Principal » Artigos de Pedro Bondaczuk
Pedro Bondaczuk

O mágico lúcido

O assunto, hoje, é Drummond. E tratar do poeta de Itabira, seja por qual motivo for, é sempre agradável, ainda mais ouvindo Beethoven no Sonora, magnífico serviço prestado pelo portal Terra aos amantes do que é estético, belo, divino e mágico.
Pedro Bondaczuk

História ou lenda?

O rei Arthur e seus lépidos e fagueiros Cavaleiros da Távola Redonda existiram, de fato, de carne e osso, ou não passam de remotíssimas lendas, contadas à exaustão e passadas de pai para filho, geração após geração? E o tal reino de Camelot? E as façanhas do mago Merlin, com suas magias e sortilégios? E o que dizer do romance de Sir Lancelot com a rainha Genevieve? E o Santo Graal, foi encontrado? De fato existiu?
Pedro Bondaczuk

Cenários da nossa biografia

Uma recordação puxava outra e, de repente, não mais do que de repente, me dei conta do quanto nossa casa nos é importante. Não apenas como abrigo contra as intempéries, sua função primordial, e nem como símbolo de status, mas como lugar em que estabelecemos nosso mundinho restrito e particular e como cenário (um deles, claro) dos episódios que findam por erigir a nossa biografia.
Pedro Bondaczuk

Saraus literários

Um dos costumes que há décadas deixaram de existir é o da realização de saraus familiares nas casas, em geral, de pessoas da classe média, que era a forma dos nossos antepassados se divertirem. É verdade que então não existia sequer o rádio. A televisão iria surgir apenas em meados da década de 30 do século XX. No Brasil ela chegou, apenas, em setembro de 1950, com a inauguração da TV Tupi de São Paulo. Nem havia, na ocasião, os cinemas.
Pedro Bondaczuk

Dogmas e opiniões

A polêmica é uma arte, mas ainda não é bem entendida, principalmente por quem não está afeito ao campo das idéias. Há quem a entenda como sinônimo de “briga” ou de “discórdia hostil” e que seja, portanto, uma atitude ruim. O polemizador é visto como encrenqueiro, o sujeito que só quer arrumar confusão.
Pedro Bondaczuk

Conforme o original

A rigor, nem na atualidade, nós, escritores, conseguimos com que nossos livros venham a público rigorosamente da forma que os concebemos. É verdade que o computador reduziu a quase zero o número de erros. Imaginem se Guttenberg não houvesse inventado os tipos móveis e estivéssemos, ainda, por conta dos copistas! Seria um Deus nos acuda, não é verdade?!
Pedro Bondaczuk

Miguel Torga: magnífico escritor português

A obra do português Miguel Torga é vastíssima. Ascende a cerca de quatro dezenas de livros, entre poesia e prosa. Não tive acesso aos seus romances, ensaios e peças teatrais, mas, a julgar por sua poética, estou seguro que é sólida e bela, como seu pseudônimo sugere que ele e tudo o que fez sejam.
Pedro Bondaczuk

Notícias que eu gostaria de dar

Perguntaram-me, várias vezes, qual é a notícia que eu gostaria de dar em manchete, para me sentir realizado como jornalista e como homem. São tantas! Uma, por exemplo, seria a de que a ciência descobriu a cura para doenças incuráveis, como a Aids e outras mais.
Pedro Bondaczuk

Se bem utilizada, TV é indispensável no mundo atual

A televisão é um dos maiores fenômenos tecnológicos do século XX, informando, divertindo, divulgando, aproximando pessoas e servindo de companhia a milhões, diria bilhões de solitários mundo afora (inclusive a mim, em determinadas circunstâncias especiais).
Pedro Bondaczuk

Caminho áspero e pedregoso

Hoje, de acordo com dados estatísticos internacionais, existentes em profusão, o Brasil continua sendo uma das sociedades nacionais mais injustas do planeta no que se refere à concentração de renda em pouquíssimas mãos.
Pedro Bondaczuk

Qual sucesso?

O que você classifica de “sucesso”? Ganhar bastante dinheiro com o que faz? Conquistar prestígio, fama, glória? Ser tido como o “melhor” na sua atividade? Tudo isso pode ser considerado, e é, sucesso para uns, mas nem tanto, para outros, que querem mais, muito mais.
Pedro Bondaczuk

Podemos sonhar alto?

Um leitor pergunta-me, em tom claramente provocativo, o quanto nós, escritores do Terceiro Mundo, desta segunda década do terceiro milênio da Era Cristã, podemos sonhar. “Algum de vocês (ou todos vocês) espera, por exemplo, ganhar um Prêmio Nobel de Literatura?”, indaga.
Pedro Bondaczuk

Ficção fundamentada na mais estrita realidade

“Os mistérios de Marselha” é considerado, por boa parte da crítica especializada, como um “livro menor” na monumental obra de Emile Zola. Entendo que é preciso muito cuidado nesse tipo de avaliação. Quem duvidar do que afirmo, que leia “Os mistérios de Marselha” e tire as próprias conclusões.
Pedro Bondaczuk

Novos hábitos

O computador (e incluo nessa classificação o tablete e o celular, que se transformou numa espécie de eclético computador em miniatura) estabeleceu novos hábitos de leitura, que inicialmente não passavam de mera tendência, mas que, aos poucos, vão se consolidando, à medida que essa preciosa máquina se torna crescentemente popular.
Pedro Bondaczuk

O tempo que perdemos e não volta

Perdemos muitas horas num único dia que, somadas, representam perdas imensas, que podem ser traduzidas em anos, em nossas vidas. Raciocinemos. Em metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro esse desperdício é muitíssimo maior.
Pedro Bondaczuk

A boa arte nunca envelhece

As artes têm características peculiares, próprias, únicas – muito diferentes das ciências – que as tornam atemporais. Não são antigas e nem modernas. Não comportam datações.
Pedro Bondaczuk

Nossa missão jamais se esgota

A missão do homem jamais se esgota. Ai daquele que deixa o espírito envelhecer, que não renova idéias, informações, estilos e comportamentos! É posto de lado como objeto imprestável, sem uso, e perde o respeito até dos que gerou. Isso é mais comum do que se pensa e que seria desejável.
Pedro Bondaczuk

Condições para uma sociedade próspera

O planeta está chegando ao seu limite. Está aí o grande objetivo do século XXI: o combate à fome e suas seqüelas e a melhor repartição de renda, estreitando o fosso, hoje profundo e largo, entre milionários (pouquíssimos) e miseráveis (enorme contingente).
Pedro Bondaczuk

Estamos muito distantes do nosso potencial

Um enorme obstáculo a ser superado para que nos “humanizemos” de fato é a nossa impossibilidade de conjugar os propósitos que temos ao nosso poder. Queremos muito mais do que podemos. E por que não conseguimos essa conjugação, se nosso cérebro é, potencialmente, tão poderoso? Exatamente por não concretizarmos esse potencial.
Pedro Bondaczuk

Absurda periodicidade de epidemias

A peste bubônica foi (e em casos esporádicos, continua sendo) a doença que mais vezes se manifestou no mundo, desde que o primeiro Homo Sapiens a contraiu e contaminou sua comunidade. Quando isso se deu?
Pedro Bondaczuk

Escravos das circunstâncias

Essa afirmação sobre o homem pode até parecer paradoxal (não fôssemos um feixe de paradoxos), mas tem lá sua lógica. Nosso comportamento (salvo raras e honrosas exceções), ainda está tão distante do nosso potencial de inteligência, poder e bondade como a Terra está da constelação Alfa Centauro.
Pedro Bondaczuk
Pedro Bondaczuk

Os deslocados no tempo e no espaço

A questão do analfabetismo não deve ser abordada pelo aspecto numérico (ou não somente por ele), já que não se está lidando com objetos, ou com seres irracionais, mas com pessoas.
Pedro Bondaczuk

De repente, não mais nos reconhecemos

Olhamo-nos, todos os dias, no espelho, e não notamos as mudanças que ocorrem em nosso rosto. Hoje, uma ruga, amanhã, um cabelo branco, depois, um início de calvície, mas passamos batidos de cada transformação.
Pedro Bondaczuk

Paradigma da luta das mulheres por igualdade

O acesso à educação formal foi a grande, possivelmente a maior, conquista feminina em todos os tempos. Possibilitou às mulheres adquirir conhecimentos que, por milênios eram, estranhamente, restritos somente aos homens. Mas nem todas as mulheres já podem exercer este direito, que deveria ser inalienável. E os motivos são vários.
Pedro Bondaczuk

A banalização do mal

De tanto lerem e ouvirem notícias referentes à violência, à corrupção e à criminalidade, as pessoas findam por se alienar da realidade. Em suas cabeças, apenas o mal passa a ser soberano no mundo, como se apenas ele existisse, o que está longe de ser verdade.
Pedro Bondaczuk

Permanente processo de renovação

A vida é bela, e fascinante, e misteriosa, por se tratar de permanente processo de renovação, embora, paradoxalmente, envelheçamos a cada dia que passa. É como um rio, cujas águas são sempre diferentes. A verdade é que morremos a cada dia e nascemos a cada dia. Estamos permanentemente nascendo e morrendo. Por isso, o problema do tempo nos afeta mais do que os outros problemas metafísicos.
Pedro Bondaczuk

Polêmica em torno da morte de Camus

Afinal, a morte de Camus foi acidental, como sempre constou, ou foi causada por uma diabólica trama assassina de quem, eventualmente, quisesse calá-lo? Foi acidente ou assassinato? Toda a polêmica começou recentemente, após revelações do escritor e tradutor checo Jan Zambrana, contidas em seu diário, publicado postumamente em forma de livro.
Pedro Bondaczuk

Nossos projetos têm que ser flexíveis

Devemos ter um projeto de vida, para ordenar nossa conduta. Mas não pode ser nada muito rígido. E nem muito de longo prazo. Ou sequer de médio. Para sermos práticos, não convém projetarmos um futuro além do dia seguinte que, mesmo assim, não temos certeza de que estaremos vivos. E para tais projetos, o passado tende a ser essencial. Por que?
Pedro Bondaczuk
Pedro Bondaczuk

A peste negra, foco do romance de Albert Camus

A PESTE NEGRA, FOCO DO ROMANCE DE ALBERT CAMUS A epidemia de que Albert Camus trata em sua obra-prima é a de peste bubônica, também conhecida como peste negra. Se ainda hoje, com todos os recursos tecnológicos de informação – celular, internet, jornais, rádio, televisão etc. etc. etc. – ao nosso dispor, é complicado realizar censos populacionais, o que dizer, então. do ano de 1347, tido e havido como o do auge da tal pandemia?... Leia o restante do artigo pelo link abaixo
Pedro Bondaczuk

Realidade que parece sonho

A vida, muitas vezes, parece-me tão irreal, tão maluca, tão repleta de surpresas (boas e más) e apresenta tantos mistérios insondáveis, que fico, volta e meia, com a estranha impressão de que tudo isso se trate de mero sonho. Claro que não é. Caso fosse, uma dessas duas coisas diferentes (na verdade antagônicas) com certeza iria ocorrer.
Pedro Bondaczuk

Inteligência fotografada

A inteligência é passiva de ser fotografada? Ou seja, é possível obter uma “imagem” (portanto, concreta), de algo que é abstrato? O escritor sérvio Milorad Pavitch entendia que sim. Como? Ele mesmo responde...
Pedro Bondaczuk

Um gênio e seu imortal personagem

O personagem Dom Quixote de La Mancha é uma das maiores criações literárias de todos os tempos. Tanto que, passados mais de 400 anos de sua criação, permanece mais vivo do que nunca, inclusive na mente de pessoas que nunca leram uma única linha do livro em que é uma espécie de anti-heroi (na verdade, não leram nada, de nenhum outro livro), convenhamos, a imensa maioria mundo afora.
Pedro Bondaczuk

Fazer e refazer

O homem tenta, de todas as formas imagináveis, vencer a morte. Não a física, que por uma fatalidade biológica, é a única certeza que tem neste mundo de aparências e mistérios. O que procura é algum tipo de sobrevivência.
Pedro Bondaczuk

TV, educa ou deseduca?

A televisão educa ou deseduca? Essa é uma questão polêmica, com opiniões diversas a propósito. Há, por exemplo, um grupo que só vê defeitos na programação desse veículo, onipresente e incorporado definitivamente à nossa vida. Mas, também, há outro que o defende sem restrições, com vigor. Os que o integram acham que não há absolutamente nada de errado com a televisão.
Pedro Bondaczuk

Grande faro de uma agente literária

Nicholas Sparks, após sucessivos fracassos para publicar seu livro de estreia, topou com um acaso feliz, que modificou todo seu destino. Foi o fato de determinada agente literária, que se emocionou às lágrimas ao ler sua história, acreditar nela e se dispor a arriscar seu prestígio, bancando-a junto a uma editora.
Pedro Bondaczuk

Moto perpétuo

Para quê, ou melhor ainda, para quem escrevemos? O que objetivamos ao colocar no papel nossas opiniões, observações ou emoções? O sucesso pessoal? O acréscimo do patrimônio cultural da humanidade? A satisfação da nossa vaidade? Talvez um pouco de tudo isso.
Pedro Bondaczuk

Permanente estado de beligerância

Há pessoas que vivem num permanente estado de beligerância, quer com o próximo, quer com o mundo, quer com elas próprias. Esperam sempre o pior e quando o melhor lhes acontece, não o usufruem, por sequer perceberem o bem que recebem.
Pedro Bondaczuk

Pessoas admiráveis e exemplares

Admiro os idealistas, que abrem mão dos próprios interesses e dedicam a vida a lutar por causas nobres e altruístas, que promovam o engrandecimento, a justiça, a dignidade e a solidariedade gerais.
Pedro Bondaczuk

Início de nova era: das trevas à luz

A humanidade permaneceu ágrafa por milênios e milênios sem conta. Quantos? É impossível sequer de se estimar, quanto mais quantificar, por total e absoluta ausência de registros, que nem poderiam existir, pelo simples e lógico fato da inexistência de algum sistema de escrita, mesmo que rudimentar. Por um tempo imenso, predominou, pois, única e tão somente, a tradição oral, para a transmissão de descobertas, histórias, pensamentos, sentimentos etc.
Pedro Bondaczuk

A ponte da imaginação

A imaginação, ou seja, o pensamento através da projeção de imagens na mente, é a base da inteligência. Esta, por definição, nada mais é do que a capacidade de "entender" tudo o que nos cerca, o que vemos, ouvimos, apalpamos, cheiramos e lemos e até o que não existe, "criado" pela nossa mente. Podem ser coisas, pessoas, animais, vegetais, aves ou peixes, não importa.
Pedro Bondaczuk

Armadilha das cidades

As primeiras cidades surgiram, conforme alguns historiadores, há cerca de nove mil anos e foram erguidas para proteger as pessoas de saques de bandoleiros nômades, de tribos bárbaras que recorriam à força para garantir seu sustento e sobrevivência. Devem ter sido lugares agradáveis, onde todos se conheciam e em geral eram ligados por algum laço de parentesco. Sua população era pequena e havia um verdadeiro espírito comunitário.
Pedro Bondaczuk

O marco inicial da Filosofia do Ocidente

O primeiro filósofo ocidental de que se tem notícia é Tales, natural da cidade da Ásia Menor de Mileto, no Sul da Jônia. Isso, em termos cronológicos. Essa primazia, no entanto, deve-se exclusivamente ao fato de ser o primeiro cujo pensamento foi registrado e chegou até nós.
Pedro Bondaczuk

Lições do cotidiano

As pessoas deveriam prestar mais atenção nas pequenas coisas do cotidiano; atentar para os gestos espontâneos de gentileza (e até de amabilidade), que partem de estranhos, de completos desconhecidos, com os quais cruzamos casualmente e que mal são reparados; valorizar atitudes generosas, de solidariedade, com as quais somos agraciados todos os dias, sem que sequer reconheçamos ou atentemos; reconhecer a nobreza, a amizade, o talento, a generosidade e o real valor das coisas ao nosso redor e daqueles que nos cercam, ou com os quais nos encontremos, posto que por acaso.
Pedro Bondaczuk

O mal explicado 7 a 1 do Mineirão

A goleada que a Seleção Brasileira sofreu, diante da Alemanha, na Copa do Mundo de 2014, promovida pelo nosso país, para mim permanece sendo um mistério. Que aqueles 7 a 1 do Mineirão foram o maior vexame da história do nosso futebol é ponto pacífico para muitos.
Pedro Bondaczuk

A complexidade humana

O homem é um ser dotado de uma insaciável curiosidade, que é a "mãe" da sua sabedoria. Procura conhecer de tudo, quer esse conhecimento o conduza a uma evolução, quer lhe traga riscos de sofrer retrocessos ou até mesmo o leve à autodestruição (como são os casos dos segredos do átomo e da estrutura genética, capazes de fazer a espécie humana desaparecer do universo se utilizadas de forma inadequada).
Pedro Bondaczuk

Fenômeno ignorado na ficção

O futebol, por exemplo, é mais importante do que a religião, embora as pessoas neguem enfaticamente essa tola opção. Até mesmo shows musicais, dos mais populares astros e estrelas do rock, bastante concorridos, não se aproximam, sequer remotamente, em termos de interesse, ao que é despertado no público por competições esportivas. E nem mesmo me refiro a Copas do Mundo ou Jogos Olímpicos.
Pedro Bondaczuk

Saboreando duplamente a vida

O escritor, não importa o gênero que utilize para expor sua criação, é, sobretudo, o cronista do seu tempo. Escrever e partilhar os textos com milhares, milhões de pessoas que não se conhece, é um ato de generosidade. Ainda mais quando essa partilha é espontânea, gratuita e, portanto, sem nenhum custo, como muitos escritores fazem utilizando esse instrumento fantástico (quando usado com critério, responsabilidade e sabedoria) que é a internet.
Pedro Bondaczuk

O destino da humanidade nas asas das abelhas?

Albert Einstein, questionado a respeito, no início da década de 50 do século passado, quando a extinção desses utilíssimos insetos não passava de remotíssima e improvável hipótese, alertou: "Quando as abelhas desaparecerem da face da Terra, o homem tem apenas quatro anos de vida". Exagero? Tomara que sim!
Pedro Bondaczuk

Um trem para as estrelas

Em todos os países de Primeiro Mundo (e nos mais sensatos do Terceiro), esse meio de transporte é cuidado, preservado, modernizado e ampliado. Enquanto isso, nossos trens e estações vão se transformando em sucata. Afinal, são os velozes, modernos, seguros e confortáveis TGVs que circulam no fantástico (e quase falido) Eurotúnel, que faz a ligação, por baixo do Canal da Mancha, entre a França e a Grã-Bretanha. Dá uma inveja enorme quando vejo os bólidos, que chegam a trafegar a até 400 quilômetros horários sobre trilhos, no Japão e em muitas partes da Europa.
Pedro Bondaczuk

O que precisamos saber?

O ato de pensar é um mistério (pelo menos para mim e, suponho que, também, para os especialistas que se debruçam no estudo da mente humana). Envolve inúmeras indagações e poucas (talvez nenhuma) certezas. Seu produto é abstrato: é o “pensamento”, que pode ser definido como concepção, combinação e comparação de idéias. Como se dá tal processo? O homem é o único animal que tem essa capacidade?
Pedro Bondaczuk

Fera saciada

Jamais poderemos considerar o homem como “civilizado”, a despeito dos seus avanços nos mais diversos campos do conhecimento, como os da ciência, tecnologia, artes, filosofia etc. Infelizmente, o que ainda se vê no mundo (e que se teme que venha a piorar muitíssimo), é o homem como inimigo do homem, em vez de seu aliado para o bem comum. Ainda assim, conservo, contra todas as evidências, uma pontinha de otimismo (sempre fui incorrigível otimista). Mas esta torna-se crescentemente menor em vista do que constato, leio, vejo e ouço a respeito dessa iminente catástrofe, sem que ninguém mova uma palha sequer para evitar. Afinal, otimismo não é e nem deve ser sinônimo de alienação.
Pedro Bondaczuk

Do outro lado do deserto

A saída do Egito, e a miraculosa travessia do Mar Vermelho, não significaram o fim da luta do povo hebreu. Na verdade, foi somente o começo. Havia longo e inóspito deserto a ser vencido antes de alcançar a tão sonhada terra prometida. Foram longos, penosos e duríssimos quarenta anos de sacrifícios, sobressaltos, desânimos, exortações e fortalecimento espiritual, necessários para consolidar a coesão nacional e estabelecer as bases legais (e, sobretudo, morais) para o estabelecimento do novo Estado.
Pedro Bondaczuk

Adoradores da vida

“Os maiores romancistas da humanidade foram grandes adoradores da vida. É um erro pensar que o romancista inventa histórias para fugir da vida. Pelo contrário. O que o leva a escrever romances é o desejo tumultuoso de multiplicá-la!”. Quem fez essa lúcida e pertinente afirmação foi um dos meus escritores preferidos, Érico Veríssimo, no ensaio "Os problemas do romance" (publicado no jornal Folha da Manhã, em 13 de agosto de 1939 e reproduzido no livro "Figuras do Brasil - 80 autores em 80 anos de Folha"). Essa observação cabe como uma luva em uma das figuras mais controvertidas da literatura mundial da atualidade que tive a oportunidade e a honra de conhecer pessoalmente: o norte-americano Eugene Luther Gore Vidal.
Pedro Bondaczuk

Ignorância e negligência…

O conhecimento, desde que o homem primitivo tomou consciência de si e do universo que o rodeia, se expandiu, de tal sorte, que é impossível a qualquer pessoa, por mais genial e bem-dotada que seja, saber de tudo o que há. História, ciências, artes, tecnologia etc., estão em permanente expansão. E, cada uma dessas disciplinas, exige especialização. Ainda assim, mesmo os especialistas de cada uma dessas áreas, não conseguem apreender sequer ínfima parcela do conhecimento delas. Gostemos ou não, admitamos ou não, somos, em alguma medida, todos “ignorantes” de alguns assuntos
Pedro Bondaczuk

E quando estivermos indefesos?

Como a nossa realidade, a dos adultos, é interpretada por uma criança? Certamente não é da mesma forma como a interpretamos. Costumamos justificar nossas atitudes, principalmente as mais incoerentes, em vez de buscar agir com maior coerência. O que as crianças acham da nossa hipocrisia, da nossa ganância, do nosso falso joguinho em que são as aparências que contam e, principalmente, da nossa incoerência?
Pedro Bondaczuk

O fim é que conta

Há quem chegue ao extremo de desacreditar de tudo e de todos e que desista, até mesmo, das pessoas que ama. Nada pior e mais injusto do que isso. Os obstáculos têm que ser encarados como desafios, até como privilégios que a vida nos proporciona, por se tratarem de oportunidades para mostrarmos nosso valor.
Pedro Bondaczuk

Paixão obsessiva por um fantasma

O livro “O Aleph” é tido e havido por parte considerável dos críticos literários como o melhor que Jorge Luís Borges publicou. Discordo. Considero “toda” sua obra num mesmo patamar (e superior) de qualidade, de inventividade e de criatividade, quer a ficcional, quer a de não-ficção. Foi um escritor único! Foi desses homens de letras tão originais que ninguém sequer se aproximou, mesmo que remotamente, dele no quesito originalidade. Seus contos seguem a linha do realismo fantástico e nos induzem ao raciocínio, à reflexão, ao estabelecimento de inusitados parâmetros, diversos dos que estamos acostumados a lidar para aferir o homem, o mundo, o universo e o que entendemos como “realidade”.
Pedro Bondaczuk

A inesquecível virgem dos lábios de mel

A literatura brasileira, tanto a de ficção quanto a de não-ficção, é riquíssima, no entanto, pouco e mal divulgada. Fica a impressão, ao leitor desavisado, que nosso país é um deserto de criatividade em que despontam, apenas, alguns raros e esparsos bons escritores. Nada mais falso! Temos magníficos ficcionistas, romancistas, contistas e novelistas de mão cheia, que nada ficam a dever aos melhores, aos grandes expoentes internacionais. Em seus tantos livros, óbvio, criaram e criam personagens marcantes, quer masculinos quer femininos, que retratam, com exatidão, nosso povo, nossas características físicas, nossos costumes, tradições, enfim, nossa variada cultura, influenciada por outras tantas, alhures, trazida para cá por imigrantes procedentes de praticamente todas as partes do mundo.