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	<title>Debates Culturais - Liberdade de Idéias e Opiniões &#187; Leonardo Brum</title>
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		<title>Um só pedido!</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jan 2009 17:40:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Brum</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um só pedido e milhões de vidas poderiam mudar completamente num só instante. Mas será que as pessoas conseguiriam eliminar o monstro do egoísmo? Imagine se, de repente, você pudesse ter um desejo realizado a partir de um pedido que você pudesse fazer. Um pedido apenas. O que você pediria? Uma casa. Um apartamento. Um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um só pedido e milhões de vidas poderiam mudar completamente num só instante. Mas será que as pessoas conseguiriam eliminar o monstro do egoísmo? Imagine se, de repente, você pudesse ter um desejo realizado a partir de um pedido que você pudesse fazer. Um pedido apenas. O que você pediria?</p>
<p>Uma casa. Um apartamento. Um carro. Uma jóia valiosa. Dinheiro. Muito dinheiro. Ficar rico, talvez. Parar de trabalhar. Encontrar a mulher ou o homem ideal. <i>São tantas coisas, não poderia ser mais que um pedido só?</i></p>
<p>Talvez, assim, teríamos um monte de diamantes azuis, pirâmides de ouro em nossos quintais e as roupas mais caras do mundo. Um monte de coisas. Mas o que são coisas? São os bens materiais. <i>Coisas que criam bem-estar às pessoas</i>. Artifícios de linguagem de um autor querendo misturar as coisas? Não, não é tão simples assim.</p>
<p>Pois bem. A inversão criada pelo capitalismo propõe que a felicidade é capacidade de possuir coisas. Isso nos remete a um conceito também egocêntrico de felicidade, fundamentado na propriedade individual. Adulamo-nos de coisas para, basicamente, mostrar aos outros que somos privilegiados porque temos jóias e roupas caras.</p>
<p>Será que, se nos fosse concedido um pedido, seríamos capazes de pedir pelo bem-estar de um estranho? Pelo bem-estar de uma comunidade? Será que nós pensaríamos no outro?</p>
<p>As pessoas, por conveniência, pretendem adquirir coisas para serem felizes, mas nunca estarão satisfeitas porque sempre haverá coisas novas que precisarão comprar para serem felizes, num desejar eterno por algo novo, e a falta de algo traz a dor, <i>e não felicidade</i>.</p>
<p>Aquela roupa cara de última moda que você comprou já está ficando ultrapassada. As outras pessoas já estão usando algo diferente, e você precisa <i>se atualizar</i>. O carro que você comprou zerinho já saiu de linha. A felicidade agora tem outro nome mais atualizado e uma grande campanha de marketing. E ela torna-se, assim, um produto de mera aparência, estampado com uma promessa de um mundo perfeito no rótulo: “Se você comprar, você será feliz”.</p>
<p>Na verdade, desmentindo a ideologia, não existe <i>condição</i> para a felicidade. A felicidade existe por si só, e não está à venda. A felicidade está nas pequenas coisas, nas coisas mais simples e que, na maioria das vezes, passam despercebidas pelos nossos olhos no meio do nosso cotidiano mercado-lógico e funcional: está no sorriso inocente de uma criança. Num abraço apertado. No amor incondicional de mãe. O prazer de ajudar e estar junto. Uma risada solta e desprendida de culpa. Em viver o presente, porque o passado já acabou, e o futuro pode ser criado a cada instante.</p>
<p><b></b><br />
<blockquote><span style="font-size:85%;"><b>Leonardo Brum</b> é escritor mineiro, autor do livro de suspense <i>Um Mundo Perfeito</i>, recém-lançado pela Editora Novo Século. Consulte o site do autor: <a href="http://www.leonardobrum.com.br/" target="new">www.leonardobrum.com.br</a></span></p></blockquote>
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