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Marisa Bueloni

Mística hora

Quantas vezes, durante o dia, dirijo meu olhar para o céu! Paro tudo que estou fazendo e contemplo o azul infinito. Na vigência de todas as coisas, vislumbro um lugar, um plácido riacho correndo por entre o arvoredo da paz. Haverá a campina verdejante e as fontes de águas puras.
Marisa Bueloni

Fé e coragem

Ouve-se dizer que, em determinadas situações, temos de ir com a cara e a coragem. Não é raro acontecer de faltar as duas, a cara e a coragem. Cada um sabe como foi enfrentar um momento difícil, tentando reunir forças para suportar. Só Deus sabe!
Marisa Bueloni

Um sentido para a vida

Peço licença para escrever um pouco sobre um tema que me inquieta eternamente: o sentido da vida. Já o abordei algumas vezes e tenho consciência de que nunca o esgotarei completamente. Convido o caro leitor a praticar comigo o exercício sublime de encontrar este sentido.
Marisa Bueloni

Pela vida afora

Enquanto a vida urge, inspira-me a poesia do cotidiano, aquela que insiste em habitar nossa alma. Sobretudo nestes tempos de violência. Quantas mortes, meu Deus. A poesia vem estancar parte deste sangue que rega a terra, cumprindo um papel dos mais dignos diante de tantas atrocidades.
Marisa Bueloni

A parte que nos cabe

As coisas da terra são sempre muito sombrias. Devem ser mais belas e mais alegres as do céu. Buscai as coisas do alto. É para as alturas que dirijo meu olhar solene, à espera de solenidades.
Marisa Bueloni

Se o amor chegar…

Se o amor chegar, devo dar bom dia? Perguntar como vai? Como nos comportar na iminência do amor bater à nossa porta? Abro, peço que entre e mando sentar? O que vestir para receber o amor que chega sem avisar? E a emoção seria diferente se ele avisasse? O amor nos enche de perguntas.
Marisa Bueloni

No meu governo

No meu governo, eu, e mais ninguém, posso dizer que as coisas se passaram dentro da mais absoluta normalidade. Tudo transcorreu de forma transparente e nós, jamais, por mais que digam o contrário, fizemos algo que, veja bem, fosse contra os princípios da democracia.
Marisa Bueloni

Pausa necessária

Paramos para descansar nossas costas depois de um trabalho estafante, detemo-nos nas subidas mais íngremes. E as paradas forçadas, o repouso por recomendação médica? Ninguém gosta de observá-los, sobretudo quando se é dinâmico, com muitos sonhos fervilhando na alma.
Marisa Bueloni

Eu voto sempre sim!

Pela beleza nossa de cada dia, eu voto sim. Voto sim pela permanência absoluta do que é belo, do que é justo, do que é do direito de cada um. Voto sim, pela ruptura com toda sorte de violência, injustiça e corrupção. Voto sim pela honra, pela decência, pela legitimidade de todas as nossas instituições democráticas e pela dignidade da nação brasileira.
Marisa Bueloni

Aptidão para o sonho

Creio que nascemos todos aptos para sonhar. Alguns sonhos ficam no passado e é bom que lá estejam para serem lembrados com saudade, com alegria e também com tristeza, com toda a dor de um sonho deixado para trás. O sonho me envolveu muito cedo. Digo que sou movida a sonho.
Marisa Bueloni

Gripe Lava Jato

Mas essa gripe H1N1 exige mais cuidados e, se a pessoa julgar que sente algo além da tal gripinha nossa de cada ano, deve procurar um médico. Fiquei observando atentamente a minha e uma amiga querida me sossegou, pois todo mundo está pegando mesmo, é a tal “Gripe Lava Jato”.
Marisa Bueloni

Roupa de ficar em casa

É a roupa de ficar em casa. Quem não tem? Eu tenho e cuido com imenso carinho desta preciosidade. Ah, os dias em que só Deus sabe o que se passa no nosso coração!... O velho moletom nas noites frias para ver tevê; a blusa amada, de décadas, comprada em Campos do Jordão; o cachecol que um dia foi novo e a meias de lã que sobem até os joelhos.
Marisa Bueloni

A poesia do cotidiano

Haverá poesia no nosso dia-a-dia repetitivo e sem grandes atrações? Penso que sim. Basta procurar pelas palavras: ela está lá. A palavra exprime a poesia que vive debaixo de todas as coisas.
Marisa Bueloni

Madre Teresa e a noite escura

Madre Teresa de Calcutá sentia a escuridão, o frio e o vazio dentro de si. Nada tocava a sua alma. Foi assim que a madre se manifestou nas cartas a um padre confessor. Durante 50 anos, ela carregou a sua cruz, a sensação sufocante de nada encontrar no fundo do coração.
Marisa Bueloni

O valor do respeito

Se há algo nesta vida que considero de extremo valor é o respeito. Respeito por tudo e por todos, pela pessoa humana, respeito pela natureza, por toda forma de vida, respeito em agradecimento aos dons que nos cercam e que nos são preciosos.
Marisa Bueloni

O som do universo

Mais uma descoberta na astronomia: poderemos, em breve, ouvir o som do universo, suas ondas gravitacionais, colisões de buracos negros, quem sabe o nascer e o apagar das estrelas, o rumor e o fragor de tudo o que está em algum lugar no espaço-tempo.
Marisa Bueloni

Procurando assunto…

Será que abordar a crise política, econômica e moral que assola o país é um bom assunto? Pena que o “japonês da Federal” mudou de função. Já estava sendo requisitado para fotos e até virou máscara de Carnaval. Nosso país é assim, meio surrealista, meio Macunaíma, meio engraçado. Quem não gostou de ver o japonês abrindo a porta do carro e acompanhando os presos pela Operação Lava-Jato?
Marisa Bueloni

Salmos que me cativam

Convidada a escrever sobre um versículo bíblico que mais me cativa ou me fascina, quedo-me a pensar que não posso escolher um só. E anuncio minha predileção pelos salmos, sua grandeza e beleza, pelo estilo literário e pela ação de cura em nossas vidas.
Marisa Bueloni

Para onde vamos?

Quero entender melhor o mundo. Preciso que alguém me explique o que está acontecendo. Uma pessoa querida me lembrou a frase “para o mundo que eu quero descer”. Mas não há como apear desta nave. Uma vez a bordo, temos de seguir viagem, até que Deus nos chame de volta para a casa eterna.
Marisa Bueloni

Passagem secreta

Nossos olhos se acostumam com a paisagem cotidiana, com o roteiro a ser cumprido todos os dias e perdemos a maravilhosa visão deste espaço pequenino que habita o nosso coração. Lá está ele, como um oásis no deserto, miragem despercebida. Fonte de águas cristalinas, praias paradisíacas, campinas verdejantes, montanhas sem fim, diáfano mundo de belezas.
Marisa Bueloni

Ano novo, velhas profecias

Logo mais, estaremos iniciando um novo ano com as mesmas boas expectativas de praxe. Mas, neste ano que se finda, pudemos constatar que as mudanças climáticas e os inquietantes fenômenos da natureza estão ocorrendo a olhos vistos. O aquecimento global já se tornou um tema dominado pela maioria das pessoas, tão forte tem sido o apelo dos meios de comunicação.
Marisa Bueloni

Um rei vem vindo

Um menino nascerá de uma virgem. “Como assim?”, perguntaria uma apresentadora de tevê. “Isso não tem lógica”. Mas na lógica de Deus tudo é possível. Até mesmo o nascimento virginal do Menino que vem ao mundo na realeza da manjedoura.
Marisa Bueloni

Para os que dormem tarde

Penso que deve haver algo de muito importante na vida de quem dorme tarde. Eu durmo tarde e sei de um batalhão de gente que também não vai para a cama antes da meia-noite. Leio sempre relatos de escritores, artistas, noctívagos em geral, de pessoas comuns que não conseguem dormir cedo.
Marisa Bueloni

Pouca gente feliz?

Se pudéssemos encontrar um medidor para a felicidade, poderíamos começar com alguns critérios respeitáveis. O que é ser feliz, ou estar feliz? Gostar da vida que se leva e sentir-se satisfeito com as realizações e conquistas?
Marisa Bueloni

E assim caminha a humanidade…

O rio Doce, de doce nome, luta contra a morte tóxica. Segundo o fotógrafo Sebastião Salgado, que se criou naquela região, é possível salvar o rio Doce, tratando de suas inúmeras nascentes. Salgado está com 72 anos e disse que espera viver para ver a recuperação do manancial.
Marisa Bueloni

Você viveu sua vida?

Viver a vida ou ser vivido por ela? Quantos de nós somos capazes de tomar as rédeas de nossos caminhos e trilhar por eles com coragem e determinação, protagonizando nossas decisões mais pessoais?
Marisa Bueloni

Para onde?

Recentemente, um amigo escreveu num desabafo: “Vou-me embora pro Butão”. E aí não sossego enquanto não busco informações a respeito. Bem, o Butão é considerado o país da felicidade. Diz o Google que “o Butão é um pequenino reino encravado aos pés do Himalaia e bastante fechado ao turismo. Ao norte, a gigantesca China e ao sul a superpopulosa Índia. É distante do Brasil. Poucas pessoas conhecem. Exótico. Feliz. País de tradições peculiares e muito isolado”.
Marisa Bueloni

No Facebook da vida

Se você tem Facebook, se você conhece o Facebook, saberá do que estou tratando. (...) O momento político é alvo de todas as piadas e imagens que o leitor possa imaginar. Sobretudo depois que a presidenta sugeriu estocar o vento... Aí foi demais, ninguém aguentou.
Marisa Bueloni

As coisas simples e belas

Às vezes, sentimos vontade de filosofar e de manter um gentil contato com a poesia, sobretudo para driblar a aridez destes tempos, nesta convulsão política, econômica e moral que assola o nosso país. Em toda parte, só se ouve falar na “crise”. A crise tomou conta de tudo e, se algo der errado, a culpa é toda dela.
Marisa Bueloni

Bênçãos para todos nós

Lemos e ouvimos em toda parte as piores notícias possíveis. Vivemos um tempo de extrema violência e agressividade. Até mesmo nas escolas alunos se agridem, se matam, expressando um ódio irracional, algo que não combina com uma instituição de ensino. De onde vem esta onda malévola que turva os olhos, faz surtar os lúcidos, desequilibra os de sã consciência?
Marisa Bueloni

A boa palavra

O bom coração tem sempre uma boa palavra e sabe identificar a ocasião propícia para proferi-la. Assim, quero transmitir bondade neste texto e busco uma gênese particular, de onde brote todo o bem. De que tipo de texto surge a bondade? Insisto no tema por causa da agressividade destes tempos, da aridez que encontramos em toda parte, da falta de gentileza, de palavras como “me desculpe”, “por favor”, “com licença” e “muito obrigado”.
Marisa Bueloni

O tempo azul

Quem não tira férias há muito tempo, comece a pensar nisso. Quem não sai da frente da pia e do fogão, tente comprar algumas coisas prontas para comer e reserve para si mesmo algumas horas de lazer. Quem é escravo do trabalho e do dinheiro, revise seus conceitos. Quem está cansado da rotina e da mesmice, aprenda algo novo, lance-se neste desafio de descobrir as muitas possibilidades da vida.
Marisa Bueloni

Piracicaba que eu adoro tanto!

Piracicaba já não é a cidadezinha cheia de graça, como num poema de Quintana. Apesar dos parquímetros, está cada vez mais difícil encontrar vaga para estacionar. Os veículos tomam conta de todo espaço disponível, não raro obrigando o motorista a parar em local proibido numa emergência. O número de motos triplicou, exigindo extrema atenção no trânsito. Há corredores comerciais em muitos bairros e percebemos os dois lados do progresso: a multiplicação da presença comercial em seus vários segmentos, ao lado da crescente dificuldade para nos locomover em nossas atividades e compromissos.
Marisa Bueloni

A grande viagem

Viver é a grande viagem, o supremo e fascinante mistério. De indagações é feita nossa passagem pelo planeta azul. Neste solo gentil depositamos tantas lutas, sonhos e ideais. Eles valem toda a nossa existência. As inquietações pulsam em nossas veias e é preciso estar atento para não perder o principal. Há questões candentes nos esperando todos os dias, problemas para resolver e consultas médicas que não podem ser adiadas.
Marisa Bueloni

Palavra e sonho

Sou movida a sonho. Alimento-me do sonho. Na trilha da palavra, habituei-me a sonhar o mundo a partir da visão dos poetas. O poeta quer mudar o mundo, pois vê muito além da paisagem cinza das cidades, além dos limites da percepção. Conformado e cheio de consolações, ele aceita o mundo, porque é dele que extrai a sua poesia. A realidade, o cotidiano é a sua matéria-prima e o contraponto é justamente o sonho.
Marisa Bueloni

Graça feminina

Imagino que cada um tenha um gosto em particular e sinta necessidade de andar com determinados objetos. De minha parte, confesso que dentro da minha bolsa cabe um mundo de coisas que julgo imprescindíveis. Espelhinho, pinça de sobrancelha, lenço, batom, lixa de unha, escova de cabelo, caneta e cartões bem guardados. Também lá estão num compartimento especial as cartelas de comprimidos para dor. Não faltam os remédios de praxe, o filtro para as mãos e elásticos para o rabo-de-cavalo nas aulas de Pilates.
Marisa Bueloni

Começar de novo…

O que é que muitos de nós faríamos, se nos fosse dada a chance de viver de novo a nossa vida? Parece fazer mais sentido perguntar a quem já viveu, pelo menos, meio século. Do alto de 50 respeitáveis anos, é permitido olhar para trás e cofiar o queixo. Passar a mão no cabelo. Tirar uma lasca de unha. Suspirar. Deixar correr uma lágrima. Mas para um jovem que deu um mergulho num lago, bateu a cabeça numa pedra e ficou paraplégico, a pergunta também caberia. Se ele pudesse viver novamente a sua vida, naquele momento do salto, ele não teria pulado, sem antes indagar a alguém da vizinhança se havia pedras no fundo.
Marisa Bueloni

Inspiradora vida

A vida é o que me inspira. Lembro a escritora Clarice Lispector, ao afirmar que não se acostumava a uma vida fácil. De fato, acabamos nos adaptando às múltiplas dificuldades da nossa caminhada e, num dado momento, se tudo parecer fácil ou simples demais, o santo desconfia... Quem já se acostumou a lutar, sentirá falta da peleja diária se, de repente, as coisas começam a ficar suaves demais pela estrada a fora. As repetidas tensões do cotidiano formam em nós a espada necessária para combater o bom combate. Terminar a corrida, guardar a fé.
Marisa Bueloni

Aprendendo a respeitar

Antigamente (permita-me essa licença poética), havia dois sexos: o masculino e o feminino. De certa forma, ainda é assim. Em qualquer formulário, aparecem apenas os dois sexos para colocar a cruzinha. Nas compras pela internet, estão lá os dois sexos, e clicamos num deles. Até a internet mantém esta regra binária para o universo da sexualidade. Mas o mundo mudou. Os tempos são outros. Embora o padrão da matriz biológica seja a heterossexualidade, ninguém mais fecha os olhos para a diversidade sexual que se impõe cada vez mais na mídia e em toda parte.
Marisa Bueloni

Da matéria dos sonhos

Gosto muito desta frase de Shakespeare: “Somos feitos da mesma matéria dos sonhos”. Este dito me faz sonhar. Creio que nossos sonhos são a nossa esperança, desde o momento do nascimento. Vamos crescendo, reconhecendo as diferentes etapas da vida e os sonhos estão presentes em todas elas. Jamais deixar de sonhar, eis um lema fundamental para cumprirmos bem nossa caminhada terrena, sem perder o interesse pela vida e a curiosidade que nos faz vivos, a cada respiração de nossa caixa torácica.
Marisa Bueloni

Memória

O que dizer dos dias que passam como se não passassem? O que pensar da estagnação que, às vezes, toma conta de nossa existência, causando desalento? É quando procuramos pela poesia da vida, presente em toda parte, em todos os momentos. Ela sinaliza que estamos vivos e interessados em viver. A poesia do cotidiano apresenta-se tão bela e tão pequenina. Pode passar despercebida e então teremos perdido um grande espetáculo. Drummond escreveu sobre as coisas lindas, muito mais que findas. Afinal, são as que ficarão.
Marisa Bueloni

Menos é mais…

Aposto sempre na simplicidade. A verdade é que os tempos estão bicudos e não podemos brincar. Temos de administrar muito bem nossos ganhos, nossos proventos, ainda que modestos, ou corremos o risco de nos dar mal. Penso nos momentos da vida em que a simplicidade é sempre a melhor escolha. Uma espécie de “morte do eu”, do nosso inflado e exigente “ego”, mortezinha vital para enxergarmos um pouco além da própria imagem e resistir ao que nos seduz de forma quase irracional.
Marisa Bueloni

O planeta tem sede

Há muitas formas de fome, de sede e de carências neste mundo de Deus. Contudo, a pior delas deverá ser sempre a que é interpretada literalmente, a verdadeira sede, aquela que nos lembra a água, em primeiro lugar. Hoje, com a difusão de conceitos ligados à preservação do meio ambiente, temos conhecimento de práticas que podem interferir negativamente no ciclo natural da vida. Se tivermos a consciência de que os elementos da natureza são vitais para a nossa sobrevivência, passamos a vê-los com outros olhos. E quando a escassez destes recursos se faz sentir de forma dramática, atingindo-nos em nossas necessidades e atividades diárias, maior se torna a nossa preocupação.
Marisa Bueloni

O mar e eu

Numa viagem recente, fui ver o mar, oceânico dono de mim. Pisei numa praia linda, senti o calor das areias. Sonhei. E repito aqui meus versos plenos de amor. Mar, identificado o teu perfil, ali fundear meu coração marinho. Minha alma, um navio insubmergível, rompendo a textura da água. Onde começa tua genealogia? Deus criando a vida? Ares se condensando, vapores, fumegante paisagem do tempo. Crescente plano de águas, fervuras, matriz de rendas brancas. À tona, a luminosidade, límpida evidência de cores, marulhares. No desvão das marés, a densa história de tua aventura. Que é mito, saga, água. Fértil de naturezas, pródigo de intimidades, na pele de tua superfície, quem mergulhou o mais fundo de ti? Não contabilizo a proposta de invasão, não sei fazer amor contigo. Apenas te desejo, na areia.
Marisa Bueloni

Sala de jantar

Minha sala de jantar completou 38 anos. Foi comprada em maio de 1977, destinada à casa nova, para a qual nos mudamos naquele ano. Ela chegou com pompa e alegria. Solene e forte, robusta e importante, mas simples na sua função primeira: a de ser a mesa sagrada em volta da qual uma família se reúne. Se já pensei em trocá-la, em mudar estes móveis? Sim, muitas e muitas vezes. Os modismos vieram e se foram e eu continuei com a mesma mesa, por mais de 30 anos. Em geral, quando alguém compra uma mesa de jantar, adquire também uma espécie de bufê ou arca, que acompanha o móvel. Há quem prefira utilizar um armário, combinando na mesma madeira. Outros optam apenas por um aparador e um espelho na parede, num estilo mais limpo e despojado. Há quem goste de uma cômoda antiga, sobre a qual se exibem porta-retratos da família. Ou ainda uma cristaleira. Fica ao gosto de cada um.
Marisa Bueloni

Inspirações de abril

O que fazer agora, se já passou da hora? Prefiro a dor da ausência ao dogma da ciência. Fique em minha alma a sugestão da calma. O que mais desejo? De Deus, o Seu beijo. Assim desejo saudar o leitor nesta crônica de abril. Para encantar os corações. Para abraçar Marias Eugênias, Lucinhas e tantos queridos que me enviam e-mails amorosos e gentis. Na crônica de abril derramo meu coração febril. Aqui no condomínio de casas onde moro, saio lá fora na rua e espio o céu noturno. As estrelas profundas tremeluzem serenas. Um vento suave percorre o casario e eu rezo. Rezo pela Rua Um, rezo pela Rua Dois. São apenas duas ruas, no recanto de conto-de-fadas onde moro. Rezo pela paz!
Marisa Bueloni

Livros & dores

Quando achei que seria capaz de escrever um livro “sobre a dor”, vieram-me à memória os inúmeros livros que já lera na vida. Aprendi algo com eles? Creio que sim. Comecei a ler muito cedo e, ao terminar a Escola Normal, aos 18 anos, eu já tinha lido quase todos os bons autores brasileiros e toda a trilogia “O Tempo e o Vento”, de Érico Veríssimo, pela qual me apaixonei. Aprecio os romances e biografias, mas textos na primeira pessoa e relatos autobiográficos são os que mais me fascinam. Nos anos 80, editei uma coluna literária num jornal local e as editoras me presenteavam com livros: literatura brasileira e estrangeira, poesia, psicoterapia, publicações diversas, coleções, lançamentos especiais que eu ia devorando dia após dia. Aquilo caía do céu direto às minhas mãos.
Marisa Bueloni

Tempo pascal

Caro leitor, já viu o preço do ovo de Páscoa? Já viu os preços dos demais produtos e alimentos que precisamos consumir? Com uma nota de cem reais enchíamos um carrinho de compras. E hoje? O que conseguimos trazer para casa? Não fosse este tempo pascal, a vida transcorreria comum e corriqueira. Mas surge uma febre outonal, de quando se sente pequenino demais diante do assombro. Elevo os olhos para o vasto céu e vasculho o infinito. Na grandeza cósmica, professo o apagamento, a pobreza no espírito, a solidão mil vezes abraçada. O silêncio é a minha religião.
Marisa Bueloni

Teoria da dor

Sou uma pessoa tocada pela dor. Desde muito cedo. Refiro-me à dor física. Seria eu uma “alma eleita” para sofrer? Não sei. Já tive um pouco de tudo. Quando menina, dores de dente de uivar, dores de barriga, dores insuportáveis pelo corpo. Passava noites em claro, minha mãe esfregando um paninho com álcool nas minhas pernas. Peguei caxumba, sofri com furúnculos, terçóis (hordéolo) de não abrir o olho. Entre nove e dez anos, tive a boca queimada pela ingestão de um remédio para giárdias. Esvaziei a caixa d´água, de tanto lavar os lábios pegando fogo. Andava com um lenço, pois eu babava sem parar. Nessa idade, brincando com meus primos, próximo dos materiais da reforma de uma casa vizinha, um prego arrancou a unha do dedão do meu pé direito.
Marisa Bueloni

Eu canto um salmo

Reina no mundo um desenfreado apelo de sedução e confusão, não condizente com as coisas do espírito. Meninos hipnotizados por jogos de morte; meninas que deixam para trás a infância e a inocência, para requebrarem lascivas e precoces. Casamentos destruídos por traições, ciúmes doentios, mortes dolorosas. Famílias sacrificadas na sua missão primeira de educar e ser aconchego para os filhos. Lares desestruturados, ausência de caridade e de sacrifício. Em tempos de consumo, como falar de renúncia e desapego? Como levar às pessoas uma mensagem de luta, mas também de resignação, quando o gesto de mortificar-se já não tem nenhum sentido?
Marisa Bueloni

Fragmentos de um sábado

Fico assim, sem saber por onde começo. Que dia é hoje? E ouço a música do tempo. Acordo do sono dos séculos. Sou alguém atípica. E rezo para que o tempo sacie minha sede de fé. Pode crer. Onde está a margarida e o "paz e amor"? Ficaram lá atrás, quando o sonho existia e havia aula na faculdade, no sábado à tarde. O coração não sabia direito o que era o amor, mas, ah, como a gente amava! Banho tomado, cabelo lavado. O perfume do creme está na pele e a pele é o sábado. Sábado tem a textura corpórea do que existe. Metafisicamente. O que vestir no sábado? Não sei. O que pensar? Não sei. Quero esquecer que é sábado. E que, num sábado, eu te beijei.
Marisa Bueloni

Enquanto a chuva não vem…

Comecei a escrever um texto nos dias anteriores às chuvas de fevereiro. Enquanto a chuva não vem... Pensava nas estiagens da vida, na aridez de tantos gestos, nas mortes de quem morre tão inocentemente, nas dores e lutas de todos nós. Desde que começamos a enfrentar a atual situação de escassez hídrica, houve uma espécie de consciência popular, preocupação real com o assunto, um interesse verdadeiro pelas causas deste desastre e como combatê-lo. Tanta gente importante e competente já deu seu parecer. Teve grande impacto a entrevista do biólogo que explicou o fim do cerrado e o quanto isso implicará na falta de chuvas para a região sudeste. Já não há mais dúvidas de que o desmatamento da floresta amazônica também desviou de nós as chuvas abençoadas e necessárias.
Marisa Bueloni

Spazzio de La Pace

O ser humano é alguém de difícil convivência na face da Terra e, em algumas situações, não há o que fazer. O dono do cão sai, deixa-o durante horas, sozinho dentro de casa, e os vizinhos que aguentem. Será que o dono suportaria o seu próprio cão latindo durante uma tarde inteira? Algo me intriga: pessoas doces com animais e grosseiras no trato com o próximo. Por isso, tenho um sonho. Reunir um grupo de pessoas com capacidade de empreendimento. Comprar uma área de terra bem localizada, uns 30 ou 40 mil metros quadrados e construir um condomínio gracioso, pequenino e bem cuidado. Ruas contornando toda a área para que as casas não se “encostem” no muro que o delimita. Equipamentos antilatidos para alguma residência neste setor que viesse a ouvir algo como au-au. Paz, paz, paz!
Marisa Bueloni

Um olhar para o futuro

Temos abordado, freqüentemente, as contradições do nosso tempo e refletido sobre a inversão de valores, que acaba por confundir e promover equívocos irreparáveis. Os paradoxos são gritantes. Pregamos a necessidade de uma vida saudável e não respeitamos nosso próprio solo, produzimos poluição de forma desumana e criminosa. Em tempos de massacres anunciados, os desafios são inúmeros e exigem nosso permanente estado de alerta, diante de conceitos que nos são praticamente impostos, embalados com o selo do bem e da legitimidade. Hoje, discute-se muito a liberdade de expressão. Peço licença para opinar: liberdade de expressão, sim; respeito às religiões também. Respeite-se a fé, a crença das pessoas.
Marisa Bueloni

Quando entardece…

É no entardecer que a vida se torna mais intensa e ousa perguntar se, até aqui, tudo correu bem. Depois das três horas da tarde (a Hora em que tudo foi reconciliado em Deus), um novo movimento se faz notar por entre os sussurros diurnos. A tarde recebe do céu um vento ornado de promessas. Entre as alvíssaras, um anúncio nos assombra. “Jesus está voltando”, eis a frase escrita nas pedras dos caminhos, nos muros da vida, nas camisetas dos crentes e na fé dos que suspiram pela vinda gloriosa do Senhor. Viria Ele purificar esta terra de horrores; viria para deter o banho de sangue na Nigéria; viria em socorro dos pequeninos e dos que carregam cruzes pesadas. Viria para curar e salvar. Alguém pode aguentar mais um pouco só de violência e de corrupção? Quem consegue tomar conhecimento das notícias, sem sentir um profundo desprezo pelo gênero humano?
Marisa Bueloni

Pobre mundo rico

É lamentável, mas faltam aos nossos tempos os consistentes valores que dão suporte ao desenvolvimento de uma sociedade justa e humana, de bases fortes e dignas. A prática generalizada da corrupção é um exemplo maligno. Hoje, impera a lei da esperteza e escasseiam-se os elementos e conceitos formadores da boa educação. Há um franco relaxamento em toda parte e esta frouxidão é a tônica que vai se tornando regra de vida. As sociedades modernas se pautam pelo hedonismo e pela satisfação dos prazeres, na corrida consumista, no desejo de riqueza e poder. Todos querem ter o que é de última geração, sobretudo o celular mais poderoso. Seja para usar, seja para ostentar. A ordem é ter.
Marisa Bueloni

Um canto de paz

Minha alma deseja cantar um canto novo. Uma dessas harmonias benfazejas, capazes de nos fazer sonhar e revolucionar o mundo, o universo eternamente em expansão. Busco compreender o sentido da perene recriação cósmica, e o assombro é colossal. Jamais alguém conseguirá decifrar o grande mistério de Deus. É Ele o Alfa e o Ômega, o início e o fim. Assim, fico tranqüila ao pensar que “Deus está no comando”, como se diz, e tento descansar. Penso que de nada irá adiantar me afligir por isso e por aquilo, pois há um plano superior para toda e qualquer situação.
Marisa Bueloni

Velho ano novo

Não. Não há feliz ano velho e parece não haver nem mesmo feliz ano novo. Ano vai, ano vem, e as mesmas coisas estão aí: o perigo dos conflitos entre países, a crise mundial, violência e muita corrupção. Além de atiradores enlouquecidos que matam vidas ainda florescendo ou que praticam atos de terrorismo. Feliz ano novo. Mas há nações em guerra civil, onde as insurreições não cessam. Israelenses e palestinos continuam em luta; há refugiados pelo mundo todo, à procura de um lugar para viver, catástrofes naturais deixando um rastro de desolação e milhares de desabrigados.
Marisa Bueloni

Deus sabe o que faz

É ano novo. Frei Saul diria: “Gente, não muda nada, apenas a data na folhinha”. Eu também acho. As nossas batalhas são insignificantes perto das vitórias de Deus. Não temos ideia da Sua grandeza. Todo o universo é pouco para a extensão do Seu poderio. É Ele quem manda no ano novo. Depois que os cientistas descobriram a “partícula de Deus”, julgam estar a um passo de desvendar os mistérios da cosmogenia, da origem da vida e seus assombros. Contudo, chega-se num ponto onde não é mais possível avançar. Ali é território divino, impenetrável e, talvez, profundamente simples. Ou complexo demais para a inteligência humana?
Marisa Bueloni

As primeiras letras

Na época dos vestibulares, é comum a divulgação na mídia das “pérolas” guardadas pelos colecionadores destas espécies genuinamente nacionais: os trechos de provas que se notabilizam, senão pela hilaridade, então pela tragédia que se abateu sobre o ensino como um todo. De fato, é difícil achar graça na desgraça. E o que tem ocorrido com a alfabetização e o saber, em geral, é algo lamentável. Se o aluno chega ao vestibular praticamente semi-analfabeto, como completar a prova?