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	<title>Debates Culturais - Liberdade de Idéias e Opiniões &#187; Bira Câmara</title>
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		<title>O mundo vai acabar!</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Aug 2011 03:03:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bira Câmara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bira Câmara]]></category>

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		<description><![CDATA[O fantasma do fim do mundo assombra a humanidade desde tempos imemoriais, paranóia estimulada por profetas, videntes e astrólogos dos quatro cantos do planeta. A história registra com abundância profecias sobre o fim do mundo e o efeito muitas vezes trágico provocado por elas. E mesmo com o fiasco de todas estas profecias, as pessoas continuam a levá-las à sério e a dar crédito aos loucos que se intitulam profetas. Uma coisa é certa: o mundo vai acabar um dia; pode ser amanhã, na semana que vem, daqui a um ano, uma década, um século ou milênios…]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Fim-do-mundo.jpg" alt="Fim do mundo" title="Fim do mundo" width="226" height="223" class="aligncenter size-full wp-image-12583" />O fantasma do fim do mundo assombra a humanidade desde tempos imemoriais, paranóia estimulada por profetas, videntes e astrólogos dos quatro cantos do planeta. A história registra com abundância profecias sobre o fim do mundo e o efeito muitas vezes trágico provocado por elas. E mesmo com o fiasco de todas estas profecias, as pessoas continuam a levá-las à sério e a dar crédito aos loucos que se intitulam profetas.</p>
<p>Uma coisa é certa: o mundo vai acabar um dia; pode ser amanhã, na semana que vem, daqui a um ano, uma década, um século ou milênios…</p>
<p>A crença de que o mundo iria acabar no ano 2000, gerada pela interpretação errônea do texto do Apocalipse e pelas profecias estapafúrdias de Nostradamus, tirou o sono de muita gente no século passado. Depois do fracasso delas, seria lógico supor que as pessoas deixassem de acreditar, definitivamente, em profetas e videntes de qualquer tipo. Mas ao invés disso, a crença retorna agora revigorada por supostas profecias baseadas em um dos calendários maias.</p>
<p><strong>Profecias Maias</strong></p>
<p>O estudioso guatemalteca Enrique Alvarado, que reside na Áustria, desmente toda esta enxurrada sensacionalista sobre o fim do mundo. Desde 1992, quando se tornou sacerdote maia (Ajquij), Alvarado estuda os calendários maias, em especial o Calendário Ritual ou Tzolkin. Segundo ele, não há um calendário maia, mas vários que formam um sistema, pois estão interligados; além disso, nenhum destes calendários termina em 2012 ou outra data. </p>
<p>Por definição, um calendário é um instrumento para medir o tempo e não uma contagem regressiva; portanto, não tem um final, a menos que se considere como tal o momento no qual se deixa de usá-lo, o que não aconteceu aos que foram elaborados pelos povos maias, pois ainda são usados diariamente na América Central.</p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/capa-fim-do-mundo-web1.jpg" alt="capa fim do mundo.p65" title="capa fim do mundo.p65" width="159" height="227" class="aligncenter size-full wp-image-12585" /></p>
<p>É evidente que a maioria dos livros, artigos e sites que exploram este tema tenta fazer conexões com profecias conhecidas e assuntos sem nenhuma relação com o calendário maia.</p>
<p>Para tentar justificar o injustificável, os esotéricos rechearam essas profecias  com argumentos retirados de assuntos completamente estranhos a elas. Vale tudo para vender o peixe: astrologia de almanaque, hexagramas chineses, runas nórdicas, conceitos tirados de filmes de ficção científica (portal dimensional, quarta dimensão, alienígenas), bobagens inventadas pelo pessoal new age (canalizações, mensagens de mestres ascensionados), Nostradamus, Bíblia, física quântica interpretada por gente que mal sabe soletrar o próprio nome… São tantas bobagens que acho estranho não citarem a previsão feita num dos episódios da série Arquivo X, onde 22 de dezembro de 2012 é o dia da invasão dos extraterrestres!</p>
<p>Na verdade não há nenhuma profecia “detalhada” na cultura maia sobre o que acontecerá em 2012. Os poucos textos desta civilização que foram traduzidos são criptográficos e imprecisos. Afirma-se que os seus calendários terminam em 2012, mas embora sua mitologia fale em mudanças de eras (como quase todos os povos da antiguidade), não há nada que permita deduzir-se que tenham profetizado o fim do mundo nesta data. Para dar respaldo a essa fantasia, os autores que escreveram livros a respeito misturaram outras profecias (que fracassaram), como as de Nostradamus, de Edgard Cayce, de Jeanne Dixon e do Apocalipse entre outras. A maioria de seus argumentos nada têm a ver com o calendário maia, mas impressionam os incautos que não percebem a inconsistência deles. Da mesma forma, os argumentos pseudo-científicos que utilizam são arbitrários e tentam fazer conexões que não resistem a uma análise mais acurada.</p>
<p>É evidente que o mundo está sofrendo transformações climáticas que tendem a aumentar, com consequências catastróficas no futuro. Estamos colhendo o resultado de décadas de depredação do meio ambiente, desmatamento, poluição, efeito estufa, explosão demográfica, etc. Que estamos caminhando para o caos, que mudanças radicais e catastróficas podem acontecer é uma previsão fácil de acertar, de tão óbvia; mas apontar datas para futuros desastres é um mero jogo de adivinhação que serve apenas para vender livros e semear inquietação nas mentes mais sugestionáveis.</p>
<p><strong>Balaio de gatos<br />
</strong><br />
Profecias catastróficas sempre fizeram parte do repertório de videntes, astrólogos e profetas; mas que eu saiba, nenhum deles previu as duas maiores conflagrações mundias ocorridas no século vinte: a primeira e a segunda guerra.</p>
<p>Terremotos, inundações, cataclismas que destruíram civilizações no passado estão no inconsciente coletivo da humanidade. Na própria Bíblia, na mitologia grega e sumeriana estes eventos são sempre registrados como supostos castigos divinos.</p>
<p>Os esotéricos tentam dourar a pílula, dizendo que segundo o calendário maia haverá em 2012 um alinhamento do Sol em relação ao centro da Via Láctea, que provocará a emissão de uma energia radiante, que alcançará a a Terra através do Sol, iniciando um “ciclo de evolução para a humanidade”.</p>
<p>Tudo isso é uma bela peça de ficção; mas teriam os maias uma astronomia tão sofisticada a ponto de saber o que é galáxia, energia radiante ou buraco negro? O próprio conceito de “evolução” é coisa moderna, que surgiu na cultura ocidental a partir de Darwin; portanto, o que os maias têm a ver com isso?</p>
<p>De fato, eles elaboraram um calendário muito preciso, mas isso não significa necessariamente que tivessem meios de prever o que acontecerá no futuro. Diga-se de passagem que os maias mostraram mais discernimento em relação aos conquistadores espanhóis do que os astecas; enquanto estes acolheram seus futuros algozes como deuses, os maias os rechaçaram de início e não entregaram o ouro sem uma feroz resistência…</p>
<p>Talvez já tivessem sido prevenidos sobre a cordialidade espanhola; da centena de homens do início da expedição comandada por Francisco Hernandez de Córdoba, no primeiro contato com os maias cinqüenta foram mortos e os que não tiveram suas gargantas cortadas com espadas de madeira encravadas de sílex foram capturados para servirem a futuros sacrifícios. Apesar da sua civilização notável, da sua arquitetura, da astronomia sofisticada, da escrita, esse povo tinha costumes cruéis, como sacrifícios humanos, que horrorizaram os próprios espanhóis. Por isso, não deixa de ser risível que os esotéricos atribuam a noção de “evolução cíclica da humanidade” a um povo que acreditava em deuses cruéis e impiedosos, e praticava sacrifícios rituais até de crianças… Suas crenças só poderiam inspirar visões futuras de destruição e morte.</p>
<p>Aliás, a religião quase sempre é um reflexo da cultura e da realidade de um povo; o Apocalipse bíblico foi escrito por um profeta sedento de sangue, mergulhado no ressentimento, alimentado pelo ódio à vida, ao mundo e aos romanos. No fundo, suas visões eram a expressão do seu desejo de aniquilação coletiva imediata. </p>
<p>Os adeptos destas supostas profecias tentam colocá-las em concordância com outras teorias relativas ao Fim dos Tempos e com a crença de que a humanidade deve passar por um processo de regeneração coletiva, de separação do joio do trigo.</p>
<p>No fundo, é a mesma idéia compartilhada pelos espíritas adeptos da teoria dos exilados do planeta Capela, dos crentes da passagem do “planeta X” ou Hercólobus e, também, dos teosofistas que acreditam nos mitos das civilizações arcaicas da Lemúria e Atlântida. Mas nas supostas profecias maias não há referência a este planeta intruso e, portanto, essa conexão fica por conta da imaginação dos seus intérpretes.</p>
<p>Os cientistas também previram uma intensa atividade solar entre 2011 e 2012, embora neguem que isso possa acarretar catástrofes. Tempestades solares intensas acontecem periodicamente e há quem acredite que a atividade solar em 2012 possa provocar uma mudança significativa na inclinação do eixo da Terra e produzir, em conseqüência, atividades geológicas de proporções catastróficas. Não é a primeira vez que cientistas se metem a prever catástrofes e fracassam, da mesma forma que videntes e profetas do passado.</p>
<p>A única conclusão a tirar disso tudo é que, caso 2012 passe em branco, podem estar certos de uma coisa: novas profecias serão anunciadas e o povão, esquecido de todas as que fracassaram, também acreditará nelas…</p>
<p><strong>Predições astrológicas e psicose coletiva</strong></p>
<p>À guisa de ilustração, citaremos algumas situações anedóticas provocadas por predições de astrólogos, referentes ao fim do mundo:</p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Loucos.JPG" alt="Loucos" title="Loucos" width="420" height="321" class="aligncenter size-full wp-image-12588" /></p>
<p>Em 1179 o célebre astrólogo João de Toledo previu que a conjunção de sete planetas no signo de Libra em setembro de 1186 desencadearia um cataclisma universal. A divulgação de sua profecia aterrorizou o Oriente e o Ocidente civilizados com a ameaça de tempestades terríveis e tremores de terra. Toledo conclamou a todos a se esconder em cavernas e montanhas, pois o mundo seria destruído e apenas alguns seriam poupados.</p>
<p>Nada ocorreu e depois Toledo justificou-se alegando que a conjunção, na verdade, relacionava-se à invasão dos hunos, um “pequeno erro interpretativo” que provocou pânico, desespero, suicídios e saques.</p>
<p>Outro astrólogo cristão, chamado Corumfiza, predisse que os árabes seriam totalmente destruídos por tempestades, ventos fortes e um grande fedor. Milhões de pessoas prepararam-se para o pior e em todos os países da Europa construíram-se abrigos subterrâneos. Na Pérsia e na Mesopotâmia as cavernas foram preparadas para abrigar refugiados; em Bizâncio o imperador mandou retirar as janelas do seu palácio e cobri-las com vigas. Na Inglaterra – em Winchester –, uma freira caiu em transe, recitou versos latinos assustadores profetizando eventos terríveis por causa da conjunção e morreu logo em seguida; neste clima de histeria, o arcebispo de Canterbury ordenou um jejum de três dias. Mas na data determinada, o dia amanheceu com um tempo esplêndido e nem a mais leve brisa incomodou os mortais. Um dos monges da cidade, ao qual não faltava senso de humor, deixou registrado: “Sofremos só o temporal que Sua Eminência desencadeou do púlpito”. Digno de registro, houve apenas um pequeno terremoto na Inglaterra em 1185 e algumas inundações em 1187, ano que também marcou a queda de Jerusalém.</p>
<p>O episódio caiu no esquecimento e logo outras catástrofes foram anunciadas, com intervalos de algumas décadas, nos anos de 1229, 1236, 1339, 1371,1395, 1422,1432, 1451, 1460, 1487.</p>
<p>Em janeiro de 1523, um grupo de astrólogos londrinos chegou à conclusão que o fim do mundo aconteceria por um dilúvio no ano seguinte, em primeiro de fevereiro de 1524, devido a uma conjunção planetária no signo de Peixes. Por causa disso, um mês antes, duas mil pessoas abandonaram Londres, buscando terras mais altas e um clérigo armazenou comida e água numa fortaleza construída por ele. Como nem uma gota de chuva caiu, um dia depois os astrólogos se justificaram alegando um “pequeno erro de cálculo” e disseram que o fim do mundo seria em 1624, e não em 1524. Mas esta retratação não serviu de consolo para os londrinos, cuja cidade foi toda saqueada por ladrões durante o “dia da evacuação”.</p>
<p>O astrólogo alemão Joahnnes Stöffler também conseguiu semear pânico e terror no seu país ao predizer um dilúvio de proporções universais que engoliria a humanidade em 20 de fevereiro de 1524. Astrônomos espanhóis confirmaram a previsão e uma enxurrada de panfletos anunciando o fim do mundo espalhou o medo pela Europa. Em todos os lugares não se falava em outra coisa, senão do iminente dilúvio universal. Também profetizou-se contratempos para a Igreja e flagelos cruéis aos judeus. Como a conjunção ocorreria em Peixes, signo do cristianismo, era certo que toda a cristandade, principalmente nas regiões do norte e do sudoeste, seria vítima de trombas d’água, chuvas de pedras, estrelas cadentes, dragões chamejantes e um cometa pavoroso. Em Tolosa, os moradores construíram uma arca gigantesca. Na orla marítima, as pessoas aguardaram o pior distribuídos em barcos e houve quem vendesse todos os bens ou corresse a ultimar o testamento. Na Alemanha, na data prevista para o cataclisma, todas as famílias da corte refugiram-se numa ridícula colina perto de Berlim, rodeados pelos súditos chorosos. Mas não caiu uma única gota d’água naquele dia, a não ser as lágrimas das pessoas apavoradas. O ano foi frio e chuvoso, mas em nenhum lugar houve enchentes.</p>
<p>Após o fracasso de sua predição, Stöffler transferiu o dia do juízo final para 1528…</p>
<p>O curioso de tudo isso é que, algumas décadas depois, as pessoas comentaram este evento como se tivesse ocorrido de fato uma inundação catastrófica e que a humanidade havia escapado dela sem maiores prejuízos! Melanchton, amigo de Lutero, chegou a dizer que a previsão de 1524 havia se cumprido durante a sua vida, atestando assim o poder dos astros…</p>
<p>Já em 1528, por ocasião da passagem de um cometa, o médico Ambroise Paré registrou que algumas pessoas morreram de medo e outras caíram doentes só de contemplá-lo. </p>
<p>Acreditou-se que o fim do mundo estava próximo e muita gente legou seus bens aos mosteiros. Os padres revelaram mais bom senso e aguardaram a vontade dos céus aceitando de bom grado os bens terrenos.</p>
<p>Diante de tantos disparates, só nos resta rir de todas estas bobagens e lamentar que os homens continuem, obstinadamente, a alimentar a pretensão de adivinhar o futuro. De uma coisa temos certeza: o mundo vai acabar um dia e talvez algum maluco consiga acertar os números da loteria do fim do mundo. Mas que glória existirá nisso?</p>
<p><em>*<strong>Bira Câmara</strong> é artista gráfico, ilustrador, pintor autodidata e escritor. Nascido em 09/09/1950, em Mayrink, estado de São Paulo. Publicitário, formado em comunicação social pela ESPM, também atua na área jornalística e é diretor adjunto da A.P.I. (Associação Paulista de Imprensa).</p>
<p>Nos anos setenta e oitenta colaborou como ilustrador e cartunista em vários jornais e revistas, entre os quais: <strong>“Planeta” </strong>(1975/83), <strong>“Visão”</strong> (1976), <strong>Folha de S. Paulo </strong>(suplemento <strong>“Folhetim”</strong>/1977); revistas <strong>“Saúde”</strong> (1986/88), <strong>“Vogue”</strong> (1987), <strong>“Playboy” </strong>(1988), <strong>“Corpo a Corpo” </strong>(1988), <strong>“Veja SP”</strong> (1996).</em></p>
<p><em>Como pintor, além de três individuais, participou de várias exposições coletivas nos anos 70/80/90.</p>
<p>Na área de HQ, em parceria com os artistas Xalberto e Sian, publicou o álbum <strong>O Paulistano da Glória</strong>, uma história em quadrinhos de 64 páginas que tem como cenário a Paulicéia Desvairada.</p>
<p>Em 2006 editou o <strong>“Jornal do Bibliófilo”</strong>, publicação voltada para o mercado de livros usados e obras raras.<br />
</em><br />
<em>Estuda astrologia desde 1977, especializando-se na área de pesquisa histórica. Parte dessa pesquisa foi reunida no livro <strong>“Histórias da Astrologia”</strong>, ainda inédito. Publicou também dois livros defendendo uma tese sobre a Nova Era que contraria a visão dos astrólogos engajados no movimento <strong>New Age: Salada Mística – A Farsa da Nova Era</strong> (1998, reeditado em 2001) e <strong>A Nova Era – Os Deuses estão de Volta?</strong> (2006). Traduziu para o português a obra <strong>L’Ésoterisme du Serpent Vert de Goethe</strong>, de autoria de Oswald Wirth (2001).<br />
</em></p>
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		<title>O que é Ex-Libris</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Aug 2011 03:01:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bira Câmara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bira Câmara]]></category>

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		<description><![CDATA[Ex-libris é uma expressão latina empregada para determinar a propriedade de um livro e que significa literalmente dos livros. Portanto, o termo indica que tal livro é “propriedade de” ou “da biblioteca de”. A inscrição pode estar inscrita numa pequena ilustração colada em geral na contra-capa ou página de rosto de um livro para indicar quem é seu proprietário. Essa vinheta em geral contém um logotipo, brasão ou desenho e a expressão “Ex libris” seguida do nome do proprietário. Muitas vezes contém um lema, ou citação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Ex-libris_Santos-Dumont.JPG" alt="Ex-libris_Santos Dumont" title="Ex-libris_Santos Dumont" width="180" height="280" class="aligncenter size-full wp-image-12572" />Ex-libris é uma expressão latina empregada para determinar a propriedade de um livro e que significa literalmente dos livros. Portanto, o termo indica que tal livro é “propriedade de” ou “da biblioteca de”.</p>
<p>A inscrição pode estar inscrita numa pequena ilustração colada em geral na contra-capa ou página de rosto de um livro para indicar quem é seu proprietário. Essa vinheta em geral contém um logotipo, brasão ou desenho e a expressão “Ex libris” seguida do nome do proprietário. Muitas vezes contém um lema, ou citação.</p>
<p>Até o século XIV, marcas ou inscrições de propriedade em livros não eram comuns na Europa e no Brasil, o “ex-líbris” da Biblioteca Nacional foi criado em 1903 pelo artista Eliseu Visconti, responsável pela introdução do estilo art-nouveau nas artes gráficas do País.</p>
<p>Acima, o ex-libris de Santos Dumont, o utilizado nas primeiras obras de Cecília Meireles e dois exemplos de ex-libris falantes, revelando com perfeição figuradamente o nome do possuidor:</p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/ex-libris_2.JPG" alt="ex-libris_2" title="ex-libris_2" width="500" height="230" class="aligncenter size-full wp-image-12575" /></p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/ex-libris.JPG" alt="ex-libris" title="ex-libris" width="500" height="362" class="aligncenter size-full wp-image-12578" /></p>
<p><em>*<strong>Bira Câmara</strong> é artista gráfico, ilustrador, pintor autodidata e escritor. Nascido em 09/09/1950, em Mayrink, estado de São Paulo. Publicitário, formado em comunicação social pela ESPM, também atua na área jornalística e é diretor adjunto da A.P.I. (Associação Paulista de Imprensa).</p>
<p>Nos anos setenta e oitenta colaborou como ilustrador e cartunista em vários jornais e revistas, entre os quais: <strong>“Planeta” </strong>(1975/83), <strong>“Visão”</strong> (1976), <strong>Folha de S. Paulo </strong>(suplemento <strong>“Folhetim”</strong>/1977); revistas <strong>“Saúde”</strong> (1986/88), <strong>“Vogue”</strong> (1987), <strong>“Playboy” </strong>(1988), <strong>“Corpo a Corpo” </strong>(1988), <strong>“Veja SP”</strong> (1996).</em></p>
<p><em>Como pintor, além de três individuais, participou de várias exposições coletivas nos anos 70/80/90.</p>
<p>Na área de HQ, em parceria com os artistas Xalberto e Sian, publicou o álbum <strong>O Paulistano da Glória</strong>, uma história em quadrinhos de 64 páginas que tem como cenário a Paulicéia Desvairada.</p>
<p>Em 2006 editou o <strong>“Jornal do Bibliófilo”</strong>, publicação voltada para o mercado de livros usados e obras raras.<br />
</em><br />
<em>Estuda astrologia desde 1977, especializando-se na área de pesquisa histórica. Parte dessa pesquisa foi reunida no livro <strong>“Histórias da Astrologia”</strong>, ainda inédito. Publicou também dois livros defendendo uma tese sobre a Nova Era que contraria a visão dos astrólogos engajados no movimento <strong>New Age: Salada Mística – A Farsa da Nova Era</strong> (1998, reeditado em 2001) e <strong>A Nova Era – Os Deuses estão de Volta?</strong> (2006). Traduziu para o português a obra <strong>L’Ésoterisme du Serpent Vert de Goethe</strong>, de autoria de Oswald Wirth (2001).<br />
</em></p>
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		<title>O romance gótico revisitado por um mestre do folhetim</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/o-romance-gotico-revisitado-por-um-mestre-do-folhetim/</link>
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		<pubDate>Mon, 02 May 2011 03:03:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bira Câmara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bira Câmara]]></category>

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		<description><![CDATA[As obras de Paul Féval deveriam ser lidas e estudadas com atenção por qualquer aspirante a roteirista, pois teriam muito a aprender com elas. Poucos escritores sabiam arquitetar uma trama e contar tão bem uma história como ele. Em suas mãos, até mesmo uma despretensiosa novela vampiresca acaba se desdobrando em inesperadas situações e numa complexa trama que transcende os limites do romance gótico. O que não é de surpreender, pois Féval foi um dos grandes autores de folhetim na França, chegando a rivalizar com Alexandre Dumas. Sua obra, composta por mais de 200 volumes, cujos numerosos romances populares editados em folhetins alcançaram enorme sucesso,]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Paul-Feval.JPG" alt="Paul Feval" title="Paul Feval" width="229" height="300" class="aligncenter size-full wp-image-10961" /><em>Acima: Féval, numa caricatura de Étiénne Carjat, por volta de 1865</em></p>
<p>As obras de Paul Féval (1816-1887) deveriam ser lidas e estudadas com atenção por qualquer aspirante a roteirista, pois teriam muito a aprender com elas. Poucos escritores sabiam arquitetar uma trama e contar tão bem uma história como ele. Em suas mãos, até mesmo uma despretensiosa novela vampiresca acaba se desdobrando em inesperadas situações e numa complexa trama que transcende os limites do romance gótico. O que não é de surpreender, pois Féval foi um dos grandes autores de folhetim na França, chegando a rivalizar com Alexandre Dumas. Sua obra, composta por mais de 200 volumes, cujos numerosos romances populares editados em folhetins alcançaram enorme sucesso, igualou-o a nomes como Balzac e Dumas no cenário literário. Nos anos 50 e 60 seus romances de capa e espada foram muito populares no Brasil, como <strong>O Corcunda</strong>, <strong>O Cavaleiro Lagardére</strong>, <strong>Mistérios de Londres</strong> e outros. Também incursionou pelo teatro e pela história política. Cultor da literatura fantástica, além de Ville-Vampire, escreveu obras como <strong>La Vampire</strong>, <strong>Le Chevalier Ténèbre</strong>, <strong>Une Histoire de Revenants</strong>, etc.</p>
<p>Mas não se iludam, <strong>Ville-Vampire</strong> vai um pouco além de um simples folhetim de terror. Poderia ser considerado uma resposta francesa tardia à onda dos romances góticos ingleses, que teve em Ann Radcliffe sua grande expoente. Ousado, irreverente, Féval brinca com os clichês do gênero lançando mão da sutileza característica do espírito francês. É como se ele quisesse demonstrar que ainda era possível, em sua época, escrever uma novela gótica com todos os seus ingredientes, mas fazê-lo de uma forma inventiva como nem mesmo os ingleses imaginariam. E surpreende logo de cara, pois a heroína da história é ninguém mais que a própria… Ann Radcliffe! E o mais irônico é que a rocambolesca aventura supostamente vivida pela escritora é muito mais fantástica do que todas as histórias escritas por ela.</p>
<p>A narrativa é rica de sutilezas; o autor nunca desperdiça a oportunidade de “tirar um sarro” dos ingleses, de suas peculiaridades, de sua mania de se acharem superiores aos mortais de outras raças. Todo o texto é permeado por uma afiada sátira do orgulho britânico, com sua inclinação ao narcisismo, ao egocentrismo e ao menosprezo pelo resto da humanidade. Assim, quando se refere à Ann Radcliffe, o tratamento de sua amiga Jebb é o mesmo que se deveria dar a uma deusa ou a um ser superior. E, quando cai num buraco na Holanda, prestes a ser salva por um jovem compatriota, Ann quase entra em êxtase ao admirar a beleza ímpar de seu salvador, descrito como um semi-deus… Da mesma forma, Féval também zomba das rivalidades nacionais dos povos da ilha britânica. O obtuso criado inglês de Radcliffe, em situação de extremo perigo, prefere cruzar os braços em vez de ir ao socorro de Merry Bones, um valente irlandês que consegue escapar da sanha de um grupo de vampiros graças a… sua cabeça dura! Nem mesmo o clima da Inglaterra escapa da ironia do autor.</p>
<p>Alguém poderia argumentar que esse tipo de coisa nada tem a ver com o espírito do “romance noir”, ao que poderíamos responder lembrando que há uma velada xenofobia nas primeiras novelas góticas, onde quase sempre o vilão é um estrangeiro, de preferência latino… Em <strong>Confessionário dos Penitentes Negros</strong>, da própria Radcliffe, o vilão é italiano, assim como o monge diabólico do célebre romance de Mathew Gregory Lewis, The Monk. </p>
<p>Não podemos esquecer, também, que as primeiras lendas vampirescas no leste europeu surgiram entre povos submetidos à dominação estrangeira e, é claro, a figura do vampiro representa o invasor, que vem subjugá-los e “sugar o seu sangue”. Em uma de suas obras, Prosper Merimée relatou algumas destas histórias onde o vampiro é o invasor turco. </p>
<p>Somente a partir do conto de Polidori (1819) é que o personagem sofisticou-se e, influenciado pelas idéias iluministas do século dezoito, passou a ser representado como um aristocrata, um membro da classe ociosa que vive da exploração da classe trabalhadora sugando-lhe o sangue. A metáfora é óbvia.</p>
<p>Já o vampiro Goëtzi, de <strong>Cidade Vampiro</strong>, é um pequeno burguês, doutor que nunca exerceu a medicina, ambicioso e sedento não só do sangue de suas vítimas, mas também de suas posses. Tem o poder de desdobrar-se e de transformar suas vítimas em animais, aves, insetos e até trocar o sexo. A sua entourage mais parece uma troupe circense: cães com cara humana, uma mulher careca, um homem sem rosto, um papagaio….</p>
<p><strong>Paródia e desconstrução do gótico<br />
</strong><br />
É uma pena que <strong>Os Mistérios de Udolfo</strong> ainda não tenha sido traduzido no Brasil; só quem o leu compreenderá melhor esta paródia genial, que brinca com os ingredientes mais caros à sua autora: heroínas atormentadas por tutores cruéis e desonestos, masmorras, castelos arruinados, etc. O próprio estilo de Radcliffe é parodiado, numa espécie de metacrítica, quando a inconsistência de determinado personagem é comentada, bem como a mania da autora de justificar e explicar.</p>
<p>Escrita em 1875 (portanto 22 anos antes de <strong>Drácula</strong>), lança mão de alguns artifícios inovadores no andamento da história; ela começa sendo parcialmente contada por fragmentos de cartas e por alguém que a ouviu da própria boca de Ann Radcliffe. Outro detalhe é que em alguns pontos a narrativa é interrompida para voltar no tempo e descrever os eventos que precederam a ação que está sendo descrita. Impossível não deixar de lembrar que este tipo de recurso hoje é utilizado por roteiristas de cinema até a exaustão como se fosse novidade.</p>
<p>A forma como Féval desdobra a trama, mas ao mesmo tempo toma atalhos para encadear as sequências e evitar explicações detalhadas torna a leitura fluente; o leitor é “fisgado” e não larga o livro até chegar ao final, como se assistísse a um thriller. Além de não economizar surpresas, deixando o leitor à espera da próxima, não perde tempo com descrições inúteis e nem mesmo com o modus operandi do vampiro Göetzi, que beira o bizarro. Ele faz transplante de cabelo e suga o sangue de uma vítima sem mordê-la, depois de espetar-lhe o pescoço com uma agulha; além de transformar algumas delas em animais e até insetos! Vampiro exigente, sente repugnância pelo sangue de uma velha e só tem apetite por donzelas…</p>
<p>A habilidade de Féval para contar bem uma história pode ser avaliada pela ausência de “fios soltos” na sua narrativa, onde detalhes aparentemente insignificantes mais adiante servirão para justificar e/ou “amarrar” segmentos. Uma bela lição para os roteiristas de Hollyood, que quase sempre pulam por cima da lógica, da verossimilhança e até da coerência do argumento, ao deixar de explicar pontos importantes do roteiro.</p>
<p>A sensação que se tem ao ler esta novela é que ela poderia muito bem ter sido escrita nos dias de hoje. Contada num ritmo delirante, a história faz ao mesmo tempo uma paródia do romance de terror e a própria desconstrução do gênero. Para quem está familiarizado com os clichês e arquétipos da clássica novela gótica, <strong>Cidade Vampiro</strong> é um prato cheio, com todos os seus elementos: o fantástico, o assustador, o terrorífico, mas também irresistivelmente divertida. Além disso, a narrativa é tensa e pontuada por muita ação, sem contar com o inesperado a cada página. A descrição de Selene, a cidade dos vampiros, é magistral, cinética, onírica e lisérgica como uma viagem de ácido. Que formidável desafio teria um diretor de cinema ou um desenhista de HQ se tentasse passar para a tela ou para o papel as imagens surreais da cidade dos vampiros, com sua esdrúxula arquitetura, suas estátuas de animais bizarros e de donzelas subjugadas por feras mitológicas!</p>
<p><strong>Um vampiro diferente</strong></p>
<p>A fixação pelo bizarro, pelo grotesco, pelo humor negro, tem raízes na literatura fantástica na França por obra e graça de Hoffmann, que caiu no gosto dos franceses e teve incontáveis edições por lá. Para o leitor entender melhor, já por volta de 1828, quando os contos de Hoffmann foram traduzidos pela primeira vez na França, os romances góticos ingleses (Radcliffe, Byron, Maturin, Lewis, etc.) já tinham entrado em estado de saturação com seus castelos, ruínas, paisagens tétricas, fantasmas, monges malfeitores, etc. Todos esses clichês já estavam esgotados e só poderiam ser objeto de paródia ou crítica, como o fez Jane Austen em <strong>A Abadia de Northanger</strong> (1817), onde os romances góticos e seus excessos que beiram o ridículo são substituídos por uma história prosaica e um cenário cotidiano plausível.</p>
<p>Hoffmann mudou este panorama e inspirou muitos autores franceses como Nerval, Musset, Gauthier e até Balzac – entre outros, dando nova direção para a literatura fantástica. Assim, um autor que abordasse a temática gótica mais de 40 anos depois de sua saturação, só poderia transgredir o gênero, inová-lo, romper seus paradigmas, revestir a figura vampiresca com outros atributos e é o que Féval fez com o vampiro Göetzi.</p>
<p>Os críticos sempre torceram o nariz para este gênero, considerado de gosto duvidoso e recheado de excessos imaginativos. Mas o que é condenável para a crítica, quase sempre cai no gosto popular… </p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Cidade-Vampiro.JPG" alt="Cidade Vampiro" title="Cidade Vampiro" width="200" height="282" class="aligncenter size-full wp-image-10958" /></p>
<p>Sem dúvida o senso de humor apurado e o gosto pelo burlesco, na medida certa, lembram Hoffmann. Aliás, em muitas produções da vertente gótica o humor está presente, mesmo que às vezes de forma sutil. Esse toque humorístico ou irônico faz o papel da habitual piscadela, deixando explícito a mentira, o embuste, a invenção.</p>
<p>Entre outras sutilezas que o leitor perspicaz há de descobrir no texto, destacamos o nome do vampiro-vilão da história, sr. Göetzi, aparentemente inspirado no termo “goétie” (em português goécia, do latim medieval goetia), que designa a prática da magia negra. Com efeito, trata-se de um arquivampiro capaz de desdobrar-se em múltiplas personalidades, como um verdadeiro mago negro.</p>
<p>O morcego é uma figura emblemática do universo vampiresco; no entanto, Féval quebra este paradigma e põe a aranha em seu lugar. Não poderíamos deixar de notar que a estratégia do sr. Göetzi para alcançar seus objetivos tem algo a ver com este aracnídeo: através do desdobramento de seus asseclas, ele vai infiltrando-se no território da vítima, envolvendo-a com suas intrigas até dar o bote final. A própria trama da história é como uma teia de aranha, não linear, contada com saltos no tempo e cortes que lembram a estrutura narrativa de uma história em quadrinhos ou de um filme de ficção científica, o que lhe dá um toque de modernidade.</p>
<p>O rótulo de surrealista também poderia muito bem ser aplicado a <strong>Cidade Vampiro</strong>, assim como o de pós-moderno, o que é surpreendente, pois seu autor passou ao largo das correntes literárias ditas de “vanguarda” de seu tempo e gozava de grande popularidade. A única coisa que poderia explicar isso é que o que já nasce moderno não envelhece nunca e continua sendo atual e universal em qualquer época. Quanta coisa não foi produzida em nome do moderno, em todos os campos e se tornou datada, precocemente envelhecida? Assim, Homero, Shakespeare, Cervantes, Goethe, Lewis Carol, e tantos outros, desafiam o tempo e permanecem sempre atuais, mesmo sofrendo sucessivas adaptações e releituras.</p>
<p><strong>* * *</strong></p>
<p>Um enigma é a persistente menção à cor verde na história, sempre relacionada à aparição do sr. Göetzi. Seria um mero artifício dramático? Em geral a figura vampiresca está ligada ao vermelho (o sangue) e ao negro (escuridão, trevas). Talvez seja uma referência à velha lenda parisiense do diabo verde ou, também, uma conotação alquímica de transição, de morte, pois o verde é uma das cores do estado de putrefação (*). Mas como o autor é um gozador, o mais provável é que isso não passe de mais uma singularidade desse vampiro que foge ao lugar-comum de seu gênero, beirando o absurdo.</p>
<p>Outro talento de Féval é o uso do efeito teatral, como na cena do circo – por exemplo –, onde uma virgem à cavalo é devorada por um vampiro; parece concebida para o cinema.</p>
<p>Todas essas liberdades tomadas com a figura vampiresca poderão desagradar aos puristas, aficcionados ao clássico estereótipo de Drácula. Porém, mesmo assim, não poderão negar o mérito de grande contador de histórias, que rendeu a Féval enorme popularidade e a glória de ser considerado um mestre da literatura folhetinesca.</p>
<p>Como Alexandre Dumas, Féval também teve um filho homônimo que seguiu carreira literária e conseguiu notoriedade continuando a obra do pai. Paul Féval filho (1860-1933), escritor bem mais modesto, mesmo assim encontrou um público leitor assíduo graças à fama do seu imortal progenitor.<br />
Bira Câmara<br />
____________________________<br />
(*) A respeito deste tema, leia-se o excelente ensaio de Vicente Jr., <strong>O Verde é Fantástico! </strong>(<strong><a href="http://www.literaturafantastica.pro.br/">http://www.literaturafantastica.pro.br/</a></strong>).<br />
<strong>Cidade Vampiro</strong>, Paul Féval<br />
Bira Câmara Editor, 2011 / Edição de Bolso, 205 págs. – <strong>jornalivros@gmail.com</strong></p>
<p><em>*<strong>Bira Câmara</strong> é artista gráfico, ilustrador, pintor autodidata e escritor. Nascido em 09/09/1950, em Mayrink, estado de São Paulo. Publicitário, formado em comunicação social pela ESPM, também atua na área jornalística e é diretor adjunto da A.P.I. (Associação Paulista de Imprensa).</p>
<p>Nos anos setenta e oitenta colaborou como ilustrador e cartunista em vários jornais e revistas, entre os quais:<strong> “Planeta”</strong> (1975/83), <strong>“Visão”</strong> (1976), <strong>Folha de S. Paulo</strong> (suplemento <strong>“Folhetim”</strong> (1977); revistas <strong>“Saúde” </strong>(1986/88), “Vogue” (1987), <strong>“Playboy”</strong> (1988), <strong>“Corpo a Corpo”</strong> (1988), <strong>“Veja SP”</strong> (1996).</p>
<p>Como pintor, além de três individuais, participou de várias exposições coletivas nos anos 70/80/90.</p>
<p>Na área de HQ, em parceria com os artistas Xalberto e Sian, publicou o álbum <strong>O Paulistano da Glória</strong>, uma história em quadrinhos de 64 páginas que tem como cenário a Paulicéia Desvairada.</p>
<p>Em 2006 editou o <strong>“Jornal do Bibliófilo”</strong>, publicação voltada para o mercado de livros usados e obras raras.</p>
<p>Estuda astrologia desde 1977, especializando-se na área de pesquisa histórica. Parte dessa pesquisa foi reunida no livro <strong>“Histórias da Astrologia”</strong>, ainda inédito. Publicou também dois livros defendendo uma tese sobre a Nova Era que contraria a visão dos astrólogos engajados no movimento <strong>New Age: Salada Mística – A Farsa da Nova Era</strong> (1998, reeditado em 2001) e <strong>A Nova Era – Os Deuses estão de Volta?</strong> (2006). Traduziu para o português a obra <strong>L’Ésoterisme du Serpent Vert de Goethe</strong>, de autoria de Oswald Wirth (2001).<br />
</em></p>
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		<title>Protocolos dos Sábios de Sião, a história de uma fraude!</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Aug 2010 03:03:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bira Câmara</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O que aconteceu com a obra de Maurice Joly (1829-1878) é um caso único em toda a história da literatura. Sua obra "Diálogo no Inferno", uma peça de ficção, acabou eclipsada por um plágio grotesco, "Os Protocolos dos Sábios de Sião", que se tornou mais conhecido que a peça original e se faz passar até hoje por um documento real. Publicado em 1864, em pleno Segundo Império, quando a França era governada pelo déspota Napoleão III, o livro é uma crítica mordaz aos regimes tirânicos e ao mesmo tempo faz a defesa das doutrinas liberais e republicanas. Joly põe em cena Montesquieu – que representa a política do direito – dialogando no inferno com Machiavel – que seria o próprio Napoleão III e sua <em>“abominável política”</em>.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Maurice-Joly.JPG" alt="Maurice Joly" title="Maurice Joly" width="220" height="298" class="aligncenter size-full wp-image-6971" /><em>Acima, retrato de Maurice Joly.</em></p>
<p>O que aconteceu com a obra de Maurice Joly (1829-1878) é um caso único em toda a história da literatura. Sua obra<strong> Diálogo no Inferno</strong>, uma peça de ficção, acabou eclipsada por um plágio grotesco, <strong>Os Protocolos dos Sábios de Sião</strong>, que se tornou mais conhecido que a peça original e se faz passar até hoje por um documento real.</p>
<p>Publicado em 1864, em pleno Segundo Império, quando a França era governada pelo déspota Napoleão III, o livro é uma crítica mordaz aos regimes tirânicos e ao mesmo tempo faz a defesa das doutrinas liberais e republicanas. Joly põe em cena Montesquieu – que representa a política do direito – dialogando no inferno com Machiavel – que seria o próprio Napoleão III e sua <em>“abominável política”</em>.</p>
<p>Inimigo do regime e feroz opositor de Napoleão, Joly teve de exilar-se e publicou seu livro na Bélgica. A obra entrou na França de contrabando para ser distribuída clandestinamente, mas não chegou a circular, confiscada pela polícia. O autor foi deportado de volta para a França, processado e condenado a 15 meses de prisão.</p>
<p>Espirituoso, mordaz, com um senso crítico aguçado, Joly não levou sorte na vida; fez muitos inimigos e acabou suicidando-se em 1878.</p>
<p>Enquanto pouca gente ouviu falar no <strong>Diálogo no Inferno</strong>, <strong>Os Protocolos</strong> – obra montada a partir dela – é um dos livros mais lidos e procurados nos sebos, tanto por gente educada como por leitores despreparados. Muitos acreditam piamente na existência de um suposto colégio secreto de sábios, empenhado em trabalhar pela dominação judaica mundial.</p>
<p>Antes de saperil-juifir com o título de <strong>Protocolos dos Sábios de Sião</strong>, esse livro teve muitas versões na Rússia tzarista, entre 1903 e 1907: a primeira, ligeiramente abreviada, foi publicada em São Petersburgo no jornal <strong>Znania</strong> (A Bandeira), dirigido por um anti-semita notório – P. A. Krouchevan – que havia fomentado um progroma na Bessarábia, durante o qual morreram 45 judeus, mais de 400 foram feridos e 1.300 casas e lojas de judeus foram destruídas; logo depois saiu em forma de livro com o título de <strong>Programa de Dominação Mundial dos Judeus</strong>; dois anos depois reapareceu em brochura, numa versão mais completa, intitulado <strong>A Origem de nossos males</strong> (1905).</p>
<p>Seus editores, G. V. Boutmi e P. A. Krouchevan, participaram ativamente da fundação de uma organização de extrema direita que armava seus membros para assassinar socialistas e liberais, além de massacrar judeus. Em 1906 reeditaram <strong>A Origem de nossos males</strong> sob o título de <strong>Os Inimigos da Raça Humana</strong> e o subtítulo: <em>“Protocolos provenientes dos arquivos secretos da Chancelaria Central de Sião (que é a fonte das desordens atuais na Europa em geral e na Rússia em particular)”</em>. Enquanto as edições anteriores apareceram sob a chancela da Guarda Imperial, essa foi creditada a uma sociedade de surdos-mudos. Quatro outras edições dessa versão saíram em São Petersburgo nos anos seguintes; em 1906 saiu mais uma, intitulada <strong>Extratos dos Protocolos dos Francos-Maçons</strong>.</p>
<p><strong>A origem da fraude<br />
</strong><br />
Os editores dos Protocolos deram muitas explicações, mas pouco convincentes, sobre como tiveram acesso ao suposto documento. Não demorou para que a fraude fosse descoberta e denunciada pelo jornal inglês <strong>Times</strong>, de Londres. Inicialmente, como tanta gente culta e racional, o jornal acreditou na veracidade dos Protocolos e chegou a afirmar em editorial: <em>“se tudo o que foi escrito pelos sábios de Sião for verdade, então todos os crimes e perseguições contra os judeus estão justificados, são urgentes e necessários”</em>. Mas, um ano mais tarde, em editorial, o jornal se arrepende e reconhece ter se enganado: seu correspondente em Constantinopla, Philip Graves, revela que <strong>Os Protocolos</strong> foram copiados em grande parte de um panfleto apócrifo contra Napoleão III, publicado em 1865. Ele enviou esse livro ao jornal e recomendou que o lessem e fizessem a comparação com aquele. Ficou evidente, então, que <strong>Os Protocolos</strong> não passavam de uma paráfrase dessa obra…</p>
<p>O livro chegou às mãos de Philip, por intermédio de um grande proprietário de terras russo, de religião cristã ortodoxa e monarquista,protocolos-covers refugiado na Turquia após a derrota definitiva dos russos brancos, que se opunham ao regime bolchevique. Ele comprara um lote de livros de um antigo oficial da polícia secreta do Tzar, a Okhrana, do qual fazia parte a edição original de <strong>O Diálogo no Inferno</strong>, obra que caíra completamente no esquecimento. Na capa do livro havia apenas o nome JOLI, desconhecido na época. O plágio não foi descoberto imediatamente porque era uma obra rara e anônima; haviam escapado poucos exemplares do confisco da polícia, quando foram contrabandeados para a França.</p>
<p>Antes de publicar a correspondência de seu representante em Constantinopla, o <strong>Times</strong> fez uma pesquisa no British Museum. O misterioso volume foi rapidamente identificado: tratava-se de <strong>O Diálogo no Inferno entre Montesquieu e Machiavel</strong>, por Maurice Joly, publicado em Bruxelas (embora trazendo a indicação Genebra) em 1864.</p>
<p>O livro de Joly é um ataque velado contra o despotismo de Napoleão III, sob a forma de uma série de 25 diálogos, mas caiu no esquecimento devido à proibição e ao confisco. Toda a carreira literária do autor foi marcada pelo mesmo azar. Merecia uma sorte melhor, pois era mais do que um bom escritor: anteviu com rara perspicácia as forças que, após a sua morte, desencadeariam os cataclismos políticos do século vinte. Escreveu também um romance, <strong>Les Affamés</strong> (&#8220;<em>Os Esfomeados</em>&#8220;), que demonstra notável percepção das tensões que, no mundo moderno, provocam os movimentos revolucionários, tanto de direita quanto de esquerda. Suas reflexões sobre o aprendiz de déspota Napoleão III, aplicam-se também aos regimes totalitários dos nossos dias.</p>
<p>Henri Rollin observa que <em>“a obra de Maurice Joly é certamente o melhor manual já escrito para uso dos ditadores modernos ou daqueles que sonham se tornar ditadores no futuro.”</em>. Algumas intuições de Joly sobreviveram à transformação do Diálogo no Inferno n’Os Protocolos dos Sábios de Sião, de onde vem o caráter premonitório dos Protocolos, que parecem anunciar o totalitarismo do século vinte.</p>
<p>Ao escrever sobre Joly, Norman Cohn lamenta sua triste imortalidade e a cruel ironia de sua obra:<em> “uma brilhante apologia do liberalismo tirada do esquecimento para fornecer a trama de um tecido de insanidades reacionárias”</em>. Ao mesmo tempo reconhece que é uma obra admirável em todos os pontos, incisiva, implacavelmente lógica e construída de uma maneira soberba. Montesquieu e Machiavel discutem os méritos do liberalismo e do despotismo no mundo moderno. É Machiavel que discursa a favor do despotismo e são suas as opiniões que o autor da fraude atribui ao misterioso e anônimo Sábio de Sião, mas com notáveis diferenças. Enquanto Machiavel (que representa Napoleão III) descreve uma situação de fato, um regime já estabelecido, nos Protocolos esta descrição se torna uma profecia, uma visão do futuro.</p>
<p>O plágio parece <em>“um amálgama fabricado às pressas por um imbecil”</em>, nas palavras de Cohn. O Diálogo no Inferno faz uma distinção muito clara entre a política de Napoleão III para conquistar o poder, e aquela que ele pratica depois que o seu poder está solidamente estabelecido. Os Protocolos ignoram tais nuances e procuram dar a entender que os Sábios já detém o poder absoluto. Além disso, atacam as doutrinas liberais e fazem a apologia da ordem aristocrática e monárquica, revelando os verdadeiros motivos e a natureza da fraude.</p>
<p>Mesmo depois de revelado o plágio, continuaram a circular edições dos Protocolos no mundo inteiro, a maioria delas financiadas por partidos ou organizações de extrema direita, que sempre procuram alimentar o sentimento antisemita. No Brasil, a edição mais conhecida e procurada é a traduzida e comentada por Gustavo Barroso, lançada em 1936. A ligação desse autor com o integralismo e com o setor ultraconservador da Igreja é notório e dispensa comentários. Ele se acreditava imbuido da missão de defender a civilização cristã contra o<em> “perigo judeu”</em>, contra os maçons, os livre pensadores, os ateus, os socialistas e os protestantes…</p>
<p>Quando o plágio foi revelado, os<em> “crentes”</em> dos Protocolos tentaram desmentí-lo, alegando uma suposta origem semítica de Joly (o que não é verdade) e sua filiação à maçonaria. Chegaram mesmo a alegar que, como maçon, Joly teria exposto em seu livro o ideário maçônico e os planos da <em>“dominação mundial pelos judeus”</em>. Seria cômico se não fosse trágico: uma obra de ficção tomada como documento real! Para um escritor, isso seria a consagração máxima de seu talento, se o engôdo não estivesse a serviço de uma causa tão abjeta…</p>
<p><strong>BIBLIOGRAFIA</strong></p>
<p><em><strong>Dialogue aux Enfers entre Machiavel et Montesquieu, suivi de Polémique autour d’un plagiat, Un méconnu: Maurice Joly, de Henri Rollin, e Les Protocoles et les Dialogues</strong></em>, de Norman Cohn, Editions Allia, 1987</p>
<p><em><strong>Os Protocolos dos Sábios de Sião, Texto completo e apostilado por Gustavo Barroso</strong></em>, Revisão Ed., 1991</p>
<p><em>*<strong>Bira Câmara </strong>é artista gráfico, ilustrador, pintor autodidata e escritor. Nascido em 09/09/1950, em Mayrink, estado de São Paulo. Publicitário, formado em comunicação social pela ESPM, também atua na área jornalística e é diretor adjunto da A.P.I. (Associação Paulista de Imprensa).</em></p>
<p><em>Nos anos setenta e oitenta colaborou como ilustrador e cartunista em vários jornais e revistas, entre os quais: <strong>“Planeta”</strong> (1975/83), <strong>“Visão”</strong> (1976), <strong>Folha de S. Paulo</strong> (suplemento <strong>“Folhetim”</strong>/1977); revistas <strong>“Saúde”</strong> (1986/88), <strong>“Vogue”</strong> (1987), <strong>“Playboy”</strong> (1988), <strong>“Corpo a Corpo”</strong> (1988), <strong>“Veja SP”</strong> (1996).</em></p>
<p><em>Como pintor, além de três individuais, participou de várias exposições coletivas nos anos 70/80/90.</em></p>
<p><em>Na área de HQ, em parceria com os artistas Xalberto e Sian, publicou o álbum <strong>O Paulistano da Glória</strong>, uma história em quadrinhos de 64 páginas que tem como cenário a Paulicéia Desvairada.</em></p>
<p><em>Em 2006 editou o <strong>“Jornal do Bibliófilo”</strong>, publicação voltada para o mercado de livros usados e obras raras.</em></p>
<p><em>Estuda astrologia desde 1977, especializando-se na área de pesquisa histórica. Parte dessa pesquisa foi reunida no livro <strong>“Histórias da Astrologia”</strong>, ainda inédito. Publicou também dois livros defendendo uma tese sobre a Nova Era que contraria a visão dos astrólogos engajados no movimento <strong>New Age: Salada Mística – A Farsa da Nova Era</strong> (1998, reeditado em 2001) e <strong>A Nova Era – Os Deuses estão de Volta?</strong> (2006). Traduziu para o português a obra L’Ésoterisme du Serpent Vert de Goethe, de autoria de Oswald Wirth (2001).</em></p>
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		<title>O que torna uma obra valiosa?</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 03:03:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bira Câmara</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um livro velho não é valioso só porque é antigo ou mesmo raro. O que o torna valioso é a sua procura. Milhões de livros antigos estão espalhados pelo mundo, mas não têm nenhum valor porque não interessam a ninguém. Um conjunto de fatores e de características é que faz com que uma obra seja desejada e procurada por muita gente. Não há regras ou critérios rígidos para que ela seja considerada valiosa, mas, geralmente a primeira edição de uma obra célebre quase sempre adquire esse status. Se um livro foi ignorado em seu lançamento, não tem importância histórica e ninguém mais lê, não vale nada.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Escriba.JPG" alt="Escriba" title="Escriba" width="220" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-6835" />Um livro velho não é valioso só porque é antigo ou mesmo raro. O que o torna valioso é a sua procura. Milhões de livros antigos estão espalhados pelo mundo, mas não têm nenhum valor porque não interessam a ninguém. Um conjunto de fatores e de características é que faz com que uma obra seja desejada e procurada por muita gente. Não há regras ou critérios rígidos para que ela seja considerada valiosa, mas, geralmente a primeira edição de uma obra célebre quase sempre adquire esse status. Se um livro foi ignorado em seu lançamento, não tem importância histórica e ninguém mais lê, não vale nada.</p>
<p>Às vezes um livro é procurado não por causa da qualidade literária, mas porque foi impresso por um tipógrafo célebre, porque contém ilustrações de algum artista renomado ou até por algum erro de impressão engraçado.</p>
<p>A <strong>Bíblia</strong> de Gutemberg, o primeiro livro impresso no mundo, é o mais caro que existe. Mas não é tão raro assim, pois existem quarenta e dois exemplares dele. Outras edições posteriores também ficaram valorizadas devido a vários motivos, mas nenhuma é tão curiosa como a edição inglesa de 1631. É que um tipógrafo gaiato, ao imprimir o sétimo mandamento, <em>“não cometerás o adultério”</em>, omitiu o <em>“não”</em> e saiu impresso: <em>“Thou shalt commit adultery”</em>! Por causa disso, toda edição foi queimada com medo que os crentes não percebessem o erro e seguissem o mandamento da forma como tinha sido impresso. O tipógrafo foi multado em trezentas libras, uma pequena fortuna na época. Apesar de destruída, escaparam quatro exemplares da obra.</p>
<p>Há casos divertidos, como o livro de um autor brasileiro do século dezenove, ignorado hoje em dia: Valentim Magalhães. Apesar de não ter deixado nenhuma obra prima ou ter qualquer importância na história da literatura, um de seus vários livros despertou o interesse de muitos bibliófilos. O seu romance <strong>Flor de Sangue</strong>, publicado em 1897 por Laemmert, saiu com uma errata que diz: <em>“à página 285, quarta linha, em vez de – estourar os miolos – leia-se cortar o pescoço.”</em>.</p>
<p>Casos assim são abundantes e não há bibliófilo, colecionador ou livreiro que não conheça algum.</p>
<p>(Fonte: Rubens Borba de Moraes, O Bibliófilo Aprendiz, Cia Ed. Nacional, 2ª Ed., 1975)</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Texto publicado no </span><a href="http://jornalivros.co.cc/?p=35">Jornal do Bibliofilo</a>.</p>
<p><em>*<strong>Bira Câmara </strong>é artista gráfico, ilustrador, pintor autodidata e escritor. Nascido em 09/09/1950, em Mayrink, estado de São Paulo. Publicitário, formado em comunicação social pela ESPM, também atua na área jornalística e é diretor adjunto da A.P.I. (Associação Paulista de Imprensa).</em></p>
<p><em>Nos anos setenta e oitenta colaborou como ilustrador e cartunista em vários jornais e revistas, entre os quais: <strong>“Planeta”</strong> (1975/83), <strong>“Visão”</strong> (1976), <strong>Folha de S. Paulo</strong> (suplemento <strong>“Folhetim”</strong>/1977); revistas <strong>“Saúde”</strong> (1986/88), <strong>“Vogue”</strong> (1987), <strong>“Playboy”</strong> (1988), <strong>“Corpo a Corpo”</strong> (1988), <strong>“Veja SP”</strong> (1996).</em></p>
<p><em>Como pintor, além de três individuais, participou de várias exposições coletivas nos anos 70/80/90.</em></p>
<p><em>Na área de HQ, em parceria com os artistas Xalberto e Sian, publicou o álbum <strong>O Paulistano da Glória</strong>, uma história em quadrinhos de 64 páginas que tem como cenário a Paulicéia Desvairada.</em></p>
<p><em>Em 2006 editou o <strong>“Jornal do Bibliófilo”</strong>, publicação voltada para o mercado de livros usados e obras raras.</em></p>
<p><em>Estuda astrologia desde 1977, especializando-se na área de pesquisa histórica. Parte dessa pesquisa foi reunida no livro <strong>“Histórias da Astrologia”</strong>, ainda inédito. Publicou também dois livros defendendo uma tese sobre a Nova Era que contraria a visão dos astrólogos engajados no movimento <strong>New Age: Salada Mística – A Farsa da Nova Era</strong> (1998, reeditado em 2001) e <strong>A Nova Era – Os Deuses estão de Volta?</strong> (2006). Traduziu para o português a obra L’Ésoterisme du Serpent Vert de Goethe, de autoria de Oswald Wirth (2001).</em></p>
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		<title>Peripécias de uma obra-prima perdida e reencontrada</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Jun 2010 03:03:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bira Câmara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bira Câmara]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma inusitada conjuração de acasos fez com que uma obra prima da literatura fantástica ficasse perdida por décadas, o que não impediu que fosse largamente plagiada. O livro <strong>Manuscrito</strong> encontrado em Saragoça tem uma história tão conturbada quanto a biografia de seu autor, o nobre polonês Jean Potocki. Manuscrito</strong> encontrado em Saragoça (1804), um dos melhores romances fantásticos de todos os tempos, ficou desaparecido por décadas. O manuscrito original se perdeu e nesse intervalo de tempo, uma versão dele foi parar na mão de vários escritores que o plagiaram. O texto chegou a ser atribuído ao lendário Conde de Cagliostro e ao escritor francês Charles Nodier. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Jean-Potocki1.JPG" alt="Jean Potocki" title="Jean Potocki" width="220" height="238" class="aligncenter size-full wp-image-6331" /><em>Acima, pintura retratando Jean Potocki.</em></p>
<p>Uma inusitada conjuração de acasos fez com que uma obra prima da literatura fantástica ficasse perdida por décadas, o que não impediu que fosse largamente plagiada. O livro <strong>Manuscrito</strong> encontrado em Saragoça tem uma história tão conturbada quanto a biografia de seu autor, o nobre polonês Jean Potocki.</p>
<p><strong>Manuscrito</strong> encontrado em Saragoça (1804), um dos melhores romances fantásticos de todos os tempos, ficou desaparecido por décadas. O manuscrito original se perdeu e nesse intervalo de tempo, uma versão dele foi parar na mão de vários escritores que o plagiaram. O texto chegou a ser atribuído ao lendário Conde de Cagliostro e ao escritor francês Charles Nodier. Até mesmo o célebre escritor norte-americano Washington Irving apropriou-se de um de seus capítulos para escrever <strong>The Grand Prior of Malta</strong> (1855), tradução de uma das histórias narradas no <strong>Manuscrito</strong>. A autoria da obra só ficou estabelecida em 1842, depois de rumoroso processo: o conde Jean Potocki (1761-1815), descendente de uma ilustre família polonesa.</p>
<p>A história de sua vida não é menos acidentada que a de seu romance: erudito, arqueólogo, historiador, aventureiro e excêntrico, sobrevoou os céus de Varsóvia em 1788 a bordo de um balão na companhia do aeronauta Jean-Pierre-François Blanchard. Uma aventura perigosíssima na época, pois quatro anos antes o balonista Pilâtre du Rozier foi queimado vivo com o seu passageiro… Na França, Potocki freqüentou os mais avançados salões e ligou-se aos jacobinos. Montou uma tipografia que usou para manifestar-se contra a monarquia e ao mesmo tempo ridicularizar os democratas. Espírito aventureiro, percorreu o mundo, de Marrocos até aos confins da Mongólia. Lutou contra os russos e tornou-se conselheiro particular do czar Alexandre I.</p>
<p>Potocki escreveu o seu romance em francês e o terminou pouco antes de morrer. Em 1805 havia publicado 100 exemplares da primeira parte dessa obra (156 páginas) na Rússia, antes de viajar para a China. Ao regressar, em 1806, não deu seqüência à impressão do seu romance. Muitos exemplares circularam nos salões literários de São Petersburgo; em 1809 foi traduzido e publicado na Alemanha. A fama da obra cresceu e a segunda parte foi publicada em Paris em 1813, com o título de Avadoro, História Espanhola, por M.L.C.J.P. (Monsieur Le Comte Jean Potocki).</p>
<p>Em 1822, Charles Nodier publicou um livro de histórias de fantasmas e vampiros, Infernaliana, que resume uma das histórias do <strong>Manuscrito: as Aventuras de Thibaud de La Jacquière</strong>.</p>
<p>Outro escritor francês, Maurice Cousin (sob o pseudônimo de conde de Couchamps), apropriou-se na íntegra de outra parte da obra de Potocki e publicou-a como memórias apócrifas de Cagliostro, em 1834-35. Em 1841, Couchamps voltou a publicar outras histórias do Manuscrito em série, dessa vez no jornal <strong>La Presse</strong>. O plágio foi denunciado logo em seguida pelo jornal Le National e era tão evidente que o <strong>La Presse</strong> abriu um processo contra Couchamps, pois lhe pagava 100 francos por capítulo, acreditando-os inéditos. No processo, que causou sensação na França, o advogado do jornal apresentou como prova um exemplar do romance de Potocki, impresso em 1805 em São Petersburgo e, com isso, o plagiário foi desmascarado. O processo serviu para atrair a atenção sobre a obra de Potocki, que havia caído no esquecimento. Mesmo assim, em 1855, Washington Irving traduziu na íntegra a <strong>História do Comendador de Toralva</strong>, que faz parte do <strong>Manuscrito</strong>, com o título de <strong>The Grand Prior of Malta</strong>. Irving faz menção, na introdução, a Cagliostro como suposto autor desse texto.</p>
<p>Em 1847, o livro de Potocki foi traduzido para o polonês e publicado em Leipzig com o título definitivo de Manuscrito encontrado em Saragoça, versão integral em seis volumes. Inicialmente, o autor o chamava de Dias Espanhóis. Essa mesma tradução foi reeditada em 1857, com uma biografia do autor. Como o texto completo francês se perdeu, a versão polonesa é a única existente. Desde então, o livro teve várias edições, consagrando-se como um clássico da literatura fantástica.</p>
<p><strong>O autor</strong></p>
<p>O destino editorial do romance guarda inusitada semelhança com a vida do autor. Se vivesse hoje, Potocki seria sem dúvida multimídia: aventureiro, diplomata, lingüista, arqueólogo, historiador, viajante incansável, adversário dos russos e depois conselheiro do csar Alexandre I. Para se ter uma idéia de sua importância como erudito, ele é considerado o fundador da arqueologia eslava.</p>
<p>Nascido em 8 de março de 1761, estudou em Genebra e Lausanne, e desde cedo apaixonou-se pelo estudo da história. Viajou pela Itália e Sicília, e dedicou alguns anos à carreira militar, participando em 1779 de expedições contra piratas em Malta. Retomando a vida civil, dedicou-se ao estudo da pré-história eslava, enquanto conhecia a Tunísia, a Turquia, a Grécia, o Egito e a Sérvia. Viveu em Paris por volta de 1785-87. Na França pré-revolucionária, freqüentou a sociedade, pesquisou bibliotecas, discutiu filosofia nos melhores salões e aderiu ao iluminismo. Foi partidário entusiasta de Diderot, de Holbach, de Helvetius e La Mettrie. O curioso é que também freqüentou uma confraria mística, que pregava um espiritualismo sincretista e da qual fazia parte o futuro czar Paulo I.</p>
<p>Em 78, de volta para a Polônia, montou na sua casa uma tipografia livre, editando brochuras liberais, anticlericais e revolucionárias, além de imprimir suas obras sobre história e relatos de suas viagens.</p>
<p>Em 91 viajou ao Marrocos e à Espanha; quando esteve em Tanger, a cidade foi bombardeada por uma esquadra espanhola. De volta à França, foi recebido por Condorcet e La Fayette, e introduzido no clube dos jacobinos, onde discursou e acabou aclamado como o “cidadão conde”. Voltou à Polônia na companhia de um agente do rei polonês, chamado Mazzei, que combatera na guerra de Independência americana. Da sua estadia no Marrocos, na corte do sultão Moulay-Yesid, registrou impressões e lembranças, que reuniu na obra Viagem ao Marrocos. Nessa época combate os russos, em guerra pela disputa de uma província polonesa. Com o fim da campanha, escreve esquetes satíricos de teatro; num deles ironiza os oradores revolucionários que viu na França e o decepcionaram. Nos anos seguintes, publicou livros de arqueologia eslava e história em vários países, viajou pela Ucrânia, Cáucaso, Itália, participou de uma expedição científica russa na Mongólia. Nos últimos anos antes de sua morte, Potocki retirou-se para sua propriedade no interior da Polônia, de onde só saía para fazer pesquisas na biblioteca. Além de neurastênico, sofria de profunda depressão nervosa e dolorosas nevralgias. Passou os últimos dias de sua vida limando uma bola de prata do seu bule de chá. Quando chegou ao tamanho desejado, pediu a um capelão que a benzesse, enfiou-a no cano de sua pistola e deu um tiro na própria cabeça.</p>
<p>Depois de sua morte, em 1818 o seu nome foi dado a um arquipélago na baía da Coréia, mas, por mais uma ironia do destino, a denominação de ilhas Potocki não foram mantidas nos atlas modernos…</p>
<p>A obra, dualismo entre erotismo e horror</p>
<p>O <strong>Manuscrito</strong> compõe-se de uma sucessão de histórias distribuídas por sessenta e seis “dias” à moda dos antigos heptamerons ou decamerons, ligadas entre si por uma trama central. A exemplo do romance Vathek (1786), de William Beckford, e outras obras desse período, tem grande influência das narrativas do Oriente, como as <strong>Mil e Uma Noites</strong>. Aliás, conta-se que quando sua mulher adoeceu, Potocki lia esse clássico diariamente para a distrair. Ao terminar a leitura ela lhe pediu mais narrativas do mesmo gênero e, assim, Potocki passou a escrever um capítulo por dia e à noite o lia para ela.</p>
<p>Como típico exemplar do romance gótico, desde as primeiras páginas o Manuscrito recorre ao fantástico, ao non sense e às aparições fantasmagóricas. O gosto pelo assustador, pelo macabro, pelo exagero, antecipa a voga romântica e a ruptura com o classicismo. Mas a ambientação é toda do século XVIII, com cenas de galanteio, imoralidade dos costumes, o gosto pelo ocultismo, cabala e astrologia. Maliciosamente, o livro passa do sobrenatural, do erótico para o picaresco. Potocki lança mão do recurso de repetir a mesma história, para a “desvelar” e desdobrá-la habilmente, substituindo um personagem por outro em relatos que vão se encaixando. O mesmo tema se repete, a mesma situação é contada, mas com novas nuances, como se refletidos por um espelho fatídico. Assim, os fantasmas na verdade são gente viva disfarçada e o que inspirava terror não passa de um engenhoso mecanismo.</p>
<p>Potocki era um iluminista, um homem do século XVIII; o espírito desse século tem a ambivalência da fé e da razão, da superstição e da ciência, da libertinagem e do galanteio espirituoso, e esse espírito está presente também na novela de Potocki. Para ele o sobrenatural e o milagre não passavam de alucinação e ilusionismo, que a razão explica. Num clima de erotismo e mistério, duas personagens femininas, uma princesa e sua dama de honra, se confundem com as primas do herói. Mas essa troca de papéis não fica só nisso: o leitor nunca sabe ao certo se essas duas personagens são na verdade uma só ou duas, duplicidade que, aliás, o cineasta Buñuel viria a explorar em <strong>Esse Obscuro Objeto do Desejo</strong>. O artifício de recontar a mesma história do começo ao fim, bem como o tema do duplo, foi usado, também, por Hoffmann em <strong>L’Elixir du diable</strong> (1829), outro marco da literatura gótica-fantástica. Nesta novela, onde também o personagem revive a mesma situação, há um doublé que participa da trama, mas que o leitor é levado a não saber ao certo se é um único personagem às voltas com seu alter-ego criminoso ou duas pessoas distintas.</p>
<p>Dada a erudição do autor, Roger Caillois especula sobre a tese de que o <strong>Manuscrito</strong> faria uma defesa velada dos Enciclopedistas e que se trata, sobretudo, <em>“de um tratado polêmico disfarçado em obra romanesca”</em>. Com efeito, Potocki  aponta no seu livro muitas semelhanças entre dogmas e rituais cristãos e crenças ou práticas muito antigas. Sob o véu da ficção, a obra seria na verdade um curso de história comparada das religiões e a apologia de uma moral racional e isenta de preconceitos, bem ao gosto dos pensadores iluministas. Esse tipo de especulação dá bem uma medida do talento e da genialidade do autor. Conjecturas à parte, é inegável o mérito literário do Manuscrito, que ressurgiu depois de quatro décadas desaparecido, sobreviveu aos seus plagiários e atravessou o tempo mantendo-se até hoje como um dos maiores romances da literatura francesa.</p>
<p><strong>Bibliografia:</strong></p>
<p>Há várias edições brasileiras do <strong>Manuscrito</strong>, mas a mais fiel ao texto original é a da Ed. Brasiliense (1988), tradução de Lília Ledon da Silva e prefácio de Roger Caillois, do qual foi extraída a maior parte das informações biográficas de Potocki. A edição de 1965, pela desaparecida editora GRD, do Rio de Janeiro, tem uma capa horrorosa, mas uma ótima tradução de José Sanz. Também merece destaque a edição portuguesa da Editorial Estampa (1977), tradução de Ana Maria Alves.</p>
<p><em>*<strong>Bira Câmara </strong>é artista gráfico, ilustrador, pintor autodidata e escritor. Nascido em 09/09/1950, em Mayrink, estado de São Paulo. Publicitário, formado em comunicação social pela ESPM, também atua na área jornalística e é diretor adjunto da A.P.I. (Associação Paulista de Imprensa).</p>
<p>Nos anos setenta e oitenta colaborou como ilustrador e cartunista em vários jornais e revistas, entre os quais: <strong>“Planeta”</strong> (1975/83), <strong>“Visão”</strong> (1976), <strong>Folha de S. Paulo</strong> (suplemento <strong>“Folhetim”</strong>/1977); revistas <strong>“Saúde”</strong> (1986/88), <strong>“Vogue”</strong> (1987), <strong>“Playboy”</strong> (1988), <strong>“Corpo a Corpo”</strong> (1988), <strong>“Veja SP”</strong> (1996).</p>
<p>Como pintor, além de três individuais, participou de várias exposições coletivas nos anos 70/80/90.</p>
<p>Na área de HQ, em parceria com os artistas Xalberto e Sian, publicou o álbum <strong>O Paulistano da Glória</strong>, uma história em quadrinhos de 64 páginas que tem como cenário a Paulicéia Desvairada.</p>
<p>Em 2006 editou o <strong>“Jornal do Bibliófilo”</strong>, publicação voltada para o mercado de livros usados e obras raras.</p>
<p>Estuda astrologia desde 1977, especializando-se na área de pesquisa histórica. Parte dessa pesquisa foi reunida no livro <strong>“Histórias da Astrologia”</strong>, ainda inédito. Publicou também dois livros defendendo uma tese sobre a Nova Era que contraria a visão dos astrólogos engajados no movimento <strong>New Age: Salada Mística – A Farsa da Nova Era</strong> (1998, reeditado em 2001) e <strong>A Nova Era – Os Deuses estão de Volta?</strong> (2006). Traduziu para o português a obra L’Ésoterisme du Serpent Vert de Goethe, de autoria de Oswald Wirth (2001).</p>
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		<title>De onde vem a palavra “SEBO”?</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 02:03:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bira Câmara</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Existem algumas versões a respeito da origem do termo sebo, uma delas diz que no tempo em que não havia luz elétrica as pessoas liam à luz de velas. As velas, naquele tempo, eram feitas de gordura, de sebo. Conforme iam derretendo, acabavam sujando os livros, que ficavam engordurados. Outros dizem que os estudantes e leitores vorazes por irem a todos os lugares com um livro embaixo do braço acabavam por torná-lo sujo, ensebado. Por isso, os alfarrabistas, vendedores de livros velhos, ficaram conhecidos no Brasil como caga-sebos, e com o tempo a livraria que negocia usados ganhou o nome de sebo, que não era lá muito elogioso. Dizem que um livreiro de Pernambuco foi o primeiro a assumir esse nome e colocá-lo na porta de entrada da sua livraria, nos anos 50.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Livros-usados.JPG" alt="Livros usados" title="Livros usados" width="285" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-4314" />Existem algumas versões a respeito da origem do termo sebo, uma delas diz que no tempo em que não havia luz elétrica as pessoas liam à luz de velas. As velas, naquele tempo, eram feitas de gordura, de sebo. Conforme iam derretendo, acabavam sujando os livros, que ficavam engordurados. Outros dizem que os estudantes e leitores vorazes por irem a todos os lugares com um livro embaixo do braço acabavam por torná-lo sujo, ensebado. Por isso, os alfarrabistas, vendedores de livros velhos, ficaram conhecidos no Brasil como caga-sebos, e com o tempo a livraria que negocia usados ganhou o nome de sebo, que não era lá muito elogioso. Dizem que um livreiro de Pernambuco foi o primeiro a assumir esse nome e colocá-lo na porta de entrada da sua livraria, nos anos 50.</p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Sebo.JPG" alt="Sebo" title="Sebo" width="360" height="239" class="aligncenter size-full wp-image-4313" /><em>Acima, banca de livros usados, na Inglaterra, século XIX</em></p>
<p>Uma outra versão foi defendida por Silveira Bueno (Grande Dicionário Etimológico Prosódico da Língua Portuguesa), que classifica: “Do particípio presente ‘sapiente’ se fizeram várias derivadas: ‘sabença’ (‘sapientia’), ‘sabente’ e desta forma ‘sabentar-se’ em espanhol, ‘asabentar’ em provençal, catalão, correspondendo ao italiano ‘insaventire’, tornar-se sábio, eruditar-se, instruir-se, donde o português arcaico ‘assabentar’, ‘sabentar’. Desta forma verbal saiu ‘sabenta’, a apostila, o conjunto de lições, explicações de aula. Houve assimilação de ‘a’ e ‘e’ (‘sebenta’) já sob a influência do adjetivo ‘sebento’, ‘sebenta’. Assim, ‘sebenta’ nada tem a ver com ‘sebenta’ de sebo, mas queria dizer: a obra, a coleção de notas de classe que tornava o estudante mais preparado, mais sábio.”</p>
<p>Já Eurico Brandão Jr. discorda quanto a relação entre “sebo” e o hábito da leitura à luz de velas. Segundo ele, isso se deve ao fato do livro ser manuseado constantemente, o que deixa os volumes engordurados, “ensebados”. Por essa razão, os proprietários de obras raras costumavam encaderná-los com revestimento de couro. O termo sebo tornou-se comum à partir da década de 60 e, ainda segundo Eurico, o primeiro livreiro no Brasil a usá-lo foi o seu pai, em Recife: Sebo Brandão. Por essa razão, os clientes estrangeiros que o procuravam, o chamavam de Mr. Sebo, pensando tratar-se de nome próprio…</p>
<p>Sobre o termo caga-sebos, Eurico esclarece que vem do nome de um pássaro comum em Pernambuco e cita em reforço, tanto o dicionário de Rodolfo Garcia, como o do Aurélio, que mencionam a palavra como sinônimo de “vendedor de livros usados”. Mas caga-sebos ou caga-sebista não têm sentido pejorativo.</p>
<p>Eurico também revelou que seu pai está escrevendo um livro autobiográfico onde aprofunda as pesquisas sobre a origem do termo, comprovando definitivamente suas teses sobre este tema.</p>
<p><em>*<strong>Bira Câmara </strong>é artista gráfico, ilustrador, pintor autodidata e escritor. Nascido em 09/09/1950, em Mayrink, estado de São Paulo. Publicitário, formado em comunicação social pela ESPM, também atua na área jornalística e é diretor adjunto da A.P.I. (Associação Paulista de Imprensa).</p>
<p>Nos anos setenta e oitenta colaborou como ilustrador e cartunista em vários jornais e revistas, entre os quais: <strong>“Planeta”</strong> (1975/83), <strong>“Visão”</strong> (1976), <strong>Folha de S. Paulo</strong> (suplemento <strong>“Folhetim”</strong>/1977); revistas <strong>“Saúde”</strong> (1986/88), <strong>“Vogue”</strong> (1987), <strong>“Playboy”</strong> (1988), <strong>“Corpo a Corpo”</strong> (1988), <strong>“Veja SP”</strong> (1996).</p>
<p>Como pintor, além de três individuais, participou de várias exposições coletivas nos anos 70/80/90.</p>
<p>Na área de HQ, em parceria com os artistas Xalberto e Sian, publicou o álbum <strong>O Paulistano da Glória</strong>, uma história em quadrinhos de 64 páginas que tem como cenário a Paulicéia Desvairada.</p>
<p>Em 2006 editou o <strong>“Jornal do Bibliófilo”</strong>, publicação voltada para o mercado de livros usados e obras raras.</p>
<p>Estuda astrologia desde 1977, especializando-se na área de pesquisa histórica. Parte dessa pesquisa foi reunida no livro <strong>“Histórias da Astrologia”</strong>, ainda inédito. Publicou também dois livros defendendo uma tese sobre a Nova Era que contraria a visão dos astrólogos engajados no movimento <strong>New Age: Salada Mística – A Farsa da Nova Era</strong> (1998, reeditado em 2001) e <strong>A Nova Era – Os Deuses estão de Volta?</strong> (2006). Traduziu para o português a obra L’Ésoterisme du Serpent Vert de Goethe, de autoria de Oswald Wirth (2001).</p>
<p></em></p>
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		<title>O Gordo e o Magro</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jan 2010 02:03:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bira Câmara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bira Câmara]]></category>

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		<description><![CDATA[O Gordo e o Magro</strong> ou <strong>O Bucha e Estica</strong> - em Portugal - são os nomes pelo qual ficou conhecida, nos países de língua portuguesa, a dupla cômica Stan Laurel (Arthur Stanley Jefferson) e Oliver Hardy (Norvell Hardy), originalmente chamada nos Estados Unidos de Laurel &#038; Hardy, através dos seus filmes de curta e longa metragem realizados, na maioria, nas décadas de 20 e 30.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/O-Gordo-e-o-Magro.JPG" alt="O Gordo e o Magro" title="O Gordo e o Magro" width="220" height="219" class="aligncenter size-full wp-image-3735" /><strong>O Gordo e o Magro</strong> ou <strong>O Bucha e Estica</strong> &#8211; em Portugal &#8211; são os nomes pelo qual ficou conhecida, nos países de língua portuguesa, a dupla cômica Stan Laurel (Arthur Stanley Jefferson) e Oliver Hardy (Norvell Hardy), originalmente chamada nos Estados Unidos de Laurel &#038; Hardy, através dos seus filmes de curta e longa metragem realizados, na maioria, nas décadas de 20 e 30.</p>
<p>Anos após realizar seu penúltimo filme, em 1950, a dupla se dedicou apenas aos palcos. As suas antigas películas de curta metragem, principalmente as da época do cinema mudo, foram transformados em episódios completos na série televisiva chamada de <strong>O Gordo e o Magro.</strong> Desde então, seus filmes passaram a ser exibidos em todo o mundo, para a nova geração que cresceu junto com a televisão.</p>
<p><strong>Stan Laurel</strong> &#8211; o Magro, nascido Arthur Stanley Jefferson (Ulverston, Inglaterra, em 16 de junho de 1890), além de ator cômico, foi também escritor e diretor.</p>
<p>Tornou-se famoso principalmente por seu trabalho com Oliver Hardy, com o qual formou a dupla cômica <strong>O Gordo e o Magro</strong>. A estrela de Laurel na Calçada da Fama fica no Hollywood Boulevard 7021 , em Los Angeles.</p>
<p>Faleceu vítima de um ataque cardíaco em 23 de fevereiro de 1965 (em Santa Mônica, na Califórnia), aos 74 anos. Seu corpo está enterrado no Forest Lawn-Hollywood Hills Cemetery, em Los Angeles.</p>
<p><strong>Oliver Hardy</strong> &#8211; o Gordo (Norvell Hardy) nasceu em 18 de janeiro de 1892, em Harlem, na Geórgia e faleceu em 7 de agosto de 1957, em Hollywood, Califórnia, vítima de trombose cerebral. O nome Oliver era o nome de seu pai, e foi adotado posteriormente, por ele.</p>
<p>Os seus pais eram descendentes de famílias inglesas e escocesas. O pai foi um veterano dos Estados Confederados, ferido na Batalha de Antietam no dia 17 de setembro de 1862.</p>
<p>Seu papel mais notável no cinema é o Gordo, do seriado <strong>O Gordo e o Magro</strong>.</p>
<p>Fez mais de quatrocentos filmes curtas e longas, dos quais cerca de duzentos com Stan Laurel, que nunca se conformou com a morte do parceiro.</p>
<p>Em 1951, a dupla produziu o último filme Utopia/Atoll K, que marcou a despedida do seriado <strong>&#8220;O Gordo e O Magro&#8221;</strong>. A dupla não filmava havia seis anos e o resultado frustrou os seus fãs.</p>
<p><em>*<strong>Bira Câmara</strong> é artista gráfico, ilustrador, pintor autodidata e escritor. Nascido em 09/09/1950, em Mayrink, estado de São Paulo. Publicitário, formado em comunicação social pela ESPM, também atua na área jornalística e é diretor adjunto da A.P.I. (Associação Paulista de Imprensa).</p>
<p>Nos anos setenta e oitenta colaborou como ilustrador e cartunista em vários jornais e revistas, entre os quais: <strong>“Planeta”</strong> (1975/83), <strong>“Visão”</strong> (1976), <strong>Folha de S. Paulo</strong> (suplemento <strong>“Folhetim”</strong>/1977); revistas <strong>“Saúde”</strong> (1986/88), <strong>“Vogue”</strong> (1987), <strong>“Playboy”</strong> (1988), <strong>“Corpo a Corpo”</strong> (1988), <strong>“Veja SP” </strong>(1996).</p>
<p>Como pintor, além de três individuais, participou de várias exposições coletivas nos anos 70/80/90.</p>
<p>Na área de HQ, em parceria com os artistas Xalberto e Sian, publicou o álbum <strong>O Paulistano da Glória</strong>, uma história em quadrinhos de 64 páginas que tem como cenário a Paulicéia Desvairada.</p>
<p>Em 2006 editou o <strong>“Jornal do Bibliófilo”</strong>, publicação voltada para o mercado de livros usados e obras raras.</p>
<p>Estuda astrologia desde 1977, especializando-se na área de pesquisa histórica. Parte dessa pesquisa foi reunida no livro <strong>“Histórias da Astrologia”</strong>, ainda inédito. Publicou também dois livros defendendo uma tese sobre a Nova Era que contraria a visão dos astrólogos engajados no movimento <strong>New Age: Salada Mística – A Farsa da Nova Era</strong> (1998, reeditado em 2001) e <strong>A Nova Era – Os Deuses estão de Volta?</strong> (2006). Traduziu para o português a obra <strong>L’Ésoterisme du Serpent Vert de Goethe</strong>, de autoria de Oswald Wirth (2001).</em></p>
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		<title>Origem dos almanaques.</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 02:03:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bira Câmara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bira Câmara]]></category>

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		<description><![CDATA[O termo almanaque consagrou um gênero de publicação (originalmente anual) que reúne calendário com datas das principais efemérides astronômicas como os solstícios, eclipses e fases lunares, e também previsões astrológicas, reportagens de conteúdo variado, como recreação, humor, ciência e literatura. Atualmente os almanaques englobam outras informações específicas a vários campos do conhecimento, com atualizações periódicas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Almanaque01.JPG" alt="Almanaque01" title="Almanaque01" width="162" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-3192" /></p>
<p>O termo almanaque consagrou um gênero de publicação (originalmente anual) que reúne calendário com datas das principais efemérides astronômicas como os solstícios, eclipses e fases lunares, e também previsões astrológicas, reportagens de conteúdo variado, como recreação, humor, ciência e literatura. Atualmente os almanaques englobam outras informações específicas a vários campos do conhecimento, com atualizações periódicas.</p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Almanaque2.JPG" alt="Almanaque2" title="Almanaque2" width="140" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-3193" /></p>
<p>Mas de onde surgiu este termo? Há controvérsias quanto à sua origem, porém admite-se que a palavra almanaque é proveniente de duas palavras árabes, al manakh, que significa: a conta. Os almanaques, conhecidos em toda antiguidade, com efeito, traziam a conta dos dias, das noites, das estações, dos movimentos da lua, etc. Frei João de Sousa, no glossário Vestígios da língua arábica em Portugal, no verbete almanach, registra o étimo almaná, <em>“calendário ou folhinha”, derivado do verbo maná (grafado também em alfabeto árabe), que significa “contar, numerar, calcular, definir, repartir por conta”</em>.</p>
<p>Antenor Nascentes (Dicionário etimológico da língua portuguesa) e José Pedro Machado (Dicionário etimológico da língua portuguesa) atribuem a origem de almanaque ao árabe al-manakh, mas com um significado diferente: o lugar onde o camelo se ajoelha. Machado ainda acrescenta outros significados do étimo: estação, muda (de cavalos), região, clima. Já Antenor Nascentes tenta mostrar uma evolução semântica até “calendário”, sem explicá-la: <em>“lugar onde a gente manda ajoelhar os camelos; daí, conto, que neste lugar se ouve, e, finalmente, calendário”</em>. Nascentes completa fornecendo o termo que, em árabe, designa o calendário: taqwin.</p>
<p><strong>Controvérsias</strong></p>
<p>Alguns autores admitem uma origem diferente: uns supõem que almanaque quer dizer cálculo pela memória, derivado de duas palavras egípcias al,  cálculo, e men, memória; outros autores lembram que nossos ancestrais traçavam o curso da lua sobre um pedaço de madeira que chamavam de al managht, ou seja com todas as luas, e supõem que essas duas palavras deram origem ao termo almanaque.</p>
<p>Nas línguas orientais almanha significa estréia, alvíssaras (boas novas). Em saxão, al-monght ou al-monac seria uma contração para al-mooned que significa contendo todas as luas (em referência à tábua onde eram assinaladas). Bollème (1965) define o almanaque etimologicamente como sendo a junção do árabe al e do grego men = mês ou ainda menás (grego) = lua, latim meusis e o antigo indiano mas, medir.</p>
<p>Segundo outras fontes, o termo al-manakh referia-se ao lugar onde os árabes nômades se reuniam para rezar e contar as experiências de viagens ou notícias de terras distantes.</p>
<p>Mas a controvérsia não pára por aí: Bloch e von Wartburg (Dictionnaire étymologique de la langue française) não se referem a camelos, mas a um vocábulo de origem siríaca, de significação temporal, depois de terem apresentado a protoforma manâh, do árabe de Espanha, como étimo de origem incerta, que deu origem ao latim medieval almanach(us). Por sua vez, almanachus teria vindo do árabe al-manáhk, cuja protoforma seria o grego salmeskhoiniaka, que designaria o <em>“livro dos nascimentos ou o livro da Grande Ursa”</em>, e que manteve até o séc. XVII o sentido de “predição”.</p>
<p>O filólogo espanhol Corominas, no seu Diccionario critico etimologico de la lengua castellana, discute o problema mais longamente. Para ele, almanaque veio do árabe hispânico manâh, já com a significação de “calendário” e “almanaque”, mas de origem incerta. Esse manâh, “calendário”, seria provavelmente o mesmo ár. manâh, que significa “parada em uma viagem”, e, por extensão (?), “signo do zodíaco” e “calendário”.</p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Almanaque3.JPG" alt="Almanaque3" title="Almanaque3" width="165" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-3196" /></p>
<p>Corominas procura estabelecer, a partir das informações do orientalista Dozy, analogias semânticas entre manâh, “almanaque”, “clima”, e manâh, “estação de viagem”: assim como os signos do zodíaco são os doze lugares (estações) por onde o sol pára em sua viagem pelo céu, é possível que o manâh, “estação”, se tivesse convertido em manâh, “almanaque” e “relógio de sol”, onde o zodíaco estava marcado, e, em conseqüência, “clima”.</p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Almanaque4.JPG" alt="Almanaque4" title="Almanaque4" width="156" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-3199" /></p>
<p>De tudo isso, podemos depreender que a palavra almanaque e suas possíveis origens giram em torno das atividades de contar, no sentido de computar e medir o tempo, e, por extensão de sentido, narrar. Talvez esta seja a origem dos almanaques até como gênero literário, pois, se almanaque era o lugar onde os homens, ao parar para descansar seus animais, trocavam informações sobre a vida e sobre o tempo, numa diversidade de gêneros baseados no diálogo cotidiano, a mesma coisa acontece com os almanaques escritos.</p>
<p><strong>Popularidade</strong></p>
<p>De qualquer forma, os almanaques conhecidos na Índia, na China, no Egito, se espalharam pela Europa, sobretudo depois da propagação do cristianismo, porque serviam para indicar as datas sagradas.<br />
Os astrólogos e os médicos que redigiam estes almanaques não se limitavam a indicar o curso dos astros e as festas do ano; eles acrescentaram também as profecias sobre o tempo, sobre a política, etc., que deram grande popularidade a seus livros.</p>
<p>Em 1550, Pierre van Bruhesen, médico flamengo, publicou um almanaque astrológico onde indicava com grande precisão quais os dias em que se poderia tomar purgantes, banhar-se, fazer sangrias, barbear-se, etc. O público leitor ficou tão impressionado que a autoridade municipal em Bruges proibiu todos os barbeiros da cidade de cortar cabelo ou fazer barbas durante os dias assinalados como fatais por Van Bruhesen!</p>
<p>Os antigos romanos assinalavam em seus almanaques alguns dias como felizes ou infelizes. Durante os dias negativos (nefastos) não era permitido pleitear ou fazer justiça nem realizar assembléias. Alguns dias eram “meio nefastos”; podia-se pleitear durante uma parte do dia, de manhã ou após o meio dia.</p>
<p>Quando nascia uma criança, bastava consultar um almanaque para saber, por exemplo, o destino que lhe estava reservado. Os antigos presumiam que a terra era imóvel e que o sol girava em torno dela, realizando em um ano uma revolução completa. O círculo descrito aparentemente pelo sol (e que na realidade é percorrido pela terra em torno do sol imóvel) foi chamado zodíaco, que se origina de uma palavra grega que significa pequenos animais, porque as constelações que se achavam sobre esse círculo tinham os nomes de animais: Carneiro, Touro, Câncer, Leão, etc. Ao longo do zodíaco havia doze constelações principais que o sol atravessava, permanecendo um mês em cada uma delas. Segundo o mês em que nascia uma criança, e, como se dizia, segundo a constelação que presidira ao seu nascimento, poderia tirar-se o horóscopo desta criança. O termo horóscopo vem do grego que significa “examino a hora” (Horoskopeo, sendo que o verbo grego skopein significa observar, examinar, literalmente, observação da hora), porque é no instante em que nasce a criança que se deve examinar o lugar ocupado pelo sol no céu.</p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Almanaque5.JPG" alt="Almanaque5" title="Almanaque5" width="286" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-3200" /></p>
<p>O primeiro almanaque editado em Portugal data de 1496: Almanach Perpetuum de Abraão Zacuto, impresso em Leiria. Fornecia tábuas logarítmicas e outras indicações relacionadas ao curso do sol para cada dia do ano. As informações eram para ser utilizadas junto com os instrumentos de medição astronômicos. No século XIX, sobretudo na sua segunda metade, os Almanaques se proliferaram com incontestável importância, embora completamente distanciados do avanço científico e técnico. Adaptaram-se ao gosto popular, convertidos num pequeno folheto dirigido à população rural e ao povo da periferia das cidades. Ou, então, aumentaram o número de páginas, tornando-se um instrumento de divulgação de conhecimentos tanto para o público geral, mais burguês e citadino, como para algumas camadas sociais diferenciadas por ideários políticos, religiosos ou por outros interesses muito específicos. Em 1899, surgiu em Portugal o Almanach Bertrand, muito popular em seu país, como no Brasil, no início do século XX, sendo publicado até 1969.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>Albert Lévy, Curiosités Scientifiques, Paris / 1898, pág. 103</p>
<p>Origem da palavra almanaque, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/">http://pt.wikipedia.org/wiki/</a></p>
<p>Almanaque José Augusto Carvalho, Por que almanaque? <a href="http://static.recantodasletras.com.br/arquivos/92140.doc ">http://static.recantodasletras.com.br/arquivos/92140.doc </a></p>
<p>Ricardo Lindemann, A Ciência da astrologia e as escolas de misterios: <a href="http://www.scribd.com/doc/3199667/Ciencia-da-astrologia-e-as-escolas-de-misterios-ARicardo-Lindemann ">http://www.scribd.com/doc/3199667/Ciencia-da-astrologia-e-as-escolas-de-misterios-ARicardo-Lindemann </a></p>
<p>Rony P.G. do Vale / Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Dos Manuscritos à Internet: A Evolução dos Almanaques Farmacêuticos: <a href="www.uel.br/revistas/uel/index.php/signum/article/…/3095/2627">www.uel.br/revistas/uel/index.php/signum/article/…/3095/2627</a></p>
<p><em>*<strong>Bira Câmara</strong> é artista gráfico, ilustrador, pintor autodidata e escritor. Nascido em 09/09/1950, em Mayrink, estado de São Paulo. Publicitário, formado em comunicação social pela ESPM, também atua na área jornalística e é diretor adjunto da A.P.I. (Associação Paulista de Imprensa).</p>
<p>Nos anos setenta e oitenta colaborou como ilustrador e cartunista em vários jornais e revistas, entre os quais: <strong>“Planeta”</strong> (1975/83), <strong>“Visão”</strong> (1976), <strong>Folha de S. Paulo</strong> (suplemento <strong>“Folhetim”</strong>/1977); revistas <strong>“Saúde”</strong> (1986/88), <strong>“Vogue”</strong> (1987), <strong>“Playboy”</strong> (1988), <strong>“Corpo a Corpo”</strong> (1988), <strong>“Veja SP” </strong>(1996).</p>
<p>Como pintor, além de três individuais, participou de várias exposições coletivas nos anos 70/80/90.</p>
<p>Na área de HQ, em parceria com os artistas Xalberto e Sian, publicou o álbum <strong>O Paulistano da Glória</strong>, uma história em quadrinhos de 64 páginas que tem como cenário a Paulicéia Desvairada.</p>
<p>Em 2006 editou o <strong>“Jornal do Bibliófilo”</strong>, publicação voltada para o mercado de livros usados e obras raras.</p>
<p>Estuda astrologia desde 1977, especializando-se na área de pesquisa histórica. Parte dessa pesquisa foi reunida no livro <strong>“Histórias da Astrologia”</strong>, ainda inédito. Publicou também dois livros defendendo uma tese sobre a Nova Era que contraria a visão dos astrólogos engajados no movimento <strong>New Age: Salada Mística – A Farsa da Nova Era</strong> (1998, reeditado em 2001) e <strong>A Nova Era – Os Deuses estão de Volta?</strong> (2006). Traduziu para o português a obra <strong>L’Ésoterisme du Serpent Vert de Goethe</strong>, de autoria de Oswald Wirth (2001).</em><br />
.</p>
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		<title>O Nostradamus brasileiro</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/o-nostradamus-brasileiro/</link>
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		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 02:03:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bira Câmara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bira Câmara]]></category>

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		<description><![CDATA[Há um lado escatológico da Paulicéia que pouca gente conhece. A cidade de São Paulo também teve seus profetas, que não titubearam em anunciar glórias imperiais para ela. Uma dessas figuras é o controvertido profeta paulistano Plinio Rolim de Moura (1911-2001), cognominado “profeta de São Paulo”.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Plinio-Rolim-de-Moura.JPG" alt="Plinio Rolim de Moura" title="Plinio Rolim de Moura" width="203" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-2878" /><em>Acima, xilogravura representando Plínio Rolim de Moura.</em><br />
Há um lado escatológico da Paulicéia que pouca gente conhece. A cidade de São Paulo também teve seus profetas, que não titubearam em anunciar glórias imperiais para ela. Uma dessas figuras é o controvertido profeta paulistano Plinio Rolim de Moura (1911-2001), cognominado “profeta de São Paulo”.</p>
<p>Conhecido no passado por várias predições acertadas e outras tantas  malfadadas, Rolim de Moura não se apresentava como mero astrólogo ou numerólogo; fazia questão de declarar que suas antevisões do futuro se baseavam na “ciência teocósmica” (termo cunhado por ele), que reunia piramidologia, cabala apocalíptica e numerologia. Mas não parava por aí: além de basear-se no Evangelho de S. João e nas Centúrias de Nostradamus, rasgava seda para o “Capital” de Karl Marx considerando-o superior à própria Bíblia, ao Corão e outros textos sagrados.</p>
<p>Nos anos 80 o Brasil vivia um período de efervescência política, com freqüentes mobilizações populares pela anistia e a democratização do país. Paralelamente, os místicos, astrólogos e esotéricos alimentavam um clima de expectativa e ansiedade pela aproximação do fim do milênio, espalhando profecias apocalípticas e previsões de cataclismas e guerras. Nostradamus, como sempre, era evocado a torto e a direito. No Brasil, alguns ufólogos chegados a uma mesa branca divulgaram mensagens de extraterrestres que anunciavam o eminente desaparecimento das cidades litorâneas, tragadas pelas águas do mar por causa da “inclinação” do eixo terrestre. Houve quem vendesse apressadamente propriedades na cidade de Santos para refugiar-se no Planalto Central e escapar do desastre fazendo a alegria de espertalhões e especuladores imobiliários…</p>
<p>Rolim de Moura era um dos profetas que apareciam regularmente na imprensa para falar de suas antevisões do futuro. Segundo elas, a terceira guerra mundial arrasaria as grandes potências mas deixaria o Brasil intacto, de braços abertos para abrigar os sobreviventes da hecatombe. São Paulo, predestinada a ser o berço de um grande império como foi no passado a antiga Roma, assumiria o controle total do país e de toda a América do Sul. Uma de suas teorias abstrusas é que todos os grandes impérios nascem às margens de rios cujo nome começa pela letra T: Lisboa tem o Tejo, Londres o Tâmisa, a Babilônia tinha o Tibre, Roma o Tevere, e São Paulo tem o Tietê e o Tamanduateí! Só não se lembrou que o grande império egípcio prosperou graças às águas do Nilo…</p>
<p>Nos anos 30, 40 e 50 ele notabilizou-se por várias predições acertadas e foi assessor de alguns políticos de projeção nacional. Sua reputação de adivinho infalível o tornou solicitado por políticos ávidos em saber o que o futuro lhes reservava. Escreveu livros e juntou adeptos que queriam conhecer a sua “ciência”. Tinha convicção da vitória do socialismo no mundo inteiro, era antisionista e anti-americano declarado, e não teve medo de pôr no papel suas idéias mesmo durante o período da ditadura. É estranho que, mesmo rasgando elogios ao comunismo e predizendo a futura socialização do país, não tenha sido molestado pelo regime militar. Talvez tenha escapado impune porque seus livros não eram levados a sério por ninguém e acabavam encalhando nas livrarias…</p>
<p>Nos anos 80, em idade avançada e preocupado em deixar sucessor para dar continuidade a sua obra, Rolim tentou achar um candidato que preenchesse os quesitos necessários para isso. Aparentemente não teve sucesso, mesmo prometendo ao seu discípulo financiar-lhe passagem e estadia aos “7 pontos” da geografia apocalíptica (Roma, Meca, Egito, Israel, Índia, Bagdá, …). Dagomir Marchesi, que o entrevistou nos anos 80 para a revista Planeta, foi convidado para esta missão mas recusou o convite…</p>
<p><strong>JEOVÁ, UM EXTRATERRESTRE?</strong></p>
<p>Para Rolim, Yehvé – o Jeová do Velho Testamento –, não é um poder cósmico invisível mas <em>“um extraterreno que – como qualquer criatura terrena – se arrepende dos atos que comete”</em>. Foi exilado para a Terra, depois de ter fracassado na tentativa de tomar o poder na galáxia e preso aqui por mil anos. Uma vez neste planeta, fundou duas raças (arianos e semitas) para dominá-lo através da força e da astúcia. Mas o plano não teria dado certo porque acabaram brigando entre si.</p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/capa-rolim-web.jpg" alt="capa-rolim-web" title="capa-rolim-web" width="198" height="293" class="aligncenter size-full wp-image-2877" /></p>
<p>Na sua interpretação do Apocalipse identificou nos Estados Unidos, na Rússia e na China três dos quatro cavalos citados no texto bíblico; o quarto, que seria o vitorioso nesta batalha final, supõe tratar-se do Brasil! O sionismo, obra de Yehvé, aliado ao poder militar, religioso e financeiro que dominam os Estados Unidos, iniciará o apocalipse ao tentar defender as jazidas de petróleo do Oriente Médio. O interessante é que, embora condenando o sionismo, Rolim não se alinhou à uma ideologia de direita, o que é praxe no pessoal que junta ocultismo, religião e política, como o sinistro Lopez de Rega, astrólogo e ministro do ditador argentino Peron. Pelo contrário, além de elogios ao marxismo fazia críticas contundentes ao regime capitalista. Depois de analisar os livros sagrados das grandes religiões – a Bíblia, os Vedas e o Corão –, concluiu que todos resultaram em obras nefastas para os povos que os produziram e adotaram. Para ele O Capital de Karl Marx, é uma obra superior a todos estes textos, pois teria produzido frutos muito melhores, ou seja: uma sociedade justa e igualitária… Estas idéias estão expostas no livro “Carta Aberta”, publicado em 1980.</p>
<p>Segundo Rolim, os últimos anos do milênio seriam marcados pela consumação das profecias bíblicas e a destruição de um terço da humanidade. De acordo com suas profecias, a cidade de São Paulo está destinada a ser o berço de um novo império, representado no texto bíblico pelo cavalo branco e que assumirá a supremacia do planeta após a terceira guerra mundial. Para isso, São Paulo <em>“recomporá o seu território, que foi desmembrado injustamente, alimentando a nação e depois estendendo seu poder econômico por todo o continente Sul-Americano.”</em> No ano de 1989 haveria a implantação de um regime socialista no Brasil, unindo socialismo e democracia, possível graças a um <em>“ajuste entre o Partido Comunista e a Igreja Católica”</em>. Ao juntar Cristo e Marx, os brasileiros – poupados da guerra entre as grandes potências – assumiriam a hegemonia mundial. Curiosamente, 1989 coincidiu com as eleições diretas no Brasil, a eleição de Collor, o desmantelamento do regime soviético e a queda do muro de Berlim.</p>
<p>Rolim de Moura teve o mérito de ser um dos raros profetas a enunciar de maneira clara suas previsões, fixando datas. De acordo com elas, Carter deveria ter sido reeleito em 1980 e assassinado ou deposto no ano seguinte; em 1984 haveria uma guerra convencional entre Rússia e Estados Unidos pela conquista do Golfo Persa; entre 88 e 89, guerra nuclear entre ambos e socialização do Brasil; em 1999, Rússia e China entrariam em choque, com a vitória dos chineses e, finalmente, a partir de 2009 o Brasil ocuparia posição de hegemonia sobre os demais países. Para a América Latina está reservada a missão de abrigar o que restar da humanidade destroçada pelas guerras, tornando-se uma grande Arca de Noé!</p>
<p>Embora tenha errado todas estas profecias, Rolim ganhou o título de “profeta de São Paulo”, graças à fama conquistada no passado por algumas predições que deram certo. Diz-se que previu a revolução de 1930, a deposição de Washington Luíz, a permanência de Getúlio Vargas no poder por mais de dez anos e a revolução de 64. Teve participação vitoriosa em várias campanhas políticas, apoiando sempre candidatos vitoriosos e recebeu elogios de Vargas, de Jânio Quadros e de Juscelino. Uma de suas últimas previsões falhou melancolicamente: segundo Rolim, o primeiro presidente civil eleito no Brasil após o fim do regime militar haveria de ser também o primeiro governador eleito de São Paulo. Na época, sua afirmativa de que teria a letra M como inicial de seu nome levou a muitas especulações, falando-se em Montoro e Maluf como possíveis presidenciáveis. No fundo, era um otimista incorrigível: previu para este primeiro governante brasileiro eleito pelo voto após o ciclo militar o status de grande líder político, estadista e agente de profundas transformações sociais. Seu nome ocuparia um lugar de destaque na história da humanidade, ao lado de Moisés, Messias, Sakia Muni, Maomé, Marx e Mao Tsé Tung! O Collor de Melo sabia? </p>
<p>Por tudo isso, se Rolim de Moura não tivesse existido, mereceria ter sido inventado.</p>
<p><em>Publicado no Jornal do Bibliófilo, N° 5, agosto de 2006</em></p>
<p><strong>Bibliografia:</strong></p>
<p>Dagomir Marquezi, O Profeta de São Paulo, Revista Planeta, N° 127, Abril de 83</p>
<p>Plinio Rolim de Moura, A Decifração do Enigma de Deus, Editora Gama, 1984</p>
<p>Plinio Rolim de Moura, Carta Aberta, L. Oren Editora, 1980</p>
<p>Plinio Rolim de Moura, O Grande complô, Ed. Brasiliense, 1965</p>
<p><em>*<strong>Bira Câmara</strong> é artista gráfico, ilustrador, pintor autodidata e escritor. Nascido em 09/09/1950, em Mayrink, estado de São Paulo. Publicitário, formado em comunicação social pela ESPM, também atua na área jornalística e é diretor adjunto da A.P.I. (Associação Paulista de Imprensa).</p>
<p>Nos anos setenta e oitenta colaborou como ilustrador e cartunista em vários jornais e revistas, entre os quais: <strong>“Planeta”</strong> (1975/83), <strong>“Visão”</strong> (1976), <strong>Folha de S. Paulo</strong> (suplemento “Folhetim”/1977); revistas <strong>“Saúde”</strong> (1986/88), <strong>“Vogue” </strong>(1987), <strong>“Playboy” </strong>(1988), <strong>“Corpo a Corpo”</strong> (1988), <strong>“Veja SP” </strong>(1996).</p>
<p>Como pintor, além de três individuais, participou de várias exposições coletivas nos anos 70/80/90.</p>
<p>Na área de HQ, em parceria com os artistas Xalberto e Sian, publicou o álbum <strong>O Paulistano da Glória</strong>, uma história em quadrinhos de 64 páginas que tem como cenário a Paulicéia Desvairada.</p>
<p>Em 2006 editou o <strong>“Jornal do Bibliófilo”</strong>, publicação voltada para o mercado de livros usados e obras raras.</p>
<p>Estuda astrologia desde 1977, especializando-se na área de pesquisa histórica. Parte dessa pesquisa foi reunida no livro<strong> “Histórias da Astrologia”</strong>, ainda inédito. Publicou também dois livros defendendo uma tese sobre a Nova Era que contraria a visão dos astrólogos engajados no movimento <strong>New Age: Salada Mística – A Farsa da Nova Era</strong> (1998, reeditado em 2001) e <strong>A Nova Era – Os Deuses estão de Volta?</strong> (2006). Traduziu para o português a obra <strong>L’Ésoterisme du Serpent Vert de Goethe</strong>, de autoria de Oswald Wirth (2001).</em><br />
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