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César Maia

Micropolítica e o poder!

A expressão Micropolítica é um desdobramento de uma teoria que ganhou expressão no século XIX: a microssociologia. Microssociologia, cujo maior expoente foi o francês Gabriel Tarde, tinha e tem como coluna vertebral a ideia que a opinião pública se forma a partir da opinião dos indivíduos e dos fluxos de suas interações.
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No Rio, impacto da crise será maior em 2017

A partir do final pós-olimpíadas de 2016, a prefeitura do Rio será parte do problema, seja pela queda natural dos investimentos, seja pelas consequências fiscais do esforço de gasto tendo os Jogos Olímpicos-2016 como justificativa.
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Quem ganha com os Jogos Olímpicos é o COI!

E em meio aos prognósticos de que a situação neste ano não melhorará, a BBC ouviu economistas e analistas para saber se os Jogos poderão agravar ainda mais o cenário ou até trazer benefícios econômicos.
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Dilma e a teoria do violino

Com a crise se tornando explícita e profunda pós-eleição de 2014, Dilma, sem saber o que fazer, chamou Joaquim Levy para assumir o violino. Ela seguraria com a esquerda e ele tocaria com a direita. Não durou um ano....
César Maia

A crise e a rejeição à política pela juventude!

As pesquisas mostram a alta proporção de jovens decepcionados com o quadro moral e que veem a política como atividade suja. Esse é certamente o efeito mais grave do ciclo petista no poder culminando com uma crise moral, política, econômica e social, e rejeição à política formal.
César Maia

Eleições: seus temas e seus candidatos!

Pesquisas sobre as opiniões dos consumidores mostram que uma sensação e percepção negativas, produzem um multiplicador sobre a opinião dos demais, muito, muito maior, que uma sensação ou percepção positiva.
César Maia

Déficit fiscal e Ministério do Planejamento!

Em 1993 se implantou na prefeitura do Rio o sistema dos países desenvolvidos, eliminando a secretaria de planejamento e dando à secretaria de fazenda a responsabilidade financeira sobre receitas e despesas. Entre 1983 e 1986, no Estado do Rio, se fez um primeiro experimento, deixando com a secretaria de planejamento apenas os investimentos, assim mesmo com valores e teto pré-estabelecidos pela secretaria de fazenda. Portanto, 10 anos depois se completou esse processo.
César Maia

Estado do Rio: crise na saúde, crise financeira, o presente e o futuro!

A queda do ICMS, mesmo que estanque ou, no limite do otimismo, retorne em 2017 a 2014, não resolverá o desequilíbrio. Não tem mais patrimônio para vender e novas operações de crédito não repetirão mais o volume de antes, pelos riscos que o Estado expõe. Os aumentos de fim de ano implementados em alíquotas do ICMS e imposto a heranças/doações, apenas ajudarão a cobrir parte das perdas do ICMS com a crise.
César Maia

Impeachment e decisão do STF: quem ganhou e quem perdeu?

A decisão do STF dando ao Senado poder para não receber a denúncia de impeachment da presidente Dilma, a destituição da comissão eleita pela Câmara por voto secreto e a constituição dessa comissão por indicação dos líderes foi traduzida como uma vitória de Dilma e do governo. Será?
César Maia

Consequências políticas e econômicas do pedido de impeachment

Um momento que o Brasil nunca viveu antes: os presidentes do poder executivo e do poder legislativo estão sob processos de impeachment. A fragilização dos dois poderes tira de ambos poder de decisão e autoridade. O impeachment da presidente foi apresentado por dois juristas renomados. A assessoria técnica-jurídica da Presidência da Câmara de Deputados entendeu que o pedido de impeachment tem base legal.
César Maia

A crise já atinge os mais pobres e começará a ter repercussões políticas!

As pesquisas de opinião nos últimos dias mostram que as taxas de rejeição aos governos e aos políticos já equiparam a classe média aos mais pobres. E mais grave: cresce a taxa de desesperança em relação ao futuro e o número de empresas e de pessoas que emigram na busca de dias melhores é recorde. A crise social chegando aos mais pobres torna a crise política ainda mais complexa, as ruas mais ocupadas e dificulta a aprovação de leis de ajuste fiscal com repercussões sociais.
César Maia

Os jovens, a política hoje e as tendências!

Pesquisa do IBOPE divulgada semana passada confirmou uma fuga do PT dos votos dos jovens. Enquanto a refeição ao PT alcançou, nessa pesquisa, 38%, entre os jovens na faixa de 16 a 24 anos a rejeição ao PT chegou a 43%. Entre os maiores de 55 anos a rejeição atingiu 33%. Nas avaliações da presidente Dilma, em diversas pesquisas e nas intenções de voto preliminares para 2018, esta tendência se confirma.
César Maia

Quais as razões da ascensão mundial da direita?

Nos últimos dias, candidatos de direita e centro-direita venceram as eleições em Portugal, Polônia, Guatemala e em Bogotá. Na Argentina, a votação de Macri surpreendeu até mesmo a sua campanha e parte para o segundo turno como favorito. A extensão desses fatos e a diversidade das situações e tantos outros casos nos últimos anos permite pensar que se trata de uma ascensão globalizada da direita nas expectativas do eleitorado.
César Maia

Uma crise sem fim?

A cada dia a crise brasileira se aprofunda e se torna mais complexa. Uma crise de quatro lados: Política, Econômica, Social e Moral. A convergência das quatro crises, com aprofundamento simultâneo delas, está tendo um efeito geométrico na intensidade da crise geral. A cada dia fica mais claro que há uma necessidade extrema de um acordo político nacional. Imaginar que possa ocorrer com Dilma é ilusão apenas.
César Maia

Lula quer mesmo derrubar Dilma!

Dias atrás eu divulgava a informação vazada do entorno do Instituto Lula que o mais conveniente para Lula seria Dilma pedir licença por doença. Temer assumiria a presidência e, em seguida, Lula e o PT partiriam para a oposição. Dilma não perderia seus direitos. E haveria tempo suficiente para organizar a campanha de Lula em 2018 como defensor dos pobres contra as medidas neoliberais que estariam sendo introduzidas.
César Maia

As últimas crises presidenciais brasileiras

Em vinte e cinco anos o Brasil viveu quatro crises importantes econômicas e políticas. Uma média de uma crise importante a cada seis anos, pouco mais de um mandato presidencial. Em praticamente todas elas há dois elementos que se destacam, seja pelas razões seja pela coincidência.
César Maia

Uma nova Thatcher em Portugal!

Passos Coelho obteve uma vitória exuberante no domingo. Sua coligação alcançou 40% dos votos. O PS alcançou 32%. Quem apostava no desgaste político e eleitoral do duro ajuste fiscal errou redondamente. Com a campanha eleitoral aberta com o PS na frente, essa vantagem foi sendo reduzida e, nos últimos quinze dias, revertida para uma clara vantagem de Passos Coelho. António Costa, secretário-geral do PS, foi ultrapassado em sete pontos. Nem a vitória percebida de Costa no debate na TV modificou esse quadro. O PS ainda sonhava com a abstenção para recuperar a diferença.
César Maia

A nova lei eleitoral só ajuda os candidatos à reeleição e os muito conhecidos!

A nova lei eleitoral recentemente sancionada pela presidente Dilma ajuda os prefeitos candidatos à reeleição. Em primeiro lugar porque a proibição de financiamento privado concentra recursos nas mãos de quem governa, que prescinde de recursos privados diretos, pois conta com os recursos privados indiretos conforme expliquei há poucos dias.
César Maia

O financiamento eleitoral e a vantagem de quem está no governo!

O STF considerou inconstitucional o financiamento eleitoral por parte de empresas. Vários analistas, vários acadêmicos, máquinas sindicais, os pequenos partidos ideológicos outsiders, etc., comemoraram a decisão. Ou é por boa fé, por desconhecimento, por ingenuidade ou por esperteza. Com essa decisão do STF, as vantagem dos que estão no governo controlando as máquinas e orçamentos é flagrante. Passam a ter monopólio do financiamento, só que não diretamente pelas empresas, mas indiretamente e através dos governos.
César Maia

Formas de entender o impacto da mídia

Já há algum tempo que os institutos de pesquisa e os próprios meios de comunicação passaram a medir o número de leitores e telespectadores através de duas formas: física e digital. A partir dessa mudança, os meios de comunicação medem e divulgam seus resultados de circulação e audiência somando as duas versões: física e digital. Para se ter uma ideia, no primeiro semestre de 2015, a versão digital da "Folha de São Paulo" correspondeu a 44% de sua circulação total e a versão digital de "O Globo" a 37%.
César Maia

Crises para todos os lados!

A grande bravata dos presidentes, ditos, de esquerda, da América Latina, foi comemorar como um grande evento terem ficado livres do FMI. Da mesma forma comemoraram como uma grande vitória sobre o imperialismo ianque liquidarem de vez com a ALCA (área de livre comércio das Américas). Da mesma forma liquidaram o Grupo Andino e o Mercosul.
César Maia

Pessimismo empresarial aprofunda a crise! Como reverter?

Keynes afirmava que a economia capitalista iria bem se os empresários acharem que ela irá bem. Da mesma forma se pode afirmar que ela irá mal quando os empresários acharem que ela irá mal. O clima atual de pessimismo empresarial medido por índices diversos e pelas reuniões por todo o país é, talvez, o pior pela qual passou o país na República. O impasse político só faz agravar o pessimismo e a dinâmica do Lava-Jato traz a cada dia nova surpresa. Isso porque os nomes dos políticos envolvidos ainda não foram divulgados.
César Maia

PT não desmancha por si só, Lula precisa derreter antes!

O desgaste do PT medido por todas as pesquisas de opinião não é garantia que em eleições futuras sua representação legislativa irá derreter. Um sofisticado estudo mostra que o PT cresceu arrastado por Lula e que se a popularidade de Lula for atingida significativamente, o PT, aí sim, derreterá.
César Maia

A juventude política hoje!

As juventudes políticas sempre foram grandes massas de manobra para líderes políticos. Num esquema polar teríamos de um lado as juventudes comunistas e de outro, as juventudes hitlerista e fascista. Mobilizavam milhares e milhares de jovens, em marchas treinadas e coreografadas, repetindo palavras de ordem. As mobilizações das juventudes foram progressivamente esvaziadas a partir das grandes manifestações de 1968 que tinham foco na educação e nos costumes e, assim, não repetiam os automatismos dos anos 20 e 30, pois tinham foco e conteúdo. Nos últimos anos o esvaziamento foi quase generalizado.
César Maia

A crise é política, não é parlamentar!

Hoje, vivemos uma crise tripla: econômica, política e moral, depois de destampadas as relações do poder. Após as eleições de 2014, atravessou-se a fronteira e o castelo de cartas desmanchou. A presidente Dilma fragilizou-se e entrou num encilhamento. Lula entrou no jogo com as carta que jogou nos seus governos. O caminho é esse que vemos, atrair os parlamentares para formar maioria, uma velha maioria com os mesmos métodos e os mesmos personagens.
César Maia

Lava-jato, imprensa e política!

A operação Lava-Jato, em suas diversas partes, tem uma característica muito importante. As informações colhidas foram diretamente pelo Estado, ou seja, pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário. O jornalismo investigativo não está na fonte de nenhuma dessas informações. Isso constrói uma relação pacífica e estável entre os meios de comunicação e os jornalistas investigativos. Esses disputam quem chega primeiro às informações colhidas por aqueles três sistemas. Assim, a imprensa suita os três sistemas, muito mais que investiga.
César Maia

Obama na África

Barack Obama foi muito criticado por visitar um país acusado de restringir a liberdade de expressão. Além dos elogios que fez, o Presidente norte-americano acusou o Governo etíope de ter uma falsa democracia: “Vocês têm democracia no nome, mas não na consistência do país”. Disse ainda não compreender o fato de alguns líderes africanos “se negarem a deixar os postos”, referindo-se ao Presidente do Burundi, Pierre Nkurunziza, que alterou recentemente a legislação para poder ficar mais tempo no poder.
César Maia

Um amplo programa de compensação social à crise!

A provável extensão temporal da crise brasileira levanta a necessidade de um amplo e diversificado programa de compensações sociais. Essa seria a mais importante e prioritária agenda positiva que presidenta, governadores e prefeitos deveriam adotar, em conjunto ou isoladamente. O maior complicador para essa decisão é o componente fiscal da crise, que reduz receitas e exige contenção de despesas, fechando o caminho keynesiano. Por isto mesmo há a necessidade de imaginação e programas pulverizados de baixo custo unitário.
César Maia

Os processos de democratização em Cuba e na Venezuela!

As ditaduras têm dinâmicas distintas no processo de democratização. Algumas de dentro para dentro, como, por exemplo, nos anos 80 no Sul da Europa e na América Latina. Outras de fora para dentro, como, por exemplo, na segunda guerra mundial. Há casos mistos, como, por exemplo, a desintegração do sistema soviético. Há situações em que a democratização se dá de dentro para dentro, mas de dentro -e entre- as próprias forças dominantes que governam.
César Maia

Crise brasileira vira encilhamento geral!

O que se via até a semana passada era uma parálise do executivo, sua ausência no parlamento, um ativismo do judiciário pelo vácuo político, e a ocupação de espaços políticos pela Câmara e pelo Senado. O executivo desistiu de agir no parlamento e entregou a tarefa ao vice-presidente e presidente do PMDB. Duas semanas depois, o PT reclamava do trabalho de Temer. O novo ministro da fazenda tomou iniciativas no Congresso, conversando com senadores e deputados.
César Maia

Dilma não tem consciência dos graves erros de antes e de agora!

Hoje, ao meio de uma gigantesca crise política, econômica, social e moral, Dilma não tem um gesto de grandeza e humildade, e não reconhece os enormes erros cometidos por seu governo. Desde a eleição de 2014 que Dilma vem insistindo em legitimar-se por ter participado da guerrilha urbana contra o regime militar, ter sido presa e torturada. Sua foto presa, estilizada, foi a imagem da campanha: Dilma guerreira. Sua coragem pessoal não está em jogo, mas, sim, sua atuação política, antes e depois.
César Maia

Lula volta à sua base sindical e se resindicaliza!

Lula tem dado conselhos a Dilma. Os últimos pedem que Dilma vá às ruas e que se encoste nos ombros do povo. Poder-se-ia usar um ditado popular: faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Será que Lula receberia uma boa acolhida popular se caminhasse, sem claque, numa rua de grande movimentação comercial, num bairro de uma grande cidade? Nem falo de áreas de concentração de classe média, como shoppings, onde certamente seria apupado. O que tem feito Lula, depois que termina de concluir seus conselhos a Dilma?
César Maia

PT autêntico quer derrubar Dilma!

Com a posse da presidente Dilma, apareceram como um tsunami a crise econômica, a crise moral, a crise social e a crise política. A autoridade da presidenta foi sendo diluída e as pesquisas de opinião foram rebaixando seu apoio a um dígito apenas. O Congresso, e em especial a Câmara de Deputados, assumiu a iniciativa e a priorização das leis.
César Maia

Grécia, um referendo mundial!

Neste domingo (05), o governo grego fará realizar um referendo sobre o acordo com a União Europeia e as obrigações do governo grego. Uma vitória do NÃO, defendido pelo governo de esquerda, legitimará as ações de resistência dele em relação às medidas exigidas. O SIM poderá abrir as portas para o acordo, com o governo lavando as mãos, dizendo ter honrado seus compromissos, mas que a decisão foi do povo. Ou renunciando e convocando novas eleições. As consequências do rompimento do acordo com a União Europeia são imprevisíveis, pois enquanto alguns dizem que virá o caos, outros acham que a União Europeia terá que acomodar uma solução.
César Maia

Afinal, onde está o João Santana?

Durante anos dos governos Lula-Dilma, o que se via era ambos despachando com o publicitário João Santana para desenhar a publicidade do governo na TV e aumentar ou recuperar, virtualmente, prestígio. E agora? Dilma bate recordes de impopularidade. Lula vai junto e passa a dar entrevistas e fazer palestras dando show de oportunismo, transferindo responsabilidades para Dilma e o PT.
César Maia

PT vai radicalizar à esquerda!

As reações de parlamentares e dirigentes do PT, Lula incluído, contra as medidas do chamado ajuste fiscal indicam, claramente, que o PT está disposto a perder o governo, mas não quer correr o risco de perder em médio prazo a hegemonia da esquerda. As mudanças políticas na Espanha, com as vitórias de candidatas às prefeituras de Madrid e Barcelona, fermentadas pelas redes sociais e apoiadas em novos movimentos sociais sem os sindicatos, usando os tradicionais chavões da esquerda, servem como referência para este novo ciclo que o PT inicia.
César Maia

A reação do eleitor aos mega-casos de corrupção tende a ser a anti-política!

Os casos de corrupção medidos em bilhões e que alcançam elites políticas, elites econômicas e elites esportivas, ganham ampla divulgação, detalhes escabrosos e enorme repercussão de opinião pública. Estão aí a Lava-Jato, a Fifa, o Zelotes, e por aí vai. Qual tende a ser a reação política dos eleitores? Já há uma vítima: a presidenta Dilma, com níveis de rejeição recordes e irrecuperáveis. Mas ela não é mais candidata a nada. Na política não se aplica a lei da física de ação e reação, onde a reação é previsível e mensurável a partir da intensidade e direção da ação. Na política, o processo ação-reação é como aquela bolinha densa que as crianças jogam no chão e elas pulam para qualquer direção. Não é simples prever a reação.
César Maia

Os resultados da reforma política, suas causas e efeitos!

A reação do noticiário e de analistas entrevistados após as emendas constitucionais votadas foi sublinhar que nada aconteceu, que não houve avanço algum. Uma dedução simplista e, em certa medida, sofismática num plenário com vinte e oito partidos. Os temas escolhidos foram consensuais: sistema eleitoral, financiamento das campanhas, coligações, reeleição e cláusula de barreira. O instrumento necessário para dar estabilidade a eventuais mudanças foram projetos de emendas constitucionais – PECs. Para aprovar uma PEC são necessários 308 votos. Suponhamos que os três partidos com as maiores bancadas votassem juntos. A soma deles, calculada pelo número de deputados eleitos, alcança 190 deputados, ou 60% do necessário. Mas em plenário, esse total era ainda menor pelas ascensões de suplentes em coligações que todos aqueles três participaram. Se somarmos os seis partidos com as maiores bancadas não se chegaria a 300 deputados, abaixo dos 308 votos necessários. Nos dois casos citados, se supõe que as bancadas votariam 100% sem nenhuma exceção.
César Maia

Na reforma política o único perdedor foi o PSDB!

O PSDB nunca sabe se fica com a academia ou com a imprensa. De preferência, com os dois. Vota entre marcar posição e sair bem na foto. A questão de fundo é que passados os dias de votação, de brilho no plenário e de ampla cobertura da imprensa, recolhem-se os louros e os cacos e, então, se pode ver quem foram os vencedores e os perdedores. Destacadamente um partido se pode sublinhar como perdedor: o PSDB. Seu abre alas era o “voto distrital misto”. Com todo o coro dos analistas criticando o “distritão”, se sentiu estimulado por uma possível aliança de voto com o PT e a opinião do relator na comissão de reforma política.
César Maia

Pacote fiscal, a política e a mulher-bomba!

O Ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, apresentou na sexta-feira o Decreto de Programação Orçamentária e Financeira com um corte de uns 70 bilhões de reais. Até aí nada diferente do que normalmente é feito no final de janeiro com o Decreto contingenciando despesas para ajustar os duodécimos à inflação e evitar que ministros antecipem empenhos, criando expectativas. Mas a questão de fundo não é orçamentária, mas POLÍTICA. Esse é o nó dos problemas da conjuntura brasileira, que não permite que vejamos luz no fim do túnel. A presidente tem sua autoridade diluída, o Congresso estabelece um parlamentarismo fake, já que não tem iniciativa de gestão.
César Maia

Por que as fusões de partidos agora são tão importantes?

O PSB e o PPS anunciaram a fusão de seus partidos. O PTB e o DEM informaram que analisam a fusão de seus partidos. Outras fusões estão em análise ainda de forma discreta ou especulativa. Por que tudo de uma vez só? E agora? Os sêniores do Congresso e os líderes partidários com força de aglutinação sabem que um elemento componente da crise política é a desintegração da Câmara de Deputados –representação do Povo- com 28 partidos. O partido com maior número de deputados é o PT com 13,6% dos deputados. Segue o PMDB com 12,8%. O PSDB maior partido de oposição tem 10,5% dos deputados. PSD, PP e PR uns 7% cada. PTB, DEM, PRB e PDT uns 4,5% cada. Etc.
César Maia

Como a crise vai influenciar as eleições municipais de 2016?

Há três vetores que tendem a envolver a decisão de voto para prefeitos nas eleições de 2016. O primeiro é a situação econômica entendida como riscos de desemprego, redução de renda real e inadimplência, que desde já é sentida. O segundo é o ambiente moral afetado pela sensação de ampla corrupção associada à política, exponenciada pelo Petrolão. Basicamente foi este o impulsionador das manifestações nas ruas, panelaços e especialmente as vozes sistemáticas nas redes sociais. O terceiro é a crise política sublinhada pela entressafra de lideranças políticas. Sem referências e alternativas, as pessoas não conseguem ver luz no fim do túnel e a indignação vem acompanhada de ansiedade.
César Maia

Ajuste fiscal, produtividade e competitividade!

Um desdobramento problemático dos ajustes fiscais produzidos na Europa após a crise de 2008 tem sido a estagnação ou queda da produtividade das economias que adotaram estes ajustes. Mesmo os ajustes menos agressivos que vieram da crise, como no Reino Unido, tiveram esse desdobramento. As exceções à regra têm sido e continuam sendo os Estados Unidos e a Alemanha, talvez pela atratividade e segurança que têm para os capitais financeiros, que migram. Mas o fundamental, nestes dois casos, é que desde a resposta a crise, imediatamente após a implosão financeira de 2008, foram adotadas medidas e estímulos ao crescimento da produtividade com suas repercussões na competitividade das suas economias.
César Maia

Voto distrital

O Senado aprovou projeto de lei criando o Voto Distrital majoritário nos municípios com mais de 200 mil eleitores. Essa lei certamente não tramitará na Câmara de Deputados, por ser retrógrada, inconstitucional e inviável. A Constituição de 1988 elevou os Municípios à condição de entes federados, logo no primeiro artigo da Constituição. Portanto devem ter tratamento partidário com os Estados. Essa lei ao não tratar dos Estados e só de parte dos Municípios cria um sistema eleitoral distinto para Estados e Municípios.
César Maia

Redes sociais, o equívoco dos que se imaginam líderes!

Hoje há institutos e empresas especializadas em identificar a temperatura das redes sociais. Na semana anterior à última manifestação de 12/04, estas afirmaram que a temperatura das redes virtuais estava bem menos aquecida e que provavelmente as ruas virtuais iriam para as ruas reais, em menor proporção, como, aliás, ocorreu. Em 2013 as siglas e líderes tinham outros nomes, agora em 2015, surgem outras, todas na verdade tiveram o mérito de sentir a pulsação das redes virtuais –horizontais, desverticalizadas, individuais, impessoais, anônimas- e impulsionar nas redes a informação sobre uma concentração nas ruas e sentir o retorno, para em seguida divulgar. São efeito, e não causa. São as folhas caindo e não a ventania.
César Maia

A crise é grave, muito grave!

O ajuste fiscal que estava caminhando para um acordo entre o ministro Levy e os blocos de Eduardo Cunha e Renan voltou a estaca zero. Com um feriadão pela frente, vai entrar em maio sem solução. E Eduardo Cunha –defensor da lei das terceirizações- saberá jogar com isso. As manifestações de ruas –15/03 e 12/04- mostraram indignação com a situação atual. Os líderes políticos e sociais, não se arriscaram a mostrar a cara, pois eles são parte da indignação. E dessa vez, os caras pintadas, tem mais de 50 anos como mostrou o Data-Folha. O PT vibrou com o depoimento de João Vacari na CPI. Fez projeções professorais, distribuiu responsabilidades com o PSDB, e saiu convencido do sucesso. Dias depois Vacari foi preso. Conclusão: mentiu e prestou falso testemunho. Dilma que voltava serelepe da reunião dos presidentes das Américas no Panamá, sequer reagiu, isolando-se, numa demonstração de perplexidade.
César Maia

Derivativos da política e a crise!

Após a debacle financeira de 2008, o foco dos discursos no Congresso do PPE (partidos de centro/centro-direita), bloco majoritário no Parlamento Europeu, que conta com vários primeiros-ministros, foi a crise e suas causas. Na época, os mais importantes líderes europeus repetiram a mesma tese: a crise econômica tem como preliminar uma crise de valores. Esses valores éticos foram ignorados nesse mundo de derivativos, especulações, abuso de riscos, paraísos fiscais.
César Maia

Ratos na CPI, a quem interessa?

A clássica pergunta feita pelos grandes detetives de livros e novelas deve-se aplicar ao caso dos ratos soltos na sala da CPI: A quem interessa? A quem interessava que as imagens do depoimento do tesoureiro do PT na CPI do Petrolão fossem desviadas para os ratinhos circulando? A quem interessava que a imagem dos ratinhos produzisse naturalmente uma generalização direcionada a todos os deputados da comissão e não apenas aos investigados? A quem interessava tumultuar a CPI? A quem interessava a associação que as fotos e imagens na TV fariam com os políticos em geral?
César Maia

Desgaste de Dilma chegou a Lula

Como era de se esperar, o desgaste de Dilma teria que chegar e chegou a Lula, seu criador. Agora, criatura e criador fazem parte do mesmo inferno astral. Lula se movimenta recebendo políticos, realizando reuniões políticas como a recente no Rio com PMDB, e vaza informações das reuniões para colunistas e matérias nos jornais e rádios. As linhas dos vazamentos são sempre as mesmas: críticas ao governo Dilma, sugestões de mudanças no governo e na política de comunicação. Cinicamente ressalva sua proximidade com Dilma.
César Maia

O que se previa aconteceu!

Na campanha de 2002, analistas nacionais e de outros países projetavam um quadro sombrio com a vitória de Lula. Três conclusões eram consensuais: a inevitável irresponsabilidade fiscal; o afrouxamento inflacionário; e a ocupação da máquina do Estado pela máquina do PT. Em função disso, Duda Mendonça redigiu e Lula assinou e divulgou a Carta aos Brasileiros, onde assumia compromissos de responsabilidade econômico-financeira. Com Palocci no ministério da Fazenda, o governo Lula foi afirmando os compromissos da Carta aos Brasileiros. Na verdade, essa não era a natureza nem a disposição do PT. As condições políticas e institucionais não permitiam outros caminhos, sob o risco de desintegração econômica e impasse político.
César Maia

O Rio não nasceu na região portuária!

O porto, até o século XIX, era frontal à Praça XV. O aterro viabilizou a transferência do porto para a atual área portuária. obra que só amadureceu após 1910. A Avenida Rio Branco nasceu como Central, ligando o novo porto ao centro e aos caminhos que se abriam em direção à Zona Sul através da construção da Avenida Beira Mar por Pereira Passos. O Rio, como cidade formal, nasceu na Urca e após a expulsão dos franceses teve sua sede alocada no entorno do morro do Castelo. Expandiu-se entre os jesuítas e os beneditinos no entorno da Rua Direita, hoje Primeiro de Março, costeando a entrada pelo mar do porto da época, onde ficava a sede do governo, o Paço - colonial.
César Maia

A intenção era outra!

Parlamentares proporão à Comissão de Reforma Política o término da reeleição, agregando novos argumentos. Não se trata de simplesmente repetir a questão já destacada, do uso da máquina pelo presidente/governador/prefeito candidato à reeleição. Essa era uma questão conhecida e levantada quando a Constituinte debateu e decidiu a reeleição. Outro ponto levantado à época era a necessidade de investimentos com prazos de maturação maiores que o período de governo e que poderiam ser interrompidos por um novo governo, por razões políticas. O argumento mais denso usado nos debates a favor da reeleição foi relativo à questão fiscal. No centro da discussão estava sempre presente o reiterado discurso para desgastar o governo que saía, da “herança perversa” recebida pelo governo que entrava.
César Maia

O fim do Ministério das Relações Exteriores!

Não há registro na história diplomática de desfeita política entre países tão grave quanto o gesto de não receber as credenciais de um Embaixador estrangeiro que já se encontrava em palácio para isso. Esse gesto tenderá a apressar o fuzilamento do brasileiro preso e afetar gravemente o relacionamento entre a Indonésia e o Brasil Por sinal, o Embaixador indonésio já foi chamado de volta por seu governo. Ninguém teve coragem de enfrentar a ira da Dilma e ponderar a inconveniência daquele seu gesto impulsivo e brutal.
César Maia

‘Impeachment now’! Um equívoco grave da oposição!

Políticos e analistas, após a divulgação da pesquisa do Datafolha relativa à primeira semana de fevereiro de 2015, vêm lendo errada e parcialmente os dados divulgados. Talvez tenham lido apenas o que a imprensa divulga, pois esta não pode detalhar dados que estão compreendidos em 243 páginas multiplicadas pelos cruzamentos. Alguns dizem que processos de impeachment vêm no bojo da curva de desgaste dos governos. Pode ser, mas uma coisa é opinião passiva e outra opinião ativa e mobilização. Na Espanha e Grécia a oposição de esquerda ativa não quis e não quer derrubar governos: quer desgastá-los e ganhar as eleições.
César Maia

Por que cresce a sensação de insegurança no Rio de Janeiro?

A sensação de insegurança da população é proporcional aos roubos (subtração de coisa alheia, mediante grave ameaça ou violência). A criminalidade é medida internacionalmente pelos homicídios dolosos ocorridos. Suas altas taxas e, em especial, os casos de latrocínio (roubo seguido de morte) levam a insegurança pessoal ser ampliada pelos riscos desses casos extremos. Mas são fatos, em geral, externos às pessoas. Mas a razão primária de sensação de insegurança das pessoas e das famílias são os roubos. Os manuais de segurança nas ruas indicam os riscos em função de porte de dinheiro, de joias, de celulares...
César Maia

Comunicação política na era eletrônica!

A comunicação política mudou muito na era eletrônica. Ocorre em tempo real e exige ao mesmo tempo velocidade e extremo cuidado para não expelir bobagens pelo smartphone, que serão manchetes no dia seguinte. A importância da comunicação cresceu de tal forma que todas as funções de governo estão associadas. Ministro de Economia/Comunicação. Ministro de Transportes/Comunicação. Presidente da Republica/Comunicação. Etc.
César Maia

Avaliação do PSDB é equivocada!

As principais lideranças do PSDB têm reiterado nas últimas semanas que as medidas adotadas pelo novo ministro da fazenda são as que o PSDB no governo adotaria e que essas medidas demonstram que o candidato presidencial do PSDB tinha razão. A imprensa multiplica essas afirmações. Até parte do PT faz coro: Será que ganhamos a eleição para aplicar as medidas que o PSDB adotaria? O que a oposição deve afirmar é que o conjunto da economia do país, as forças políticas e sociais, as circunstâncias e a debilidade política do governo e das forças que o compõem são garantia que pontos de política econômica adotados e aparentemente corretos, apenas aprofundarão os problemas pela ansiedade com que são adotados e por ignorarem o complexo de influências.
César Maia

Magnicídios, melhor prevenir do que lastimar!

O assassinato, dias atrás, do Promotor argentino Alberto Nisman, que investigava os atentados terroristas na Argentina contra a embaixada de Israel (ocorrido em 1992 e que deixou 29 mortos) e a associação judia AMIA -de 1994, com 85 mortos-, apesar de estar com escolta pessoal e residencial, mostrou a fragilidade das mesmas, ao não avaliar os riscos em relação a moradores vizinhos, etc., hoje alvos de investigação. Um revólver 22 ao lado do corpo do promotor só aumenta as suspeitas sobre o suposto suicídio, já que o promotor, por sua condição, tinha posse de armas de muito maior impacto.
César Maia

Recado aos ministros e secretários estaduais!

Cada dia fica mais e mais evidente que o ano de 2015 será um ano basicamente de rolagem dos serviços essenciais e continuidade, à velocidade de caravana, de obras e programas em andamento. E, assim mesmo, com revisão de custos, buscando supurar gorduras e excessos e desvios. Deve ser um ano de revisão de procedimentos e de planejamento, de forma a que o ano de 2015 termine, aí sim, com novas iniciativas submetidas a processos licitatórios. Sendo assim, as novas realizações dos governos -federal e estaduais- poderão começar a emergir no segundo trimestre de 2016.
César Maia

2015, um ano crítico!

Os quatro anos de governo têm nos dois anos intermediários, anos decisivos para as pretensões eleitorais. O primeiro ano é sempre o de preparação das ações de governo buscando apoio e popularidade para o final do governo. Os dois anos seguintes são anos de execuções e realizações. O último ano é o ano eleitoral em que se conclui o que está sendo feito e não se inicia nada de significativo.