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Jéssica Poliane dos Santos

Aqueles meninos

Aqueles meninos, aproveitando a situação do embate e a tomada daquele asfalto, não pensaram duas vezes e desceram com os seus munidos de suas armas e vontades de guerrear. Acostumados a enfrentar a força de segurança da ordem, entre os becos dos morros, onde muitas vezes, somente por sua condição de vida (sem escolha desse infortúnio), a segurança legalizada do asfalto, chega sem perguntar ou sem se explicar, derrubando pertences, derrubando dignidades, derrubando vidas! Lá os policiais se tornam inimigos, preservam a segurança da cidade formal, ante as mazelas das favelas e seus crimes.
Jéssica Poliane dos Santos

Reflexões sobre a escola e os seus frutos

A escola, os professores, os alunos, a comunidade e o Estado. Todos juntos e convivendo diariamente dentro de um local projetado para tal convivência. Todos com pontos de vistas diferenciados. Além da relação grupal de cada ser envolvido, existe ainda os interesses individuais. Que fenômeno interessante são a instituição escolar e seus envolvidos. Será que existe lugar tão diverso? Onde as diferenças devem ser respeitadas e tratadas de forma igualitária, lugar de formação e às vezes destruição de um ser. Ser aluno, professor, comunidade e Estado.
Jéssica Poliane dos Santos

Para onde vão as meninas?

A capital desenhada à régua, “milimetricamente” pensada. Pensada em quem pode ficar e quem tem que sair. As ruas bem estruturadas. Para pedestre e para os carros. A cidade desenhada e quadrada exige o enquadramento daqueles que por ali, colocam seus pés e utilizam deste espaço. Se você vai comprar, se enquadre. Se você vai vender, se enquadre. Se você vai passear, se enquadre. Dê espaço para aqueles que podem mais do que você e para os carros, que são mais importantes do que toda a gente. É bem movimentada, em todas as horas do dia. Pequenas portas onde se observam escadas têm demarcado o lugar de subir e o outro de descer. Dessas portas, saem engravatados, mendigos, jovens e idosos. São homens e mulheres de todas as cores e trejeitos, em um eterno sobe e desce.
Jéssica Poliane dos Santos

O momento em que a subversão constrói um novo mundo

Os jovens das últimas gerações são quase sempre tachados de juventude acomodada, sem perspectiva, com falta de sentimentos mais humanitários e cada vez mais individualistas (salvo algumas raras exceções), dentre outros adjetivos negativos. Os jovens de outras épocas “douradas”, que lutavam armados por direitos e liberdade, viveram descobertas e experiências únicas, ouviram surgir grandes ídolos da música e outras histórias e momentos marcantes, deixou de herança para a maioria da juventude atual, algo pronto, que talvez remetesse ao desapego com questões de cunho mais social e filosófico.
Jéssica Poliane dos Santos

O irrevelável segredo

Drummond uma vez disse em um de seus poemas, sobre o “irrevelável segredo chamado Minas”. Mistério pousado entre as montanhas. Misterioso existir, completado pela essência intrínseca ao vento, ao solo, a abissal terra de montanhas e que nem os próprios mineiros ousam revelar-se a si mesmos esse ser em jeitos e trejeitos. A luz de Drummond, que no uso da mais singela e profunda mestria, soube expressar algo tão intimo ao ser, de todos os seres, filhos da província interiorana das Geraes, permito-me construir uma analogia. E o que realmente quer dizer a analogia? Segundo o Aurélio, pode ser um ponto de semelhança entre coisas diferentes, ou identidade de relações entre termos de dois ou mais pares, semelhanças entre figuras que só diferem quanto à escala. Contento-me com estas significações.