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Eliane Lima

O texto artístico: o coro polifônico de uma só voz!

Tenho trabalhado ultimamente com os conceitos de Bakhtin, filósofo russo, que, ao se debruçar sobre a linguagem, acabou penetrando em outros aspectos do saber humano, como a literatura, a linguística, entre outras. O Círculo de Bakhtin, liderado por Mikhail Bakhitin (1895-1975), era formado por um grupo de estudiosos russos, filósofos e linguistas, liderados por quem dá nome ao grupo, no princípio do século XX, e que tinha como principal entendimento o fato de ver a linguagem e a literatura como o concurso de interações dialogais.
Eliane Lima

O narrador, personagem da enunciação

O estudo, que se inicia e terá duas etapas, será sobre uma entidade textual, o narrador, o responsável por apresentar uma história a um possível leitor. A enunciação do discurso é de responsabilidade desse ser textual, que, de nenhum modo, deve ser confundido com o autor. Ele pode estar posicionado externamente, ou seja, não é uma personagem do enunciado – é bom se perceber, entretanto, que o narrador não deixa de ser um ser ficcional da enunciação – e, nesse caso, a narração se faz em terceira pessoa, ou posicionado dentro de sua narrativa, sendo uma de suas personagens, principal ou secundária e, como tal, a primeira pessoa dominará o discurso.
Eliane Lima

Reflexões sobre o espelho

Após uma ausência forçada, volto a postar nesse site tão diverso e, exatamente por isso, tão interessante. O tema de hoje é o espelho, tema que atrai, reiteradamente o engenho poético. Mas o tratamento dado a ele, espelho, é bastante variado. De simples referente, objeto do mundo real, transforma-se, além de sua mágica de reproduzir quem se olha, pela mágica da poesia. Começamos o estudo por Cecília Meireles. Foram transcritos e estudados aqui apenas os escritores de domínio público. A experiência de leitor, certamente, ampliará, seguidamente, o reencontro com o tema.
Eliane Lima

A função da linguagem poética

As considerações que aqui se apresentam têm como objeto as funções poética e emotiva (subjetiva) da linguagem. Ao se falar em funções da linguagem é impossível não se citar o linguista russo Roman Jakobson (1896-1982), do Círculo Linguístico de Moscou, e seu texto Linguística e Poética, compilação de uma conferência de 1956, em que o estudioso comparava a linguagem quotidiana e a linguagem da poesia. Eram estabelecidos ali seis fatores identificados por Jakobson como constituidores do processo comunicativo: o enunciador, o receptor, o código, a mensagem, o contexto (o referente do meio externo), o canal ou meio. Dependendo do enfoque de um desses elementos no ato de linguagem,
Eliane Lima

Poesia: o paradoxo da linguagem

Tenho usado o interessante livro da doutora em Ciência da Literatura, Maria Antonieta J. O. Borba, Tópicos de teoria para a investigação do discurso literário, de 2004, editado pela 7Letras, como instrumento de consulta em meu trabalho de análise literária. Mas há, pelo menos, nesse livro, uma afirmativa da qual discordo, em relação a um poema de Manuel Bandeira, transcrito após a citação abaixo, afirmativa e poema os quais usarei como tema de minha discussão.
Eliane Lima

Autor, texto e leitor: uma moeda de três faces

O presente artigo pretende discorrer, de forma bastante superficial e resumida, sobre as mudanças que ocorreram na visão da crítica ao abordar um texto literário. Vamos observar que o movimento, a grosso modo, se deslocou do autor, para o texto e, num terceiro momento, mesmo que inicialmente, para o leitor. Fixam-se aqui, certos conceitos e termos, utilizados ao longo deste trabalho, e referentes aos três elementos fundamentais na relação crítica/texto artístico
Eliane Lima

Olhares poéticos sobre a velhice

Vamos refletir sobre um tema recorrente, a velhice, sob o olhar de três poetas contemporâneas. E, de início, pelas pistas que cada um fornece, se podem reconhecer as diferentes fases da vida em que cada ser poético está, o que lhes propicia uma avaliação divergente desse momento da vida. (...) Mas, se analisarmos o “um pouco mais de idade”, veremos que a concessão feita à velhice não vai muito longe, porque estabelece limites.
Eliane Lima

O novo tom das narrativas de mulheres

Lembro-me bem do dia em que, informando a um especialista em literatura de que havia analisado os romances de Lya Luft em minha tese de doutorado, o inexorável “tom confessional”, agora em relação à escritora citada, foi posto na conversa, como justificativa para seu desinteresse em relação a ela, sem qualquer disfarce do sentimento de pouco caso, como se todas as suas personagens femininas fossem tão somente a própria escritora, desdobrada diversas vezes em suas páginas.
Eliane Lima

O que o texto revela

Neste ensaio, faço a análise de quatro contos da antologia Os cem menores contos brasileiros do século, organização de Marcelino Freire, utilizando-me de conceitos defendidos por Umberto Eco em Os limites da interpretação. A escolha dos textos se deu por seu tamanho e por serem construídos em cima de vazios a serem preenchidos na leitura, que desafiam o leitor em seu processo de entendimento do texto. A discussão do semiólogo se faz, em grande parte, sobre três elementos que sempre vêm à baila, quando se fala sobre a interpretação de um texto: o que o autor quis dizer ou disse – a intentio auctoris –; a estrutura propriamente dita do texto,