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	<title>Debates Culturais - Liberdade de Idéias e Opiniões &#187; Bruno Peron Loureiro</title>
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		<title>Civilizações Mac-Cola</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Feb 2012 03:03:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Peron Loureiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bruno Peron Loureiro]]></category>

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		<description><![CDATA[A crise que enfrentamos hoje não é financeira, mas civilizatória. É reducionista a afirmação de que a economia é culpada de tudo, como se ela fosse mais um atributo da natureza que regula as relações humanas. Das expressões de "comida-lixo" ao papel decepcionante das empresas por trás dos processos de transnacionalização, o déficit é das civilizações atuais. Não só os hábitos alimentares se degradam na indigestão das marcas, mas os supostos agentes da educação ou do "processo civilizador" não sabem o que fazer com tanto poder. Perdem-se na banalidade de programas fúteis e antieducativos, quando é rádio ou televisão, ou na tentativa de controlar o conhecimento, como os fiscais de direitos autorais da internet.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Civilizações-Mac-Cola1.jpg"><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Civilizações-Mac-Cola1.jpg" alt="" title="Civilizações-Mac-Cola" width="228" height="194" class="aligncenter size-full wp-image-16334" /></a>A crise que enfrentamos hoje não é financeira, mas civilizatória. É reducionista a afirmação de que a economia é culpada de tudo, como se ela fosse mais um atributo da natureza que regula as relações humanas. Das expressões de &#8220;comida-lixo&#8221; ao papel decepcionante das empresas por trás dos processos de transnacionalização, o déficit é das civilizações atuais.</p>
<p>Não só os hábitos alimentares se degradam na indigestão das marcas, mas os supostos agentes da educação ou do &#8220;processo civilizador&#8221; não sabem o que fazer com tanto poder. Perdem-se na banalidade de programas fúteis e antieducativos, quando é rádio ou televisão, ou na tentativa de controlar o conhecimento, como os fiscais de direitos autorais da internet.</p>
<p>Pouco importa se a referência é a um país menos ou mais civilizado, cuja categoria é tão relativa quanto o gosto e o sabor, ou se já foi colônia ou metrópole, ou se é pobre ou rico, ou se é passivo ou ativo diante do que os banqueiros fazem com o suor dos contribuintes através de suas taxas bancárias. Dizem que a culpa é sempre dos flagelados, endividados, migrantes.</p>
<p>A humanidade alcançou uma crise civilizatória sem precedentes.</p>
<p>Quando se apostava que Estados Unidos ou Europa resgataria os demais países e regiões da &#8220;barbárie&#8221; ou do &#8220;exotismo&#8221; ou do &#8220;atraso&#8221;, eles mesmos se confirmam como artífices da desgraça, corsários de suas ex-colônias, espoliadores das finanças mundiais, semeadores de multiculturalismos segregacionistas, para os quais a mestiçagem é mito do &#8220;terceiro-mundo&#8221;.</p>
<p>Nossas pretensas referências estão parados e olhando para trás.</p>
<p>O Estado perdeu influência em relação aos demais atores sociais no circuito global, mas não renunciou sua importância. Até mesmo Obama, chefe de Estado da mais mercadológica das nações atuais, reitera que a salvação virá das políticas públicas, que regularão os excessos neoliberais. Há que considerar que as políticas de empresas transnacionais possuem, amiúde, impacto maior que as que se elaboram no âmbito de governos. A questão que irrompe é: o que fazem com este poder?</p>
<p>Políticas de países economicamente avançados frequentemente são mais imperativas que as de organismos internacionais em regiões &#8220;periféricas&#8221;. Em contrapartida à Organização dos Estados Americanos, a criação da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos abala esta relação de poder.</p>
<p>Noutros termos, governos nacionais e organizações internacionais perpetuam o debate sobre o desenvolvimento em função de cifras econômicas e favores políticos, em vez de levar em consideração que a noção de desenvolvimento tornou-se tão abrangente a ponto de que os aspectos culturais e societais são irrenunciáveis. A esfera da criatividade é, portanto, uma das arestas do desenvolvimento. O reconhecimento é que veio depois.</p>
<p>O problema maior de boa parte das civilizações atuais é o que se transmite em termos educativos de uma geração para outra. Os núcleos de ensino (casa, escola, vizinhança, etc) são cada vez mais pressionados por lógicas exógenas que fazem crer que os jovens têm todo o mundo ao seu alcance através dos meios de comunicação e outras &#8220;janelas&#8221; que se abrem para uns e se fecham para outros.</p>
<p>Os aparatos de &#8220;convergência digital&#8221; tornam-se tão importantes para eles a ponto de substituir as afetividades que costumam dar sentido e vincular as civilizações. Estas se resumem, deste modo, no princípio &#8220;Mac-Cola&#8221;, cuja trama se estabelece no plano superficial do consumismo em detrimento da estrutura vinculante inerente ao &#8220;processo civilizatório&#8221;.</p>
<p>É hora de rever projetos de civilização engavetados ou &#8220;entumbados&#8221; ou &#8220;arqueologizados&#8221;. A América Latina possui um número de próceres pouco recordados, concepções minoritárias e autóctones (o que inclui cosmovisões ameríndias), e as contribuições do sincretismo e da mestiçagem, para seguir o presságio de &#8220;raça cósmica&#8221; do mexicano José Vasconcelos.</p>
<p>A tarefa poderá ser um resgate daquilo que não se desenvolveu ou uma abertura para um projeto novo e exclusivo. Nalgum destes horizontes, ideais outros que o consumismo e o culto ao exógeno deverão nortear a humanidade em suas expressões civilizatórias.</p>
<p><strong><a href="http://www.brunoperon.com.br">http://www.brunoperon.com.br</a></strong></p>
<p><em>*<strong>Bruno Peron Loureiro</strong> é mestre em Estudos Latino-americanos pela FFyL/UNAM (Universidad Nacional Autónoma de México).</em></p>
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		<title>Cultura do dinheiro</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/cultura-do-dinheiro/</link>
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		<pubDate>Mon, 06 Feb 2012 03:03:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Peron Loureiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bruno Peron Loureiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Bendita a época em que o dinheiro deixará de ser um artifício de deturpações, ganâncias e vaidades, resgatará a finalidade de sua criação, e voltará a ser unicamente facilitador de trocas de valores, cujo procedimento era feito pelo escambo. Deixaremos, ainda, de testemunhar a malversação do dinheiro, o desperdício em bens materiais supérfluos, o consumismo exacerbado, e o bloqueio que muitos sentem por não poder comprar o básico de que precisam para subsistir dignamente. Punge que muitos vivam abaixo da "linha de pobreza". A concentração de dinheiro continua apontando vítimas e formando delinquentes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Cultura-do-dinheiro.jpg"><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Cultura-do-dinheiro.jpg" alt="" title="Cultura do dinheiro" width="220" height="197" class="aligncenter size-full wp-image-16148" /></a>Bendita a época em que o dinheiro deixará de ser um artifício de deturpações, ganâncias e vaidades, resgatará a finalidade de sua criação, e voltará a ser unicamente facilitador de trocas de valores, cujo procedimento era feito pelo escambo (troca de bens ou serviços).</p>
<p>Haverá um tempo em que migrantes não sairão em busca de trabalho, uma vez que seus lugares de origem saciarão a demanda, o dinheiro não será o objetivo precípuo do labor, porquanto estaremos mais dispostos a oferecer à sociedade aquilo que mais saibamos fazer sem o risco de não ter com que pagar as contas de cada mês.</p>
<p>Deixaremos, ainda, de testemunhar a malversação do dinheiro, o desperdício em bens materiais supérfluos, o consumismo exacerbado, e o bloqueio que muitos sentem por não poder comprar o básico de que precisam para subsistir dignamente. Punge que muitos vivam abaixo da &#8220;linha de pobreza&#8221;.</p>
<p>A concentração de dinheiro continua apontando vítimas e formando delinquentes. A Polícia Civil apreendeu notas de Reais e Euros que somam mais de R$ 3 milhões numa mansão em área nobre do Rio de Janeiro, em dezembro de 2011. A ação faz parte da Operação Dedo de Deus, que prevê prisão de criminosos, inclusive políticos, também de alguns estados nordestinos.</p>
<p>O dinheiro corrompe o homem ou este faz mal uso daquele?</p>
<p>Há situações inapeláveis em que o cidadão tem que trabalhar quase forçosamente a troco das notas que lhe trarão sustento, mas há que cuidar-se para que a obsessão pelo dinheiro não escravize o trabalhador a ponto de que se tenha três ou mais empregos, viva-se para a acumulação, e negligenciem-se outros aspectos da vida, tão caros para a qualidade.</p>
<p>Pelo dinheiro, migrantes sujeitam-se a trabalhos árduos a fim de que paguem, ao menos, as despesas de sobrevivência. Quando é possível, remetem parte de seus proveitos às famílias que deixaram alhures.</p>
<p>A partilha da riqueza brasileira constitui um dos grandes desafios em políticas públicas nos anos vindouros. Guido Mantega, ministro da Fazenda, anunciou que o Brasil termina 2011 como a sexta maior economia mundial com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 2,4 trilhões e que só não supera o de Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França.</p>
<p>O discurso dos economistas e líderes deste setor louva a inserção do Brasil em grupos de comércio e foros internacionais importantes, mas não nos exime o esforço de mudar a cultura do dinheiro, que tanta aflição causa nas mentes indefesas e despreparadas. Uma tarefa global.</p>
<p>Os jovens, assim, não podem crescer associando o acúmulo de dinheiro com o sucesso profissional, como se o primeiro fosse condição necessária do segundo. É preciso oferecer à juventude opções menos materialistas que lhe permitam &#8220;vencer na vida&#8221; sob risco de que, do contrário, dê-se um jeito de enriquecer se não for pelas vias formais e legais. A família desenha o ponto de partida do trajeto educativo.</p>
<p>A crise que assola o mundo &#8220;desenvolvido&#8221; evidencia que o dinheiro não deve ser levado ao paroxismo, sobretudo o que se deduz de operações financeiras veladas, discretas e que enchem o bolso de banqueiros. A Fitch Ratings, agência do &#8220;Norte&#8221; que avalia o risco de investimentos, previu em dezembro de 2011 que o crescimento da zona do Euro seria de apenas 0,4% em 2012, o que indica uma contração expressiva em relação ao 1,6% do ano derradeiro.</p>
<p>A cultura do dinheiro tem-se arrastado ao longo dos séculos com o ideal de acumulação, expansão e reprodução capitalistas através do mercantilismo dos metais preciosos, a revolução industrial, os movimentos financeiros globais.</p>
<p>O componente material (a cédula e a moeda) são indissociáveis do imaterial (como obter dinheiro? o que fazer com ele? é suficiente o que ganho? de quanto preciso? quanto há que trabalhar? quanto é necessário para ter uma vida digna? etc).</p>
<p>A sociedade, por fim, precisa reformular seus valores a fim de que as pessoas se orientem mais pela confraternização, a saúde física e mental, a contemplação das belezas naturais, o cultivo da educação, e o prazer pelo conhecimento e a troca de experiências.</p>
<p>O dinheiro voltará, assim, a ser mero objeto de trocas em vez de malfeitor do imaginário.</p>
<p><strong><a href="http://www.brunoperon.com.br">http://www.brunoperon.com.br</a></strong></p>
<p><em>*<strong>Bruno Peron Loureiro</strong> é mestre em Estudos Latino-americanos pela FFyL/UNAM (Universidad Nacional Autónoma de México).</em></p>
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		<title>Programa Ibermedia e indústria cinematográfica</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/programa-ibermedia-e-industria-cinematografica/</link>
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		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 03:02:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Peron Loureiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bruno Peron Loureiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Que desafio a avalanche do cinema estadunidense estabelece para a minguante produção fílmica latino-americana: resistir à influência massacradora do “mainstream” dos estúdios de Hollywood, que constrolam ao menos as instâncias de produção e circulação de películas até que cheguem às grandes salas de exibição, ou elaborar estratégias que melhorem a competitividade da cinematografia de nossa região visando à inserção no circuito internacional? É neste contexto de disputas industriais no setor cultural que surgiu o Programa Ibermedia, que incentiva a coprodução de filmes entre países ibéricos (Espanha e Portugal) e latino-americanos (Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Chile, Equador, Guatemala, México, Panamá, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai e Venezuela) para cinema e televisão mediante empréstimos para a realização de projetos e a criação de um “espaço audiovisual ibero-americano”.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Programa-Ibermedia.jpg"><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Programa-Ibermedia.jpg" alt="" title="Programa Ibermedia" width="166" height="157" class="aligncenter size-full wp-image-15971" /></a>Que desafio a avalanche do cinema estadunidense estabelece para a minguante produção fílmica latino-americana: resistir à influência massacradora do “mainstream” dos estúdios de Hollywood, que constrolam ao menos as instâncias de produção e circulação de películas até que cheguem às grandes salas de exibição, ou elaborar estratégias que melhorem a competitividade da cinematografia de nossa região visando à inserção no circuito internacional?</p>
<p>É neste contexto de disputas industriais no setor cultural que surgiu o <strong>Programa Ibermedia</strong>, que incentiva a coprodução de filmes entre países ibéricos (Espanha e Portugal) e latino-americanos (Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Chile, Equador, Guatemala, México, Panamá, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai e Venezuela) para cinema e televisão mediante empréstimos para a realização de projetos e a criação de um “espaço audiovisual ibero-americano”.</p>
<p>Deste modo, as pretensões do programa multilateral transcendem o nível da “cooperação”, que costuma caracterizar a maioria dos acordos internacionais, ao sugerir a “coprodução”. Supõe-se que o empenho das partes é maior quando desenvolvam projetos em cumplicidade do que a mera troca de experiências e outras tantas palavras.</p>
<p>O <strong>Programa Ibermedia</strong> resulta de decisões da <strong>Cúpula Ibero-americana de Chefes de Estado e de Governo</strong>, realizada em Margarita, Venezuela, em novembro de 1997, embora a proposta tenha sido apresentada na Cúpula de 1995 em Bariloche, Argentina. O programa vincula-se à categoria de “política audiovisual” da <strong>Conferência de Autoridades Cinematográficas Ibero-americanas</strong> (CACI). O “Comitê Intergovernamental” do programa, que reúne especialistas da área de cinema, sustenta quatro linhas de atuação: 1) Apoio à coprodução de filmes ibero-americanos; 2) Apoio à distribuição e acesso a mercados; 3) Desenvolvimento de projetos de cinema e televisão ibero-americanos; e 4) Apoio a programas de formação de profissionais da indústria audiovisual ibero-americana (fonte: <a href="http://www.ancine.gov.br/fomento/ibermedia">http://www.ancine.gov.br/fomento/ibermedia</a>).</p>
<p>Publicam-se dois editais anuais para o financiamento de projetos via <strong>Programa Ibermedia</strong>, cujo incentivo financeiro provém majoritariamente das contribuições dos Estados-membros e de parceria com as agências, conselhos e instituições que administram o audiovisual em cada país integrante. O Brasil, por exemplo, dispõe da Agência Nacional do Cinema (ANCINE) e Secretaria de Audiovisual / Ministério da Cultura (MinC).</p>
<p>Além da transferência de ênfase de “cooperação” a “coprodução”, o <strong>Programa Ibermedia</strong> também possui políticas para as etapas de distribuição e recepção de filmes, como consta numa das quatro linhas de atuação. A preocupação com a completude do processo (produção, distribuição e recepção) se deve à insuficiência de apenas investir na criação e realização de cinematografia latino-americana se não houver estratégias para fazê-la circular e ser vista.</p>
<p>Vale mencionar que o cinema mais exitoso de nossa época, o dos Estados Unidos, é controlado por leis de mercado, enquanto as políticas de Estado e incentivos fiscais impulsionam o da América Latina para que sobreviva. Ainda que tenham sido as mais promissoras, as indústrias cinematográficas de Argentina, Brasil e México teimam em resistir à hegemonia da estadunidense como se a produção latino-americana estivesse numa posição de subalternidade em vez de rever as estratégias de inserção que permitiriam seu êxito.</p>
<p>O <strong>Programa Ibermedia</strong> e as instituições envolvidas revigoram as políticas culturais que darão chance a que a América Latina desenvolva sua indústria cinematográfica na plenitude das etapas e supere o momento árduo de luta pela sobrevivência.</p>
<p><strong><a href="http://www.brunoperon.com.br">http://www.brunoperon.com.br</a></strong></p>
<p><em>*<strong>Bruno Peron Loureiro</strong> é mestre em Estudos Latino-americanos pela FFyL/UNAM (Universidad Nacional Autónoma de México).<br />
</em></p>
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		<title>Mais cultura, mais expressão</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 03:02:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Peron Loureiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bruno Peron Loureiro]]></category>

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		<description><![CDATA[O governo federal do Brasil partiu de indicadores de desigualdades e exclusão (de como os brasileiros leem pouco ou raramente vão a museus, por exemplo) para elaborar a política do "Mais Cultura". O programa teve início em 04 de outubro de 2007 e reconhece a cultura como necessidade básica pelos mesmos princípios como nos alimentamos e nos vestimos. A cultura, através do programa mencionado, insere-se no rol de políticas sociais com a finalidade de reduzir as desigualdades e a pobreza. Gestores da cultura apropriam-se desta estratégia em políticas públicas na medida em que se ancora em âmbitos que recebem orçamentos maiores do governo, como educação e saúde. O orçamento do "Mais Cultura" foi de R$ 2,2 bilhões entre 2007 e 2010.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Mais-cultura-mais-expressão.jpg"><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Mais-cultura-mais-expressão.jpg" alt="" title="Mais cultura, mais expressão" width="233" height="217" class="aligncenter size-full wp-image-15862" /></a>O governo federal do Brasil partiu de indicadores de desigualdades e exclusão (de como os brasileiros leem pouco ou raramente vão a museus, por exemplo) para elaborar a política do <strong>Mais Cultura</strong>. O programa teve início em 04 de outubro de 2007 e reconhece a cultura como necessidade básica pelos mesmos princípios como nos alimentamos e nos vestimos.</p>
<p>A cultura, através do programa mencionado, insere-se no rol de políticas sociais com a finalidade de reduzir as desigualdades e a pobreza. Gestores da cultura apropriam-se desta estratégia em políticas públicas na medida em que se ancora em âmbitos que recebem orçamentos maiores do governo, como educação e saúde. O orçamento do <strong>Mais Cultura</strong> foi de R$ 2,2 bilhões entre 2007 e 2010.</p>
<p>Notemos a diferença que existe entre uma demanda que se propõe a promover uma expressão cultural pouco conhecida da periferia, que poderia ser uma oficina de armação de pipas e técnicas de empiná-las, para atender aos caprichos de um grupo ou, diferentemente, se o pedido de financiamento governamental vier da mesma prática, mas com o argumento de que reduzirá o número de pedintes nos semáforos ou na entrada dos restaurantes. Qual das duas terá maior capacidade persuasiva?</p>
<p>Este argumento reflete a abrangência e o atrativo de uma política cultural que depende dos usos que se podem atribuir a ela e que transcendam a mera expressão simbólica que residiria, por assim dizer, na beleza de ver uma pipa volitar no céu azul ou no sorriso de uma criança que ganhou os materiais (bambu, papel, linha, cola) para fazê-la.</p>
<p>O programa <strong>Mais Cultura</strong> prevê a articulação de três dimensões: Cultura e cidadania; Cultura e cidades; Cultura e renda. O desenvolvimento econômico, destarte, não será o único aspecto contemplado. Ainda, busca-se a participação da sociedade civil para que manifeste suas carências e demandas em relação a aparatos e meios que viabilizem a expressão de suas culturas.</p>
<p>O <strong>Mais Cultura</strong> prevê acordos com instâncias municipais e estaduais de governo, organizações internacionais e de sociedade civil. A parceria com bancos (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco Nacional do Nordeste, Banco da Amazônia, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Banco Interamericano de Desenvolvimento) se faz devido ao caráter público das instituições.</p>
<p>O conceito de &#8220;cidadania&#8221; vincula-se aos processos que ocorrem nas cidades e os direitos cívicos que nos garantem necessidades básicas, entre elas o de acesso a culturas e sua preservação ao longo das gerações. A noção de desenvolvimento que emana de instituições progressistas é a que foge da univalência do crescimento econômico e adota posições a favor da realização das potencialidades humanas. Desenvolvimento não seria sinônimo, deste modo, de aumento do Produto Interno Bruto, mudança da taxa de juros, alteração do padrão de empréstimos, ou concessão de créditos.</p>
<p>Não se alcançou, até o momento, o estágio desejado e muito menos o ideal normativo, uma vez que as notícias sobre o Ministério da Fazenda continuam encabeçando o que se define como importante dentro da categoria &#8220;Brasil&#8221; ou &#8220;Nacional&#8221; nos meios de comunicação, enquanto a crise financeira recheia os tópicos de &#8220;Internacional&#8221; ou &#8220;Mundo&#8221;, como se tudo estivesse em escombros.</p>
<p>Algumas ações do <strong>Mais Cultura</strong> envolvem a criação e promoção de bibliotecas e espaços de leitura, cinema, museu indígena, brincadeira e jogos, e microprojetos na Amazônia. Ressalta-se a tendência descentralizadora da produção cultural subjacente neste Programa, que recorda o muito que se produz em todo o Brasil a despeito da representatividade baixa nos meios de comunicação. Seria pouco ainda se tivéssemos um canal de televisão para expressar as particularidades de cada bairro.</p>
<p>É triste lembrar que vultos de dinheiro público transferem-se a projetos culturais com a intervenção de lóbis infatigáveis através de leis de renúncia fiscal, como as que transformam a corporação transnacional Globo no mecenas do cinema brasileiro, aquele que logra a exibição, depois de tanto suor, nas grandes salas de cinema ao lado dos filmes hollywoodianos. A crítica não desmerece que ela tenha produção de qualidade excelente, não obstante.</p>
<p>O <strong>Mais Cultura</strong> joga com uma estratégia descentralizadora da produção cultural, traz à cena grupos marginalizados e balança o eixo de poder que determina o que é considerado cultura e o que não é, o que pode-se expressar e o que não pode.</p>
<p>Ainda é cedo para afirmar se houve mudanças estruturais no desenho e na eficácia das políticas culturais no Brasil, mas vale reconhecer que as políticas de Estado (e outros agentes envolvidos) redefinem a importância da cultura e elevam-na em sua pauta de ações.</p>
<p><strong><a href="http://www.brunoperon.com.br">http://www.brunoperon.com.br</a></strong></p>
<p><em>*<strong>Bruno Peron Loureiro</strong> é mestre em Estudos Latino-americanos pela FFyL/UNAM (Universidad Nacional Autónoma de México).</em></p>
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		<title>SIDACULT e o cultivo humano</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/sidacult-e-o-cultivo-humano/</link>
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		<pubDate>Fri, 13 Jan 2012 03:03:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Peron Loureiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bruno Peron Loureiro]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.debatesculturais.com.br/?p=15715</guid>
		<description><![CDATA[Da prevenção ao tratamento, o HIV/SIDA é um tema que nos estimula à prudência, de um lado, e à solidariedade, de outro. Não há como obviar a questão como se ela fosse irrelevante. Tampouco se propõe uma solução sem considerar o papel fértil da cultura. A Rede Regional SIDACULT define-se como um "grupo associativo e não lucrativo" que se dedica a "oferecer uma resposta multidisciplinar" ao desafio que a epidemia de VIH/SIDA lançou aos cientistas, os portadores do vírus e os profissionais envolvidos. O que mais chama atenção neste projeto é o enfoque cultural sobre um tema que se limitava à esfera sanitária.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/SIDACULT-e-o-cultivo-humano.jpg"><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/SIDACULT-e-o-cultivo-humano.jpg" alt="" title="SIDACULT e o cultivo humano" width="300" height="213" class="aligncenter size-full wp-image-15716" /></a>A epidemia de VIH (Vírus de Imunodeficiência Humana) estourou no início dos anos 1980 e, segundo dados da UNAIDS (programa das Nações Unidas sobre a &#8220;imunodeficiência adquirida&#8221;, do inglês), 34 milhões de pessoas encerraram 2010 com o vírus no sangue.</p>
<p>Neste cenário ainda pouco promissor sobre o fim de disseminação da doença no mundo, surgiu o projeto Rede Regional SIDACULT, uma iniciativa do setor cultural do escritório da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura) em La Habana, Cuba. O projeto organiza pesquisas culturais e sociais sobre a epidemia de VIH/SIDA nos planos nacional e de outros países caribenhos.</p>
<p>A SIDA (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) inquieta os cientistas desde os primeiros diagnósticos em torno de trinta anos atrás devido ao desafio da descoberta da cura e os avanços medicinais que resultariam desta façanha.</p>
<p>Milhões de portadores do vírus ainda não sabem que o são e que qualquer enfermidade leve pode matá-los sem o recurso ao coquetel anti-retroviral, embora o acesso aos medicamentos tenha avançado para a universalização.</p>
<p>Os vírus exercem fascínio na microbiologia devido à falta de consenso sobre se são ou não formas de vida, visto que se constituem basicamente de uma cápsula proteica e material genético (ADN ou ARN), ou seja, são menos complexos que uma célula.</p>
<p>A despeito da controvérsia sobre seu estado biológico, o VIH tem provocado inúmeras dificuldades em profilaxia e tratamento da doença e o tema SIDA volta periodicamente a compor as pautas de debate entre gestores de saúde, educação, planejamento, sociedade e, ultimamente, cultura.</p>
<p>O projeto Rede Cultural SIDACULT dispõe de propostas artísticas e de promoção cultural para prevenção e tratamento de VIH/SIDA através de um espaço de diálogo e intercâmbio de experiências e informações. Sua proposta implica uma via solidária para desenvolver medidas preventivas e inclusivas a partir dos efeitos do vírus.</p>
<p>Profissionais de áreas distintas unem-se para lutar contra a epidemia desde contextos particulares de suas comunidades, regiões e países de origem. O projeto com escritório em Cuba possui cinco áreas temáticas: Arte, Comunicação, Educação, Ciências Sociais, Ciências Naturais. Há orientações a jornalistas interessados na proposta sobre como lidar com o tema na imprensa e redatar reportagens educativas e colaborativas.</p>
<p>A Rede Regional SIDACULT define-se como um &#8220;grupo associativo e não lucrativo&#8221; que se dedica a &#8220;oferecer uma resposta multidisciplinar&#8221; ao desafio que a epidemia de VIH/SIDA lançou aos cientistas, os portadores do vírus e os profissionais envolvidos. O que mais chama atenção neste projeto é o enfoque cultural sobre um tema que se limitava à esfera sanitária.</p>
<p>A instalação do SIDACULT em Cuba, portanto, tomou em consideração os estudos da UNAIDS, que indicaram o Caribe como um dos principais focos epidêmicos de VIH no mundo, a tendência profilática da medicina cubana, que investe em medidas educativas, e a disposição solidária e aberta ao diálogo que é inerente aos profissionais caribenhos. A mesma agência das Nações Unidas divulgou que o Caribe é a segunda região mais afetada (240 mil portadores do vírus) depois da África Subsaariana. Outra informação é de que havia, em 2010, quase dois milhões de soropositivos na América Latina e no Caribe e o Haiti possui a maior proporção de infectados com 2,2% da população.</p>
<p>A autonomia relativa que a &#8220;cultura&#8221; conquistou no meio acadêmico-profissional não anula o elo estratégico que os gestores culturais estabelecem com outros campos do conhecimento e de atuação profissional, como a saúde. A multidisciplinaridade oferece soluções mais fecundas para alguns problemas da humanidade do que as propostas que se discutem com ferramentas de uma única disciplina. Não se trata de prescindir completamente de uma ou de outra senão combinar o que cada uma tem para oferecer.</p>
<p>Milhões de portadores de VIH revigoram-se com a fruição da arte e a criatividade, quando não são agentes criadores das mesmas. Noutras palavras, estas pessoas recebem alento para frear a ação do vírus através do &#8220;cultivo&#8221; humano quando se imaginava que o diagnóstico meramente sanitário lhes tiraria todas as esperanças e lhes fadaria a um destino lúgubre.</p>
<p>Da prevenção ao tratamento, o HIV/SIDA é um tema que nos estimula à prudência, de um lado, e à solidariedade, de outro. Não há como obviar a questão como se ela fosse irrelevante. Tampouco se propõe uma solução sem considerar o papel fértil da cultura.</p>
<p><strong><a href="http://www.brunoperon.com.br">http://www.brunoperon.com.br</a></strong></p>
<p><em>*<strong>Bruno Peron Loureiro</strong> é mestre em Estudos Latino-americanos pela FFyL/UNAM (Universidad Nacional Autónoma de México).</em></p>
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		<title>TEIB e hábitos culturais</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Jan 2012 03:02:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Peron Loureiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bruno Peron Loureiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Os governos latino-americanos finalmente reconhecem que faltam políticas para aparelhar eficaz e suficientemente os Estados em comparação com a estrutura galopante de instituições privadas (e que tendem a concentrar capital e investimentos) para acompanhar as mudanças atuais de produção, circulação e consumo culturais. A preocupação que surge, porém, é de que países externos à América Latina administrem as indústrias comunicacionais, parte das quais eles mesmos criaram, e deixem-nos, portanto, com poucas iniciativas próprias. Este processo tem ocorrido através do "ibero-americanismo" e da fundação de organismos multilaterais com sede na Espanha.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/TEIB-e-hábitos-culturais.jpg"><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/TEIB-e-hábitos-culturais.jpg" alt="" title="TEIB e hábitos culturais" width="251" height="201" class="aligncenter size-full wp-image-15589" /></a>Os governos latino-americanos finalmente reconhecem que faltam políticas para aparelhar eficaz e suficientemente os Estados em comparação com a estrutura galopante de instituições privadas (e que tendem a concentrar capital e investimentos) para acompanhar as mudanças atuais de produção, circulação e consumo culturais.</p>
<p>A preocupação que surge, porém, é de que países externos à América Latina administrem as indústrias comunicacionais, parte das quais eles mesmos criaram, e deixem-nos, portanto, com poucas iniciativas próprias. Este processo tem ocorrido através do &#8220;ibero-americanismo&#8221; e da fundação de organismos multilaterais com sede na Espanha.</p>
<p>Os intercâmbios culturais têm sido mais intensos devido aos novos suportes digitais e ocorrem entre os níveis local, nacional e global. Desde este diagnóstico, organismos sediados fora da América Latina, mas com atuação forte em nossa região, possuem entendimento preciso destes processos e, portanto, elaboram políticas e projetos aos novos hábitos culturais que, por vezes, ultrapassam o cenário sobre o qual os governos projetam suas ações.</p>
<p>Dentro deste contexto, criou-se, há quase vinte anos, a <strong>Televisão Educativa e Cultural Ibero-Americana</strong> (TEIb) como um Programa de cooperação das Cúpulas Ibero-Americanas de Chefes de Estado e de Governo. A TEIb surgiu da II Cúpula Ibero-Americana em Madri, Espanha, entre 23 e 24 de julho de 1992, onde se reuniram presidentes de vários países deste âmbito de cooperação. O embrião deste Programa provém do projeto <strong>&#8220;Comunicação para a Cooperação&#8221;</strong> e apresentou-se à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no ano anterior a fim de ofertar um serviço público de televisão.</p>
<p>O Programa continua ativo e aberto às transformações de época quase duas décadas depois de sua fundação. Enfoca os cidadãos de países ibero-americanos &#8211; destarte se distancia do afã de rendimentos que norteia os atores geralmente envolvidos em empreendimentos deste gênero &#8211; e almeja a promoção de identidades próprias nos âmbitos da ciência, cultura e educação através da coprodução, difusão e intercâmbio de conteúdos audiovisuais. Este Programa é ciente, por conseguinte, do papel dos meios de comunicação &#8211; principalmente a televisão &#8211; no desenho da cidadania.</p>
<p>Qualquer organismo que associe a &#8220;cidadania&#8221; ao seu conteúdo programático tende a ponderar, minimamente que seja, sobre os desafios de educar as pessoas para usufruir responsavelmente dos benefícios da televisão, a internet e os aparelhos de convergência digital (celulares, computadores portáteis, iPods, tablets) sem o risco de que sejamos digeridos pela tecnologia.</p>
<p>A TEIb dispõe de infraestrutura avançada e parcerias internacionais para transmissão de seu conteúdo, que também interessa a agentes privados. Sua programação alcança quatro continentes (América, Europa, Ásia e África) em vários suportes (televisão analógica, televisão por satélite, televisão por assinatura, internet, rádio). Paraguai aderiu-se recentemente ao Programa.</p>
<p>Organismos com sede na Espanha têm feito pelos países latino-americanos o que é papel de nossos Estados e instituições civis, apesar de que agentes privados também estão aptos a patrocinar o interesse &#8220;público&#8221;, como o que diz respeito ao coletivo, o compartilhamento e o encontro tolerante entre as pessoas por mais distintas que elas sejam.</p>
<p>Ainda, a TEIb foi um dos patrocinadores da criação do <strong>&#8220;Canal Ler&#8221;</strong> de televisão na internet, que visa a fomentar a leitura nos países ibero-americanos através dos novos formatos digitais. Esta iniciativa demonstra que o Programa está bem sintonizado com as mudanças dos meios digitais. Surgem os adeptos do livro eletrônico e a dispensa do papel.</p>
<p>Como melhorar o nível de cidadania das pessoas através dos novos hábitos culturais digitalizados, mediatizados e tecnologizados? Quem poderá assumir a dianteira nesta tarefa premente sem se dominar por intenções privadas? A resposta indicará um caminho para a transformação educativa que faremos e pela qual passaremos nos próximos anos.</p>
<p><strong><a href="http://www.brunoperon.com.br">http://www.brunoperon.com.br</a></strong></p>
<p><em>*<strong>Bruno Peron Loureiro</strong> é mestre em Estudos Latino-americanos pela FFyL/UNAM (Universidad Nacional Autónoma de México).<br />
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		<title>Revista ArteSur</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/revista-artesur/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Dec 2011 03:02:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Peron Loureiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bruno Peron Loureiro]]></category>

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		<description><![CDATA[A América Latina manifesta crescentemente a qualidade de sua produção artística e criativa e reconhece as potencialidades que ainda tem para desenvolver. Ainda, seus produtores e promotores esforçam-se para dinamizar este registro e inserir suas obras em circuitos com os que há pouco tempo nem se sonhava. Os meios de interligar produção, circulação e consumo da cultura têm sido ainda escassos, o que se deve em parte à falta de experiência e financiamento, mas a região tem obtido êxito relativo nesta tarefa e diversificado a estratégia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Revista-ArteSur.jpg"><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Revista-ArteSur.jpg" alt="" title="Revista ArteSur" width="230" height="219" class="aligncenter size-full wp-image-15439" /></a>A América Latina manifesta crescentemente a qualidade de sua produção artística e criativa e reconhece as potencialidades que ainda tem para desenvolver. Ainda, seus produtores e promotores esforçam-se para dinamizar este registro e inserir suas obras em circuitos com os que há pouco tempo nem se sonhava.</p>
<p>Os meios de interligar produção, circulação e consumo da cultura têm sido ainda escassos, o que se deve em parte à falta de experiência e financiamento, mas a região tem obtido êxito relativo nesta tarefa e diversificado a estratégia.</p>
<p>A segunda edição da revista <strong>ArteSur</strong> sobre artes visuais apresentou-se no final de novembro de 2011 na ALBA Cultural, em La Habana, Cuba. Este número da revista contém documentos, desenhos e imagens de museus importantes dos países membros da ALBA (Alternativa Bolivariana para os Povos de Nossa América), a saber Bolívia, Cuba, Equador, Nicarágua, Venezuela e alguns países caribenhos.</p>
<p>As publicações desta revista são bilíngues (em espanhol e inglês) e provavelmente serão anuais. O patrocínio vem do Fondo Cultural de la Alternativa Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América.</p>
<p>Ismael González, coordenador do programa ALBA Cultural, salientou a função da revista de despertar a atenção sobre as artes visuais desde o pensamento radical no contexto latino-americano e caribenho. É um esforço comum entre gestores culturais da nossa região reduzir a hegemonia dos países do Norte na definição dos rumos mundiais de arte e criatividade. Até então o conteúdo destes termos havia sido associado quase integralmente ao que se produzia nos países &#8220;desenvolvidos&#8221;.</p>
<p>A revista expressa seu ideal integrador dos povos do &#8220;Sul&#8221;, promove redes de intelectuais, e considera alguns documentos e ideais de personagens de renome no latino-americanismo. Gera, ainda, espaços de &#8220;diálogo&#8221; e &#8220;confrontação&#8221; entre artistas visuais latino-americanos e os de outras regiões desde uma perspectiva &#8220;descolonizadora&#8221; e &#8220;anti-hegemônica&#8221;.</p>
<p>O projeto ambiciona oferecer uma alternativa em artes visuais ao que emana dos centros e instituições de países que se achavam &#8220;mais desenvolvidos&#8221; e determinavam as tendências no setor, o que devia ou não ser apreciado, e atribuíam critérios valorativos sobre o campo artístico. O comitê editorial da revista ArteSur luta também contra as inclinações &#8220;excludentes&#8221; e &#8220;totalizadoras&#8221; do mercado.</p>
<p>Rubén del Valle, diretor da revista, relembrou também o esforço dos promotores deste projeto editorial de divulgar as produções artísticas da América Latina ao público a fim de que a revista seja tomada em conta. Não é demais recordar a amplitude da categoria &#8220;artes visuais&#8221;, que envolve arquitetura, desenho, escultura, filme, fotografia, moda, pintura, animação gráfica, etc.</p>
<p>Projetos como o da revista <strong>ArteSur</strong> desenvolvem um potencial imenso da América Latina na medida em que desloca a ênfase de produção a circulação e consumo de seus bens culturais. É preciso aproveitar as conexões internacionalistas que se nos abrem, mas sem qualquer tipo de desprezo e negligência das culturas que não são nossas sob risco de reincidir num desacerto que se quer abolir.</p>
<p>Assim, enveredamo-nos nessas conexões com estratégias discursivas muito diferentes das que tiveram os colonizadores e hegemônicos, que hoje mastigam uma crise de mercado e especulação financeira que eles mesmos ensejaram. Contamos com que este vento econômico negativo que assola sobremaneira o mundo &#8220;desenvolvido&#8221; nos vergaste com intensidade menor.</p>
<p>A América Latina dispõe de alternativas naquilo que produz e na estratégia de divulgação. Por que esperar mais tempo para que nossas artes visuais tornem-se conhecidas, dignas de prêmios internacionais e se saiba mais de nós alhures?</p>
<p><strong><a href="http://www.brunoperon.com.br">http://www.brunoperon.com.br</a></strong></p>
<p><em>*<strong>Bruno Peron Loureiro</strong> é mestre em Estudos Latino-americanos pela FFyL/UNAM (Universidad Nacional Autónoma de México).</em></p>
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		<title>Bibliotecas, livros e criatividade</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Dec 2011 03:03:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Peron Loureiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bruno Peron Loureiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Toda vez que se rememora o diagnóstico do pouco que se lê no Brasil, os interessados no tema se questionam: como incentivar a leitura de livros e que direção devem tomar as políticas públicas no setor de literatura? O risco que se tem corrido é o de relegar o papel de incentivo à leitura somente às indústrias editoriais e transformar as bibliotecas públicas, que um dia convocaram leitores, em depósitos de livros ou espaços de que o leitor se olvidou em prol das conveniências digitais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Bibliotecas-livros-e-criatividade.jpg"><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Bibliotecas-livros-e-criatividade.jpg" alt="" title="Bibliotecas, livros e criatividade" width="225" height="224" class="aligncenter size-full wp-image-15308" /></a>Toda vez que se rememora o diagnóstico do pouco que se lê no Brasil, os interessados no tema se questionam: como incentivar a leitura de livros e que direção devem tomar as políticas públicas no setor de literatura?</p>
<p>O risco que se tem corrido é o de relegar o papel de incentivo à leitura somente às indústrias editoriais e transformar as bibliotecas públicas, que um dia convocaram leitores, em depósitos de livros ou espaços de que o leitor se olvidou em prol das conveniências digitais.</p>
<p>Muitos resistem a despender tempo no transporte e arriscar-se a não encontrar o material literário que desejam e, portanto, optam pela facilidade e praticidade de ler mensagens de redes sociais ou dos infindáveis campos de busca do <strong>Google</strong> que levam “direto ao ponto” dentro do lar. Cresce o número de quem adota posturas como esta e, assim, desperta o interesse de gestores e pesquisadores da cultura.</p>
<p>Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), recorda que houve aumento do número de livros vendidos em território nacional nos últimos anos apesar da queda do faturamento desta indústria. Deduz-se, de maneira geral, que houve barateamento dos livros e aumento da leitura no Brasil.</p>
<p>Há cálculos da economia que facilitam o acesso ao livro, mas não mudam os hábitos culturais enquanto não se conformam políticas de longo prazo que incentivem a leitura e associem esta atividade com o prazer e o desenvolvimento da criatividade.</p>
<p>A Secretaria Estadual de Cultura de São Paulo organizou o quarto <strong>“Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias”</strong>, de 22 a 24 de novembro de 2011 no SESC Pinheiros, na capital paulista. Alguns temas da programação foram: acessibilidade, acervo digital, biblioterapia, redes sociais. Há uma tentativa, deste modo, de associar o hábito de leitura a outras atividades que incentivem a saúde e despertem o prazer.</p>
<p>Este Seminário trouxe palestrantes de alguns estados brasileiros e também do Chile, Colômbia, Alemanha e Portugal. O desígnio do evento foi discutir sobre o incentivo à leitura e a disseminação de informação nos meios de comunicação diversos. Trata-se, no entanto, de dois desafios distintos. O primeiro prevê, em certa medida, a reversão de uma tendência que o segundo gerou de fazer as pessoas lerem de tudo em qualquer lugar menos livros. Lê-se mais que em qualquer outra época, mas de fontes diversas e conteúdos amiúde duvidosos quando não comerciais e superficiais, ou seja, que não despertam o senso crítico.</p>
<p>A internet e os aparelhos eletrônicos mantêm as maiorias ocupadas com leituras de uma forma que não se concebia até pouco tempo atrás. Portanto, devem-se atualizar as estratégias que as bibliotecas elaboram para convocar públicos, ainda que seus edifícios sejam obra da arquitetura mais moderna. Uma delas é a de fornecer acesso gratuito a internet.</p>
<p>Urge, primeiramente, a identificação das transformações pelas que passam: 1) a indústria editorial, em que se estabelecem monopólios; 2) os hábitos de leitura, em que se priorizam fontes determinadas de textualidades sobre outras; 3) e o balanço das políticas governamentais a fim de que realmente nos incentivem a ler produtos literários de qualidade.</p>
<p>As trocas de experiências são proveitosas para que os projetos de incentivo que deram certo em determinada cidade ou país se apliquem noutros contextos. A propósito, o Brasil contou com uma banca na Feira Internacional do Livro em Guadalajara, México, de 26 de novembro a 4 de dezembro de 2011.</p>
<p>A importância das bibliotecas e dos livros persiste em quem acredita nestes como fonte de criatividade, conhecimento e raciocínio e naquelas como espaços que ofereçam algo mais que um catálogo recôndito de palavras à espera da descoberta.</p>
<p><strong><a href="http://www.brunoperon.com.br">http://www.brunoperon.com.br</a></strong></p>
<p><em>*<strong>Bruno Peron Loureiro</strong> é mestre em Estudos Latino-americanos pela FFyL/UNAM (Universidad Nacional Autónoma de México).</em></p>
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		<title>Reflexões sobre qualidade de vida</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Dec 2011 03:03:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Peron Loureiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bruno Peron Loureiro]]></category>

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		<description><![CDATA[O Fundo de População das Nações Unidas previu que seríamos 07 bilhões até outubro de 2011. A preocupação em torno do aumento populacional tem sido constante em meus escritos. Como se assegurará a “qualidade de vida” a tantas pessoas se a maioria padece da distorção de algum de seus vértices? A resposta orienta-se pelo conceito de “qualidade de vida”, que é mutante, subjetivo e distinto de quantidade. Fontes infindáveis de informação atribuem sentidos a este termo, cuja importância se evidencia na canícula das sociedades modernas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Reflexões-sobre-qualidade-de-vida.jpg"><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Reflexões-sobre-qualidade-de-vida.jpg" alt="" title="Reflexões sobre qualidade de vida" width="244" height="207" class="aligncenter size-full wp-image-15160" /></a>O <strong>Fundo de População das Nações Unidas</strong> (UNFPA, da sigla em inglês) previu que seríamos 07 bilhões até outubro de 2011. A preocupação em torno do aumento populacional tem sido constante em meus escritos. Como se assegurará a “qualidade de vida” a tantas pessoas se a maioria padece da distorção de algum de seus vértices?</p>
<p>A resposta orienta-se pelo conceito de “qualidade de vida”, que é mutante, subjetivo e distinto de quantidade. Fontes infindáveis de informação atribuem sentidos a este termo, cuja importância se evidencia na canícula das sociedades modernas.</p>
<p>Este destaque deve-se a que se confunde o sentido do conceito com os avanços técnicos, que trazem muitas vezes novos desafios e denigrem a “qualidade de vida”. O automóvel passa de ser facilitador dos transportes para tornar-se agente de contaminação atmosférica, problemas respiratórios e estresse.</p>
<p>Os conceitos de “qualidade de vida” costumam abranger aspectos biológicos (bem-estar, condicionamento físico, propensão a doenças), culturais (hábitos de infância, convívios sociais, vicissitudes, meios de formação e informação), e econômicos (renda, capacidade de consumo).</p>
<p>É leviano remeter ao tema sem considerar ao menos estas três facetas do que atribui qualidade à vida, uma vez que a carência em qualquer uma delas impede o usufruto desta dádiva em sua plenitude.</p>
<p>O Brasil assiste a um momento contraditório de seu desenvolvimento, haja visto que a pujança de sua economia não se tem convertido em rendas bem distribuídas devido ao modelo de exploração de mão-de-obra e recursos naturais. Há um encanto injustificado por atores que não pensam no cívico e o público, como as empresas transnacionais.</p>
<p>Não obstante, o <strong>Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas</strong> (IPEA) divulgou um estudo que aponta aumento de 146% nos gastos sociais do governo federal de 1995 a 2009. As áreas envolvidas são: educação, trabalho, saúde, habitação, entre outras.</p>
<p>Agrega-se que o Ministério do Trabalho acusa que houve aumento de contratação de estrangeiros no Brasil. O país emitiu, no primeiro semestre de 2011, 26,5 mil autorizações de trabalho, que se concentram nas áreas de infraestrutura, engenharia e tecnologia.</p>
<p>O Brasil possui inserção privilegiada no circuito internacional em comparação com outros países historicamente colonizados e explorados devido à capacidade ingente de produzir riquezas e exportá-las, no entanto indispõe-se internamente com os problemas clássicos do subdesenvolvimento.</p>
<p>Como conciliar a “qualidade de vida” dos brasileiros com a remessa exportadora de nossos melhores alimentos e insumos industriais, enquanto a miséria e o descaso ainda assombram as favelas e nos encarecem os recursos que testificariam – em vez de desmentir – nosso lugar como “país emergente”?</p>
<p>A cooperação internacional – em vez da subserviência – tem sido a opção de ministros e chefes de Estado para melhorar a “qualidade de vida” ao combater a fome, a guerra e a pobreza. É inconcebível que se tenha tantas opções de consumo nas regiões mais avançadas tecnicamente enquanto noutras é preciso caminhar quilômetros com baldes de água na cabeça para saciar a sede da família.</p>
<p>Economistas criaram o <strong>Índice de Desenvolvimento Humano</strong> (IDH) em 1990, que mede a renda per capita, a expectativa de vida e a educação (índice de analfabetismo e matrícula escolar) dos países. A classificação baseia-se na variação de 0 a 1, sendo mais positiva e medição que se aproxima do 1.</p>
<p>O entendimento de “qualidade de vida” requer desanuviar confusões e dogmas que recheiam o conceito a fim de que a inserção de cada uma das sete bilhões de pessoas seja a mais ativa e saudável possível.</p>
<p>Podemos e devemos ser agentes do processo de desenvolvimento que contempla os aspectos biológicos, culturais e econômicos descritos anteriormente. A alimentação, os meios de convívio, os bons pensamentos e a interação política reduzem a culpa do acaso e nos conferem maior responsabilidade sobre o grau de qualidade com que vivemos.</p>
<p>Clichês são válidos para esta finalidade, como o de agir localmente e pensar globalmente, pois somos mais dependentes de processos de além-mar.</p>
<p>Quem delibera sobre sua “qualidade de vida”: você ou o acaso?</p>
<p><strong><a href="http://www.brunoperon.com.br">http://www.brunoperon.com.br</a></strong></p>
<p><em>*<strong>Bruno Peron Loureiro</strong> é mestre em Estudos Latino-americanos pela FFyL/UNAM (Universidad Nacional Autónoma de México).</em></p>
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		<title>CEALC e a integração na América</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Dec 2011 03:03:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Peron Loureiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bruno Peron Loureiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Trinta e dois chefes de governo da América, com exclusão de Canadá e Estados Unidos, aprofundam os ideais de integração do "Grupo do Rio", foro que existe desde dezembro de 1986, e da Cúpula da América Latina e o Caribe (CALC), que teve o primeiro foro em dezembro de 2008 na Bahia com o tema "Integração e Desenvolvimento". A CEALC (Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe) emergiu em fevereiro de 2010 durante um encontro de estadistas na Cúpula da América Latina e o Caribe (CALC) em Playa del Carmen, México. Deste paraíso caribenho à dura realidade social de nossos países, o organismo intergovernamental recém-nascido pressagia mais uma ação a favor da reformulação das relações continentais e do sistema internacional.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/CEALC-e-a-integração-na-América.jpg"><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/CEALC-e-a-integração-na-América.jpg" alt="" title="CEALC e a integração na América" width="208" height="242" class="aligncenter size-full wp-image-15018" /></a>Trinta e dois chefes de governo da América, com exclusão de Canadá e Estados Unidos, aprofundam os ideais de integração do <strong>&#8220;Grupo do Rio&#8221;</strong>, foro que existe desde dezembro de 1986, e da Cúpula da América Latina e o Caribe (CALC), que teve o primeiro foro em dezembro de 2008 na Bahia com o tema <strong>&#8220;Integração e Desenvolvimento&#8221;</strong>.</p>
<p>A CEALC (Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe) emergiu em fevereiro de 2010 durante um encontro de estadistas na Cúpula da América Latina e o Caribe (CALC) em Playa del Carmen, México. Deste paraíso caribenho à dura realidade social de nossos países, o organismo intergovernamental recém-nascido pressagia mais uma ação a favor da reformulação das relações continentais e do sistema internacional.</p>
<p>Menciono intencionalmente &#8220;ação&#8221; em lugar de &#8220;projeto&#8221; porque finalmente reunimos elementos para transitar da proposta à prática dentro do conceito atávico de &#8220;integração&#8221;.</p>
<p>Este mecanismo integrativo mal nasce e há os que desqualificam sua missão como meramente declarativa, destituída de pragmatismo e fruto de projetos políticos particulares que pouco interessariam a nações de economias protuberantes, como Brasil e Chile. É mister começar pelos contras antes de enumerar os prós a fim de afirmar minha visão contrária a estas posturas prévias e meu otimismo em relação a estes organismos &#8220;nosso-americanos&#8221;.</p>
<p>Embora alguns dos estadistas da CEALC se acanhem de reconhecer a finalidade do organismo devido a relações (por exemplo, com tratados de comércio livre ou auxílio humanitário) que mantêm com países da América do Norte, a CEALC surgiu precipuamente como alternativa às agendas e deliberações da OEA (Organização de Estados Americanos).</p>
<p>Precedentemente à criação da ALBA (Alternativa Bolivariana para os Povos de Nossa América), a UNASUL (União das Nações Sul-americanas) e a CEALC, a OEA havia sido a única organização intergovernamental de pretensão continental na América desde 1948. Nossos países estiveram, portanto, vulneráveis a discutir e acatar ditames oriundos de um organismo com sede em Washington, D. C.</p>
<p>Algumas tentativas de nomear a emergência dos organismos latino-americanos e caribenhos acompanham a dificuldade de institucionalização e aprofundamento das propostas. Há os que se arriscam aos neologismos do regionalismo como ao referir-se ao nosso processo como &#8220;pós-liberal&#8221; ou &#8220;pós-neoliberal&#8221;, no entanto alguns governantes adeptos do &#8220;Estado mínimo&#8221; apoiaram a criação da CEALC.</p>
<p>Continua sendo difícil obter consenso nas definições programáticas e principalmente nos planos de ação destes organismos, o que não nos impede de reforçar os denominadores comuns na luta por uma inserção mundial mais autônoma e, já que o tema enfoca a América, a definição de agenda própria.</p>
<p>É fato que boa parte das reuniões entre estadistas no âmbito de organismos intergovernamentais redunda em discursos formais e declarações de boas intenções, porém vejo a CEALC mais como continuidade de um projeto que um broto que surge do nada. A crise financeira mundial sinalizou para que a América Latina e o Caribe tenham cautela com a reformulação das estratégias continentais da América do Norte por perder espaço comercial com o Sul.</p>
<p>Apesar de o &#8220;bolivarismo&#8221; venezuelano ser um dos principais sustentáculos da CEALC, a Venezuela mantém petro-relações proveitosas com Estados Unidos e não permite que os discursos oficiais firam o grande negócio que traz retorno orçamentário às políticas sociais. Cuba também depende dos investimentos de empresas estadunidenses e das remessas financeiras de cubanos que vivem na América do Norte.</p>
<p>A CEALC não anula o papel da OEA, mas enfraquece a influência continental desta organização na medida em que descentraliza as discussões e as deliberações que antes só se faziam em seu âmbito. A recusa de Cuba em 2009 ao convite de ingresso à OEA reforça a importância de desenvolvermos organismos próprios e não incidir em falácias.</p>
<p>A crítica mais pertinente que se faz à CEALC e aos demais organismos latino-americanos e caribenhos é a de como estimular a participação cidadã de modo que a sociedade envolva-se amplamente na definição de agendas regionais de debates e formulação de políticas.</p>
<p>É preciso reduzir a distância entre portadores de direitos cívicos e detentores do poder de deliberar em foros e reuniões de organismos intergovernamentais. O impasse reside em como despertarmos à participação direta e livre da crença em representantes, por mais que jurem promessa de fidelidade aos interesses da maioria.</p>
<p><strong><a href="http://www.brunoperon.com.br">http://www.brunoperon.com.br</a></strong></p>
<p><em>*<strong>Bruno Peron Loureiro</strong> é mestre em Estudos Latino-americanos pela FFyL/UNAM (Universidad Nacional Autónoma de México).</em></p>
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