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Cláudio Mendonça

Ética em Nietzsche

A questão da ética em si já é tema vasto o suficiente para tomar, sendo minimalista, ao menos um artigo disposto a instigar maiores e mais aprofundados debates. A filosofia, na medida em que apresenta um sistema de pensamento que pretende se opor e suplantar um outro que se coloca como tradição, por suposto, pretende de alguma forma mais ostensiva ou implícita estabelecer uma ética no sentido de um padrão de comportamento ou de cosmogonia, ou mesmo de cosmovisão que importa na produção de um valor.
Cláudio Mendonça

O concurso público e a eficiência da máquina

O tema é absolutamente importante em si, uma vez que em nosso país, o serviço público é exercido majoritariamente por profissionais concursados. O cidadão-contribuinte-usuário tem, por conta disso, total dependência da formação, engajamento e competência do funcionário público no que se refere a ter serviços essenciais adequadamente prestados. O objetivo deste texto é chamar a atenção para aspectos a serem criticados quando tentamos responder à pergunta: mas afinal para que servem os concursos públicos? Podemos responde-la de várias maneiras, desde a mais positivista afirmação de que se trata de cumprir o mandamento constitucional, até a argumentos que envolvem o republicanismo, à igualdade de oportunidades, o combate às indicações políticas e todo um conjunto de justificativas absolutamente coerentes e merecedoras de aplauso. Ocorre que nem sempre um dos objetivos vem à tona logo nas primeiras assertivas e esse parece ser, ou ao menos deveria ser, o pressuposto insuperável:
Cláudio Mendonça

O “Sentido do Tempo” em Gilles Deleuze

Deleuze busca, em oposição à Kant, eliminar o sistema de julgamento desenvolvido por este ao longo de sua obra. A tradição filosófica vale-se do conhecimento para julgar o valor das coisas à luz de suas essências. Além da concepção de simulacro acima exposta, há em Deleuze a possibilidade de ver a expressão como devir, múltiplo e acaso. A diferenciação dos entes sem uma unidade, assim como a existência do fato casual e do próprio devir que se diferencia de si mesmo, traz uma série de problemas à própria lógica platonista e socrática que buscou eliminar a tragédia como afirmadora da vida colocando-a no patamar de um determinado raciocínio fundador da civilização humana.
Cláudio Mendonça

Arte e a lógica da sensação

Immanuel Kant em Crítica da Faculdade do Juízo elabora, organiza, estabelece categorias, correlaciona faculdades, enfim traça em seu inconfundível estilo a gramática da estética fundada som o prisma do fruidor, a ótica do respeitável público. O alemão discorre sobre o juízo de gosto que provoca a complacência com a representação que fazemos do objeto. Gosto é aquilo que nos satisfaz a faculdade de apetição, independente de haver uma utilidade, o que elevaria ao status de bom.
Cláudio Mendonça

Arte e Verdade

Nietzsche em "O nascimento da tragédia" elabora a subversão de todo o pensamento que condenou a tragédia nessa verdadeira ode à razão e aos valores apolíneos proclamados por Platão e seus seguidores. Como ele mesmo diz, e compondo seu método de filosofar com o martelo, demoli pedra após pedra o artístico edifício da cultura apolínea. É a absolvição e até mesmo primazia do pensamento dionisíaco. E o tsunami varre também a metafísica e o alicerce irretorquível da verdade da ciência.
Cláudio Mendonça

Verdade

Na Grécia dos primórdios, era o aedo, o profeta-poeta, que descortinava a verdade através das palavras que possuíam um status de signo sagrado, promovendo a clareia e ocultação dos fatos e saberes na medida em que eram proclamadas. A alétheia naqueles tempos diferia-se do conceito Platônico e tinha o caráter de desvelamento, como afirma Parménides em face da impossibiliade de a mesma existir sem lethe. Em outras palavras: A verdade por desesquecimento, que é o sentido original de alétheia, pressupõe uma ação de mostrar-se, fazer presença, mas ao mesmo tempo propiciar um movimento de enigma na media em que não se funde em conceitos do senso comum, mas em paradigmas que ultrapassam o fazer viver dos mortais.
Cláudio Mendonça

Arte e Pensamento

O Stanford Encyclopedia Of Philosophy (2007) possui dois verbetes que poderiam nos ajudar a inaugurar este trabalho a partir das definições de arte e de arte conceitual. Ambos advertem o leitor da dificuldade em enfrentar o tema e os incontáveis pontos de vista e aspectos que reclamam inserção. Inclusive a hipótese da absoluta inutilidade de se conceituar arte sob o ponto de vista filosófico tem sido enfaticamente debatida.
Cláudio Mendonça

A alteridade louca

O arqueólogo do pensamento, Michel Foucault discorre em a História da Loucura sobre as diferentes maneiras com as quais a humanidade classificou e agiu diante do louco. A desrazão teve pouco espaço na tradição filosófica, René Descartes ao elaborar seu cogito ergo sun diferente de vaticinar que existia porque pensava, estabeleceu que se ele estava a duvidar, o ato de duvidar espancava as dúvidas existenciais. Presumiu que não estava louco. Assim se faz o pressuposto de todo o conhecimento que exclui o desatino como premissa.
Cláudio Mendonça

A amplificação do pensamento fundador

Jacques Derrida é o pensador da hipérbole, da ressignificação, do fazer pensar o novo a partir do que esta posto. Amigo de Lévinas e autor de um dos textos mais bonitos da filosofia contemporânea, quando no momento de despedida de ambos, o Filósofo nascido na Argélia em 1930, sofreu diversas perseguições desde a expulsão da escola pela redução das quotas dos judeus até a dificuldade de reconhecimento de seu trabalho como filósofo indo além da lingüística. Muito além...
Cláudio Mendonça

Uma breve reflexão intrigante

Inevitável refletir sobre o epicentro do pensamento Levinasiano e a questão da Burca uma vez que ela, ao ocultar o rosto, pode inibir a decorrente possibilidade de expressão, comunhão, encontro e imersão no outro. Ainda que o rosto não tenha de ser necessariamente visível em sua plenitude, completo em sua forma, ou mesmo da espécie humana. Ocultar o rosto na vida social merece reflexão, ainda que o corpo, o tom de voz e outros mecanismos físicos desvelem e até permitam a compreensão do Outro. Parece-nos irresistível pensar no impacto de um anteparo destes na relação fundadora, ainda que o uso não seja durante todo o tempo, no estabelecimento de um severo obstáculo à aqui decantada epifania do Outro.
Cláudio Mendonça

A inter-relação universal e a ética do outro homem

As teses fundadas no politicamente correto, em direitos universais, na desindividualização e nas prescrições dos tais bons costumes são tudo o que a ética Levinasiana se propõem a romper com. No mesmo sentido é Derrida. A ruptura com o pensamento humanista se assevera em face da impossibilidade de se apontar com segurança nosso lugar universal, nosso ponto de vista comum, a comum unidade. O momento deste texto onde fazemos breve análise da obra a História da Loucura - de Foucault - deixa as razões desta ruptura ainda mais cristalina.
Cláudio Mendonça

O nascimento do outro

Parece-me irresistível dar início a este trabalho com a pretensão inatingível de encontrar a origem. O próprio subtítulo que estamos a escrever traz a palavra nascimento no sentido de início tão freqüentemente encontrado nos textos da tradição filosófica como: arché e usprung. Para esta difícil missão trilharemos dois caminhos importantes e que parecem marcar de forma de-infinitiva, no sentido de ingresso definitivo no infinito da alteridade, a presença do outro como elemento contra posicional do eu.
Cláudio Mendonça

O tempo de Heidegger e outros

Este artigo tem por objetivo analisar aspectos relacionados à temporalidade em Martin Heidegger com os conceitos relacionados ao tema na física contemporânea, fundamentalmente no que se refere à Teoria da Relatividade construída por Albert Einstein. Este objetivo pretende ser alcançado procurando reconhecer em ambas as abordagens – filosófica e física - diversos elementos que possam ser relacionados à descrição do fenômeno do tempo. Tentaremos, também, trazer algumas informações suplementares relativas à questão da memória em Henri Bergson e à percepção do tempo através de mecanismos cerebrais estudados à luz da neurociência, buscando, com isso, correlacionar as diversas formas de enxergar este fenômeno.
Cláudio Mendonça

Mais além do princípio do prazer – uma leitura em Freud e Derrida

Mas é a neurose traumática que desperta a maior inquietude em Freud, na medida em que a vida onírica destes pacientes é marcada constantemente pelos sobressaltos, onde a situação determinante do trauma se faz reviver fixando-o na situação originária. Tal situação parecia contrariar de maneira insuperável o princípio do prazer sem ter qualquer correlação com forças de conservação que justificassem este comportamento do aparelho psíquico. Aspecto intrigante é que na vida consciente destes pacientes, durante o estado de vigília, o fato traumático não se faz presente, ainda que como insistente recordação,
Cláudio Mendonça

A Técnica e a Arte

Walter Benjamin procura determinar ao início de seu ensaio “A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica” o que significa efetivamente a reprodutibilidade da obra de arte e ainda, a sua reprodutibilidade técnica, demonstrando que esta última é um fenômeno mais recente da história da humanidade. Afinal, o homem sempre foi capaz de reproduzir a ação humana de outro homem e esta atividade foi - desde os primórdios de nossa sociedade - organizada através da transmissão do conhecimento por mestres a seus aprendizes e discípulos.
Cláudio Mendonça

Altas expectativas!

Pouquíssimos seres humanos em todo o mundo alcançaram a mobilidade social como artistas ou astros do esporte, mesmo assim, estes além de talento dedicaram um imenso investimento em treinos, viveram muitas privações e renúncias. Nossa sociedade, por outro lado, esta alicerçada em pessoas que decidiram enfrentar os desafios da escola, realizar muitas centenas de horas de exercícios, leituras, pesquisas e produção textual. São os homens e mulheres que decidiram tomar as rédeas de seu próprio futuro e recusar o destino que lhes foi traçado no momento de seu nascimento.
Cláudio Mendonça
Cláudio Mendonça

Educação solitária

A população deseja uma escola que ensine gramática, regra de três, disciplina, limites, valores humanos e hábitos de higiene. Professores, por seu turno, se sentem vítimas de alunos “desinteressados” e “bagunceiros” que não reconhecem seu esforço profissional e acadêmico levando-se em conta ainda os baixos salários.