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Daniel Roedel

Excelência para quem?

O gestor de empresas faz a intermediação entre o capital e o trabalho visando alcançar os objetivos estabelecidos pela direção. É assim que estudamos nos cursos de Administração. Se os resultados requeridos pelo capital se intensificam, as práticas administrativas devem aumentar a eficiência e a eficácia para atender às exigências dos investidores e manter a empresa competitiva. Nas décadas recentes essas práticas visando à competitividade têm destacado a redução de custos com o trabalho e a criação de empresas “enxutas”, alimentadas por cadeias de fornecedores que, apoiadas pelas tecnologias de informação, se articulam e organizam conforme a demanda do mercado. Demissões em massa, terceirizações, redução de benefícios, reconfiguração do trabalhador em empreendedor (inclusive pessoa jurídica), são algumas das receitas adotadas. A denominação oficial é de que se trata de uma flexibilização para obter e sustentar vantagens competitivas em mercados globais, mas a evidência é de que ocorre uma precarização do trabalho, inclusive ao longo da cadeia.