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Márcio Paschoal

Dois filmes, um só conceito: “Augustine” e “Tabu” – o jogo das paixões

Dois filmes em cartaz e que obtiveram elogios da crítica, “Augustine”, de Alice Winocour, e “Tabu”, de Miguel Gomes, apresentam enredos que se assemelham no trato dos percalços e agruras dos amores impossíveis. Em ambos, o bom senso indica que tudo estará fadado à tragédia. Mas talvez seja mesmo isso que tanto atraia os incautos que imaginam amar. Augustine não tem muita escolha, pela idade e situação na qual se encontra, mas Aurora, a personagem de “Tabu”, adota uma postura mais caprichosa, fruto de sua condição confortável de mulher rica e mimada. A diretora de “Augustine” Alice Winocour leva a situação num crescente meio previsível da magnetização recíproca do casal, ou seja, o doutor acabará cedendo aos encantos da jovem que está pingando estrogênio, e esta, no fetiche clichê do mestre e a discípula, não desistirá de tentar seduzi-lo. Já o diretor lusitano segue o roteiro e deixa sua Aurora ser surpreendida ao apaixonar-se, quando deveria ter sido só um rompante, um deslize sexual.
Márcio Paschoal

Sambas: para quem é bom sujeito

Sai pelo selo Mills Records o novo CD (Jamba) da cantora e compositora Andrea Dutra. Bamba do jazz e fluente no samba, Andrea, em seu novo trabalho comove e esbanja bom gosto e sensibilidade. Os músicos que a acompanham, trabalham com ela há mais de uma década e, naturalmente, nota-se a cumplicidade reinante. A começar por Paulo Malaguti, companheiro do Arranco e responsável pelos arranjos, além, é claro, do piano em todas as faixas e da parceria na ótima “Branquinha”. Zé Luiz Maia, Rafael Barata, Marcelo Martins e Augusto Mattoso completam o time. O disco começa com irresistível levada, na suingante “A Criação” (com Fred Martins) que anuncia o que virá a seguir.
Márcio Paschoal

Casais à beira de um ataque de sensibilidade

O cinema sempre se prestou muito bem a parcerias com as demais artes. São livros e romances adaptados que ganham vida nas imagens ou trilhas sonoras que valem um filme. No entanto, a junção do cinema com o teatro não costuma dar frutos com a mesma frequência ou valor. Em 2010, Roman Polanski realizou nas telas, com algum sucesso de crítica, a peça “O deus da carnificina” (Carnage) da francesa Yasmina Reza (“Le dieu du carnage”). Dois anos depois, a dupla Alexandre de la Patellière e Matthieu Delaporte repetiria a dose com “Qual o nome do bebê?” (Le prénon). Ambas mergulhando no universo cenográfico teatral (a cena se passa o tempo inteiro num apartamento), esmiuçando as relações humanas e investindo no respectivo caos.
Márcio Paschoal

Carreiras solidificadas

Outro dia recebi prospecto de um amigo, cantor e compositor, que faria seu show. Nele, era anunciado que tinha uma carreira solidificada. Como seria isso? Uma carreira que petrificou, talvez. Literalmente, acredito que somente os Stones teriam uma carreira assim. Solidificada seria um eufemismo para algo que já estaria consagrado? Não creio. À primeira vista, pejorativo certamente não é, posto que o artista não remaria contra. Acho até que ele possa sentir orgulho de uma carreira solidificada. Para mim soa mais a estanque. Algo como parado no tempo, qual uma pedra. Uma vertente fixa que não se altera, perdida no tempo.
Márcio Paschoal

Há paz na Terra e homens de má vontade

A tal paz na Terra aos homens de boa vontade é para poucos. Bem poucos e raros. Definitivamente, falta boa vontade com ela. A paz não é somente um estado nirvânico, nem uma forma de convivência regulada por um acordo social qualquer. Nem a ausência de discussões. A paz é algo que não conhecemos, que apenas buscamos e imaginamos. Vai ver por isso que Lennon a imaginou em um lugar no qual não houvesse países. E nenhuma religião também. Estas pregam a paz e lutam, matam por ela, num paradoxo extremo de dar pena à humanidade. Bom seria o nada para matar ou morrer, apenas todo mundo vivendo pacificamente. Sem guerras.
Márcio Paschoal

Dez mulheres, dez personagens

Há filmes que são marcados pela presença fulgurante de determinadas atrizes. Seja na natural beleza, no carisma engendrado ou até na atuação destacada. São thrillers que ficarão na memória, muito mais pela ação de suas protagonistas do que pelo roteiro, direção ou assunto. Mas, se fosse para escolher entre a fria beleza de Isabelle, a juventude de Blanca, os olhos de Nadine, o charme de Juliete, a postura de Bárbara, o lirismo de Ronit, a sedução de Emanuelle ou o orgasmo de Kazuko, ficaria com a sensualidade extrema, esgar de espanto e medo da personagem Oribela, interpretada divinamente pela paranaense Simone Spoladore,
Márcio Paschoal

Mais diálogo entre as religiões

Um filme anti-islâmico vem provocando ondas de protestos em países muçulmanos, abrindo o precedente para uma discussão polêmica: quais seriam os limites da liberdade de expressão e de religião? Hoje muito se discute o poder e a vocação de toda liberdade de expressão. Proibir a manifestação do pensamento é pretender uma unanimidade autoritária, arbitrária e irreal. Vivemos um tempo em que os limites são discutidos, um tempo de politicamente corretos, patrulhamentos ideológicos, revanchismos e fortes doses de falta de bom senso.
Márcio Paschoal

Quando o lobo cai da estepe

Outro dia dei-me conta de que o tempo andava passando mais rápido do que devia. Diferentemente do que Mick Jagger preconizava em “Time is on my side”, parece que ele, o tempo, mudou de lado. De uns meses para cá, dei para ouvir seguidos comentários do tipo: “sua aparência anda ótima!”. O que isso quererá dizer? Pode ser deboche. Ou ainda que alguém esteja tentando animar você. “Para sua idade, até que você está legal...”.
Márcio Paschoal

Cinco dias em Maceió

Maceió é uma cidade muito bonita. Os arrecifes fazem-na ainda mais bela, com os coqueiros espalhados pelas praias. As chicas são sorridentes e o povo caloroso e simpático. O uísque tem o preço honesto, as lagostas já não são mais as mesmas, porém as cervejas são encontradas facilmente, bem geladas e em quase todos os lugares onde caiba uma mesa com cadeiras.
Márcio Paschoal

Cuspindo o caroço!

Algumas polêmicas acompanham a humanidade, gerando discussões e inaugurando rivalidades, como direita e esquerda, se há mesmo ditadura em Cuba, (...) Mas, nada supera a eterna disputa ontológica entre a ciência e a fé. Ou, como preferem alguns teólogos, entre a fé e a ciência. Agora, cientistas, num dos maiores experimentos já realizados, provocaram o encontro de feixes de partículas subatômicas, reproduzindo o cenário do Cosmos um trilionésimo de segundo após o Big Bang.
Márcio Paschoal

Autocrítica traduzida

Existiu um tempo no qual os críticos eram tidos com mais seriedade. Antonio Candido era desses. Debruçava-se sobre a obra e, atento, indagava os motivos e pormenores que levavam certos escritores a certas peculiaridades. Hoje tudo vai bem mais rápido. A crítica se prende ao simples fato de conseguir agradar ou não; compreender ou não; simpatizar ou não. O ponto básico para as estruturas de análise do texto pouco varia.
Márcio Paschoal

Só coisas boas

Tenho recebido cada vez mais mensagens de pessoas que descobriram a forma mágica de se eliminar completamente as influências negativas da cabeça que as impedia...
Márcio Paschoal

Vilões

No fundo, todos nós temos uma queda por vilanias. Na ficção, então, não dá nem para a saída. Inesquecíveis e más, desfilam na nossa memória...