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Ivani de Araújo Medina

Preciso escrever

Preciso escrever e nada tenho em mente que justifique esse desejo. Mas é assim para esse impulso que não se importa com motivações. Sabe mais do que eu porque as inventa. “Ih cara, esquenta não, começa aí”. Eu obedeço e pronto. Assim me dou à oportunidade de estar um pouco mais com esse personagem despreocupado da minha vida. Nunca tivemos pretensões literárias,poéticas ou coisa assim. Quando ele quer se espalhar, eu deixo e é estimulante que seja assim.Não ter compromisso algum quando nos propomos a algo, é como tomar uma estrada somente pelo prazer de caminhar. Mais nada.
Ivani de Araújo Medina

Abaixo a pretensão islâmica em nosso país

A rejeição a cultura islâmica é mais do que compreensível para os 80% restantes da população mundial. Especialmente para nós, brasileiros mesmo com todas as nossas dificuldades insanáveis. Realmente esta cultura nada tem a ver conosco ou com o nosso país tropical plurirreligioso, no qual se aprecia a beleza e a liberdade do jeito que tanta gente diferente ajudou a criar. Mesmo desagradando a um e a outro, a experiência da multiplicidade nos é muitíssimo cara. Portanto, muita atenção nós devemos ter com ações de cunho ou aparência religiosa, cuja pretensão hegemônica investe no próprio futuro em nosso país. Isto serve para todas as crenças aqui instaladas.
Ivani de Araújo Medina

Uma visão pessoal do ateísmo

Sou ateu porque não acredito no deus de Israel, o deus da bíblia. Para mim é o deus do comportamento. Então eu admitiria outra possibilidade fora esta? Não tenho motivos para isso. Quando se defende deus, defende-se a bíblia, na verdade. Pois é lá que ele existe realmente. Não temos conhecimento da sua existência em outro lugar, senão lá ou na mente dos crentes e nada há de intelectualmente desonesto nesta afirmação.
Ivani de Araújo Medina

Charlie or not Charlie?

Certamente essa não é a questão. Sim algo muito mais sério que está por trás de tudo o que a mídia e os governos ocultam. Salman Ruschdie foi condenado à morte por uma autoridade religiosa de outro país, mesmo não estando lá, por ter escrito um livro considerado ofensivo ao islã. O tradutor de "Versos Satânicos" para japonês foi assassinado. Sobreviveram os tradutores ao italiano, esfaqueado, ao norueguês, baleado, e o editor turco, que se hospedou em um hotel que foi incendiado.
Ivani de Araújo Medina

Falando brevemente de amor

Na bela música de João Bosco e na bela letra de Abel Silva se manifesta algo simples demais para não ser brilhante: quando o amor acontece a gente esquece logo que sofreu um dia, ilusão. Pronto! O “logo” é convocado pelo esquecimento que nos faz viver. O coveiro das mágoas passadas. Mas tudo depende do freguês, claro. Tem gente que gosta de sofrer e não troca isso por nada.
Ivani de Araújo Medina

As duas faces da fidelidade

O modelo mesopotâmico, de comprovada eficácia na lida com as massas, é um laço fundamental com o passado do judaísmo e, por extensão, com o cristianismo e o islamismo. Pois, desse modelo resultou a criação do deus abraâmico. Seguindo o que a história nos informa, e não a Bíblia, o assiriólogo e professor Dr. Samuel Noah Kramer, nos diz que ao contrário de quase todos os outros povos antigos, os mesopotâmicos estabeleceram um sistema de vida orientado por um senso de moderação e de equilíbrio. Adotavam um meio-termo viável entre a razão e a fantasia, a liberdade e a autoridade, o conhecido e o transcendental. Não é à-toa que, segundo Kramer, todos os livros do Antigo Testamento possuam antecedentes literários mesopotâmicos.
Ivani de Araújo Medina

Só sei que nada sei!

Sócrates disse isso por entender que quanto mais se aprende, mais se percebe a insignificância dos conhecimentos adquiridos diante do quanto se tem a aprender. Depois de uma boa resposta sempre haverá uma ótima pergunta. Não significa que as certezas conquistadas pelo esforço do estudo tenham valor algum. Pelo contrário, servem de base aos próximos passos em direção ao conhecimento.
Ivani de Araújo Medina

Você já pensou nisso?

Para nos confundir, as “religiões” com intenção hegemônica se servem das pessoas boas e pacíficas como engodo. É com esse traje de festa que posam para as fotos oficiais. O ponto que eu quero chegar, é que não se poder negar que entre as chamadas “religiões abraâmicas”, o Islamismo é aquela que mais se encontra envolvida em confrontos armados e conflitos pelo mundo afora.As outras duas (Judaísmo e Cristianismo) só não estão em evidência na mídia porque seus atos de igual terror e sanguinolência por imposição cultural estão no passado. A imposição cultural é o cerne do problema.
Ivani de Araújo Medina

Resposta à crítica

O Brasil precisa fortalecer-se como um estado verdadeiramente laico. Isso sim garantiria conforto social afastando qualquer nuvem escura do futuro brasileiro. Uma das primeiras providências poderia espelhar a legislação grega, que para proteger os domínios do seu Cristianismo ortodoxo do assédio de outras vertentes cristãs, criou uma lei em 1938 que proíbe o proselitismo religioso. Aqui seria para proteger o direito e garantir os deveres para com o Estado de todas as crenças existentes no Brasil. O Estado precisa dar o exemplo.
Ivani de Araújo Medina

Pais nossos que estão na Terra

Será que este pai iraquiano e cristão que exibe o corpo da filhinha degolada vai oferecer a outra face, como sugere o Novo Testamento? Duvido que este conselho esteja vivo em seu coração. Nesse sentido, os milicianos do E.I., devem se sentir mais à vontade com esse deus de dupla face. A religião é um convite para viver num mundo que não existe. Por um lado, um mundo de intenções que pertence a um futuro sempre adiado. Por outro, um mundo duro e cruel onde à crua realidade, aos berros, tenta inutilmente ser ouvida por um bando de surdos ensandecidos.
Ivani de Araújo Medina

O silêncio dos bons

Vou iniciar este artigo com uma conhecida frase atribuída a Martin Luther King: “O que me assusta não são as ações e os gritos das...
Ivani de Araújo Medina

Quantos anos ela deveria ter?

Essa menina da foto deveria ter entre quatro e seis anos de idade, imagino. É o destino dos infiéis do deus abraâmico, não importando o sexo e a idade. Não importa também qual seja a versão que o cultue. As bombas do Hamas e as israelenses fazem o mesmo com os pequeninos. Mais recentemente, o tal estado islâmico não para de oferecer sangue em quantidade a esse deus, com alegria. A paixão por deus algum mata mais do que por esse. O Antigo Testamento confessa que os hebreus assassinaram outros tantos indivíduos em sua honra e católicos e protestantes já se mataram também pelo mesmo motivo. No passado, o Islamismo na sua implantação pelo mundo matou demais.
Ivani de Araújo Medina

A destruição dos hereges

A Santa Inquisição foi instituída com a intenção de eliminar os hereges do mundo. No século X, Hallaj, um dos grandes representantes do sufismo, foi executado por ter ensinado em estado de êxtase que havia atingido a identidade suprema e que Deus e ele (aquele que atinge tal estado) eram um. Os sufis são perseguidos e mortos até hojepelos islâmicos ortodoxos. O fato é que se percebe um nítido confronto entre a proposta de autoconhecimento (como conhecimento de Deus) e a de manipulação das massas (com suas lendas). Quem conhece um pouco de si não se deixa manipular facilmente e isto não interessa a produção e manutenção de uma cultura massificadora que explora descaradamente a vulnerabilidade emocional das pessoas.
Ivani de Araújo Medina

O tempo cobra

A lenda do cristianismo do século I (Jesus Cristo etc.) foi a pior desculpa que a nova cultura religiosa poderia ter arranjado na sua pretensão histórica. Essa solução encontrada com o objetivo de sustar a influência e substituir em importância o judaísmo nos primeiros séculos poderia ser cobrada posteriormente com um preço muito elevado aos futuros devotos, como está sendo atualmente. Fé é uma coisa, história é outra. Posso estar sendo anacrônico no que vou dizer, mas a audácia de terem atribuído uma origem judaica ao cristianismo se explica pela necessidade, contudo, os seus fundadores deveriam saber que um dia isso ia aparecer.
Ivani de Araújo Medina

A origem mesopotâmica do Deus abraâmico

Se a origem de todas as mitologias passasse a ser conhecida do grande público, mudaria bastante o conceito que temos hoje de religião. A começar pela etimologia desta palavra, que é tão falsa quanto à argumentação que a sustenta. Eis o motivo pelo qual não percebo o monoteísmo abraâmico como uma evolução do politeísmo, como se pensa. No ambiente da Mesopotâmia havia alguns milhares de deuses nominados. Explico o porquê: não é novidade de que nas ruínas da antiga Mesopotâmia (Terra Entre os Rios) foi encontrada, no século dezenove, uma quantidade impressionante de plaquetas de barro cozido escritas em caracteres cuneiformes. Os textos mais importantes pertenciam à biblioteca do rei assírio Assurbanipal, que reinou entre 668 e 627 A.E.C., e foram encontrados em Nínive (Mossul, no atual Iraque), conhecida cidade da Bíblia.
Ivani de Araújo Medina

O difícil aprendizado democrático

Votei no Lula para o primeiro mandato. Depois de ter votado “contra” desde que me entendo por eleitor. Foi a primeira vez que fui às urnas satisfeito para votar a favor. Nunca fui marxista, petista ou um grande admirador daquele sindicalista. Diante da apavorante resposta à incompetência política da direita, só resta o único rebate conhecido daqueles que rejeitam aprender que democracia não é a apenas realização do próprio desejo: o golpe. Se a esquerda está na iminência de mais um mandato não é porque o povo foi enganado e não sabe votar.
Ivani de Araújo Medina

O pai da mentira

Mentir na cara dura é tão antigo quanto a espécie humana ou quem sabe, até mais. A mentira mais antiga não é tida como tal e, pelo que se conta, nem é humana. A conclusão que chego é que a história do Gênesis é tão polissêmica quanto quem a protagoniza. Trata-se de uma linguagem simbólica que não se sabe o que exatamente simboliza. Escorrega-se demais nas explicações para proteger uma tradição roubada. Refere-se ela de maneira velada a uma história muito antiga, como uma criação extemporânea, ou a o que então?
Ivani de Araújo Medina

A fé que não interessa

Para os gregos do período clássico, religião era coisa de mulher e escravo. Funcionava como uma válvula de escape para aliviar a tensão dessas classes desfavorecidas naquelas sociedades paroquiais. A religião era conscientemente um instrumento auxiliar do estado. Com o desenvolvimento dos estudos filosóficos e o aprofundamento do contato com o Oriente, tal entendimento sofreu grande transformação e o pensamento místico instituiu-se de vez. O período greco-romano foi o ponto alto dessa transformação com a propagação do judaísmo mesclado ao helenismo. A vitória da cultura greco-romana sobre a incômoda cultura judaica deu origem a uma nova cultura religiosa chamada cristianismo. A ideia antiga de que o homem precisa ser enganado para reagir favoravelmente aos interesses de governo teve papel destacado nesse período episódico.
Ivani de Araújo Medina

O Cristianismo de verdade e o Cristianismo de papel

Li uma observação muito interessante de um autor desconhecido: “Eu nunca fui insultado por um satanista maligno por não crer no diabo. Só por cristãos amorosos por não crer em Deus”. A profundidade abissal entre a intenção e o fato lembra aquele ditado: “De bem-intencionados o inferno está cheio”. O problema é que a teoria não se convence de que é com a realidade que ela precisa aprender. Não é por outro motivo que o Cristianismo de verdade não tem seguidores. Quando muito, laboriosos defensores que fazem de tudo para melhorar a sua imagem do pouco que chega ao conhecimento dos crentes e à opinião pública. Quem se interessa pelo Cristianismo de verdade são os pesquisadores independentes. Somente diante das suas revelações caras à história os crentes se tornam céticos.
Ivani de Araújo Medina

O que fazer agora?

Eis a grande pergunta do século vinte e um. A questão se refere à embrulhada que o Cristianismo se meteu no passado ao trazer o personagem Jesus Cristo do tempo mítico para o tempo histórico. As religiões cristãs não sabem como responder nem o que fazer agora. É o fim do caminho. No tempo mítico o que importava era o moral da história. Esse tempo não requer confirmações e tampouco explicações para os alegados fatos como ocorre no tempo histórico. Na narrativa mítica quando se diz “Certa vez” ninguém pergunta quando, como e o porquê. O importante é o que se desenrola a partir daí. Na narrativa histórica, quando se diz “em tal lugar, sob o governo de fulano de tal etc.” se estabelece um compromisso com os registros cronológicos e o meio circundante da época. Isto significa que se cria uma dependência indissolúvel com aquilo que se afirma e nenhuma outra forma de interpretação, senão a factual, é admitida.
Ivani de Araújo Medina

Mais um aniversário da cultura mentirosa

Ora, ora está aí o Natal. Mais um aniversário do maior embuste da história da humanidade. Alguns reclamam que essa festa perdeu o seu verdadeiro sentido para tornar-se a volúpia do comércio. Diz-se que a mentira repetida várias vezes vira verdade. Vira nada. Vamos o que acontece com a verdade repetida. Somente na mente de crentes, e em benefício da própria fé, a história da origem do cristianismo pode ser acolhida como se apresenta. É contada no Novo Testamento, e apenas nele existe. Portanto, nada há de científico no seu acatamento. Trata-se de um ato de imposição política e cruel.
Ivani de Araújo Medina

Pela criminalização do proselitismo religioso no Brasil

Existe alguma maneira segura para garantir o direito de todos às próprias crenças ou a crença religiosa alguma? Existe. É mostrar constitucionalmente para aqueles que se servem da democracia para se arrogarem acima do direito dos outros por se considerarem praticantes e divulgadores da “única religião verdadeira”, que o buraco é mais embaixo. E tem que ser num país multiplamente religioso como o nosso. Ora, toda religião é verdadeira para aquele que a pratica. Com isto, a ideia de religião verdadeira é mais uma crença que deve ser vista e tratada como tal. Nunca como um direito a mais a privilegiar a nossa tradição cultural cristã. O direito de levar “a palavra”. Se quisermos paz e harmonia social no futuro a tradição democrática deve sempre vir antes da tradição religiosa ou a Constituição antes da Bíblia.
Ivani de Araújo Medina

Você é contra o aborto?

Eis uma pergunta maldosamente formulada, pois nada é mais indesejável do que o aborto na vida de uma mulher. No entanto, é assim que a questão é colocada. Numa perguntinha maldosa porque finge não haver opção entre a indiferença e a valorização da vida humana, como se fosse assim. Velhacaria pura. Por quê? Para não se mudar o paradigma, porque é muito fácil colocar o dedo na cara do outro, mas muito difícil assumir a responsabilidade da criação e educação de uma criança, assumir a indenização por um projeto de vida interrompido, assumir o estrago maior provocado por uma situação absurdamente traumática que resultou na gravidez etc. Apenas condenar é mais prático.
Ivani de Araújo Medina

E o mundo ocidental quase foi judeu…

Quase ninguém sabe disso e menos ainda sobre as causas desse desconhecimento. No primeiro século da era comum, a guerra romano-judaica de 66-70/3 espalhou muitos judeus pelas cidades gregas do Mediterrâneo. O antigo hábito judaico de viver apartado dos demais era interpretado e respondido com rejeição. Em especial pelas classes médias gregas. O desprezo indisfarçável dos judeus pelos cultos helênicos punha mais lenha naquela fogueira. Sob Augusto, as cidades da Jônia, na Ásia Menor, quiseram expulsar os judeus porque eles não queriam abandonar seus ritos. O convívio social era tido em alta conta pelos gregos. Não foi à toa que construíram seus ginásios, teatros e ágoras. A beleza da arquitetura grega era voltada para os espaços públicos visando o deleite de todos e tornando o convívio social mais belo e agradável. A vida social era a expressão máxima do helenismo, a qual povo algum havia resistido. Menos o judeu.
Ivani de Araújo Medina

A antiga decência cristã

A maioria quase absoluta das pessoas ainda pensa que o início do cristianismo se deu na Palestina, no século I, com a pregação de Jesus Cristo e seus apóstolos. No entanto, a história confirmada do cristianismo aponta para outra realidade e região: a região da Ásia Menor e a cidade de Alexandria, dois focos de atritos entre a população judaica e a população não judaica, no século I. O cristianismo real, que veio a se desenvolver somente no século II, continua eclipsado pelo chamado “cristianismo apostólico” do mundo das lendas. Esse é o cristianismo primitivo e briguento existente na história, bem diferente daquele que divide o pão. O Cristo, que ainda não era Jesus, foi levado por alguns do tempo mítico para o tempo cronológico, o tempo histórico, para atender às suas necessidades políticas e não fundamentalmente religiosas. Isto explica o porquê dos desmandos com os quais o cristianismo se envolveu ao longo do tempo e continua a se envolver até hoje.
Ivani de Araújo Medina

Mas que droga de valores são os nossos?

Como é possível ser bonzinho com quem subtrai os direitos básicos de inocentes e ainda se vinga pelo pouco arrancado incendiando a vítima? Querer ser bom e belo interiormente é um tipo de vaidade mesquinha diante do que a nossa própria realidade nos apresenta. Quem quer ser não é. É fácil compreender seus motivos falazes para tamanha magnanimidade, mas impossível aceitá-los quando um novo tipo de crueldade virou moda. Graças à frouxidão generalizada em todos os sentidos, mas especialmente aquela em nome de uma estética existencial da carochinha, que trancou as nossas leis na sacristia. Afinal, que droga de valores são os nossos?
Ivani de Araújo Medina

Filósofos e golfinhos

Será que alguém nada identificado com a cultura dominante encontraria espaço profissional e midiático para se expressar décadas atrás? Eu duvido. No entanto, ainda em nossas sociedades, o sujeito pode ser ateu que não tem problema algum desde que fique calado e se assujeite. Quando meu pai faleceu, uma senhora do meu relacionamento profissional que se dizia bastante religiosa, me sabendo ateu, perguntou-me se eu havia sentido ao menos “um pouquinho” aquela perda. Tive vontade de mandá-la... Mas me contive. Infelizmente, ela perdeu a vida temos depois num assalto num sinal de trânsito, diante da filha que a acompanhava no automóvel. Fosse comigo, para muita gente, seria um castigo de Deus, com toda certeza.
Ivani de Araújo Medina

A lei do adubo

Pena de morte é um prato cheio para a demagogia existencial. (...) A pena de morte se mostrou um fracasso como pena exemplar porque não deveria ser usada assim. Já como pena de contenção ninguém poderia negar a sua eficiência, pois criminoso morto não pode mais fazer mal a ninguém. Os psicopatas são um pequeno exemplo. Existe uma grande diferença entre a certeza de uma ameaça que raramente é cumprida e a certeza da execução. Mas a nossa cultura tem lá os seus tabus e cosmeticamente adora alardear o direito a vida.
Ivani de Araújo Medina

Fim da linha para a ortodoxia cristã

O que tem a ver com a história que a ortodoxia cristã não quer contar, são os motivos da sua invenção. Oficialmente ainda guardados na caixa preta. As fraudes documentais produzidas por ortodoxos apaixonados ao longo da história, para atestar a existência física de Jesus Cristo, estão perdendo o efeito desejado. Quanto mais os novos métodos de pesquisas avançam e documentos originais são encontrados, pior. Mais evidente fica a fraude mais difícil de ser explicada da história da humanidade. Por isso, volta e meia, ainda estão forjando “provas” que favoreçam a versão da ortodoxia cristã. Vamos ver que solução política se encontrará para isso em futuro próximo.
Ivani de Araújo Medina

Estranhos no ninho?

Você acredita que o Homem desconheça a própria origem depois de tantos conhecimentos que acumulou e continua a acumular? Não me refiro ao surgimento da vida, da inteligência etc., mas ao exclusivo surgimento da nossa própria espécie. Eu não. Evidentemente a manutenção desse mistério tem lá seus interessados e o principal deles é a própria organização humana. Na base da organização humana está a religião, e a religião precisa de seus mistérios para continuar reinando na imaginação humana. Existem algumas teorias que passam ao largo dessa interpretação. Por exemplo, aquela que diz que o homem primitivo por temor aos fenômenos naturais passou adorá-los e a cultuá-los como deuses. Teria sido uma consequência natural do desenvolvimento da inteligência humana diante do desconhecido e o início da religião.
Ivani de Araújo Medina

O Cristo de verdade e o Jesus de invenção

A transcrição de parte do assunto em questão é o que pode dar credibilidade às nossas afirmações. Do contrário, é dizer nada. Dizia-se “existem muitos documentos em Israel e espalhados em museus pelo mundo inteiro que comprovam a existência de Jesus. Está cientificamente provado.” Tais documentos nunca foram especificados e quanto mais exibidos. No entanto, eu vou ainda mais longe ao negar a existência do cristianismo no primeiro século, na Palestina, como afirma o Novo Testamento - um processo de elaboração literária que ocorreu ao longo de 200 anos, de cerca de 160 a 360 (PAGELS, 2004. p. 46). Até hoje nem uma linhazinha ou achado arquelógico confiável foi encontrado a confirmar tal existência garantida pelo referido livro.
Ivani de Araújo Medina

Mais um capítulo de uma história mal contada

As críticas aos evangelhos estão mais centradas na análise das mensagens humanitárias, na identificação das suas prováveis origens mitológicas, na teologia, na falsidade histórica etc. Porque será que se desviaram da análise de um aspecto tão elucidativo do enredo, isto é, o povo que serviu de base para essa versão e a sua verdadeira participação nessa estória? O personagem Jesus de Nazaré era galileu e a Galileia serviu inicialmente de cenário ao drama de Cristo. O imperador Juliano, o Apóstata (361-363), o último imperador pagão, como Josefo, fazia distinção entre judeus e galileus e, curiosamente, chamava os cristãos de “galileus”. Juliano respeitava os judeus porque entre eles não havia mendicância. O que poderia isto significar além das aparências?
Ivani de Araújo Medina

Da Bíblia ao Alcorão

Há uma novidade na praça: pastores evangélicos se convertendo ao islamismo. Segundo um deles afirmou, na verdade, estão se revertendo porque “todo mundo já nasce islâmico”. Ai, ai, ai... Como se não bastasse o que nos vem acontecendo. Coitadinho do nosso Brasil. Isto não é preconceito, é conceito mesmo do que vem a ser religião monoteísta e seu rastro pela história. Não se fala, mas o islamismo surgiu por influência do cristianismo. Segundo o historiador Toynbee, no século VII os árabes eram contratados como mercenários para guardarem as fronteiras no Oriente Médio, tanto a dos persas quanto a dos romanos do Oriente. Uma dessas situações inusitadas da história. Com suas caravanas, comerciavam livremente com os dois beligerantes auferindo grandes vantagens.
Ivani de Araújo Medina

Excrentes e escroques

A debandada das pululantes igrejas ou denominações religiosas ainda não ganhou o destaque que merece. Também não há interesse em divulgar essas notícias quando as demonstrações organizadas de fé dão muito mais lucro promovendo produtos destinados a esse nicho de mercado. Os escroques sabem navegar nas carências alheias. Como vão longe com a antiga arte dos intrépidos navegantes das esperanças alheias. São iniciantes ou veteranos a torcerem pela possível realização de uns poucos congregados para enganarem a muitos mais. Cada crente é um engodo em potencial e representa uma pequena fração das riquezas e prestígio social das suas lideranças.
Ivani de Araújo Medina

A melhor história da história

Jesus Cristo foi o produto de sincretismos religiosos que incorporado ao gnosticismo pré-existente particularizou determinado segmento que tinha como propósito se impor politicamente aos romanos pelo viés cultural. O judaísmo obstava esse caminho por contar com a proteção romana (religio licita) vinha progredindo muito, não só pela proliferação acentuada dos judeus, pela adesão espontânea de helenos e helenizados menos favorecidos, como também pelo expediente do proselitismo.
Ivani de Araújo Medina

E agora, Jesus?

“Hoje, praticamente, não há historiador que negue a existência do Jesus histórico.”. Quanta cara-de-pau. Sempre houve pesquisadores a negar, não só o Jesus histórico como a existência do cristianismo na Palestina no século I, com todos os seus personagens, aventuras e desventuras. Uma bela invenção grega. O que dizer de uma história que a própria história não confirma e cuja confirmação ficou a cargo de historiadores que compartilhavam dessa fé que sempre viveu da propaganda? A imprensa contribui, até por vezes involuntariamente, com esse estado de coisas. E o ridículo das notícias não é percebido pelo leitor comum. O peso dos nomes de doutores especialistas em encontrar evidências daquilo que nunca existiu, parece legitimar tais notícias mantendo a opinião pública nos domínios do favorecimento ideológico à credulidade,
Ivani de Araújo Medina

Inimigos de dentro

Como me deprimem os inimigos de dentro. Hoje me deparei com um deles. Esses personagens tornam-se mais perceptíveis na medida em tomamos consciência dos prejuízos que nos causaram e podem ainda nos causar. Esse, por exemplo, me causou danos que só eu sei. Não aparecem no espelho, só no ânimo. Resolvi escrever para ver se me pesa menos sabê-lo em mim. Vou livrar-me dele de algum modo. Ah, se vou! Não acho razoável tentar compará-lo a algo tentando dar-lhe contorno ou valer-me de qualquer artificialidade para ilustrá-lo ao leitor. Ele não irá. Não faz a minha vontade, eu que quando me dou conta já fiz a vontade dele. A vontade não é minha, eu sei disso. É dele e só dele. Por isso me deprime ver-me a mercê de uma vontade que não é minha. Psicanaliticamente alguém pode dizer que é uma vontade não assumida, mas eu sei que não é nada disso, pois não se trata de conflito de escolha. É sorrateiro o danado.
Ivani de Araújo Medina

Intelectuísmo enganador

Se não existe resquício algum da passagem do cristianismo na história do judaísmo, senão as invenções cristãs; se não existe absolutamente nada que tenha ficado gravado na memória popular daquela região da Palestina, como lendas, cantigas ou qualquer tipo de registro característico; se não foram registrados em quaisquer tipos de literaturas da época, como anotações de viajantes, crônicas etc.; se a arqueologia nada encontrou que confirmasse essa história “judaica” e naquela região; se o antijudaísmo grego antecedeu o cristianismo e esteve presente nele desde que este surgiu na história; se os primitivos cristãos, que eram gregos na grande maioria, inventaram a teologia da substituição que passava a autoridade do Antigo Testamento para o cristianismo porque inconformado com o assassínio do seu filho
Ivani de Araújo Medina

Constantino e o Cristianismo

A parceria entre o cristianismo e o poder de Roma, por intermédio de Constantino, que ultrapassou e muito o status de religio licita outrora concedido ao judaísmo, é uma história muito mal contada. “Diga-me com quem andas que te direi quem és” é um dito popular muito conhecido que não provoca discussões, o que indica uma boa aceitação geral. Sendo assim, considerando a má reputação de Constantino, como puderam os homens santos da igreja aceitar os préstimos daquela associação suspeita, com quem estava nem aí para o que eles pregavam?
Ivani de Araújo Medina

Patinete de rolimã

Os melhores brinquedos e brincadeiras que vêm a lembrança eram os inventados por nós, crianças. Quando não, tomávamos emprestado da memória das crianças de outrora, que havia em todas as casas. Nada contra o desenvolvimento da indústria de brinquedos, pelo contrário, novidades sempre foram bem-vindas. A vida social infantil era mais intensa. Vivia-se mais na rua do que em casa, como atualmente. Uma existência informal extramuros ajudava muito o desenvolvimento e a criatividade no mundo próprio. Sempre havia um que era mais engenhoso e habilidoso e contava com a admiração e o relativo respeito dos demais. Afinal, era o responsável por inúmeras satisfações e alegrias de todos.
Ivani de Araújo Medina

Por que ensinar mentiras?

Há muito reclamo a elucidação da origem histórica do cristianismo, cuja versão falsa relatada no Novo Testamento, serviu de base histórica também para o marxismo. Essa mentira continua sendo ensinada desavergonhadamente em nossas escolas e universidades com o apoio nada ingênuo do meio acadêmico. É um péssimo exemplo que está na base da nossa cultura ocidental. Então, como exigir melhores resultados das nossas sociedades quando o mau exemplo vem de cima, do alto de uma crença que não concilia a verdade mundana com a suposta verdade divina? Ora, todas as nossas leis e costumes estão baseados nela.
Ivani de Araújo Medina

A descoberta

Só agora vejo que a única aspiração verdadeira que tive na vida foi desvendar um determinado mistério. E consegui. Eu sempre procurava ler algo a respeito do assunto. Comprava livros, visitava bibliotecas com o único objetivo que me insistia com tenaz determinação. Não me rendia um centavo, ao contrário, e eu nem via no horizonte distante tal possibilidade. Além do mais, podia me dar problemas. Era um contrassenso aparente. Pelo fato desse meu interesse estar ligado a nossa cultura e comprometer certas “verdades” queridas, o que nunca faltou foi gente tentando me desanimar do intento. Uns por ignorância, outros por se fingirem sábios, outros por medo supersticioso, outros por não quererem ser despertados do sonho, outros por inveja etc. etc. Queriam que de alguma maneira eu me sentisse culpado e desistisse pelo bem comum. Seria mesmo? Acho que não.
Ivani de Araújo Medina

A origem não revelada do cristianismo

Até hoje, temos uma lacuna de, pelo menos, um século (século I) sem evidência alguma de Jesus de Nazaré, seus doze apóstolos, Paulo e tudo mais que é descrito e aceito como histórico. Como isto só existe no Novo Testamento seria científico tal acatamento pelos nossos renomados historiadores? Como puderam acatar aquilo que a história não confirma? A mentira é uma anomalia para a psique humana, tanto que possibilitou a invenção do polígrafo, o popular detector de mentiras. A luta interior não permite a perfeição no ato de se enganar com totalidade. Todavia, quando imposta da maneira que foi, aliada ao sistema sensível humano, acaba virando “verdade” por estar interligada à realidade íntima do crente.
Ivani de Araújo Medina

Às vezes

Às vezes, recebemos sorrisos reveladores motivados por uma intensa e clara atração física, não raro em situações delicadas. É um “te quero” sem som, a brotar de uma espontânea e reprimida propriedade humana. Que propriedade seria essa? A necessidade de afeto nas suas variadas formas e comum a todos. A relação monogâmica volta e meia é motivo de questionamento porque a sua fase de domínio está mais no início dos encontros afetivos: “A negra é minha, ninguém tasca eu vi primeiro”. No entanto, não é uma realidade que se prolonga na maioria dos casos e tudo volta ao seu estado natural.
Ivani de Araújo Medina

O ensino e a História

Um simples e corriqueiro acidente de trânsito é capaz de gerar diversas versões sobre um fato que levou apenas uns poucos segundos. É próprio da natureza humana e perfeitamente justificável que isso aconteça. Dependendo do ângulo de visão a impressão muda e é justamente com o passar do tempo que o esclarecimento amadurece e se completa pondo fim às discussões. Por que, justamente, com o evento mais importante da história ocidental, cujo início teria durado praticamente um século inteiro, contamos apenas com uma versão? Por que até hoje se discute essa versão? Será que houve um dia em que tenha havido no mundo um único acidente de transito e a atenção mundial tenha se voltado exclusivamente para ele?
Ivani de Araújo Medina

Resposta ao tempo

“Amores terminam no escuro, sozinhos”. Diz a bonita letra (Aldir) da música "Resposta ao Tempo", de Cristóvão Bastos e Aldir Blanc. Amores terminam de todo jeito, sabemos disso. Quando não literalmente no escuro, como na letra da música, no escuro do vazio que ele parece deixar. Inventamos nossas soluções estético-afetivas e acreditamos nelas de verdade. É natural que como seres de aprofundado senso estético procuremos tornar a vida sempre mais bonita, confortável e segura. O maior problema é torná-la mais segura aos nossos sentimentos, porque eles dependem dos sentimentos alheios. Sem controle sobre os próprios, como controlar os dos outros? Eis um superpoder que todo mundo gostaria de ter.
Ivani de Araújo Medina

Puzzle

Para ele a vida era um jogo sem sentido, no qual a inteligência e a sorte deveriam estar presentes o tempo inteiro. Mas não era assim que acontecia. Se demorasse um pouco mais no exame de cada fato, ia ver as burrices insondáveis que cometeu a se rirem dele. Cochilos da inteligência? Vai ser dorminhoca assim no diabo que a carregue. Era complicado dar sentido a determinados acontecimentos porque era igualmente complicado se perceber fora dos limites da complicação. A maioria das pessoas gosta de parecer mais inteligente do que verdadeiramente é, na esperança de conseguirem mais respeito, admiração e defesa se apoiando nos filósofos que não explicaram nada. Aparentar inteligência é uma coisa. Viver com inteligência é outra bem diferente. Filosofia o cacete!
Ivani de Araújo Medina

Soberania aérea

Tenho o hábito de acordar cedo, gosto da manhã. Às vezes eu chegava à instituição onde a minha velha mãe morava, antes de ela se aprontar para receber visitas. É um prédio baixo especialmente projetado com a finalidade de acolher idosos. Amplo, luminoso, confortável, seguro e bonito. Fica no ponto mais alto de um terreno gramado, ajardinado, com muitas árvores frutíferas e plantas ornamentais. Um local no qual as etapas do dia são valorizadas aos olhos de quem ali está em condições de percebê-las. O cheiro da manhã complementava aqueles instantes no paraíso de quem vem de fora, enquanto eu secava o banco de jardim orvalhado com umas toalhas de papel cedidas por uma das simpáticas serventes. O sol ainda fraco trazia uma luz suave e um carinhoso e progressivo aquecimento. Quanta subtilidade naquela beleza vivaz. O banco no pátio projetado alinhava-se a altura das copas das árvores mais baixas e ficava de costas para o salão do restaurante e voltado para a exuberância daquele verde bem cuidado. Ali eu ficava relaxado, pois a acompanhante da minha mãe logo estaria a avisar-me de que ela já se encontrava a mesa para o café. Nossa convivência no final da sua vida foi muitíssimo prazerosa.
Ivani de Araújo Medina

Inusitado milagre

Jovem e bem apessoado, o padre Bernardo foi designado para uma igreja em uma cidade do interior do estado do Rio de Janeiro. Seu pai nunca se convenceu daquela vocação para o sacerdócio, achava que naquele mato havia coelho. Contudo, desistiu de tentar desconvencê-lo daquela loucura na esperança de que ele próprio se desconvencesse. A madrinha de Bernardo era a mais entusiasmada com a ideia e a mais revoltada contra o seu pai. Descendiam de uma família de imigrantes italianos do estado do Espírito Santo. Para o pai, a santidade de Bernardo ficava por aí, no nome do estado em que nasceu.
Ivani de Araújo Medina

Amor às primeiras linhas

Ele a percebeu pela primeira vez num texto dela, a passear por entre as palavras como se num caprichoso jardim mourisco. Havia uma sinceridade grata e bela naquela mulher educada e cordial que poeticamente dizia-se distante das fantasias e aconchegada na matemática. A caminhante daquela beleza organizada de plantas e flores nada exibia que se opusesse ao instinto e às necessidades de afeto na vida. Pelo contrário, mostrava-se vigorosa defensora dos amores que conquistara. Um desses raros encontros entre a lógica e o sentimento.
Ivani de Araújo Medina

Pedófila por natureza

É incrível, mas os crentes menos conscientes de si mesmos não refletem sobre o significado sociocultural de termos como “papa”, “padre” e “pastor”. Trata-se da interdição mental do cidadão como um indivíduo que deveria estar em pleno gozo dos direitos e obrigações para com as próprias faculdades, tanto no pessoal quanto no coletivo. Um ser adulto, por fim. A religião é inimiga do ser adulto, pois é pedófila por natureza. De quanto tempo mais a religião precisa para provar às sociedades a sua importância no seio delas? Passados praticamente dois mil anos, no que se refere ao cristianismo, muita gente ainda não está convencida de tal importância pelos seus resultados. Alegar-se que a maioria dos ocidentais é cristã significa quase nada, senão a eficiência de uma propaganda na qual não faltou crueldade. Foi por intermédio dela que o cristianismo, no afã de dominar o mundo, tornou-se oficial e legal aos olhos e sentimento dessa maioria.
Ivani de Araújo Medina

Curiosidade sobre a morte

Bené estava aposentado há poucos anos e vez por outra pensava na morte. Não por medo, o que é muito natural, mas por curiosidade. Permitia-se a ela para fugir ás lembranças da rotina do banco que o enfastiavam e lhe traziam a sensação de tempo de vida perdido. Ainda não estava bem adaptado ao ócio e a rotina do apartamento vazio. Viúvo, com os dois filhos criados e casados, havia aposentado também a antiga empregada da família depois da morte da esposa. Resolveu ficar só com os seus botões. Dava conta de si mesmo e quis tirar férias do gênero humano.
Ivani de Araújo Medina

Apoio real em base falsa

Engels considerava Bruno Bauer equivocado nas suas conclusões mais contundentes. Queria porque queria confirmar a origem do cristianismo no meio de gente indigente e revolucionária, e não no seio da burguesia da época. Na realidade, a história de Peregrino, de Luciano de Samósata (125-181), que Engels apresenta como uma das melhores fontes sobre o cristianismo primitivo, nada mais é do que mais uma das muitas fraudes documentais descaradas dos antigos cristãos burgueses, que ele “engoliu” por conveniência. Bauer não.
Ivani de Araújo Medina

A mentira por um fio

Até alguns teólogos protestantes e evangélicos estão afirmando que ateus também aceitam a existência do Jesus histórico em vista das evidências encontradas. Alucinação ou propaganda enganosa? Ambas, certamente. Prosseguem afirmando que se Jesus não teve existência histórica, nenhum outro personagem teve também, quando na utilização do mesmo método comparativo. Ora bolas, as pegadinhas desses teólogos têm mais serventia no uso doméstico. Desconheço ateus de aluguel, quem não acredita em Deus, não há de acreditar numa história tão absurda como a de Jesus de Nazaré. Além do Novo Testamento, os cristãos se apoiam na afirmação da historicidade de Jesus, em Flávio Josefo
Ivani de Araújo Medina

Filosofia reversa

O cristianismo é definido por alguns como uma filosofia popular ou feita para o povo. Algo do tipo “não conte às crianças”. Atualmente, coisa dos pequenos que gostam de parecer grandes diante da multidão. O pior é que há quem acredite sinceramente no cristianismo como algo benévolo cujos defeitos e efeitos são meramente acidentais. Por causa dessa filosofia religiosa reversa e milenar que passou a controlar tudo inclusive a história (é o que mais me incomoda), o surgimento do cristianismo é para a grande maioria dos seus adeptos uma parte vital da sua autobiografia intocável. Alguns acreditam que quem ousar mudar uma única das suas linhas terá que se ver com a ira de Deus.
Ivani de Araújo Medina

A omelete e os ovos

Quando se diz “crença cristã” ninguém se ofende. No entanto, toda crença religiosa é uma invenção. Na Antiguidade os deuses pertenciam ao tempo mítico, um tempo sem precedência onde tudo era possível. Ninguém se perguntava nem quando, nem onde e nem por quê? Era somente a narrativa de uma historieta simbólica que tinha objetivo e função social no seio de um determinado grupo. Assim foi até que o cristianismo resolveu inovar, criando a sua divindade humanizada não mais no tempo mítico, mas no tempo histórico, no tempo onde normalmente se pergunta pelo quando, pelo onde e pelo porquê. E foi mais ousado ainda, pois havia concebido uma crença única para todos os grupos do mundo.
Ivani de Araújo Medina

O “Mal” travestido de “Bem”

Um vereador evangélico de Ilhéus, Bahia, Alzimário Belmonte (PP-BA), é o autor da lei que recomenda aos alunos das escolas municipais a rezarem o “Pai Nosso” todos os dias antes das aulas. O deputado federal Pr. Marco Feliciano (PSC-SP) apresentou o projeto "Papai do Céu nas Escolas". No tempo em que a escola pública era boa, a Igreja Católica Apostólica Romana tinha influência direta sobre os alunos, e a promoção da primeira comunhão mobilizava a escola inteira. Funcionava como uma espécie de garantia a sobrevivência da ICAR. Crianças não gostam de se ver excluídas e assim tentava-se direcionar os catoliquinhos ao futuro dela.
Ivani de Araújo Medina

A irreligiosidade no século XXI

A irreligiosidade é antiga porque ninguém nasce religioso. São as famílias que induzem o indivíduo a ela ou não. A tendência é seguir os costumes do grupo social no qual se nasceu. Na Antiguidade o isolamento favorecia a existência de diversos grupos com costumes diferentes e o único modo de integrá-los era pela fusão dos costumes ou submetê-los pela força das armas. Este último era o método mais utilizado.
Ivani de Araújo Medina

Educação financeira

O preconceito antijudaico impede a percepção da história mundana do cristianismo, o que é lamentável. O antijudaísmo se deve a escolha judaica de se apartar e assim viver em relação aos outros povos. Ninguém gosta de atitude tão antipática e inamistosa. História não é um filme de mocinho e bandido, mas os judeus acabaram como os bandidos dela. A idéia de que a pobreza seria desejável como uma forma de purgação, presente no cristianismo, é em essência jainista porque o budismo aconselhava o caminho do meio. Entretanto, os gregos muito se impressionaram com o pensamento e a atitude religiosa hindu, quando estiveram por lá. Aristóteles atribuía esterilidade ao dinheiro. Para os gregos emprestar dinheiro a juros era imoral, moral significa costume e os costumes entre gregos e judeus eram bem diferentes.
Ivani de Araújo Medina

A porta aberta

Engels reconhece a engenhosidade do cristianismo. Gibbon igualmente havia se perguntado sobre ela e Hitler, na sua abordagem genérica, explicou-a em parte. Porém saber tirar proveito da tendência ao auto-engano é uma estratégia, não a explicação para essa carência aparentemente congênita. Ludwig Feuerbach conclui algo interessante a esse respeito, enfocando o homem religioso, por entender que o homem retira de si a sua essência mais elevada e mais nobre para adorá-la fora de si como Deus. O ser absoluto, o Deus do homem é a sua própria essência. Visivelmente, Feuerbach identifica algo no homem que é ele mesmo, mas está acima dele, e não se encaixa na realidade a sua volta. É como se o homem só conseguisse a melhor relação consigo mesmo de forma indireta, ritualizada e “purificada” da natureza a sua volta. Por isso, no cristianismo, Deus seria superior a natureza, na qual a regra imposta pela cadeia alimentar expõe a realidade cruel do utilitarismo da morte e da sua indiferença ao sofrimento. Não obstante, chego a lembrar da kipah (gorro em forma de cúpula) dos judeus, usada em ocasiões religiosas para lembrá-los de que há alguém acima deles, o que seria um modo de protegê-los ritualisticamente das armadilhas do próprio orgulho. A consciência de Deus é a consciência que o homem tem de si mesmo; mas, como o homem ainda se conhece pouco, Deus ainda é em grande parte um mistério acima da sua própria compreensão.