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	<title>Debates Culturais - Liberdade de Idéias e Opiniões &#187; Luciana Mendina</title>
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		<title>Entre os muros da educação</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Jun 2009 21:18:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana Mendina</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fiquei impressionada com o filme vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2008, o excelente Entre os muros da escola. Além de ricos diálogos entre professor e alunos, o que vemos na tela é a expressão atualíssima da dificuldade de convivência entre a França (os professores e a instituição como um todo) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fiquei impressionada com o filme vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2008, o excelente <i><strong>Entre os muros da escola</strong></i>. Além de ricos diálogos entre professor e alunos, o que vemos na tela é a expressão atualíssima da dificuldade de convivência entre a França (os professores e a instituição como um todo) e os países por ela colonizados (os alunos). O longa de Laurent Cantet mostra o cotidiano de um professor de francês (François) e seus alunos da 7a série da periferia de Paris, que quase transformam a sala de aula em um campo de batalha. É uma luta pela educação, mas também pelo poder, visto que o professor precisa, constantemente, exercer sua autoridade e driblar a falta de interesse dos alunos por sua disciplina, assim como as diferenças sociais e o choque entre as diversas culturas representadas: africana, árabe, asiática e européia.</p>
<p>Alguns alunos se destacam no enredo. Souleymane é o garoto marrento que, em um momento infeliz, enfrenta o professor e pode ser expulso da escola; Esmeralda é impertinente e testa a paciência de todos constantemente; Arthur é ermo; Louise é a menina bonita da classe, e por aí vai. São representantes de várias personalidades e estereótipos que serão desenhados ao longo do filme. O mais importante é que a proposta, de repensar a globalização e seus efeitos na educação e na convivência social, está ali e é reforçada de forma coerente do início ao fim.</p>
<p>Também o tipo de envolvimento entre ambos é questionado, já que há uma corrente de educadores que acredita que a escola não deve ser um lugar no qual as crianças aprendem apenas disciplinas escolares como gramática, matemática, etc. Para estes, é importante ajudar as crianças a se inserirem na sociedade, a fazerem parte dela. É esta linha de conduta que segue François que, por sua vez, apesar de bem-intencionado, não é um ser “inspirado” como nos filmes americanos, responsáveis por realizar milagres nos seus estudantes. Ele é apenas um homem comum, uma pessoa falível, que deseja realizar o seu trabalho da melhor maneira possível e que encontra vários obstáculos em seu caminho.</p>
<p>O que vemos neste filme, que em muitos momentos parece um documentário, não é muito diferente da realidade de nosso país. Infelizmente, nos últimos anos, temos sido informados pela Mídia da troca de agressões verbais e físicas entre professores e alunos, principalmente na rede pública. Esse tipo de desacato não estarrece mais ninguém. Como se vê, não é um problema regional e sim mundial. Por isso, precisamos descobrir como valorizar a liberdade de expressão, o diálogo, o debate sem que o respeito, fundamental para a harmonia social, seja deixado de lado. E não é justamente o respeito um dos pilares da educação?</p></div>
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		<title>O medo de todos nós</title>
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		<pubDate>Sun, 31 May 2009 03:09:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana Mendina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Luciana Mendina]]></category>

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		<description><![CDATA[Na semana passada, assistí ao filme Medos privados em lugares públicos (Coeurs/2007), que se passa em Paris, onde seis pessoas estão em busca do amor, embora nunca tenham sido bem-sucedidas em suas tentativas. É a história do fracasso afetivo, mas, mais do que isso, é a história dos desencontros. O diretor Alain Resnais, de Ano [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na semana passada, assistí ao filme <i>Medos privados em lugares públicos</i> (Coeurs/2007), que se passa em Paris, onde seis pessoas estão em busca do amor, embora nunca tenham sido bem-sucedidas em suas tentativas. É a história do fracasso afetivo, mas, mais do que isso, é a história dos desencontros. O diretor Alain Resnais, de <i>Ano Passado em Marienbad</i> e <i>Hiroshima, meu amor</i>, retrata com maestria a problemática sempre atual da solidão, mas desta vez como conseqüência de uma série de mal-entendidos e desencontros. A narrativa do filme é lenta, mas sua construção é bem feita e aos poucos vamos conhecendo com mais detalhes a vida aparentemente tão diferente dos seis protagonistas e percebendo que seus dramas têm muito em comum.</p>
<p>Thierry (André Dussollier), corretor de imóveis, é irmão de Gaëlle (Isabelle Carré) e trabalha com Charlotte (Sabine Azéma). Ele tenta alugar um apartamento para Nicole (Laura Morante) e seu noivo, Dan (Lambert Wilson), que, desempregado, passa o dia no bar onde Lionel (Pierre Arditi) trabalha em vez de procurar um trabalho, para desespero de Nicole. Lionel, por sua vez, cuida do pai, um velho rabugento que não sai da cama e é cuidado, à noite, por Charlotte. Algumas interpretações equivocadas dos relacionamentos aproximam e afastam os protagonistas, remetendo-os novamente para a solidão.</p>
<p>Apesar de morarem em uma cidade que no imaginário coletivo lembra romance, amor, paixão, eles são seres solitários na essência da palavra. Não se sentem temporariamente sozinhos, mas sós. Em várias passagens do filme, parecemos ouvir Nietzsche dizer: “odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeira companhia”.  Ou o compositor Tom Jobim, para quem “fundamental é mesmo amor; é impossível ser feliz sozinho”. É dessa impossibilidade que trata o filme.</p>
<p>A impossibilidade de conviver dia após dia com a solidão de alma, aquela solidão que maltrata, que parece sem solução. Como dizia o sociólogo Roberto Freire, de <i>Ame e dê vexame</i> e <i>Sem tesão não há solução</i>, não é a vida o contrário da morte e sim o amor. O filme, então, nos abre essa possibilidade: a de refletirmos sobre nossas escolhas tendo em vista a ocorrência de “acidentes”, “casos fortuitos” que podem surgir no percurso, e pede que não sejamos tão rigorosos nos nossos julgamentos. Afinal de contas, o ditado é antigo: as aparências enganam.</div>
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		<title>O que é pior: a volta do Collor ou a inércia do povo?</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Mar 2009 05:06:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana Mendina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Luciana Mendina]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde a última semana, quando o ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) assumiu a fiscalização das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do governo federal, o cenário político brasileiro ficou ainda mais vergonhoso. Ao sair pela porta do fundo do Planalto, em 1992, através do processo de impeachment, e respondendo por peculato, corrupção passiva e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde a última semana, quando o ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) assumiu a fiscalização das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do governo federal, o cenário político brasileiro ficou ainda mais vergonhoso. Ao sair pela porta do fundo do Planalto, em 1992, através do processo de impeachment, e respondendo por peculato, corrupção passiva e falsidade ideológica perante o STF, acreditava-se que a carreira política de Collor estava arruinada (seus direitos políticos foram suspensos por oito anos). Mas <i>elle</i> voltou. Foi eleito senador por Alagoas, seu estado natal, e através de um conchavo do PTB com o PMDB, conseguiu uma posição estratégica: ser fiscal do PAC. Na disputa pela liderança, o ex-presidente venceu a senadora petista Ideli Salvati por diferença de três votos (13 a 10). Até na hora de elogiar a adversária, Collor é de um terrível mau gosto, ao dizer que Ideli “é uma pessoa que congrega, agrega, cisca para dentro”. A senadora não gostou e reclamou, já que quem cisca é galinha. Collor, então, explicou que a expressão é comum no Nordeste, tem caráter positivo e de homenagem. Falou mas não convenceu. Como sempre.</p>
<p>A verdade é que o apoio do governo à eleição de Collor, além de estranha, evidencia a falta de fidelidade partidária do presidente Lula que, além de abandonar seus companheiros, ainda faz aliança com notórios desafetos. Mas se o presidente desistiu de ser coerente, o que resta para o povo brasileiro? Onde estão os caras-pintadas? Onde estão aqueles jovens e estudantes que, em agosto e setembro de 1992, pintaram o rosto de verde e amarelo e organizaram passeatas a favor do impeachment de Fernando Collor, denunciado pelo próprio irmão, Pedro Collor de Melo?</p>
<p>O ex-presidente foi apontado como cúmplice de seu tesoureiro de campanha, Paulo César Farias, sendo este último acusado de enriquecimento ilícito, evasão de divisas e tráfico de influência. Será que a volta de Collor, agora, ao governo, pela porta da frente, não denuncia a inércia em que vive a população brasileira? Enquanto a inflação era galopante, o povo se mobilizava, criticava os maus políticos, ia às ruas protestar.</p>
<p>O preço que pagamos pela estabilidade política deve ser tão alto a ponto de deixarmos passar em branco todo tipo de corrupção, passando pelo Mensalão e pela CPI dos Bingos? Ou será que o povo perdeu a memória?</p></div>
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		<title>MSN e Orkut: um novo dialeto?</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Mar 2009 05:36:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana Mendina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Luciana Mendina]]></category>

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		<description><![CDATA[Para aqueles que apreciam a língua portuguesa e procuram escrever e falar corretamente, é um choque assistir a conversa entre jovens, principalmente adolescentes, no MSN e no Orkut, duas ferramentas para as conversas on-line na Internet. Embora sua utilidade seja indiscutível, já que facilitam a comunicação e permitem reencontrar amigos e conhecidos e fazer novas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para aqueles que apreciam a língua portuguesa e procuram escrever e falar corretamente, é um choque assistir a conversa entre jovens, principalmente adolescentes, no MSN e no Orkut, duas ferramentas para as conversas on-line na Internet. Embora sua utilidade seja indiscutível, já que facilitam a comunicação e permitem reencontrar amigos e conhecidos e fazer novas amizades, um dos efeitos colaterais dos dois é a criação de uma nova linguagem, uma abreviação das palavras e uma substituição de letras, o que gera um empobrecimento do português.</p>
<p>Mas se é uma tendência dos internautas, se é uma conseqüência natural da rapidez em que escrevemos atualmente, por que não nos adaptarmos a ela? Por várias razões e a primeira delas é que, acreditem se quiser, leva mais tempo digitando esse dialeto do que a língua convencional, o que derruba a tese da praticidade.</p>
<p>Em segundo lugar, assim como atrai muitos adeptos, também é duramente criticada. Em uma pesquisa de opinião realizada no ano passado, internautas foram questionados sobre a nova linguagem e as respostas foram as mais variadas possíveis, inclusive com votação para as melhores respostas. A que teve mais votos, infelizmente, alegava que “é mais prático escrever dessa forma do que escrever tudo certinho, o que toma tempo”. Como essa hipótese não se sustenta, vamos ao restante das respostas, afinal, também há luz no final do túnel.</p>
<p>Uma das críticas ao novo código alertava para o fato de na hora de prestar um concurso público ou vestibular, os candidatos confundirem-se com a escrita por terem passado tanto tempo escrevendo errado (novamente o tempo em questão). Também foi citado o descaso com a língua portuguesa, o que seria uma evidente demonstração de falta de patriotismo e de valorização do que é nosso.</p>
<p>Na verdade, o resultado foi 50% de aprovação e 50% de rejeição e, sendo assim, devemos levar em consideração que, nas principais cidades brasileiras, mais de 12,7 milhões de pessoas acessam a Internet de lugares públicos ou de casa, segundo pesquisa realizada pelo Ibope em 2006 (pesquisa mais recente sobre o assunto).</p>
<p>Quanto ao perfil do usuário, verificou-se que, em locais pagos, o uso da Internet é voltado, principalmente, para o envio e o recebimento de e-mails (55% dos 4,5 milhões), de mensagens instantâneas (24%), salas de bate-papos (19%), navegação em comunidades como o Orkut (26%) e uso de games (26%). Já nos pontos de acesso gratuito, o uso da rede para o envio e o recebimento de e-mails foi de 45% dos 1,7 milhão, para as mensagens instantâneas, 18%, navegação em comunidades como o Orkut, 19%, uso de games, 21% e realização de atividades escolares, 28%.</p>
<p>Esses números estão defasados, mas já dão uma noção da força da Internet na vida do brasileiro e da significativa influência em suas escolhas. Resta saber se essa influência será positiva ou negativa.</p></div>
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		<title>Que reforma é essa?</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Mar 2009 06:07:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana Mendina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Luciana Mendina]]></category>

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		<description><![CDATA[Em vigor deste janeiro deste ano, o novo acordo ortográfico adotado por Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste está longe de ser uma unanimidade. Enquanto o gramático e imortal Evanildo Bechara acredita que não há desvantagem na unificação do idioma, o filósofo e escritor Hélio Schwartsman e o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em vigor deste janeiro deste ano, o novo acordo ortográfico adotado por Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste está longe de ser uma unanimidade. Enquanto o gramático e imortal Evanildo Bechara acredita que não há desvantagem na unificação do idioma, o filósofo e escritor Hélio Schwartsman e o escritor angolano Ndumduma Wé Lépi (em artigos publicados na <span style="font-style:italic;">Folha de São Paulo</span>) criticam a iniciativa, que consideram estúpida e inútil. Aprovado em outubro de 1990 em Lisboa pela Academia Brasileira de Letras, pela Academia das Ciências de Lisboa e pelas delegações dos outros seis países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), o novo acordo propunha a adoção de um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, o que constituiria um passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional.</p>
<p>Para Bechara, essas alterações no português não representam uma dificuldade para as pessoas cultas. Pelo contrário. Devem diminuir a distância entre os países e facilitar o intercâmbio cultural. Para exemplificar, ele cita que foram devolvidos 500 livros enviados a Angola em 2007, pois estavam com a grafia brasileira e dificultavam a compreensão das palavras a que eles estavam acostumados. Já Schwartsman classificou como estúpida a reforma e acrescentou que ela faz sentido apenas para alguns parlamentares e gramáticos.</p>
<p>O escritor angolano vai mais além e diz que é a favor de acordos, mas acordos que sejam voltados para um ponto crucial: invadir de livros mais baratos as estantes desses povos tão carentes de leitura. Surge, então, uma questão: será que o povo brasileiro será beneficiado com a reforma ortográfica? Será que tornar os livros mais baratos e mais acessíveis à população não deveria ser a meta número um de países em desenvolvimento como o nosso? É deste tipo de reforma que o povo brasileiro precisa? Ou, por outra, o novo acordo ortográfico resultará na formação de novos leitores ou na diminuição do analfabetismo?</p>
<p>Ao que tudo indica, abre-se uma brecha para que se pense na real condição do leitor brasileiro e da posição que almeja a língua portuguesa em um futuro não tão distante, levando-se em consideração que, segundo a ONU, é a quinta língua mais falada do mundo, atingindo cerca de 250 milhões de pessoas.</p>
<p><b></b><br />
<blockquote><b>(*) Luciana Mendina</b> é Bacharel em jornalismo pela PUC/RS. Passagem pelos jornais Jornal do Commercio (RJ), Jornal do Brasil (RJ), Folha de São Paulo (RJ) e TV Bandeirantes (SP). Atuou durante quatro anos como assessora de imprensa e fez especialização em Marketing na ESPM (RS). Mora atualmente em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.</p></blockquote>
</div>
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