Principal » Artigos de Marisa Bueloni
Marisa Bueloni

A beleza do advento

Estamos vivendo aquele tempo inconfundível. Digo sempre que o advento natalino traz para nossa vida um hálito novo. Basta começar dezembro e vemos anjos pairando no ar, uma emoção encantadora e pura se acende em nosso peito.
Marisa Bueloni

E se a noite chegar…

E se a noite chegar sem nenhum sonho em nosso coração, nenhum alento em nosso peito, não demos o dia como perdido. Ó não. Busquemos o sonho onde ele costuma vicejar. Tentemos encontrar alento onde brotam esperanças. Onde?
Marisa Bueloni

Malabaristas das ruas

A cidade toda já viu e certamente assiste com simpatia aos artistas de rua que invadiram os cruzamentos de determinadas vias de trânsito, sobretudo onde os faróis são mais demorados, permitindo que se exibam como verdadeiros astros circenses.
Marisa Bueloni

Retalhos da vida

Tudo isso representa retalhos lindos unidos por um fio de ouro, pedaços de sonhos, viagens, festas, família reunida em volta de uma abençoada mesa, brindes, risos, gente amada que já partiu e novos que chegam.
Marisa Bueloni

A era de Aquário

Depois de cada ciclo de eras, ocorre uma mudança no zodíaco. A Terra estaria saindo da era de Peixes e “entrando” na era de Aquário. Mas, os estudiosos do assunto afirmam que esta transição acontece de forma lenta. O que preconiza a era de Aquário?
Marisa Bueloni

Dia de todos os santos

No ano 835 D.C., a Igreja Católica romana instituiu a data de 01 de novembro como um feriado para homenagear todos os santos, conhecidos e desconhecidos. Seria uma forma de celebrar os santos e mártires que porventura ficassem esquecidos durante o ano.
Marisa Bueloni

Dor de amor

Ela me escreve tarde da noite. Há algumas semanas, vem me contando que vive o drama de uma paixão avassaladora, ama sem ser amada, tragédia grega. Fel e mel misturados em proporções desiguais e loucas. Sem rodeios, sem pudores, infeliz, ela tenta resumir sua mágoa. Vejo que tornamo-nos todos forçosamente objetivos, explícitos e categóricos, até por falta de tempo.
Marisa Bueloni

Tempo de dar graças

A bênção da água chega até a nossa casa, feito um milagre maravilhoso! A água do nosso uso diário, a água que deixa a nossa roupa tão boa de usar novamente, limpa, fresca e perfumada. Esta água benfazeja nos cura e nos salva sempre, quando nosso maior desejo é um banho quente e a cama com lençóis aconchegantes.
Marisa Bueloni

Fazer as malas

Já tive paixão por fazer malas. Capricho, organização, ordem, peças separadas por tamanho, cor, uso, enfim, nunca precisei destes manuais que explicam como fazer malas. Fazia a minha e as das duas filhas, quando pequenas. Meu lindo fazia a dele, na qual eu dava uma vistoria, porque costumava levar bem pouca coisa. E ficava pronta num minuto.
Marisa Bueloni

Humores do mundo

O mundo tem seus ruídos, seus humores e seus mistérios. Quando me refiro a humores, contemplo a abrangência de grande parte do que é criado, do que nos pertence, nos caracteriza e nos individualiza. Tal cada um dos quatro tipos de matéria líquida ou semilíquida que existiriam no nosso organismo.
Marisa Bueloni

Bendita música

Não sei viver sem música. Melodias buscam abrigo em minha alma sem cessar. A alma desesperando-se. Digo: música linda, pare só um instante. Mas ela se recusa a obedecer. Atormenta-me com sua beleza sonora. Quero ser profundamente atormentada.
Marisa Bueloni

Santo dos Anjos

Nada foi tão doloroso para o Brasil, na quinta- feira, como a morte do ator Domingos Montagner, que deu vida ao fundador da Cooperativa Agro-Grotas, na novela de Benedito Rui Barbosa, da Rede Globo. Benedito chorou dando entrevista. Santo dos Anjos brilhou e encantou. Ó, Velho Chico! Tragaste o corpo e a vida de um dos mais promissores atores da dramaturgia brasileira.
Marisa Bueloni

Lá detrás daquele morro

A vida não é um salto alto, eu sei. A vida é luta. A vida contém uma dose exata de beleza, de alegria e de sofrimento, que é para ninguém enjoar dela. Tem também uma dose intrínseca de esperança. Talvez tenha a sua parcela inevitável de horror. Há os dois lados, que é para equilibrar o ato político de viver.
Marisa Bueloni

Nada é muito importante

Nada é muito importante. Aprendamos isso, senhores. Uma só coisa é necessária. Ao crente religioso, será a salvação da sua alma. Não haverá algo de maior importância neste mundo. Cada um possui sua escala de valores e se pauta por eles, confiante em seu tirocínio, em seus anos de experiência, em sua plena convicção de certo e de errado.
Marisa Bueloni

Quem não tem cão…

Minha mãe gostava de dizer que cachorro de muito dono passa fome. E é verdade. A vida comprova isso. Temos de ter uma direção única, um objetivo e contar com nossa capacidade de realização. E confiar. Mas, se à noite todos os gatos são pardos, não vamos nos preocupar demais com o supérfluo.
Marisa Bueloni

Luzes que se apagam…

Há uma música linda, de Charles Chaplin, “Luzes da ribalta”, que me toca fundo o peito, o coração e a alma. A tradução da música para o português refere-se às ilusões, às vidas que se vão, às luzes que se apagam com o decorrer do tempo. Vidas que se acabam a sorrir, luzes que se apagam, nada mais.
Marisa Bueloni

O amor não tem idade

Uma amiga querida, que já passou dos sessenta, está amando de novo e me escreveu contando que vai se casar. Já enterrou dois maridos, mas encontrou pela terceira vez um grande amor. Faz anos que não a vejo, mudou-se para outro estado e nos comunicamos pela internet.
Marisa Bueloni

No baile da vida

No baile da vida, temos escolhas a fazer e coisas a dizer. Você já se abriu de verdade, caro leitor, cara leitora? Refiro-me a questões de toda ordem, sejam afetivas ou não. Já fez um desabafo necessário, daqueles de ficar mais leve, depois de pôr para fora algo que lhe pesava terrivelmente sobre os ombros, ou sobre o coração?
Marisa Bueloni

Luar na cozinha

Quero pensar em ideias inovadoras e discutir o futuro. Que a velharia da mesmice e suas variantes não nos contaminem mais. Abaixo o senso comum, “aquela velha opinião formada sobre tudo”, os preconceitos tolos, as conjecturas ancoradas em premissas pouco consistentes ou sedimentadas em experiências negativas.
Marisa Bueloni

Anjos, passarinho e rosa

Ando vendo coisas espantosas que me causam um arrepio terrível, embora algumas cenas sejam absurdamente inacreditáveis e belas, como a dos anjos com asas. Era madrugada, noite sem estrelas, céu de chuva, quando saí lá fora na rua para ver o tempo.
Marisa Bueloni

Sob as graças de Leão

Recentemente assisti na tevê a um debate sobre astronomia e astrologia. São coisas diferentes, claro, e a maioria das pessoas se interessa mais pela consulta aos astros, buscando nos arcanos algo que possa mudar suas vidas.
Marisa Bueloni

Recomeçar

Belo é vencer a própria dor. Não há nada mais profundo, mais arrebatador e mais digno. O sofrimento traz cicatrizes fundas, mas compensadoras. As lágrimas molham o travesseiro recheado de sonhos, mas o sonho está ali, remanescente das duras batalhas.
Marisa Bueloni

Mística hora

Quantas vezes, durante o dia, dirijo meu olhar para o céu! Paro tudo que estou fazendo e contemplo o azul infinito. Na vigência de todas as coisas, vislumbro um lugar, um plácido riacho correndo por entre o arvoredo da paz. Haverá a campina verdejante e as fontes de águas puras.
Marisa Bueloni

Fé e coragem

Ouve-se dizer que, em determinadas situações, temos de ir com a cara e a coragem. Não é raro acontecer de faltar as duas, a cara e a coragem. Cada um sabe como foi enfrentar um momento difícil, tentando reunir forças para suportar. Só Deus sabe!
Marisa Bueloni

Um sentido para a vida

Peço licença para escrever um pouco sobre um tema que me inquieta eternamente: o sentido da vida. Já o abordei algumas vezes e tenho consciência de que nunca o esgotarei completamente. Convido o caro leitor a praticar comigo o exercício sublime de encontrar este sentido.
Marisa Bueloni

Pela vida afora

Enquanto a vida urge, inspira-me a poesia do cotidiano, aquela que insiste em habitar nossa alma. Sobretudo nestes tempos de violência. Quantas mortes, meu Deus. A poesia vem estancar parte deste sangue que rega a terra, cumprindo um papel dos mais dignos diante de tantas atrocidades.
Marisa Bueloni

A parte que nos cabe

As coisas da terra são sempre muito sombrias. Devem ser mais belas e mais alegres as do céu. Buscai as coisas do alto. É para as alturas que dirijo meu olhar solene, à espera de solenidades.
Marisa Bueloni

Se o amor chegar…

Se o amor chegar, devo dar bom dia? Perguntar como vai? Como nos comportar na iminência do amor bater à nossa porta? Abro, peço que entre e mando sentar? O que vestir para receber o amor que chega sem avisar? E a emoção seria diferente se ele avisasse? O amor nos enche de perguntas.
Marisa Bueloni

No meu governo

No meu governo, eu, e mais ninguém, posso dizer que as coisas se passaram dentro da mais absoluta normalidade. Tudo transcorreu de forma transparente e nós, jamais, por mais que digam o contrário, fizemos algo que, veja bem, fosse contra os princípios da democracia.
Marisa Bueloni

Pausa necessária

Paramos para descansar nossas costas depois de um trabalho estafante, detemo-nos nas subidas mais íngremes. E as paradas forçadas, o repouso por recomendação médica? Ninguém gosta de observá-los, sobretudo quando se é dinâmico, com muitos sonhos fervilhando na alma.
Marisa Bueloni

Eu voto sempre sim!

Pela beleza nossa de cada dia, eu voto sim. Voto sim pela permanência absoluta do que é belo, do que é justo, do que é do direito de cada um. Voto sim, pela ruptura com toda sorte de violência, injustiça e corrupção. Voto sim pela honra, pela decência, pela legitimidade de todas as nossas instituições democráticas e pela dignidade da nação brasileira.
Marisa Bueloni

Aptidão para o sonho

Creio que nascemos todos aptos para sonhar. Alguns sonhos ficam no passado e é bom que lá estejam para serem lembrados com saudade, com alegria e também com tristeza, com toda a dor de um sonho deixado para trás. O sonho me envolveu muito cedo. Digo que sou movida a sonho.
Marisa Bueloni

Gripe Lava Jato

Mas essa gripe H1N1 exige mais cuidados e, se a pessoa julgar que sente algo além da tal gripinha nossa de cada ano, deve procurar um médico. Fiquei observando atentamente a minha e uma amiga querida me sossegou, pois todo mundo está pegando mesmo, é a tal “Gripe Lava Jato”.
Marisa Bueloni

Roupa de ficar em casa

É a roupa de ficar em casa. Quem não tem? Eu tenho e cuido com imenso carinho desta preciosidade. Ah, os dias em que só Deus sabe o que se passa no nosso coração!... O velho moletom nas noites frias para ver tevê; a blusa amada, de décadas, comprada em Campos do Jordão; o cachecol que um dia foi novo e a meias de lã que sobem até os joelhos.
Marisa Bueloni

A poesia do cotidiano

Haverá poesia no nosso dia-a-dia repetitivo e sem grandes atrações? Penso que sim. Basta procurar pelas palavras: ela está lá. A palavra exprime a poesia que vive debaixo de todas as coisas.
Marisa Bueloni

Madre Teresa e a noite escura

Madre Teresa de Calcutá sentia a escuridão, o frio e o vazio dentro de si. Nada tocava a sua alma. Foi assim que a madre se manifestou nas cartas a um padre confessor. Durante 50 anos, ela carregou a sua cruz, a sensação sufocante de nada encontrar no fundo do coração.
Marisa Bueloni

O valor do respeito

Se há algo nesta vida que considero de extremo valor é o respeito. Respeito por tudo e por todos, pela pessoa humana, respeito pela natureza, por toda forma de vida, respeito em agradecimento aos dons que nos cercam e que nos são preciosos.
Marisa Bueloni

O som do universo

Mais uma descoberta na astronomia: poderemos, em breve, ouvir o som do universo, suas ondas gravitacionais, colisões de buracos negros, quem sabe o nascer e o apagar das estrelas, o rumor e o fragor de tudo o que está em algum lugar no espaço-tempo.
Marisa Bueloni

Procurando assunto…

Será que abordar a crise política, econômica e moral que assola o país é um bom assunto? Pena que o “japonês da Federal” mudou de função. Já estava sendo requisitado para fotos e até virou máscara de Carnaval. Nosso país é assim, meio surrealista, meio Macunaíma, meio engraçado. Quem não gostou de ver o japonês abrindo a porta do carro e acompanhando os presos pela Operação Lava-Jato?
Marisa Bueloni

Salmos que me cativam

Convidada a escrever sobre um versículo bíblico que mais me cativa ou me fascina, quedo-me a pensar que não posso escolher um só. E anuncio minha predileção pelos salmos, sua grandeza e beleza, pelo estilo literário e pela ação de cura em nossas vidas.
Marisa Bueloni

Para onde vamos?

Quero entender melhor o mundo. Preciso que alguém me explique o que está acontecendo. Uma pessoa querida me lembrou a frase “para o mundo que eu quero descer”. Mas não há como apear desta nave. Uma vez a bordo, temos de seguir viagem, até que Deus nos chame de volta para a casa eterna.
Marisa Bueloni

Passagem secreta

Nossos olhos se acostumam com a paisagem cotidiana, com o roteiro a ser cumprido todos os dias e perdemos a maravilhosa visão deste espaço pequenino que habita o nosso coração. Lá está ele, como um oásis no deserto, miragem despercebida. Fonte de águas cristalinas, praias paradisíacas, campinas verdejantes, montanhas sem fim, diáfano mundo de belezas.
Marisa Bueloni

Ano novo, velhas profecias

Logo mais, estaremos iniciando um novo ano com as mesmas boas expectativas de praxe. Mas, neste ano que se finda, pudemos constatar que as mudanças climáticas e os inquietantes fenômenos da natureza estão ocorrendo a olhos vistos. O aquecimento global já se tornou um tema dominado pela maioria das pessoas, tão forte tem sido o apelo dos meios de comunicação.
Marisa Bueloni

Um rei vem vindo

Um menino nascerá de uma virgem. “Como assim?”, perguntaria uma apresentadora de tevê. “Isso não tem lógica”. Mas na lógica de Deus tudo é possível. Até mesmo o nascimento virginal do Menino que vem ao mundo na realeza da manjedoura.
Marisa Bueloni

Para os que dormem tarde

Penso que deve haver algo de muito importante na vida de quem dorme tarde. Eu durmo tarde e sei de um batalhão de gente que também não vai para a cama antes da meia-noite. Leio sempre relatos de escritores, artistas, noctívagos em geral, de pessoas comuns que não conseguem dormir cedo.
Marisa Bueloni

Pouca gente feliz?

Se pudéssemos encontrar um medidor para a felicidade, poderíamos começar com alguns critérios respeitáveis. O que é ser feliz, ou estar feliz? Gostar da vida que se leva e sentir-se satisfeito com as realizações e conquistas?
Marisa Bueloni

E assim caminha a humanidade…

O rio Doce, de doce nome, luta contra a morte tóxica. Segundo o fotógrafo Sebastião Salgado, que se criou naquela região, é possível salvar o rio Doce, tratando de suas inúmeras nascentes. Salgado está com 72 anos e disse que espera viver para ver a recuperação do manancial.
Marisa Bueloni

Você viveu sua vida?

Viver a vida ou ser vivido por ela? Quantos de nós somos capazes de tomar as rédeas de nossos caminhos e trilhar por eles com coragem e determinação, protagonizando nossas decisões mais pessoais?
Marisa Bueloni

Para onde?

Recentemente, um amigo escreveu num desabafo: “Vou-me embora pro Butão”. E aí não sossego enquanto não busco informações a respeito. Bem, o Butão é considerado o país da felicidade. Diz o Google que “o Butão é um pequenino reino encravado aos pés do Himalaia e bastante fechado ao turismo. Ao norte, a gigantesca China e ao sul a superpopulosa Índia. É distante do Brasil. Poucas pessoas conhecem. Exótico. Feliz. País de tradições peculiares e muito isolado”.
Marisa Bueloni

No Facebook da vida

Se você tem Facebook, se você conhece o Facebook, saberá do que estou tratando. (...) O momento político é alvo de todas as piadas e imagens que o leitor possa imaginar. Sobretudo depois que a presidenta sugeriu estocar o vento... Aí foi demais, ninguém aguentou.
Marisa Bueloni

As coisas simples e belas

Às vezes, sentimos vontade de filosofar e de manter um gentil contato com a poesia, sobretudo para driblar a aridez destes tempos, nesta convulsão política, econômica e moral que assola o nosso país. Em toda parte, só se ouve falar na “crise”. A crise tomou conta de tudo e, se algo der errado, a culpa é toda dela.
Marisa Bueloni

Bênçãos para todos nós

Lemos e ouvimos em toda parte as piores notícias possíveis. Vivemos um tempo de extrema violência e agressividade. Até mesmo nas escolas alunos se agridem, se matam, expressando um ódio irracional, algo que não combina com uma instituição de ensino. De onde vem esta onda malévola que turva os olhos, faz surtar os lúcidos, desequilibra os de sã consciência?
Marisa Bueloni

A boa palavra

O bom coração tem sempre uma boa palavra e sabe identificar a ocasião propícia para proferi-la. Assim, quero transmitir bondade neste texto e busco uma gênese particular, de onde brote todo o bem. De que tipo de texto surge a bondade? Insisto no tema por causa da agressividade destes tempos, da aridez que encontramos em toda parte, da falta de gentileza, de palavras como “me desculpe”, “por favor”, “com licença” e “muito obrigado”.
Marisa Bueloni

O tempo azul

Quem não tira férias há muito tempo, comece a pensar nisso. Quem não sai da frente da pia e do fogão, tente comprar algumas coisas prontas para comer e reserve para si mesmo algumas horas de lazer. Quem é escravo do trabalho e do dinheiro, revise seus conceitos. Quem está cansado da rotina e da mesmice, aprenda algo novo, lance-se neste desafio de descobrir as muitas possibilidades da vida.
Marisa Bueloni

Piracicaba que eu adoro tanto!

Piracicaba já não é a cidadezinha cheia de graça, como num poema de Quintana. Apesar dos parquímetros, está cada vez mais difícil encontrar vaga para estacionar. Os veículos tomam conta de todo espaço disponível, não raro obrigando o motorista a parar em local proibido numa emergência. O número de motos triplicou, exigindo extrema atenção no trânsito. Há corredores comerciais em muitos bairros e percebemos os dois lados do progresso: a multiplicação da presença comercial em seus vários segmentos, ao lado da crescente dificuldade para nos locomover em nossas atividades e compromissos.
Marisa Bueloni

A grande viagem

Viver é a grande viagem, o supremo e fascinante mistério. De indagações é feita nossa passagem pelo planeta azul. Neste solo gentil depositamos tantas lutas, sonhos e ideais. Eles valem toda a nossa existência. As inquietações pulsam em nossas veias e é preciso estar atento para não perder o principal. Há questões candentes nos esperando todos os dias, problemas para resolver e consultas médicas que não podem ser adiadas.
Marisa Bueloni

Palavra e sonho

Sou movida a sonho. Alimento-me do sonho. Na trilha da palavra, habituei-me a sonhar o mundo a partir da visão dos poetas. O poeta quer mudar o mundo, pois vê muito além da paisagem cinza das cidades, além dos limites da percepção. Conformado e cheio de consolações, ele aceita o mundo, porque é dele que extrai a sua poesia. A realidade, o cotidiano é a sua matéria-prima e o contraponto é justamente o sonho.
Marisa Bueloni

Graça feminina

Imagino que cada um tenha um gosto em particular e sinta necessidade de andar com determinados objetos. De minha parte, confesso que dentro da minha bolsa cabe um mundo de coisas que julgo imprescindíveis. Espelhinho, pinça de sobrancelha, lenço, batom, lixa de unha, escova de cabelo, caneta e cartões bem guardados. Também lá estão num compartimento especial as cartelas de comprimidos para dor. Não faltam os remédios de praxe, o filtro para as mãos e elásticos para o rabo-de-cavalo nas aulas de Pilates.
Marisa Bueloni

Começar de novo…

O que é que muitos de nós faríamos, se nos fosse dada a chance de viver de novo a nossa vida? Parece fazer mais sentido perguntar a quem já viveu, pelo menos, meio século. Do alto de 50 respeitáveis anos, é permitido olhar para trás e cofiar o queixo. Passar a mão no cabelo. Tirar uma lasca de unha. Suspirar. Deixar correr uma lágrima. Mas para um jovem que deu um mergulho num lago, bateu a cabeça numa pedra e ficou paraplégico, a pergunta também caberia. Se ele pudesse viver novamente a sua vida, naquele momento do salto, ele não teria pulado, sem antes indagar a alguém da vizinhança se havia pedras no fundo.
Marisa Bueloni

Inspiradora vida

A vida é o que me inspira. Lembro a escritora Clarice Lispector, ao afirmar que não se acostumava a uma vida fácil. De fato, acabamos nos adaptando às múltiplas dificuldades da nossa caminhada e, num dado momento, se tudo parecer fácil ou simples demais, o santo desconfia... Quem já se acostumou a lutar, sentirá falta da peleja diária se, de repente, as coisas começam a ficar suaves demais pela estrada a fora. As repetidas tensões do cotidiano formam em nós a espada necessária para combater o bom combate. Terminar a corrida, guardar a fé.