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Mauro Santayana

Quanto vale o BNDES?

Estamos vivendo uma situação absurda, kafkiana, na qual se punem e atacam empresas que, no exterior, sempre mostraram que o Brasil pode concorrer à altura com outros países na execução de grandes e complexos projetos de engenharia, como a Mendes Júnior, a Andrade Gutierrez e a própria Odebrecht. Companhias que, historicamente, levaram o nome do Brasil e a capacidade de realização da gente brasileira das montanhas dos Andes aos desertos africanos, em países latino-americanos e em lugares como o Iraque e a Mauritânia, ainda nos anos 1970, empregando milhares de compatriotas, exportando produtos e serviços e trazendo para o país bilhões de dólares em divisas, permitindo, ainda na época dos governos militares, que o Brasil recebesse combustível em pagamento dessas obras, enfrentando, com sucesso, a crise do petróleo.
Mauro Santayana

Obama, Cuba e o fim do bloqueio comercial

Em encontro histórico no Panamá, o Presidente dos EUA, Barack Obama e o de Cuba, Raul Castro, colocaram fim a um confronto de décadas, concluindo movimento de reaproximação que começou com aperto de mãos entre os dois dirigentes, a poucos metros da Presidente Dilma Rousseff, na tribuna de honra do funeral de Nelson Mandela, no dia 10 de dezembro de 2013. Antes mesmo do início das negociações diplomáticas com os EUA, Cuba já estava plenamente integrada ao resto do mundo e à América Latina. Os investimentos estrangeiros na ilha somam bilhões de dólares. Há poucas semanas, foi realizada a trigésima-segunda edição da feira Internacional de Havana, com a presença de 2.000 empresas de 60 países, entre eles a Alemanha, que esteve representada por 37 empresas, entre elas a Bosh, a MAN e a ThyssenKrupp.
Mauro Santayana

A criptografia e o autoritarismo

Apresentando-se, sempre, ao mundo, como um paladino da defesa da liberdade e da democracia, os EUA acabam de pedir à comunidade científica o fim da criptografia, processo que permite aos usuários de computador defender seus dados de hackers e mantê-los a salvo de estados abusivos e autoritários, que espionam seus cidadãos e os alheios, como o é o caso dos próprios Estados Unidos. Na última conferência RSA, voltada para sistemas de segurança cibernética, encerrada há poucos dias, o Secretário para a Segurança Interna dos EUA, Jen Johnson, fez um apelo aos técnicos e cientistas participantes, no sentido de desenvolver uma forma definitiva de “contornar e desabilitar a criptografia” como forma de aumentar o poder dos órgãos de segurança.
Mauro Santayana

A Petrobrás e o domínio do boato

Os jornais foram para as ruas, na última semana, dando como favas contadas um prejuízo de seis bilhões de reais na Petrobrás, devido a casos de corrupção em investigação na Operação Lava a Jato. Seis bilhões de reais que não existem. E que foram colocados no “balanço”, como os bancos recorrem, nos seus, a provisões, por exemplo, para perdas com inadimplência, que, quando não se confirmam, são incorporadas a seus ativos mais tarde. Não há - como seria normal, aliás, antes de divulgar esse valor - por trás destes 6 bilhões de reais, uma lista de contratos superfaturados, dos funcionários que participaram das licitações envolvidas, permitindo que se produzissem as condições necessárias a tais desvios, dos aditivos irregularmente aprovados, das contas para as quais esse montante foi desviado, dos corruptos que supostamente receberam essa fortuna.
Mauro Santayana

A OAB e a democracia

O presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, esteve na sexta-feira passada em Minas Gerais, onde se dirigiu a cerca de três mil advogados mineiros, na cidade de Montes Claros. Na abertura da XV Conferência Estadual dos Advogados de Minas Gerais, ele lembrou que “para os males da democracia, mais democracia”, que a “corrupção é a negação da República”, e que “o propósito de investigar profundamente não pode implicar a violação dos princípios básicos do Estado de Direito. Os postulados do devido processo legal, do direito de defesa e da presunção de inocência são valores que devem nortear a convivência civilizada em uma sociedade democrática, com a proteção do ser humano contra o uso arbitrário do poder”, insistindo também que é preciso uma reforma política que proíba a doação de empresas privadas a campanhas e partidos políticos - no sentido da proposta que se encontra sob pedido de vistas as mãos do Ministro do STF, Gilmar Mendes - e no Plano Nacional Anticorrupção elaborado pela OAB, que tem 13 pontos principais e propõe a regulamentação da Lei 12.846 que pune as empresas corruptoras, prevê a criminalização do caixa dois de campanha eleitoral, a aplicação da Lei da Ficha Limpa para todos os cargos públicos, além do cumprimento fiel da Lei de Transparência e da Lei de Acesso à Informação. No dia anterior à reunião de Montes Claros, a seção paulista da OAB já havia divulgado nota em repúdio à proposta da aceitação de provas ilícitas em julgamentos, feita pelo Ministério Público Federal, e contra o início de cumprimento de pena imposta em primeiro grau de que caiba ou penda recurso, sugerida pelo Juiz Sérgio Moro, assinada pelo seu Presidente, o doutor Marcos da Costa, com o seguinte teor:
Mauro Santayana

O Brasil e o terror

Volta-se a discutir, na mídia e no governo, a necessidade de se prevenir “ameaças terroristas” no Brasil e a intenção de se criar uma “lei antiterrorista”, que permita a órgãos de inteligência monitorar internautas, para saber se eles estão em contato com organizações internacionais. Quando se diz “terrorismo”, é preciso saber quem está falando. Para um israelense - nem todos, graças a Deus - um palestino do Hamas, que lança um foguete caseiro por cima da fronteira, é terrorista. Para uma mãe palestina que acabou de perder os três filhos em um bombardeio na faixa de Gaza, terrorista é o piloto israelense que comandava o helicóptero ou o avião que os matou.
Mauro Santayana

Governo do PT não tem nada de comunista!

Muitos brasileiros também vão sair às ruas, neste domingo, por acreditar, assim como fazem com relação à afirmação de que o PT quebrou o país, que o governo Dilma é comunista e que ele quer implantar uma ditadura esquerdista no Brasil. Não é o fato de ter como símbolo uma estrela solitária ou vestir uma roupa vermelha, hábito que deveria ter sido abandonado pelo PT há muito tempo, justamente para não justificar o discurso adversário, que transformam alguém em comunista, e aí estão botafoguenses e colorados que não me deixam mentir, assim como o Papai Noel, que se saísse inadvertidamente às ruas, no domingo, provavelmente seria espancado brutalmente, depois de ter o conteúdo do seu saco revisado e provavelmente “apreendido” à procura de dinheiro de corrupção.
Mauro Santayana

O que a presidente não disse na televisão…

O grande dado econômico dos “anos PT”, não são os 370 bilhões de dólares de reservas monetárias, que deveriam, sim, ter sido mencionados, ao lado do fato de que eles substituem, hoje, os 18 bilhões que havia no final do governo FHC, exclusivamente, por obra e graça de um empréstimo de 40 bilhões do FMI, que foi pago em 2005 pelo governo Lula. Nem mesmo a condição que o Brasil ocupa, agora, segundo o próprio site oficial do tesouro norte-americano, de quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos. Mas o fato de que o PIB, apesar de ter ficado praticamente estagnado em 2014, saiu de 504 bilhões de dólares em 2002, para 2 trilhões e 300 bilhões de dólares, em 2013, com um crescimento de mais de 400% em 11 anos, performance que talvez só tenha sido ultrapassada, nesse período, pela China.
Mauro Santayana

De confiscos e de impeachments

No carnaval, cerca de 200 pessoas se reuniram na Avenida Paulista, para pedir uma “intervenção” militar, com a derrubada do governo. No Whatsapp convocam-se brasileiros para saírem às ruas pelo impeachment da Presidente da República; para que não se abasteça em postos da Petrobrás, as multinacionais penhoradamente agradecem, e alerta-se a população para que retire seu dinheiro da CEF, porque o governo vai confiscar o que estiver depositado nas contas de poupança da instituição, que teve um crescimento de mais de 22% em sua carteira de crédito, sete bilhões de reais em lucro e uma inadimplência de apenas 2.56% em 2014.
Mauro Santayana

O dragão e o urso

Depois de afirmar, sob pressão de um Congresso majoritariamente republicano, que pretendia enviar armamento letal "defensivo" para ser usado pelo governo ucraniano contra “rebeldes” de cultura e etnia russa, o presidente dos EUA, Barack Obama, amenizou suas declarações, após se encontrar com Angela Merkel na Casa Branca. A chanceler alemã e o presidente francês, François Hollande, se reuniram com Petro Poroshenko e Putin nesta semana, para tentar estabelecer as bases de um acordo de paz que evite uma escalada do conflito, que já deixou um saldo de mais de 6.000 mortos e um milhão e meio de refugiados.
Mauro Santayana

O dólar vermelho

A imprensa internacional destaca o crescimento da economia norte-americana, o que está sendo negado por observadores como o ex-secretário do Tesouro dos EUA John Craig Roberts, que afirma que os números são falsos, fruto de manipulação de dados de financiamento do sistema de saúde. Enquanto isso, cresce o protagonismo diplomático, econômico e geopolítico da China, segunda economia do mundo, dona das maiores reservas monetárias do planeta e principal credora dos Estados Unidos, que substitui Washington e a Europa como fonte de liquidez cambial, empréstimos internacionais Estado a Estado e financiamento para infraestrutura.
Mauro Santayana

O terror, o ‘Ocidente’ e a semeadura do caos

Há alguns dias, terroristas franceses, ligados, aparentemente, à Al Qaeda, atacaram a redação do jornal satírico parisiense Charlie Hebdo, em represália pela publicação de caricaturas sobre o profeta Maomé. Doze pessoas foram assassinadas, entre elas alguns dos mais famosos cartunistas e intelectuais do país, e dois cidadãos de origem árabe, um deles, estrangeiro, que trabalhava há pouco tempo na publicação, e um membro das forças de segurança que estava nas imediações.
Mauro Santayana

O Brasil e o patrimonialismo

O novo Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou, há alguns dias, que, no financiamento a empresas, é preciso abandonar o "patrimonialismo" e apoiar a "igualdade de oportunidades" e a "impessoalidade" do Estado. O que o Ministro quis dizer com isso? Será que ele estava sugerindo que acredita que uma empresa nacional, que paga dos mais altos juros do mundo, dispõe das mesmas oportunidades que empresas estrangeiras que captam recursos a juros dez vezes mais baixos em seus países de origem, ou recebem descarada ajuda governamental, de países como a Espanha, recentemente condenada pela UE por financiar e apoiar, desde a última década do século passado, "ilegalmente", segundo as regras europeias, a internacionalização de suas empresas, especialmente na América Latina?
Mauro Santayana

O Brasil e os refugiados

O CONARE, do Ministério da Justiça, informa que, em 2014, aumentou em três vezes a concessão de refúgio pelo Brasil, para 2.320 estrangeiros beneficiados, com relação ao ano anterior. A maior parte dos refúgios foi concedida para sírios, seguidos de libaneses, devido à caótica situação vivida pelo Oriente Médio e o Norte da África, depois a esparrela da “Primavera Árabe”, que só gerou golpes, destruição e morte na região.
Mauro Santayana

O nazismo entre nós

Nos últimos tempos fez fama na internet a imagem de uma suástica no fundo de uma piscina, no quintal de uma casa de Pomerode. Seu proprietário foi identificado, posteriormente, como o professor Wandercy Pugliese, que dá aulas em “cursinhos” na região, e já teve vasta coleção de objetos de inspiração nazista apreendidos pela polícia em sua casa, na década de 1990. O nazismo tupiniquim, tão ridículo quanto absurdo, quando defendido e praticado em uma das nações mais miscigenadas e universais do mundo, está presente também nos bandos de skinheads que agridem verbal e fisicamente, judeus, nordestinos, negros e homossexuais, principalmente em São Paulo e na Região Sul do país.
Mauro Santayana

Feliz Ano Novo! O Brasil não é só feito de ladrões!

Inaugura-se, nesta quinta-feira, novo ano do Calendário Gregoriano, o de número 2015 após o nascimento de Jesus Cristo, 515, depois do Descobrimento, 193, da Independência, e 125, da Proclamação da República. Tais referências cronológicas ajudam a lembrar que nem o mundo, nem o Brasil, foram feitos em um dia, e que estamos aqui como parte de longo processo histórico que flui em velocidade e forma muitíssimo diferentes daquelas que podem ser apreendidas e entendidas, no plano individual, pela maioria dos cidadãos brasileiros.
Mauro Santayana

A política e as bactérias

Um estudo que acaba de ser divulgado pelo governo britânico, alerta que as superbactérias matarão, em poucos anos, mais que o câncer, e que o custo de seu tratamento chegará a 100 trilhões de dólares nas próximas décadas. Foi a economia no combate à infecção hospitalar e a ausência de fiscalização rigorosa em hospitais públicos e privados, assim como o incentivo, durante anos, do uso indiscriminado e desnecessário de antibióticos em diversos países do mundo, incluído o Brasil, que deu origem à transformação destes organismos.
Mauro Santayana

O espaço e a soberania

Depois de dois fracassos em outubro, a explosão do cargueiro espacial Antares que se dirigia à Estação Espacial Internacional, durante a decolagem, e a queda do Spaceship Two, da Virgen Galactics, em voo de teste que deixou um morto, os EUA lançaram, com êxito, no dia 05 de dezembro, a primeira versão de sua nova espaçonave Orion, que, segundo informado, poderia levar um dia uma tripulação humana a Marte. No dia 07 foi a vez do Brasil superar o acidente com o satélite CBERS-3, ocorrido em dezembro do ano passado, quando do seu lançamento por um foguete Longa Marcha, com o sucesso da colocação em órbita do satélite CBERS-4, que já está funcionando.
Mauro Santayana

O México e a América do Sul

Os salários mexicanos são os mais baixos da América Latina. O seu valor, em dólar, evoluiu apenas 2,7% nos últimos 20 anos. Apesar do aumento das exportações de “manufaturados” de terceiros países “maquiados” localmente, um trabalhador da indústria automobilística mexicana ganha, em dólares, cerca de um terço do que recebe um trabalhador brasileiro, e o salário mínimo em 2014, foi de menos de 11 reais por dia. A imprensa mexicana saúda os baixos salários locais como fator de “competitividade” frente à evolução dos salários em outros países, cuja economia cresce para melhorar as condições de vida da população e fomentar o mercado interno, como a China, mas não diz que mais de 7 em cada 10 automóveis fabricados no México tem que ser exportados, porque os cidadãos mexicanos que os fabricam não possuem renda ou fontes de financiamento para comprá-los.
Mauro Santayana

Investidor estrangeiro segue apostando firme no Brasil

Enquanto, aqui dentro, refém da síndrome da “crise” e do “fim do Brasil”, muita gente está com medo de fazer negócios ou adiando investimentos, os estrangeiros, menos afeitos à imprensa local e aos comentários nos portais da internet, continuam apostando firme na segunda economia das Américas e sétima maior do mundo. Segundo informa o “Valor Econômico”, as estatísticas do Banco Central mostram que os investidores nacionais e estrangeiros reagiram de forma bem distinta quanto a um segundo mandato para Dilma Rousseff.
Mauro Santayana

O social e o FMI

O que é mais importante? O bem-estar humano, ou o Produto Interno Bruto? Para que serve a economia, quando ela apenas beneficia uma minoria, enquanto, em muitos países, o número de milionários cresce, mas se eleva ainda mais o índice de miseráveis? O fim mais lógico de toda atividade humana não deveria ser melhorar as condições de vida da maioria da população, com inegável e positiva influência no ambiente econômico?
Mauro Santayana

Os pilares da estupidez

Está em curso, há anos, nas "redes sociais" insidiosa campanha de agressão à democracia e crescentes ataques às instituições. Quem cala, consente. Os governos do PT têm feito, em todo esse período, cara de paisagem. Nem mesmo quando diretamente insultados, ou caluniados, os dirigentes do partido tomaram qualquer providência contra quem os atacava, ou atacava as instituições, esquecendo-se de que, ao se omitirem, a primeira vítima foi a democracia. Nisso, sejamos francos, foram precedidos por todos os governos anteriores, que chegaram ao poder depois da redemocratização do país.
Mauro Santayana

O cabo do Google

Com a demora da decisão sobre o BRICS CABLE, provocada, entre outras razões, pela crise da Ucrânia, neste ano, os concorrentes passaram à frente e o Google, a estatal uruguaia ANTEL, a Angola Cables e a Algar, brasileira, resolveram fazer um novo cabo de fibra ótica, destinado a aumentar a capacidade de tráfego entre o Brasil e os EUA. Como não dá para controlar o fluxo de informações na internet, uma maior parte dos dados brasileiros dirigidos a outros destinos, como a Europa e a Ásia, passarão por território norte-americano, facilitando ainda mais o trabalho da NSA, e de outras agências de inteligência dos Estados Unidos.
Mauro Santayana

De novo, o México!

No último dia 25 de setembro, um grupo de alunos de uma escola rural de segundo grau do Estado de Guerrero, resolveu realizar um protesto contra as más condições de ensino. Perseguidos, atacados e presos por policiais, e levados para um quartel, por ordem do Chefe de Polícia, Francisco Salgado Valladares, e do Prefeito, Jose Luis Abarca, que se encontra foragido, foram entregues a um grupo de narcotraficantes conhecido como “Guerreros Unidos”, comandado por um tal de “El Chucky”, e levados para local desconhecido.
Mauro Santayana

A água e a sede

A questão da água, em nosso país, é complexa. Onde haja um curso de água, desde que já esteja correndo dentro de nossas fronteiras, nele continuamos atirando impunemente nosso lixo e dejetos, humanos, agrícolas ou industriais; derrubando as árvores e a vegetação em suas margens; arrancando com jatos de água seus barrancos, no garimpo, na maior parte do tempo, infrutífero, de ouro, diamantes e outros minerais; assoreando o seu leito e envenenando suas águas com mercúrio e com agrotóxicos, a maioria deles já proibidos em outros países.
Mauro Santayana

O que mata mais, as drogas ou a tentativa de reprimi-las?

Para a juventude, fazer o que não é permitido, afrontar as regras impostas pelos adultos e pelas “autoridades”, não deixa de se confundir, também, com certo tipo de ritual de passagem. Da mesma forma que o menino, na adolescência, questiona a autoridade do pai, e com ele compete, até certo ponto, na formação e afirmação de sua própria personalidade, e essa conquista de um espaço próprio independe de sexo, tentar quebrar os limites impostos pelas gerações anteriores tem sido parte, há séculos, da própria evolução da humanidade. Isso talvez explique parte da popularidade das drogas nos últimos 100 anos.
Mauro Santayana

O latido e a mordida

Nascida em 1949, para evitar que os países da Europa Ocidental caíssem sob a influência soviética, e não para responder a uma suposta agressão "comunista" de forças do Pacto de Varsóvia, que só viria a surgir seis anos depois, a Organização do Tratado do Atlântico Norte volta e meia tenta fazer algo para dar ao mundo a impressão de que teria algum outro papel que não o de apenas ajudar a submeter a Europa aos interesses norte-americanos. Mais que uma organização militar de defesa contra supostos inimigos externos, a OTAN (NATO por sua sigla inglesa) sempre foi um instrumento de controle dos EUA sobre o velho continente.
Mauro Santayana

A lista de Schindler e a lista de Gaza

Há poucos dias, foi demitido, do Colégio Andrews, no Rio, um professor que propôs aos seus alunos que refletissem e respondessem sobre a existência de eventual relação entre o comportamento do governo israelense em Gaza e o sofrimento infringido aos judeus pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial. Pode-se discutir se existe alguma ligação entre uma coisa e outra. Isso irá depender da visão de cada um. O que não se pode impedir ou proibir é que se faça esse tipo de perguntas.
Mauro Santayana

O alerta de Delfim

Com a lucidez e elegância de estilo que lhe são habituais, o professor Delfim Netto publicou recentemente um artigo, com o nome de “Uma nota de três em circulação”, abordando os riscos da diminuição do número de operadoras no mercado nacional, com graves prejuízos para o usuário de serviços de internet, telefonia e transmissão de dados no Brasil. Com a saída da GVT, que muitos consideram a melhor em banda larga, a Telefónica espanhola se livraria de um grande competidor, ganharia bilhões de euros em “sinergias” e se distanciaria, na liderança, de seus concorrentes, passando a “mandar”, de fato, no Brasil.
Mauro Santayana

As escolhas de Marina

Marina Silva precisa tomar cuidado para não querer ser “mais realistas que o rei”, com relação ao “mercado”. Uma entidade etérea, inefável, incongruente e contraditória, alçada, pela incompetência estratégica dos últimos governos, e vontade de parcela da mídia convenientemente azeitada para fazê-lo, a invisível fiador, diríamos quase um condutor, do processo político brasileiro. Ansiosa por agradar ao sistema financeiro e aos especuladores, que estão fazendo fortuna na bolsa com o jogo de expectativas em torno das eleições de outubro, a senhora Marina Silva apressou-se a divulgar, entre outros pontos de seu programa de governo, sua intenção de rever o MERCOSUL.
Mauro Santayana

O Brasil e os próximos anos

Nos últimos anos, conseguimos desenvolver uma nova família de armas individuais 100% nacional, as carabinas e fuzis IA-2, da IMBEL; uma nova família de blindados leves, a Guarani, dos quais 2.050 estão sendo construídos também em Minas Gerais; desenvolvemos o novo jato militar cargueiro KC-390, da Embraer, capaz de carregar dezenas de soldados, tanques ligeiros ou peças de artilharia; voltamos a fortalecer a AVIBRAS, com a compra do novo sistema ASTROS 2020, e o desenvolvimento de mísseis de cruzeiro com o alcance de 300 quilômetros; estamos construindo no Brasil cinco novos submarinos, um deles a propulsão nuclear e reator nacional, com a França, um estaleiro e uma nova base para eles; desenvolvemos a família de radares SABER
Mauro Santayana

A imprensa ocidental e o gueto de Gaza

Nas últimas semanas tem chamado a atenção, mais uma vez, a diferença de tratamento entre dois temas e dois países: a Rússia, no âmbito da crise ucraniana, e ­Israel, no contexto de seu confronto com o Hamas e a destruição física e humana da Faixa de Gaza. Moscou – cujo governo pode ter, naturalmente, seus defeitos – tem sido acusada de agir como potência agressora no país vizinho, quando, na verdade, está defendendo o último espaço teoricamente neutro que lhe restou após a queda do muro de Berlim. Quando do fim da União Soviética, e do próprio desarme nuclear da Ucrânia, os Estados Unidos comprometeram-se a não atrair os países do antigo Pacto de Varsóvia para a órbita da Otan, e, assim, não cercar, com tropas hostis, o território russo.
Mauro Santayana

As desculpas israelenses

O presidente eleito de Israel, Reuven Rivlin, telefonou para a Presidente Dilma Roussef, e pediu desculpas pelas declarações de Yigal Palmor, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores de Israel. No contato com o presidente israelense, o governo brasileiro reafirmou os laços que unem brasileiros e israelenses, há muitos anos, mas Dilma Roussef reafirmou, também, que o Brasil continua achando desproporcional a força utilizada por Israel, no contexto da intervenção em Gaza, e que continuará lutando pelo direito de palestinos e israelenses à paz, à vida e à dignidade.
Mauro Santayana

A morte de Eduardo e a memória de Arraes

Eduardo era uma das mais marcantes lideranças da nova geração de brasileiros, e entrou para a vida pública logo após a formação universitária, como secretário particular do governador Arraes, cargo em que se destacou, e teve suas lições de política. Essa circunstância o aproximou de Aécio Neves, que também foi secretário do avô, Tancredo, e com ele aprendeu as regras básicas da vida pública. A sua morte complica o quadro sucessório. Quando se passarem os três dias de luto, começará, como é natural, a busca de seus votos.
Mauro Santayana

Deu a louca nos gringos

O BRICS, com sua recente cúpula no Brasil, deve estar realmente deixando os Estados Unidos loucos. A CNN, em matéria recente sobre uma ataque de vespas gigantes na China, que matou 42 pessoas, não teve dúvidas, e, na hora de mostrar a localização do país de Mao Tsé Tung e de Hong Kong, situou a ex-colônia britânica, e atual província chinesa, mais ou menos na altura do Rio de Janeiro. É certo que China e Brasil estão no mesmo grupo, e são o maior e o quarto maior credores individuais externos dos EUA, mas a cadeia de televisão...
Mauro Santayana

Por que os EUA perdem?

Único país do mundo a possuir, sem necessidade de lastro, uma impressora de dinheiro em casa, e a contar com gigantesca máquina de inteligência, espionagem e propaganda, os EUA teriam tudo para, se quisessem, como diria o teórico da auto-ajuda Dale Carnegie, “ganhar amigos e influenciar as pessoas”, incentivando a paz e o desenvolvimento nos países mais pobres, por meio de “soft power”. Com base em mentiras, como a existência de armas de destruição em massa, os EUA mataram Saddam Hussein e derrubaram Muammar Kadafi, armando um bando de psicopatas que linchou, no meio da rua, a socos e pontapés, o líder líbio, transformando seu rosto em uma espécie de hambúrguer.
Mauro Santayana

De cegos e de anões

Se não me engano, creio que foi em uma aldeia da Galícia que escutei, na década de 70, de camponês de baixíssima estatura, a história do cego e do anão que foram lançados, por um rei, dentro de um labirinto escuro e pejado de monstros. Apavorado, o cego, que não podia avançar sem a ajuda do outro, prometia-lhe sorte e fortuna, caso ficasse com ele, e, desesperado, começou a cantar árias para distraí-lo. O anão, ao ver que o barulho feito pelo cego iria atrair inevitavelmente as criaturas, e que o cego, ao cantar cada vez mais alto, se negava a ouvi-lo, escalou, com ajuda das mãos pequenas e das fortes pernas, uma parede, e, caminhando por cima dos muros, chegou, com a ajuda da luz da Lua, ao limite do labirinto, de onde saltou para densa floresta, enquanto o cego, ao sentir que ele havia partido, o amaldiçoava em altos brados, sendo, por isso, rapidamente localizado e devorado pelos monstros que espreitavam do escuro.
Mauro Santayana

Obama, Putin e a queda do avião malaio

A queda da aeronave da Malaysia Airlines, que levava 290 pessoas, nas imediações de Krasni Luch, perto de Shaktarsk, em território ucraniano, próximo da fronteira com a Rússia, ocorre em um momento em que – coincidentemente? – boa parte da opinião pública mundial ainda tem a sua atenção voltada para a tragédia do misterioso desaparecimento, sem deixar pistas, de um avião do mesmo modelo, e da mesma companhia, sobre o Oceano Índico, em 8 de março deste ano, com 223 passageiros, entre eles, 150 cidadãos chineses, a bordo.
Mauro Santayana

Os EUA e Hitler

Um dos aspectos mais fascinantes da história, é que, por mais que se tente escondê-la, matá-la, enterrá-la, ela acaba, como um cadáver recém exumado que reabrisse as pálpebras para olhar quem o contempla, revelando, implacável e profundamente, seus segredos. Um dos capítulos menos conhecidos, ao menos para o grande público, da história da primeira metade do século XX, é o envolvimento de importantes nomes da elite e de grandes empresas norte-americanas com o hitlerismo, e com os crimes nazistas, incluindo a destruição e o genocídio de milhões de homens, mulheres e crianças, classificados pelos alemães como “sub-humanos” e “não-arianos”.
Mauro Santayana

O Brasil e a colheita da morte

O Mapa da Violência 2014, feito pela FLACSO (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais) sob a coordenação do sociólogo Júlio Jacob Weilselfisz, nos traz um dado estarrecedor. Apesar da melhora da renda e do emprego no Brasil nos últimos anos, a morte tem colhido, por aqui, regadas a sangue, safras cada vez maiores. O número de assassinatos triplicou nos últimos 34 anos, alcançando um recorde de 56.337 homicídios em 2012, o último dado disponível, cifra superior ao de vítimas fatais da grande maioria dos conflitos que se travam, hoje, no mundo.
Mauro Santayana

O cravo e a ferradura

Pressionado por parte da mídia, e por segmentos “independentes” mais radicais de oposição, aqueles que, nos portais e redes sociais, esbravejam contra o “bolivarianismo”; a participação brasileira no Porto de Mariel em Cuba; e o apoio implícito à Rússia, na Ucrânia, no contexto da posição comum assumida pelos BRICS, o governo federal dá uma no cravo, e outra na ferradura. Talvez, para mostrar, que não somos tão radicais assim, em nossas relações com o mundo, a Presidência da República anunciou que a senhora Dilma Roussef se encontrará com o Vice-Presidente Joe Biden, dos Estados Unidos, quando ele vier assistir a um jogo da Copa do Mundo, no mês que vem, em um primeiro gesto de aproximação depois da suspensão de sua viagem de Estado aos EUA, devido ao escândalo da espionagem da NSA.
Mauro Santayana

A volta do império do meio

Técnicos do Banco Mundial anunciaram, em estudo divulgado na semana passada, que a China acaba de ultrapassar os EUA em poder paritário de compra, como a maior economia do mundo. Os chineses costumam dizer que “não interessa a que velocidade você caminha, mas sim, para onde está andando”. Para o Brasil, quinto maior país e sétima economia do mundo, a inevitável ascensão chinesa, agora voltada para ultrapassar os EUA em PIB nominal, e, um dia, alcançá-lo em tecnologia, defesa, e, com menor desigualdade, em renda, traz inúmeras lições.
Mauro Santayana

De livros e do tempo

Nossos netos poderão achar os mesmos textos nas frias nuvens de bits, nas telas dos tablets e dos smartphones, ocultos nos algoritmos que as máquinas guardam e traduzem, até serem quebradas e derretidas para fazer novas memórias, placas e processadores. Mas nada poderá substituir, ou superar, a sensação de imaginar, ao acariciar uma capa antiga, a vida de quem a encadernou. De descobrir, ao abrir um volume de aventuras, a dedicatória, escrita, com esmero, a tinta de tinteiro, por um pai para seu filho de 10 anos.
Mauro Santayana

A questão haitiana

O povo haitiano tem sido historicamente explorado. Primeiro, pelos espanhóis, depois, pelos franceses, os ingleses e norte-americanos, e vários ditadores, entre eles François Duvalier, o “Papa Doc”, que, além de café e açucar, enviava, em conluio com mafiosos franceses, para o exterior, também o sangue e o plasma recolhidos, em troca de centavos, de seu povo. Se antes, os haitianos eram explorados pelos colonos brancos, hoje, com o país destruído pela miséria e o terremoto, eles o são pelos “coyotes” que, em troca de pesadas dívidas, e usando seus familiares que ficam no Haiti como reféns ou como escravos, os enviam para outros países, como o Brasil, para que trabalhem, apenas para pagar a “viagem”, durante anos.
Mauro Santayana

A UE e o Mercosul

Nos últimos dez anos, o Brasil teve 50 bilhões de dólares em lucro no comércio com o Mercosul. A única esperança que tínhamos, residia, no futuro, no estabelecimento, como fez a Alemanha, na Europa, ou os EUA, no continente norte-americano, de um mercado cativo para “nossas” indústrias, capaz de alavancar e sustentar nossa posição estratégica e geopolítica no mundo. No lugar disso, estamos entregando aos outros um mercado de mais de 400 milhões de pessoas, em acordo que deverá ser rapidamente assinado, mais por razões políticas e eleitorais do que por conveniência ou defesa dos reais interesses da nação.