Principal » Artigos de Cintia Barreto
Cintia Barreto

A educação brasileira x tecnicismo: o eterno retorno

Voltamos ao tecnicismo, da década de 70, que, quem diria, encontra-se forte com sua crença de que a escola precisa fornecer indivíduos competentes para o mercado de trabalho. Vale lembrar que a Educação Tecnicista prima pelo controle e pela padronização, desconsiderando as habilidades individuais. Desprestigiando a criatividade humana, desvalorizando o que não gera lucro. Estamos mal. Agonizamos. Nossos fígados não aguentam mais serem comidos por esses abutres. Nossas correntes enferrujadas deslizam em nossos calcanhares e nos levam à luta apesar de toda fragilidade. Renascemos como fênix. Assim estamos nós professores lutando com a boca seca, o sapato gasto, as mãos calejadas, o bolso furado, mas com a mente livre, a garganta arranhando, gritando por justiça, por uma educação em que os envolvidos sejam ouvidos, sejam valorizados.
Cintia Barreto

Entre o lacre e o lucro

A escravidão gerou uma dívida social que estamos pagando até hoje. O processo de colonização no Brasil conduziu-nos a uma personalidade servil e acrítica. Não sabemos quem somos e nem aonde queremos chegar. A alegria é nossa marca de resistência. Sobrevivemos apesar de e vamos construindo um país em que a globalização gera ainda mais investimentos de capital estrangeiro com mão-de-obra barata e carente. Depois somos consumidores dos produtos dolorosamente made by us. Se por um lado, estávamos dispostos socialmente em camadas sobrepostas, por outro estávamos menos cientes do que perdíamos. Hoje a globalização perversamente nos deu uma falsa ilusão de que somos todos iguais.
Cintia Barreto

“Dois rios” em um mar

“Dois rios” (2011) é o segundo romance de Tatiana Salem Levy que estreou na literatura com “A chave de casa” (2008), ganhador do Prêmio São Paulo de Literatura e finalista dos prêmios Jabuti e Zaffari & Bourbon de Literatura. Este foi traduzido para diversos países como Itália, França, Portugal, Espanha e Turquia, além disso, teve seus direitos vendidos para a produção de um filme. Após este sucesso no primeiro romance, Tatiana surge com uma obra que prende o leitor com uma escrita fina e pela construção da narrativa fragmentada, com flashes de memória, trazendo à tona o passado dos irmãos gêmeos, Joana e Antônio. O livro é dividido em duas partes: a primeira apresenta Joana como narradora e a segunda é narrada por Antônio. As epígrafes que abrem os dois capítulos sugerem uma narrativa voltada para a metáfora do mar. Aliás, é no mar que se passa grande parte da história em Copacabana onde vivia a família, em Dois Rios (Ilha Grande) onde passavam suas férias na casa dos avós e em Nonza, um pequeno vilarejo no Sul da França, em que viviam os familiares de Marie-Ange.
Cintia Barreto

E agora, José?

Na Modernidade, o homem aprendeu a dominar a natureza, e não a integrá-la como na Antiguidade. Esse processo de dominação, aliado às questões políticas e econômicas, levou o homem à busca da produtividade e da quantidade em lugar da qualidade. Levou-o à ganância da aquisição de bens materiais, de tecnologias de ponta e retirou-o da condição de humano, levando-o à condição de (des)-humano, na medida em que não há lugar para solidariedade na competição e no capitalismo atual.
Cintia Barreto

O que não mata engorda!

Já repararam como a sociedade não perdoa as pessoas que estão “acima do peso”? Não importa o grau de intimidade entre as partes, certos indivíduos sentem-se à vontade para palpitar na forma física alheia. São tantas as investidas em denunciar a todos ao redor quem está fora de forma, que, aquele que está distante do padrão, pressionado pelos comentários do grupo, só encontra duas saídas: o bom ou o mau humor.
Cintia Barreto

A língua é minha pátria

Quando Caetano Veloso compôs esta canção, em 1984, vivia-se o agonizar da ditadura. Não é difícil supor que a noção de pátria, daquela época, fosse bem diferente da que podemos dispor hoje. Mais do que ser o país em que uma pessoa nasce, a pátria é o espaço de interações de dimensões afetivas, sociais, históricas e culturais. “Minha pátria é minha língua” disse Pessoa e cada língua carrega consigo as marcas de sua formação.