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Helder Caldeira

Cassinos proibidos, cidadãos punidos…

A manutenção dos jogos, bingos e cassinos na ilegalidade por mera demagogia vai além da costumeira ignorância. É crime. Crime gravíssimo, especialmente se considerarmos o atual contexto do ajuste fiscal de mão única proposto pelo governo Dilma, que pune feroz e severamente os cidadãos brasileiros e não alcança as regalias palacianas e a nauseabunda corrupção institucionalizada. Em tempo de tatu careca, machado cego e jacaré boquiaberto, manter bingos e cassinos proibidos no Brasil é uma aposta tola nas dezenas (de bilhões roubados) da cobra, do porco e do pavão, quando os números (de votos) revelam o triunfo de outro bicho: o burro.
Helder Caldeira

Esquerdofrenia ridicularizada

Houve um tempo no Brasil quando aquilo que convencionou-se chamar de "esquerda" tinha enorme prestígio. Fundamentalmente na segunda metade do século XX, grandes setores da mídia e do universo acadêmico, aliados a duvidosos líderes políticos bons de bico — lato sensu, fique claro! —, fundaram uma espécie de brigada ético-intelectual. Uma gente de coração valente e alma limpa que se dedicava, dramaticamente com sangue, suor e lágrimas, à luta por uma tal liberdade, colando no lombo a pecha de que os autoatribuídos ideais de Esquerda eram bons e, por pura exclusão ignorante, todos os demais eram ruins. Uma mentira retumbante transformada em verdade absoluta por um marketing circense bem feito.
Helder Caldeira

300 anéis roubados

Certa vez, no início da década de 1990, um ex-deputado federal, investido na fantasia de ferrenho defensor dos trabalhadores pobres e oprimidos do Brasil, cunhou uma frase oportunista que se tornaria parada de sucesso, os memes de antigamente, e atravessaria o século como símbolo de uma suposta indignação política. Referindo-se ao Congresso Nacional, disse o travestido mocinho: “Há uma minoria que se preocupa e trabalha pelo país, mas há uma maioria de uns trezentos picaretas com anel doutor que defendem apenas seus próprios interesses”.
Helder Caldeira

O teorema da lambança

Tão logo Sua Excelência embarcou no helicóptero presidencial rumo às merecidíssimas férias no litoral da Bahia, o (des)governo sinalizou ao mercado que precisará elevar a carga tributária para sustentar o déficit orçamentário superior a R$ 15 bilhões — o maior desde a vigência do Plano Real —; reajustará fortemente os preços da gasolina e das contas de luz; será obrigado a congelar qualquer aumento do salário mínimo para 2016, já que o fator determinante para o cálculo — o PIB de 2014 — será zero, podendo tender ao negativo; e que o desemprego pode vir bater à porta da nação por conta do elevado grau de desqualificação profissional.
Helder Caldeira

A sereia paradoxal

Marina Silva apresenta-se como “a novidade”, impulsionada por uma tragédia que comoveu o país e instalada num partido político mais velho que a avó de muitos leitores. Mas, embalada para presente com laços de fita tão modernosos quanto incoerentes. A empatia com o eleitor brasileiro é imediata, fanático pelo debate pequenez, único que a maioria alcança, e apaixonado por meteoritos brilhantes. Vide Collor e Lula, dois rabos de foguete recentes na “Res publica” das bananeiras.
Helder Caldeira

Morte e Vida Osmarina

Trajetória meteórica e com votação histórica, tornou-se a mais jovem senadora da República em 1994. Ministra de Estado durante o governo Lula, por questões políticas e alguma incompetência executiva, viu morrer seus principais projetos e ideais enquanto petista, culminando em sua lacrimejante saída do partido e uma bem sucedida candidatura à Presidência em 2010, quando capitalizou impressionantes 20 milhões de votos pelo pequeno PV. Ao refugiar-se no silêncio da neutralidade política, parecia destinada ao ostracismo, legado de um memeultrapassado. Reinventou-se e, com boa dose egocêntrica, partiu à criação de um partido para chamar de seu: a Rede Sustentabilidade, abatida pela poderosa máquina de destruição governista nos limites do Tribunal Superior Eleitoral, que negou-lhe registro ante outros fisiológicos deferidos.
Helder Caldeira

Micareta de picaretas

Há muito tempo as eleições brasileiras são um mero carnaval fora de época, uma micareta. No alto de carros alegóricos e trios elétricos, candidatos mascarados desfilam graça e simpatia enfeitados em plumas e paetês caríssimos, tentando incorporar símbolos de uma democracia decadente. Aos seus pés, uma súcia de foliões disfarçados de cidadãos pulando e sambando ao som de marchinhas ideológicas e toscas, bem menos galhardas que a “pipa do vovô”, que não sobe nem à base de “cabeleiras” e “sassaricos”. A candidata à reeleição finge estar noutro planeta cubano, cerca-se de aloprados irresponsáveis, confusos entre o público e a privada, e troca o figurino de acordo com a plateia que a observa: num mesmo dia é capaz louvar Santo Expedito, saldar Orixás e orar em suntuosos templos messiânicos. A fantasia fica ao gosto do freguês.
Helder Caldeira

Crise de bons modos

Reza a cartilha politicamente correta, em seu vetusto ditame primeiro, que à espécie Homo sapiens, principalmente àquela nascida em solo tupiniquim, deve-se render toda boa-fé. Dá-se muito crédito ao brasileiro e, graças à cegueira hipócrita, qualquer crítica ao tal “povo” imediatamente é jogada no balaio da “síndrome de vira-lata”. Ao sabor desse descalabro endêmico e cotidiano, restou fácil apontar o dedo para os (des)governos e culpá-los por nossas mazelas. À sombra da selvageria comercial, há aqueles que enxergam tempos extremos, já que pensamento fartamente lucrativo. À barbárie política cumpre insistir na alcunha do mero “pessimismo de setores”, outro logro lucrativo.
Helder Caldeira

Nau negreira lulodilmista

Não há surpresa, portanto, quando a “presidenta” vai ao Pará e afirma que, após aporte bilionário de recursos públicos, puxadinhos improvisados em lona significam aeroportos prontos; ou quando o ex-presidente concede entrevista internacional para dizer que o Mensalão nunca existiu e que os “companheiros” no xilindró não gozam de sua confiança, ainda que muito bem-vindos às cercanias do trono. Pretendendo alguma comicidade em tais descalabros, autoridades e imprensa preferem minimizar, deixando ao relicário do besteirol aquilo que deveria ser crime hediondo. Foi à esteira dessa complacência, dessa permissividade coletiva, que o governador petista do Acre fez uso de dinheiro público para mandar despejar noutros Estados centenas de imigrantes ilegais haitianos, feito uma nau negreira contemporânea, sem qualquer aviso prévio às autoridades de destino.
Helder Caldeira

A beleza da lata d’água na cabeça

Outro dia, fiz-me de bobo e fingi estar chocado — todo politicamente correto... e prosa! — com a declaração de ódio à nova classe média expectorada pela suprassumática fisólofa-mor do PT, meme imediato nas redes sociais. Ainda estava atordoado com a pilhéria da noite anterior quando, num desses neomodistas stand up, a comediante berrava, fazendo beiço-gordo de latino-americana velha, diante de uma trupe de maltrapilhos em algazarra numa galeria de arte: “Tira a mão do quadro, meu filho! É só pra olhar... não precisa colocar a mão! Não basta ser pobre, né?! Tem que botar a lata d’água na cabeça!”
Helder Caldeira

Pasadena, PassaDilma

No Brasil, ano eleitoral é punk. Niilistas de carteirinha, políticos e jornalistas ficam à espreita de alguma derrapagem à curva, algum ato-falho, alguma brecha que, num sistema dominado por extraordinários marqueteiros ilusionistas, permita a explosão de manchetes devastadoras. Pior fica quando o próprio Palácio do Planalto, ao tentar sacar mais um coelho da cartola, puxa um bode pelo chifre e o coloca no meio da sala. Neste caso, o ex-sacrossanto gabinete presidencial. Durante todo aclamado (des)governo do ex-presidente Lula da Silva, o Partido dos Trabalhadores investiu maciçamente no loteamento institucional como principal instrumento de manutenção do poderio e de compra direta de apoios e sustentação política. A premissa é nascedouro de escândalos de grande monta, como o Mensalão, os Aloprados, os sucessivos achaques aos cofres públicos num dos 39 ministérios e centenas de congêneres.
Helder Caldeira

O elefante malaio

É absolutamente dramático o caso do desaparecimento do voo MH370 da Malaysia Airlines com 239 pessoas de 14 nacionalidades a bordo, dos quais 153 eram cidadãos chineses. O moderno Boeing 777-200 decolou da capital malaia Kuala Lampur no início da madrugada de sábado, 08 de março de 2014, com destino a Pequim, na China. Quase uma hora após a decolagem, o avião, em princípio, sumiu sem deixar quaisquer vestígios. Soa inverossímil crer que uma aeronave de tais proporções e com vários sistemas de comunicação que independem da ação humana possa desaparecer sem que os mais incríveis aparatos tecnológicos desenvolvidos nos últimos 50 anos sejam capazes de encontrar alguma pista de sua localização. Sabe-se, por exemplo, que governos e agências oficiais de espionagem são capazes de localizar com precisão um telefone celular, vasculhar seu histórico de navegação e chamadas e até rastrear e ler mensagens enviadas. Como não conseguem encontrar um avião? Inverossímil e bastante improvável.
Helder Caldeira

Teatro de desavergonhados

É sob esse manto de mau-caratismo que estamos subsistindo. Convenhamos: que nação, com algum vestígio de dignidade e vergonha na cara, aceitaria tão candidamente que sua presidente da República, a despeito do caos e do descaso com a infraestrutura miserável do país, fosse inaugurar sua primeira grande obra em Cuba? Não bastasse o descalabro de financiar o monumental porto cubano com quase R$ 2 bilhões dos cofres públicos brasileiros e dos R$ 40 milhões anuais pela participação — em regime quase escravagista — no programa “Mais Médicos”, “Sua Alteza” ainda teve a cara de pau de prometer mais R$ 700 milhões para a ditadura comunista dos irmãos Castro. Um dia antes, a presidente do Brasil ficou furiosa porque alguns “ridículos”, que ainda tem a ousadia de pensar neste país de debiloides, utilizaram as redes sociais para questioná-la sobre os R$ 26 mil pagos — com recursos da União, fique claro! — por um pernoite na suíte presidencial de um hotel em Lisboa e as demais quatro dezenas de quartos ocupados por sua monstruosa comitiva oficial, cujo transporte exigiu dois aviões da Força Aérea Brasileira. Não fosse pela “imprensa que avacalha” — na acepção de um certo “ex” —, a folia portuguesa dos “bem-aventurados” jamais chegaria ao conhecimento do (ir)respeitável público.
Helder Caldeira

‘Rolezinho’ de cínicos

O cinismo é uma arma preciosa... e perigosa. Especialmente em nações miseráveis, fartamente desiguais e com população com nível político-cultural muito abaixo do que se espera como mínimo. Cumpre aos cínicos a tarefa de vestir a máscara do que imagina ser seu tempo e seu espaço, pretendendo romper o pragmatismo das fronteiras e princípios basilares à convivência nas sociedades contemporâneas. Por óbvio, o duelo entre o cinismo e a legalidade é bastante conveniente aos nebulosos interesses de uma espécie bizarra: os ideólogos discursistas. Aquela raça tacanha, de apoucada responsabilidade, sempre pronta a fermentar supostos conceitos politicamente corretos, servidos à bandeja do caráter duvidoso e da má-fé. Eia, pois, a resumir a ópera dos malandros cínicos em argumento de palanque político brasileiro.
Helder Caldeira

Um epitáfio para o PSDB

Desde que perdeu as eleições, em 2002, o PSDB parece confortável com a personagem que lhe restou: posar de Rapunzel da política brasileira, encastelada numa torre fria e distante, esperando um príncipe-eleitor chegar num cavalo azul-e-amarelo, subir por suas infindáveis tranças internas e, enfim, salvá-la do latino exílio. Os tucanos, como que constrangidos, renegaram o papel de oposição, tão fundamental naquilo que se espera de uma democracia. Sucumbiram à elegância de Fernando Henrique Cardoso, num país que prefere crer que a inteligência é um instrumento de culpa e que, sistematicamente, cria — além de legitimar e idolatrar — outra espécie de seres a ocupar o papel dos “pensantes”, oníricos e chapados.
Helder Caldeira

Bolsa Macunaíma

Há um demônio rondando o sacrossanto universo político brasileiro. No início da tarde de um dia (in)útil, deitado no velho sofá de molas da sala sem reboco, um desdentado macunaímico fecha a enciclopédia messiânica e liga a TV LCD de 32 polegadas comprada em 60 prestações — das quais só pagou as duas primeiras, deixando as demais à esculhambação do SPC e Serasa e crente na prescrição pós cinco anos —, onde pretende assistir a 856ª reprise do clássico “A Lagoa Azul”. Apesar de seu quase meio século, ainda adora a jovem Brooke Shields seminua, passeando pela praia. Hipocrisia inata, reserva apenas o soslaio às curvas e cachos dourados de Christopher Atkins.
Helder Caldeira

A lojinha da presidenta

Quando falta o pão, cessam os aplausos. Refém da miséria de um país esculhambado e bem longe da basilar compreensão de que a plenitude de uma democracia perpassa, de forma indelével, a solidez e credibilidade de suas instituições, não espanta que o (ir)respeitável público pense com a barriga e vote sob grilhões. De uns tempos pra cá, consolidou-se na “Bananeira-Jeitinho” uma momice cartesiana: vence uma eleição aquele que promete o pão. Não importa se pão fajuto e bolorento, feito bugigangas de lojinhas de R$ 1,99. Não por acaso, o maior desafio para Dilma Rousseff, e consequentemente para a trajetória do Partido dos Trabalhadores no Palácio do Planalto e seus respectivos legados, reside no horizonte carmim-crepuscular da Economia. O nível de descrédito na autenticidade das contas públicas e na capacidade da “presidenta” e seu staff de gerir e bem administrar as finanças do país atingiu patamares preocupantes e coloca em xeque o suposto favoritismo à reeleição em 2014.
Helder Caldeira

Dois vivas, um fim…

“Viva o PT! Viva o Brasil!”, bradaram os novos presidiários ao (ir)respeitável público. Vitória pírrica, tão somente. Não há nada que mereça louvor. O presidente reeleito do PT, deputado Rui Falcão, até tentou aproveitar a marola e colar em José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoino e no resto da patota a alcunha façanhosa e anacrônica de “presos políticos”. Não são! Não há heróis nessa história. No dia da “Res publica” — aquilo que, de fato, nunca fomos —, diletos amigos e companheiros servis da atual presidente Dilma Rousseff e do todo-poderoso e popular Luiz Inácio Lula da Silva foram parar no xilindró, condenados por vasta corrupção e desvios de recursos públicos para alimentar os cofres do partido e um projeto alienante de desmesurado poder.
Helder Caldeira

Soluço político

Patrocinar a desinformação é a alma do balcão de negócios políticos no Brasil. Não por acaso, o soluço político da ex-senadora Marina Silva escreve uma página importantíssima na trajetória das eleições de 2014. Com a experiência de quem se serviu em demasia do marketing político e pessoal para abocanhar quase 20 milhões de votos em 2010, a dona da — temporariamente clandestina — Rede Sustentabilidade mergulhou de cabeça no PSB do presidenciável Eduardo Campos e protagonizou o maior fato político do ano. Um soluço maior, mais emblemático e com admirável visibilidade.
Helder Caldeira

Meio Brasil de ignorantes

Durante o surto de sonambulismo que agitou o Brasil em junho, muitos ficaram espantados com o silêncio das instituições. Alguns espantalhos metediços vieram a público propor pactos inexequíveis e mudanças simbólicas que, atualmente, já estão confortavelmente instaladas no fundo de gavetas empoeiradas. Na surdina, mequetrefes de colarinho branco, os verdadeiros vândalos da República, financiaram grupos violentos, que invadiram manifestações legítimas e expulsaram das ruas o que havia de crédulo democrático. Na liturgia brasileira dos feudos e currais, as muitas quadrilhas planaltinas conhecem bem seu gado. O silêncio ante a revolta foi estratégico.
Helder Caldeira

Impunidade funesta

Não é novidade dizer que a impunidade é uma praga devastadora. Consagrada no Brasil como uma espécie tergiversa de instituição, enraizada nos Poderes, entranhada na alma da vida pública. O julgamento do Mensalão surgiu como um ponto fora da curva, um marco. Não por ser o maior escândalo de corrupção da história — não é, nunca foi —, mas por levar à apreciação do Supremo Tribunal Federal os crimes de corrupção cometidos por uma monumental quadrilha nascida no coração do partido político que ocupa a Presidência da República e quer se perpetuar no poder, custe o que custar.
Helder Caldeira

Desmamando rinocerontes

Hoje quero propor aos estimados leitores um exercício de (des)alienação: enquanto lê estas mal digitadas linhas, ligue a televisão em algum dos canais abertos, folheie qualquer jornal ou revista de grande circulação no país e/ou abra a página desses veículos de comunicação na internet. Feito isso, vá às redes sociais e destine apenas dez minutos do seu precioso tempo para verificar, em plano geral, as últimas postagens. Por imediato, notar-se-á um abismo. Cinco minutos depois é possível enxergar um paralelismo. Ao final de dez minutos, algum “notável” — ou o “ghostthinker” de alguma celebridade — cria hastags, os universos se misturam e a praça é tomada por rinocerontes de Ionesco.
Helder Caldeira

Tumores palacianos

O Brasil padece de um câncer institucional. Burocrático, pernicioso, chaguento, nauseabundo, infestado por parasitas de colarinhos brancos desqualificados moral e profissionalmente, lenitivos com corrupção que assola o país e da qual são, direta ou indiretamente, ilustres beneficiários. Medidas profiláticas, comprimidos de ruas sonâmbulas, discursos anti-inflamatórios e pactos inexequíveis já não servem para paliar a desgraça numa paródia de democracia. Os tumores palacianos estão matando a pátria. O Brasil precisa de quimioterapia.
Helder Caldeira

Abaporu de Barack

Os recentes episódios que exigiram protagonismo do Palácio do Itamaraty revelam o momento dramático vivido pela diplomacia brasileira. Nos últimos dias, o Barão do Rio Branco deve ter revirado no túmulo treze vezes. Depois do imbróglio provocado pela fuga de um senador boliviano e da rocambolesca importação de médicos cubanos com evasão de divisas para a ditadura castrista, a política externa do jabuticabal trombou com um evento de grande envergadura: a denúncia de que os Estados Unidos da América espionaram até o “Nego” — labrador mascote da “presidenta”, presente do “chefe da quadrilha” José Dirceu —, quiçá a violação das comunicações de Dilma Rousseff e seu staff.
Helder Caldeira

Deputados papudos

A surdina é mãe dileta das maiores desgraças brasileiras. Nossa “bananeira-jeitinho” consagrou o silêncio dos fatos como ensurdecedor instrumento de manobra ideológica e politiqueira. Sob o império da impunidade crônica, o Brasil se tornou um paraíso para os larápios que desejam desfilar fantasiados de heróis, salvadores da pátria macunaímica. Surdas às verdades, nossas instituições derretem diante do viés voluntarioso e esculhambado de legendas partidárias amorfas. Na surdina, indignidade e devassidão saíram da toca, em definitivo, e foram coroadas mandatárias planaltinas.
Helder Caldeira

Um Mensalão para Havana

A importação de quatro mil médicos cubanos para integrar os quadros da saúde pública brasileira no esquizoide programa “Mais Médicos” é o trending topic do momento no país das jabuticabas. Emersa do caldeirão petista de bizarrices da “presidenta” Dilma Rousseff para somar-se às iniciativas do Palácio do Planalto no sentido de serenar as monumentais demandas das recentes manifestações, a acintosa contratação de médicos estrangeiros para exercer suas funções em rincões, proposital e secularmente esquecidos, revela-se atestado oficial da incompetência do Brasil na administração de um território de proporções continentais, além de desvelar nojentas e torpes ideologias do partido político que, há mais de uma década, faz do Estado um esgoto para suas excrescências.
Helder Caldeira

Bunker mato-grossense

É triste demais concluir que um Estado, outrora pujante e promissor, não consiga emergir do lamaçal. Faltando mais de um ano para as eleições que determinarão o futuro de Mato Grosso e do país, parece pouco apelar à consciência dos eleitores ou à legislação vigente. Nenhum colarinho-branco é marciano, deixado aqui por uma espaçonave. O bunker mato-grossense foi eleito pelo povo e a lei, a despeito de qualquer sanidade, parece não o atingir. Conhecer Mato Grosso é um desafio que ultrapassa o gigantismo continental de seus mais de 900 mil km² — área territorial superior à maioria dos países sul-americanos; maior que Paraguai, Uruguai e Guiana juntos; dimensões equivalentes às vizinhas Venezuela e Bolívia. Se você sobreviver à mazelar infraestrutura, deparar-se-á com um conglomerado político que mais parece um ninho de serpentes, atulhando os poderes mato-grossenses numa espécie de bunker ordinário que administra um estado maneta.
Helder Caldeira

O alcance da guilhotina

Neste exato momento, o medo estacionou à porta daqueles que conduziram o Brasil até aqui. Leia-se: políticos e seus partidos; imprensa e seus olhares; academia e seus intelectuais; e todo latifúndio de pensamento que construiu o tal do “espírito nacional”, tratando de assegurá-lo a uma ínfima minoria de “condutores”. Estes estavam confortavelmente instalados no timão dos conceitos de democracia e república que criaram, guiando a nau rumo ao “berço esplêndido” de seus interesses. Agora, diante de duas semanas de portentoso eco de rejeição emergindo das ruas, fingem ignorar seu cerne e continuam tentando manipular vozes, palavras e ações. Querem ganhar tempo para avaliar o adelgaço da lâmina e o alcance da guilhotina.
Helder Caldeira

Levante varonil

A fervura das ruas nos últimos dias é objeto de especial inquietação em dois acomodados nichos da sociedade brasileira: os políticos e os intelectuais, ambos supostos, prepostos e/ou autoproclamados. Confortavelmente instalados em seus ambientes (dis)funcionais, investiram pesado na consolidação de uma espécie tergiverso-tropicalista de democracia, capaz de legitimar e lhes garantir impunidade e o status quo; demarcar um Estado tetado e fracionar o tesouro lactescente apenas entre panelinhas; e, por fim, disfarçar a desgraça sob o manto de benesses sociais viciantes e aniquiladoras da força motriz do país. Para o caldo da História, ilustraram suas biografias wikipedianas com emocionado relato de peleja que, meio século depois, ainda carece de fontes fidedignas.
Helder Caldeira

Porcos e tomadas

A cantilena das máximas populares alerta que “focinho de porco não é tomada”. Os deletérios institucionais que atualmente habitam os faustos planaltinos parecem desconsiderar tal assertiva. Indiferentes à impressão de desordem generalizada, a equipe palaciana da Presidência da República e sua vastíssima base governista trabalham diuturnamente para desmistificar a pecha gerencial, centralizadora e autoritária de Dilma Rousseff, cujo prestígio imerecido lhe rende destaque de segunda mulher mais poderosa do planeta. Para garantir a cadeira de espaldar alto do Palácio do Planalto, os lulodilmistas miraram três flancos do comércio político brasileiro: a compra, no atacado, de legiões de beneficiários dos programas sociais; o tráfico varejista de apoios partidários, apaniguados através de um loteamento da administração pública jamais visto na história e sem quaisquer critérios técnicos; e o investimento maciço na aniquilação do direito ao contraditório, do pensamento opositor. Disfarçou esse modelo tergiverso à sombra de pilares democráticos e emprestou-lhe a alcunha de “Esquerda Progressista”.
Helder Caldeira

Moeda de basbaque

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, causou alarido na República ao servir-se de uma tribuna acadêmica para cutucar os felídeos politiqueiros e seus “partidos de mentirinha”. Colarinhos brancos de grande envergadura e baixa estatura ética e moral trataram de vaiar as declarações do paracatuense, espargidas justamente durante o processo de aprovação da MP dos Portos — que recebeu a “(al)Cunha Garotinha” de “MP dos Porcos” — e em meio ao vendaval na base aliada da presidente Dilma Rousseff, neste caso evocada como tirana mandatária do Poder Legislativo.
Helder Caldeira

Boato-teste

A quem serve a desinformação e a ignorância de uma franca maioria de cidadãos brasileiros? Com as eleições de 2014 antecipadíssimas graças ao movimento irresponsável do ex-presidente Lula da Silva e os prováveis candidatos já mostrando suas caras no ringue político, uma das prováveis respostas à questão pode ter surgido no último final de semana, quando metade do país foi sacudida por um boato perverso acerca do programa Bolsa Família, o maior sistema legalizado de compra de votos do planeta, disfarçado sob a máscara da transferência de renda aos mais pobres. Desde o início da noite de sábado (18), as áreas de autoatendimento da Caixa Econômica Federal foram literalmente tomadas por multidões em pelo menos 12 estados brasileiros. Em algumas cidades, rádios locais avisavam aos beneficiários que o Bolsa Família seria extinto; em outros municípios, tornou-se público o anúncio de que a presidente Dilma Rousseff estaria concedendo um abono especial referente ao Dia das Mães e que só poderia ser sacado até às 18 horas do domingo, 19 de maio; há, ainda, locais onde a conversa fiada girou em torno de uma possível antecipação de três parcelas do benefício, que teria fim a partir de setembro de 2013.
Helder Caldeira

Pílulas felicianas

O deputado Marco Feliciano está nadando de braçada na condução da Comissão de Direitos Humanos. Ainda que responda a dois processos no Supremo Tribunal Federal, acusado de estelionato e homofobia, o pastor sente-se confortável na condução de seu rebanho de fieis e calou a boca da tropa de choque das minorias sociais ao condicionar sua renúncia ao defenestrar dos mensaleiros, deputados petistas que integram a Comissão de Constituição e Justiça. Com isso, revelou a tibieza e deu um tapa na cara do presidente da Câmara, deputado potiguar Henrique Eduardo Alves, e amordaçou até a durona presidente Dilma Rousseff.
Helder Caldeira

Dominação excrescente

O Partido dos Trabalhadores se tornou uma legenda medíocre. Não por seu tamanho, importância, poder e volume de recursos. Vulgarizou-se na gestão Lula da Silva quando permitiu a generalização de imagem dos quadros através de réguas nauseabundas de alguns saqueadores do Estado. Disseminado o péssimo exemplo, o PT chegou ao governo Dilma Rousseff obrigando a “presidenta” a criar o escalafobético conceito de “malfeito” para justificar a corrupção em grande monta e larga escala. Como a sociedade não reage à escandalosa sucessão de “malfeitos”, os amplíssimos índices de aprovação são chancelas para que o PT sirva-se do Estado feito um famélico diante de um porco assado: besunta as mãos, chupa os ossos e lambe os beiços. Saco sem fundo, não se farta com a roubalheira institucionalizada. Infestou e desqualificou o Poder Executivo, desmoralizou o Legislativo, deseja encabrestar a imprensa e agora quer vergar o Poder Judiciário. Pretende uma absoluta dominação excrescente.
Helder Caldeira

Fornicação macunaímica

Nosso adorável governo já enterrou quase R$ 1 trilhão para bancar a realização da Copa do Mundo 2014 em solo brasileiro. Sem que as obras estejam prontas (muitas nunca ficarão, porque o dinheiro foi desviado!), já está aberta a pré-venda dos ingressos para os jogos. Mesmo que nossos suados impostos tenham sido consumidos (indiferentes à precariedade da educação, saúde, saneamento e afins), o brasileiro terá que desembolsar entre R$ 1 mil e R$ 9 mil se quiser ir aos estádios. Para assistir aos jogos da Seleção Brasileira na 1ª Fase, paga-se a bagatela de R$ 5 mil. E o povão, paupérrimo, aplaude!
Helder Caldeira

Bicadas na alça do caixão

Poucas vezes em sua história o PSDB chegou tão mal à véspera de um processo eleitoral. O tucanato está numa encruzilhada monumental. Depois de uma década longe do poder central e sem conseguir exercer, com mínima dignidade, o papel de oposição, os socialdemocratas brasileiros começam a temer serem dizimados. Faltando menos de 18 meses para as eleições presidenciais, o tabuleiro de xadrez político está assim: A pré-candidatura do senador mineiro Aécio Neves não decola. Nem junto ao empresariado anti-PT (que banca o jogo tucano e está se apaixonando pelos olhos verdes de Eduardo Campos), nem na mídia oposicionista, nem junto ao eleitorado, quiçá dentro do próprio ninho. Além das fronteiras de Minas Gerais, Aécio só tem projeção nas páginas dos tabloides de fofoca. Tirando o cafezinho e o pão-de-queijo, como político é um extraordinário baladeiro
Helder Caldeira

Mansidão crítica, frouxidão ética

Muito se discute, em especial nos últimos meses, sobre a eficácia e o tirocínio da equipe econômica de Dilma Rousseff, o perfil centralizador da “presidenta” e a falta de autonomia do Banco Central do Brasil, algo que, de fato, nunca existiu para além dos sonhos belos e inexequíveis da mídia e dos intelectuais economistas. Ainda que esse modelo “pseudoflex” (que situa-se entre o neoliberalismo tucano, o lulismo desidratado e um brizolismo boquirroto) esteja em vigor há anos, só agora a mídia e os notáveis (grosso modo, grosso caldo) decidiram mergulhar no assunto e bradar conjecturas.
Helder Caldeira

Excrementocracia

Que país sério permite uma gangue, disfarçada de agremiação política, tomar o Estado em assalto, entupi-lo de apaniguados, saquear seus cofres e manter esse esquema por inacreditáveis 10 anos gozando de máxima aprovação popular? Que gente é essa que se acomoda e não enxerga as manipulações tacanhas de um governo que sequer consegue distinguir o que é público do que é privado? Que país é esse?! Que Brasil é esse que pretende sediar nos próximos dias e anos os maiores eventos mundiais e um volume extraordinário de turistas, mas não consegue sanar seus básicos problemas internos? Condutores do transporte público cheirando cocaína no horário de trabalho e diante das câmeras; outros brigando com passageiros a ponto de perder a direção do veículo e despencar de uma ponte, provocando sete vítimas fatais; vans legalizadas que assaltam turistas; transporte alternativo que vira espetáculo de horrores, palco de estupro e outras violências em seu mais alto grau. Uma barbárie urbana que continuamos chamando de “Cidade Maravilhosa” (e ai daquele que ousar dizer o contrário!). Que país é esse?!
Helder Caldeira

Deus trolado

Poucas vezes vimos o nome de Deus ser utilizado com tamanha impropriedade e para atender, única e exclusivamente, néscios interesses eleitorais e midiáticos. Deus está sendo trolado! A ascensão do pastor Marco Feliciano à presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados é um esculacho às importantes conquistas democráticas brasileiras nas últimas três décadas. Sua manutenção no cargo é prova inconteste da ignorância e da irresponsabilidade que assolam os Poderes instituídos e um grosso caldo da sociedade brasileira. Em primeiro lugar, é bom ficar claro que há um equívoco conceitual no tratamento reservado ao deputado desde seu empoderamento na cadeira de espaldar alto da Comissão criada em 1995. Sua presidência não é questionada e repudiada por diversos setores por conta da fé que ele defende nos púlpitos e palcos dos templos evangélicos. Marco Feliciano é absolutamente incompatível com o mandato à frente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias por suas públicas declarações intolerantes, racistas, sexistas e homofóbicas, agora tratadas apenas como “mal ditas”, “mal interpretadas” e “malfeitas”, como reza o pior da sintaxe dilmista em sua inglória “faxina”.
Helder Caldeira

Comissão da verossimilhança

Em plena crise conceitual e de pertinência temática dos Direitos Humanos no Brasil, com a ascensão desavergonhada de um polêmico pastor-deputado à presidência da principal comissão legislativa acerca do assunto, um pequeno e seleto grupo de supostos notáveis começa a ganhar destaque por suas evidentes divergências internas: a Comissão Nacional da Verdade. À véspera de completar seu primeiro ano de oficial instalação, seus sete membros ainda patinam no lodaçal do período mais sombrio de nossa história recente e não conseguem estabelecer o que deve ser essa tal “Verdade”.
Helder Caldeira

Democraticamente idiotas

Não são poucas as vozes respeitáveis a garantir que há uma gravíssima crise de representatividade no Poder Legislativo do Brasil. Arranhados pela vigência nauseabunda de uma espécie esquizofrênica de politicamente correto (deveras incorreto!), esses críticos optam por desconsiderar a realidade-massacre dos processos eleitorais brasileiros e os resultados que, por definição democrática, emanam das urnas. Raros são aqueles que, em suas linhas, traçam o fundamental: os parlamentares-bandidos são eleitos, e muitas vezes reeleitos sucessivamente a despeito de suas fichas criminais, com o sagrado voto dos cidadãos.
Helder Caldeira

Pauperismo papal, lucro dilmista

Tão logo anunciado como novo Sumo Pontífice da Igreja Católica, o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio dispensou a presença de monarcas, chefes de Estado e suas comitivas na cerimônia de entronização, realizada no último dia 19 de março de 2013. Revelado arauto do pauperismo (modista e marqueteiro... ou não!), o Papa Francisco pediu que, ao invés de comparecer à sua coroação, as autoridades deveriam orar por ele em seus países e doar aos menos favorecidos todo dinheiro que seria gasto com a viagem. Por óbvio, ninguém atendeu ao apelo do jesuíta e milhões de Euros foram consumidos para que nobres excelências pudessem entrar na fila santa do “beija-mão”.
Helder Caldeira

Nomenclaturas da ignorância

Por que é tão difícil para o governo federal ser efetivo nas políticas e ações públicas, lançando um olhar realista sobre interior do Brasil? Para uma pergunta de continental envergadura, a resposta é bastante simples: os agentes governamentais não conhecem integralmente nosso país, não o reconhecem como um todo. Os sucessivos discursos — mal falados e em tíbia leitura, fique claro! — da presidente-economista Dilma Rousseff são prova inconteste de sua farta ignorância quanto aos meandros mazelares de uma República imersa e que não patrocina o fundamental diálogo entre os grandes centros urbanos e o “resto”. Faço uso do termo “resto” propositalmente. Por “resto”, leia-se a expressiva maioria dos municípios brasileiros composta por pequenos feudos populacionais e que não está na dimensão limítrofe das capitais e de algumas cidades de médio e grande porte brasileiras. Mas há uma realidade pior: num país de pedestre política personalista e cuja métrica se estabelece pelo aporte de eleitores e votos, é do governo federal a decisão medíocre de ignorar a existência e as demandas prementes de seu paupérrimo interior. Miséria às raias da erradicação, como quer garantir o discurso da excelentíssima senhora “presidenta” e sua apologética equipe, passemos a utilizar apenas o “muito pobre”, “paupérrimo”. Nomenclaturas da ignorância... propositais.
Helder Caldeira

Um conclave tergiverso

Quando o recém-eleito Joseph Ratzinger escolheu ser chamado de Bento XVI, justificou ao colégio cardinalício ter buscado inspiração no pontificado do Bento anterior, o XV: curto, doloroso e profícuo, especialmente dedicado à reforma administrativa da Igreja Católica ante o borbulhar de um novo século. Interessante coincidência (será mesmo?!), o alemão Ratzinger e o italiano Giacomo Della Chiesa tiveram papados de modestos oito anos, infrutíferos em seus objetivos primordiais, de dolorosa pressão interna e mergulhados em abstrata intelectualidade teológica.
Helder Caldeira

Cambaxirra cubana

Estupefato, assisti na última semana as ridículas manifestações de ignorância e incivilidade de supostos manifestantes brasileiros pró-Fidel contra a blogueira cubana Yoani Sánchez em sua visita ao nosso país. Ignóbeis do que seja, de fato, um ambiente democrático, não ficaram satisfeitos com cartazes mal escritos e gritos de ordem mal falados, bem próprios de quem tem ralo domínio do idioma pátrio. Partiram para agressões físicas, esfregando dólares falsos em sua cara e puxando suas longas madeixas. As barbáries brasileiras contra a blogueira cubana ganharam manchetes no mundo inteiro. Centenas de artigos como este e os supramencionados se multiplicam nas páginas de jornais, revistas, portais e nas redes sociais. Não são “ataques orquestrados pela mídia” ou “golpismo das elites”, como certo alguém gosta de bradar. Na verdade, trata-se de vergonha por tamanha estupidez. Vergonha na cara, ainda que artigo em escassez, jamais deixará de ser termômetro de bom senso.