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	<title>Debates Culturais - Liberdade de Idéias e Opiniões &#187; Denildes Palhano</title>
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		<title>Sou salgueirense sim, e daí?</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 02:01:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denildes Palhano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Denildes Palhano]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde menina, minha mãe providenciava uma bela fantasia, íamos a Av. Presidente Vargas ver os blocos, as arrumações, decorações, mas nada passava das 19h, a pura brincadeira sem fim, de repente virava pra mim um verdadeiro horror por causa dos Bate bola com suas fantasias monstruosas sempre assustadoras, e o barulho daquela bexiga ao tocar o solo, era como um prédio desabando. Há! Sejamos honestos (a) toda criança tinha medo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Salgueiro.JPG" alt="Salgueiro" title="Salgueiro" width="220" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-3529" /><strong>A verdadeira história de uma carioca que provou a paixão à primeira vista </strong></p>
<p>Desde menina, minha mãe providenciava uma bela fantasia, íamos a Avenida Presidente Vargas ver os blocos, as arrumações, decorações, mas nada passava das 19h, a pura brincadeira sem fim, de repente virava pra mim um verdadeiro horror por causa dos Bate bola com suas fantasias monstruosas sempre assustadoras, e o barulho daquela bexiga ao tocar o solo, era como um prédio desabando. Ah! Sejamos honestos(a) toda criança tinha medo.</p>
<p>Delicioso eram os bailes de matinê, fantástico, uma fantasia mais bela que a outra, e, eu sempre muito bem trajada. Valendo uma lembrança, para mim os momentos mais mágicos – Festa Junina e Carnaval – Natal era muito bom até os presentes, mas como sempre, meia noite eu já estava dormindo perdia o melhor da festa, ganhar o presente, sempre era no dia seguinte.</p>
<p>Carnaval de 1969 eu me lembro como se fosse hoje, com apenas 05 anos, vestida de melindrosa apoiada nos ombros de meu pai, ouvi duas músicas que adoro até hoje, a primeira de Zé Kéti em: <strong>“A voz do morro”</strong></p>
<p><em>Eu sou o samba<br />
                            Sou natural daqui do Rio de Janeiro<br />
                                     Sou eu que levo a alegria para milhões de                                                                                                                                               	corações brasileiros.</em></p>
<p>E a seguir:</p>
<p><em>“Negra baiana, tabuleiro de quindim, todo dia ela está na igreja do Bonfim. – na ladeira tem – tem capoiera – zum zum zum – zum zum zum – capoeira mata um”</em>  Era o SALGUEIRO DESFILANDO.</p>
<p>Como sempre nunca aceitei NÃO como resposta, ficava a espreita vendo o meu pai se arrumar para o que ele dizia refrescar a cabeça com amigos, e sempre saia de minha boca a mesma pergunta como é refrescar a cabeça, ele então sussurrava em meus ouvidos _ ouvir um bom samba_ e claro logo eu disparava a pergunta – Posso ir, e imediata resposta, quando você tiver a idade certa vou levá-la, e como toda criança contrariada, logo respondia com ar de rebeldia porquê não: por que você é muito nova e  o samba  tem regras próprias.</p>
<p>Copa do Mundo de 1970 – Brasil campeão – meu pai era pura alegria, as ruas tomadas com as cores de nossa bandeira, euforia total, do nada ele me diz: Vem hoje é um dia especial para todos os brasileiros. Minha mãe incrédula relutou: Você não vai levar a menina para suas farras, não mesmo. Eu já estava com total obediência sentada confortável dentro do magnífico Landau, e para minha eterna felicidade o meu pai não ouviu a minha mãe, entrou rapidamente no carro e rumo ao dia mais inesquecível de minha vida. Fui oficialmente apresentada ao Samba, a roda de Samba, e claro ao meu SALGUEIRO. </p>
<p>Passei uma semana ouvindo o repicar dos tamborins, dos chocalhos, do surdo, foi assim, o samba entrou em minhas veias misturando-se ao meu sangue. </p>
<p>A partir daquele dia, eu também acompanhava o meu pai para refrescar a cabeça, ele percorria muitas escolas de samba como se fosse um ritual religioso, a cada saída encontrávamos sempre com pessoas humildes de classes menos abastadas, bem humoradas e engraçadas.</p>
<p>Ah! E os barracões, nossa eu ficava horas a admirar, mas não tenho lembrança de ter acompanhado o meu pai a nenhuma igreja, mas minha mãe sim. Ai! Como eu odiava os dias de domingo às seis da manhã, eu sempre sonolenta ouvia a minha mãe reclamar com meu pai: Você a leva para o inferno e eu e que tenho que prestar contas com Deus. Na igreja eu nem me dava conta de que o banco era de madeira, precisa dormir, e como tudo tem um preço, fui obrigada a fazer catecismo, primeira comunhão, e&#8230;&#8230;..</p>
<p>De lá pra cá minha admiração pelo samba só cresceu. Não toco nenhum instrumento. Não tenho a pretensão de ser uma pesquisadora no assunto, prefiro continuar sendo o que sempre fui amante do samba sem ter medo da quarta feira. </p>
<p>E sou como o meu SALGUEIRO – nem melhor, nem pior apenas diferente.  </p>
<p>Com Carinho,</p>
<p>Denildes Palhano, Mulher, Carioca, Advogada, Escritora e claro, SALGUEIRENSE SIM E DAÍ???????</p>
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		<title>Sou flamenguista sim, e daí?</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Dec 2009 02:03:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Denildes Palhano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Denildes Palhano]]></category>

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		<description><![CDATA[Dia primeiro de julho de 1974, isso mesmo, 35 anos já se passaram. Hoje é a primeira vez em minha vida que relato tal acontecimento. Descobri que estou forte. Tenho certeza de que ao terminar meu breve relato serei outra pessoa, por que me sinto em condições de lembrar esse dia, até mesmo escrever sobre ele. empre ouvia a minha mãe alertar a todos quanto à violência urbana, pedindo sempre para que meus irmãos ficassem de olho em mim, e  meu pai, nossa, brincar depois das 21 horas mesmo na porta de casa, nem pensar. Mas o que seria violência urbana num lar de sorrisos, abraços, fartura......]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Escudo-do-Flamengo.JPG" alt="Escudo do Flamengo" title="Escudo do Flamengo" width="186" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-3393" /><strong>A verdadeira história de uma flamenguista. </strong></p>
<p>Creio que essa real história poucas pessoas gostariam de dizer que é sua.</p>
<p>Houve um tempo em minha vida que tudo era sonho plantado em meu coração. Eu filha caçula de uma família de 04 irmãos. Casa bonita, brinquedos, cama macia, mesa farta, abraços emocionados a cada chegada da escola, infância perfeita.</p>
<p>Sempre ouvia a minha mãe alertar a todos quanto à violência urbana, pedindo sempre para que meus irmãos ficassem de olho em mim, e  meu pai, nossa, brincar depois das 21 horas mesmo na porta de casa, nem pensar. Mas o que seria violência urbana num lar de sorrisos, abraços, fartura&#8230;&#8230;</p>
<p>Dia primeiro de julho de 1974, isso mesmo, 35 anos já se passaram. Hoje é a primeira vez em minha vida que relato tal acontecimento. Descobri que estou forte. Tenho certeza de que ao terminar meu breve relato serei outra pessoa, por que me sinto em condições de lembrar esse dia, até mesmo escrever sobre ele.</p>
<p>Até esse dia que em meu intimo sempre chamei de dia D, ninguém havia me ensinado o que seria sofrimento, distância, dificuldade. Tudo de uma hora para outra virou um enorme quebra-cabeça no qual as peças custavam a encaixar-se, por que eu só sabia o que era ser uma criança feliz.</p>
<p>Madrugada do dia 01 de julho de 1974, depois de abraços emocionados para mais uma noite de sono tranqüilo, contei a minha mãe sobre todas as coisas boas do dia, em seguida embarquei num sono profundo. </p>
<p>De repente, um barulho ensurdecedor de tiros, hoje posso dizer que eram tiros, mas naquele dia não sabia do que se tratava. Barulho de muitas pessoas correndo, gritos, mais tiros. Eu imóvel na minha cama, um de meus três irmãos entra no meu quarto me tira violentamente da cama e me lança pela janela quarto, por sorte a casa onde eu morava era de um único pavimento e fui lançada no imenso jardim que minha mãe e meu avô cuidavam como se fossem ganhar um troféu.</p>
<p>Mais barulho de tiros, muitas pessoas correndo, se jogando uma sobre as outras. Dois homens vieram correndo em minha direção, mais disparos, então resolvi involuntariamente correr sentido a rua, corri, corri, não entendia e não sabia por que corria, caí no chão. Um senhor ajoelhou-se ao meu lado e, com os olhos cheios d’água abraçou-me.</p>
<p>Ouvia pessoas gritando, pedindo ajuda. Via as luzes vermelhas e piscando dos carros da policia.</p>
<p>Vi a blusa desse senhor, era uma blusa vermelha com listas pretas, continuamos abraçados, eu sentia muita sede, frio, pois vestia apenas um pijama de flanela e pés descalços, esse senhor me colocou no colo, levou-me a casa dele e me disse: fique aqui, você está segura agora, tudo vai acabar bem, fique aqui, atrás de mim estava a mulher dele uma senhora portuguesa, que atônita perguntava a ele: o que está acontecendo? Ele sem responder, saiu.</p>
<p>Naquele momento a ansiedade estava de encontro marcado com o desconhecido. Ninguém consegue mesmo controlar os trilhos do futuro, comigo foi assim, estava deixando precocemente de ser uma menina feliz para vivenciar a mais amarga das realidades.</p>
<p>A violência que tanto ouvia falar havia penetrado em minha casa. Isso mesmo! fui apresentada a senhora violência. Minha casa estava invadida por diversos homens armados em busca de jóias, dinheiro e outros objetos de valor, meu pai no afã de defender seu lar reagiu bravamente. Vizinhos chamaram a policia que também sem nenhum preparo (pior do que nos dias atuais) invadiu a fim de conter os marginais – saldo real – 11 mortos – dentre eles meu pai, minha mãe, e meus irmãos, quatro marginais e dois policiais.</p>
<p>O meu querido irmão mais velho. Há o mais velho, lindoooo, não que os outros também não fossem, mas meu querido Doge – ele salvou minha vida ao me lançar bruscamente pela janela.</p>
<p>Daí pra frente, a mudança, meu coração balançava entre a surpresa do novo e a saudade. A mudança que viria, agora eu teria que morar com minhas avós. Como e a quem pedir os afetos que eu conhecia?</p>
<p>Criada sem regras, sem educação e sem Deus. Mas eu era feliz dentro da minha tristeza que era fato consumado. Via apenas um instinto, uma órfão diferente dos demais, descobri que não havia lobisomem nem alma penada.</p>
<p>Um dia voltando da escola, a qual estudava durante todo o dia por ser um semi-interno, vi muita luz. Quanta gente! Onde estão indo? Perguntei-me. Todas vestidas com a camisa igual à daquele senhor que me deu o mais valioso dos abraços, e que hoje com certeza tem um lugar bem especial ao lado de nosso criador, as pessoas cantavam, balançavam bandeiras e ecoava um coro como canários aos meus ouvidos.</p>
<p>Desci e perguntei? O que está acontecendo? Incrédulo um grupo me respondeu: é MENGOOOOOO, como assim, retruquei, menina MENGOOOO, o melhor, o mais querido, outro ao seu lado logo disparou, isso é coisa de homem, e você é uma menina, volte para suas bonecas.</p>
<p>Imediatamente, a menina transformou-se num moleque, respondi: não quero seu julgamento, eu vou aonde vocês forem! E assim fiz, eles paravam, conversavam com mais e mais pessoas. Enfim eu estava no olho do furacão, no meio de uma das maiores torcidas organizadas a RAÇA RUBRO NEGRA. </p>
<p>Vendo que não teria jeito de se livrarem de mim, um deles falou: como você pretende entrar no Maracanã, você tem dinheiro? Eu respondi: não. Tem ingresso? Novamente respondi: Não. E mais uma vez ele aos deboches perguntou: vai pular o muro? Instantaneamente respondi: Sim, vou. Gargalhadas sem fim&#8230;&#8230;.</p>
<p>Pulei o muro, mas eles me ajudaram, pois uma vez em cima do antigo muro do Maracanã só teria uma saída pular, por que do outro lado estava os guardas.</p>
<p>Já dentro do Maracanã, uma sensação indescritível tomou conta de mim. Era uma euforia por estar livre, que se misturava a um medo do desconhecido, acompanhado por uma curiosidade de desbravador. Era um clima festivo.</p>
<p> Flamengo Campeão carioca.</p>
<p>Se eu tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual eu sou Flamengo, a palavra seria UM ABRAÇO. E mais para mim:</p>
<p>O Flamenguista não liga se você não sabe dançar, ele se levanta e dança com você seja qual for o seu ritmo.</p>
<p>O Flamenguista são pessoas boas, não são grosseiras com garçom.</p>
<p>O Flamenguista é seu amigo mesmo que você não seja Flamengo.</p>
<p>É preciso ter força, coragem e ser gentil para ser Flamenguista.</p>
<p>O Flamenguista é firme, não baixa a guarda e tem coragem por que quando perde, sabe perder com classe.</p>
<p>Sou feliz por se Flamenguista, mas choro quando vejo que a felicidade se transforma em vandalismo numa comemoração com saldo de pessoas machucadas, objetos destruídos, vidas furtadas e consequentemente lares destruídos. Essas pessoas não são verdadeiramente Flamenguistas, querem apenas se fazer dizer que são FLAMENGO e posar de celebridade em nome da maior torcida.</p>
<p>Elas não levam o carinho na camisa, não merecem participar de nenhuma torcida, essas pessoas são seres sem luz que não sabem nem porque elas vivem. Apenas passam por nossas vidas deixando seu rastro de crueldade. </p>
<p>Mas por outro lado, se você quiser se meter em complicação critique o Flamengo perto de uma mulher flamenguista, assim como eu, em final de campeonato. É bem provável que assim que você abrir a boca, ela vai ficar com o coração acelerado, os olhos saltados, siga meu conselho saia de perto, você pode estar preste a acordar um vulcão adormecido. Por outro lado, se você tiver sorte do FLAMENGO estar ganhando, ela te dará um olhar tão fulminante de deixar qualquer ser vivo paralisado.</p>
<p>Há outra coisa que não cabe nos Flamenguistas é essa afirmação antagônica de que tudo que é bom dura pouco é desculpa dos fracos e invejosos, tudo que é bom, dura o tempo de se tornar inesquecível.</p>
<p>Eu vou desfrutar por muito, muito tempo o presente divino do domingo dia 06 de dezembro de ver um mar vermelho e preto cobrir o Maracanã, ao som de “ UMA VEZ FLAMENGO, FLAMENGO ATÉ MORRER&#8230; E AINDA PARA ARREPIO  “&#8230;SEMPRE TE AMAREI, ONDE ESTIVER ESTAREI OHH MEU MENGOOOO, TU ÈS TIME DE TRADIÇÃO, RAÇA AMOR E PAIXÃO.OHH MEU MENGOOOO&#8230;&#8230;  </p>
<p>Lembre-se é o caráter de verdadeiros Flamenguistas que mantém o poder da alegria.  </p>
<p>Com Carinho,</p>
<p>Denildes Palhano</p>
<p>Mulher, Carioca, Advogada, Salgueirense e, claro&#8230;. Flamenguista sim, e daí?</p>
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