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Pedro Bondaczuk

A maldição de Midas

Há pessoas que parecem ter esse mesmo encanto de Midas, mas ao contrário deste, não admitem se tratar de grande maldição. Tudo o que tocam parece virar ouro, que juntam, juntam e juntam, sem saber o que fazer com ele. Não sabem usufruir a fortuna que têm. Desconhecem que os verdadeiros bens da vida são imateriais. Esses insensatos, cuja ambição desmedida se concentra exclusivamente na fortuna, nunca têm certeza, por exemplo, de serem, de fato, amados. Não sabem se o “amor” que lhe juram devotar é genuíno ou se é mero fruto de interesses. O mesmo vale para as amizades, na verdade quase todas interesseiras mesmo.
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Uma vilã inesquecível

O escritor russo, Fiodor Dostoievski, é uma das figuras mais pitorescas, trágicas e humanas não somente da Literatura mundial, mas também como indivíduo. O mínimo que se pode dizer sobre seus livros é que eles são, todos, “intensos”. São carregados de paixão em seus extremos, tanto para o bem quanto para o mal, tanto de amor quanto de ódio. Creio ser desnecessária uma apresentação formal mais extensa dele, porquanto muito já se escreveu a seu respeito e sobre sua obra, pontilhada de tragédias (como, ademais, trágica foi sua vida). Entre seus romances mais comentados (e mais apreciados) está “O idiota”, que ele escreveu em Florença, em uma de suas tantas viagens pela Europa, para escapar do implacável assédio de credores. Dostoievsky vivia sempre endividado, com a corda no pescoço, nas mãos de agiotas, por causa do seu vício de jogo. Era um perdedor nato. Deixou fortunas em vários cassinos europeus, notadamente de Monte Carlo. Escrevi muito a seu respeito e considero, portanto, redundante voltar a tratar de sua mirabolante biografia.
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A cor da ausência

As cores, metaforicamente, simbolizam coisas e situações. Por exemplo, o verde representa a esperança; o vermelho, paixão; o rosa, felicidade e assim por diante. Esse expediente é bastante utilizado pelos poetas em seus versos. Uma das cores mais ambíguas, porém, nessa simbologia, é o azul. Para uns, simboliza o sonho. Para outros, é a cor da tristeza. Para outros, ainda, tem o significado da tranqüilidade. Concordo, todavia, com os que a utilizam para figurar a ausência. Por que? Não saberia explicar.
Pedro Bondaczuk

Insatisfação criadora

A insatisfação é a mola propulsora de todas as realizações humanas, seja em que campo for. Afinal, o sujeito satisfeito com tudo, que não sente nenhuma vontade de ter ou de fazer qualquer coisa e nem nutre nenhuma espécie de ambição, se acomoda. Marca passo. Torna sua vida medíocre, cinzenta e vazia. Não se sente motivado a buscar o mais e nem o melhor. É certo que muitas pessoas levam sua insatisfação a extremos. Por isso, convivem com a infelicidade, gerada pela frustração, já que nem tudo o que se deseja nos é acessível.
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Justo tributo a uma ‘fênix’ das artes cênicas

A importância de William Shakespeare é tão grande, notadamente para a dramaturgia mundial, que ele “ganhou”, em fins do século passado, uma espécie de “templo”, onde sua memória é reverenciada e onde suas geniais peças são representadas pelas melhores companhias teatrais inglesas. Trata-se do “The New Globe Theatre”, que hoje é uma espécie de ponto turístico de Londres, visitado por turistas do mundo todo, inclusive pelos que nunca pisaram em um teatro em suas vidas, mas que sabem, mesmo que apenas por alto, quem foi o ilustre dramaturgo ao qual ele é dedicado. A idéia dos promotores dessa oportuna homenagem foi a de reproduzir, com a maior fidelidade possível, a casa de espetáculos original, da era elisabetana, com esse mesmo nome (sem o “New”, evidentemente), da qual o bardo inglês, inclusive, foi um dos sócios.
Pedro Bondaczuk

No devido contexto

O célebre monólogo criado por William Shakespeare no ato 3, cena 1 da peça “A trágica história de Hamlet, príncipe da Dinamarca”, tem sido interpretado de formas variadas, porquanto comporta diferentes interpretações. Contudo, um equívoco, bastante comum, tem a ver com (digamos) a continuidade dessa célebre produção. Para que ela seja devidamente entendida (e aproveitada) é indispensável que seja lida (e representada) no devido contexto. Há, por exemplo, quem situe o famoso dilema "Ser ou não ser" em parte do enredo em que ele, de fato, não está. O monólogo não se dá, como já li muitas vezes, na cena em que Hamlet, no cemitério, segura a caveira de Yorick, o falecido bobo da corte.
Pedro Bondaczuk

A aparência de Shakespeare

A fisionomia de William Shakespeare é um dos tantos mistérios que cercam essa figura enigmática. Como tudo o que se refere a ele, é, também, questão que gera ácidas polêmicas que não têm fim. Volta e meia anunciam-se descobertas de supostos retratos dele, pintados por algum determinado pintor, anúncio que é imediatamente desmentido, ou contestado ou posto em dúvida por muitos. Quanto mais o tempo passa, mais aumenta a curiosidade das pessoas sobre como ele era. O próprio Shakespeare, em um dos sonetos dedicados à não menos enigmática e misteriosa “Dark Lady”, dá uma dica de como era sua aparência, ao afirmar que era “um homem de meia idade e meio calvo”. Mas saber, saber de fato qual era sua fisionomia – mesmo admitindo que a pintura recém descoberta na mansão do Duque de Chandos, que os peritos da National Portrait Gallery atestam serem, mesmo, do mítico poeta e dramaturgo – ninguém sabe. Creio que jamais se saberá.
Pedro Bondaczuk

Providencial milagre do acaso

Tenho plena convicção, sem precisar de nenhuma prova, que alguma produção de William Shakespeare está em cartaz, neste exato momento, em algum teatro do mundo, atraindo grandes públicos. Quem sabe se trate até de alguma que se constituiu em contundente fiasco quando encenada em Londres pela primeira vez. Sequer preciso de comprovação para afirmar isso com tanta certeza dada a qualidade das suas peças e a empatia que promovem com os espectadores. Admiração maior, todavia, causa-me a aceitação da obra poética de Shakespeare. Ele publicou (em 1609) um único livro “Sonetos”, com escassas 154 composições do tipo e foi o quanto bastou para se imortalizar. É certo que contou com a ação do acaso para ser protagonista de uma improvável e rara “ressurreição literária”.
Pedro Bondaczuk

Ressurreição da memória

Muitos ignoram que Shakespeare chegou a ser praticamente esquecido ao longo de todo o século XVII. Já no XVIII, voltou, é verdade, a ser lembrado, mas para ser ironizado por diversos pensadores, sobretudo pelo filósofo francês Voltaire, sem que, obviamente, pudesse se defender. Mas esses ataques acabaram tendo efeito contrário ao pretendido pelos detratores. É aquela história do “falem mal, mas falem de mim”. A roda da fortuna girou, o acaso lançou seus dados e eis que, subitamente, a obra de Shakespeare voltou à tona, no século XIX, com muito mais força do que antes e se mantém no topo até hoje.
Pedro Bondaczuk

Obra atual com mais de 400 anos!

O poeta, dramaturgo e ator inglês, William Shakespeare, cujos 450 anos de nascimento foram celebrados em 2014, é dessas figuras maiúsculas, cuja obra é intemporal. Em 2016, esse gênio da Literatura mundial voltará a ser alvo das atenções gerais (embora em tempo algum tenha saído de cena). Por que? Pelo fato desse ano marcar o quarto centenário da sua morte, em 23 de abril de 1616 (aos 52 anos de idade). A produção literária e, sobretudo, dramatúrgica de Shakespeare vem atravessando, séculos, dada sua principal característica (além da inegável qualidade): conserva raro frescor de atualidade. Não envelhece, como tantas obras de seus contemporâneos, que caíram no completo esquecimento por não atraírem leitores deste século XXI, pois suas mensagens nada têm a ver conosco e com o nosso tempo. São todas “datadas”.
Pedro Bondaczuk

O romantismo não morreu

As manifestações de amor mudaram. O namoro, hoje, por exemplo, é muito diferente do tempo dos nossos avós e de nossos pais (e mesmo do nosso tempo, caso tenhamos algumas dezenas de anos nas costas). As mudanças foram para melhor? Pioraram os relacionamentos? Depende de quem avalia. Para uns, os costumes atuais são mais adequados e os dos antepassados chegam a soar ridículos. Para outros, é o contrário. Quem está certo? Quem está errado? Insisto, depende de quem avalia. Hoje, por exemplo, ninguém mais escreve cartas apaixonadas para as namoradas, ou companheiras, ou seja qual for a condição da outra pessoa pela qual se esteja apaixonado, ou interessado, como queiram. Em vez disso, redigem-se e-mails. Ou nem isso. Muitos (e põe muitos nisso!) limitam-se a postar mensagens em alguma das tantas redes sociais e basta. Nem por isso quem procede assim deixou de ser romântico. Afinal, lembrou-se da pessoa amada ou estimada ou que lhe desperte qualquer tipo de interesse.
Pedro Bondaczuk

A opinião pública

A opinião da maioria deve, “sempre” prevalecer e ser acatada por todos, como suposta atitude democrática? Depende! Caso seja rigorosamente correta, sem a mínima margem para dúvidas, e, portanto, justa e construtiva, a resposta é, óbvio, afirmativa. Mas não pelo fato de contar com a convicção (ou pelo menos com se não o apoio, a adesão) do maior número de pessoas. Esse não é fator determinante. O motivo dela dever prevalecer nesses casos específicos é o fato de satisfazer condições básicas, como veracidade, justiça e construtividade. Portanto, isso anula o “sempre” da proposição.
Pedro Bondaczuk

Todo mundo quer permanência

Poesia não pode ser lida como se leem textos de outros gêneros, como romance, conto, novela, crônica etc.etc.etc. Tem que ser degustada, saboreada, sentida, como uma comida saborosa, como nutritivo maná, como a ambrosia dos deuses, posto que delícia para o intelecto e, sobretudo, para o espírito e não para a carne. A leitura tem que ser feita sempre em voz alta, para que os ouvidos identifiquem o som de cada uma das palavras escritas, para que a alma baile leve e solta com sua musicalidade. Sua mensagem deve ser interpretada pelo leitor, respeitando, rigorosamente, a pontuação. Além disso, poesia exige releituras, não duas ou três, mas uma quantidade incontável delas. É assim que as leio. Foi assim que proporcionei régio banquete à alma com os versos de Márcia Mendes.
Pedro Bondaczuk

O mistério do sonho

O sonho... O que é o sonho? Vocês já se fizeram essa pergunta? Provavelmente sim. Eu faço-a com constância, contudo nunca cheguei a uma conclusão que fosse minimamente convincente. Não me refiro, aqui, àqueles desejos íntimos, muitas vezes tão secretos que não revelamos a ninguém, nem à pessoa na qual depositemos irrestrita confiança. Não é nisso que estou pensando. E nem penso nos ideais de extrema dificuldade de se conquistar, que desejamos ardentemente e que, se realizados, justificariam, até, nossa existência. Essas duas situações também são classificadas, posto que metaforicamente, de sonhos.
Pedro Bondaczuk

Corrida de obstáculos

A vida dos mais de seis bilhões de seres humanos que habitam o planeta é uma corrida de obstáculos, desde o momento da concepção, até a extinção, sem prazo determinado para ocorrer. A morte ronda a cada um de nós, em cada instante e lugar. Pode nos surpreender tanto ainda no útero materno, quanto uma centena de anos, ou mais, após nosso nascimento, e geralmente sem qualquer aviso prévio. A duração da nossa vida, portanto, é como uma roleta não viciada: depende do acaso, das circunstâncias ou do nome que se queira dar. Raros têm a felicidade de concretizar, na idade madura, os sonhos dourados da infância. Sem empenho, então... o fracasso é mais do que certo. No jornalismo, ou em qualquer outra atividade, profissional, artística ou social, não basta sonhar, ter um ideal, estabelecer metas, para lograr atingir os objetivos. É preciso correr atrás do que se quer, com organização, empenho, autodisciplina e persistência.
Pedro Bondaczuk

Cordialmente odiados

O jornalista pode ser respeitado pelo currículo que ostenta, admirado pelas reportagens corajosas e detalhadas que já publicou ao longo da carreira, e até “glorificado” pelos diversos prêmios jornalísticos que conquistou. Todavia, salvo raríssimas exceções, não é amado – como muitas vezes, equivocadamente, supõe – por essa mesmíssima sociedade a que se propôs a defender. Pelo contrário... chega a ser “cordialmente odiado”. Seu trabalho, por mais honesto, responsável e competente que seja, é, em geral, posto liminarmente sob suspeição e cercado de desconfiança.
Pedro Bondaczuk

A música na obra de Machado de Assis

A música é assunto onipresente na vasta e eclética obra de Machado de Assis, quer na ficcional (romances e contos), quer em suas crônicas e críticas de arte. Desconheço (embora não afirme que não haja) a existência de qualquer outro escritor (brasileiro ou não), que tenha atribuído tanta importância e tratado com tamanha insistência, em quantidade mesmo que remotamente parecida, dessa manifestação artística. Discordo, todavia, dos que caracterizam essa recorrência temática como “obsessão”. Não chega a tanto. E mesmo que fosse, seria louvável, não é mesmo? Afinal, o que seria do mundo, tão violento e perigoso, sem a existência da música? Seria, certamente, no mínimo, muito mais triste e sem graça do que já é.
Pedro Bondaczuk

Machado de Assis e o teatro

O teatro sempre foi uma das grandes paixões de Machado de Assis. Desde muito cedo, quando ainda era praticamente um garoto, o futuro escritor já freqüentava os meios teatrais. Dialogava com atores. Trocava idéias com diretores. Fazia sugestões, e pertinentes, aos autores de peças. Enfim, “enturmava-se” naquele ambiente que tanto o fascinava. Certamente, nessa época, deve ter cogitado em seguir carreira como autor teatral. E, de certa forma, seguiu. Afinal, foi o autor de dez peças, muitas das quais nunca encenadas, mas todas publicadas, entre os anos de 1860 e 1906. Ou seja, até, praticamente, véspera de sua morte, ocorrida em 1908.
Pedro Bondaczuk

Trabalhando duro para sobreviver

A Literatura, no Brasil, ainda é (e sempre foi) considerada “o patinho feio” da cultura nacional. Sequer é, oficialmente, profissão. Nossos escritores (salvo raríssimas exceções) não conseguem sobreviver só com a parca e incerta remuneração advinda da venda de seus livros, não importa a quantidade que publiquem. Nunca conseguiram. Todos têm que exercer (e exerceram) outras atividades remuneradas, ligadas ou não às letras, para assegurar o sustento. Alguns atuam profissionalmente no jornalismo (desconfio que a maioria), tendo a Literatura como uma espécie de “bico”, quando não de hobby. Outros tantos advogam, ou exercem a medicina, ou são engenheiros, ou lecionam, ou são servidores públicos (municipais, ou estaduais ou federais) e vai por aí afora.
Pedro Bondaczuk

Testemunha do Rio do Segundo Império

“O escritor é testemunha do seu tempo de vida, mesmo que não se dê conta. Cabe-lhe, entre suas tantas tarefas, a de registrar hábitos, costumes, problemas, contradições etc.etc.etc. da sua época”. Esta é a maneira com que introduzi uma de minhas tantas crônicas, nas quais defendi, com argumentos diferentes (mas complementares) a tese que o ficcionista (romancista, novelista, contista) é o verdadeiro historiador de um país e, principalmente, de uma cidade. Isto, claro, quando faz dela cenário de seus enredos. Apresenta aos leitores do futuro a História que realmente importa: a que registra como as pessoas eram, onde moravam, o que vestiam, como se divertiam, o que pensavam etc.etc.etc. Nesse aspecto, Machado de Assis foi imbatível em relação ao Rio de Janeiro, e por conseqüência, ao Brasil do século XIX e início do XX, já que a cidade era a capital do então império e posterior República.
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A voz do Rio de Janeiro

O jornalista e escritor Luciano Trigo, na introdução do seu livro “O viajante imóvel – Machado de Assis e o Rio de Janeiro de seu tempo”, indaga, a certa altura: “Até que ponto a criação literária é influenciada por aspectos sociais e mesmo geográficos do ambiente?”. Considero essas influências fundamentais, mesmo quando não se revelem ostensivas, ou que seja difícil, se não impossível identificá-las. Mas elas estão ali, em sua obra, ora visíveis, bem à mostra, ora camufladas, desafiando o leitor, o estudioso de Literatura e, sobretudo, o crítico a encontrá-las e revelá-las. Só mesmo uma pessoa insensata, imprudente e tola (para dizer o de menos) escreve sobre o que não conhece.
Pedro Bondaczuk

Gente humilde

As cidades grandes afastam as pessoas. Muitas vezes vivemos em um bairro durante décadas e sequer chegamos a conhecer nosso vizinho do lado. Cruzamo-nos uma infinidade de vezes e na maioria dos casos, o máximo de relacionamento que nos permitimos é um bom dia ou boa tarde, distraídos, ou mero aceno de cabeça. Ou nem isso. Um passa pelo outro como se passasse diante de um ser inanimado, de um boneco, de um robô, de uma miragem, de uma simples visão. A luta pela sobrevivência torna a nossa vida uma perpétua correria. Corremos até quando isso não é necessário e temos todo o tempo do mundo para gastar. A violência urbana afasta-nos de estranhos, por uma questão de prudência, para evitar assaltos e outros contratempos.
Pedro Bondaczuk

Os dez endereços de Machado de Assis

No que se refere a Machado de Assis, em quantas (e quais) casas ele morou? É uma pesquisa bastante complicada, principalmente porque o Rio de Janeiro (a única cidade que viveu em seus 69 anos e da qual raramente se afastou, mesmo que a passeio a outras localidades) sofreu muitas transformações desde a primeira metade do século XIX até este ano de 2015 do século XXI. Creio, porém, que da mesma forma que esse aspecto da vida de Machado de Assis despertou minha curiosidade, desperta, também, a sua, meu assíduo leitor. Arregacei, pois, as mangas e parti para a pesquisa, enfrentando obstáculos de toda a sorte, e, curiosamente, não por carência de fontes, mas pelo excesso. Ocorre que há uma série de controvérsias entre um e outro registro de biógrafos e pesquisadores, em especial no que se refere à numeração das respectivas residências. Muitas, comprovadamente, mudaram de número com o tempo. Outras tantas, porém, mesmo mantidas, são fornecidas de uma forma, por determinados biógrafos e de outra por outros. Optei pela informação oficial. Pelo excelente e detalhado relatório da “Coordenação e Proteção” da Prefeitura do Rio de Janeiro, mais especificamente, da sua “Gerência de Cadastro e Pesquisa”.
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A verdadeira musa de Machado de Assis

O relacionamento de Machado de Assis com Carolina Augusta Xavier de Novaes – considerando namoro, noivado, casamento e vida conjugal de quase 35 anos –...
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Fixação de Machado de Assis por borboletas

Os títulos dos dois primeiros livros de Machado de Assis (por sinal, ambos de poesias), respectivamente “Crisálidas” e “Falenas”, sugerem certa fixação (obsessão?) do escritor por borboletas. Seria só coincidência? Não creio, levando em conta a inteligência dele e seu gosto particular por símbolos, ou melhor, por metáforas. O leitor, que não costuma consultar dicionários, provavelmente estará perguntando: “Onde entram as borboletas nesta história?”.Estou certo que não faria esta pergunta (que a maioria certamente não está fazendo) se atentasse para o significado dessas duas palavras. Ou se, caso não soubesse (ninguém é obrigado a saber de tudo), recorresse ao Mestre Aurélio, também conhecido como “Pai dos Burros”, para se esclarecer.
Pedro Bondaczuk

Machado de Assis vai às raízes da brasilidade

O terceiro livro de poesias de Machado de Assis foi “Americanas”, datado de 1875. Na oportunidade o escritor estava próximo da maturidade literária, do seu período mais criativo e fértil, que seus biógrafos consideram como sendo o a partir dos seus 40 anos de idade. Embora sem chegar, ainda, ao auge, estava muito próximo dele. Já gozava, com justiça, de bastante prestígio nos círculos intelectuais e mantinha copiosa produção, notadamente na imprensa, em jornais e revistas. “Americanas”, publicado quando Machado de Assis estava com 36 anos de idade, foi o terceiro livro de poesias, mas não o terceiro de sua então já considerável bibliografia.
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O inovador segundo livro de Machado de Assis

O segundo livro de Machado de Assis, também de poesias – o primeiro, recorde-se, foi “Crisálidas”, lançado em 1864 – foi “Falenas”. Foi publicado em 1870, quando o autor tinha completado 31 anos de idade e já estava casado. Essa obra ainda faz parte da sua fase Romântica, posto que com várias inovações formais e temáticas que o diferenciaram (e muito) de outros escritores dessa escola literária. É composto por 28 poemas, com os seguintes títulos: “Flor da Mocidade”, “Quando Ela fala”, “Manhã de Inverno”, “La Marchesa de Miramar”, “Sombras”, “Ite missa est”, “Ruínas”, “Musa de Olhos verdes”, “Noivado”, “A Elvira”, “Lágrima de Cera”, “Livros e Flores”, “Pássaros”, “O Verme”, “Un vieux pays”, “Luz entre Sombras”, “Lira Chinesa”, “Uma Ode de Anacrionte”, “Pálida Elvira”, “Prelúdio”, “Visão”, “Menina e Moça”. “No Espaço”, “Os Deuses da Grécia”, “Cegonhas e Rodovalhos”, “A um Legista”, “Estâncias a Emma” e “A Morte de Ofélia”.
Pedro Bondaczuk

O poeta Machado de Assis

A genialidade de Machado de Assis foi tamanha que, ainda hoje, 107 anos após sua morte, ele concorre apenas com ele mesmo em termos de qualidade e de importância para a Literatura (e não somente a brasileira, frise-se). Explico. Quando seu nome vem à baila, a imensa maioria pensa nele como autor de marcantes romances, como “Memórias póstumas de Braz Cubas”, “Dom Casmurro”, “Quincas Borba” ou mesmo “Esaú e Jacó”, entre os nove quer legou à posteridade. Ou, quem é um tantinho melhor informado, associa-o á maioria dos seus revolucionários contos, dos mais de duzentos que escreveu, reunidos em várias e excelentes antologias. Alguns, mais estudiosos, citam, até, seus livros de crônicas. Todavia, pouquíssimos sequer sabem (ou se sabem dão pouco valor) da sua atuação como poeta. Há críticos, baseados não sei sequer no que, que consideram sua poesia “comum”, convencional e indigna, portanto, de análise mais acurada.
Pedro Bondaczuk

O leitor é soberano

A importância de Machado de Assis para a Literatura – e não me refiro só á Brasileira, da qual foi um divisor de águas, mas à atividade literária em si, seja quando e onde for que venha a ser praticada ou que tenha sido no passado – é incomensurável. Foi pioneiro, desbravador e inovador por excelência, quer no que se refira a estilo, quer à temática, quer a outro aspecto qualquer que se relacione a algum escritor. E, por mais que se escreva a seu respeito, dificilmente se fará plena justiça aos seus inúmeros e incomparáveis méritos. Embora críticos de ocasião (que existem aos montes, convenhamos) contestem, sem pleno conhecimento de causa e com base tão somente em estudos superficiais, sua real importância, só tenho uma designação para caracterizar essa personalidade ímpar: gênio, na mais lídima acepção de genialidade.
Pedro Bondaczuk

Antecipação ou simulação da vida?

“A literatura antecipa sempre a vida. Não a copia, amolda-a aos seus desígnios”. Quem escreveu isso foi o polêmico, mas nem por isso menos genial, escritor inglês Oscar Wilde. Esta, todavia, é apenas uma visão específica, entre tantas outras, dessa atividade que tanto fascina e apaixona (e não raro obceca seus cultores e consumidores). Não é a única e nem poderia ser. Cada praticante dessa arte tem sua opinião a respeito (muitas são parecidas, outras tantas, apenas semelhantes, mas raras são rigorosamente iguais). E mais, cada qual tem sua justificativa pessoal para ter escolhido esse caminho (fama, fortuna, desabafo, satisfação íntima, idealismo etc. etc. etc.) Todos, porém, concordam que o foco central da Literatura é a vida, com suas delícias e horrores, condições que tentam entender e transmitir aos leitores.
Pedro Bondaczuk

Trazendo ausentes para junto de nós

Caso eu conheça os respectivos personagens (na maior parte dos casos, artistas, e mais especificamente ainda, escritores, embora não somente estes), consolido o conhecimento que tenho deles. Salvo exceções, escrevo a seu respeito, após reler suas obras (no caso dos que tenham se dedicado à Literatura) ou apreciar seus quadros (se pintores), ouvir suas composições (se compositores) e vai por aí afora. E teço comentários (estritamente pessoais) a propósito. Com isso, amplio e consolido minha cultura artística, além de “engordar” minha pauta de crônicas e ensaios a redigir. É certo que nem sempre me atenho a esse programa informal que é bastante flexível. Mas traço um roteiro a seguir nos 365 dias que tiver à frente.
Pedro Bondaczuk

Aventura repleta de surpresas

A vida é tão variada e surpreendente, que nenhuma situação (boa ou má) que enfrentamos hoje é definitiva. Salvo, claro, a morte. Morrer, todavia, é a antítese do viver. Portanto, não conta neste caso. Afligimo-nos ou nos entusiasmamos prematuramente, achando, em ambos casos, que os motivos das aflições ou dos entusiasmos são irreversíveis. Podem até ser, mas como saber? Não há como! Quando menos esperamos, tudo se modifica, se altera, se embaralha e anula todas as possíveis previsões, e respectivos planos, que tenhamos feito. É esse caráter mutante que mais me fascina e ao mesmo tempo mais me aterroriza nessa magnífica e instável aventura.
Pedro Bondaczuk

A maior moeda do mundo

Qual é a maior moeda do mundo? Em valor, certamente é a libra esterlina inglesa. Em procura, é o dólar norte-americano. Em quantidade de cédulas em circulação é o yuan chinês (país com 1,3 bilhão de habitantes), seguido da rúpia indiana. Mas a pergunta não é bem esta. Refere-se especificamente a "tamanho". E nesse aspecto, ninguém ganha do signo monetário da pequena ilha de Yap, que integra o país (na verdade arquipélago com assento na ONU), chamado Palau, no Pacífico Sul.
Pedro Bondaczuk

Trilha sonora de uma revolução

O rock impôs-se, fixou-se e se consolidou na preferência da juventude dos anos 50 como uma espécie de “trilha musical” de todo um processo de transformação de costumes, que havia começado, destaque-se, pouco antes do grande público conhecê-lo e se apaixonar por ele. Tornou-se símbolo de uma revolução sem armas e nem barricadas, mas que gerou efeitos. O ritmo trepidante, o som estridente da guitarra e, sobretudo, a dança frenética a que o novo estilo musical induzia, refletia bem o espírito de rebeldia, os anseios de renovação geral de toda uma geração que se via aturdida face às incertezas do futuro e que “amadureceu”, ou tentava amadurecer, nos complicados anos imediatamente posteriores ao fim da Segunda Guerra Mundial.
Pedro Bondaczuk

Nossos cenários são incompletos

Não saberíamos nada do século XIX, ou dos primeiros anos do século XX (apenas para citar períodos mais recentes), se escritores como Machado de Assis, Victor Hugo, Honoré Balzac, Fedor Dostoievsky, Charles Dickens, Edgar Alan Poe e vai por aí afora, não descrevessem, com clareza, perícia e objetividade, como eram as cidades do seu tempo: o que as pessoas vestiam, como moravam, como se locomoviam etc.etc. etc. Não sei onde está a dificuldade de dotarmos nossos personagens das mesmas facilidades tecnológicas de que usufruímos.
Pedro Bondaczuk

Fruto do acaso e de teimosia

“Rock Around the Clock”, considerada a “certidão de nascimento” do rock, foi composta em 1953. O curioso é que a gravadora, inicialmente, recusou-se a gravá-la, sob pretexto de que não era “comercial”. Seu compositor, todavia, insistiu, insistiu e insistiu até que teve êxito. A composição foi gravada, mas apenas em 12 de abril de 1954. A princípio, não emplacou, dando razão à gravadora que não via nenhum futuro nela. Halley, contudo, não desistiu. E nem precisava dessa canção – ele já fazia estrondoso sucesso com outra composição sua, “Shake, Rattle and Roll”.
Pedro Bondaczuk

A nossa vez e nossa voz

A liberdade de escolha do artista tem que ser respeitada e irrestrita. Só a ele cabe decidir sobre o que, quando, como e onde criar. Pois a arte, insisto e reitero, é nossa carta de alforria. É nosso "DNA". É nosso ser. É nossa vez. É nossa voz... e não raro única... Não podemos, todavia, nos fiar, apenas, na inteligência no processo criativo. Ela ajuda, não há dúvidas (o sujeito burro praticamente não tem nenhuma chance de sucesso, como destaquei dia desses), mas sozinha é inerme. Precisa do auxílio da sensibilidade. Requer o acréscimo da emoção. Sem esquecer jamais a irrestrita liberdade no ato de criar. A vida, com seus mistérios, oportunidades e armadilhas, tende a ser nosso modelo de arte. Temos que acreditar nela e buscar seus aspectos positivos e mais nobres, como beleza, grandeza e transcendência.
Pedro Bondaczuk

Castelo de encantos e de revelações

A crítica literária de Salim Miguel conta com inúmeras virtudes, mas duas se destacam de imediato, de forma inquestionável: objetividade e simplicidade (mas não confundir simples com simplório, o que nosso personagem não é). Suas análises são claras, meticulosas, diretas e objetivas. São coisas de quem conhece, de sobejo, seu metier, e não só na teoria, mas, sobretudo, na prática. É um escritor avaliando a produção de outros escritores, o que lhe confere a credibilidade de que sempre gozou e que não vejo na maioria dos críticos. Apesar de exercer essa função por quase uma década no Jornal do Brasil do Rio de Janeiro, Salim Miguel publicou, ao que me consta, um único livro de crítica literária: “O castelo de Frankenstein”. Uma pena. Gostaria de ler outras obras suas com essa capacidade analítica ímpar e essa prosa fácil, que atrai e convence.
Pedro Bondaczuk

Transformação de costumes

Algumas práticas caem em desuso, em determinadas épocas e/ou localidades, mas, não raro, acabam retomadas, tempos depois, em outro lugar, com outras características. Ou, até na mesma comunidade onde antes eram comuns, às vezes alteradas em alguns detalhes e, em alguns casos, sem nenhuma mudança, conservando as características originais. Outras, contudo, desaparecem por completo, sem que deixem o mínimo vestígio. Há comportamentos que são restritos a determinadas áreas e regiões e que não se espalham e nem se multiplicam. É o caso específico, por exemplo, da poliandria, ou seja, do casamento de uma mulher com vários homens, prática milenar, ainda em uso em partes da Ásia (notadamente no Himalaia), abrangendo comunidades da Índia (os naires) e do Tibete, além de algumas remotas ilhas do Oceano Pacífico.
Pedro Bondaczuk

A maior façanha da antiguidade

A maneira com que a pirâmide de Queops, no Cairo, foi construída intrigou (e vem intrigando) gerações. Quanto mais se estuda o assunto, mais boquiabertos e encantados ficamos. Nada se sabe de real, de verdadeiro, de factual baseado em documentos (que não existem) a propósito da construção. É um empreendimento que dá margem a especulações de toda a sorte, a possibilidades (talvez não a probabilidades) e a fantasias das mais plausíveis ás delirantes. O assunto é magnífico desafio à imaginação. Num ponto, porém, há consenso: trata-se da maior façanha humana da antiguidade. Talvez, até, de todos os tempos, caso sejam consideradas as circunstâncias da sua construção.
Pedro Bondaczuk

Leitura é ato de fé!

Mas um livro, em si, se não lido, não tem lá muito valor. É verdade que não deixa de se constituir em objeto de decoração, conferindo nobreza e bom-gosto ao ambiente em que for exposto. Mas esta é uma destinação medíocre, muito pobre para esses receptáculos de sabedoria (e, muitas vezes, claro, de burrice), de verdade (e não raro de mentira), de grandeza (e igualmente das misérias humanas).
Pedro Bondaczuk

Tecnologia a serviço da Hidrologia

A avançada tecnologia existente na atualidade pode (e mais do que isso, deve) ser posta a serviço da Hidrologia – “a ciência que estuda a ocorrência, distribuição e movimentação da água no planeta”, conforme definição que colhi na enciclopédia eletrônica Wikipédia – no sentido de preservar, recuperar e ampliar as reservas mundiais desse precioso e indispensável líquido, essencial à vida, que começa a escassear por um sem número de razões. Sem querer ser alarmista, este é um problema que não pode mais ser adiado, antes que se agrave a ponto de se tornar insolúvel.
Pedro Bondaczuk

Dramático alerta olimpicamente ignorado

Dos 2% de reservas de água potável, a maior parte situa-se nas calotas polares e nas geleiras dos arredores. E mesmo essa começa a ser perdida, com o acelerado degelo causado pelo aquecimento global, com o líquido aproveitável misturando-se ao dos oceanos. Somente 0,14% da água doce, própria para o consumo humano, para a irrigação e para a indústria, provêm de rios, lagos e mananciais. A poluição, todavia, está aniquilando essas valiosíssimas reservas hídricas, que deveriam, óbvio, ser preservadas ciosamente, como o que a humanidade tem de mais precioso (o que logicamente é), até pela facilidade de sua captação e utilização. Responda, esclarecido leitor: é o que vem acontecendo?
Pedro Bondaczuk

Lições de solidão

A verdade é que mesmo sendo escolha nossa (quando é, óbvio), raros suportam muito tempo de solidão. Pior é a ditada pela separação das pessoas que amamos (as que citei acima), mesmo que temporária. Fica-nos na alma dolorosa sensação de vazio, de inquietação, de ansiedade pelo reencontro. Nestes casos, sentimo-nos não só solitários, mas também perdidos, infelizes, amargurados, mesmo que não estejamos rigorosamente sós, posto que em meio a uma multidão. Muito pior ainda é quando a separação é definitiva, ou porque a pessoa querida se mudou para outra cidade muito distante, ou se foi para outro país sem perspectivas de retorno, ou, tragédia das tragédias, quando morre.
Pedro Bondaczuk

Assim se descobriram os vírus

Os vírus, causadores de inúmeras doenças, algumas das quais ainda incuráveis, a despeito de todo o avanço da ciência biológica, ainda são, em muitos aspectos, um enorme mistério para a ciência. Sua detecção, a bem da verdade, é relativamente recente. Até meados do século XIX, era crença generalizada que as doenças eram “todas” de caráter autogênico. Ou seja, que o desarranjo do organismo se devia a suas deficiências próprias, hereditárias ou adquiridas em decorrência de maus hábitos. Para alguns, era causado por fatalidades inexplicáveis. E outros tantos (talvez a maioria) o atribuíam a eventual “castigo” de divindades caprichosas e vingativas.
Pedro Bondaczuk

Obra copiosa e eclética

A obra do escritor japonês, Yukio Mishima, é grandiosa, relativamente copiosa e, principalmente, eclética. Daí, não ser nenhum exagero considerá-lo um dos principais expoentes da moderna literatura nipônica (para alguns críticos, é o maior de todos os tempos). Bem que merecia um Prêmio Nobel de Literatura, premiação para a qual foi indicado por três vezes consecutivas, mas que não ganhou. O ganhador foi seu amigo e mentor literário Yasunari Kawabata.
Pedro Bondaczuk

Talento e exercício

O talento, sozinho, não basta para fazer de uma pessoa um artista admirado e de sucesso, um desportista vencedor ou um profissional reconhecido e disputado pelo mercado. Claro que ele ajuda, mas requer algo tão importante, ou mais, do que sua mera e potencial habilidade para qualquer atividade: o exercício. Artistas, desportistas e profissionais são frutos de horas e mais horas de estudos, de treinamentos, de dedicação integral ao que fazem ou querem fazer. Alguns especialistas sugerem que 10 mil horas de exercício habilitam o sujeito talentoso para conseguir o que almeja. Não sei se de fato é possível mensurar esse treinamento necessário.
Pedro Bondaczuk

Foco nas liberdades individuais

Estrelas como a polonesa Pola Negri, a sueca Greta Garbo, a britânica (nascida na Índia colonial) Vivien Leigh e a alemã Marlene Dietrich, entre outras, “viravam” a cabeça de pessoas de ambos os sexos, posto que por razões diferentes. A popularização dos esportes ensejou o uso de novos modelos de roupas, como o short, por exemplo, criado para facilitar a vida das ciclistas. “Onde está o lado ruim dos anos 30”?, perguntará, atônito, o leitor de hoje, diante dessas informações sobre mudanças tão profundas de hábitos e de comportamentos que então ocorriam. As liberdades individuais pareciam estar de vento em popa. Bem... só pareciam. Porque movimentos totalitários, absurdamente repressivos e tirânicos, começaram a eclodir por todas as partes, entre as quais, a Europa, escravizando, quando não eliminando, multidões.
Pedro Bondaczuk

Personagens insólitos já nos próprios nomes

O livro “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley, apresenta inúmeras peculiaridades, além, claro, do seu enredo. Este, em muitos aspectos, é considerado “profético”. (tomara que suas “previsões” jamais se concretizem, embora muito do que cita já exista hoje em dia). Uma das coisas que me chamam, em especial, a atenção, é a composição dos seus personagens. Outra é o sistema de castas que imaginou. E vai por aí afora. Esse admirável romance de ficção científica é caracterizado da seguinte forma por Assis Ribeiro, em um lúcido texto publicado no blog do jornalista Luís Nassif em 3 de setembro de 2012, intitulado “Uma análise sobre o livro Admirável Mundo Novo”
Pedro Bondaczuk

Grande entre os grandes

O britânico Arthur Charles Clarke destacou-se por feitos excepcionais. Seus feitos inusitados começaram na infância. Quando garoto, sua paixão pela astronomia era tamanha, por exemplo, que, munido, apenas, de rústico telescópio caseiro, desenhou um meticuloso mapa da lua, com suas crateras e planícies. Estava na cara qual seria seu futuro. Apaixonado, como era, pelo espaço, seria ou astrônomo ou escritor de ficção científica. Optou pela segunda das duas atividades e se deu bem.
Pedro Bondaczuk

A primeira vez é inesquecível

A origem de determinadas ações nossas têm muita importância histórica caso, claro, estas se tornem relevantes em nossa biografia e mereçamos ser biografados. Estranhamente, no entanto, esse é um aspecto de que quase sempre nos descuidamos, o que deixa, desnecessariamente, muita coisa no ar. Dia desses um leitor questionou-me a propósito de como e quando comecei a escrever crônicas, o que, com o tempo, se tornou hábito, algo trivial e automático na minha rotina diária, como a higiene pessoal, o café da manhã, as refeições etc.etc.etc.
Pedro Bondaczuk

Paixão por livros

O livro sempre esteve presente em minha vida, desde que me conheço por gente ou, mais especificamente, desde meus cinco anos de idade, quando aprendi a ler com meu saudoso pai, em uma velha Bíblia, que não sei onde foi parar. Entrei para a escola já alfabetizado. Isso facilitou muito minha tarefa de aprender conceitos básicos, fundamentais para a sequência da minha vida e me descortinou um mundo maravilhoso, que tive o privilégio de desbravar. Quanto à Bíblia, em que aprendi a ler, sinto-me frustrado até hoje com o fato de não tê-la guardado como relíquia. Afinal, sua importância sentimental é imensurável em minha biografia. Nunca soube onde ela foi parar.
Pedro Bondaczuk

No tempo das tangerinas

A venda de livros no Brasil é muito aquém do potencial de mercado que há por aqui. Afinal na Argentina, com população cinco vezes menor que a nossa, o mercado editorial é o triplo, ou mais, do nosso. Isso acontece por uma série de razões, que não cabe, aqui, discussão (que, aliás, até já fizemos tempos atrás). O brasileiro, em sua maioria, não gosta de ler. Ou assim parece. Ou não pode entregar-se a este prazer, pelos mais diversos motivos. Ou não adquiriu esse saudabilíssimo hábito desde criança, com o qual apenas teria a lucrar. Além do que, o livro é relativamente caro para os padrões de renda da maioria da nossa população.
Pedro Bondaczuk

Um dos maiores best-sellers da História

Para que o leitor tenha uma idéia do sucesso de “1984”, informo que o livro foi traduzido para 65 línguas. Foi, e continua sendo, portanto, fantástico best-seller mundial. É impossível de se apurar a quantidade de exemplares vendidos mundo afora. Estima-se, grosseiramente (sem exageros) que seja qualquer coisa ao redor de algumas centenas de milhões de cópias. A enciclopédia eletrônica Wikipédia destaca que, embora “1984” tenha sido banido e questionado em alguns países, o livro é, ao lado de “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury, “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley (que foi professor de Orwell) e “Nós”, do russo Yevgeny Zamyatin uma das mais famosas representações de uma sociedade distópica. Informa mais: “Em 2005, a revista Time listou o romance como uma das cem melhores obras de língua inglesa publicadas desde 1923”.
Pedro Bondaczuk

Enfático alerta da natureza

Os perigos da destruição da Terra, e conseqüentemente de tudo o que há sobre ela, aumentaram proporcionalmente ao crescimento populacional e ao poder do homem sobre a natureza, com o desvendamento de vários dos seus segredos. Há um foco potencial de tensão internacional que, estranhamente, não é identificado publicamente por ninguém, nem por governantes, nem por militares, nem pela imprensa e nem pelos intelectuais, mas que existe, está aí, e tende a conduzir países e alianças a guerras de conseqüências imprevisíveis. Não freqüenta as manchetes e nem é tema de debates dos responsáveis pela garantia e manutenção da estabilidade política, econômica e social, ou seja, da paz, no mundo, mas é real.
Pedro Bondaczuk

Deixai os namorados

O saudoso poetinha, Vinícius de Moraes, por tudo o que escreveu, em verso e prosa, bem que poderia ser considerado uma espécie de “patrono nacional dos namorados”. Quase tudo o que nos legou – quer se trate de poesia, quer de crônicas, quer, e principalmente, de letras de inesquecíveis canções que enriquecem e valorizam a MPB – tem, como temática central, o amor, com todas as suas nuances e contradições. Fala-nos de ciúmes, de saudades, de beijos, de dotes da mulher amada e de tantos e tantos outros aspectos desse maiúsculo sentimento, que nos causa tantos delírios, mas também tantos sofrimentos (quando não correspondido, claro).
Pedro Bondaczuk

Liberdade de imprensa

Os meios de comunicação, com todas as suas deficiências, naturais quando se trata de alguma obra humana, são indispensáveis nas sociedades contemporâneas. Não se concebe, hoje em dia, uma civilização, que realmente mereça essa designação, sem telefones, jornais, rádio, televisão e internet, com sua multiplicidade de portais e de blogs, que não param de ser abertos. A liberdade de imprensa, antes de se constituir num direito de profissionais e de empresas ligadas ao setor, é um bem da sociedade. Exige mobilização constante, vigilância permanente e postura firme e lúcida diante de fatos que representem ameaça ou que efetivamente a atinjam.
Pedro Bondaczuk

Mudando a forma de pensar

Muitos, quando abordados a respeito, desconversam e sentenciam: "não gosto e não entendo de política". Pode até ser. Mas tais pessoas confessam, então, não entender os próprios atos que praticam no cotidiano. Não compreendem o que fazem todos os dias, desde o momento em que acordam, até que se deitam. "Política", queridos leitores, é todo o ato que praticamos na "pólis", na cidade. Quando pela manhã, cumprimentamos nosso vizinho, quando pagamos nossa passagem no ônibus, quando assistimos a uma aula, quando realizamos nosso trabalho, quando saldamos uma conta no banco ou no caixa de uma loja, quando efetuamos uma compra ou venda no comércio, quando gozamos nosso lazer, estamos fazendo esse exercício que apregoamos "não entender e não gostar". Gostemos de fato ou não dele. Entendamos ou não de política. Tenhamos ou não consciência disso.
Pedro Bondaczuk

Falência das utopias

Somos bombardeados, 24 horas por dia sem cessar, e em todos os veículos de comunicação, por notícias e mais notícias ruins, como crimes, assaltos, roubos, estupros, traições, atos de corrupção etc.etc.etc. Há tempos que não leio, não vejo e nem ouço nada de positivo na mídia, e não importa se impressa, eletrônica ou qualquer outra, Faça um teste você mesmo, paciente leitor. Acesse um site especializado em notícias, qualquer deles. Acessou? Quantas informações referem-se a novas descobertas, a atos de justiça, nobreza e bondade e vai por aí afora? Nenhuma, não é mesmo? Idêntico exercício você pode fazer com a televisão, com o rádio ou com o seu jornal favorito. O resultado será sempre igual.
Pedro Bondaczuk

Persistência e teimosia

A observação atenta do comportamento das pessoas é excelente exercício, útil, se não indispensável, ao escritor, notadamente ao que se dedica a obras de ficção. É precioso subsídio na elaboração de personagens autênticos, verossímeis, de carne e osso e não de figuras caricatas e falsas, exageradas na prática do bem ou do mal, como muito ficcionista preguiçoso, ou desatento, faz. Um colega, com o qual comentei isso, disse que se sente constrangido em agir dessa maneira, com receio de ser interpretado como “bisbilhoteiro”. Mas, afinal, o que somos nós, escritores, se não mestres em bisbilhotices? Isso mesmo! Claro que nossas observações, por questão até de prudência, não precisam ser escandalosas, ostensivas e escancaradas. O melhor é que sejam discretas, até por razões práticas. Assim poderemos flagrar as pessoas que estivermos observando em seu natural, sem que dissimulem nada e não representem o que não são.