Principal » Artigos de Paulo Tunhas
Paulo Tunhas

Utopia e revolução

O totalitarismo é algo que nasce mesmo com a revolução russa. Não em Fevereiro de 1917, que representa, como alguém lembrou, a única contribuição da Rússia para a história da liberdade, mas em Outubro
Paulo Tunhas

O que há num título?

O pior título jamais dado a um livro é indiscutivelmente o da autobiografia do poeta chileno, e Nobel da Literatura, Pablo Neruda: "Confesso que vivi". Durante décadas pensei assim e continuo a pensá-lo. Mas, como em muitos casos destes com palavras, a razão da detestação permaneceu-me em parte vaga. Hoje apeteceu-me perceber melhor.
Paulo Tunhas

Um mundo arriscado

O mundo é já de si arriscado. Não convém, por ideologia, torná-lo ainda pior. O cálculo sobre a intenção do outro, a reconstrução imaginativa do que se passa no seu espírito, faz-se também aqui num contexto de incerteza. E é essa mesma incerteza, de resto, que devemos incutir no adversário, para que ele próprio hesite.
Paulo Tunhas

Revendo crenças antigas

Às vezes, faz bem recuar a tempos longínquos e lembrar o que, no passado, acreditávamos sobre várias matérias. Que pintura, que música, que poesia, que romances, que filmes nos continuam a dar prazer?
Paulo Tunhas

A marcha da loucura

Não sou historiador, nem economista, nem nunca tirei curso algum sobre a chamada “construção europeia”. O que, em princípio, me aconselha alguma prudência em matéria de opiniões próprias sobre a evolução da União Europeia. E tento ter a tal prudência. Para mais, embirro com argumentos dialécticos, no sentido particular de argumentos suportando visões muito gerais (“fim da história”, etc.) que não são verdadeiramente susceptíveis de análise. Mas confesso que, quando leio ou ouço propósitos sobre a necessidade do “aprofundamento” (horrível expressão) da construção europeia, o que sinto é medo, medo das consequências péssimas que daí podem advir. Porque me parece que esses propósitos, belos e puros que sejam, ignoram o grosso dos ensinamentos empíricos dos últimos anos.
Paulo Tunhas

Um piquenique em Atenas

E o que acontecerá se não houver acordo e a Grécia sair do euro? Então nessa hipótese a indeterminação ainda é maior. O que acontecerá à economia europeia, particularmente na zona euro? Os palpites são diversos e contraditórios. E quanto à própria Grécia, na sua relação à União Europeia? Também aqui as opiniões se dividem. Para Martin Schulz, o Presidente do Parlamento Europeu, a saída do euro significaria igualmente a saída da União Europeia. Mas, para outras cabeças igualmente sábias, como o próprio admite, não é assim. De qualquer maneira, qualquer que seja o resultado, duas coisas são certas e seguras. Em primeiro lugar, a Grécia, um país que conheço razoavelmente bem e no qual tenho pessoas que me são caras, vai ficar pior do que estava no fim de 2014.