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Celso Lungaretti

Confronto de poderes

Antigamente eram os ladrões que agiam na calada da noite. Agora são os deputados federais. Os encalacrados unidos têm tamanha paúra da megadelação da Odebrecht que tentam ganhar no grito, avançando ostensivamente o sinal. Por tal caminho não se salvarão, mas podem gerar um confronto de Poderes perigosíssimo para nossa frágil democracia.
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PT: pai ou padrasto dos pobres…

Um dos aspectos mais chocantes do período em que o Partido dos Trabalhadores impôs sua hegemonia sobre a esquerda brasileira foi a passividade com a qual esta aceitou o entrelaçamento de interesses com os mais predatórios segmentos da burguesia e com os mais repulsivos inimigos da liberdade.
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Já começou a ‘Operação Indulgência’ com a Samarco

O rompimento da barragem da mineradora Samarco foi o maior desastre ambiental de todos os tempos no Brasil e o maior do mundo envolvendo barragens de rejeito. Causou 17 mortes confirmadas, havendo chances irrisórias de que os dois cidadãos ainda desaparecidos não tenham também morrido.
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Dilma deveria renunciar imediatamente!

O governo Dilma sofreu derrota acachapante no Tribunal de Contas da União, por irresponsabilidade fiscal. E a economia brasileira continuará indo de mal a pior enquanto os parlamentares estiverem decidindo o impedimento ou não da presidenta. Quantos deles se manterão fiéis a um governo moribundo, arriscando-se a receberem o troco do eleitorado na eleição seguinte? Há alguma dúvida quanto ao desfecho da chanchada?
Celso Lungaretti

O impeachment bate à porta…

Quem tem acompanhado meu trabalho não se surpreenderá com os vários indícios de que a contagem regressiva para o defenestramento da presidenta Dilma Rousseff está chegando ao fim. Neste domingo, dia 13 de setembro, a "Folha de S. Paulo" não só assume em editorial que tal desfecho já entrou na ordem do dia, como o faz num editorial excepcional, publicado na capa.
Celso Lungaretti

Opções desastrosas do PT

A ficha já deve estar caindo para os petistas que me satanizaram ou ignoraram durante a última campanha eleitoral: era eu quem via mais longe, não os gênios que dirigem o partido. Bom conhecedor do que seja um arrocho fiscal, uma recessão e de como se comporta o povo brasileiro quando seu bolso fica vazio, eu adverti: já que lhe faltava coragem política para tentar trilhar caminho diferente do da ortodoxia econômica do capitalismo, então melhor seria o PT, pelo menos, não continuar na Presidência da República em 2015/2018, deixando para outra força qualquer o mico de acertar as contas públicas tirando o couro e o sangue dos explorados.
Celso Lungaretti

A opção de Dilma e Levy é pelos ricaços

Salta aos olhos que a presidenta Dilma prefere agradar aos 0,2% de apaniguados que controlam a grande imprensa e a maioria dos políticos, pois sabe que deles, em última análise, depende sua permanência ou não no Palácio do Planalto até o final do mandato. E Levy continua defendendo os interesses que sempre defendeu --em posições subalternas, ressalte-se, seja no Fundo Monetário Internacional, seja no Bradesco.
Celso Lungaretti

Beija-Flor rebaixada!

O placar moral do carnaval carioca de 2015 é: campeã, Salgueiro, 269,5 pontos; última colocada e merecidamente rebaixada, Beija-Flor, com 239,9 pontos. Porque os 30 pontos recebidos pela escola de Nilópolis no quesito “enredo” são totalmente nulos e deveriam ser desconsiderados, caso De Gaulle não estivesse corretíssimo em sua análise do Brasil: nosso país não é sério. Quem, a pretexto de enaltecer a África erige em exemplo edificante uma ditadura tão longeva quanto sanguinária, agride o Direito internacional, desrespeita a História e ofende os povos africanos, que têm tanto a ver com o tirano da Guiné Equatorial quanto os europeus tinham a ver com Hitler.
Celso Lungaretti

Ser ou não ser Charlie? Ser ou não ser civilizado?

Os responsáveis pelo semanário, por sua vez, jamais fizeram o que seria, realmente, uma provocação: providenciar traduções e lançar edições direcionadas para países e contingentes humanos que vivem no século 21, mas continuam com a cabeça no século 6. A quais maometanos antes incomodavam, de verdade, os 60 mil exemplares do Charlie Hebdo comercializados semanalmente na Europa? Pouquíssimos, decerto. O que houve não foi nenhuma reação furibunda de indivíduos emocionalmente primitivos que estariam sentindo-se agredidos em sua fé, mas sim uma sanguinária e calculista demonstração de força de terroristas clássicos (aqueles que, como francos-atiradores dissociados das massas e sem estarem contribuindo para nenhum ascenso revolucionário, utilizam a violência apenas para punirem e intimidarem seus inimigos), os quais garimparam diligentemente, até encontrarem, um alvo condizente com a mensagem que queriam passar.
Celso Lungaretti

O labirinto de Marina Silva e a roleta russa do PT

Espero que Marina tenha a grandeza de portar-se como verdadeira arauta de uma nova política, abdicando dos dividendos a velha política lhe permitiria extrair do capital acumulado nas urnas. Caso contrário, os perspicazes imediatamente saberão que eram palavras ao vento; e os demais, aos poucos, irão chegando à mesma conclusão. A coerência manda, portanto, que Marina se declare neutra e libere os seus seguidores para votarem em quem quiserem.
Celso Lungaretti

As perspectivas depois do vendaval

Engraçado, mesmo os mais prejudicados com o vazamento do que Paulo Roberto Costa teria declarado à Polícia Federal estão discutindo e rebatendo as informações imprecisas que a imprensa publica, ao invés de adotarem a única posição correta num caso desses: exigirem que as autoridades apurem as ilicitudes mediante as quais um depoimento resguardado por segredo de Justiça inundou o noticiário, negando-se a comentar acusações das quais nenhum deles tomou conhecimento por vias confiáveis (as possibilidades de manipulação saltam aos olhos!).
Celso Lungaretti

Estão tentando incriminar Marina

Sempre detestei o aviltamento das campanhas eleitorais, que os obcecados em vencerem a qualquer preço transformam em batalha de tortas de lama ou festival de chutes na virilha dos adversários. Já desmascarei a torpeza da rede de propaganda petista ao trombetear que a Marina Silva estaria sendo apoiada pelo Itaú, quando, na verdade, ela conta apenas com os préstimos voluntários de uma herdeira Setúbal que jamais exerceu atividade de banqueira nem apita nada nas decisões do grupo. Tais invencionices colam no candidato e, depois de um certo tempo, todos começam a repeti-las como papagaios, sem a mínima noção de quem as colocou em circulação.
Celso Lungaretti

Já começou a campanha de desqualificação de Marina

Marina é uma incógnita e Dilma, a certeza de que tudo permanecerá como dantes no quartel de Abrantes. Terá a acreana disposição e garra para, eleita, lutar verdadeiramente contra a podridão política, ao invés de a ela se adequar, ainda que a contragosto e cedendo a chantagens, como o PT tem feito desde 2002? Honestamente, não dá para sabermos agora. Enfim, sugerir que adversários pertencentes ao campo da esquerda estariam sendo circunstancialmente úteis para a direita, sem exibir evidência nenhuma de anuência da parte deles...
Celso Lungaretti

Voltamos à ditadura e ninguém me avisou?

A imprensa noticiou a prisão de 19 cidadãos brasileiros não em função de contravenções ou crimes cometidos, mas apenas porque, supostamente, estariam pretendendo melar o encerramento do megaevento da Fifa. A aberrante lista incluiu até uma advogada que não participa de atos públicos, apenas defende manifestantes. A "Folha de S. Paulo" apurou que "a série de prisões temporárias foi uma medida preventiva por causa de protestos marcados para a final da Copa, no Maracanã", conforme se depreende desta declaração do chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Fernando Veloso.
Celso Lungaretti

O PT tem salvação?

Tenho certeza de que o PT tem na sua imensa maioria uma gente muito séria, honesta. Agora, precisamos de fato ter um rigor interno ético muito grande. Lutar desesperadamente pela reforma política para mudar o indutor da corrupção, que é o financiamento empresarial de campanha. Sinto isso na carne. Acho que na justa medida em que nós nos tornamos uma grande instituição, fomos nos burocratizando. O PT trouxe inovações fundamentais para a ampliação da participação das pessoas na política e dar protagonismo a setores populares marginalizados. Mas o vírus da velha política também nos contaminou, em parte.
Celso Lungaretti

Por que torcermos contra a seleção brasileira?

Os grãos petistas estão fortemente empenhados em desqualificar os brasileiros que torcerão (e protestarão) contra nossa seleção durante o Mundial da Fifa. Consequentemente, instalou-se nas redes propagandísticas do partido um clima tão rancoroso e histérico como eu nunca esperava presenciar de novo, o de ame-o ou deixe-o! Lá no inferno o ditador Médici e o torturador Fleury devem estar eufóricos, convencidos de que riram por último. Não levo a sério o blablablá daqueles que jamais deram a mínima para o futebol e agora desandam a escrever besteiras patrioteiras, na suposição de que uma Copa do Mundo bem sucedida, culminando no hexa, contribuirão fortemente para a reeleição de Dilma Rousseff; nem as daqueles que sonham com um fracasso do oficialismo em julho e outubro.
Celso Lungaretti

Faltam três meses para a ‘Copa do Pandemônio’

A Copa das Maracutaias ameaça se tornar também a Copa do Pandemônio, com o povo sedento e os estádios às escuras. Na boca dos nossos governantes caberiam frases semelhantes àquela que celebrizou a rainha Maria Antonieta (mesmo sem tê-la, verdadeiramente, proferido): Não têm água? Que bebam futebol. Falta luz? Que acendam velas! Além, é claro, da agourenta possibilidade de que as Forças Armadas venham a ser acionadas para reprimir manifestantes, com o previsível saldo de defuntos padrão Fifa.
Celso Lungaretti

As principais ameaças à Copa não vêm das ruas, e sim dos gabinetes!

A rede virtual petista propaga incessantemente teorias da conspiração relativas ao Mundial; parte sempre do pressuposto de que o inferno são os outros. Mas, o maior risco de avacalhação provém dos péssimos serviços prestados aos brasileiros pelos governos e pelas companhias privatizadas. E o maior risco de desastre total, da truculência dos efetivos policiais que tentarão sufocar violentamente as manifestações de desagrado, ao invés de administrarem o problema com um mínimo de sensatez. E se manifestantes forem barbarizados durante a Copa, para os repórteres do mundo inteiro relatarem e os fotógrafos do mundo inteiro fotografarem? De tudo que de ruim poderá acontecer, o pior vai ser se fardados assassinarem civis, horrorizando as pessoas civilizadas de países cuja tradição não é autoritária como a nossa.
Celso Lungaretti

Cartilha de repressão do Ministério da Defesa

De qual lixeira saiu esta cartilha de repressão ditatorial? Você, claro, pensará tratar-se de um documento encontrado entre as imundícies da lixeira da História, originário da Alemanha de Hitler, da Itália de Mussolini, do Chile de Pinochet ou, mesmo, do Brasil de Médici. Difícil mesmo seria você adivinhar que ele foi publicado no site do Ministério da Defesa brasileiro, no apagar das luzes de 2013, com o aval e a assinatura do ministro incumbido de defender e preservar a democracia que o país tanto sofreu para reconquistar (um senhor chamado Celso Amorim). Parece que a paúra que lhes inspiram os indignados e a garotada dos rolézinhos, neste ano de Copa do Mundo e de eleição presidencial, está transtornando nossos governantes a ponto de eles abdicarem da mais comezinha cautela (para não falarmos do próprio instinto de sobrevivência!). Será que não passa pela cabeça desses obtusos burocratas a possibilidade de um futuro presidente da República fazer o pior uso possível de tal cartilha de repressão ditatorial?!
Celso Lungaretti

Uma batalha de opinião desastrosa para o nosso lado

Logo após a prisão dos condenados petistas no processo do Mensalão, houve forte contestação aos artigos em que eu discordara da forma como sua rede de apoiadores vinha travando a batalha de opinião. Existem companheiros que não suportam a existência de vozes independentes no campo da esquerda; querem submissão total à linha justa, mesmo quando equivocada e desastrosa. Comigo não, violão! Lembrando aquele verso de “La bamba”, 'Yo no soy marinero [de primeira viagem], soy capitán'. E, quando tenho certeza de estar certo, pressões e intimidações não me fazem recuar um milímetro. Hoje estão mais do que evidenciados os seguintes erros crassos:
Celso Lungaretti

Justiça fulmina a nova falácia do Governo Alckmin

O Governo Alckmin, que já deveria ter sido encerrado pela via do impeachment por haver cometido crimes gravíssimos na desocupação do Pinheirinho (vide aqui), tentou agora enquadrar participantes de manifestações de protesto na Lei de Segurança Nacional, um entulho autoritário retirado da lixeira da História pelo delegado titular do 3º distrito policial, Antônio Luis Tuckumantel, cuja nostalgia pelos instrumentos jurídicos dos regimes de exceção foi, aberrantemente, compartilhada pelo Ministério Público! As viúvas da ditadura não nascem, brotam. Como as ervas daninhas. Para Gustavo Romano, mestre em direito pela Universidade Harvard, as “otoridade” parecem considerar brandas demais as leis realmente aplicáveis e fazem verdadeiros contorcionismos para enquadrarem nossos indignados em outras que possibilitem condenações mais pesadas. Daí a forçação de barra carioca (considerá-los membros de organizações criminosas) e a paulista (fingir que protestos corriqueiros constituiriam formidável ameaça à segurança nacional).
Celso Lungaretti

Bolsonaro comprovou ser fiel discípulo do DOI-Codi

O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) foi de covardia extrema ao agredir com um soco na barriga o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), visivelmente sem porte físico para encará-lo de igual para igual. Bater em homens mais fracos, mulheres, crianças ou idosos é animalesco. É indigno. É desonroso. É repulsivo. Ponto final. Um grande amigo espanhol me contou que, ao chegar no Brasil em meados do século passado, ficou estarrecido com as brigas de rua em que vários espancavam um só.
Celso Lungaretti

Batalha de netos na eleição presidencial

A eleição presidencial de 2014 poderá incluir uma batalha dos netos: o do comunista Miguel Arraes (Eduardo Campos, PSB) contra o do conservador Tancredo Neves (Aécio Neves, PSDB). O primeiro avô, um bravo guerreiro, resistiu como pôde aos golpistas de 1964. O segundo avô é suspeito de, embora fosse oposicionista (moderado), haver tramado a derrota das diretas-já, para depois obter a Presidência da República pela via indireta. Político sem carisma para uma vencer uma disputa nacional nas urnas (nem de longe era páreo para Leonel Brizola), teria fechado acordo com aqueles filhotes da ditadura dispostos a tudo para manterem-se no poder após a derrocada da dita cuja. Até de votarem contra a Emenda Dante de Oliveira e, no momento seguinte, darem uma guinada de 180º, abandonando a canoa furada dos fardados e indo ajudar o Maquiavel de Minas a ser vitorioso no colégio eleitoral.
Celso Lungaretti

Delfim diz que repetiria sua ignóbil assinatura no AI-5

“Se as condições fossem as mesmas e o futuro não fosse opaco, eu repetiria”, afirmou Delfim Netto, referindo-se à sua ignóbil assinatura no hediondo Ato Institucional nº 5. Ou seja, ainda hoje ele seria capaz de apoiar o elenco de medidas que desencadeou o arbítrio sem quaisquer limites. O AI-5 proibiu o Judiciário de conceder habeas corpus para os perseguidos políticos, dando à ditadura militar sinal verde para torturar os resistentes a bel-prazer, além de outras disposições totalitárias: reforçou os poderes do presidente da República para decretar estado de sítio, intervenção federal, suspensão de direitos políticos, restrições ao exercício de direitos públicos ou privados (principalmente o afastamento dos subversivos de seus cargos), cassação de mandatos eletivos, imposição de recesso ao Congresso, assembléias legislativas e câmaras municipais, etc.
Celso Lungaretti

A Comissão da Verdade, a sofreguidão e os holofotes

É suspeita a atitude de integrantes da Comissão Nacional da Verdade, de estarem desde já se posicionando publicamente a favor ou contra a revogação da anistia de 1979. Isto porque nada será decidido agora. O xis da questão é se, no relatório final da Comissão, daqui a um ano e meio, vai ou não ser recomendada a anulação da aberração jurídica que permitiu aos assassinos oficiais anistiarem a si próprios. Então, por que botaram o carro na frente dos bois, lançando o debate agora? Meu palpite é de que se trata de um terceiro tema controverso oferecido numa bandeja à imprensa, para que a Comissão da Verdade entre com destaque no noticiário. É verdade: a presidente Dilma Rousseff cobrou, há alguns meses, que dessem maior visibilidade aos trabalhos da Comissão. Mas, será que ela tinha em mente a espetacularização? Ou os conselheiros estão sendo mais realistas do que a rainha?
Celso Lungaretti

Inesquecível Vanzolini!

Jô Soares já foi grande humorista, mas, como apresentador de talk show, não chega nem aos pés do Silveira Sampaio de meio século atrás. Não sei se isto advém de falta de competência ou do Jô se direcionar para um público intelectualmente muito inferior ao que Silveira Sampaio atingia; ou seja, se ele é superficial por opção ou para satisfazer aos videotas. Mas, não suporto que jamais lhe ocorra a pergunta mais interessante e inteligente que teria para fazer ao entrevistado. Deixa-nos com aquela sensação de que faltou tempero na comida...
Celso Lungaretti

Feliciano chantageia Dilma: é o rato que ruge!

O monstro Feliciano não teve geração espontânea. Nasceu da irresponsabilidade dos partidos progressistas (ou tidos como tais) que mostraram considerar irrelevantes os direitos humanos e os direitos das minorias, e agora tentam destrambelhadamente reparar o imenso mal cometido: o de terem permitido que a incumbência de defender direitos coubesse a quem se caracteriza por agredir direitos, inclusive a liberdade de expressão (a atitude de mandar prender manifestantes escancarou sua índole inquisitorial!).
Celso Lungaretti

Judiciário quer exercer a censura artística

Agora coube a um togado revirar as imundícies da lixeira da História em busca de tesoura de Torquemada – a mesma que, durante a ditadura militar, foi empunhada por um bando de indivíduos inescrupulosos, dispostos a tudo por dinheiro. Naquele período infame, o paradigma dos castradores de intelectos foi Solange Teixeira Hernandes, diretora do Departamento de Censura Federal. (...) Já o desembargador Marcelo Fortes Barbosa Filho, da 6ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, só obedeceu à própria (in)consciência ao proibir a dramatização de um acontecimento trombeteado ad nauseam no noticiário jornalístico, a ponto de ficar conhecido por dezenas de milhões de brasileiros.
Celso Lungaretti

República Kafkiana do Brasil

Já lá se vão seis anos que tenho um mandado de segurança se arrastando, inconcluso, no Superior Tribunal de Justiça. E, no próximo sábado (23), vão se completar dois anos desde o julgamento do mérito da questão, quando venci por 9×0. Mesmo assim, a justiça não foi feita até agora. Então, peço a todos um pouco de paciência com o relato pormenorizado que apresentarei em seguida, pois vai caracterizar algo ainda mais grave do que a mera letargia burocrática. A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, instituída
Celso Lungaretti

Exército faz a Comissão da Verdade de gato e sapato

Empossada há nove meses, o que essa domesticada comissão da verdade realmente produziu, afora a correção de um atestado de óbito famoso, retumbantes divulgações acerca do que todos estávamos carecas de saber e miudezas em geral? Valeu a pena a esquerda ter trocado a exigência de cumprimento da decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, de punição dos carrascos do Araguaia, por prêmio de consolação tão ínfimo? Logo que surgiram as primeiras especulações sobre quem integraria a Comissão Nacional da Verdade, dando como favas contadas que a presidente Dilma Rousseff honraria a
Celso Lungaretti

O fracasso de uma grande cruzada reacionária de linchamento judicial

Trata-se de uma oportunidade para o grande público ficar conhecendo tudo que foi escamoteado pela grande imprensa ao longo dessa longa batalha que deverá ser reconhecida, com o passar do tempo, como tão importante quanto os casos de Dreyfus e de Sacco e Vanzetti, com a diferença de haver terminado num quase impossível triunfo, dada a extrema disparidade de forças: foram derrotados o governo fascistóide de um país do primeiro mundo, os reacionários de dois continentes e a mídia tendenciosíssima que exerceu influência avassaladora sobre a maioria bovinizada. Como ocorreu com Alfred Dreyfus, o malogro final da conspiração não impediu que o injustiçado tivesse sua carreira (a dele militar, a de Battisti literária) muito prejudicada, além de passar vários anos na prisão. Mas, ao menos, ambos viram o castelo de cartas desabar ainda em vida, ao contrário de Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti, cuja inocência só foi oficializada postumamente, no cinquentenário de sua execução, pelo governador de Massachusetts.
Celso Lungaretti

O homem que todos amam odiar

Até hoje me indigna que Maluf haja se tornado um criminoso procurado pela Interpol em razão de crimes financeiros e não como patrono e incentivador de assassinos seriais, responsável último por uma infinidade de execuções maquiladas em resistência à prisão. Isto dá uma boa idéia da escala desumana de valores do sistema capitalista... Nos estertores da ditadura, Maluf repetiu a proeza de conquistar os convencionais do partido governista, convencendo-os a não endossarem a candidatura oficial de Mário Andreazza. Mas, uma parte deles preferiu debandar e constituir o PFL, garantindo sua permanência no poder como aliados do PMDB.
Celso Lungaretti

As causas LGBT, a intolerância, o capitalismo e a revolução

A tolerância só se consolidará irreversivelmente quando cada ser humano tiver nos outros seres humanos seus parceiros e irmãos, não mais seus adversários. A intolerância, com seus avanços e retrocessos, perdurará enquanto existir o capitalismo. Sofremos todos as consequências de uma ordem econômica e social alicerçada na ganância e no estímulo à diferenciação, que permanentemente coloca as pessoas umas contra as outras, em competição tão inútil quanto insana e canibalesca: o inimigo são os outros, o inferno são os outros. Então, é preciso termos clareza quanto ao verdadeiro inimigo.
Celso Lungaretti

Como era esperado

Como era esperado, a presidente Dilma Rousseff constituiu a Comissão da Verdade com os notáveis de sempre, aqueles que o sistema aceita como tais. Como era esperado, vergou-se à pressão dos congressistas reacionários, que impuseram a condição de que nenhum antigo resistente integrasse o colegiado. Como era esperado, os compromissos da governabilidade pesaram mais em sua decisão do que a coerência com a própria história de vida: quem sempre afirmou que os militantes se igualavam aos verdugos (“ambos cometeram excessos”) é a pior direita que existe, a das viúvas da ditadura.
Celso Lungaretti

De hora em hora Obama piora

Está sendo uma completa decepção a grande esperança negra Barack Obama. Tão insignificante vem sendo seu governo que nada melhor ele tem para erigir em trunfo eleitoral, nesta altura da campanha para reeleger-se, do que a hedionda operação pirata para extermínio de Osama Bin Laden e quem mais estivesse por perto, ao arrepio da soberania do governo paquistanês. Crer que algo vá mudar com a troca da guarda na presidência dos EUA sempre foi a maior roubada. Quem manda é o stablishment, pouco importando as características do seu serviçal da vez na Casa Branca.
Celso Lungaretti

A desumanidade é global sob o capitalismo

Agora é a Espanha que desfaz minhas ilusões, tratando os fugitivos da miséria como lixo, tal qual outras nações vitimadas pelas crises cíclicas do capitalismo. Na hora de sacrificar gente para salvar bancos, os estrangeiros são sempre alvos preferenciais; e, mais ainda, os imigrantes ilegais. “Primeiro os meus” é a lógica da xenofobia ignóbil, da mesquinhez e da pequenez. Nem sequer na heróica Catalunha, que em outras posturas difere do restante da Espanha, parece vicejar a solidariedade para com os coitadezas do mundo.
Celso Lungaretti

No dia que a liberdade foi-se embora

Eu tinha 13 anos em 31 de março de 1964. Puxando pela memória, só consigo me lembrar de que a TV vendia o golpe de estado em grande estilo, insuflando tamanha euforia patrioteira que os cordeirinhos faziam fila para atender ao apelo “dê ouro para o bem do Brasil!”. Matronas iam orgulhosamente tirar suas alianças e oferecê-las aos salvadores da Pátria, torcendo para que as câmeras as estivessem focalizando naquele momento solene. Desde muito cedo eu peguei bronca dessas situações em que a multidão se move segundo uma coreografia traçada por alguém acima dela, com cada pessoa tanto esforçando-se para representar bem seu papel… que acaba parecendo, isto sim, artificial e canastrônica.
Celso Lungaretti

Comissão da verdade: por que parou, parou por quê?

Previa-se que a presidente Dilma Rousseff designasse em dezembro os sete integrantes da Comissão Nacional da Verdade. Não o fez até agora, talvez porque a disputa esteja muito acirrada nos bastidores. (...) Gostaria de ver na Comissão o companheiro Ivan Seixas, por sua atuação incansável contra os carrascos da ditadura e pelo magnífico papel que desempenhou no episódio das ossadas de Perus; e algum representante do Tortura Nunca Mais, como tributo à determinação e coragem da equipe que produziu o Brasil: nunca mais, encabeçada pelo imprescindível D. Paulo Evaristo Arns.
Celso Lungaretti

O capitalismo nos obriga a flertar com a morte

É de Norman O. Brown a tese de que o capitalismo, em sua fase terminal, tornou-se agente da destruição da humanidade. A teorização dele em Vida contra morte (1959) é tão complexa que os resumos se tornam inevitavelmente reducionistas e empobrecedores. É melhor mesmo enfrentarmos a obra, uma das poucas que trazem reais subsídios à compreensão do nosso tempo… mesmo meio século depois! O certo é que, indo além do óbvio ululante de que o capitalismo já esgotou sua função histórica e está prenhe de revolução, O. Brown dissecou com ferramentas freudianas, exaustivamente, as características que o vampiro assume em sua sobrevida artificial, concluindo que ele cataliza as energias destrutivas dos homens, voltando-as contra eles.
Celso Lungaretti

Reflexões sobre a morte de um tirano

Pelos motivos que vou expor adiante, nunca me interessou particularmente o que acontecia na Coréia do Norte. A idade me ensinou a manter distância daquilo que só me deprimirá. A fome dos anos 90 matou entre 600 mil e 2 milhões de coreanos do norte. Em algumas cidades morreram dois em cada dez habitantes. Um médico conta que ensinou mães a ferver demoradamente a sopa de capim. A certa altura, as famílias preferiam que as crianças morressem de fome em casa, porque nos hospitais, onde não havia remédio, faltava também comida“.
Celso Lungaretti

Governos totalitários e corruptos têm mesmo de ser derrubados

Grandes jornalistas do passado, como Carlos Heitor Cony, são leitura obrigatória para quem procura alternativa à mesmice insossa e ao reacionarismo hidrófobo da imprensa atual. Seus lampejos são cada vez mais esporádicos mas, quando acontecem, produzem mais luz do que os escribas medíocres durante uma carreira inteira. Neste domingo, por exemplo, foi Cony quem melhor definiu a onda de derrubada dos tiranos das Arábias - absurdamente defendidos por uma esquerda que perdeu o rumo e o prumo. Marx deve estar se revirando na cova.
Celso Lungaretti

Crise da USP: “Folha de S. Paulo” continua semeando ditabrandas

O jornal da ditabranda, sempre travando o mau combate, mobilizou seus pesquisadores de opinião para dar argumento aos defensoreres da escalada autoritária na Universidade de São Paulo. Gostou tanto do resultado que o trombeteou na capa: “58% dos alunos da USP apoiam a PM no campus”. Nenhuma novidade. Também em 1968 os estudantes de Exatas e Biológicas, em sua maioria, queriam apenas o diploma, a profissão bem paga, a carreira e o status. Que a cidadania fosse para o diabo. Que o povo continuasse pisoteado pelas botas militares.
Celso Lungaretti

O reino da liberdade e as fazendas-modelo

Ao contrário de Muammar Gaddafi, o açougueiro de Damasco não é defendido nem mesmo pelo mais tacanho dos esquerdistas autoritários. O que, entretanto, não tem implicado um posicionamento firme e manifestações de repúdio a este tirano indiscutivelmente cruel e repulsivo. É chocante e lamentavel: a esquerda parece ter perdido a capacidade de indignar-se contra a bestialidade dos déspotas. Quando há justificada revolta contra eles, fica com um pé na frente e outro atrás, temendo que seja instigada pelo imperialismo, para colher qualquer vantagem econômica ou política.
Celso Lungaretti

Grécia em transe

Despacho da agência noticiosa espanhola Efe revela que a paciência do povo grego com a desumanidade capitalista está chegando ao fim. A conta do desequilíbrio estrutural do sistema vai sendo enfiada goela adentro dos cidadãos de cada nação, sem que jamais se chegue à solução definitiva, pois ela transcende o capitalismo: o mundo só se verá livre da alternância perversa de euforias econômicas e terríveis recessões quando o reparte das riquezas produzidas for regido pelo bem comum e pelo atendimento das necessidades humanas, não pelo lucro.
Celso Lungaretti

Catástrofe ambiental será a crise definitiva do capitalismo?

Então, as catástrofes ambientais que assolarão o planeta nas próximas décadas devem forçar os homens a unirem-se na luta pela sobrevivência. Será o momento em que, obrigados a tomar seu destino nas mãos, poderão dar um novo rumo à economia e à sociedade, que vão ser obrigados a reconstruir. O certo é que, lembrando a canção célebre de Neil Young, estamos saindo do azul e entrando nas trevas.
Celso Lungaretti

Reflexões sobre o capitalismo putrefato

A economia global tem hoje cinco vezes o tamanho de meio século atrás. Se continuar crescendo ao mesmo ritmo, terá 80 vezes esse tamanho no ano 2100. Esse extraordinário salto da atividade econômica global não tem precedentes na história. E é algo que não pode mais estar em desacordo com a base de recursos finitos e o frágil equilíbrio ecológico do qual dependemos para nossa sobrevivência. Na maior parte do tempo, evitamos a realidade absoluta desses números. O crescimento deve continuar, insistimos.
Celso Lungaretti

O amargor e a esperança

Jornal publica, com o apoio de um vídeo, que policiais deixaram bandidos agonizantes sem socorro, mandando-os estrebucharem de uma vez. Os leitores, em expressiva maioria, aplaudem os policiais e criticam o jornal (extremamente criticável por outros motivos, mas certo desta vez). Militar toma o poder num país árabe e impõe uma tirania pessoal, com tinturas anticolonialistas para dourarem a pílula. No entanto, o arbítrio, as torturas e assassinatos de opositores eram os mesmíssimos dos regimes de gorilas latino-americanos como Pinochet.
Celso Lungaretti

Fim de uma tirania

No jogo de xadrez, as peças menores são sacrificadas em nome da vitória final. É comum a partida acabar sem que reste um peão sequer no tabuleiro. Na vida, isto é inconcebível e inaceitável. Se não priorizarmos a existência humana como valor supremo, propiciaremos o advento da barbárie. Para os revolucionários, mais ainda. Existimos para defender os peões, não os reis ameaçados.
Celso Lungaretti

30 anos sem Glauber Rocha

Nesta 2ª feira (22) se completam os 30 anos da morte do baiano Glauber Rocha, o maior cineasta brasileiro de todos os tempos. Tudo nele era trepidante, tempestuoso. Depois de realizar um filme apenas promissor sobre misticismo e consciência social (Barravento, 1962), deu um salto incrível de qualidade em apenas um ano, obtendo consagração instantânea com Deus e o Diabo na Terra do Sol, parábola delirante sobre cangaceiros e fanáticos.
Celso Lungaretti

Ditador sírio é clone de Pinochet

O ditador sírio Bashar al Assad esmera-se em imitar, detalhe por detalhe, o carniceiro chileno Augusto Pinochet: seu regime genocida não só liquidou o Victor Jara do seu país, como está despejando presos políticos em estádios de futebol. Compositor e cantor de músicas que combinavam ritmos folclóricos com mensagens de protesto, Jara lembrava muito o nosso Geraldo Vandré, também assassinado por uma ditadura bestial, embora por outros meios: dele só exterminaram a alma, deixando o corpo a perambular como zumbi.
Celso Lungaretti

Jobim: sua remoção demorou uma eternidade

A situação por ele criada, com suas seguidas, inconsequentes e inaceitáveis incontinências verbais, teve o único desfecho possível: a demissão. Mas, o pior malefício que ele cometeu dificilmente será desfeito. Foi Jobim quem, numa reunião ministerial decisiva, confrontou Tarso Genro e Paulo Vannuchi, encabeçando a corrente contrária à revisão da Lei de Anistia. Para opróbrio do Brasil, tal posição acabou prevalecendo. Em plena ditadura militar, os altos escalões do arbítrio concederam um habeas corpus preventivo a
Celso Lungaretti

Punição dos torturadores: União levanta a bandeira branca

O Supremo Tribunal Federal decidiu em abril de 2010 que uma tirania pode anistiar a si própria. A Corte Interamericana de Direitos Humanos, no final do ano, reafirmou o entendimento civilizado da questão: não pode, caso contrário os déspotas e seus esbirros nunca mais serão punidos em lugar nenhum. Só os governos democráticos subsequentes têm legitimidade para julgar os crimes cometidos pelos agentes do Estado durante o período de exceção.
Celso Lungaretti

Como morreu Allende?

No próximo dia 23 serão exumados os restos mortais do ex-presidente chileno Salvador Allende, para que seja definitivamente esclarecido se ele cometeu suicídio ou foi assassinado pelos golpistas que o derrubaram do poder em 1973. A versão oficial é de que Allende teria se matado com o fuzil recebido de presente de Fidel Castro.
Celso Lungaretti

Bin Laden: o fim de um mito oco

Eterna e irremediavelmente infantilizados, os estadunidenses farão um auê intragável e vão produzir um sem-número de filmecos sobre a morte de Osama Bin Laden, o monstro por eles criado para combater os soviéticos no Afeganistão e que depois se voltou contra os criadores. O patético Barack Obama — que pretendeu personificar o novo, mas dia a dia comprova ser tão somente mais do mesmo — foi o responsável último por uma operação pirata em solo paquistanês que resultou no assassinato de Laden, seu filho, dois homens e uma mulher. Outras duas pessoas ficaram feridas.
Celso Lungaretti

Atrocidades da ditadura: depois da impunidade, o esquecimento!

É compreensível que partam do Exército as iniciativas para enquadrar a Comissão Nacional da Verdade: parafraseando a frase imortal de um ex-ministro da Justiça sobre um ex-torturador, foi a Arma que, durante os anos de chumbo, mais emporcalhou com o sangue de suas vítimas as fardas que deveria honrar. Assim é que, conforme revelou O Globo, o Comando do Exército elaborou no mês passado um documento de críticas à Comissão da Verdade, endossado a seguir pela Marinha e Aeronáutica. Eis alguns trechos:
Celso Lungaretti

Os 71 dias que abalaram o mundo: vive la Commune!

A primeira experiência de tomada de poder pelos trabalhadores na era capitalista, a heróica Comuna de Paris, ocorreu em 1871, de 18 de março a 28 de maio. Está, portanto, completando 140 anos. Para relembrar este episódio histórico de extrema relevância para quem luta por uma sociedade livre, justa e solidária, nada melhor do que os textos de Marx e Engels, lançados logo após a sangrenta repressão desencadeada contra os communards.
Celso Lungaretti

A maior ameaça ao mundo são os 5.113 petardos nucleares dos EUA

Os EUA fizeram do povo japonês uma cobaia dos efeitos de petardos atômicos, detonando-os para, principalmente, servirem como efeito-demonstração: queriam intimidar Stalin, para que não ousasse exigir mais do que o quinhão do mundo que estavam dispostos a lhe conceder, na partilha de áreas de influência entre os vencedores da II Guerra Mundial. Para forçar a rendição japonesa, hoje está mais do que provado, os holocaustos de Hiroshima e Nagasaki não eram minimamente necessários. Sem sequer armamentos e combustíveis para continuar lutando, o Japão já fazia sondagens secretas sobre uma fórmula de capitulação que não implicasse a deposição do seu imperador.
Celso Lungaretti

Paraguai em transe

A direita latinoamericana está saudosa dos Pinochet e Stroessner. Autorizado pelo Congresso paraguaio, o presidente Fernando Lugo declarou estado de exceção, durante 30 dias, em cinco dos 17 Departamentos do país: Concepción (na fronteira com o Brasil), San Pedro, Amambay, Presidente Hayes e Alto Paraguai. Com isto, o Exército poderá abrir sua caixa de ferramentas, recorrendo às práticas invariavelmente adotadas no combate aos guerrilheiros da América Latina.
Celso Lungaretti

Mártir da independência ou herói revolucionário?

Será que os brasileiros sentem mesmo necessidade de heróis, salvo como temas dos intermináveis e intragáveis sambas-enredo? É discutível. Os heróis são a personificação das virtudes de um povo que alcançou ou está buscando sua afirmação. Encarnam a vontade nacional. Já os brasileiros, parafraseando o que Marx disse sobre camponeses, constituem tanto um povo quanto as batatas reunidas num saco constituem um saco de batatas…