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Cassio Pantaleoni

Ensaio sobre a literatura em tempos digitais

Lembro de um artigo publicado no sítio "Data Center Knowledge", em 2009, que informava que os arquivos de armazenamento do Facebook cresciam na proporção de 25 Terabytes por dia. Só para termos uma ideia da dimensão desse número, um livro de 100 páginas ocupa 100 Kilobytes em formato Word; ou seja, cerca de 250.000 livros de 100 páginas eram armazenados diariamente no site de relacionamento em 2009. Em um ano, podia-se projetar quase 100 milhões de livros ocupando os dispositivos de armazenamento do Facebook. Hoje já se somam mais de 1 bilhão de usuários que postam seus comentários nas entranhas digitais dessa famosa rede social. Não há dúvidas: produzimos mais escrita na era digital. E por intuída consequência, lê-se mais.
Cassio Pantaleoni

Um Brasil de não-leitores

A renomada revista britânica “The Economist” recentemente publicou um artigo sob o título “Um país de não-leitores”, em aberta referencia ao quase inexistente hábito da leitura no Brasil. O artigo apresenta dados alarmantes. A revista destaca que 25% dos brasileiros com 15 anos ou mais são analfabetos funcionais. Se considerarmos os adultos alfabetizados, apenas 33% leem livros. A informação mais contundente, entretanto, refere a média de livros lidos no Brasil: apenas 1,8 livros. Vale pensar. Ocupamos o vigésimo sétimo lugar em hábito de leitura. Se olharmos para os nossos vizinhos da América Latina, encontraremos a Argentina em décimo oitavo. lugar. O que ocorre no Brasil quando se trata da leitura?
Cassio Pantaleoni

O fim da leitura?

Há um texto de Jorge Luis Borges, um de seus contos fantásticos, intitulado “Utopia de um homem que está cansado”, que julgo bastante apropriado para ilustrar algumas das engrenagens profundas que influenciam a nossa relação com a leitura. O conto relata o encontro inadvertido de um ancião com um homem que vive no além do futuro antevisto. Algumas das passagens do conto assombram pelo modo como profetizam o fim da leitura, naquele que é o sentido que pretendo abordar aqui. A passagem do conto de Borges que vale o resgate diz respeito à interpretação que aquele homem do futuro efetua acerca do destino da leitura, especialmente aquela que se nutre do espírito niilista do nosso tempo (sobre isso, devo preparar em breve um artigo que se ocupará da interpretação do niilismo brasileiro). A personagem borgiana “relembra” um passado no qual “Tudo se lia para o esquecimento, porque em outras horas o apagariam outras trivialidades”.