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Daniel Archer Duque

Domésticas e terceirizados, a estranha lógica da desigualdade institucional

Entre as poucas certezas que temos atualmente, uma delas é que os termos e conceitos de ontem podem não ser os mesmos de amanhã. Um dos melhores exemplos disso se dá entre os conceitos de esquerda e direita, principalmente na delimitação do que está realmente em discussão. Há não muito tempo, como se sabe, era fácil dividir esquerdistas e direitistas entre socialistas e capitalistas, respectivamente. No entanto, após a queda do Muro de Berlim, cada vez mais os termos se modificam e temos cada vez menos precisão em definir quais são as causas e debates de cada lado.
Daniel Archer Duque

A esquerda latino-americana e o efeito Mujica

A América Latina pode ser um poço de inspiração para qualquer um que deseje se aventurar por uma história que passa por golpes, populismo, revoltas e, no fim, aquela estranha sensação de que nada realmente mudou. É impossível negar, no entanto, o ciclo já duradouro de reformas positivas pelas quais a maior parte do sub continente passou, sejam políticas, na década de 80, sejam econômicas, nas década de 90 e sejam sociais, principalmente na década de 2000. Essas últimas foram, certamente, as que mais ficaram marcadas no imaginário popular, trazidas principalmente por forças políticas de esquerda que, se antes conseguiam se eleger, dificilmente se mantinham no poder por muito tempo.
Daniel Archer Duque

Com o Aécio seria pior?

É impossível também hoje ser esquerdista e não se indignar com o tom crítico, mas silencioso dos movimentos sociais em relação aos retrocessos antigos e recentes do atual governo. Enquanto atualmente estaríamos assistindo a esquerda unida e combativa contra as medidas eventualmente adotadas por Aécio Neves, não vemos nada mais do que críticas internas e aparentemente subordinadas contra as mesmas medidas adotadas hoje pela candidata vencedora. Os movimentos sociais permitem à atual presidenta se apresentar com um discurso de esquerda, mas com passe livre para realizar políticas de direita. As únicas mobilizações que se vêem nesses dias contra Dilma são justamente as organizadas pelos setores que deveriam estar satisfeitos com a atual gestão do governo – os direitistas e conservadores.
Daniel Archer Duque

E agora, o que esperar?

Se há uma afirmação que pode ser feita, é de que Dilma ganhou perdendo. Sua vitória foi de fato um empate numericamente favorável, graças principalmente à Minas Gerais, cujo norte deve muito às políticas sociais do PT, e à Pernambuco, que, apesar da campanha de Renata Campos, deu 70% dos votos válidos para Dilma, confirmando a regra do Nordeste de votar no PT.
Daniel Archer Duque

O BNDES e o corporativismo

Ouve-se pelos quatro cantos do país que a candidatura de Dilma Rousseff, do PT, é a única nessas eleições com um programa econômico feito para os trabalhadores e o povo, enquanto as outras representam o Capital e os Bancos. Portanto, não há melhor oportunidade para acabar com certos mitos e explicitar uma narrativa há muito deliberadamente distorcida, a fim de termos um debate mais qualificado. Proponho-me aqui a acabar com tais mitos e reestabelecer certas ideias com dados públicos, divulgados e, portanto, confiáveis. Nesse artigo, começarei falando da relação entre o Estado, as empresas e o BNDES.
Daniel Archer Duque

Manifesto por um programa de governo

Muitas especulações se dão pelos eventuais próximos governos de Marina, Aécio e também Dilma. Mesmo com a publicação dos respectivos Programas de Governos, resta a incerteza de uma real aplicação de suas medidas previstas. E, como é natural em uma democracia, é impossível haver um candidato que faça um Governo integralmente como o desejado por cada um de nós. Esse texto é uma exposição do que eu pessoalmente gostaria de ver nos próximos quatro anos.
Daniel Archer Duque

Por que Marina?

Duas semanas e duas pesquisas eleitorais após a trágica morte de Eduardo Campos, Marina Silva se firma hoje como terceira e, quem diria, única via possível de oposição à candidata do PT ao segundo mandato presidencial, Dilma Rousseff. Segundo a última pesquisa do IBOPE, Marina aparece com 29% das intenções de voto, dez pontos à frente de Aécio Neves, e apenas a cinco atrás de Dilma no primeiro turno. No segundo turno, no entanto, a grande surpresa é seu percentual de 45% das intenções de voto, expressivamente superior ao da presidenta da República, que amarga preferência de apenas 36% dos eleitores. Portanto, a pesquisa aponta, junto com a anterior da Datafolha, para a vitória de Marina Silva nas eleições presidenciais.
Daniel Archer Duque

Campos, Marina e meu armário

Se alguém queria uma morte para lamentar nesse ano, aí está: Eduardo Campos foi, sem dúvida alguma, dos nossos melhores quadros políticos, um excelente Governador em Pernambuco, que melhorou os índices do Ideb de seu estado mais do que 20 e tantos outros governadores, além de praticamente universalizar a escola pública integral. Fiz todas as minhas críticas à sua candidatura, e as reiteraria se pudesse, mas é impossível não ver nele um político em nível muito superior à média brasileira.
Daniel Archer Duque

O Governo gasta pouco com educação?

Cada vez mais se avança no Brasil o debate sobre a Educação Pública, principalmente no que se refere à necessidade de priorizá-la no referente aos gastos do Estado. Como escrevo sobre o assunto desde 2009, e até hoje tento revelar alguns equívocos, repetidos como se samba fossem, hoje tratarei de mais um ponto que algumas vozes ditas dissonantes costumam abordar: afinal, o Governo gasta realmente pouco com educação? O senso comum costuma repetir, sem interesse nos dados, que o Governo (quase sempre Federal) não se interessa com a educação pública, e gasta pouquíssimo de seus recursos no setor.
Daniel Archer Duque

Maria: do detalhismo ao vazio do olhar

Em tempos de intenso visualismo em toda forma de expressão artística, espalham-se pelas atualidades artistas hiper-realistas que, com precisão e técnica invejáveis, conseguem enganar nossa visão e confundir pinturas e desenhos com as fotos de maior número de pixels que poderíamos imaginar. Ainda assim, há de se indagar talvez a relevância de um trabalho visual tão fotográfico em um mundo cuja arte já há tanto tempo deixou de ser uma janela. Possivelmente nesse questionamento, surge no meio artístico a desenhista Maria Rodrigues,cuja técnica, equivalente ou superior à dos hiper-realistas, se aplica seu próprio modo de um impressionante pontilhismo hiperdetalhista.
Daniel Archer Duque

Fui crime, serei poesia

O que Hélio Oiticica procurava com essa inversão tão profunda da dinâmica da arte até então? Seu intuito artístico parecia ser, talvez, um projeto de redenção de toda uma sociedade, que, através da interação com a arte, se libertaria de sua essência mais pobre e fraca, que a condena ao eterno retorno. Talvez o melhor exemplo dessa intenção tenha sido a proposta do artista plástico de utilização do samba como instrumento de libertação pessoal, pelo êxtase "suprassensorial" que este causava.
Daniel Archer Duque

Em defesa de FHC

Fernando Henrique, hoje, participa de uma mobilização de personalidades internacionais pelo fim da Guerra às Drogas. É talvez um dos políticos mais atuantes nos holofotes pela descriminalização dos usuários. Diante de seu governo e de suas bandeiras hoje, não me é razoável admiti-lo como um político de direita. O que não quer dizer, é claro, que seu partido, o PSDB, compartilhe do mesmo espectro político, que me parece bem mais voltado ao centro. Por essa e por outras que Serra não teve meu voto em 2010 e nem terá nesse ano Aécio Neves, provavelmente um dos quadros mais conservadores do partido. Fernando Henrique Cardoso, no entanto, se distingue dos demais de seu partido, pelo seu ativismo nas melhores bandeiras da esquerda, sua lucidez e sua bem sucedida passagem pelo Governo Federal entre 1995 e 2002.
Daniel Archer Duque

Sobre Luiz Felipe Pondé

Diante de um texto que destruíra meu respeito intelectual por Luiz Felipe Pondé, o último articulista da direita que considerava honesto, resolvi me enveredar no seu pensamento e ler seu último livro: "A filosofia da adúltera - Ensaios Selvagens", a fim de compreender suas afirmações. De fato, além de um estilo textual que muito apreciei, pude entender, a partir da explicação de sua tradição intelectual e motivações, muito de sua filosofia, até na sua última coluna do jornal 'Folha de São Paulo', na qual afirma que a esquerda se proliferou necessariamente porque consegue comer mais mulheres, e a direita tem que ser festiva para fazer o mesmo.
Daniel Archer Duque

Meritocracia na Educação: um modelo desejável?

Diante de recentes esforços, ainda que insuficientes, por parte do governo para incrementar o investimento público em educação, mais do que dobrando o gasto real por aluno nos últimos dez anos, uma série de questionamentos e debates foram iniciados a fim de se discutir o modelo apropriado para ser adotado nas escolas brasileiras. Há de serem debatidas todas propostas, principalmente as de conservadores e liberais, que, ao passo que ganham voz, começam a defender uma mudança diametral nesse setor, para seguir em um sistema cada vez mais meritocrático, com amplas recompensas por resultados, tanto para os aluno quanto para professores e escolas.
Daniel Archer Duque

Cotas Raciais: a evidente necessidade

Iniciado, portanto, em meados de 2003, o trajeto da política de reserva de vagas aos negros nas universidades iniciou um profundo debate de ações afirmativas do Estado, que ganhou cada vez mais espaço ao longo da última década, enfrentando e superando parcialmente as controvérsias que esse sistema acabaria por gerar. Uma das maiores vitórias da tese de legitimidade deu-se em abril de 2012, com o julgamento do Supremo Tribunal Federal reconhecendo a constitucionalidade das cotas raciais, questionada em três ações, dentre as quais uma de 2009, movida pelo partido ‘Democratas’ em relação à UnB. Logo em seguida, o Decreto nº7824, de Outubro de 2012, conhecido como Lei das Cotas, estabeleceu como política pública federal a reserva de vagas nas Instituições Federais de Ensino Superior com três critérios: renda, cor/raça e frequência à escola pública. Por fim, nessa última semana de março de 2014, foi promulgada a lei de 20% de cotas para negros no funcionalismo público, que será outra marca importante do combate às desigualdades raciais dos últimos 20 anos.
Daniel Archer Duque

Por que se fala tanto em alta cultura?

De fato, a ascensão das classes baixas ao consumo, sem respectivos ganhos culturais, abriu espaço para a criação de um efeito tsunami da indústria de entretenimento de massa sobre as mídias tradicionais, levando a uma proliferação de uma suposta banalidade nos meios de comunicação. Com isso, hoje vemos os mais diversos setores da alta sociedade criticando fortemente quaisquer expressões culturais populares, vistas como incômodas e muitas vezes inaceitáveis. Cada vez mais se enaltece a cultura clássica e – pasmem – o objetivismo do valor artístico em uma obra. Afinal, nem a própria ideia de arte se salva quando o topo da pirâmide social busca se diferenciar do resto da população.
Daniel Archer Duque

Direitos Humanos para humanos direitos?

Não resta dúvida que o Brasil hoje vive em momento dúbio e contraditório em diversos aspectos culturais e institucionais, principalmente no tocante aos direitos das minorias e aos direitos humanos. Enquanto registram-se avanços tímidos na atuação do Estado nessas áreas, cada vez mais a sociedade civil se manifesta virtual e publicamente contra a proteção desses princípios, com linhas argumentativas acusando uma diferenciação positiva a minorias e criminosos por parte do Estado. O mais recente caso, sem dúvida, trata-se da manifestação de milhares de internautas, amparados pelos comentários da jornalista Rachel Sherehazade, em apoio aos “justiceiros” que espancaram, despiram e prenderam com uma trava de bicicleta no pescoço um criminoso menor de idade.
Daniel Archer Duque

A ofuscante luz da razão

Nunca consegui compreender exatamente o que seria essa ideia de razão. Foi-me sempre apresentada como um conceito objetivo e externo ao homem, como se a natureza já se utilizasse dela muito antes de nossa percepção, o que sempre me pareceu, em algum grau, uma loucura. A verdade é que, através do mito da razão, criaram-se diversos paradigmas e ilusões de superioridade que estão já há muito arraigados na sociedade. A arte - sempre ela - é a principal vítima dessa ideia. Com o artifício da razão, a arte é criticada, lapidada e até descreditada por aqueles cuja lógica racional é a única possível. Subjugando a subjetividade humana, cria-se a (suposta) possibilidade de racionalmente julgar e medir a qualidade artística de uma obra, como se o sentimento passado fosse mero detalhe.
Daniel Archer Duque

Ditadura da beleza: posição e oposição

A ditadura da beleza é, primeiramente, uma expressão adotada recentemente por "progressistas" e "esquerdistas", que afirmam que o padrão estético, criado e reforçado pelos meios audiovisuais, é uma ferramenta de opressão a todos aqueles à margem do ideal exposto. O belo teria, portanto, a função de excluir todos aqueles que não visam a reprodução do padrão imposto. Segundo tais ideias, relativismo estético seria o único caminho à inclusão social de todo e qualquer grupo estético (seja na aparência, na moda ou mesmo na arte). Enxergando a beleza em todos os traços da imagem, todos podem ser atingir tal ideal.
Daniel Archer Duque

A democracia liberal, o socialismo e o Brasil

A democracia liberal se propõe a ser um sistema sociopolítico cujo centro de ação está no indivíduo, ou seja, na proposição de que o ato subjetivo da individualidade deve ser não só protegido sob todos os ataques, mas também deve ser a própria expressão política desse sistema. A primeira questão que se forma nesse sentido é como seria possível coincidir a defesa do interesse particular de cada indivíduo com o interesse público, ou seja, de toda a sociedade. Tal contradição foi amplamente explorada por diversos liberais, a fim de legitimar o individualismo como regime político. No entanto, as primeiras abordagens da defesa da subjetividade individual limitaram-se à pontuação das problemáticas de outros sistemas políticos com a liberdade negativa dos indivíduos, ou seja, o direito de os mesmos serem alheios e impassíveis, sem que sejam incomodados.
Daniel Archer Duque

A democracia liberal e as relações sociais

Uma análise dos pressupostos do regime democrático-liberal A democracia liberal atravessa triunfante o início do século XXI, tida quase consensualmente pelo mundo ocidental como melhor...
Daniel Archer Duque

Estratégias de combate à inflação no Brasil e suas consequências

O Brasil, após diversas tentativas, conseguiu dar o golpe final na sua hiperinflação crônica em 1994 com o Plano Real e, desde então, uma das maiores preocupações dos dirigentes macroeconômicos do governo tem sido mantê-la a níveis abaixo dos dois dígitos. Porém, diversos diagnósticos já foram dados para resolver tal problema, levando às mais variadas consequências sobre a economia brasileira, nem sempre bem sucedidos. Nesse artigo, portanto, analiso de forma histórica e sob uma perspectiva macroeconômica o combate à persistente inflação no Brasil, que, mesmo controlada, ensaia escapar das amarras governamentais até os dias de hoje.
Daniel Archer Duque

A perpetuação do reformismo social

O reformismo social do PT, apesar de todos os problemas, induziu uma mudança drástica na sociedade. Embora tenha adiado os problemas econômicos do país, como fraca infraestrutura e sistema tributário ineficiente, o governo Lula – e agora Dilma – obteve conquistas inimagináveis em termos de desigualdade, renda e emprego. Apesar de um crescimento econômico médio baixo (3,5% por ano até 2010), nos 10 anos do governo petista o índice de Gini se reduziu ao seu menor nível desde João Goulart à frente do país. Além disso, a extrema pobreza caiu mais da metade, a pobreza se reduziu em cerca de 15%, o desemprego só fez diminuir, a renda per capita e o salário mínimo reais cresceram aproximadamente 50%.
Daniel Archer Duque

Uma nova ameaça

O Brasil, atualmente, vive em um delicado momento político econômico. Após uma perigosa disputa por cargos entre governistas, além de pressões por maiores gastos para acomodar aliados, a nova presidente Dilma Rousseff está a frente de duras previsões de muitos analistas econômicos, que afirmam nova tendência de alta na inflação, desaceleração do crescimento e a necessidade de um ajuste fiscal e monetário. A que se deve, porém, quadros tão pessimistas para nosso futuro próximo?
Daniel Archer Duque

O (ex)romantismo das UPPs

O Rio de Janeiro vivenciou, há cerca de dois anos, a primeira experiência de uma política que supostamente seria a solução da segurança pública no estado: as Unidades de Polícia Pacificadora. No ano de 2008, a comunidade Santa Marta foi ocupada sem grandes problemas, afastando o tráfico daquele território, dando inicio a uma série de ocupações supostamente bem sucedidas. Nos anos decorrentes, ao passo em que outras comunidades foram pacificadas, as UPPs foram aplaudidas mesmo pelos críticos ao governo de Sérgio Cabral, rendendo-lhe a reeleição no primeiro turno desse ano. Atualmente, porém, já se vêem graves defeitos nas políticas de segurança pública do estado, refletidos nos ataques de terror constantes que facções estão realizando nas ruas de nossa cidade.
Daniel Archer Duque

Pelo fim do desenvolvimentismo

O maior retrocesso, porém, do desenvolvimentismo está na concepção da exploração crescente dos recursos naturais em benefício da produção. Embora muitos não percebam, esse modelo já se mostrou falho no século XX. Assistimos, nos últimos duzentos anos, o esgotamento de milhares de reservas naturais, a degradação de diversos domínios morfoclimáticos, a desesperadora diminuição de qualidade do nosso ar, a extinção de milhões de espécies animais e vegetais e, por fim, o início de um perigoso crescimento do aquecimento global. Tais fenômenos não são mera coincidência, como alegam alguns, muito menos eventos naturais que ocorrem ciclicamente, como afirmam outros.
Daniel Archer Duque

Os três avanços

Nesses últimos 20 anos de democracia, apesar de um começo conturbado, obtivemos avanços consideráveis em diversas áreas fundamentais para o desenvolvimento do país, como nossa economia, que passou por uma reformulação com FHC e nossas conquistas, que foram prioridade no governo Lula. Será, todavia, que esses avanços foram suficientes? Será que precisamos agora apenas do continuísmo dessas mesmas políticas, sem uma nova reforma em outro campo do governo?
Daniel Archer Duque

O pão e o circo do século XXI

O Brasil, hoje em dia, vive um período atípico de sua história política. O Presidente da República, há pouco tempo, atingiu excepcionais índices de popularidade, alcançando grandes figuras como Vargas e J.K.. A situação ganha cada vez mais força, a ponto de beirar uma hegemonização do poder pelos partidos aliados ao atual governo. A oposição não arrisca ataques diretos, diminui sua presença no cenário político brasileiro, além de sofrer de uma problemática crise ideológica de seus partidos. A que se devem tais fatos?
Daniel Archer Duque

A ameaça do “Estado-pai”

Nesses últimos dez anos, por exemplo, o Brasil aumentou em 20% os impostos sobre a população, sendo que desses mais de dezesseis são do Governo Federal. Com o aumento da intervenção Estatal na economia brasileira, o país tem crescido pela manutenção do Plano Real, mas já apresenta sinais de fragilidade, como a diminuição brutal do superávit primário e o crescimento assustador da dívida interna.
Daniel Archer Duque

Estado mal-educado

O Rio de Janeiro está em penúltimo lugar nas médias dos outros Estados brasileiros, atrás apenas do Piauí. Essa pesquisa feita pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) aponta as escolas estaduais como as mais precárias nas notas, decorrente de baixíssimos salários aos professores, além de uma tradição de políticas públicas pouco preocupadas com a educação. Tal situação mostra uma contradição comum em nosso país. O Rio de Janeiro foi um dos Estados que mais cresceu nos últimos anos, mas, a médio prazo, pode se ver em uma situação de gargalo logístico, no qual as empresas se instalarão em nosso território, porém, não terão mão de obra qualificada para atender às suas necessidades. A solução será importar mão de obra (o que já acontece) ou procurar outro estado mais promissor.
Daniel Archer Duque

O poder da mobilização

Quem diria que, após derrotarmos a ditadura, estaríamos aqui hoje, depois de 20 anos, descrentes na política brasileira? Nosso país, que lutou duramente pela Democracia, a vê hoje desgastada e falha. Quando antes o povo esperava ansiosamente pelas eleições, tendo consciência de que lutou pelo direito de votar, hoje foge desse período, vendo-o pessimista como apenas uma obrigação democrática.
Daniel Archer Duque

Ficha-Limpa: nós apoiamos!

Temos, no Brasil, uma certa convergência de opiniões sobre a corrupção. Apesar de discordarmos e debatermos sobre quase tudo, nós, brasileiros, concordamos que a corrupção é um grande problema para o desenvolvimento de nosso país. A questão é, o que podemos fazer para mudar esse infeliz quadro nacional? Todos falam, obviamente, em uma reforma política. No entanto, pouco se fez ou cobrou para que tal projeto fosse levado adiante. Enquanto se discute minuciosidades de tal reforma, continuamos com o mesmo sistema político ineficiente e problemático. Tudo que se conseguiu até agora no Congresso foram mudanças insignificantes nesse modelo.
Daniel Archer Duque

O que ensinaremos às nossas crianças?

Nós, brasileiros, costumamos dizer que a origem de todos os problemas de nosso país acaba sempre sendo a carência na educação. De fato, o Brasil tem um enorme potencial de desenvolvimento, o qual poderemos aproveitar se priorizarmos esse setor. Teríamos mão de obra qualificada, produção científica, além de um povo que sabe votar, exigir os seus direitos e cumprir com os seus deveres. Deve-se questionar, porém, não só a importância da educação, que já é amplamente conhecida, mas também a sua estrutura em nosso país. Afinal, o que ensinaremos às nossas crianças? Vamos lhes impor horas a fio de matemática, português, química, física, biologia, sociologia, filosofia, história, geografia e inglês, como tem sido feito ao longo das décadas?
Daniel Archer Duque

Copenhague é aqui!

É de importância fundamental que todos nos preocupemos com o clima. Enquanto não nos preocuparmos com as emissões e permanecermos na ganância e o conformismo, estaremos perdendo nossas últimas oportunidades de evitar a degradação do planeta Terra, comprometendo, assim, a vida de nossos filhos e netos. Pouco, porém, será melhorado caso os Estados Unidos e a China não apresentarem metas mais ousadas do que as que já mostraram.
Daniel Archer Duque

O “Velho Oeste” na Região Norte

Para a maioria da população, as elites agrárias e o coronelismo lá reinam, sem a mínima presença do Estado. Porém, uma nova pesquisa do IBGE indica que o maior número de mortes violentas está na região Norte. É na Amazônia, portanto, que temos nosso “velho oeste”. Esse novo indicador revela o tão instável quadro da região. Fixados nos anos 70 e 80, os pequenos agricultores, índios e populações ribeirinhas se vêem hoje isolados e ameaçados pelas grandes empresas de diversos ramos, entre eles o agronegócio,
Daniel Archer Duque

Debatendo sobre as florestas!

Com a entrada de Marina Silva na disputa presidencial pelo PV, há muito tem se falado da questão ambiental. Porém, a população pouco ou nada fez e discutiu sobre a nova tentativa ruralista de mudar o Código Florestal, a fim de flexibilizá-lo. O que vem a ser interessante debater é se o Brasil deve priorizar a produção agropecuária ou suas florestas.
Daniel Archer Duque

A cultura anticultura

O número de profissionais com títulos de doutor e mestre, jamais foi tão elevado. Pela primeira vez na história, o Brasil atingiu a meta de formar dez mil doutores e 40 mil mestres por ano. Em 2006, 10.868 bolsistas de doutorado e 15.646 de mestrado contaram com o apoio da Capes, o que representa um aumento de 33% e de 32%, respectivamente, sobre os números de 2001.
Daniel Archer Duque

O grande capital e a Amazônia

O governo Federal (na época controlado pelos militares), desde o final da década de sessenta, preocupou-se em integrar a Amazônia ao resto do país, partindo do pressuposto que, com a floresta isolada, poderiam ocorrer invasões ao território brasileiro nessa área, obrigando o país a entregá-la para estrangeiros. Não se sabe até hoje se a ameaça existia, mas é fato que atualmente fala-se muito na “internacionalização” da Amazônia, a fim de protegê-la.