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Francisco Vianna

O exemplo da União Européia

Se alguém razoavelmente informado viajar pela Europa e observá-la com atenção, verá que os seus países membros estão tendo respostas heterogêneas à atual crise internacional, uma vez que as reações dos países chaves da zona do euro apresentam uma atitude diferente com relação ao desenvolvimento econômico dos países ditos “periféricos”, com relação inclusive à própria base monetária. Existem inúmeros fatores geoeconômicos que explicam tais disparidades, sem falar nas reprimidas diferenças políticas. De um modo geral, os países sulistas do Velho Continente aparentemente não conseguem resolver o dilema de seus altos custos de funcionamento, de altas taxas de estatização, de uma população altamente acostumada a benesses estatais, por um lado e, por outro, de sua baixa capacidade de produção e de geração de riqueza (PIB), nem de longe comparada com a dos países do norte e do centro europeu.
Francisco Vianna

A farsa do diálogo venezuelano

O chamado “diálogo venezuelano” foi criado por pressão internacional para possibilitar dias mais calmos para a Venezuela, que vem sendo obrigada a engolir, goela abaixo e contra a vontade, um socialismo nos moldes cubanos e que já dissemina a miséria e a pobreza pelo país mais rico em petróleo da América do Sul. Como as pessoas não comem petróleo, o pau está quebrando reto no nosso vizinho do norte, com a herança maldita herdada de Hugo Chávez e a comunidade internacional praticamente não reagindo a tudo isso.
Francisco Vianna

A Copa do mundo poderá ser afinal benéfica para o Brasil

O chamado "país do futebol" perdeu a copa de 1950 em sua casa, em seu mítico Maracanã superlotado e ganhou o troféu cinco vezes no exterior mais tarde, numa atmosfera de júbilo, ufanismo e aparente autoconfiança nos destinos do país como "potência emergente". Agora que o mundo bate à sua porta, os brasileiros parecem não estar nem aí para o acontecimento esportivo quadrienal. O desânimo e o desencanto, no entanto, não parece ser com a qualidade da sua seleção de futebol nem com o preparo desta para a competição. Estranhamente, nessa área tudo parece ir às mil maravilhas, tanto no aspecto técnico como na ausência de craques lesionados ou complicados com a justiça desportiva.
Francisco Vianna

Rússia, China e a construção do Canal da Nicarágua

A construção do canal interoceânico na Nicarágua representa o desafio do capitalismo estatal sino-russo para concorrer diretamente com o capitalismo privado que comanda o Canal do Panamá, e que se encontra em fase de ampliação. Tudo isso está longe de ser um “ato neutro” e tais iniciativas podem dar ensejo a uma maior ação ocidental na Eurásia. A China, por sua vez, não pode se dar ao luxo, pelo menos ainda, de ver as empresas americanas que para lá foram se estabelecer a partir dos anos 1980s, de repente, se retirarem do país.
Francisco Vianna

O drama socialista da Venezuela

Apesar da enorme escassez de moeda forte e sem reservas consideráveis delas, o regime “socialista bolivariano” de Caracas optou em apertar o cinto, não do governo, mas indefinidamente dos venezuelanos e deixar incólume o ralo por onde se esvai importante parcela do PIB nacional em direção a Cuba, uma ilha miserável e paupérrima que quase nada produz, também sob a sanha “socialista” dos Castros. Alguns analistas coincidem ao afirmar que essa situação reflete o tamanho da dependência do regime de Maduro em relação ao regime castrista, que possui um enorme contingente de cubanos diretamente inseridos na máquina estatal e nas Forças Armadas da Venezuela, fazendo com que a ilha caribenha seja na verdade o que assegura o poder de Maduro. Tem-se a impressão que, no momento em que Maduro ou outro dirigente qualquer deixe se sustentar a ilha, sua estabilidade política perderá consistência e os elementos cubanos infiltrados no regime de Maduro serão perfeitamente capazes de aplicar um golpe de estado e substituir qualquer dirigente que venha a agir nesse sentido. Maduro construiu e consolidou seu poder graças aos Castros...
Francisco Vianna

Americanos avisam: “preparem-se para o xisto!”

Se tudo der certo, os EUA deixarão de comprar petróleo no exterior e passarão a ser exportadores de combustíveis fósseis. Brasil também tem tudo para se tornar autossuficiente e fazer parte desse clube. A perspectiva de produção de hidrocarbonetos a partir do xisto betuminoso nos EUA se fortalece a cada dia, fazendo com que outros países também embarquem nessa onda. O Brasil também tem extensas jazidas (a segunda maior do mundo) de xisto betuminoso e, por isso, deve estar atento a toda essa transformação, pois o retorno à época dos combustíveis baratos inviabilizaria por completo a extração do petróleo a grandes profundidades oceânicas das consideráveis jazidas do pré-sal. O país só leva desvantagem em relação aos EUA pelo fato de o dono da terra no Brasil não ser também dono do subsolo, ficando, pois, prejudicado o investimento privado, dos mais variados montantes, nessa indústria extrativa e de transformação de suma importância futura e deixando o país na dependência de oligopólios e monopólios tanto estatais como privados, nacionais e transnacionais. Um verdadeiro absurdo que tem que sofrer uma correção de rumo, caso o Brasil não queira, mais uma vez, perder o bonde da História.
Francisco Vianna

Qual o alcance dos mísseis nortecoreanos?

Apesar dos amplamente propagandeados testes com mísseis norte-coreanos, sabe-se relativamente pouco sobre o tamanho e a capacidade de seu arsenal convencional e atômico. Acredita-se que a ditadura comunista norte-coreana tenha um número substancial de mísseis de curto e médio alcance tais como o ‘Nodong’, uma variante do míssil Scud D, de origem soviética. Com um alcance de mil quilômetros, o Nodong poderá, teoricamente, atingir a Coreia do Sul e o Japão. Entretanto, sua fraca precisão o torna uma arma ineficaz no campo de batalha e é improvável que a Coreia do Norte seja capaz de acertar bases militares americanas na região ou ainda fazer com que esses mísseis cheguem sequer perto delas, embora sejam capazes de causar sérias baixas na população civil.
Francisco Vianna

A “burrice” do governo

Conta uma piada, dos tempos do governo militar do Gal. Figueiredo, que, ao receber a visita do Papa João Paulo II, este teria perguntado ao presidente se não era um exagero ele governar com doze ministérios. O general teria dito ao Sumo Pontífice que “assim como Jesus Cristo tinha doze apóstolos para divulgar sua igreja pelo mundo, o Brasil tinha doze ministros para construir uma nação-potência. Risos de ambas as partes e a coisa, felizmente, parou por aí.
Francisco Vianna

O que deve e o que não deve ser tributado

Um dos mantras padrão da economia atual, tanto no Brasil quando no exterior, é o de que empresas e corporações estão somente sentadas sobre montes de dinheiro e não fazem nada com ele. Na verdade, elas mantêm muito capial improdutivo, como se pode observar em seus balanços e em suas contabilidades. Tal prática parece um tipo de quebra-cabeças que deve ser considerado como um "fator tributário" e, além do mais, essas empresas e corporações mudaram: estão a manter estoques e contas a receber, ambos, de forma subdimensionada...
Francisco Vianna

Argentina considera “falta de respeito” o referendo nas Falklands

O governo argentino qualifica de “falta de respeito” a convocação do referendo sobre a soberania das ilhas Falklands (que os argentinos insistem em chamar de Malvinas), anunciado este fim de semana pela Assembleia Legislativa do arquipélago, segundo uma nota pelo website oficial da Casa Rosada. O vice-presidente argentino, Amado Boudou, presidente em exercício em função da viagem de Cristina Fernández de Kirchner a vários países asiáticos, declarou na citada nota que esse referendo, que terá lugar em março próximo, “é uma falta de respeito à inteligência e ao direito nacional e internacional”.
Francisco Vianna

Os americanos não abrem mão de suas armas

O jornal americano menos conservador, o "The New York Times", nos faz conhecer através de uma matéria publicada recentemente, como o americano preza a Segunda Emenda à sua Constituição, que garante o direito do cidadão em possuir e portar armas de defesa pessoal, algo que é respeitado na maioria dos condados do país. A própria cidade de Newtown, no pequeno nordestino de Connecticut, abalada e chocada com o massacre seguido de suicídio perpetrado por um demente de vinte anos e que tirou a vida de vinte e oito pessoas, vinte das quais, crianças de um jardim de infância e incluías a sua própria e a de sua mãe, numa enquete promovida pelo jornal, não parece disposta a se por a favor de uma proibição de armas a partir da reforma ou anulação da Segunda Emenda Constitucional.
Francisco Vianna

Proibições em Cuba

O agente da censura estatal da mídia cubana, o presidente do Instituto Nacional de Rádio e Televisão (ICRT) de Cuba, Danilo Sirio López, anunciou enfaticamente que a música "considerada vulgar e ofensiva ao estado" não poderá mais ir ao ar pela programação de rádio e TV, totalmente estatizada, alegando que "essas músicas deformam o gosto musical" que o politiburo cubano quer que a população tenha. A férrea oposição das autoridades do regime comunista cubano aos gostos musicais, princiapalmente da juventude, que não se encaixem no "modelo revolucionário socialista" da ilha não parece ter outro propósito a não ser o de barrar o estilo "reggae", considerado subversivo. Irreverente e de alto conteúdo sexual, o "reggaeton" é um estilo de música muito popular entre os adolescentes da ilha-cárcere dos Castros.
Francisco Vianna

Austeridade em Portugal

Um editorial do jornal inglês, ‘The Economist’, usa de sarcasmo ao afirmar que a austeridade econômica – que impõe menos ganho e mais sofrimento à população portuguesa – causará o empobrecimento do país e poderá mudar o nome da nação lusa de Portugal para Poortugal, que pode ser traduzido como “Pobretugal”, uma vez que a palavra poor em inglês significa pobre. Muitos portugueses poderão se sentir um tanto ofendidos com tal sarcasticidade britânica, mas já houve época em que a Inglaterra esteve arrasada pelo bombardeio nazista e em situação extremamente pior do que a que Portugal enfrenta hoje. Os lusitanos mais realistas e patriotas não devem considerar o dito como ofensa, e sim como um repto, uma espécie de desafio nacional a ser superado e vencido para mostrar aos ingleses que são tão capazes quanto eles em dar a volta por cima.
Francisco Vianna

Hugo Chaves garante que haverá guerra civil caso não seja reeleito

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, tem estado de muito mau humor ultimamente, provavelmente ao sentir que suas possibilidades de ser novamente reeleito parecem minguar inexoravelmente. Então o irado caudilho resolveu engrossar de vez e adotou uma linguagem mais violenta para meter medo no povo e parece disposto a ser eleito na marra, mostrando que falta pouco para eliminar os últimos resquícios de democracia no seu país. A tática do medo substitui a fracassada tática de despertar simpatia e até piedade por parte do eleitor em função de sua doença. Sua campanha, cujo lema é “coração venezuelano”, deixou de vender a imagem petista de “Chávez paz e amor” e, em discursos de uma ira mal contida, ameaça agora o eleitor venezuelano com uma guerra civil que ele tem como certa caso perca as eleições de 07 de outubro próximo para seu concorrente Henrique Capriles.
Francisco Vianna

Maximizando o crédito

A “bolha do crédito”, no Brasil, mostra um pico na inadimplência, sinaliza cautela, mas não ainda pânico. Proporcionalmente ao PIB, a disponibilidade de crédito, no Brasil, dobrou em dez anos. Impulsionado por acesso mais fácil à aquisição de casa própria (hipotecas), os preços dos imóveis nas grandes cidades brasileiras mais do que dobraram em apenas cinco anos. Do mesmo modo, a indústria automobilística agarrada à boia da disponibilidade de financiamento e eventuais diminuições de impostos, bateu sucessivamente cinco recordes em vendas em 2011. Agora a expansão súbita do crédito no país (veja o gráfico) começa a parecer menos efervescente e mais assustador. A inadimplência de mais de 90 dias bateu o recorde chegando a 6% do valor creditício.
Francisco Vianna

O quanto custa criar um filho nos EUA e no Brasil

Ficou contente com a notícia de que a esposa está grávida? Melhor pensar em ter a grana necessária para pagar o custo que isso vai acarretar... Segundo o relatório da USDA, uma família da classe média que teve um bebê normal em 2011 pode se preparar para gastar em média 235 mil dólares (quase 300 mil com a inflação projetada) para criar a criança nos próximos 17 anos, o que representa um aumento de 3,5% sobre os cálculos de 2010. Ou seja, os papais felizes, aqui no Brasil, para dar as condições equivalentes a dos americanos, precisarão gastar algo em torno de meio milhão de reais em 17 anos. Isso equivale a algo em torno de 27.500 reais por ano, com cada filho. Nos "bons tempos" crianças eram baratas de serem criadas e mantidas, quando os pais gastavam algo em torno de da metade disso nos 'anos dourados' de 1960.