12 para os relativamente ao Senado, quando estavam em jogo 36 cadeiras, de 53 para 44; os republicanos saltaram de 45 para 52, conquistando a maioria da Casa. Sobraram três independentes e um indeciso. Pela primeira vez na história, desde a guerra de secessão (1860-1864), a Carolina do Sul elegeu um senador negro, Tim Scott.
Pedro do Coutto

Lula quer voltar e o PT quer regular a mídia

O PT, ao contrário do que Dilma Rousseff fez no primeiro mandato, deseja reviver o projeto que pretende estabelecer parâmetros para regulação dos meios de comunicação do país. Para isso, setores partidários desejam transferir Ricardo Berzoini da Articulação Política, para a da Regulação da Mídia, a ser criada, a qual desarticularia o governo, colocando-o em rota de colisão com os jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão. A ideia, a meu ver, fruto de uma alucinação de radicais, não seguiria o absurdo modelo argentino que proíbe a acumulação de propriedades no setor da comunicação.
Pedro do Coutto

Vitória, mas com limites!

Não é fácil conquistar o apoio da maioria da sociedade. Pelo contrário. Por isso mesmo é que fotografia das urnas será sempre retocada ao longo dos mandatos políticos gerados por elas. Daí porque vencer uma disputa eleitoral não é capaz de fornecer cheque em branco a pessoa alguma. Porque o princípio básico da política baseia-se num teorema eterno: algo que tem de ser comprovado na prática. Não é um axioma. Não é uma fantasia. No fundo, ninguém engana a sociedade de um país.
Pedro do Coutto

Será difícil acabar com a reeleição!

É isso aí. O processo para acabar com o instituto da reeleição para presidente da República, governador e prefeito, sistema estabelecido no período Fernando Henrique, objeto de condição imposta por Marina Silva para apoiar Aécio Neves no segundo turno, é bem mais complicado do que possa parecer à primeira vista na interpretação do eleitorado. Em primeiro lugar, porque depende de aprovação de emenda constitucional e esta exige, não o voto de maioria absoluta dos senadores e deputados, mas sim apoio de dois terços dos votos nas duas Casas do Congresso Nacional. Obstáculo difícil de transpor em condições normais.
Pedro do Coutto

Decisão no segundo turno

O Datafolha acentua que 59% (dos 17%) iriam para Marina Silva e que 22% rumariam para Dilma Rousseff. A fração de 19% (dos 17 pontos) tende a votar em branco ou anular o voto, evidentemente caso o candidato não se classifique para a final. No momento são 13% os que têm intenção de anular ou votar branco. Vale acentuar que os demais oito concorrentes, em seu conjunto, somam apenas 3%.
Pedro do Coutto

Dilma confirma as denúncias

A presidente da República destaca ter pedido informações à Polícia Federal e ao Ministério Público pata tomar providências em relação aos funcionários do governo denunciados pelo ex-diretor, cujo envolvimento classificou de estarrecedor. Ela enfatizou que (durante a primeira parte de seu mandato) não tinha a menor ideia de que havia um esquema criminal na empresa, referindo-se, é claro, à Petrobrás. Se não tinha a menor ideia, mas agora tem, é porque, no seu pensamento de hoje, o esquema criminal a que se refere existe.
Pedro do Coutto

Disputa acirrada entre Dilma e Marina

Ao que tudo indica para Marina, já que na pesquisa simulada para o desfecho de 26 de outubro (o primeiro turno é no próximo dia 5), Marina atinge 47 pontos e Dilma alcança 43. Mas é indispensável considerar que a diferença projetada anteriormente já foi maior. Vem diminuindo. No final de agosto, por exemplo, pelo mesmo Datafolha, chegava a dez pontos: 50 a 40. No início de setembro passou para 48 a 41, sete degraus portanto. Agora diminuiu ainda mais, registrando margem de 47 a 43 pontos.
Pedro do Coutto

Lembrando a renúncia de Jânio Quadros

No dia 25 de agosto de 1961, depois de eleito em 60, o presidente Jânio Quadros renunciou abrindo enorme crise política e proporcionando clima para um movimento político militar, liderado pelo governador da Guanabara, Carlos Lacerda, contra aposse do vice João Goulart. Naquela época, a eleição do vice era separada da eleição do presidente da República. Jango derrotou Milton Campos, da UDN, em grande parte por causa do movimento Jan-Jan, Jânio e Jango, que alcançou centenas de milhares de votos em São Paulo e no Paraná.
Pedro do Coutto

Marina Silva, uma arrancada espetacular!

A pesquisa do Datafolha divulgada pelo "Jornal Nacional" de sexta-feira e objeto de reportagens na "Folha de São Paulo" e de "O Globo" de sábado, revela uma arrancada espetacular de Marina Silva nas intenções de voto para presidente da República nas urnas de outubro. Num espaço de tempo de quinze dias, ela avançou treze pontos, empatando na primeira colocação com a presidente Dilma Rousseff: 34 a 34%. Como no penúltimo levantamento do Datafolha ela registrava 21 pontos, nas duas últimas semanas ela subiu numa velocidade de quase um ponto por dia.
Pedro do Coutto

Dúvidas nas pesquisas eleitorais

O Ibope divulgou na noite de quinta-feira (dia 07/08), pelo Jornal Nacional, nova pesquisa sobre as intenções de voto para as eleições presidenciais de outubro, detalhada através de excelente matéria de Júnia Gama, em "O Globo" do dia seguinte, sexta-feira. O quadro manteve-se estável, em relação ao levantamento de julho, com Dilma Rousseff liderando com 38%, seguida de Aécio Neves 23, Eduardo Campos 09, Pastor Everaldo 03 pontos e todos os demais candidatos reunidos ficando restritos a outros 03 pontos. Votos brancos e nulos 13, enquanto a parcela de 11% não soube ou não desejou responder. Faixa de omissão: 24%. Caiu. Há um mês era de 31%.
Pedro do Coutto

Candidatos terão que despertar emoção na TV

As campanhas eleitorais só aquecem a partir do momento em que os confrontos, através da emoção, adquirem o caráter de competições esportivas. As reações que despertam não são totalmente lógicas ou decorrentes de injeções de tecnicalidade. Ao contrário. Emoção é emoção, nem sempre se explica na vida comum. Muito menos em matéria de eleições, terreno no qual o partidarismo, pelo partidarismo, tem peso próprio. E significativo. Por isso, quando se analisa política eleitoral, tem que se levar em conta todos esses fatores. Eles existem.
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Deve haver segundo turno

Com base na pesquisa do Ibope, divulgada terça-feira pela Rede Globo e ontem simultaneamente pelo "O Globo" e "O Estado de São Paulo", comparando-se seus números com os do Datafolha, publicados na semana anterior pela "Folha de São Paulo", verifica-se que as diferenças são muito pequenas, em algumas situações até mínimas. É o caso, por exemplo, dos índices que hoje decidiriam se o desfecho seria transferido do primeiro para o segundo turno. De modo geral as tendências evidenciadas convergem para as mesmas direções e posições percentuais quanto às intenções de voto.
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Dilma revê estratégias de campanha

A primeira rodada da série de pesquisas a serem realizadas pelo Datafolha em articulação com a Rede Globo, objeto de reportagem de Ricardo Mendonça publicada na Folha de São Paulo, vem acentuar a necessidade de a presidente Dilma Rousseff rever suas alianças estaduais a partir de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, representando vinte por cento dos votos. Em primeiro lugar ficou nítida uma tendência para a realização de segundo turno entre ela e Aécio Neves, portanto uma diferença de 44 a 40 pontos, o que acentua um estreitamento que acrescenta emoção à campanha.
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Na disputa eleitoral, as vantagens de quem ocupa o poder

Em artigo muito bom, publicado na "Folha de São Paulo", edição de 05 de junho, Eliane Cantanhêde critica as entrevistas da presidente Dilma Rousseff programadas pelo Planalto junto a algumas emissoras, nas quais a chefe do executivo fala confortavelmente a respeito de assuntos relacionados com a Copa do Mundo e a Seleção Brasileira. Em seguida faz uma lista de perguntas que deveriam ser formuladas e respondidas pela candidata que busca a reeleição nas urnas de outubro. Eliane Cantanhêde está certa: falta exatamente esse ponto na campanha eleitoral. Mas como ela apresenta a lista das indagações, esta parte do texto pode democraticamente funcionar como roteiro para que Dilma Rousseff vá ao encontro e focalize o conteúdo das respostas que possa fornecer.
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Um estatuto para os terceirizados das estatais

Em reportagem publicada na edição de 2 de junho de "O Globo", Alexandre Rodrigues revelou que a Petrobrás possui em seus quadros 360 mil servidores terceirizados, correspondendo a 80% de todos os empregados. A Petrobrás, embora seja a maior empresa brasileira, não constitui uma exceção. Há terceirizados no Banco do Brasil, na Caixa Econômica, entre outras unidades do Estado. O governo federal, segundo cálculos feitos há algum tempo, possuía em torno de dois milhões de empregados nessa situação, regidos pela legislação trabalhista. Se formos incluir as terceirizações nas administrações estaduais vamos encontrar um número total bem maior. Entre as estatais da União deve-se incluir a Empresa de Correios e Telégrafos.
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Juros devoram renda familiar brasileira

Para uma inflação anual em torno de 06%, de acordo com o Banco Central, a taxa cobrada sobre os saldos devedores dos cheques especiais e cartões de crédito subiram do ano passado para agora de 137% para 161, em média. Em bancos de primeira linha, basta conferir pelos extratos, os juros são de 09% mês, o que faz com que atinjam, considerado o cálculo dos montantes o absurdo de 194% ao ano. Mais de trinta vezes o índice inflacionário oficial. Mas abandonando o himalaia financeiro e focalizando patamares mais baixos vamos verificar que os juros bancários aplicados ao crédito pessoal oscilam entre 04 a 05% ao mês. Como se vê estão perto do índice inflacionário para o ano todo. A propaganda, claro, incentiva o consumo, os prazos oferecidos completando uma espiral socialmente perigosa.
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Divergências entre Campos e Marina

Se alguém tivesse dúvida quanto ao destino da candidatura Eduardo Campos nas urnas de outubro, essa dúvida se dissiparia com a leitura da reportagem de Sérgio Roxo, "O Globo" de 26 de maio, na qual foram expostas divergências essenciais entre o ex-governador de Pernambuco e Marina Silva, candidata à vice em sua chapa. Estão ocorrendo em diversos Estados, a começar por São Paulo, maior colégio de votos do país. Há uma tendência de o PSB (de Campos) apoiar a candidatura à reeleição do governador Geraldo Alckmim, mas a ex-senadora pelo Acre vetou a aliança e indicou o ambientalista João Paulo Capobianco, ou então o coordenador da sigla de Marina em SP, Céçio Turino.
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O desejo de mudança

Em artigo publicado na "Folha de São Paulo", edição de 19, o senador Aécio Neves pediu atenção dos leitores (especialmente dos eleitores e eleitoras, como é natural) para um aspecto contido na recente pesquisa do Datafolha a respeito da sucessão presidencial de outubro: o desejo de mudança na forma de o governo administrar o país. Tecnicamente está certa a colocação. Tanto assim que 69% das classes pobres, que compõem a grande maioria dos votantes apoiam a mudança. Em seguida, 76% da classe média desejam um novo rumo. Finalmente 81% dos grupos sociais de renda mais alta. No Brasil, infelizmente, os que ganham por mês dez salários mínimos são considerados vértice da pirâmide. Falso incluí-los na alta renda. Mas vamos aceitar para efeito de análise.
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Lula é o grande eleitor de Dilma

O ex-presidente Lula é, sem dúvida, como revelou a recente pesquisa do Datafolha, o grande eleitor da presidente Dilma Rousseff na campanha pela reeleição. Mas comete atos falhos nos pronunciamentos que faz, como assinalam a reportagem de Biagio Talento, no Globo e de João Pedro Pitombo, "Folha de São Paulo", edições de 13 de maio. As duas matérias referem-se a declarações feitas em atos públicos na Bahia. No primeiro caso, criticou os que criticam, hoje, a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006, pela Petrobrás. O assunto é objeto de investigações, inclusive por CPI do Congresso Nacional além de internas na estatal, abertas pela presidente da empresa, Graça Foster.
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As pesquisas eleitorais e as ações da Bovespa

Na edição da "Folha de São Paulo" de 12 de maio, Daniele Brant e Anderson Figo publicaram ampla matéria de análise colocando em questão o fato das ações de empresas estatais como Petrobrás, Banco do Brasil e Eletrobrás terem registrado altas na Bovespa a partir do momento em que a presidente Dilma Rousseff, diante das pesquisas do Datafolha e do IBOPE, teve reduzida sua vantagem sobre Aécio Neves e Eduardo Campos nas intenções de voto para a sucessão presidencial de outubro. A matéria está muito bem escrita, mas francamente não vejo relação direta alguma entre uma coisa e outra. O fenômeno deve ter outra explicação, muito mais no campo da especulação financeira do que no plano político.