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Pedro Bondaczuk
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A peste negra, foco do romance de Albert Camus

A PESTE NEGRA, FOCO DO ROMANCE DE ALBERT CAMUS A epidemia de que Albert Camus trata em sua obra-prima é a de peste bubônica, também conhecida como peste negra. Se ainda hoje, com todos os recursos tecnológicos de informação – celular, internet, jornais, rádio, televisão etc. etc. etc. – ao nosso dispor, é complicado realizar censos populacionais, o que dizer, então. do ano de 1347, tido e havido como o do auge da tal pandemia?... Leia o restante do artigo pelo link abaixo
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Realidade que parece sonho

A vida, muitas vezes, parece-me tão irreal, tão maluca, tão repleta de surpresas (boas e más) e apresenta tantos mistérios insondáveis, que fico, volta e meia, com a estranha impressão de que tudo isso se trate de mero sonho. Claro que não é. Caso fosse, uma dessas duas coisas diferentes (na verdade antagônicas) com certeza iria ocorrer.
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Inteligência fotografada

A inteligência é passiva de ser fotografada? Ou seja, é possível obter uma “imagem” (portanto, concreta), de algo que é abstrato? O escritor sérvio Milorad Pavitch entendia que sim. Como? Ele mesmo responde...
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Um gênio e seu imortal personagem

O personagem Dom Quixote de La Mancha é uma das maiores criações literárias de todos os tempos. Tanto que, passados mais de 400 anos de sua criação, permanece mais vivo do que nunca, inclusive na mente de pessoas que nunca leram uma única linha do livro em que é uma espécie de anti-heroi (na verdade, não leram nada, de nenhum outro livro), convenhamos, a imensa maioria mundo afora.
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Fazer e refazer

O homem tenta, de todas as formas imagináveis, vencer a morte. Não a física, que por uma fatalidade biológica, é a única certeza que tem neste mundo de aparências e mistérios. O que procura é algum tipo de sobrevivência.
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TV, educa ou deseduca?

A televisão educa ou deseduca? Essa é uma questão polêmica, com opiniões diversas a propósito. Há, por exemplo, um grupo que só vê defeitos na programação desse veículo, onipresente e incorporado definitivamente à nossa vida. Mas, também, há outro que o defende sem restrições, com vigor. Os que o integram acham que não há absolutamente nada de errado com a televisão.
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Grande faro de uma agente literária

Nicholas Sparks, após sucessivos fracassos para publicar seu livro de estreia, topou com um acaso feliz, que modificou todo seu destino. Foi o fato de determinada agente literária, que se emocionou às lágrimas ao ler sua história, acreditar nela e se dispor a arriscar seu prestígio, bancando-a junto a uma editora.
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Moto perpétuo

Para quê, ou melhor ainda, para quem escrevemos? O que objetivamos ao colocar no papel nossas opiniões, observações ou emoções? O sucesso pessoal? O acréscimo do patrimônio cultural da humanidade? A satisfação da nossa vaidade? Talvez um pouco de tudo isso.
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Permanente estado de beligerância

Há pessoas que vivem num permanente estado de beligerância, quer com o próximo, quer com o mundo, quer com elas próprias. Esperam sempre o pior e quando o melhor lhes acontece, não o usufruem, por sequer perceberem o bem que recebem.
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Pessoas admiráveis e exemplares

Admiro os idealistas, que abrem mão dos próprios interesses e dedicam a vida a lutar por causas nobres e altruístas, que promovam o engrandecimento, a justiça, a dignidade e a solidariedade gerais.
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Início de nova era: das trevas à luz

A humanidade permaneceu ágrafa por milênios e milênios sem conta. Quantos? É impossível sequer de se estimar, quanto mais quantificar, por total e absoluta ausência de registros, que nem poderiam existir, pelo simples e lógico fato da inexistência de algum sistema de escrita, mesmo que rudimentar. Por um tempo imenso, predominou, pois, única e tão somente, a tradição oral, para a transmissão de descobertas, histórias, pensamentos, sentimentos etc.
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A ponte da imaginação

A imaginação, ou seja, o pensamento através da projeção de imagens na mente, é a base da inteligência. Esta, por definição, nada mais é do que a capacidade de "entender" tudo o que nos cerca, o que vemos, ouvimos, apalpamos, cheiramos e lemos e até o que não existe, "criado" pela nossa mente. Podem ser coisas, pessoas, animais, vegetais, aves ou peixes, não importa.
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Armadilha das cidades

As primeiras cidades surgiram, conforme alguns historiadores, há cerca de nove mil anos e foram erguidas para proteger as pessoas de saques de bandoleiros nômades, de tribos bárbaras que recorriam à força para garantir seu sustento e sobrevivência. Devem ter sido lugares agradáveis, onde todos se conheciam e em geral eram ligados por algum laço de parentesco. Sua população era pequena e havia um verdadeiro espírito comunitário.
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O marco inicial da Filosofia do Ocidente

O primeiro filósofo ocidental de que se tem notícia é Tales, natural da cidade da Ásia Menor de Mileto, no Sul da Jônia. Isso, em termos cronológicos. Essa primazia, no entanto, deve-se exclusivamente ao fato de ser o primeiro cujo pensamento foi registrado e chegou até nós.
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Lições do cotidiano

As pessoas deveriam prestar mais atenção nas pequenas coisas do cotidiano; atentar para os gestos espontâneos de gentileza (e até de amabilidade), que partem de estranhos, de completos desconhecidos, com os quais cruzamos casualmente e que mal são reparados; valorizar atitudes generosas, de solidariedade, com as quais somos agraciados todos os dias, sem que sequer reconheçamos ou atentemos; reconhecer a nobreza, a amizade, o talento, a generosidade e o real valor das coisas ao nosso redor e daqueles que nos cercam, ou com os quais nos encontremos, posto que por acaso.
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O mal explicado 7 a 1 do Mineirão

A goleada que a Seleção Brasileira sofreu, diante da Alemanha, na Copa do Mundo de 2014, promovida pelo nosso país, para mim permanece sendo um mistério. Que aqueles 7 a 1 do Mineirão foram o maior vexame da história do nosso futebol é ponto pacífico para muitos.
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A complexidade humana

O homem é um ser dotado de uma insaciável curiosidade, que é a "mãe" da sua sabedoria. Procura conhecer de tudo, quer esse conhecimento o conduza a uma evolução, quer lhe traga riscos de sofrer retrocessos ou até mesmo o leve à autodestruição (como são os casos dos segredos do átomo e da estrutura genética, capazes de fazer a espécie humana desaparecer do universo se utilizadas de forma inadequada).
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Fenômeno ignorado na ficção

O futebol, por exemplo, é mais importante do que a religião, embora as pessoas neguem enfaticamente essa tola opção. Até mesmo shows musicais, dos mais populares astros e estrelas do rock, bastante concorridos, não se aproximam, sequer remotamente, em termos de interesse, ao que é despertado no público por competições esportivas. E nem mesmo me refiro a Copas do Mundo ou Jogos Olímpicos.
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Saboreando duplamente a vida

O escritor, não importa o gênero que utilize para expor sua criação, é, sobretudo, o cronista do seu tempo. Escrever e partilhar os textos com milhares, milhões de pessoas que não se conhece, é um ato de generosidade. Ainda mais quando essa partilha é espontânea, gratuita e, portanto, sem nenhum custo, como muitos escritores fazem utilizando esse instrumento fantástico (quando usado com critério, responsabilidade e sabedoria) que é a internet.
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O destino da humanidade nas asas das abelhas?

Albert Einstein, questionado a respeito, no início da década de 50 do século passado, quando a extinção desses utilíssimos insetos não passava de remotíssima e improvável hipótese, alertou: "Quando as abelhas desaparecerem da face da Terra, o homem tem apenas quatro anos de vida". Exagero? Tomara que sim!
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Um trem para as estrelas

Em todos os países de Primeiro Mundo (e nos mais sensatos do Terceiro), esse meio de transporte é cuidado, preservado, modernizado e ampliado. Enquanto isso, nossos trens e estações vão se transformando em sucata. Afinal, são os velozes, modernos, seguros e confortáveis TGVs que circulam no fantástico (e quase falido) Eurotúnel, que faz a ligação, por baixo do Canal da Mancha, entre a França e a Grã-Bretanha. Dá uma inveja enorme quando vejo os bólidos, que chegam a trafegar a até 400 quilômetros horários sobre trilhos, no Japão e em muitas partes da Europa.
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O que precisamos saber?

O ato de pensar é um mistério (pelo menos para mim e, suponho que, também, para os especialistas que se debruçam no estudo da mente humana). Envolve inúmeras indagações e poucas (talvez nenhuma) certezas. Seu produto é abstrato: é o “pensamento”, que pode ser definido como concepção, combinação e comparação de idéias. Como se dá tal processo? O homem é o único animal que tem essa capacidade?
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Fera saciada

Jamais poderemos considerar o homem como “civilizado”, a despeito dos seus avanços nos mais diversos campos do conhecimento, como os da ciência, tecnologia, artes, filosofia etc. Infelizmente, o que ainda se vê no mundo (e que se teme que venha a piorar muitíssimo), é o homem como inimigo do homem, em vez de seu aliado para o bem comum. Ainda assim, conservo, contra todas as evidências, uma pontinha de otimismo (sempre fui incorrigível otimista). Mas esta torna-se crescentemente menor em vista do que constato, leio, vejo e ouço a respeito dessa iminente catástrofe, sem que ninguém mova uma palha sequer para evitar. Afinal, otimismo não é e nem deve ser sinônimo de alienação.
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Do outro lado do deserto

A saída do Egito, e a miraculosa travessia do Mar Vermelho, não significaram o fim da luta do povo hebreu. Na verdade, foi somente o começo. Havia longo e inóspito deserto a ser vencido antes de alcançar a tão sonhada terra prometida. Foram longos, penosos e duríssimos quarenta anos de sacrifícios, sobressaltos, desânimos, exortações e fortalecimento espiritual, necessários para consolidar a coesão nacional e estabelecer as bases legais (e, sobretudo, morais) para o estabelecimento do novo Estado.
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Adoradores da vida

“Os maiores romancistas da humanidade foram grandes adoradores da vida. É um erro pensar que o romancista inventa histórias para fugir da vida. Pelo contrário. O que o leva a escrever romances é o desejo tumultuoso de multiplicá-la!”. Quem fez essa lúcida e pertinente afirmação foi um dos meus escritores preferidos, Érico Veríssimo, no ensaio "Os problemas do romance" (publicado no jornal Folha da Manhã, em 13 de agosto de 1939 e reproduzido no livro "Figuras do Brasil - 80 autores em 80 anos de Folha"). Essa observação cabe como uma luva em uma das figuras mais controvertidas da literatura mundial da atualidade que tive a oportunidade e a honra de conhecer pessoalmente: o norte-americano Eugene Luther Gore Vidal.
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Ignorância e negligência…

O conhecimento, desde que o homem primitivo tomou consciência de si e do universo que o rodeia, se expandiu, de tal sorte, que é impossível a qualquer pessoa, por mais genial e bem-dotada que seja, saber de tudo o que há. História, ciências, artes, tecnologia etc., estão em permanente expansão. E, cada uma dessas disciplinas, exige especialização. Ainda assim, mesmo os especialistas de cada uma dessas áreas, não conseguem apreender sequer ínfima parcela do conhecimento delas. Gostemos ou não, admitamos ou não, somos, em alguma medida, todos “ignorantes” de alguns assuntos
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E quando estivermos indefesos?

Como a nossa realidade, a dos adultos, é interpretada por uma criança? Certamente não é da mesma forma como a interpretamos. Costumamos justificar nossas atitudes, principalmente as mais incoerentes, em vez de buscar agir com maior coerência. O que as crianças acham da nossa hipocrisia, da nossa ganância, do nosso falso joguinho em que são as aparências que contam e, principalmente, da nossa incoerência?
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O fim é que conta

Há quem chegue ao extremo de desacreditar de tudo e de todos e que desista, até mesmo, das pessoas que ama. Nada pior e mais injusto do que isso. Os obstáculos têm que ser encarados como desafios, até como privilégios que a vida nos proporciona, por se tratarem de oportunidades para mostrarmos nosso valor.
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Paixão obsessiva por um fantasma

O livro “O Aleph” é tido e havido por parte considerável dos críticos literários como o melhor que Jorge Luís Borges publicou. Discordo. Considero “toda” sua obra num mesmo patamar (e superior) de qualidade, de inventividade e de criatividade, quer a ficcional, quer a de não-ficção. Foi um escritor único! Foi desses homens de letras tão originais que ninguém sequer se aproximou, mesmo que remotamente, dele no quesito originalidade. Seus contos seguem a linha do realismo fantástico e nos induzem ao raciocínio, à reflexão, ao estabelecimento de inusitados parâmetros, diversos dos que estamos acostumados a lidar para aferir o homem, o mundo, o universo e o que entendemos como “realidade”.
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A inesquecível virgem dos lábios de mel

A literatura brasileira, tanto a de ficção quanto a de não-ficção, é riquíssima, no entanto, pouco e mal divulgada. Fica a impressão, ao leitor desavisado, que nosso país é um deserto de criatividade em que despontam, apenas, alguns raros e esparsos bons escritores. Nada mais falso! Temos magníficos ficcionistas, romancistas, contistas e novelistas de mão cheia, que nada ficam a dever aos melhores, aos grandes expoentes internacionais. Em seus tantos livros, óbvio, criaram e criam personagens marcantes, quer masculinos quer femininos, que retratam, com exatidão, nosso povo, nossas características físicas, nossos costumes, tradições, enfim, nossa variada cultura, influenciada por outras tantas, alhures, trazida para cá por imigrantes procedentes de praticamente todas as partes do mundo.
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Uma inesquecível menininha má

O escritor peruano, Mário Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura de 2010, criou várias personagens femininas, com perfis, personalidades, ações e reações as mais diversas. Até aí, eu não disse nada de novo ou de original. Limitei-me ao óbvio. O escritor peruano conferiu, a muitas, papéis, digamos, de protagonistas, de figuras centrais nos enredos e não o de meras “figurantes”. Algumas são tão importantes que são citadas em títulos de muitos de seus 19 romances e cinco peças teatrais. De outras, menciona características que as identificam de cara. São os casos de “Tia Júlia e o escrevinhador”, de “História de Mayta”, de “Travessuras da menina má”, além de “A menina de Tacna”, “Kathie e o hipopótamo” e “La Chunga”, estas três últimas obras para serem encenadas no palco.
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O lampejo que resultou numa obra-prima

Muitos livros de ficção nascem de outros livros que você esteja lendo ou tenha lido. Não se trata de plágio. Como no caso de conversa com amigos, que citei, determinado trecho da obra em questão que estiver lendo pode produzir o tal repentino e velocíssimo lampejo, como o que às vezes é produzido no tal bate-papo informal. E o processo para a redação do “primoroso” romance que pode projetá-lo no cenário literário é o mesmo que citei antes, com idênticas condições. Foi assim, por exemplo, de forma tão casual, que nasceu o best-seller “A casa das sete mulheres”.
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Fracasso como motor do sucesso

O escritor francês Honoré de Balzac foi um sujeito do tipo em que as circunstâncias da sua vida rivalizam, em interesse, com a obra que produziu. E olhem que esta foi assombrosa, tanto em quantidade, quanto em qualidade. Foi gênio das letras e isso ninguém discute. Basta ver a quantidade de escritores que influenciou, a maioria hoje clássicos da Literatura mundial, entre os quais inclui-se o nosso Machado de Assis. O sujeito foi um fenômeno! Entre outras coisas, devemos-lhe a criação do Realismo nas letras mundiais. Notabilizou-se por suas agudas observações psicológicas, sobretudo das mulheres (mas não somente delas), que compreendia como poucos. Não por acaso, virou “adjetivo” das figuras femininas de determinada idade.
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Personagens femininas de Monteiro Lobato

O escritor Monteiro Lobato criou alguma personagem feminina inesquecível? Esta é a pergunta, em tom de “pegadinha”, que mais tenho ouvido de uns tempos para cá. Esse questionamento acentuou-se notadamente desde que passei a abordar o tema referente ás mulheres protagonistas de grandes romances, contos e novelas na literatura mundial. O assunto, por si só, é tão polêmico como este homem de letras, adorado por gerações que leram seus livros voltados à faixa infantil quando crianças e odiado por políticos e por pessoas que não aceitam opiniões contrárias às suas e que tentam destruir quem as emite. A biografia de Monteiro Lobato é tão rica que renderia uma infinidade de comentários que, certamente, gerariam acalorados debates, com opiniões favoráveis e contrárias ao que foi e, sobretudo, às suas ações. Esse, porém, não é o tema destas minhas considerações.
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Tereza Batista cansada de guerra

As personagens femininas criadas por Jorge Amado (pelo menos a maioria delas), têm algumas características comuns. Emergem, por exemplo, das camadas populares, daquelas famílias mais pobres, na verdade miseráveis, que sobrevivem no sertão nordestino, assoladas por periódicas secas, cuja luta pela sobrevivência é heroica epopéia. São apresentadas precocemente ao sexo. São estupradas ainda muito meninas e não raro são “vendidas” pelos pais ou tutores a algum coronel, como recurso desesperado e derradeiro para sobreviverem. Algumas acabam parando em prostíbulos, para satisfazer caprichos lúbricos de poderosos, que ademais não vêem nelas seres humanos, mas objetos para seu prazer. Todavia, reagem, com os recursos naturais, instintivos que têm, com uma força interior imensa e insuspeitada e mudam de vida. Revelam-se figuras humanas magníficas, inspiradoras e exemplares, no sentido de jamais se entregarem às circunstâncias, por mais trágicas que pareçam e que sejam.
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A sedutora Gabriela com cheiro de cravo e canela

A sensual caboclinha Gabriela, com cor e cheiro de cravo e canela, impressiona, fascina e apaixona não somente o turco Nacib, que se rende aos seus encantos, mas a qualquer pessoa normal e de bom gosto que a conheça através da pena inspirada de seu criador, Jorge Amado. É uma das personagens femininas mais cativantes da literatura, e não somente brasileira. Basta atentar para o sucesso do livro em que é a protagonista, nas mais diversas partes do mundo, sem falar nas versões para o cinema e para a televisão desse marcante romance. Não há como negar que se trata de figura inesquecível, não somente pela sensualidade, que lhe é inerente, que nela é natural e não forçada como a de muitas mulheres bonitas, mas também por sua alegria de viver, sua descontração e seu jeitão de moleca.
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Dona Flor e seus dois maridos

O que é mais importante para uma mulher “normal”: um marido boêmio, eternamente desempregado, beberrão, jogador, mas, como se diz no popular, “bom de cama”,ou um parceiro totalmente oposto, que seja calmo, equilibrado, responsável, bom provedor (desses que não deixam faltar nada em casa) e ainda, de quebra, diligente poupador, contudo, na hora do sexo... monótono, trivial, incompetente, desses que o fazem praticamente por pura obrigação? A maioria, provavelmente, apontará o segundo, embora no íntimo, sonhe com o primeiro. O ideal, claro, seria um que reunisse a competência sexual do primeiro, mas as outras características todas do segundo. Mas... nem todas conseguem alguém assim. Não posso jurar que seja a regra, mas também não garanto que não seja.
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As mulheres de Jorge Amado

O baiano Jorge Amado é consenso entre críticos literários, pesquisadores e leitores afeitos à leitura quando o assunto é qualidade e importância para a Literatura brasileira. Está para sempre num seleto grupo encabeçado por Machado de Assis, cada qual com seu estilo, sua temática e sua contribuição às letras nacionais, mas todos imprescindíveis. Antes do surgimento do “fenômeno” editorial chamado Paulo Coelho, Jorge Amado era o escritor brasileiro mais traduzido, mais vendido e, por conseqüência, mais lido em âmbito mundial. Ainda hoje sustenta esse status, mesmo que na segunda colocação, apreciado em todos os continentes onde haja alguém interessado em boa literatura. É, desde que me conheço por gente, um dos meus gurus, quando o assunto é ficção.
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A maldição de Midas

Há pessoas que parecem ter esse mesmo encanto de Midas, mas ao contrário deste, não admitem se tratar de grande maldição. Tudo o que tocam parece virar ouro, que juntam, juntam e juntam, sem saber o que fazer com ele. Não sabem usufruir a fortuna que têm. Desconhecem que os verdadeiros bens da vida são imateriais. Esses insensatos, cuja ambição desmedida se concentra exclusivamente na fortuna, nunca têm certeza, por exemplo, de serem, de fato, amados. Não sabem se o “amor” que lhe juram devotar é genuíno ou se é mero fruto de interesses. O mesmo vale para as amizades, na verdade quase todas interesseiras mesmo.
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Uma vilã inesquecível

O escritor russo, Fiodor Dostoievski, é uma das figuras mais pitorescas, trágicas e humanas não somente da Literatura mundial, mas também como indivíduo. O mínimo que se pode dizer sobre seus livros é que eles são, todos, “intensos”. São carregados de paixão em seus extremos, tanto para o bem quanto para o mal, tanto de amor quanto de ódio. Creio ser desnecessária uma apresentação formal mais extensa dele, porquanto muito já se escreveu a seu respeito e sobre sua obra, pontilhada de tragédias (como, ademais, trágica foi sua vida). Entre seus romances mais comentados (e mais apreciados) está “O idiota”, que ele escreveu em Florença, em uma de suas tantas viagens pela Europa, para escapar do implacável assédio de credores. Dostoievsky vivia sempre endividado, com a corda no pescoço, nas mãos de agiotas, por causa do seu vício de jogo. Era um perdedor nato. Deixou fortunas em vários cassinos europeus, notadamente de Monte Carlo. Escrevi muito a seu respeito e considero, portanto, redundante voltar a tratar de sua mirabolante biografia.
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A cor da ausência

As cores, metaforicamente, simbolizam coisas e situações. Por exemplo, o verde representa a esperança; o vermelho, paixão; o rosa, felicidade e assim por diante. Esse expediente é bastante utilizado pelos poetas em seus versos. Uma das cores mais ambíguas, porém, nessa simbologia, é o azul. Para uns, simboliza o sonho. Para outros, é a cor da tristeza. Para outros, ainda, tem o significado da tranqüilidade. Concordo, todavia, com os que a utilizam para figurar a ausência. Por que? Não saberia explicar.
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Insatisfação criadora

A insatisfação é a mola propulsora de todas as realizações humanas, seja em que campo for. Afinal, o sujeito satisfeito com tudo, que não sente nenhuma vontade de ter ou de fazer qualquer coisa e nem nutre nenhuma espécie de ambição, se acomoda. Marca passo. Torna sua vida medíocre, cinzenta e vazia. Não se sente motivado a buscar o mais e nem o melhor. É certo que muitas pessoas levam sua insatisfação a extremos. Por isso, convivem com a infelicidade, gerada pela frustração, já que nem tudo o que se deseja nos é acessível.
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Justo tributo a uma ‘fênix’ das artes cênicas

A importância de William Shakespeare é tão grande, notadamente para a dramaturgia mundial, que ele “ganhou”, em fins do século passado, uma espécie de “templo”, onde sua memória é reverenciada e onde suas geniais peças são representadas pelas melhores companhias teatrais inglesas. Trata-se do “The New Globe Theatre”, que hoje é uma espécie de ponto turístico de Londres, visitado por turistas do mundo todo, inclusive pelos que nunca pisaram em um teatro em suas vidas, mas que sabem, mesmo que apenas por alto, quem foi o ilustre dramaturgo ao qual ele é dedicado. A idéia dos promotores dessa oportuna homenagem foi a de reproduzir, com a maior fidelidade possível, a casa de espetáculos original, da era elisabetana, com esse mesmo nome (sem o “New”, evidentemente), da qual o bardo inglês, inclusive, foi um dos sócios.
Pedro Bondaczuk

No devido contexto

O célebre monólogo criado por William Shakespeare no ato 3, cena 1 da peça “A trágica história de Hamlet, príncipe da Dinamarca”, tem sido interpretado de formas variadas, porquanto comporta diferentes interpretações. Contudo, um equívoco, bastante comum, tem a ver com (digamos) a continuidade dessa célebre produção. Para que ela seja devidamente entendida (e aproveitada) é indispensável que seja lida (e representada) no devido contexto. Há, por exemplo, quem situe o famoso dilema "Ser ou não ser" em parte do enredo em que ele, de fato, não está. O monólogo não se dá, como já li muitas vezes, na cena em que Hamlet, no cemitério, segura a caveira de Yorick, o falecido bobo da corte.
Pedro Bondaczuk

A aparência de Shakespeare

A fisionomia de William Shakespeare é um dos tantos mistérios que cercam essa figura enigmática. Como tudo o que se refere a ele, é, também, questão que gera ácidas polêmicas que não têm fim. Volta e meia anunciam-se descobertas de supostos retratos dele, pintados por algum determinado pintor, anúncio que é imediatamente desmentido, ou contestado ou posto em dúvida por muitos. Quanto mais o tempo passa, mais aumenta a curiosidade das pessoas sobre como ele era. O próprio Shakespeare, em um dos sonetos dedicados à não menos enigmática e misteriosa “Dark Lady”, dá uma dica de como era sua aparência, ao afirmar que era “um homem de meia idade e meio calvo”. Mas saber, saber de fato qual era sua fisionomia – mesmo admitindo que a pintura recém descoberta na mansão do Duque de Chandos, que os peritos da National Portrait Gallery atestam serem, mesmo, do mítico poeta e dramaturgo – ninguém sabe. Creio que jamais se saberá.
Pedro Bondaczuk

Providencial milagre do acaso

Tenho plena convicção, sem precisar de nenhuma prova, que alguma produção de William Shakespeare está em cartaz, neste exato momento, em algum teatro do mundo, atraindo grandes públicos. Quem sabe se trate até de alguma que se constituiu em contundente fiasco quando encenada em Londres pela primeira vez. Sequer preciso de comprovação para afirmar isso com tanta certeza dada a qualidade das suas peças e a empatia que promovem com os espectadores. Admiração maior, todavia, causa-me a aceitação da obra poética de Shakespeare. Ele publicou (em 1609) um único livro “Sonetos”, com escassas 154 composições do tipo e foi o quanto bastou para se imortalizar. É certo que contou com a ação do acaso para ser protagonista de uma improvável e rara “ressurreição literária”.
Pedro Bondaczuk

Ressurreição da memória

Muitos ignoram que Shakespeare chegou a ser praticamente esquecido ao longo de todo o século XVII. Já no XVIII, voltou, é verdade, a ser lembrado, mas para ser ironizado por diversos pensadores, sobretudo pelo filósofo francês Voltaire, sem que, obviamente, pudesse se defender. Mas esses ataques acabaram tendo efeito contrário ao pretendido pelos detratores. É aquela história do “falem mal, mas falem de mim”. A roda da fortuna girou, o acaso lançou seus dados e eis que, subitamente, a obra de Shakespeare voltou à tona, no século XIX, com muito mais força do que antes e se mantém no topo até hoje.
Pedro Bondaczuk

Obra atual com mais de 400 anos!

O poeta, dramaturgo e ator inglês, William Shakespeare, cujos 450 anos de nascimento foram celebrados em 2014, é dessas figuras maiúsculas, cuja obra é intemporal. Em 2016, esse gênio da Literatura mundial voltará a ser alvo das atenções gerais (embora em tempo algum tenha saído de cena). Por que? Pelo fato desse ano marcar o quarto centenário da sua morte, em 23 de abril de 1616 (aos 52 anos de idade). A produção literária e, sobretudo, dramatúrgica de Shakespeare vem atravessando, séculos, dada sua principal característica (além da inegável qualidade): conserva raro frescor de atualidade. Não envelhece, como tantas obras de seus contemporâneos, que caíram no completo esquecimento por não atraírem leitores deste século XXI, pois suas mensagens nada têm a ver conosco e com o nosso tempo. São todas “datadas”.
Pedro Bondaczuk

O romantismo não morreu

As manifestações de amor mudaram. O namoro, hoje, por exemplo, é muito diferente do tempo dos nossos avós e de nossos pais (e mesmo do nosso tempo, caso tenhamos algumas dezenas de anos nas costas). As mudanças foram para melhor? Pioraram os relacionamentos? Depende de quem avalia. Para uns, os costumes atuais são mais adequados e os dos antepassados chegam a soar ridículos. Para outros, é o contrário. Quem está certo? Quem está errado? Insisto, depende de quem avalia. Hoje, por exemplo, ninguém mais escreve cartas apaixonadas para as namoradas, ou companheiras, ou seja qual for a condição da outra pessoa pela qual se esteja apaixonado, ou interessado, como queiram. Em vez disso, redigem-se e-mails. Ou nem isso. Muitos (e põe muitos nisso!) limitam-se a postar mensagens em alguma das tantas redes sociais e basta. Nem por isso quem procede assim deixou de ser romântico. Afinal, lembrou-se da pessoa amada ou estimada ou que lhe desperte qualquer tipo de interesse.
Pedro Bondaczuk

A opinião pública

A opinião da maioria deve, “sempre” prevalecer e ser acatada por todos, como suposta atitude democrática? Depende! Caso seja rigorosamente correta, sem a mínima margem para dúvidas, e, portanto, justa e construtiva, a resposta é, óbvio, afirmativa. Mas não pelo fato de contar com a convicção (ou pelo menos com se não o apoio, a adesão) do maior número de pessoas. Esse não é fator determinante. O motivo dela dever prevalecer nesses casos específicos é o fato de satisfazer condições básicas, como veracidade, justiça e construtividade. Portanto, isso anula o “sempre” da proposição.
Pedro Bondaczuk

Todo mundo quer permanência

Poesia não pode ser lida como se leem textos de outros gêneros, como romance, conto, novela, crônica etc.etc.etc. Tem que ser degustada, saboreada, sentida, como uma comida saborosa, como nutritivo maná, como a ambrosia dos deuses, posto que delícia para o intelecto e, sobretudo, para o espírito e não para a carne. A leitura tem que ser feita sempre em voz alta, para que os ouvidos identifiquem o som de cada uma das palavras escritas, para que a alma baile leve e solta com sua musicalidade. Sua mensagem deve ser interpretada pelo leitor, respeitando, rigorosamente, a pontuação. Além disso, poesia exige releituras, não duas ou três, mas uma quantidade incontável delas. É assim que as leio. Foi assim que proporcionei régio banquete à alma com os versos de Márcia Mendes.
Pedro Bondaczuk

O mistério do sonho

O sonho... O que é o sonho? Vocês já se fizeram essa pergunta? Provavelmente sim. Eu faço-a com constância, contudo nunca cheguei a uma conclusão que fosse minimamente convincente. Não me refiro, aqui, àqueles desejos íntimos, muitas vezes tão secretos que não revelamos a ninguém, nem à pessoa na qual depositemos irrestrita confiança. Não é nisso que estou pensando. E nem penso nos ideais de extrema dificuldade de se conquistar, que desejamos ardentemente e que, se realizados, justificariam, até, nossa existência. Essas duas situações também são classificadas, posto que metaforicamente, de sonhos.
Pedro Bondaczuk

Corrida de obstáculos

A vida dos mais de seis bilhões de seres humanos que habitam o planeta é uma corrida de obstáculos, desde o momento da concepção, até a extinção, sem prazo determinado para ocorrer. A morte ronda a cada um de nós, em cada instante e lugar. Pode nos surpreender tanto ainda no útero materno, quanto uma centena de anos, ou mais, após nosso nascimento, e geralmente sem qualquer aviso prévio. A duração da nossa vida, portanto, é como uma roleta não viciada: depende do acaso, das circunstâncias ou do nome que se queira dar. Raros têm a felicidade de concretizar, na idade madura, os sonhos dourados da infância. Sem empenho, então... o fracasso é mais do que certo. No jornalismo, ou em qualquer outra atividade, profissional, artística ou social, não basta sonhar, ter um ideal, estabelecer metas, para lograr atingir os objetivos. É preciso correr atrás do que se quer, com organização, empenho, autodisciplina e persistência.
Pedro Bondaczuk

Cordialmente odiados

O jornalista pode ser respeitado pelo currículo que ostenta, admirado pelas reportagens corajosas e detalhadas que já publicou ao longo da carreira, e até “glorificado” pelos diversos prêmios jornalísticos que conquistou. Todavia, salvo raríssimas exceções, não é amado – como muitas vezes, equivocadamente, supõe – por essa mesmíssima sociedade a que se propôs a defender. Pelo contrário... chega a ser “cordialmente odiado”. Seu trabalho, por mais honesto, responsável e competente que seja, é, em geral, posto liminarmente sob suspeição e cercado de desconfiança.
Pedro Bondaczuk

A música na obra de Machado de Assis

A música é assunto onipresente na vasta e eclética obra de Machado de Assis, quer na ficcional (romances e contos), quer em suas crônicas e críticas de arte. Desconheço (embora não afirme que não haja) a existência de qualquer outro escritor (brasileiro ou não), que tenha atribuído tanta importância e tratado com tamanha insistência, em quantidade mesmo que remotamente parecida, dessa manifestação artística. Discordo, todavia, dos que caracterizam essa recorrência temática como “obsessão”. Não chega a tanto. E mesmo que fosse, seria louvável, não é mesmo? Afinal, o que seria do mundo, tão violento e perigoso, sem a existência da música? Seria, certamente, no mínimo, muito mais triste e sem graça do que já é.
Pedro Bondaczuk

Machado de Assis e o teatro

O teatro sempre foi uma das grandes paixões de Machado de Assis. Desde muito cedo, quando ainda era praticamente um garoto, o futuro escritor já freqüentava os meios teatrais. Dialogava com atores. Trocava idéias com diretores. Fazia sugestões, e pertinentes, aos autores de peças. Enfim, “enturmava-se” naquele ambiente que tanto o fascinava. Certamente, nessa época, deve ter cogitado em seguir carreira como autor teatral. E, de certa forma, seguiu. Afinal, foi o autor de dez peças, muitas das quais nunca encenadas, mas todas publicadas, entre os anos de 1860 e 1906. Ou seja, até, praticamente, véspera de sua morte, ocorrida em 1908.
Pedro Bondaczuk

Trabalhando duro para sobreviver

A Literatura, no Brasil, ainda é (e sempre foi) considerada “o patinho feio” da cultura nacional. Sequer é, oficialmente, profissão. Nossos escritores (salvo raríssimas exceções) não conseguem sobreviver só com a parca e incerta remuneração advinda da venda de seus livros, não importa a quantidade que publiquem. Nunca conseguiram. Todos têm que exercer (e exerceram) outras atividades remuneradas, ligadas ou não às letras, para assegurar o sustento. Alguns atuam profissionalmente no jornalismo (desconfio que a maioria), tendo a Literatura como uma espécie de “bico”, quando não de hobby. Outros tantos advogam, ou exercem a medicina, ou são engenheiros, ou lecionam, ou são servidores públicos (municipais, ou estaduais ou federais) e vai por aí afora.
Pedro Bondaczuk

Testemunha do Rio do Segundo Império

“O escritor é testemunha do seu tempo de vida, mesmo que não se dê conta. Cabe-lhe, entre suas tantas tarefas, a de registrar hábitos, costumes, problemas, contradições etc.etc.etc. da sua época”. Esta é a maneira com que introduzi uma de minhas tantas crônicas, nas quais defendi, com argumentos diferentes (mas complementares) a tese que o ficcionista (romancista, novelista, contista) é o verdadeiro historiador de um país e, principalmente, de uma cidade. Isto, claro, quando faz dela cenário de seus enredos. Apresenta aos leitores do futuro a História que realmente importa: a que registra como as pessoas eram, onde moravam, o que vestiam, como se divertiam, o que pensavam etc.etc.etc. Nesse aspecto, Machado de Assis foi imbatível em relação ao Rio de Janeiro, e por conseqüência, ao Brasil do século XIX e início do XX, já que a cidade era a capital do então império e posterior República.
Pedro Bondaczuk

A voz do Rio de Janeiro

O jornalista e escritor Luciano Trigo, na introdução do seu livro “O viajante imóvel – Machado de Assis e o Rio de Janeiro de seu tempo”, indaga, a certa altura: “Até que ponto a criação literária é influenciada por aspectos sociais e mesmo geográficos do ambiente?”. Considero essas influências fundamentais, mesmo quando não se revelem ostensivas, ou que seja difícil, se não impossível identificá-las. Mas elas estão ali, em sua obra, ora visíveis, bem à mostra, ora camufladas, desafiando o leitor, o estudioso de Literatura e, sobretudo, o crítico a encontrá-las e revelá-las. Só mesmo uma pessoa insensata, imprudente e tola (para dizer o de menos) escreve sobre o que não conhece.