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Francisco Caruso

O que a ciência pode dizer sobre o aquecimento global?

Há poucos dias, o prestigioso "The Wall Street Journal" publicou em sua versão online uma matéria intitulada “No Need to Panic About Global Warming”. O artigo é assinado por 16 cientistas de prestígio e começa chamando atenção para o fato de que qualquer campanha política hoje em dia requer que a questão do “aquecimento global” seja incluída na agenda de discussões e de possíveis decisões a serem tomadas pelo futuro governo para evitá-lo. Naturalmente, tendo em vista a campanha presidencial americana, mas não é sobre isto que quero falar aqui. O que é importante destacar é que a existência deste processo de aquecimento é dada como certo pela grande mídia, com raríssimas exceções.
Francisco Caruso

Que sustentabilidade queremos?

Em geral, a ideia de sustentabilidade de um sistema qualquer nos remete a um princípio de retroalimentação, que garanta a manutenção e a evolução contínua do próprio sistema. Durante séculos, não foram poucos os inventores e homens de ciências que se ocuparam em tentar demonstrar a existência de um perpetuum mobile, ou moto contínuo. Sempre sem sucesso. De fato, as leis da Termodinâmica impedem a existência destas máquinas “mágicas”. No mundo real há sempre perdas (atritos, por exemplo) e, eventualmente, ganhos se o sistema não for isolado. Ora, se desejamos pensar nos critérios que devem definir o que é a sustentabilidade global do planeta a primeira coisa sobre a qual nos daremos conta será a complexidade e a variedade das atividades humanas de exploração, produção e de transformação. Qualquer tentativa nesse sentido deve ter um foco bem claro.
Francisco Caruso

Bilhete a um jovem físico

Há muitos anos venho notando uma mudança significativa entre os alunos no meio universitário. É cada vez mais frequente ser procurado por estudantes que manifestam o interesse em “ter uma bolsa de iniciação científica”. Nestes casos, invariavelmente, minha resposta é lacônica, limitando-me a dizer que estou sem tempo para novas orientações. Em algumas poucas ocasiões (poucas mesmo) fui interpelado para saber o que é uma iniciação científica e, assim, tive a oportunidade de tentar compreender melhor os anseios de certos jovens que desejam ser físicos. Entretanto, confesso que apenas um jovem calouro chamado Yuri Bomfim Martins me fez refletir mais seriamente sobre o que eu poderia e deveria lhe dizer que pudesse lhe ser efetivamente útil.
Francisco Caruso

A corrosão do caráter… e da escola

Vejo, há muito, reflexos evidentes disto na Universidade na qual dou aula e no contato frequente com vários adolescentes do ensino médio. A ideia de que o aprendizado deva necessariamente envolver esforço parece, hoje em dia, uma ficção, ou mesmo uma fantasia. Os alunos não estão dispostos a fazer sacrifícios, a fazer exercícios e a lerem muito sobre o que estão aprendendo. Mas, obviamente, não se pode por a culpa só neles. A escola, desde cedo, tem sido incapaz de formar esta conscientização no jovem, tampouco é capaz de despertar o hábito da leitura, essencial para a boa formação de qualquer cidadão. Também a Escola se tornou superficial.
Francisco Caruso

O LHC, sem medo e sem mistério

O LHC (sigla da expressão em inglês Large Hadron Collider), a mais complexa máquina dedicada a um propósito científico projetado pelo homem, construída pela Organização Européia para Pesquisa Nuclear (CERN), na fronteira entre Suíça e França, após quase duas décadas de planejamento, foi ligado em 10 de setembro de 2008 e, depois de um incidente, voltou a operar recentemente. Como todos os aceleradores de partículas que o antecederam, baseia-se na idéia genérica de que quanto maior for a energia da partícula que compõe o feixe que irá sondar a matéria, mais ela pode penetrar nos mistérios da estrutura última da matéria. Rutherford inaugurou o que se pode chamar de experimento de alvo fixo,
Francisco Caruso

Trote violento: um pleonasmo perigoso

Há quase um consenso que, no Brasil, as coisas só acontecem depois do carnaval. Uma constatação banal disto é o início das aulas em todas as Universidades. O que não é trivial, nem tampouco aceitável, é que este momento seja invariavelmente acompanhado de um noticiário que mais parece crônica policial, com casos de abusos de vários tipos, incluindo tortura e, eventualmente, a morte de calouros em trotes. Não seria de admirar que os sociólogos provassem a existência
Francisco Caruso

A herança de José Mindlin

José Mindlin nos deixa duas heranças inestimáveis. A primeira delas, de valor material e cultural incalculável, é sua biblioteca com cerca de 45 mil livros, que abriga uma inigualável quantidade de obras raras reunidas em uma única biblioteca particular. A segunda, mais imponderável, embora, talvez ainda mais importante, é sua paixão pelos livros e pela leitura.