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Pedro Bondaczuk

O fim é que conta

Há quem chegue ao extremo de desacreditar de tudo e de todos e que desista, até mesmo, das pessoas que ama. Nada pior e mais injusto do que isso. Os obstáculos têm que ser encarados como desafios, até como privilégios que a vida nos proporciona, por se tratarem de oportunidades para mostrarmos nosso valor.
Pedro Bondaczuk

Paixão obsessiva por um fantasma

O livro “O Aleph” é tido e havido por parte considerável dos críticos literários como o melhor que Jorge Luís Borges publicou. Discordo. Considero “toda” sua obra num mesmo patamar (e superior) de qualidade, de inventividade e de criatividade, quer a ficcional, quer a de não-ficção. Foi um escritor único! Foi desses homens de letras tão originais que ninguém sequer se aproximou, mesmo que remotamente, dele no quesito originalidade. Seus contos seguem a linha do realismo fantástico e nos induzem ao raciocínio, à reflexão, ao estabelecimento de inusitados parâmetros, diversos dos que estamos acostumados a lidar para aferir o homem, o mundo, o universo e o que entendemos como “realidade”.
Pedro Bondaczuk

A inesquecível virgem dos lábios de mel

A literatura brasileira, tanto a de ficção quanto a de não-ficção, é riquíssima, no entanto, pouco e mal divulgada. Fica a impressão, ao leitor desavisado, que nosso país é um deserto de criatividade em que despontam, apenas, alguns raros e esparsos bons escritores. Nada mais falso! Temos magníficos ficcionistas, romancistas, contistas e novelistas de mão cheia, que nada ficam a dever aos melhores, aos grandes expoentes internacionais. Em seus tantos livros, óbvio, criaram e criam personagens marcantes, quer masculinos quer femininos, que retratam, com exatidão, nosso povo, nossas características físicas, nossos costumes, tradições, enfim, nossa variada cultura, influenciada por outras tantas, alhures, trazida para cá por imigrantes procedentes de praticamente todas as partes do mundo.
Pedro Bondaczuk

Uma inesquecível menininha má

O escritor peruano, Mário Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura de 2010, criou várias personagens femininas, com perfis, personalidades, ações e reações as mais diversas. Até aí, eu não disse nada de novo ou de original. Limitei-me ao óbvio. O escritor peruano conferiu, a muitas, papéis, digamos, de protagonistas, de figuras centrais nos enredos e não o de meras “figurantes”. Algumas são tão importantes que são citadas em títulos de muitos de seus 19 romances e cinco peças teatrais. De outras, menciona características que as identificam de cara. São os casos de “Tia Júlia e o escrevinhador”, de “História de Mayta”, de “Travessuras da menina má”, além de “A menina de Tacna”, “Kathie e o hipopótamo” e “La Chunga”, estas três últimas obras para serem encenadas no palco.
Pedro Bondaczuk

O lampejo que resultou numa obra-prima

Muitos livros de ficção nascem de outros livros que você esteja lendo ou tenha lido. Não se trata de plágio. Como no caso de conversa com amigos, que citei, determinado trecho da obra em questão que estiver lendo pode produzir o tal repentino e velocíssimo lampejo, como o que às vezes é produzido no tal bate-papo informal. E o processo para a redação do “primoroso” romance que pode projetá-lo no cenário literário é o mesmo que citei antes, com idênticas condições. Foi assim, por exemplo, de forma tão casual, que nasceu o best-seller “A casa das sete mulheres”.
Pedro Bondaczuk

Fracasso como motor do sucesso

O escritor francês Honoré de Balzac foi um sujeito do tipo em que as circunstâncias da sua vida rivalizam, em interesse, com a obra que produziu. E olhem que esta foi assombrosa, tanto em quantidade, quanto em qualidade. Foi gênio das letras e isso ninguém discute. Basta ver a quantidade de escritores que influenciou, a maioria hoje clássicos da Literatura mundial, entre os quais inclui-se o nosso Machado de Assis. O sujeito foi um fenômeno! Entre outras coisas, devemos-lhe a criação do Realismo nas letras mundiais. Notabilizou-se por suas agudas observações psicológicas, sobretudo das mulheres (mas não somente delas), que compreendia como poucos. Não por acaso, virou “adjetivo” das figuras femininas de determinada idade.
Pedro Bondaczuk

Personagens femininas de Monteiro Lobato

O escritor Monteiro Lobato criou alguma personagem feminina inesquecível? Esta é a pergunta, em tom de “pegadinha”, que mais tenho ouvido de uns tempos para cá. Esse questionamento acentuou-se notadamente desde que passei a abordar o tema referente ás mulheres protagonistas de grandes romances, contos e novelas na literatura mundial. O assunto, por si só, é tão polêmico como este homem de letras, adorado por gerações que leram seus livros voltados à faixa infantil quando crianças e odiado por políticos e por pessoas que não aceitam opiniões contrárias às suas e que tentam destruir quem as emite. A biografia de Monteiro Lobato é tão rica que renderia uma infinidade de comentários que, certamente, gerariam acalorados debates, com opiniões favoráveis e contrárias ao que foi e, sobretudo, às suas ações. Esse, porém, não é o tema destas minhas considerações.
Pedro Bondaczuk

Tereza Batista cansada de guerra

As personagens femininas criadas por Jorge Amado (pelo menos a maioria delas), têm algumas características comuns. Emergem, por exemplo, das camadas populares, daquelas famílias mais pobres, na verdade miseráveis, que sobrevivem no sertão nordestino, assoladas por periódicas secas, cuja luta pela sobrevivência é heroica epopéia. São apresentadas precocemente ao sexo. São estupradas ainda muito meninas e não raro são “vendidas” pelos pais ou tutores a algum coronel, como recurso desesperado e derradeiro para sobreviverem. Algumas acabam parando em prostíbulos, para satisfazer caprichos lúbricos de poderosos, que ademais não vêem nelas seres humanos, mas objetos para seu prazer. Todavia, reagem, com os recursos naturais, instintivos que têm, com uma força interior imensa e insuspeitada e mudam de vida. Revelam-se figuras humanas magníficas, inspiradoras e exemplares, no sentido de jamais se entregarem às circunstâncias, por mais trágicas que pareçam e que sejam.
Pedro Bondaczuk

A sedutora Gabriela com cheiro de cravo e canela

A sensual caboclinha Gabriela, com cor e cheiro de cravo e canela, impressiona, fascina e apaixona não somente o turco Nacib, que se rende aos seus encantos, mas a qualquer pessoa normal e de bom gosto que a conheça através da pena inspirada de seu criador, Jorge Amado. É uma das personagens femininas mais cativantes da literatura, e não somente brasileira. Basta atentar para o sucesso do livro em que é a protagonista, nas mais diversas partes do mundo, sem falar nas versões para o cinema e para a televisão desse marcante romance. Não há como negar que se trata de figura inesquecível, não somente pela sensualidade, que lhe é inerente, que nela é natural e não forçada como a de muitas mulheres bonitas, mas também por sua alegria de viver, sua descontração e seu jeitão de moleca.
Pedro Bondaczuk

Dona Flor e seus dois maridos

O que é mais importante para uma mulher “normal”: um marido boêmio, eternamente desempregado, beberrão, jogador, mas, como se diz no popular, “bom de cama”,ou um parceiro totalmente oposto, que seja calmo, equilibrado, responsável, bom provedor (desses que não deixam faltar nada em casa) e ainda, de quebra, diligente poupador, contudo, na hora do sexo... monótono, trivial, incompetente, desses que o fazem praticamente por pura obrigação? A maioria, provavelmente, apontará o segundo, embora no íntimo, sonhe com o primeiro. O ideal, claro, seria um que reunisse a competência sexual do primeiro, mas as outras características todas do segundo. Mas... nem todas conseguem alguém assim. Não posso jurar que seja a regra, mas também não garanto que não seja.
Pedro Bondaczuk

As mulheres de Jorge Amado

O baiano Jorge Amado é consenso entre críticos literários, pesquisadores e leitores afeitos à leitura quando o assunto é qualidade e importância para a Literatura brasileira. Está para sempre num seleto grupo encabeçado por Machado de Assis, cada qual com seu estilo, sua temática e sua contribuição às letras nacionais, mas todos imprescindíveis. Antes do surgimento do “fenômeno” editorial chamado Paulo Coelho, Jorge Amado era o escritor brasileiro mais traduzido, mais vendido e, por conseqüência, mais lido em âmbito mundial. Ainda hoje sustenta esse status, mesmo que na segunda colocação, apreciado em todos os continentes onde haja alguém interessado em boa literatura. É, desde que me conheço por gente, um dos meus gurus, quando o assunto é ficção.
Pedro Bondaczuk

A maldição de Midas

Há pessoas que parecem ter esse mesmo encanto de Midas, mas ao contrário deste, não admitem se tratar de grande maldição. Tudo o que tocam parece virar ouro, que juntam, juntam e juntam, sem saber o que fazer com ele. Não sabem usufruir a fortuna que têm. Desconhecem que os verdadeiros bens da vida são imateriais. Esses insensatos, cuja ambição desmedida se concentra exclusivamente na fortuna, nunca têm certeza, por exemplo, de serem, de fato, amados. Não sabem se o “amor” que lhe juram devotar é genuíno ou se é mero fruto de interesses. O mesmo vale para as amizades, na verdade quase todas interesseiras mesmo.
Pedro Bondaczuk

Uma vilã inesquecível

O escritor russo, Fiodor Dostoievski, é uma das figuras mais pitorescas, trágicas e humanas não somente da Literatura mundial, mas também como indivíduo. O mínimo que se pode dizer sobre seus livros é que eles são, todos, “intensos”. São carregados de paixão em seus extremos, tanto para o bem quanto para o mal, tanto de amor quanto de ódio. Creio ser desnecessária uma apresentação formal mais extensa dele, porquanto muito já se escreveu a seu respeito e sobre sua obra, pontilhada de tragédias (como, ademais, trágica foi sua vida). Entre seus romances mais comentados (e mais apreciados) está “O idiota”, que ele escreveu em Florença, em uma de suas tantas viagens pela Europa, para escapar do implacável assédio de credores. Dostoievsky vivia sempre endividado, com a corda no pescoço, nas mãos de agiotas, por causa do seu vício de jogo. Era um perdedor nato. Deixou fortunas em vários cassinos europeus, notadamente de Monte Carlo. Escrevi muito a seu respeito e considero, portanto, redundante voltar a tratar de sua mirabolante biografia.
Pedro Bondaczuk

A cor da ausência

As cores, metaforicamente, simbolizam coisas e situações. Por exemplo, o verde representa a esperança; o vermelho, paixão; o rosa, felicidade e assim por diante. Esse expediente é bastante utilizado pelos poetas em seus versos. Uma das cores mais ambíguas, porém, nessa simbologia, é o azul. Para uns, simboliza o sonho. Para outros, é a cor da tristeza. Para outros, ainda, tem o significado da tranqüilidade. Concordo, todavia, com os que a utilizam para figurar a ausência. Por que? Não saberia explicar.
Pedro Bondaczuk

Insatisfação criadora

A insatisfação é a mola propulsora de todas as realizações humanas, seja em que campo for. Afinal, o sujeito satisfeito com tudo, que não sente nenhuma vontade de ter ou de fazer qualquer coisa e nem nutre nenhuma espécie de ambição, se acomoda. Marca passo. Torna sua vida medíocre, cinzenta e vazia. Não se sente motivado a buscar o mais e nem o melhor. É certo que muitas pessoas levam sua insatisfação a extremos. Por isso, convivem com a infelicidade, gerada pela frustração, já que nem tudo o que se deseja nos é acessível.
Pedro Bondaczuk

Justo tributo a uma ‘fênix’ das artes cênicas

A importância de William Shakespeare é tão grande, notadamente para a dramaturgia mundial, que ele “ganhou”, em fins do século passado, uma espécie de “templo”, onde sua memória é reverenciada e onde suas geniais peças são representadas pelas melhores companhias teatrais inglesas. Trata-se do “The New Globe Theatre”, que hoje é uma espécie de ponto turístico de Londres, visitado por turistas do mundo todo, inclusive pelos que nunca pisaram em um teatro em suas vidas, mas que sabem, mesmo que apenas por alto, quem foi o ilustre dramaturgo ao qual ele é dedicado. A idéia dos promotores dessa oportuna homenagem foi a de reproduzir, com a maior fidelidade possível, a casa de espetáculos original, da era elisabetana, com esse mesmo nome (sem o “New”, evidentemente), da qual o bardo inglês, inclusive, foi um dos sócios.
Pedro Bondaczuk

No devido contexto

O célebre monólogo criado por William Shakespeare no ato 3, cena 1 da peça “A trágica história de Hamlet, príncipe da Dinamarca”, tem sido interpretado de formas variadas, porquanto comporta diferentes interpretações. Contudo, um equívoco, bastante comum, tem a ver com (digamos) a continuidade dessa célebre produção. Para que ela seja devidamente entendida (e aproveitada) é indispensável que seja lida (e representada) no devido contexto. Há, por exemplo, quem situe o famoso dilema "Ser ou não ser" em parte do enredo em que ele, de fato, não está. O monólogo não se dá, como já li muitas vezes, na cena em que Hamlet, no cemitério, segura a caveira de Yorick, o falecido bobo da corte.
Pedro Bondaczuk

A aparência de Shakespeare

A fisionomia de William Shakespeare é um dos tantos mistérios que cercam essa figura enigmática. Como tudo o que se refere a ele, é, também, questão que gera ácidas polêmicas que não têm fim. Volta e meia anunciam-se descobertas de supostos retratos dele, pintados por algum determinado pintor, anúncio que é imediatamente desmentido, ou contestado ou posto em dúvida por muitos. Quanto mais o tempo passa, mais aumenta a curiosidade das pessoas sobre como ele era. O próprio Shakespeare, em um dos sonetos dedicados à não menos enigmática e misteriosa “Dark Lady”, dá uma dica de como era sua aparência, ao afirmar que era “um homem de meia idade e meio calvo”. Mas saber, saber de fato qual era sua fisionomia – mesmo admitindo que a pintura recém descoberta na mansão do Duque de Chandos, que os peritos da National Portrait Gallery atestam serem, mesmo, do mítico poeta e dramaturgo – ninguém sabe. Creio que jamais se saberá.
Pedro Bondaczuk

Providencial milagre do acaso

Tenho plena convicção, sem precisar de nenhuma prova, que alguma produção de William Shakespeare está em cartaz, neste exato momento, em algum teatro do mundo, atraindo grandes públicos. Quem sabe se trate até de alguma que se constituiu em contundente fiasco quando encenada em Londres pela primeira vez. Sequer preciso de comprovação para afirmar isso com tanta certeza dada a qualidade das suas peças e a empatia que promovem com os espectadores. Admiração maior, todavia, causa-me a aceitação da obra poética de Shakespeare. Ele publicou (em 1609) um único livro “Sonetos”, com escassas 154 composições do tipo e foi o quanto bastou para se imortalizar. É certo que contou com a ação do acaso para ser protagonista de uma improvável e rara “ressurreição literária”.
Pedro Bondaczuk

Ressurreição da memória

Muitos ignoram que Shakespeare chegou a ser praticamente esquecido ao longo de todo o século XVII. Já no XVIII, voltou, é verdade, a ser lembrado, mas para ser ironizado por diversos pensadores, sobretudo pelo filósofo francês Voltaire, sem que, obviamente, pudesse se defender. Mas esses ataques acabaram tendo efeito contrário ao pretendido pelos detratores. É aquela história do “falem mal, mas falem de mim”. A roda da fortuna girou, o acaso lançou seus dados e eis que, subitamente, a obra de Shakespeare voltou à tona, no século XIX, com muito mais força do que antes e se mantém no topo até hoje.
Pedro Bondaczuk

Obra atual com mais de 400 anos!

O poeta, dramaturgo e ator inglês, William Shakespeare, cujos 450 anos de nascimento foram celebrados em 2014, é dessas figuras maiúsculas, cuja obra é intemporal. Em 2016, esse gênio da Literatura mundial voltará a ser alvo das atenções gerais (embora em tempo algum tenha saído de cena). Por que? Pelo fato desse ano marcar o quarto centenário da sua morte, em 23 de abril de 1616 (aos 52 anos de idade). A produção literária e, sobretudo, dramatúrgica de Shakespeare vem atravessando, séculos, dada sua principal característica (além da inegável qualidade): conserva raro frescor de atualidade. Não envelhece, como tantas obras de seus contemporâneos, que caíram no completo esquecimento por não atraírem leitores deste século XXI, pois suas mensagens nada têm a ver conosco e com o nosso tempo. São todas “datadas”.
Pedro Bondaczuk

O romantismo não morreu

As manifestações de amor mudaram. O namoro, hoje, por exemplo, é muito diferente do tempo dos nossos avós e de nossos pais (e mesmo do nosso tempo, caso tenhamos algumas dezenas de anos nas costas). As mudanças foram para melhor? Pioraram os relacionamentos? Depende de quem avalia. Para uns, os costumes atuais são mais adequados e os dos antepassados chegam a soar ridículos. Para outros, é o contrário. Quem está certo? Quem está errado? Insisto, depende de quem avalia. Hoje, por exemplo, ninguém mais escreve cartas apaixonadas para as namoradas, ou companheiras, ou seja qual for a condição da outra pessoa pela qual se esteja apaixonado, ou interessado, como queiram. Em vez disso, redigem-se e-mails. Ou nem isso. Muitos (e põe muitos nisso!) limitam-se a postar mensagens em alguma das tantas redes sociais e basta. Nem por isso quem procede assim deixou de ser romântico. Afinal, lembrou-se da pessoa amada ou estimada ou que lhe desperte qualquer tipo de interesse.
Pedro Bondaczuk

A opinião pública

A opinião da maioria deve, “sempre” prevalecer e ser acatada por todos, como suposta atitude democrática? Depende! Caso seja rigorosamente correta, sem a mínima margem para dúvidas, e, portanto, justa e construtiva, a resposta é, óbvio, afirmativa. Mas não pelo fato de contar com a convicção (ou pelo menos com se não o apoio, a adesão) do maior número de pessoas. Esse não é fator determinante. O motivo dela dever prevalecer nesses casos específicos é o fato de satisfazer condições básicas, como veracidade, justiça e construtividade. Portanto, isso anula o “sempre” da proposição.
Pedro Bondaczuk

Todo mundo quer permanência

Poesia não pode ser lida como se leem textos de outros gêneros, como romance, conto, novela, crônica etc.etc.etc. Tem que ser degustada, saboreada, sentida, como uma comida saborosa, como nutritivo maná, como a ambrosia dos deuses, posto que delícia para o intelecto e, sobretudo, para o espírito e não para a carne. A leitura tem que ser feita sempre em voz alta, para que os ouvidos identifiquem o som de cada uma das palavras escritas, para que a alma baile leve e solta com sua musicalidade. Sua mensagem deve ser interpretada pelo leitor, respeitando, rigorosamente, a pontuação. Além disso, poesia exige releituras, não duas ou três, mas uma quantidade incontável delas. É assim que as leio. Foi assim que proporcionei régio banquete à alma com os versos de Márcia Mendes.
Pedro Bondaczuk

O mistério do sonho

O sonho... O que é o sonho? Vocês já se fizeram essa pergunta? Provavelmente sim. Eu faço-a com constância, contudo nunca cheguei a uma conclusão que fosse minimamente convincente. Não me refiro, aqui, àqueles desejos íntimos, muitas vezes tão secretos que não revelamos a ninguém, nem à pessoa na qual depositemos irrestrita confiança. Não é nisso que estou pensando. E nem penso nos ideais de extrema dificuldade de se conquistar, que desejamos ardentemente e que, se realizados, justificariam, até, nossa existência. Essas duas situações também são classificadas, posto que metaforicamente, de sonhos.
Pedro Bondaczuk

Corrida de obstáculos

A vida dos mais de seis bilhões de seres humanos que habitam o planeta é uma corrida de obstáculos, desde o momento da concepção, até a extinção, sem prazo determinado para ocorrer. A morte ronda a cada um de nós, em cada instante e lugar. Pode nos surpreender tanto ainda no útero materno, quanto uma centena de anos, ou mais, após nosso nascimento, e geralmente sem qualquer aviso prévio. A duração da nossa vida, portanto, é como uma roleta não viciada: depende do acaso, das circunstâncias ou do nome que se queira dar. Raros têm a felicidade de concretizar, na idade madura, os sonhos dourados da infância. Sem empenho, então... o fracasso é mais do que certo. No jornalismo, ou em qualquer outra atividade, profissional, artística ou social, não basta sonhar, ter um ideal, estabelecer metas, para lograr atingir os objetivos. É preciso correr atrás do que se quer, com organização, empenho, autodisciplina e persistência.
Pedro Bondaczuk

Cordialmente odiados

O jornalista pode ser respeitado pelo currículo que ostenta, admirado pelas reportagens corajosas e detalhadas que já publicou ao longo da carreira, e até “glorificado” pelos diversos prêmios jornalísticos que conquistou. Todavia, salvo raríssimas exceções, não é amado – como muitas vezes, equivocadamente, supõe – por essa mesmíssima sociedade a que se propôs a defender. Pelo contrário... chega a ser “cordialmente odiado”. Seu trabalho, por mais honesto, responsável e competente que seja, é, em geral, posto liminarmente sob suspeição e cercado de desconfiança.
Pedro Bondaczuk

A música na obra de Machado de Assis

A música é assunto onipresente na vasta e eclética obra de Machado de Assis, quer na ficcional (romances e contos), quer em suas crônicas e críticas de arte. Desconheço (embora não afirme que não haja) a existência de qualquer outro escritor (brasileiro ou não), que tenha atribuído tanta importância e tratado com tamanha insistência, em quantidade mesmo que remotamente parecida, dessa manifestação artística. Discordo, todavia, dos que caracterizam essa recorrência temática como “obsessão”. Não chega a tanto. E mesmo que fosse, seria louvável, não é mesmo? Afinal, o que seria do mundo, tão violento e perigoso, sem a existência da música? Seria, certamente, no mínimo, muito mais triste e sem graça do que já é.
Pedro Bondaczuk

Machado de Assis e o teatro

O teatro sempre foi uma das grandes paixões de Machado de Assis. Desde muito cedo, quando ainda era praticamente um garoto, o futuro escritor já freqüentava os meios teatrais. Dialogava com atores. Trocava idéias com diretores. Fazia sugestões, e pertinentes, aos autores de peças. Enfim, “enturmava-se” naquele ambiente que tanto o fascinava. Certamente, nessa época, deve ter cogitado em seguir carreira como autor teatral. E, de certa forma, seguiu. Afinal, foi o autor de dez peças, muitas das quais nunca encenadas, mas todas publicadas, entre os anos de 1860 e 1906. Ou seja, até, praticamente, véspera de sua morte, ocorrida em 1908.
Pedro Bondaczuk

Trabalhando duro para sobreviver

A Literatura, no Brasil, ainda é (e sempre foi) considerada “o patinho feio” da cultura nacional. Sequer é, oficialmente, profissão. Nossos escritores (salvo raríssimas exceções) não conseguem sobreviver só com a parca e incerta remuneração advinda da venda de seus livros, não importa a quantidade que publiquem. Nunca conseguiram. Todos têm que exercer (e exerceram) outras atividades remuneradas, ligadas ou não às letras, para assegurar o sustento. Alguns atuam profissionalmente no jornalismo (desconfio que a maioria), tendo a Literatura como uma espécie de “bico”, quando não de hobby. Outros tantos advogam, ou exercem a medicina, ou são engenheiros, ou lecionam, ou são servidores públicos (municipais, ou estaduais ou federais) e vai por aí afora.
Pedro Bondaczuk

Testemunha do Rio do Segundo Império

“O escritor é testemunha do seu tempo de vida, mesmo que não se dê conta. Cabe-lhe, entre suas tantas tarefas, a de registrar hábitos, costumes, problemas, contradições etc.etc.etc. da sua época”. Esta é a maneira com que introduzi uma de minhas tantas crônicas, nas quais defendi, com argumentos diferentes (mas complementares) a tese que o ficcionista (romancista, novelista, contista) é o verdadeiro historiador de um país e, principalmente, de uma cidade. Isto, claro, quando faz dela cenário de seus enredos. Apresenta aos leitores do futuro a História que realmente importa: a que registra como as pessoas eram, onde moravam, o que vestiam, como se divertiam, o que pensavam etc.etc.etc. Nesse aspecto, Machado de Assis foi imbatível em relação ao Rio de Janeiro, e por conseqüência, ao Brasil do século XIX e início do XX, já que a cidade era a capital do então império e posterior República.
Pedro Bondaczuk

A voz do Rio de Janeiro

O jornalista e escritor Luciano Trigo, na introdução do seu livro “O viajante imóvel – Machado de Assis e o Rio de Janeiro de seu tempo”, indaga, a certa altura: “Até que ponto a criação literária é influenciada por aspectos sociais e mesmo geográficos do ambiente?”. Considero essas influências fundamentais, mesmo quando não se revelem ostensivas, ou que seja difícil, se não impossível identificá-las. Mas elas estão ali, em sua obra, ora visíveis, bem à mostra, ora camufladas, desafiando o leitor, o estudioso de Literatura e, sobretudo, o crítico a encontrá-las e revelá-las. Só mesmo uma pessoa insensata, imprudente e tola (para dizer o de menos) escreve sobre o que não conhece.
Pedro Bondaczuk

Gente humilde

As cidades grandes afastam as pessoas. Muitas vezes vivemos em um bairro durante décadas e sequer chegamos a conhecer nosso vizinho do lado. Cruzamo-nos uma infinidade de vezes e na maioria dos casos, o máximo de relacionamento que nos permitimos é um bom dia ou boa tarde, distraídos, ou mero aceno de cabeça. Ou nem isso. Um passa pelo outro como se passasse diante de um ser inanimado, de um boneco, de um robô, de uma miragem, de uma simples visão. A luta pela sobrevivência torna a nossa vida uma perpétua correria. Corremos até quando isso não é necessário e temos todo o tempo do mundo para gastar. A violência urbana afasta-nos de estranhos, por uma questão de prudência, para evitar assaltos e outros contratempos.
Pedro Bondaczuk

Os dez endereços de Machado de Assis

No que se refere a Machado de Assis, em quantas (e quais) casas ele morou? É uma pesquisa bastante complicada, principalmente porque o Rio de Janeiro (a única cidade que viveu em seus 69 anos e da qual raramente se afastou, mesmo que a passeio a outras localidades) sofreu muitas transformações desde a primeira metade do século XIX até este ano de 2015 do século XXI. Creio, porém, que da mesma forma que esse aspecto da vida de Machado de Assis despertou minha curiosidade, desperta, também, a sua, meu assíduo leitor. Arregacei, pois, as mangas e parti para a pesquisa, enfrentando obstáculos de toda a sorte, e, curiosamente, não por carência de fontes, mas pelo excesso. Ocorre que há uma série de controvérsias entre um e outro registro de biógrafos e pesquisadores, em especial no que se refere à numeração das respectivas residências. Muitas, comprovadamente, mudaram de número com o tempo. Outras tantas, porém, mesmo mantidas, são fornecidas de uma forma, por determinados biógrafos e de outra por outros. Optei pela informação oficial. Pelo excelente e detalhado relatório da “Coordenação e Proteção” da Prefeitura do Rio de Janeiro, mais especificamente, da sua “Gerência de Cadastro e Pesquisa”.
Pedro Bondaczuk

A verdadeira musa de Machado de Assis

O relacionamento de Machado de Assis com Carolina Augusta Xavier de Novaes – considerando namoro, noivado, casamento e vida conjugal de quase 35 anos –...
Pedro Bondaczuk

Fixação de Machado de Assis por borboletas

Os títulos dos dois primeiros livros de Machado de Assis (por sinal, ambos de poesias), respectivamente “Crisálidas” e “Falenas”, sugerem certa fixação (obsessão?) do escritor por borboletas. Seria só coincidência? Não creio, levando em conta a inteligência dele e seu gosto particular por símbolos, ou melhor, por metáforas. O leitor, que não costuma consultar dicionários, provavelmente estará perguntando: “Onde entram as borboletas nesta história?”.Estou certo que não faria esta pergunta (que a maioria certamente não está fazendo) se atentasse para o significado dessas duas palavras. Ou se, caso não soubesse (ninguém é obrigado a saber de tudo), recorresse ao Mestre Aurélio, também conhecido como “Pai dos Burros”, para se esclarecer.
Pedro Bondaczuk

Machado de Assis vai às raízes da brasilidade

O terceiro livro de poesias de Machado de Assis foi “Americanas”, datado de 1875. Na oportunidade o escritor estava próximo da maturidade literária, do seu período mais criativo e fértil, que seus biógrafos consideram como sendo o a partir dos seus 40 anos de idade. Embora sem chegar, ainda, ao auge, estava muito próximo dele. Já gozava, com justiça, de bastante prestígio nos círculos intelectuais e mantinha copiosa produção, notadamente na imprensa, em jornais e revistas. “Americanas”, publicado quando Machado de Assis estava com 36 anos de idade, foi o terceiro livro de poesias, mas não o terceiro de sua então já considerável bibliografia.
Pedro Bondaczuk

O inovador segundo livro de Machado de Assis

O segundo livro de Machado de Assis, também de poesias – o primeiro, recorde-se, foi “Crisálidas”, lançado em 1864 – foi “Falenas”. Foi publicado em 1870, quando o autor tinha completado 31 anos de idade e já estava casado. Essa obra ainda faz parte da sua fase Romântica, posto que com várias inovações formais e temáticas que o diferenciaram (e muito) de outros escritores dessa escola literária. É composto por 28 poemas, com os seguintes títulos: “Flor da Mocidade”, “Quando Ela fala”, “Manhã de Inverno”, “La Marchesa de Miramar”, “Sombras”, “Ite missa est”, “Ruínas”, “Musa de Olhos verdes”, “Noivado”, “A Elvira”, “Lágrima de Cera”, “Livros e Flores”, “Pássaros”, “O Verme”, “Un vieux pays”, “Luz entre Sombras”, “Lira Chinesa”, “Uma Ode de Anacrionte”, “Pálida Elvira”, “Prelúdio”, “Visão”, “Menina e Moça”. “No Espaço”, “Os Deuses da Grécia”, “Cegonhas e Rodovalhos”, “A um Legista”, “Estâncias a Emma” e “A Morte de Ofélia”.
Pedro Bondaczuk

O poeta Machado de Assis

A genialidade de Machado de Assis foi tamanha que, ainda hoje, 107 anos após sua morte, ele concorre apenas com ele mesmo em termos de qualidade e de importância para a Literatura (e não somente a brasileira, frise-se). Explico. Quando seu nome vem à baila, a imensa maioria pensa nele como autor de marcantes romances, como “Memórias póstumas de Braz Cubas”, “Dom Casmurro”, “Quincas Borba” ou mesmo “Esaú e Jacó”, entre os nove quer legou à posteridade. Ou, quem é um tantinho melhor informado, associa-o á maioria dos seus revolucionários contos, dos mais de duzentos que escreveu, reunidos em várias e excelentes antologias. Alguns, mais estudiosos, citam, até, seus livros de crônicas. Todavia, pouquíssimos sequer sabem (ou se sabem dão pouco valor) da sua atuação como poeta. Há críticos, baseados não sei sequer no que, que consideram sua poesia “comum”, convencional e indigna, portanto, de análise mais acurada.
Pedro Bondaczuk

O leitor é soberano

A importância de Machado de Assis para a Literatura – e não me refiro só á Brasileira, da qual foi um divisor de águas, mas à atividade literária em si, seja quando e onde for que venha a ser praticada ou que tenha sido no passado – é incomensurável. Foi pioneiro, desbravador e inovador por excelência, quer no que se refira a estilo, quer à temática, quer a outro aspecto qualquer que se relacione a algum escritor. E, por mais que se escreva a seu respeito, dificilmente se fará plena justiça aos seus inúmeros e incomparáveis méritos. Embora críticos de ocasião (que existem aos montes, convenhamos) contestem, sem pleno conhecimento de causa e com base tão somente em estudos superficiais, sua real importância, só tenho uma designação para caracterizar essa personalidade ímpar: gênio, na mais lídima acepção de genialidade.
Pedro Bondaczuk

Antecipação ou simulação da vida?

“A literatura antecipa sempre a vida. Não a copia, amolda-a aos seus desígnios”. Quem escreveu isso foi o polêmico, mas nem por isso menos genial, escritor inglês Oscar Wilde. Esta, todavia, é apenas uma visão específica, entre tantas outras, dessa atividade que tanto fascina e apaixona (e não raro obceca seus cultores e consumidores). Não é a única e nem poderia ser. Cada praticante dessa arte tem sua opinião a respeito (muitas são parecidas, outras tantas, apenas semelhantes, mas raras são rigorosamente iguais). E mais, cada qual tem sua justificativa pessoal para ter escolhido esse caminho (fama, fortuna, desabafo, satisfação íntima, idealismo etc. etc. etc.) Todos, porém, concordam que o foco central da Literatura é a vida, com suas delícias e horrores, condições que tentam entender e transmitir aos leitores.
Pedro Bondaczuk

Trazendo ausentes para junto de nós

Caso eu conheça os respectivos personagens (na maior parte dos casos, artistas, e mais especificamente ainda, escritores, embora não somente estes), consolido o conhecimento que tenho deles. Salvo exceções, escrevo a seu respeito, após reler suas obras (no caso dos que tenham se dedicado à Literatura) ou apreciar seus quadros (se pintores), ouvir suas composições (se compositores) e vai por aí afora. E teço comentários (estritamente pessoais) a propósito. Com isso, amplio e consolido minha cultura artística, além de “engordar” minha pauta de crônicas e ensaios a redigir. É certo que nem sempre me atenho a esse programa informal que é bastante flexível. Mas traço um roteiro a seguir nos 365 dias que tiver à frente.
Pedro Bondaczuk

Aventura repleta de surpresas

A vida é tão variada e surpreendente, que nenhuma situação (boa ou má) que enfrentamos hoje é definitiva. Salvo, claro, a morte. Morrer, todavia, é a antítese do viver. Portanto, não conta neste caso. Afligimo-nos ou nos entusiasmamos prematuramente, achando, em ambos casos, que os motivos das aflições ou dos entusiasmos são irreversíveis. Podem até ser, mas como saber? Não há como! Quando menos esperamos, tudo se modifica, se altera, se embaralha e anula todas as possíveis previsões, e respectivos planos, que tenhamos feito. É esse caráter mutante que mais me fascina e ao mesmo tempo mais me aterroriza nessa magnífica e instável aventura.
Pedro Bondaczuk

A maior moeda do mundo

Qual é a maior moeda do mundo? Em valor, certamente é a libra esterlina inglesa. Em procura, é o dólar norte-americano. Em quantidade de cédulas em circulação é o yuan chinês (país com 1,3 bilhão de habitantes), seguido da rúpia indiana. Mas a pergunta não é bem esta. Refere-se especificamente a "tamanho". E nesse aspecto, ninguém ganha do signo monetário da pequena ilha de Yap, que integra o país (na verdade arquipélago com assento na ONU), chamado Palau, no Pacífico Sul.
Pedro Bondaczuk

Trilha sonora de uma revolução

O rock impôs-se, fixou-se e se consolidou na preferência da juventude dos anos 50 como uma espécie de “trilha musical” de todo um processo de transformação de costumes, que havia começado, destaque-se, pouco antes do grande público conhecê-lo e se apaixonar por ele. Tornou-se símbolo de uma revolução sem armas e nem barricadas, mas que gerou efeitos. O ritmo trepidante, o som estridente da guitarra e, sobretudo, a dança frenética a que o novo estilo musical induzia, refletia bem o espírito de rebeldia, os anseios de renovação geral de toda uma geração que se via aturdida face às incertezas do futuro e que “amadureceu”, ou tentava amadurecer, nos complicados anos imediatamente posteriores ao fim da Segunda Guerra Mundial.
Pedro Bondaczuk

Nossos cenários são incompletos

Não saberíamos nada do século XIX, ou dos primeiros anos do século XX (apenas para citar períodos mais recentes), se escritores como Machado de Assis, Victor Hugo, Honoré Balzac, Fedor Dostoievsky, Charles Dickens, Edgar Alan Poe e vai por aí afora, não descrevessem, com clareza, perícia e objetividade, como eram as cidades do seu tempo: o que as pessoas vestiam, como moravam, como se locomoviam etc.etc. etc. Não sei onde está a dificuldade de dotarmos nossos personagens das mesmas facilidades tecnológicas de que usufruímos.
Pedro Bondaczuk

Fruto do acaso e de teimosia

“Rock Around the Clock”, considerada a “certidão de nascimento” do rock, foi composta em 1953. O curioso é que a gravadora, inicialmente, recusou-se a gravá-la, sob pretexto de que não era “comercial”. Seu compositor, todavia, insistiu, insistiu e insistiu até que teve êxito. A composição foi gravada, mas apenas em 12 de abril de 1954. A princípio, não emplacou, dando razão à gravadora que não via nenhum futuro nela. Halley, contudo, não desistiu. E nem precisava dessa canção – ele já fazia estrondoso sucesso com outra composição sua, “Shake, Rattle and Roll”.
Pedro Bondaczuk

A nossa vez e nossa voz

A liberdade de escolha do artista tem que ser respeitada e irrestrita. Só a ele cabe decidir sobre o que, quando, como e onde criar. Pois a arte, insisto e reitero, é nossa carta de alforria. É nosso "DNA". É nosso ser. É nossa vez. É nossa voz... e não raro única... Não podemos, todavia, nos fiar, apenas, na inteligência no processo criativo. Ela ajuda, não há dúvidas (o sujeito burro praticamente não tem nenhuma chance de sucesso, como destaquei dia desses), mas sozinha é inerme. Precisa do auxílio da sensibilidade. Requer o acréscimo da emoção. Sem esquecer jamais a irrestrita liberdade no ato de criar. A vida, com seus mistérios, oportunidades e armadilhas, tende a ser nosso modelo de arte. Temos que acreditar nela e buscar seus aspectos positivos e mais nobres, como beleza, grandeza e transcendência.
Pedro Bondaczuk

Castelo de encantos e de revelações

A crítica literária de Salim Miguel conta com inúmeras virtudes, mas duas se destacam de imediato, de forma inquestionável: objetividade e simplicidade (mas não confundir simples com simplório, o que nosso personagem não é). Suas análises são claras, meticulosas, diretas e objetivas. São coisas de quem conhece, de sobejo, seu metier, e não só na teoria, mas, sobretudo, na prática. É um escritor avaliando a produção de outros escritores, o que lhe confere a credibilidade de que sempre gozou e que não vejo na maioria dos críticos. Apesar de exercer essa função por quase uma década no Jornal do Brasil do Rio de Janeiro, Salim Miguel publicou, ao que me consta, um único livro de crítica literária: “O castelo de Frankenstein”. Uma pena. Gostaria de ler outras obras suas com essa capacidade analítica ímpar e essa prosa fácil, que atrai e convence.
Pedro Bondaczuk

Transformação de costumes

Algumas práticas caem em desuso, em determinadas épocas e/ou localidades, mas, não raro, acabam retomadas, tempos depois, em outro lugar, com outras características. Ou, até na mesma comunidade onde antes eram comuns, às vezes alteradas em alguns detalhes e, em alguns casos, sem nenhuma mudança, conservando as características originais. Outras, contudo, desaparecem por completo, sem que deixem o mínimo vestígio. Há comportamentos que são restritos a determinadas áreas e regiões e que não se espalham e nem se multiplicam. É o caso específico, por exemplo, da poliandria, ou seja, do casamento de uma mulher com vários homens, prática milenar, ainda em uso em partes da Ásia (notadamente no Himalaia), abrangendo comunidades da Índia (os naires) e do Tibete, além de algumas remotas ilhas do Oceano Pacífico.
Pedro Bondaczuk

A maior façanha da antiguidade

A maneira com que a pirâmide de Queops, no Cairo, foi construída intrigou (e vem intrigando) gerações. Quanto mais se estuda o assunto, mais boquiabertos e encantados ficamos. Nada se sabe de real, de verdadeiro, de factual baseado em documentos (que não existem) a propósito da construção. É um empreendimento que dá margem a especulações de toda a sorte, a possibilidades (talvez não a probabilidades) e a fantasias das mais plausíveis ás delirantes. O assunto é magnífico desafio à imaginação. Num ponto, porém, há consenso: trata-se da maior façanha humana da antiguidade. Talvez, até, de todos os tempos, caso sejam consideradas as circunstâncias da sua construção.
Pedro Bondaczuk

Leitura é ato de fé!

Mas um livro, em si, se não lido, não tem lá muito valor. É verdade que não deixa de se constituir em objeto de decoração, conferindo nobreza e bom-gosto ao ambiente em que for exposto. Mas esta é uma destinação medíocre, muito pobre para esses receptáculos de sabedoria (e, muitas vezes, claro, de burrice), de verdade (e não raro de mentira), de grandeza (e igualmente das misérias humanas).
Pedro Bondaczuk

Tecnologia a serviço da Hidrologia

A avançada tecnologia existente na atualidade pode (e mais do que isso, deve) ser posta a serviço da Hidrologia – “a ciência que estuda a ocorrência, distribuição e movimentação da água no planeta”, conforme definição que colhi na enciclopédia eletrônica Wikipédia – no sentido de preservar, recuperar e ampliar as reservas mundiais desse precioso e indispensável líquido, essencial à vida, que começa a escassear por um sem número de razões. Sem querer ser alarmista, este é um problema que não pode mais ser adiado, antes que se agrave a ponto de se tornar insolúvel.
Pedro Bondaczuk

Dramático alerta olimpicamente ignorado

Dos 2% de reservas de água potável, a maior parte situa-se nas calotas polares e nas geleiras dos arredores. E mesmo essa começa a ser perdida, com o acelerado degelo causado pelo aquecimento global, com o líquido aproveitável misturando-se ao dos oceanos. Somente 0,14% da água doce, própria para o consumo humano, para a irrigação e para a indústria, provêm de rios, lagos e mananciais. A poluição, todavia, está aniquilando essas valiosíssimas reservas hídricas, que deveriam, óbvio, ser preservadas ciosamente, como o que a humanidade tem de mais precioso (o que logicamente é), até pela facilidade de sua captação e utilização. Responda, esclarecido leitor: é o que vem acontecendo?
Pedro Bondaczuk

Lições de solidão

A verdade é que mesmo sendo escolha nossa (quando é, óbvio), raros suportam muito tempo de solidão. Pior é a ditada pela separação das pessoas que amamos (as que citei acima), mesmo que temporária. Fica-nos na alma dolorosa sensação de vazio, de inquietação, de ansiedade pelo reencontro. Nestes casos, sentimo-nos não só solitários, mas também perdidos, infelizes, amargurados, mesmo que não estejamos rigorosamente sós, posto que em meio a uma multidão. Muito pior ainda é quando a separação é definitiva, ou porque a pessoa querida se mudou para outra cidade muito distante, ou se foi para outro país sem perspectivas de retorno, ou, tragédia das tragédias, quando morre.
Pedro Bondaczuk

Assim se descobriram os vírus

Os vírus, causadores de inúmeras doenças, algumas das quais ainda incuráveis, a despeito de todo o avanço da ciência biológica, ainda são, em muitos aspectos, um enorme mistério para a ciência. Sua detecção, a bem da verdade, é relativamente recente. Até meados do século XIX, era crença generalizada que as doenças eram “todas” de caráter autogênico. Ou seja, que o desarranjo do organismo se devia a suas deficiências próprias, hereditárias ou adquiridas em decorrência de maus hábitos. Para alguns, era causado por fatalidades inexplicáveis. E outros tantos (talvez a maioria) o atribuíam a eventual “castigo” de divindades caprichosas e vingativas.
Pedro Bondaczuk

Obra copiosa e eclética

A obra do escritor japonês, Yukio Mishima, é grandiosa, relativamente copiosa e, principalmente, eclética. Daí, não ser nenhum exagero considerá-lo um dos principais expoentes da moderna literatura nipônica (para alguns críticos, é o maior de todos os tempos). Bem que merecia um Prêmio Nobel de Literatura, premiação para a qual foi indicado por três vezes consecutivas, mas que não ganhou. O ganhador foi seu amigo e mentor literário Yasunari Kawabata.
Pedro Bondaczuk

Talento e exercício

O talento, sozinho, não basta para fazer de uma pessoa um artista admirado e de sucesso, um desportista vencedor ou um profissional reconhecido e disputado pelo mercado. Claro que ele ajuda, mas requer algo tão importante, ou mais, do que sua mera e potencial habilidade para qualquer atividade: o exercício. Artistas, desportistas e profissionais são frutos de horas e mais horas de estudos, de treinamentos, de dedicação integral ao que fazem ou querem fazer. Alguns especialistas sugerem que 10 mil horas de exercício habilitam o sujeito talentoso para conseguir o que almeja. Não sei se de fato é possível mensurar esse treinamento necessário.
Pedro Bondaczuk

Foco nas liberdades individuais

Estrelas como a polonesa Pola Negri, a sueca Greta Garbo, a britânica (nascida na Índia colonial) Vivien Leigh e a alemã Marlene Dietrich, entre outras, “viravam” a cabeça de pessoas de ambos os sexos, posto que por razões diferentes. A popularização dos esportes ensejou o uso de novos modelos de roupas, como o short, por exemplo, criado para facilitar a vida das ciclistas. “Onde está o lado ruim dos anos 30”?, perguntará, atônito, o leitor de hoje, diante dessas informações sobre mudanças tão profundas de hábitos e de comportamentos que então ocorriam. As liberdades individuais pareciam estar de vento em popa. Bem... só pareciam. Porque movimentos totalitários, absurdamente repressivos e tirânicos, começaram a eclodir por todas as partes, entre as quais, a Europa, escravizando, quando não eliminando, multidões.
Pedro Bondaczuk

Personagens insólitos já nos próprios nomes

O livro “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley, apresenta inúmeras peculiaridades, além, claro, do seu enredo. Este, em muitos aspectos, é considerado “profético”. (tomara que suas “previsões” jamais se concretizem, embora muito do que cita já exista hoje em dia). Uma das coisas que me chamam, em especial, a atenção, é a composição dos seus personagens. Outra é o sistema de castas que imaginou. E vai por aí afora. Esse admirável romance de ficção científica é caracterizado da seguinte forma por Assis Ribeiro, em um lúcido texto publicado no blog do jornalista Luís Nassif em 3 de setembro de 2012, intitulado “Uma análise sobre o livro Admirável Mundo Novo”