Principal » Artigos de Laurentino Sabrosa
Laurentino Sabrosa

Dia das mães

Todas as mães, salvo raríssimas excepções, são um monumento de amor e ternura para os seus filhos. Toda a mulher que se sente em esperanças de entregar ao mundo um filho, passa a ter simultaneamente momentos de alegria e sentimentos de apreensão. É a alegria de ver o prolongamento de si própria, osso dos seus ossos e carne da sua carne, é o receio do que lhe possa suceder na sua hora e do que possa suceder contra a harmonia e felicidade do seu filho. Começa desde logo a abençoa-lo com amor, falando-lhe como se ele fosse já bebé ao seu colo. E fica toda feliz quando ele parece corresponder-lhe, saltando de alegria no seu seio.
Laurentino Sabrosa

Quem tiver ouvidos que ouça

Há mesmo muita gente que tem olhos mas não vê, tem ouvidos mas não ouve, porque não olha para muitas realidades e não ouve as poucas vozes que pretendem mostrar-lhes essas realidades. Um exemplo disso é a pouca atenção que quase toda a gente dispensa à sua saúde, e, por causa disso, cometem excessos de toda a ordem, na alimentação e nos vícios que lhe dão prazer. De vez em quando, lá se alertam as pessoas para os malefícios do tabagismo e do alcoolismo, mas tudo continua como sempre. Também de vez em quando, são referidos os grandes malefícios provocados pela alimentação irracional, principalmente pelo excesso de gorduras que conduz à obesidade. Pois quase toda a gente continua indiferente nos seus hábitos alimentares, notoriamente prejudiciais, mesmo aqueles que por serem já obesos, têm obrigação moral e social de se corrigir.
Laurentino Sabrosa

Homossexual = gay?

No assunto de homossexualidade, há um pormenor que nunca tenho visto referido, mas para mim é importante. É sabido que a palavra inglesa gay significa alegre, contente satisfeito. Ora, um homossexual ser alegre, satisfeito de o ser, como se isso fosse uma medalha de mérito e uma grande honra em benefício da humanidade, é que me custa a aceitar e me confrange ver tanta gente complacente em aceitar. A homossexualidade é, no mínimo, um lamentável desvio da função sexual, tão lamentável que seria o pior que poderia haver em toda a humanidade se todos o seguissem.
Laurentino Sabrosa

Grande sabedoria ou boa moral?

Eu e o meu vizinho, também fomos ignorantes, por não sabermos que não ser ignorante não é só saber ler e escrever bem, e ter outras sabedorias aprendidas na escola; é também ser educado e delicado, para não ofender ninguém, especialmente nas dificuldades e incapacidades que ele possa ter. Chamar “cegueta” a quem não usa óculos e parece ver bem, não é grande ofensa; chamar “cegueta” a quem a quem é fortemente míope, é ofensa que o magoa mais que a sua miopia e mais do que se lhe chamassem ignorante.
Laurentino Sabrosa

O moderno Carnaval português

A alegria académica que agora é exibida no tradicional cortejo da Festa da Queima das Fitas, é uma sombra do que era no meu tempo de estudante. Agora, é uma extravagância tão artificial, que por vezes e lamentavelmente, só uns garrafões de vinho a conseguem manter…As perspectivas e as estatísticas dizem que o futuro selou um pacto com o diabo. Então, no cortejo convém afivelar as máscaras da alegria, numa tentativa de cada estudante e todas as pessoas se convencerem de que esse tal pacto com o diabo vai ser quebrado clamorosa e auspiciosamente, ficando o futuro liberto para se lhes apresentar risonho e promissor. Não convém curtir tristezas por antecipação, não convém sermos caixeiros-viajantes da banha de cobras venenosas. E então… haja alegria!... ainda que seja preciso chamar a música, ainda que essa música não seja mais do que gritos de alma amarfanhada por receios, que se escondem por entre a alacridade possível. No Carnaval português passa-se, mutatis mutandis, a mesma coisa. O “grosso” do Carnaval dantes eram as crianças encantadoramente fantasiadas; adultos com máscaras, que quanto mais horrendas mais bonitas e próprias eram, máscaras com que cada qual intrigava o seu vizinho disfarçando também a voz; os bailes particulares ou no velho e saudoso Palácio de Cristal do Porto e espectáculos nos cinemas, com profusão de confettis e fitas tanto a esmo, que alguns se tentavam a reutilizar apanhando-as do chão. Havia mesmo portaria das autoridades a proibir isso, por uma evidente questão de higiene pública. Quase tudo isso acabou.
Laurentino Sabrosa

O Natal existe?

Se alguém celebra essa festa em família e pensando só na sua família, seja anátema, porque o seu Natal não existe, esse Natal não é meu, não é teu, não é dele, não é de ninguém! – é apenas um convívio-encontro de ventos cruzados que feriram rostos sem saberem de quem; se uma família ao celebrar o Natal faz de sua casa uma ilha, tão vasta quanto lhe permite a sua carteira e sem pontes para as outras famílias, seja anátema, porque esse Natal não existe, não é dela, não é nosso! – a sua festa não é Festa, mas satisfação de lobos que dizimaram ovelhas sem saberem de quem e quantas. O Natal só será verdadeiramente NATAL se, não só para a nossa família mas também para toda a família humana, e em comunhão com a família humana, for Festa, não festança, ágape mais que Ceia, Festa para que, simultaneamente, damos contributo, dela somos participantes e somos usufrutuários.
Laurentino Sabrosa

As andorinhas

A Ornitologia é uma ciência maravilhosa, sobretudo quando nos ensina quanta beleza há não só na morfologia das aves, mas também quando consegue descobrir todo o “modus vivendi” de cada espécie. Mas a Ornitologia conseguiu descobrir mais belezas na andorinha. A andorinha procura regressar ao local onde anteriormente fizera o ninho e no seu acasalamento tem sempre em toda a sua vida o mesmo e um único parceiro. Assim, a andorinha, mais do que pela sua real ou inventada tagarelice, deve ser tomada com exemplo e símbolo do amor ao lar e da fidelidade matrimonial.