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Aspásia Camargo

O Brasil entorpecido no século da Ásia

Vejam só, a Malásia se emancipou da Inglaterra em 1957 e era um país pobre e vendedor de matérias primas. Hoje, nosso saldo comercial é negativo e totalmente desequilibrado: o Brasil exporta minério de ferro, açúcar, milho, soja. Puras matérias primas. E a Malásia nos devolve com circuitos integrados, cartuchos de tinta, microprocessadores e luvas de borracha cirúrgicas. Para quem se lembra, a Malásia nos roubou a borracha amazônica e se transformou, há quase cem anos, no grande exportador do produto. Nós nos desindustrializamos e a Malásia mudou de patamar.
Aspásia Camargo

Saneamento já!

O saneamento é um problema que os países desenvolvidos resolveram no século 19 e o Brasil ainda não conseguiu chegar perto de uma solução em pleno século 21. Como diz Fernando Gabeira, uma dívida de nossa geração. No Rio de Janeiro, em nome dos Jogos Olímpicos de 2016, os governos municipal e estadual fazem concessões sem precedentes para garantir a realização do evento, ignorando leis ambientais e relegando ao saneamento um papel de total insignificância. Para cada R$ 1,00 investido em saneamento temos uma economia de R$ 4,00 na área de saúde. Estamos perdendo, com esses eventos, a chance de dar a volta por cima e fazer do saneamento um legado: ou seja, Baía de Guanabara limpa, praias limpas, nosso sistema lagunar limpo, além de esgoto tratado e abastecimento garantido.
Aspásia Camargo

Rio 2016, um crime ambiental

Um evento como os Jogos Olímpicos, em tese, deveria proporcionar mudanças significativas em suas cidades sede. Como provocou em Londres, Beijing, Barcelona e Sidney. Por aqui, nossas autoridades exaltam o evento. Normal. Quem pode se levantar contra um acontecimento que colocará o Rio de Janeiro no centrodo mundo? No entanto, em nome das Olimpíadas, nossos gestores fazem dele tristes arranjos ambientais. Nós, ambientalistas, não sabemos como barrar esses acordos para defender o patrimônio ambiental dessa cidade.
Aspásia Camargo

Reinventar a política

Nada do que propôs Marina Silva no evento de criação de sua REDE Sustentabilidade, deveria causar surpresa ou espanto. Ela e as lideranças que a acompanham vêm dizendo isso desde a campanha de 2010. Agora o discurso converge para a criação de um partido politico de ultima geração – organizado em rede –semelhante a algumas experiências recentes europeias. A proposta inicial era desenvolver a experiência participativa dentro do próprio PV. Não deu certo, mas é importante que cada um encontre seu caminho. Seu rumo.
Aspásia Camargo

Impostos transparentes e justos

É certo que o brasileiro paga imposto demais de retorno precário, mas o IPTU, imposto central para a receita do município, anda em queda livre. Ninguém quer pagar e os prefeitos têm medo de cobrar. Mas a pergunta agora é, parodiando Nietzsche, “de quanta verdade uma democracia é capaz”? Em recente debate eleitoral, o candidato Eduardo Paes afirmou que não iria alterar o IPTU porque “a arrecadação da prefeitura é suficiente e confortável”, mas, no dia seguinte à eleição, anunciou que vai, sim, fazer mudanças. Este jogo de mentirinha não contou com o meu apoio, pois, ao ser perguntada sobre o assunto, afirmei que achava surpreendente ter apenas 1/3 da população pagando IPTU e que iria fazer um inventário prévio para garantir o princípio da justiça fiscal e da capacidade contributiva: paga mais quem tem mais, mas sempre investindo na ampliação justa e equilibrada da base tributária. Indagada sobre números, disse que “se fosse uma política tradicional, deixaria tudo como está, mas como sou corajosa, vou depender de avaliações e dizer que, agora, não sei”. A política não deve ser de ocasião. Deve ser verdadeira.
Aspásia Camargo

Menos demagogia!

O pesadelo retorna, e redobrado, com as chuvas de verão. Sempre as mesmas desgraças. E tratadas com a mesma negligência. Em geral, existe um grande interesse pelas vítimas e suas perdas e nenhuma atenção às causas de tais calamidades. Mas agora parece que a opinião pública acordou de seu longo torpor e começa a se interessar por uma solução mais racional e adequada. Vamos ter que levar a sério o aumento de frequência e intensificação das chuvas, provocado pelas mudanças climáticas.