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Bruno Peron Loureiro

Crise imigratória na Europa

A Europa contempla uma grave crise humanitária e imigratória em seu próprio território. Os contratempos pelos quais seus membros passam perturbam inclusive a estrutura e a coesão da União Européia. Esta já estava frágil devido à crise financeira que desestruturou países como Espanha e Grécia. Agora este bloco de integração ficou ainda mais incerto e vacilante. Botes e barcos precários levam centenas de migrantes da África e do Oriente Médio para que tentem a vida em países mais avançados da Europa. Muitos não chegam ao outro lado da travessia, pois adoecem ou afogam-se.
Bruno Peron Loureiro

Mentalidade cívica e política

Enquanto nos anos derradeiros o Brasil foi objeto da propaganda oficial sobre seu crescimento econômico e sua “emergência” num mundo em crise, os primeiros meses de 2015 mostram que é melhor abrir mão de ufanismos e enfrentar a realidade. O cenário econômico do país só não está pior por obséquio de outros países que garantem nossa posição como potência colonial exportadora de soja, minério, carne e outros bens da natureza. Portanto, leitor, não se iluda com os malabarismos do Banco Central, de Joaquim Levy e de burocratas que tentam convencê-lo a trabalhar para sustentar uma súcia de privilegiados. Fazem crer que, daqui a um ano, tudo estará resolvido. Mas faz tempo que ouvimos a mesma história. A grande mudança no Brasil virá com outra mentalidade cívica e política de pessoas que se esforcem para agregar experiências coletivas e inovadoras no país.
Bruno Peron Loureiro

Chinguelingues neste hemisfério

Propostas e acordos bilionários de investimentos da China no Brasil colocam em questionamento a máxima de que a América é para os americanos. Não é funesto que o Brasil receba investimentos estrangeiros. O problema fundamental é que nosso país abre suas pernas toda vez que um investidor mostra o maço de dinheiro. Não se avalia rigorosamente a contrapartida e as vantagens do Brasil. Por aqui, é pegar ou largar. A competição é grande entre nossos “hermanos” da “Pátria Grande”, que raramente se complementam.
Bruno Peron Loureiro

Cuba, embarcações e migrantes

Cuba vende-se como um país onde suas políticas públicas de saúde são eficientes, profiláticas e universais. Envia médicos para programas de assistência humanitária internacional. Treinou e mandou cubanos ao oeste da África para tratar doentes de ebola, e agora despacha outras dezenas de médicos ao Nepal para operações sanitárias a vítimas de terremoto. No entanto, se Cuba fosse assim tão generosa com sua população, não haveria barcos com migrantes à deriva. A menos que sejam aventureiros que acreditem não ter nada a perder exceto a própria vida. A maioria espera aportar nos Estados Unidos, onde buscam o “sonho americano” que veem na televisão. Alguns acabaram sendo conduzidos pelo vento ao México, um solo tropical aonde chegaram espanhóis sedentos de riqueza fácil e rápida.
Bruno Peron Loureiro

Giro de consciência

Enquanto escrevo estas linhas, milhões de brasileiros culpam a presidente da República (Dilma Rousseff) por deixar de representar bem seu eleitorado que se crê instruído, ilibado e produtivo. Basta uma comparação entre esferas de atuação para comprovar que brasileiros são, em realidade, muito bem representados por seus deputados, governadores e chefes de Estado. Refiro-me às dezenas de milhões de meio-cidadãos que se portam como selvagens numa calçada, num volante e noutros lugares. Tais brasileiros não se deveriam surpreender com os desmandos e as prevaricações de outras esferas. Há que reconhecer deveres cívicos em qualquer nível de interação e culpar-nos pelo funcionamento ineficaz e ruim da sociedade.
Bruno Peron Loureiro

Nem messias, nem salvadores…

É difícil reorientar um adulto no Brasil no que se refere a práticas tão banais quanto atirar lixo na lixeira para manter calçadas e ruas limpas, evitar ruído excessivo desde seus veículos em vias públicas e na vizinhança após altas horas, e coletar dejetos de seus animais de estimação quando a passeio em logradouros públicos. Uma sociedade bem instruída e organizada não precisa de leis nem de fiscais que garantam a ordem. Basta que o bom senso e a boa instrução interiorizem em cidadãos regras básicas de convivência.
Bruno Peron Loureiro

Arena de terceirização

Não é qualquer tema que gera tanto barulho quanto o da reforma da lei de terceirização. As autoridades milionárias do Mamódromo Nacional debatem sobre a proposta de terceirizar todas as atividades profissionais. Até então, a lei só permitia a prática em atividades tais como limpeza e vigilância. O debate sobre a terceirização de mão-de-obra no Brasil tem sido acalorado e ideologizado. Cada instituição tenta formar opiniões que pendam para seu lado. Assim, não é à toa que sindicatos, acadêmicos e profissionais de departamento pessoal sejam desfavoráveis a essa proposta. Muitos misturam opiniões com inverdades, e induzem à crença de que se trata de uma questão de aumento de lucros de empresários e “precarização” do emprego.
Bruno Peron Loureiro

Desentendimentos entre colonos

No Brasil, há um aceno secular a favor do cultivo da nacionalidade e de caracteres que unem brasileiros em torno de costumes, gostos, experiências e práticas comuns. Apesar disso, creio que nem aqui nem em nenhum outro lugar do planeta se evitem completamente desentendimentos intercivilizatórios. Por isso, prossigo com a ideia de que o Brasil tem o desafio interno inadiável de melhorar o nível de civismo e instrução de sua gente. Somente assim, será possível evitar que bichos, gatunos, colonos degenerados e monstros dominem a cena pública no Brasil, como em parte tem ocorrido. Igualmente, seres de bem e de ideias terão espaço para higienizar e instruir o Brasil antes que a ignorância e o mal tomem conta.
Bruno Peron Loureiro

Deveres que iluminam o Brasil

Não se deve ignorar que o problema do Brasil são os brasileiros. Não nos fazemos dignos de sua terra fértil, seu céu azul, seu clima agradável e sua receptividade incondicional. Desentranhamos inconsequentemente aquilo que Deus nos presenteou quando desmatamos, poluímos e degradamos. Mazela maior que essa é a favelização do Brasil (aumento dos excluídos e marginais) e a falta de referências dignas (as dos exemplos fiáveis). A ousadia das desigualdades aumenta: enquanto um juiz discute que carro de luxo deve reter do milionário Eike Batista durante seu julgamento, ocorrem arrastões no metrô do Rio de Janeiro e em restaurantes de São Paulo. Que diriam os jovens que veem as “autoridades” de seu país metendo a mão na grana, em valores altíssimos, enquanto o país vai de mal a pior? Pergunto-me o que acontece com esses traidores da pátria que deveriam servir de exemplo, mas preferem a sujeira de um lamaçal indiscreto.
Bruno Peron Loureiro

Saúde física e social

A proliferação de vírus de dengue é um exemplo de como a desorganização social no Brasil responde a uma doença de país tropical. Muitos casos podem ser evitados se o nível de instrução de brasileiros for maior e houver um esforço cooperativo, já que o mosquito causador da doença somente se reproduz nas adjacências de reservatórios de água (“água parada”). Acontece que, ainda que o morador A seja bem instruído e precavido, o B e o C não são e, portanto, o mosquito poderá sair de suas residências e picar os vizinhos. Um de cada cinco moradores de São Paulo recusa-se a abrir a porta de suas casas por medo de violência ou porque não está em casa no momento em que agentes de vigilância sanitária apresentam-se para visita.
Bruno Peron Loureiro

Onde está o vilão?

O esforço de brasileiros para encontrar culpados, responsáveis e vilões é incomensurável. Houve tentativas de anatematizar a presidente democraticamente eleita Dilma Rousseff durante operações de investigação e combate à corrupção. A aventura atual é a de incriminar o Estado por sua omissão em garantir os direitos fundamentais de crianças e jovens no Brasil. Reacende-se um debate que não seguiu em frente há pouco mais de vinte anos: a redução da maioridade penal. É certo que deputados empurram um atestado de falência administrativa do Estado no desígnio de deixar de garantir direitos e assegurar que aumentará o número de encarcerados no Brasil.
Bruno Peron Loureiro

Se correr, o bicho pega!

Não é por acaso que a Nintendo (empresa japonesa que fabrica jogos eletrônicos) pulou fora do Brasil com sua declaração sucinta de que sua despedida decorre de dificuldades com o modelo de negócios no Brasil. Entendo que ou você é grande demais para sobreviver (evito o uso aqui do verbo progredir) no Brasil, ou será limitadamente pequeno a ponto de ter que evadir fiscalizações e conviver com irregularidades. De qualquer maneira, ouvimos que “se ficar, o bicho come; se correr, o bicho pega”. Pergunto: que modelo de Brasil queremos? Pense bem nesta pergunta, leitor.
Bruno Peron Loureiro

Cultura e amor

Decerto, temas culturais fornecem combustível para meu pensamento. Não é somente porque minha formação pós-graduada nessa área de estudos (referente a cultura) o exige e o motiva senão pelas combinações provocadoras que faço entre cultura e algo mais. No entanto, e sem pretensão aqui de ensaiar um ponto de vista instrumental (cultura como meio para), fico um pouco intrigado quando cotejo a abrangência de cultura com a de amor. Primeiramente, é preciso esclarecer que as noções de cultura comumente aceitas têm seu conteúdo espiritualista (ideias, imaginações, preconceitos, valores) em destaque, mas elas não prescindem das características materialistas (costumes, formas de vida, estética, gosto) de cultura.
Bruno Peron Loureiro

Câncer das favelas

Em termos sociais, favelas também podem ser comparadas a um câncer porque elas são prejudiciais ao organismo. Explico. Fundamentalmente, o incluído depende do excluído. A sociedade é um todo articulado, orgânico, em que cada órgão social ocupa uma função no corpo que caracteriza a cidade e o país. Sendo assim, favelas poderão matar todo o organismo se sua origem não for tratada a tempo com sessões de quimioterapia social.
Bruno Peron Loureiro

Somos brasileiros

Meu texto "Não há negros no Brasil" talvez levante dúvidas em alguns leitores quanto a seus conceitos de que significa ser brasileiro. Meu argumento derruba preconceitos em vez de intensificá-los e faz uma proposta conciliatória. O texto atual visa a dissipar dúvidas e fazer mais alguns esclarecimentos de por que a racialização do Brasil seria o agouro de mais uma tragédia nacional. O problema maior que aflige a educação no Brasil é que seus educadores são os primeiros que precisam reeducar-se antes de colonizar a mente de seus “alunos”. Por isso, o aumento de investimentos em educação somente espalha o vírus em vez de tratar o organismo enfermo com novas práticas e posturas.
Bruno Peron Loureiro

Não há negros no Brasil

Muitos leitores se surpreendem com o título deste texto. É como se eu afirmasse que não há oxigênio no ar nem água no mar. Porém, depois da exposição de meu argumento, espero demonstrar por que algumas ideias étnico-raciais não têm cabimento no Brasil e por que merecemos uma política cultural mais coerente com a evolução sociocultural de nosso país. O primeiro esclarecimento, também um dos mais importantes, é sobre o uso da palavra “negro” nos Estados Unidos e na Inglaterra. Nestes países, asseguro que as demarcações étnico-raciais são mais precisas que no Brasil devido ao racismo e às políticas multiculturais que se aplicam neles.
Bruno Peron Loureiro

Literatura em barbante

A literatura de cordel destaca a importância de expressões culturais autênticas e tradicionais no Brasil, desperta o interesse geral em leitura, e trata literatura como uma atividade prazerosa e massageadora das aptidões do espírito. Esse gênero literário não usa, portanto, uma linguagem enfadonha sobre temas estranhos que poucos conseguem entender. Vale ressaltar que a literatura de cordel não tem origem no Brasil. O termo “cordel” provém do fato de que os folhetos e panfletos ficavam pendurados em barbantes ou cordas. Fala-se desse gênero em Portugal e noutros países europeus como Espanha, França e Holanda desde o século XVI.
Bruno Peron Loureiro

Inclusão e exclusão

Inclusão e exclusão são fenômenos que se complementam e se sustentam. Enquanto, para uns, eles só estabelecem uma relação de oposição, para outros, eles abrigam segredos sobre mazelas essenciais do Brasil. A primeira palavra, inclusão, desfila na passarela de discursos múltiplos, como os que advogam inclusão cultural, social, digital, educacional, e também a de deficientes físicos e outros grupos minoritários. Nunca se falou tanto de inclusão digital quanto nessa era da banda larga, dos computadores portáteis e dos telefones inteligentes (“smart phones”).
Bruno Peron Loureiro

Revestimento de liberdade

O lançamento do filme "A Entrevista" (The Interview) pela Sony estava previsto para 25 de dezembro de 2014. Além deste filme ter recebido críticas de comentaristas e especialistas em cinema, uma polêmica se armou sobre o roteiro de "A Entrevista'. O filme que se propõe como comédia retrata a ridicularização do governo da Coreia do Norte e um plano para que jornalistas estadunidenses assassinem o líder norte-coreano Kim Jong-un.
Bruno Peron Loureiro

Os meios são outros

As tentativas de promoção de paz no mundo são incontáveis. Grupos religiosos, movimentos sociais, comunidades organizadas e indivíduos mais ou menos influentes propõem soluções pacíficas...
Bruno Peron Loureiro

Sociedades vigiadas

A evolução dos meios de comunicação tem transformado o usufruto de objetos tecnológicos em instrumentos de sociedades vigiadas. No tempo em que aparelhos eletrônicos aderem ao corpo para aumentar a praticidade de tarefas cotidianas, a vida privada nunca havia sido tão invadida e monitorada. Praticamente todas as pessoas têm o desejo de fazer parte dos avanços tecnológicos em comunicação. O instrumento paradigmático desta inclusão é o smart phone, que não para de evoluir tecnologicamente. As versões destes equipamentos móveis melhoram depois de alguns meses em aspectos como qualidade de imagem, velocidade de processamento e capacidade de armazenamento de dados.
Bruno Peron Loureiro

Liberdades morais, censuras cívicas

Nessa perspectiva, não demora para que opiniões se tornem polêmicas e tenham repercussão entre brasileiros, como os comentários justiceiros do apresentador de televisão José Luiz Datena e a postura da jornalista Rachel Sheherazade sobre os linchamentos e a ausência do Estado. Não preciso fazer aqui julgamento algum sobre a validade dessas opiniões. Logo aparecem movimentos sociais disso e daquilo, associações disso e daquilo, defensores disso e daquilo, que se sentem lesados por uma opinião e desmoralizam pessoas apenas pelo que pensam e apoiam.
Bruno Peron Loureiro

Questões pífias

Os sintomas do Brasil no momento são um tanto desencorajadores e perniciosos para o progresso da nação. Adiamos um futuro brilhante e pacífico para o Brasil por conta de nosso despreparo cívico e nossa puerilidade moral. Por isso, reitero que precisamos embarcar numa reforma profunda de nossos pensamentos e nossas atitudes. Não tenho dúvidas de que há pontos de luz que sinalizam boas intenções diante de tanta escuridão. Brasileiros elevados moralmente se veem rodeados de “operação” disso e daquilo para combater ações corruptas, de casos acintosos de desrespeito ao próximo, e de marasmo cívico que se reproduz em nossas instituições educativas.
Bruno Peron Loureiro

Gestão do consumo e da produção

Brasileiros evidentemente têm vontade de comprar os lançamentos tecnológicos sobre que escutam falar na internet e na televisão, e que veem nas mãos dos ricos. Lamentavelmente, eu gostaria de entender melhor por que as maravilhas tecnológicas da Apple chegam tarde ao Brasil e pelo dobro do preço que nos Estados Unidos e na Europa. Seria tão melhor que o governo brasileiro melhorasse a gestão do consumo (ao permitir que brasileiros não fiquem atrás na compra e no uso de equipamentos tecnológicos). No entanto, o governo também revolucionaria a gestão da produção (ao fomentar indústrias brasileiras que desenvolvam tecnologia e situem melhor o Brasil no mundo).
Bruno Peron Loureiro

Angústia dos escritores

Há no Brasil um desajuste entre propostas para a literatura e os interesses literários de leitores brasileiros. Embora se leia cada vez mais (em telas de celulares e computadores), escritores queixam-se da falta de apoio governamental à literatura brasileira e do desinteresse de leitores brasileiros em escritores profissionais. Para a escritora carioca Nélida Piñón, o Brasil tornou-se um país “periférico” da literatura mundial. Na visão dela, isso ocorreu após o Brasil ter perdido escritores que emigraram devido à repressão do regime militar, e ter negligenciado o “boom” (prosperidade) da literatura latino-americana nos anos 1970.
Bruno Peron Loureiro

Qualidade do ensino superior

O interesse em cursos de nível superior aumenta no Brasil. Enquanto milhões de brasileiros desejam melhorar sua escolaridade, obter conhecimentos e ampliar suas visões de mundo, outros entendem que cursos de nível superior fortalecem suas colocações no mercado quando não são obrigatórios para ocupar certas vagas de emprego. Por causa dessa tendência de aumento de procura e de oferta de cursos de ensino superior, órgãos do governo regulam o funcionamento e a qualidade desses cursos.
Bruno Peron Loureiro

Inspirações para o magistério

O magistério no Brasil tem sido empurrado ao precipício. Acima de qualquer diálogo, está um conflito de mentalidades que poucas vezes sabem bem como valorizar os professores. Em meio de tanta angústia pedagógica, insiro este texto com o fito de sintetizar a preocupação generalizada com as vias de educação nas quais nosso país transita, cavalga, engatinha. Os fatos mais pungentes para o professorado são de que há desvalorização da classe e da função dos professores no Brasil. Não haveria sinalizações mais escabrosas que esta num país que, como o nosso, depende de melhoras na educação para desenlaçar a corda do pescoço de sua gente explorada.
Bruno Peron Loureiro

Em busca de uma nação

O Brasil testemunha um momento de agitação cidadã que se deve ao furor eleitoral e às circunstâncias instáveis e incertas que afligem o país, principalmente a inflação e a insegurança. Levanto, neste texto, o argumento de que nossa busca de uma nação justifica tal energia. Resultamos de uma imposição institucional que busca a concretização íntima de uma nação. Desse modo, acima da necessidade de encontrar um culpado de nossas mazelas, não deveríamos olhar-nos no espelho como indivíduos senão como comunidades em busca de uma nação.
Bruno Peron Loureiro

Instrução cívica

Quando me surgiu, há pouco tempo, a ideia de desenvolver a noção de “instrução cívica” para o Brasil, refleti sobre o que entendo como “instrução” e seu qualificativo “cívico”. Este texto focalizará os aspectos dessa ideia que não somente inaugura uma prática metaprofissional senão também viabiliza o Brasil e promove o bem comum dos brasileiros. Alguns dos debates na pauta de educadores são o de como melhorar a educação nos setores públicos e privados, preparar os jovens para exames vestibulares, e aumentar o nível de escolaridade da maioria dos jovens no Brasil.
Bruno Peron Loureiro

Doutrinação a esmo

O Brasil é palco de casos incontáveis de doutrinação a esmo. Já que neste país não se definiu uma rota coerente pela qual a educação de sua gente deve passar, métodos discordantes agrilhoam seus meio-cidadãos. Não faltam exemplos que somam experiências nas formas de consumo, nos livros didáticos e nas sociedades religiosas. Não chego a essa conclusão só porque o Brasil é o paroxismo de práticas espiritualistas. Aqui qualquer personagem minimamente convincente que fale sobre o destino da humanidade e os mistérios da psique ganha adeptos.
Bruno Peron Loureiro

Serviremos ao trabalho

Em setembro de 2014, o Banco Mundial fez uma advertência preocupante sobre a crise de empregos que aflige o mundo: 600 milhões de postos de trabalho devem ser criados até 2030 para acompanhar o ritmo de crescimento populacional no planeta. Não obstante, o debate sobre empregos não deve prescindir de reflexões sobre qualidade das ocupações, estabilidade das carreiras e qualificação profissional. É desconsolador que medidas do governo brasileiro focalizem o crescimento da economia, sem o qual afirma que não seria possível aumentar a oferta de empregos.
Bruno Peron Loureiro

Laços indissolúveis

Enquanto leio as notícias principais sobre o Brasil, fico impressionado com a maneira como os meios de comunicação (des)informam sobre a conjuntura macroeconômica de nosso país. O cenário mais preocupante é o de recessão, que acompanharia a inflação que já flagela nossa economia e que político ou ministro nenhum poderá escondê-la dos brasileiros. É mais que evidente que os preços dos produtos estão altíssimos e continuam subindo no Brasil, que suas indústrias têm perdas em competitividade, e que o inchaço do maquinário embaraça o desenvolvimento do setor produtivo no Brasil. Ainda, nossos jovens sonham com a admissão em concursos públicos em vez de dar asas à criatividade empreendedora que os faça promover nossas indústrias.
Bruno Peron Loureiro

O ebola nas relações internacionais

A mesma região ocidental da África onde se aprisionavam milhares de nativos para o tráfico intercontinental de escravos é o cenário atual da peleja sanitária contra uma ameaça biológica: o ebola. Ainda que sem pretensão de retomar neste texto o debate sobre se os vírus são uma forma de vida ou não, cientistas e profissionais de saúde concentram seus esforços no estudo e no tratamento da epidemia do ebola. Os três países mais vitimados por casos do ebola estão no oeste da África: Guiné, Serra Leoa e Libéria. No entanto, há temor de que o vírus do ebola se prolifere mundialmente devido ao tráfego internacional intenso de pessoas e ao tempo de incubação do vírus no corpo humano que se prolonga por 21 dias.
Bruno Peron Loureiro

Intolerância entre brasileiros

Há muita intolerância no Brasil. É contraditório que, numa gleba de convívio na diferença, seus meio-cidadãos se comportem como se estivessem frente a alienígenas de mesma nacionalidade. Com esta afirmação, não me refiro somente às divisões econômicas entre ricos e pobres, que todos conhecemos. Penso naquelas diferenças que herdamos das tradições culturais do país e também nas que deixaremos à posteridade se não usarmos bom senso e razão para corrigir descaminhos e melhorar nossa relação com o outro. O governo propõe políticas para combater o racismo, a homofobia e o preconceito religioso, mas observa-se nas conversas informais que a intolerância está enraizada em nossa cultura.
Bruno Peron Loureiro

A força sedutora do 4G

Os serviços de internet através de telefones móveis aprimoram-se. Investidores sempre encontram uma maneira de ganhar dinheiro com o potencial consumidor de brasileiros, ainda que aqui a burocracia e os custos sociais atravanquem negócios. Alguns deles são os cabeamentos horríveis que se penduram nos postes das ruas em vez de deixá-los subterrâneos nas cidades, e o risco de furto e roubo de aparelhos eletrônicos por aqueles que não podem comprá-los e importunam aqueles que os têm.
Bruno Peron Loureiro

Garimpo de ouro no Pará

O Pará volta a receber atenção devido à sua tradição extrativista. Desta vez, evidencia-se a divisão entre os índios da etnia Kayapó com respeito à dúvida sobre se o território em que eles vivem deve ser explorado para mineração ou preservado para subsistência. Estima-se que entre 4 e 5 mil garimpeiros revirem a terra em busca de ouro numa região denominada Terra Indígena Kayapó, no sudeste do Pará. A ação tem efeitos desastrosos sobre a natureza, mas uma parte dos índios desta etnia apoia a exploração aurífera desde que um percentual dos ganhos dos exploradores fique na aldeia.
Bruno Peron Loureiro

Áreas de integração nacional

Há um tipo de integração entre os estados brasileiros que visa à degradação. Declaram-se “guerras fiscais” entre eles para atrair empresas transnacionais e empregar o excesso de mão-de-obra ociosa e desqualificada, enquanto alguns estados crescem em função da insustentabilidade ambiental na exploração de borracha (Amazonas), minérios (Pará) e pecuária (Mato Grosso). A maior decepção é saber que nossa integração nacional tem-se feito para cumprir ciclos econômicos e exportar aquilo que temos de mais rudimentar (ferro, açúcar, soja e bois). Não tarda muito para que logo compremos de empresas estrangeiras ligas metálicas complexas, ovos de Páscoa da Nestlé e alimentos processados em restaurantes gringos de comida rápida.
Bruno Peron Loureiro

Confiança no azar

Na chegada às terras novas da América, houve a fundação de países em vez de seu descobrimento. Entre eles, esteve o Brasil. Todo o processo, porém, deu-se com carnificinas e grilhões. E o que esta revelação tem a ver com o Brasil atual e seus descaminhos? Primeiro, é preciso entender a história em que nosso país se gerou pleno de contradições e vulnerável ao materialismo de outro continente. Em circunstâncias similares, a atrasadíssima Espanha chegou em busca de ouro e prata. Esta busca de riqueza fácil estendeu-se durante séculos sem que se perdessem tradições que o Brasil herdou como corrupção, escravismo, elitismo e paternalismo. Elas não tiveram origem neste país, como muitos antipatriotas acreditam.
Bruno Peron Loureiro

Adamastor de cócoras

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) anunciou que o Brasil melhorou um pouco sua colocação no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e situa-se agora em 79º lugar. A melhora desta colocação se deve a alguns avanços em indicadores econômicos e sociais brasileiros, mas também à mudança de método da Organização das Nações Unidas (ONU) para avaliar o desenvolvimento de 187 países. Vale lembrar que o PNUD havia classificado o Brasil em 85º em 2013. O IDH calcula-se através de três medidores: escolaridade (tempo que se passa na escola), expectativa de vida e renda individual (mas que se calcula como uma média).
Bruno Peron Loureiro

Pensemos juntos na educação

Que é possível fazer para estimular o interesse dos jovens nas escolas? Até o momento atual, estes espaços educativos são apenas condicionamentos precoces de crianças para que, quando elas cresçam, reconheçam suas condições como seres pobres ou ricos, ignaros ou letrados, marginais ou bem-sucedidos. Assim, digo que escolas têm cumprido a função de funis que canalizam lágrimas de uma sociedade educacionalmente desigual em que o Estado desestimula enquanto o mercado seleciona através de cobrança de mensalidades.
Bruno Peron Loureiro

Implosão e explosão durante a Copa

O Brasil viveu momentos de implosão interna e explosão externa durante a Copa. Enquanto as divisões do país distraíram-se pela exaltação nacionalista, telespectadores do mundo agitaram suas bandeiras para que seus times fossem vitoriosos. O planeta respirou futebol durante um mês. O país festeiro inspirou uma festa universal. Quando digo que houve implosão interna no Brasil, penso, por exemplo, no viaduto que desabou em Belo Horizonte e vitimou passageiros de um ônibus. Lamento também a falta de segurança em zonas universitárias, como o assalto que pegou estudantes de surpresa no câmpus principal da Universidade de São Paulo assim que a noite chegou. Igualmente, as forças policiais preocuparam-se com furtos de bilhetes para os estádios do campeonato. E, acima de qualquer descontentamento, esteve o das famílias que se desabrigaram com o excesso de chuvas nos estados do Sul do Brasil.
Bruno Peron Loureiro

Charuto para banguelas

A humanidade relaciona aquilo que desconhece ao milagre, à sobrenaturalidade, a Deus ou ao “mistério da fé”. Os avanços da ciência gradualmente levantam a cortina do desconhecido e nos garantem conhecimentos técnicos. Assim acontece em medicina, física, química, arqueologia e tantas outras áreas da ciência. A astrofísica não ficaria para trás. Daria também passos ambiciosos. Cientistas que trabalham para universidades dos Estados Unidos anunciaram em março de 2014 descobertas sobre o Big Bang, uma teoria da explosão rápida e violenta que supostamente deu origem ao universo 13,8 bilhões de anos atrás. Eles alegaram que um de seus telescópios conseguiu captar “ondas gravitacionais primordiais” e “luzes polarizadas” hipoteticamente produzidas durante o Big Bang. Esta informação lhes permitiria aprofundar o conhecimento sobre o universo em seu estágio inicial.
Bruno Peron Loureiro

Para queimar o filme

Somos espectadores do desentendimento que há entre educadores e educandos no Brasil. Gestores e legisladores, alguns dos quais sugeriram “revoluções” na maneira de educar, propuseram medidas improcedentes e polêmicas para a educação. Entretanto eles poucas vezes desceram da frente do púlpito para sentir a necessidade de quem está atrás de uma escrivaninha. Estou preocupado com a aprovação de mais uma lei que reproduz a educação, mas não a transforma. A lei 13.006 prevê que, a partir de 26 de junho de 2014, as escolas tupinicas devem exibir pelo menos duas horas mensais de filmes tupinicas a estudantes no ensino básico.
Bruno Peron Loureiro

Por outra Educação no Brasil

Deputados federais aprovaram o texto do Plano Nacional de Educação no fim de maio de 2014. Este Plano, que deverá vigorar de 2011 a 2020, tramitava no Congresso. Há vinte metas a serem alcançadas no prazo de dez anos, como aumento de matrículas em creches, valorização do magistério e erradicação do analfabetismo. O Plano anterior (de 2001 a 2010) veio com o mesmo propósito e teve metas muito parecidas, mas não tivemos uma revolução na Educação. Com o novo texto, os investimentos em Educação pública passarão de 5% a 10% do Produto Interno Bruto, o que vejo como um grande avanço. No entanto, haverá briga com os setores onde o governo deixará de investir recursos. Além disso e o que considero mais importante, a Educação não mudará se não houver uso sensato dos recursos públicos.
Bruno Peron Loureiro

Achamos que não é conosco

Algumas bocas sinceras dizem que um dos motivos pelos quais Estados Unidos não ratificou o Protocolo de Quioto (que prescreve metas de redução de gases que prejudicam o meio ambiente) é o receio de entravar alguns setores de sua economia. Talvez se refiram às indústrias estadunidenses que poluem o ar, a água e o solo. Por analogia, é possível deduzir que o Brasil só não acaba com o desmatamento de uma vez por causa da expansão descontrolada da agricultura e da pecuária no interior.
Bruno Peron Loureiro

Bater palmas e dar palmadas

Em 4 de junho de 2014, o Congresso Nacional aprovou o Projeto de Lei da Câmara 58/2014 com o nome de Lei Menino Bernardo. O uso da expressão Lei Menino Bernardo em vez de Lei da Palmada foi uma sugestão da apresentadora de televisão Xuxa Meneghel, que acompanhou os debates e fez pressão a favor desta Lei. A recomendação de Xuxa é de que familiares e educadores instruam as crianças e os adolescentes sem uso de qualquer tipo de violência. Até aí tudo bem. Batem-se palmas. Ninguém aguenta mais tanta violência neste país.
Bruno Peron Loureiro

Interdição das vias de acesso

Reivindicações coletivas emergem de vários lugares do Brasil a favor de mudanças que favoreçam grupos esquecidos, minoritários e excluídos. Movimentos sociais têm convocado milhares de pessoas para pedir melhoras em serviços oferecidos pelo governo e para protestar contra malversação de dinheiro público. Multidões foram às ruas em junho de 2013 e protestos novamente tomaram corpo em maio e junho de 2014. Enfatizo as contrariedades de inclusão social e que muitas destas demandas criticam as dificuldades de acesso a bens e serviços. E fazem-no com razão. Num país onde o setor produtivo tira das maiorias para dar às minorias sem jamais dividir o tal do “bolo” que cresce, é urgente repensar nos usos dos termos “acesso” e “inclusão”.
Bruno Peron Loureiro

Sal na bunda de passarinho

Entre tantas pessoas divertidas que passaram pela minha vida, uma delas animava com seus chistes e ditos até defunto. Erguia o moral das pessoas. Decerto ele era bem visto por aqueles que, afinal, levantavam a cabeça e seguiam a luta. Na minha infância, veio todo sério a contar-me que descobriu como eu poderia paralisar passarinhos para vê-los de perto. Bastava depositar um punhado de sal na bunda de um passarinho. E não é que, em minhas tentativas ingênuas de pirralho, tentei várias vezes?! Chegava perto de algum pardal com um punhadinho de sal na mão, mas ele dava uns pulos e voava.
Bruno Peron Loureiro

Padrão de beleza no Brasil

Não há padrão de beleza certo ou errado, bom ou ruim, melhor ou pior, mas aquele que serve à autoestima e à aceitação de nós mesmos. Como é de se esperar nos países modernos ocidentais, os meios de comunicação (sobretudo em suas telenovelas) têm um papel influente na definição de que aparência e que corpo as pessoas devem ter. É nítido que, no Brasil, o modelo clássico greco-romano de beleza física é bastante presente; ainda assim, este modelo tem sofrido modificações no decorrer do tempo que favoreceram uma aparência alta, magra e loira para homens e mulheres.
Bruno Peron Loureiro

Grilhões da produtividade

As relações de trabalho no Brasil precisam de uma reorganização que leve os brasileiros ao entendimento do papel do trabalho na elevação de sua dignidade e na construção de um país melhor. O cenário atual é duplamente nocivo: há desestímulo ao empreendedorismo e fé no papel protetor do Estado no Brasil. Noutras palavras, o empreendedor pequeno e médio encontra obstáculos infindáveis para desenvolver seus negócios, entre outros fatores, devido ao excesso de encargos trabalhistas e ao monopólio de algumas indústrias. Para complicar ainda mais este quadro, o Estado tem sido visto como único ente que remunera justamente as aptidões do trabalhador (por exemplo ao pagar salários extremamente elevados a um número crescente de cargos públicos concursados). O setor privado, por sua vez, tem pago os salários mínimos possíveis.
Bruno Peron Loureiro

Lassidão das forças repressivas

O aumento da violência no Brasil, ao contrário do que muitos gestores públicos pensam, não se deve à falta de repressão ou até mesmo de presença das forças armadas e policiais onde elas não estão. Há um aspecto mais importante de que o Estado tem descuidado: o país tem pelejas eleitorais calorosas (e inflamadas pelos meios de comunicação), mas carece de um projeto concordante para transformações culturais e sociais duradouras. Enquanto o Estado não cuida de nossos jovens porque tem o rabo preso com as elites (nacionais e estrangeiras) em direção às quais nosso dinheiro flui, grande parte de nossos meio-cidadãos e semi-profissionais formam-se para disputar o que lhes cabe num cenário cada vez mais competitivo.
Bruno Peron Loureiro

Fuga de cérebros e talentos

Uma questão premente no Brasil é a de equilibrar o nível educativo de seus jovens porque aumenta a distância entre os que sabem pouco e os que sabem muito. Esta educação deverá, ainda, ser suficiente para que tais jovens tenham condições de lutar por um país melhor. Nesta ocasião, gostaria de fazer alguns comentários sobre o que se costuma chamar fuga de “cérebros” e talentos. É fundamental entender que o Brasil insere-se num sistema competitivo, de disputas de mercado e poder entre países. Não quero dizer com isso que o mundo todo seja assim. Contudo, o Brasil faz o jogo de países poderosos, que não têm comiseração de nossos problemas sociais. Está tudo num esquema de objetividade de nosso comportamento cívico. Por isso, temos que prepararmo-nos para enfrentar esta realidade das relações internacionais sem ter receio de não ir para o Céu porque nossas religiões pregam a abnegação e a servilidade.
Bruno Peron Loureiro

Pressupostos do ‘Risco Brasil’

O “risco país” é um indicador que mede a fertilidade econômica de um país (no Brasil, fala-se de “risco Brasil”) ou o perigo de crédito que ele oferece aos olhos de agências e investidores estrangeiros (Fitch Ratings, J. P. Morgan Chase, Moody´s, Standard & Poor's, etc.). Entretanto, o pressuposto deste indicador é uma inverdade. Economistas, jornalistas e analistas proclamam na imprensa e na televisão que todo país gostaria de receber investimentos estrangeiros; caso contrário, haveria crescimento baixo, diminuição dos salários e aumento do desemprego. O “risco Brasil” virou um pressuposto analítico de economistas, jornalistas e analistas para justificar ideias e políticas econômicas. Assim, ele é mais que um conceito-veículo de segundas e terceiras intenções; é um combustível para políticas de crescimento econômico e para a internacionalização de empresas brasileiras.
Bruno Peron Loureiro

Direitos e deveres no Brasil

Poucas vezes os direitos humanos estiveram tanto em evidência no Brasil como nos tempos atuais. Setores diversos da sociedade, muitos deles se reivindicam como minoritários, lutam por mais espaço, legitimidade e visibilidade. Bandeiras de vários movimentos sociais e grupos menos organizados alçam-se no Brasil em busca de tarifas mais baratas de ônibus, moradias, segurança (nas escolas, nos bairros) e inserção na sociedade através de políticas que afirmem certas identidades.
Bruno Peron Loureiro

Redes de combate à pobreza

A formação de redes de diálogo entre profissionais envolvidos no combate à pobreza é um avanço no Brasil. De fato, uma tarefa tão árdua não poderia pesar nos ombros de um único Ministro ou outro tomador de decisão. Este esforço, no entanto, esbarra num erro de cálculo geográfico: onde está a pobreza. Ao crer que a pobreza está somente nas favelas e nas periferias, tomadores de decisão descuidam do teor pobre de suas próprias ideias. Embora equipes governamentais esforcem-se para corrigir os programas sociais, as políticas de inclusão educacional-social do Brasil estão longe de ser exemplo para o mundo.
Bruno Peron Loureiro

Brasil, país de convergências

É fato lamentável que a nataiada brasileira identifique-se mais com estilos de vida europeus e norte-americanos que com seus vizinhos que não podem comprar um carro do mesmo modelo, nem o iPhone 5 lançado pela "maçã mordida". Orgulham-se de planejar viagens às terras frias da Europa (o que de fato não é um costume do século XXI), mas não lhes passa pela cabeça que seriam muito melhor recebidos em qualquer país vizinho (por exemplo: Chile, Colômbia, Uruguai e Argentina, mas nesta só se ganharmos de goleada).
Bruno Peron Loureiro

Alvoroço cervejeiro no Brasil

A Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil) informou que tal indústria produz 13 bilhões de litros de cerveja por ano no Brasil. A indústria brasileira neste setor é a terceira maior do mundo e só fica atrás da dos Estados Unidos e da China; há poucos anos, ela superou as da Alemanha e da Rússia. Mas o Brasil não é só grande produtor; é também grande consumidor. Nisto reside o gigante problema. Não nego que a indústria cervejeira tenha impacto econômico no desenvolvimento do Brasil e portanto melhore nossos índices de emprego, investimento e renda. O portal Cerveja Brasil anuncia que a indústria cervejeira no Brasil emprega 1,7 milhão de pessoas e contribui para 1,6% do Produto Interno Bruto do país.
Bruno Peron Loureiro

Furor democrático

Ontem, ser ignorante significava estar por fora das letras; hoje, ser ignorante significa não estar por dentro da programação da televisão. Há, portanto, uma inversão de valores na qual uns se amparam, porém à qual outros se resignam e por vezes se desesperam. Empresas privadas usam frequências e ondas concedidas pelo Estado para difundir seu conteúdo programático e seus valores através de uma multiplicidade de meios de comunicação. Portanto, se, de um lado, o Estado tem todo direito de regular a informação que percorre os caminhos públicos de comunicação, por outro, temos também o de virar a página do jornal quando discordarmos do conteúdo de uma notícia ou de mudar de canal quando um programa de televisão não satisfizer nossa necessidade. Ou senão, de maneira mais radical, evitaríamos ler periódicos de cuja linha editorial discordamos ou desligaríamos a televisão.
Bruno Peron Loureiro

Imposto sobre importados

A lei que determina o imposto de importação no Brasil merece revisão para esclarecer melhor os consumidores e evitar injustiças. Uma destas refere-se ao número exorbitante de categorias de produtos que são taxados, mas muitos deles de forma desnecessária. Na situação atual, produtos que não têm equivalente nacional à venda (como certas variedades de aparelhos eletrônicos que não interessam à indústria nacional) não deveriam ser tributados, visto que a cobrança de impostos sobre eles não tem cabimento para proteger a indústria nacional. O Imposto de Importação tem sua razão de existir, porém. Não me oponho completamente a ele desde que se aplique com prudência e sensatez.
Bruno Peron Loureiro

Tradição de misoneísmo

Há tempos, noto a aversão que o brasileiro tem de ser corrigido. Por vezes, as retificações se fazem na forma de escárnio ou piada. Assim seguimos falando um português cheio de vícios de linguagem (“a nível de”, “estarei apresentando”) e incorreções gramaticais. Mais grave é nossa teimosia frente a mudanças na interação com os outros e à observância de direitos e deveres, portanto exemplos externos ao âmbito das letras. A educação está em todos os planos de governo e na ponta da língua de políticos, mas se trancafia num baú de esperanças duradouras. Quando se reanimam os otimismos, a mesmice reitera-se nas políticas que esquecem a educação dos pirralhos enquanto elas privilegiam a formação de quem já é bem educado e já tem boa formação, mandando-os ao exterior para que voltem ainda melhores. Assim este segundo grupo (merecedor de educação como os pirralhos também o são) retorna poliglota e enciclopédico a educar jovens a quem se presenteia o ingresso às universidades como um privilégio.