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Martinho Júnior

A laranja apodrecida

A segunda fase da “Revolução Laranja” está em curso, com todas as triunfalistas fanfarras disponíveis e instrumentalizadas, reeditando, dez anos depois, os acontecimentos de 2004 na Ucrânia! De facto por detrás estão as mesmas causas, a mesma filosofia, o mesmo carácter, a mesma colecção de conceitos, os mesmos comportamentos e atitudes, os mesmos interesses, as mesmas conveniências, o mesmo tipo de mobilização humana… no fundo as potências ocidentais em dez anos não estão a ser nada criativas em relação aos instrumentos ao seu serviço, talvez por que os meios financeiros ao seu dispor são agora mais exíguos que antes no início do século, quando ainda “embandeiravam em arco” com a queda do muro de Berlim!
Martinho Júnior

Colapso na estratégia do petróleo em Angola

Na década de 90 do século passado, alguns técnicos superiores e assessores da área dos petróleos de Angola (alguns pertencentes mesmo à SONANGOL) alertaram para a necessidade de se constituírem reservas de bruto de forma a melhor Angola poder enfrentar as vicissitudes internacionais. Ao contrário desses técnicos e assessores angolanos patriotas previdentes e de horizontes rasgados, técnicos e assessores de outras origens, alguns deles a coberto de companhias como a DELOITE, ou a KPMG, ou das multinacionais “parceiras”, ou ainda os técnicos nacionais da própria SONANGOL, aproveitando os processos da globalização que estão em curso, fizeram tudo para que essa recomendação de ordem estratégica fosse deliberadamente “esquecida”!
Martinho Júnior

Em busca da pátria do futuro para a humanidade!

A Revolução Cubana, pelo seu exemplo de coragem, de dignidade e de clarividência, tem historicamente um valor muito para além das fronteiras da ilha de Cuba! Cuba enveredou por uma democracia participativa e cidadã bem conseguida, por que experimentada década após década na confrontação com as dificuldades inerentes à tomada das opções socialistas nas condições dum feroz bloqueio movido pelo poderoso vizinho, Estados Unidos da América! Ao assumir desde a primeira hora da tomada do poder a prioridade para a atenção que merece o homem e a natureza, com êxitos imediatos na educação, na saúde e nas acções desencadeadas em algumas das mais difíceis regiões de Cuba como a “ciénaga” de Zapata, a resistência ao império foi assumida precisamente na “pedra angular” onde esse império jamais terá êxito: a construção de sociedades mais equilibradas, mais justas, mais solidárias, inteligentes e capazes de, mesmo que tenham de enfrentar imensos obstáculos e riscos, encontrar soluções alternativas de resgate sobre o subdesenvolvimento que advém dum passado histórico de séculos, dos tempos da escravatura humana que marcou o alvor da lógica do capitalismo!
Martinho Júnior

Eleições em Angola 2012 – Parte III

A UNITA está a capitalizar a sua rebeldia, adaptando-a aos fenómenos sócio-político correntes, duma forma mais acelerada que o MPLA! Está a fazê-lo sem alterar os tipos de apoio, de audiência e de influência característicos dos seus contactos no exterior, nomeadamente nos Estados Unidos e na Europa, depois do desaparecimento do sistema do “apartheid” na África do Sul, que lhe causaram amplos constrangimentos. Por outro lado, sem os encargos resultantes das responsabilidades de preencher o governo e outros mecanismos do estado, a UNITA orienta essa energia livre de empecilhos, condicionalismos ou constrangimentos.
Martinho Júnior

Eleições em Angola 2012 – Parte II

Estas eleições reflectem de certo modo o início da passagem dos parâmetros de valorização histórico-políticos, para os parâmetros sócio-políticos, o que por si só representa uma sensível alteração dos cenários afectos aos aspectos humanos e das questões que se prendem à formação da identidade nacional, das desigualdades, das injustiças sociais e assimetrias, ao maior empenho, responsabilidade e envolvimento da juventude nos actos, isto tudo na ausência dum partido que ponha em causa a lógica capitalista, o que reflecte o “peso” e acondicionamento que se faz sentir em Angola em relação aos factores externos ligados à hegemonia, à “globalização” sob os auspícios e interesses da aristocracia financeira mundial, às aberturas por vezes escancaradas de portas e fronteiras sem olhar ao quê, nem a quem, aos “mercados”
Martinho Júnior

Eleições em Angola 2012 – Parte I

A “democracia representativa” em Angola acaba de perfazer mais uma etapa, dez anos depois do calar das armas e depois de transformações operadas no estado, nas instituições existentes (do estado e de toda a sociedade), na economia, nas finanças, no sistema jurídico, na Lei Constitucional. Estas eleições por outro lado, tendo em conta as transformações humanas, demográficas e sócio-políticas, estão a fornecer indicadores de vária ordem sobre as alterações a que a sociedade angolana está a ser sujeita:
Martinho Júnior

A alternativa do renascimento africano

Os últimos 20 anos têm sido para África muito difíceis, parecendo que o final da Guerra Fria proporcionou uma deriva em que largas regiões do continente foram sacudidas por sangrentos conflitos de toda a ordem, pelo espectro da fome, por vulnerabilidades que remontam à história, pela morte antecipada de milhões e milhões de seres e por cada vez mais profundos desequilíbrios climáticos e ambientais. Os países africanos não estão a conseguir livrar-se dos últimos lugares nos Índices de Desenvolvimento Humano, por que as cadeias de opressão na sua essência não foram destruídas, resultando no elevado grau de subdesenvolvimento e de dependência, sem alternativas suficientes para vencer as enormes dificuldades que advêm dum passado de séculos.
Martinho Júnior

Tripla fronteira

A cidade do Cuito, capital da Província do Bié, é com esse estatuto a cidade mais próxima do centro geográfico de Angola, que coincide com a matriz das grandes nascentes hidrográficas do país. Durante a guerra que surgiu em sequela da luta contra o “apartheid”, a guerra que se internacionalizou e se encadeou com o descalabro da região central de África (“Iª Guerra Mundial Africana”), por que Savimbi entendeu participar recorrendo à rebelião armada na tentativa da conquista do poder em Angola pela via da “guerra dos diamantes de sangue”, a cidade do Cuito em 1992 foi palco, conjuntamente com as cidades do Huambo e de Malange, dos mais encarniçados combates.
Martinho Júnior

África obrigada a reagir

A correlação de forças entre o poderoso grupo que persegue a hegemonia unipolar e as emergências Euro – Asiáticas (Rússia, China e Índia), está a ser alterada a favor da emergência, apesar de algumas vulnerabilidades suas perante a hegemonia, com uma vantagem: sem disparar um tiro, pela via de investimentos económicos e financeiros, respeito para com os outros estados, nações e povos, maior abertura para com as classes menos favorecidas e emparceiramentos com potências médias, ou países detentores de matérias-primas, os “rebocadores” das alternativas, embora num quadro de lógica capitalista, conseguem resultados que garantem um outro modelo para o futuro ao longo do século.
Martinho Júnior

A “amostra” do Colango

Para quem não possua muita capacidade financeira para, de forma extensiva, averiguar “deep inside” até que ponto Angola está a encontrar soluções no sentido de se conseguir melhor qualidade de vida para todo o seu povo, há uma alternativa: buscar uma “amostra” do que se está a fazer em áreas rurais onde a produção familiar, em regime de habitat disperso alternada com pequenos aglomerados junto a uma estrada principal, seja importante.