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Mauro Rosso

Por que o futebol empolga e joga com paixões e ódios?

O futebol, mais genericamente o esporte, na verdade constituiu um elemento dos modismos aos quais a sociedade da cidade do Rio de Janeiro, inclusive os literatos e intelectuais, aderiu, no afã de se integrar a um processo de modernização advindo e preconizado pela República, implantada em 1889 e que tinha entre seus projetos de afirmação ideológica e política revelar-se como meio e suporte de transformar um país “atrasado não só institucionalmente, porquanto monarquia até então, como também econômica, socialmente e até urbanisticamente” e mostrar ao concerto das nações mundiais ser o regime mais adequado a superar e sustentar as exigências de um processo capitalista de transformação e evolução.
Mauro Rosso

A República – 120 anos – e os literatos.

Embora não tenha produzido correntes ideológicas próprias ou novas concepções estéticas, a geração de intelectuais, solidamente arraigados nas teorias cientificistas de 1870, e todo o espírito progressista da época pareciam estar com a República, apoiada pela maçonaria, pelo positivismo e pelas correntes que se julgavam “desassombradas de preconceitos”, as idéias circulando mais livremente num ambiente que Evaristo de Moraes qualificou de “porre ideológico”, um verdadeiro mosaico no qual era predominante o liberalismo, mas que abrigava alguma voga de anarquismo e simpatias explícitas ao socialismo.
Mauro Rosso

Machado, Freud, as mulheres, a sutileza, o enigma, a dissimulação.

Machado sempre foi um autor interessado em prospectar as paixões dos homens, em dissecar-lhes as intimidades, em levantar questões e em torná-las públicas pela voz de seus personagens; sobretudo percebia, com clareza, o lado trágico das relações humanas. Este lado trágico passa pelo permanente mal-entendido dos encontros humanos, de um ser humano permanentemente acossado pelo outro, num processo originado, determinado e materializado pelo ciúme e a desconfiança implícita, pela traição e pela infidelidade, de resto temas constantes na vida literária de Machado.
Mauro Rosso

O conto em Arthur Azevedo

Arthur Azevedo foi um importante contista, dos melhores e mais profícuos da literatura brasileira de todos os tempos. Apesar de considerado (pos-mortem) um autor “superficial”, “fútil”, e até mesmo “vulgar” - foi muito mais do que um prosaico contador de estórias e histórias, foi um documentarista muito específico do tempo em que viveu. Há na obra de Azevedo um conteúdo de crítica social muito intenso - notoriamente quanto à escravidão, assim como,aqui e ali, manifestações de cunho político.