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Humberto Pinho da Silva

Por que há tantos divórcios?

Verdade é que o trato diário desvenda vícios e humor camuflados no noivado, mas a razão principal das desavenças é de termos deixado de ver o que nos levou a escolher a nossa companheira de jornada. Também por viveremos, durante anos, com as nossas companheiras, deixamos de ver as qualidades que possuem. Por isso, muitos casamentos se desfazem. Certamente, se não tivéssemos observado predicados, que apreciamos, não teríamos casado.
Humberto Pinho da Silva

Santa forte

Estava a ver a TV Globo, quando de repente surge a presença de conhecida e popular figura pública. Atentei, na esperança de ouvir opiniões de destacada personalidade. Falou sobre si, dos seus sucessos, dos prémios que recebeu, e a determinado momento saísse com esta:
Humberto Pinho da Silva

De quem é a culpa de tanta violência?

As nossas novelas televisivas, o cinema, não têm, em regra, enredos que eduquem a sociedade, mas lavagens cerebrais, no intuito do povo, aceitar, como normal, comportamentos degradantes. Como querem que hajam cidadãos honestos, se desde criança veem: corrupção, atos indignos, falta de obediência e violência? A escola pública, local onde devia haver respeito, disciplina e normas morais, transformou-se, nas últimas décadas, em terreiro, onde tudo, ou quase tudo, é permitido. Se os filhos não respeitam os pais e avós, como hão de obedecer aos professores, se estes foram despidos de autoridade pelos pais dos alunos, e pelo Ministério da Educação?
Humberto Pinho da Silva

Hoje todos sabem tudo…

Sempre que abro o aparelho de TV e vejo entrevistas ou colóquios de entendidos, verifico que – não há médico que não conheça a cura certa para quase todos os males; político que não saiba resolver qualquer situação; economista que não consiga – quase por magia, – equilibrar as finanças; e intelectual que não discuta, de cátedra, todas as ciências. E no entanto, com tanta sapiência, com tanta gente competentíssima, se precisamos de médico, este, muitas vezes, não nos sabe curar; o economista não consegue solucionar os graves problemas financeiros; e o político, só descobre caminhos fáceis, se está na oposição.
Humberto Pinho da Silva

O velho relógio de corda

São quatro horas de tarde escaldante. O velho relógio de parede acaba de dar quatro sonoras badaladas, que ecoaram pela casa deserta e silenciosa. O centenário relógio de pêndulo, movido a corda, foi de minha bisavó Júlia. Sempre o conheci suspenso da parede, forrada a papel encarnado, da pequena salinha de jantar, onde tomávamos as refeições diárias. Está protegido por sólida caixa de madeira, esbotenada e lurada de caruncho, de cor castanha, onde dois grandes ponteiros negros, marcam e contam o tempo.
Humberto Pinho da Silva

O melhor amigo de Mozart

Ao ler a biografia do compositor Mozart, fiquei impressionadíssimo com a dedicação do seu cão Pimperl; o único, que indiferente à violenta intempérie, que desabara sobre Viena, acompanhou-o até ao cemitério de São Marxer, atrás do carro que transportava o compositor. Até à igreja de Santo Esteves, três ou quatro amigos, provavelmente admiradores do talento genial de Mozart - ou seria compaixão? - Seguiram o féretro, depois, só o cachorro - o amigo sincero que tinha, - acompanhou o funeral; e mergulhado em profunda tristeza, assistiu ao sepultamento, em vala comum.
Humberto Pinho da Silva

A Teologia da Prosperidade

Graças aos modernos meios de comunicação, o Evangelho foi praticamente difundido em todo o mundo. Mas, infelizmente, o cristianismo, tendo ganho em quantidade, perdeu, e muito, em qualidade, porque nas últimas décadas surgiram seitas, apelidadas de neopentecostais, que exercem “evangelização” agressiva, baseada em marketing empresarial. Como se fossem simples estabelecimentos, vendem produtos que vão ao encontro de desejos e interesses dos que amam o mundo: dinheiro, status sociais, fama, sucesso imediato, a troco de ofertas, algumas bem generosas… Os líderes dessas novas seitas aparecem em programas televisivos, com gestos estudados, como vedetas, como se fossem estrelas de cinema ou ídolos desportivos.
Humberto Pinho da Silva

Receita para ter sempre razão

Entre os poucos amigos de meu pai, havia o Mário Macedo. O Mário, era um jovem de vinte e poucos anos, magro, alto, bem-falante, e de resposta pronta. Certa ocasião veio a nossa casa, e como amigo que era, foi recebido na pequena salinha, contigua à cozinha, onde tomávamos as refeições. As cerimoniosas eram sempre encaminhadas para ampla sala, que ficava no segundo andar, onde havia pesados reposteiros, móveis sisudos e bustos de gesso, pousados em altas colunas, que primavam pela robustez. Ora, dessa vez, o Mário, que era de conversa fácil, deslumbrou pela erudição.
Humberto Pinho da Silva

Jean Guitton: uma cena curiosa da sua vida

Prestes a iniciar a vida militar, Jean Guitton, acercou-se de sacerdote para expor-lhe problema que há muito o inquietava. Estava acostumado, ao entrar no seu quarto, ajoelhar-se para fazer as orações da noite. Ora, receava que os colegas o levassem ao ridículo, por manter tal prática. O sacerdote, ligeiramente embaraçado, respondeu-lhe que era dever do católico, não se envergonhar da sua fé, e de a demonstrar em público, mas que compreendia o receio. Jean Guitton, logo na primeira noite, antes de se deitar, ajoelhou-se, vencendo o medo, e em plena caserna, orou, diante dos companheiros. Para seu assombro, ninguém disse palavra de reprovação. Passaram-se vinte anos. Guitton é professor catedrático e pensador de renome internacional, quando teve conhecimento que colega de camarata, havia falecido.
Humberto Pinho da Silva

A manipulação da sociedade

Na segunda metade do século XX, para se avaliar a força da publicidade invisível, realizou-se, na cidade de Nova Jersey, nos Estados Unidos, curiosa experiência: Foi colocado, em sobreposição, por segundos, no filme que estava a ser projetado num cinema, publicidade à Coca-Cola e a Pop Corn. Verificou-se que no intervalo, o bar da sala de espetáculo, foi invadido por pessoas ávidas de refrescarem-se com a bebida indicada, acompanhando-a com Pop Corn. Diariamente somos bombardeados pela publicidade; e ainda que muitos pensem o contrário, ela influi nas nossas escolhas e gostos. Poucos conseguem pareceres, fruto de aturadas meditações. A maioria, exprime os conceitos do seu jornal ou da emissora de rádio ou TV, que habitualmente escuta.
Humberto Pinho da Silva

Doze anos de prisão por mentira da filha

O introito vem no intuito de abordar o insólito caso, que esteve em voga, em França, no início do século: Virginie, de 14 anos, frequentava colégio em Reims. Em íntima confidencia, segredou a amiga, que fora violada pelo pai, empresário, de origem portuguesa. Pediu-lhe, todavia, encarecidamente, que não revelasse o segredo. Por que mentiu? Por vaidade? Por complexo de Eróstrato? Por criancice? Não sei. Sei que no dia imediato, a colega revelou, à puridade, o escabroso incesto. Horas depois a diretora da escola, teve conhecimento, e comunicou-o à polícia.
Humberto Pinho da Silva

O medo à Bíblia

Todos sabem que em tempos medievais, ler a Bíblia era crime grave. Crime que penalizava raros, pois só os que conheciam latim, tinham acesso ao livro; e esses eram quase todos sacerdotes, por isso, estavam livres de castigo. Do assunto e muito mais, conta Mário Martins, em livro do Instituto de Cultura Portuguesa. Meu pai asseverava, que em menino, escutara a sacerdotes: que quem tivesse Bíblia, de capas pretas e folhas vermelhas, sem aprovação eclesiástica, devia queimar. Eram falsas, Mas as católicas, as que tinham aprovação eclesiástica, eram raras, e ninguém as recomendava, pelo menos abertamente.
Humberto Pinho da Silva

Perder Jesus

Dizem-me que há sacerdotes tão atarefados com as obrigações desta vida, que se esquecem, muitas vezes, da outra. O mesmo ocorre naqueles que se encontram perto do sagrado: a familiaridade, leva-os a olvidarem Cristo. Esquecer Jesus, sendo reprovável, é humano, já que Sua Mãe O esqueceu, também, no templo. Só que Maria, confiou no pai, e cristãos há, que desconfiando do Pai, confiam nos homens. Perde-se Jesus, perdendo a fé, e perde-se, quantas vezes, na Igreja, porque há quem invoque o nome de Cristo, por orgulho. Participa-se por vezes em Movimentos e funda-se obras de assistência, para honrar vaidades, e não a Deus.
Humberto Pinho da Silva

Vamos falar de democracia

Anos há, ao ler crónica publicada on-line, reparei que no rodapé havia enxurrada de comentários, que em regra, primavam pela ignorância e má fé, para não dizer: falta de educação. Apressei-me a escrever parecer sobre a liberdade de expressão, frisando que o articulista, em democracia, tinha o direito e até o dever, de exprimir livremente sua opinião. Cabia, todavia, ao leitor, opinar de forma cortês, evitando palavras agressivas, carregadas de ódio, demonstrativas de falta de maturidade e respeito.
Humberto Pinho da Silva

Ler muito pode ser um mal

Há livros que elevam. Há livros que podem ser manuseados desde a infância. Há livros que formam e informam; e há livros que melhor fora não terem saído do prelo. Durante anos, meu pai, que era jornalista, foi adquirindo imensa biblioteca, livros que, segundo confessava, raras vezes os lia. Comprara-os, seduzido pelo nome do autor e opinião da critica. No andar dos anos, amadureceu. Escolheu na “floresta”, uma dúzia de “amigos mudos”, como dizia Padre Manuel Bernardes, e lia-os e relia-os; e sempre que os abria, encontrava, segundo afirmava, pensamentos, frases, pareceres, que lhe tinham escapado.
Humberto Pinho da Silva

A ingratidão dos filhos

À sombra de frondoso castanheiro, na vizinhança de carriça transmontana, a velhinha fia. Tem o rosto sulcado pela goiva do tempo, olhos sumidos, lábios finos e sorriso desdentado. Fia; e o fuso: gira… gira… e gira… pressionado pelos descarnados dedos. Foi moça fagueira: esbelta, de farta cabeleira calamistrada e de belas faces coradas. Casou; foi mãe. Criou filhos, que abalaram. Todos partiram: uns, para o Céu; outros, em busca de vida melhor. Ficou; mergulhada em saudade e nos cuidados de quem a deixou.
Humberto Pinho da Silva

Considerações sobre a morte e a vida

Quem se lembra das privações, das horas de profunda amargura, que a mãe, o pai, passou para que pudessem cursar o ensino superior? Quantos, bem instalados na sociedade, recordam que o conforto que possuem, devem aos pais, a avós, que se privaram de muito, para que tivessem sucesso, fama, poder e dinheiro? Neste dia tão significativo, dedicado aos nossos ascendentes falecidos, saibamos agradecer em oração:
Humberto Pinho da Silva

Ignorância religiosa

Escrevi, recentemente, sobre a ignorância religiosa que grassa no nosso país, referindo-me ao facto de certa senhora ter dito – numa entrevista a matutino – que a filha trocara a Igreja de Cristo, onde fora educada, pela de Deus. Agora pretendo abordar o mesmo tema, mas versando faceta nova, ou seja: a feitiçaria, que o mesmo é dizer: videntes, bruxas, guias espirituais e outros mensageiros do inferno, que enganam os simples e os incultos. Que digo? incultos?! – por vezes os mais ignorantes são, nesta matéria, mais entendidos que muitos que frequentaram os bancos de escolas superiores.
Humberto Pinho da Silva

Será nova moda?

Correu em Coimbra, o julgamento de menores, envolvidos no abuso sexual a colega de 12 anos. Trago este caso à presença dos leitores, porque ilustra, e bem, o estado a que chegou a juventude, resultante da lavagem cerebral, que ao longo dos anos a mídia tem realizado nas camadas mais jovens. O descuido dos pais, a educação livre de “preconceitos”, tanto do agrado de libertinos, a perda de valores e o ateísmo que campeia na sociedade, incentivado por quem confunde liberdade com libertinagem, leva a casos como este.
Humberto Pinho da Silva

Manipulação de notícias ou a influência da TV

Ainda que o neguem, afirmando serem independentes, os meios de comunicação, além de informarem, formam a mentalidade dos leitores e ouvintes. O modo como são redigidas as notícias ou como as “cozinham”, os pareceres dos redactores e cronistas, e até os títulos, influenciam no jeito de pensar dos leitores, mormente os mais assíduos. Em poucos anos, a TV, pode alterar hábitos, modos de pensar e até subtilmente influenciar resultados eleitorais. Como se sabe, a maioria da população não pensa, repete o que ouve ou insinuam, pela telenovela, mesas redondas, noticiários e blogues.
Humberto Pinho da Silva

O efeito das novelas

Divergem as opiniões: asseveram uns, que a TV, mormente as novelas transmitidas pelos canais de televisão, têm influência nefasta na sociedade; refutam, ao invés, outros, afirmando que séries e novelas, são simples e inocentes reflexos ou espelho da sociedade. Quem terá razão? Creio que são os primeiros, visto o público ser facilmente sugestionável, e tende sempre a copiar, atitudes e comportamentos, que fazedores de opinião e novelistas, pretendem inculcar nas mentes. Já no passado era assim. Romancistas e folhetinistas de gazeta exerciam forte influência no trem de vida da população.
Humberto Pinho da Silva

Todo o cuidado é pouco com a internet

Em meados dos anos noventa alertei para o perigo da Internet, e um leitor apelidou-me de retrógrado, declarando que pretendia vedar o aceso, à autoestrada do conhecimento, às crianças. Nessa época, a Internet, era pouco conhecida e poucos tinham acesso ao computador. Mas se então podia ser nefasta para menores, agora o perigo é muito maior, já que rara é a criança que não a utiliza em casa ou na escola. Na infância o interesse do jovem inclina-se, principalmente, para jogos e Messenger, mas ao entrar na puberdade, muda de atitude.
Humberto Pinho da Silva

A Igreja precisa dos idosos

Eu tinha um amigo, daqueles que sempre estão presente nas horas amargas, que era catequista. Semanalmente, nos fins-de-semana, abalava para o “interior”, deixando família, para participar na preparação da catequese. Certa vez confessou-me: “Quando for aposentado vou-me dedicar às actividades da Igreja da minha terra e à agricultura. Tenho um campinho na retaguarda da casa que ergui na aldeia e vou cuidar das árvores de fruta e da hortinha”. O tempo passou e ele sempre a sonhar com a reforma que lhe permitiria organizar melhor a catequese da paróquia, já que era o coordenador.
Humberto Pinho da Silva

As lentes da vida

Sem descortinar explicação, cismava há muito, porque os jovens, usam lentes de ver ao longe, e os idosos, os que muito viveram, de vista cansada ou de enxergar ao perto. A experiência dizia-me que era assim, pois há muito verificara, que, ao dobrar o promontório dos cinquenta, sentia-se falta de óculos para ler; mas a razão plausível da deficiência, desconhecia. Andando a matutar nessa esquisita enfermidade, saltou-me de súbito a solução, que era simples e facílima de explicar: na adolescência, os sonhos, os planos, os desejos, estendem-se para o futuro.
Humberto Pinho da Silva

A festa de Natal

Em véspera de Natal, descia em companhia de jornalista do “L’Osservatore Romano”, que na época residia no convento anexo à Basílica de Santo António, a via Merulana, em direção à Praça Maria Maggiore. Tinha ido a Roma visitar amigo, irmão do venerando Francisco. Vínhamos animados, a conversar sobre o efeito nefasto de algumas seitas, que proliferam pelo Brasil, e provocam, nas mentes menos esclarecidas, verdadeiras lavagens cerebrais.
Humberto Pinho da Silva

O Porto já não é o que era

Em anos de juventude o meu passatempo favorito era peregrinar pelo velho burgo portuense: subir íngremes calçadas lajeadas a granito; descer estreitas escadinhas, entaladas em prédios centenários; calcorrear as tortuosas vielas da Sé e antigas ruas bafientas da Vitória. Não ia só. Como companheiro tinha guapo rapaz: baixo, esbelto e imparável conversador, que informava-me da genealogia das tradicionais famílias tripeiras e seus perdidos ramos em terras do Minho e além Marão. De companheiro de escola, passou a amigo e confidente, e muitas vezes era ele que me convidava a essas incursões.
Humberto Pinho da Silva

Inezita Barroso: a maior cantora caipira do Brasil

No passado mês de agosto, completou sessenta anos de carreira, a genial Inezita Barroso, a mais famosa intérprete da música caipira. A cantora, que tem voz inconfundível, conheceu na juventude a genuína música caipira, que nasceu no Brasil rural, e foi, e ainda é, cantada pela gente simples do campo. Inezita Barroso, que é também notável atriz de teatro e cinema, foi condecorada, em 2003, com a Medalha Ipiranga, pelo governador de São Paulo, Ackmin, e deu o nome ao Hospital do Câncer de Bernabé.
Humberto Pinho da Silva

Bell não inventou o telefone

Foi o que aconteceu ao verdadeiro inventor do telefone, o italiano António Santi Giuseppe Meucci, nascido em Florença, a 13 de Abril de 1808 e emigrado para os Estados Unidos, em 1850, onde fabricou o telefone, que lhe permitia ligar o escritório ao quarto. Meucci, ao verificar a utilidade do invento, pensou registá-lo, mas por dificuldades financeiras, apenas o fez provisoriamente, acabando por vender a descoberta, a Alexander Graham Bell, que viria a registrá-la em seu nome, no ano de 1876.
Humberto Pinho da Silva

Quando as famílias conviviam

Nessas remotas épocas, as crianças, a não ser as que pertenciam às classes privilegiadas, não frequentavam “jardins-de-infância”, nem escolinhas pré-escolares. Era a rua o seu “jardim” e na via pública, dançava-se de roda, jogava-se a macaca, a sameira, o pião, saltava-se a corda, brincava-se ao anelzinho, ao pilha e bom barqueiro, ou realizavam-se improvisados encontros futebolísticos, com bolas confeccionadas de trapos e velhas meias.
Humberto Pinho da Silva

Realismo não é só erotismo

Em regra, o escritor, ao pintar cenas eróticas ou episódios escabrosos, pretende acordar sentimentos baixos, e a inata curiosidade do público, no propósito de obter editor, e aumentar vendas; olvidando que colabora na deformação do carácter, e degradações de mentes, tornando-se responsável pela perversão e decadência da sociedade. Em carta datada a 28 de Abril de 1972, endereçada ao autor da secção “Apontamentos”, que se publicava no matutino “O Comércio do Porto”, declara Maria Henrique Osswald
Humberto Pinho da Silva

Vale a pena ser rico?

Na verdade muitos andam atarefados em canseiras, na esperança de futuro melhor; e o futuro, quando chega, se chega, vem acompanhado de achaques e quebrantos. Será bom ser rico após ter gasto a saúde em trabalhos e privações? Correndo o risco de financeiros e até do Estado, “roubar” o que se amealhou à custa da saúde e árduos trabalhos? Jesus não proíbe ser rico, recomenda apenas que se use a fortuna a bem de todos; se assim se fizer, a riqueza pode servir para a santificação, como aconteceu a Irmã Libânia do Carmo Galvão Mexia de Moura Telles de Albuquerque, a portuguesa, recentemente beatificada.
Humberto Pinho da Silva

A albarda do povo

Muitos são os que pensam que mudando o regime ou partido, que pontifica na capital, a situação melhora, olvidando que o povo terá sempre que obedecer. Neste mundo, uns nasceram para servir, outros para serem servidos; uns para obedecer, outros para mandar. Os homens não são todos iguais, ainda que se afirme o contrario. A diferença começa no local e na família em que se nasce, das oportunidades surgidas, e capacidade intelectual de cada um.
Humberto Pinho da Silva

Não façam palhaçadas

É lugar comum dizer que a vida é eterno Carnaval, onde cada um, busca no armário da memória, a mascara adequada para a ocasião. Verdadeiro Carnaval é o que se passa em certos matrimónios; melhor diria: nas cerimónias de certos casamentos. Se não vejam: recentemente recebi, pelo correio, convite para enlace civil, entre duas pessoas de sexo diferente, que trazia junto um bilhetinho, onde os “noivos” solicitavam que fosse entregue, em determinada agência de viagem, comparticipação para a “lua-de-mel”. Passeio que iriam efectuar após o enlace.
Humberto Pinho da Silva

O que é cultura?

Teoricamente a cultura devia tornar-nos mais perfeitos e virtuosos, mas nem sempre assim acontece, visto esses atributos dependerem, igualmente, do querer, e da influência sofrida ao longo da existência, tendo a comunidade, onde estamos inseridos, por nascimento e escolha, papel fundamental. Cultura é o oposto de erudição. O erudito cita o que colhe na página impressa, nos blocos de apontamentos, ou ficheiros. Isso é: tem memória de papel.
Humberto Pinho da Silva

A melhor estatueta de Eça

Quando entrevistei D. Emília Cabral, neta do autor dos Maias, fui recebido numa sombria salinha onde havia muitas fotos de família, livros empilhados e sobre mesa de roscas, em local de destaque, a estatueta de Gouveia, representando Eça de Queiroz. (...) Exemplar da “Estatueta Célebre” - como foi conhecida na época, - foi adquirida pelo Rei D. Carlos. Até à data do regicídio permaneceu sobre a secretária do seu gabinete de trabalho.
Humberto Pinho da Silva

Cabe à mulher criar um mundo melhor

Se as mães – digo mães, porque são, em regra, elas que criam os filhos, – souberem orientá-los pelas veredas do bem, incutindo-lhes elementares regras de civilidade, ensinando-os a serem honestos e respeitadores, o mundo seria bem melhor. Daqui se conclui que, quando a mulher se lamenta do desrespeito e desonestidade masculina, devia antes censurar as mães que não souberam ou não quiseram educar os filhos.