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	<title>Debates Culturais - Liberdade de Idéias e Opiniões &#187; Dayse Rizzo</title>
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		<title>Síndrome do ninho vazio?</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Aug 2009 03:10:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dayse Rizzo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dayse Rizzo]]></category>

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		<description><![CDATA[Passei a rever minha vida. Quantas etapas difíceis precisei vencer para, então, experimentar aquela maravilhosa sensação de plenitude. Quanta coragem precisei ter para romper os laços de um casamento que já não existia. Quanta força busquei dentro de mim até descobrir qual era o meu caminho.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Ninho-vazio.jpg" alt="Ninho vazio" title="Ninho vazio" width="111" height="103" class="aligncenter size-full wp-image-1334" /></p>
<p>Aquele era um momento único em minha vida.</p>
<p>Eu estava voltando para casa às  duas horas da madrugada, sozinha, pensando na seriedade daquele instante. Acabara de sair da festa de casamento de minha filha caçula, última dos quatro  filhos; filhos que criei, preparei para a vida, com todo empenho de que fui capaz.</p>
<p>Entrei em casa pela varanda lateral, coloquei a chave na porta e tive certeza de não estar solitária, como se espera que as mães fiquem ao verem seus filhos seguindo em frente.</p>
<p>Ouvia um côro de anjos por ali&#8230; minha emoção era indescritível. Chorei muito, agradecendo a Deus, por tudo que me fêz viver. Ajoelhei-me no chão do quarto, que abrigava a jovem noiva, momentos antes. Sua branca e delicada imagem ainda permanecia naquele lugar.</p>
<p>Passei a rever minha vida. Quantas etapas difíceis precisei vencer para, então, experimentar aquela maravilhosa sensação de plenitude. Quanta coragem precisei ter para romper os laços de um casamento que já não existia. Quanta força busquei dentro de mim até descobrir qual era o meu caminho.</p>
<p>Queria ser lúcida para ser livre. Livre para mudar; mudar de pensamento mudar de opinião, mudar de casa, mudar de emprego, mudar de penteado, mudar de trajeto, mudar de cidade&#8230; sem culpa.</p>
<p>Aquele era o dia do meu Vestibular, para entrar na Universidade da minha vida. Passei!</p>
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		<title>Homenagem póstuma</title>
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		<pubDate>Thu, 07 May 2009 02:54:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dayse Rizzo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dayse Rizzo]]></category>

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		<description><![CDATA[Meu cachorro Barney viveu dez anos. Foram anos perfeitos para nós dois. Nós nos amávamos. Ele foi o meu professor de ternura, dedicação e fidelidade. Nunca tive um mestre tão silenciosamente amoroso. Fotografei muito o meu bichinho vira-lata. Alimentei-o com carne moída misturada com arroz, amor e legumes; seus dentes quebrados por tantas travessuras não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meu cachorro Barney viveu dez anos. Foram anos perfeitos para nós dois. Nós nos amávamos. Ele foi  o meu professor de ternura, dedicação e fidelidade. Nunca tive um mestre tão silenciosamente amoroso.</p>
<p>Fotografei muito o meu bichinho vira-lata. Alimentei-o com carne moída misturada com arroz, amor e  legumes; seus dentes quebrados por tantas travessuras não cumpriam sua função primordial.</p>
<p>Vivia na rua, parte se seu dia, e adorava crianças. Pela manhã eu conversava com ele que em seguida, saia para a batalha diária. No meio do dia, voltava para comer, passando em revista seu território e tirando uma soneca, no quintal. À tardinha lá estava ele de volta, sujinho e cheio de novas experiências. Eu o saudava e ele respondia, balançando o rabinho cheio de lama, sorrindo como o cachorro do Roberto Carlos. Era linda nossa cumplicidade!</p>
<p>Não percebi o tempo passando que&#8230; passou.</p>
<p>Sou grata a Deus por ter convivido com o Barney.</p>
<p>Amei o meu pretinho, mas eu nunca disse isso a ele. Nunca verbalizei o meu amor. Por que não o fiz? Será que expressar sentimento é perigoso?Será que declarar amor fragiliza? O  &#8220;eu te amo&#8221; da moda é amor? O amor pode ser  ameaçador? Porque, muitas vezes, temos dificuldade de viver essa experiência?</p>
<p>A beleza do amor, certamente, está nas páginas dos livros de poesia e nos corações das mães; raramente, nos gestos das pessoas receosas.</p>
<p>Defesa, é essa a palavra quando o assunto é amor.</p>
<p>Racionalizamos, cuidadosamente, as emoções geradas na alma, disfarçamos os sentimentos que  podem representar perigo. Somatizamos a dor que não se expressou e ela cai como um raio nos nossos órgãos de choque, estômago, intestino, coração. Do médico não conseguimos esconder o grande e doloroso segredo. Ele descobre.</p>
<p>Negamos, o quanto podemos, para esconder de nós mesmos a verdade: não somos frágeis, não somos medrosos, não somos omissos, não falamos mal de ninguém. Somos perfeitos e equilibrados.</p>
<p>Idealizamos a vida e não conseguimos viver sua realidade; idealizamos o amor, a beleza, o amigo, a felicidade. Recalcamos nossos mais belos sentimentos por conta de nossa insegurança e covardia.</p>
<p>Projetamos no outro deficiências que são nossas e ele que se dane. Convertemos no contrário nossas reais motivações. Uma atitude de gentileza pode significar um desejo de agressão. Desperdiçamos nossas mais delicadas sensações.</p>
<p>Penso que tanto malabarismo no jogo das relações pode ser traduzido como medo de perder o controle da situação, de cair nas &#8220;garras&#8221; do outro, de nossa própria desintegração&#8230;</p>
<p>Não sabemos o que fazer diante da complexa simplicidade da vida, esse paradoxo. A iminência de uma decepção transfere a experiência do prazer e da beleza dos nobres sentimentos, que transformam o SER em HUMANO.</p>
<p>Barney eu te amo!</p></div>
<p><em><strong>Dayse Rizzo </strong>é psicóloga e mora no Rio de Janeiro.</em></p>
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		<title>Reflexões</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Apr 2009 14:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dayse Rizzo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dayse Rizzo]]></category>

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		<description><![CDATA[Olho em volta, vejo a grama crescida no jardim que o jardineiro não cortou; vejo o lixo na calçada que o caminhão não levou; as folhas amareladas do outono teimando em me lembrar que o verão não é para sempre&#8230; que nada é para sempre. Sempre sugere nunca. Sempre dá medo; nunca também. Estou melancólica, pensando. Acho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olho em volta, vejo a grama crescida no jardim que o jardineiro não cortou; vejo o lixo na calçada que o caminhão não levou; as folhas amareladas do outono teimando em me lembrar que o verão não é para sempre&#8230; que nada é para sempre.</p>
<p>Sempre sugere nunca. Sempre dá medo; nunca também.</p>
<p>Estou melancólica, pensando.</p>
<p>Acho que estou acreditando que o Armagedon prometido no Apocalipse já anda rondando a Terra. Aqui e ali se ouve falar em Nibiru, o astro fantasma que se aproxima da órbita da Terra e que já povoa a mente dos atentos, daqueles que procuram e acham.</p>
<p>As imensas geleiras derretendo, o mar invadindo os continentes, Nova York sumindo do mapa, Miami evaporando, cientistas fazendo previsões com data marcada.</p>
<p>Como viver diante de tantas ameaças?</p>
<p>Será mesmo que está próximo o tempo em que não mais verei a grama crescida do meu jardim? E o jardineiro preguiçoso? E o lixo esquecido? E as folhas amarelas que sujam a minha calçada? E tantas outras coisas que me incomodam, mas me sugerem que eu estou viva nesse Planeta? E a minha família?E os meus amigos? E o meu  piano?</p>
<p>Minhas reflexões acerca da subjetividade do indivíduo e da expansão da consciência perdem o sentido, quando o que está presente é a  dúvida do futuro.</p>
<p>A finitude da vida está por aí, silenciosa.</p>
<p>A psicanálise de Freud, os mecanismos de defesa do ego, a neurose, a psicose, a psicopatia, a responsabilidade de cada um pelas próprias escolhas são apenas capítulos de livros. De nada vale conhecê-los quando o que está em jogo é a integridade do ser.</p>
<p>O que faço com tanta informação? O que faço comigo? Deus há de me responder!</p></div>
<p><em><strong>Dayse Rizzo </strong>é psicóloga e mora no Rio de Janeiro.</em></p>
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