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Aristóteles Drummond

Cuidados com o dinheiro público

Não é só na corrupção que o Brasil perde bilhões em detrimento de investimentos na educação e na saúde que tanto carecemos. A infraestrutura atrofiada também impede o crescimento da economia pela falta de competitividade nos seus custos de energia e transportes. O mais criminoso, neste momento, podendo envolver também corrupção que foge ao controle interno, é o montante dos financiamentos de obras públicas em países sem tradição de pagadores de seus compromissos internacionais. Os contratos do BNDES com estes países são de retorno duvidoso e cobertos por estanho sigilo.
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Empregos, e não greves!

A greve não pode ser instrumento político, desgastada por categorias mais organizadas que incluem paralisações em seus calendários anuais, como o caso dos bancários mais dos sindicatos do que dos trabalhadores em sua maioria. A cada greve diminuem os empregos e aumenta a automação. Portanto, hoje, o emprego é um patrimônio do trabalhador. A indústria automobilística tem abandonado algumas cidades paulistas em função da intolerância sindical, que vai a ponto de não cumprir o acertado anteriormente. E quem perde com isso é o trabalhador e os municípios afetados.
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Fim dos planos de saúde

Parece claro que as esquerdas não sossegarão enquanto não acabarem com a saúde e o ensino privado no Brasil. Não importa os males para a população, em ambos os casos verdadeiramente catastróficos. E justo no momento em que não teríamos recursos para atender nem 10% dos que usam a rede privada escolar e hospitalar. Essa tentativa de cobrar de quem tem plano o atendimento na rede pública, do SUS, é de quem não acredita nas leis de mercado, na liberdade de escolha do cidadão. Direito ao SUS todos têm, pois o sistema, muito bem bolado e mal administrado, é universal. E mais: há famílias que tem optado por dois planos de saúde, uma vez que o patronal pode ser perdido em caso de dispensa ou troca de emprego. É a liberdade e o pluralismo de opções que o capitalismo oferece, pois é o regime econômico das democracias.
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Filantropia não é negócio!

Depois que se criou ONGs que pelo nome são não governamentais, mas todas vivem do dinheiro público, pouco controlado, inclusive , o Rio viu serem fechadas e encolhidas algumas de suas mais tradicionais e importantes entidades filantrópicas. Estas geralmente ficavam sob o comando de senhoras devotadas e de sensibilidade social, sem remuneração alguma. Muitas desapareceram ou diminuíram muito em função da perda de suas madrinhas, como a Casa do Pequeno Jornaleiro, fundada por D. Darcy Vargas e depois dirigida por sua filha Alzira Amaral Peixoto.
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Função social do capital

No regime capitalista, as fortunas são formadas pelo trabalho, pela poupança ou pela herança. Infelizmente também pela corrupção, como ocorre no terceiro mundo. E existem as criadas à sombra de benefícios do Estado, via entidades financeiras. São os casos do BNDES, no Brasil, em que as operações são protegidas por sigilo que inclui o Congresso Nacional, ou no Chile, onde o banco oficial financiou especulação da nora da presidente Bachelet, conhecida agora como a sogra do ano. O Brasil forma com o Canadá e os EUA o trio de países com maior mobilidade social.
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O risco dos bancos

Nestes tempos de crise, com a inflação assustando e provocando a alta dos juros, os juros do Brasil estão mais uma vez entre os maiores do mundo, passando de 300% ao ano em alguns casos. E quando aplicado, rende 15%, no máximo, e em condições muito especiais. Por isso, é bom falar sobre bancos. Jogando na falta de informação do povo em relação à realidade do mundo financeiro, aqueles que sonham com o crédito estatizado, meio mais seguro de se controlar politicamente um país, apontam os bancos como vilões. A começar pelo sindicato dos bancários, em todo o país, que deveria procurar preservar empregos e não levar os bancos a diminuírem quadros e aumentarem a automação.
Aristóteles Drummond

A tragédia grega

Analistas europeus, de formação conservadora, acompanham a pregação das esquerdas no continente, sempre em favor da imigração mesmo que clandestina, do calote nas dívidas, na campanha contra o regime capitalista, na tentativa de desmoralizar instituições e lideranças políticas. E traçam um quadro pessimista a partir da crise grega, na qual estão convictos do desinteresse do atual governo em apresentar um plano com um mínimo de viabilidade. Antes atribuíam as desgraças aos juros. Hoje a situação é diferente.
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Mais impostos é burrice!

Aumentar impostos no ajuste, como chegou a admitir o ministro Joaquim Levy, é uma bobagem. E ele sabe disso. Não adianta aumentar tarifas, se a economia não cresce. Além do que, todos sabem que impostos altos provocam sonegação, fraude, falta de investidores. O governo poderia arrecadar pelo menos 20% a mais, sem investimento, combatendo à fraude e à sonegação. E isso só é possível pela via da simplificação dos impostos, com cobrança eletrônica sempre que possível.
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Economia sem rumo, política sem coerência…

Reparem as lojas fechadas. O Titanic navega, todos dançam animadamente na noite. Até quando? O dinheiro investido ou a receber de países caloteiros e falidos passa de dez bi de dólares. Agora é o aeroporto de Havana financiado pelo Brasil. Meio século de observador do Brasil, como jornalista e participando da administração publica, me permitem a ousadia de tecer considerações sobre o futuro de nossa economia que me parece sombrio. Esta história de tributar o lucro dos bancos é coisa de puro sentido ideológico.
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Portugal e o Golden Visa

Os países europeus, todos democráticos, vêm adotando medidas objetivas para captar divisas que ingressem de maneira sólida e não especulativa. Portugal, por exemplo, lançou com sucesso três anistias fiscais, com um pagamento quase que simbólico, que resultou em significativo retorno de dinheiro de titularidade de portugueses que estava fora do país. Inclusive favoreceu a queda do nível do endividamento de muitas empresas médias e pequenas. E um programa denominado de Visa Gold, que é dar o visto de residência a quem invista 500 mil euros, em imóveis, o que tem ocorrido, ou em negócios que possam gerar pelo menos dez empregos e que o dinheiro permaneça investido. A Itália sobreviveu a grande crise com corajosa anistia, cobrando apenas 04% e aberta a todo e qualquer italiano que não estivesse sendo processado por atividades ligadas ao crime organizado ou a casos de corrupção no setor público.
Aristóteles Drummond

Política com patriotismo

O mundo não permitiria um país das nossas dimensões mergulhar no caos. E temos uma classe média forte, preparada, produtiva, com empreendedores vitoriosos nas cidades como nos campos. O discurso radical e emocional não encontra eco nas forças vivas da nacionalidade. O pragmatismo leva a uma certa conciliação na direção da paz e do crescimento econômico. A presença do ministro Joaquim Levy mostra esse esforço pelo entendimento. E se espera que dure muito sua gestão. O fator credibilidade é essencial e ele a tem junto aos mercados internacionais. É preciso uma pausa na guerra política. A reforma eleitoral deve ser gradual e começar pela volta da cláusula de barreira e a eleição proporcional ser pelos mais votados, excluídos os votos de legenda que favorecem distorções.
Aristóteles Drummond

Demagogia não paga contas…

Não é só o Brasil que vive um momento de tensão, com crise política e problemas nas áreas social e econômica. O fenômeno atinge os povos latinos em geral, na mesma linha cultural do que a nossa. Na Europa, com eleições este ano na Itália, em Portugal e Espanha, a incerteza vem de partidos novos, indefinidos, mas possivelmente orientados por pensamento radical ou de certa ingenuidade no trato de questões sérias como as relações no mercado financeiro internacional. E isso cria um clima de preocupações e certa imobilidade nos agentes econômicos. A Argentina, que era um país de referência no continente com pobres mas não miseráveis, com bom padrão de vida e de educação, mergulhou nesta crise, com desemprego, problemas no abastecimento, inflação, depois que deixou de pagar dívidas.
Aristóteles Drummond

Setor elétrico deve ser prestigiado

Vivemos um momento de imensas preocupações com os efeitos da longa estiagem nos reservatórios das nossas usinas hidroelétricas, em níveis que colocam em risco a operação de muitas delas. E temos a crise da água para consumo humano, atingindo quase todo o país. Estes problemas podem ser divididos em duas origens: as climáticas e as políticas. Quanto à primeira, nada a fazer além do que o mundo já vem fazendo e recomendando. A segunda se deve a equívocos e erros nas alterações das últimas décadas. A primeira, e muito grave, foi a interferência dos ambientalistas, sem fundamentos técnicos convincentes, interferindo na aprovação dos projetos, permitindo que tenhamos usinas com reservatórios insuficientes, inclusive na Amazônia. Menos capacidade de armazenar, menos capacidade de enfrentar anos menos chuvosos.
Aristóteles Drummond

Pegar é só querer

O noticiário envolvendo malfeitos, sejam casos ligados à administração pública ou a organizações criminosas de diferentes áreas, costuma registrar a apreensão de automóveis de alto luxo, quando não de embarcações de recreio milionárias. Portanto, nada mais natural que a Receita Federal controlasse os compradores de automóveis acima de 500 mil reais e embarcações novas ou de determinado tamanho para cima. Seria meio caminho andado. As importações passam pela Receita, são poucas as empresas que comercializam estes itens de alto luxo. E os clubes náuticos e a Marinha do Brasil são obrigados a manterem o registro das embarcações. As empresas seriam punidas nos casos de emissão de notas por valores inferiores e as imobiliárias e cartórios passariam a ser responsáveis pelos valores constantes em escrituras públicas de compra e venda. Um preço diferente pode até ser praticado, desde que explicado e com laudo, no caso de imóveis em mal estado de conservação.
Aristóteles Drummond

Cuidado com a tesoura!

Nesse momento de cortes, é preciso o estabelecimento de critérios gerais, para que o período de desconforto da sociedade seja o menor possível. O caso do Rio de Janeiro é prioritário na medida em que as obras atingem toda a capital e temos o prazo determinado pelas Olimpíadas. O evento que prende a atenção do mundo por semanas não pode se constituir em fator de desgaste para o Brasil, que já vem sofrendo rebaixamentos em dezenas de itens que medem a qualidade de vida de um país.
Aristóteles Drummond

História para historiadores

Desde que o mundo é mundo se tenta distorcer a verdade histórica, ao sabor do pensamento dos poderosos do momento. No Brasil, a despeito de iniciativas de cunho ideológico, inspirados no ódio e no revanchismo, uma safra de historiadores e biógrafos modernos vem consolidando a história. E nisso não falta o testemunho de jornalistas que a viveram, como é o caso de Carlos Chagas. dedicada a biografar artistas, com sucesso e talento, como nos casos de Elis Regina e Cazuza e chegou à história com a biografia consentida do presidente José Sarney.
Aristóteles Drummond

A união faz a força

A crise na economia é uma realidade cada vez mais evidente e de grandes dimensões. É preciso mais do que um bom nome. Talvez fosse o momento de uma patriótica trégua nos embates políticos, para uma união em torno de resultados na economia e no social. Instrumentos ágeis no Judiciário para agilizar a apuração dos casos de má conduta de servidores públicos, incluindo políticos, para atender a justo reclamo popular, que não pode nem deve servir de caldo de cultura para manifestações radicais. o Ministério, um homem de centro, de bom senso que poderá arrumar as contas nacionais. Dar um crédito de confiança e um prazo para que as medidas sejam tomadas na direção correta. Seria razoável.
Aristóteles Drummond

O AI-5 e a História

A mídia nacional destaca o Ato Institucional Número 05, a cada aniversário dele, como o mais duro instrumento do autoritarismo em nossa história republicana. E realmente os poderes atribuídos pelo instrumento revolucionário eram quase que ilimitados, ditados em momento de grande tensão nacional. A resistência ao regime autoritário o Congresso aberto, censura parcial, direito de ir e vir respeitado, propriedade privada preservada tinha uma parcela, especialmente de jovens cooptados pelo comunismo internacional, notadamente Cuba, que fez a opção pela luta armada, com sequestros de diplomatas, assaltos a bancos, atentados, execuções de policiais.
Aristóteles Drummond

Somos todos brasileiros

Agora querem criar uma comissão para mexer no processo da escravidão, página lamentável da história mundial, antes mesmo de Cristo. Vamos baixar a bola, olharmos para o futuro, para o Brasil de nossos filhos e netos e não ficarmos mexendo em feridas do passado. Somos todos brasileiros, multirraciais, democratas que respeitam as opções religiosas, políticas e sexuais do próximo. E esta historia do dividir para reinar é tão velha que ninguém acredita mais.
Aristóteles Drummond

Pauta positiva

É claro que devemos louvar a obra e a linha de Gilberto Freyre, nosso antropólogo maior, notável escritor, intelectual, militante político desde sempre, deputado constituinte em 1946 e solidário com o movimento de 1964. Ele interpretou o brasileiro como ele é: cordial, alegre, sem preconceitos, sem restrições a cor, credo e classe social do próximo. fortunas foram construídas e não herdadas e, na lista das cem maiores, menos de dez são de terceira geração.
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25 anos de liberdade

No próximo domingo, Berlim comemorará os 25 anos da queda do muro, que foi o ponta pé inicial da liberdade em todo o leste europeu e a própria Rússia. Certamente um dos grandes momentos do século XX foi o dia em que a famosa "cortina de ferro", que aprisionava milhões de pessoas, ruiu sem a necessidade de um tiro sequer. Atribui-se a quatro personalidades ocidentais o grande feito: o ex-presidente americano Ronald Reagan, o Papa João Paulo II, a primeira-ministra da Inglaterra Margareth Thatcher e o dirigente soviético Mikhail Gorbachev. O mapa político e econômico da Europa se modificou e a Alemanha foi reunificada, em processo exemplar na integração econômica e na pacificação política.
Aristóteles Drummond

Burocracia inaceitável

Esse complexo sistema tributário nacional incluindo o ICMS, que é estadual cria insegurança e engessa a atividade econômica dos estados. Os casos do café e da água mineral são emblemáticos. A relação do Rio e de Minas, por exemplo, que poderia ser mais estreita, é perturbada por políticas diferentes em relação ao ICMS, com prejuízos para todos. O Rio, em governos anteriores, onerou a torrefação de tal forma, que sobraram poucas sediadas no Estado. E as águas mineiras encontram dificuldade de ingresso no mercado fluminense, onde têm tradição de gerações, pela tributação.
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Disputa mais autêntica

Segundo turno é uma nova eleição e os candidatos têm o dever de mostrar o que pretendem fazer e de justificar posições recentes no trato da economia, das relações internacionais, no comportamento de companheiros de vida pública. E ambos os candidatos têm história para contar e condições para responder. Aécio Neves foi governador por oito anos e saiu consagrado do governo, a ponto de fazer seu sucessor, que não era político, e domingo mostrou o quanto acertou em sua gestão com a inequívoca vitória na disputa pela vaga mineira no Senado.
Aristóteles Drummond

Educação sem demagogia

Hoje, o governo tem de investir na qualidade e na segurança do professor e dos alunos. As avaliações devem ser frequentes; os cursos de aperfeiçoamento, constantes; a manutenção das instalações, corretas; a garantia física de professores e alunos, imposta. A indisciplina e desrespeito reinantes alimentam uma má formação do cidadão. A escola acaba incentivando o infrator de amanhã. Diretor de escola tem de ser acompanhado de perto; expulsar aluno que agride professor, afastar professor que abusa das faltas e que demonstra desinteresse. Até a apresentação precisa ser exigida. Professor de bermuda e sandália de dedo desmoraliza a nobre posição. O policiamento deve fazer parte das obrigações do Estado no entorno das escolas nos horários de aula.
Aristóteles Drummond

O perigo das promessas

Um dos problemas das campanhas eleitorais em nossos dias, tanto aqui como em nações de povos com melhor nível cultural, é que a massificação leva os candidatos ao mesmo discurso, às mesmas evasivas. Cabe ao eleitor perceber, intuitivamente, quando o candidato diz que é a favor, mas, na verdade, é contra. Todos ficam cheios de dedos para não cair na má vontade dos ativistas, geralmente defensores de programas alheios aos anseios da maioria. O dobro seria capaz de suportar as promessas.
Aristóteles Drummond

Uma tese para meditação

Em dezembro de 2015, o Brasil completa 200 anos de sua Independência e surpreendentemente nada se projeta para comemorar o grande evento. Afinal, o sete de setembro de 1822 representa apenas a separação de Portugal, do qual já éramos reino unido desde 1815, tendo, inclusive, o mesmo Rei e sendo a capital do Reino no Rio de Janeiro. Os governos de Portugal e do Brasil deveriam criar uma comissão mista para tratar do assunto com a importância que o mesmo merece, inclusive nas relações entre as duas nações, separadas e independentes, mas com profundos laços culturais, históricos e dividindo a mesma língua.
Aristóteles Drummond

Não podemos esquecê-lo!

Impossível passar os 60 anos da morte trágica de Getúlio Vargas sem registrar a importância do estadista na história republicana. Era homem vocacionado para o poder, que exerceu de maneira integral ao se tornar o líder da Revolução de 1930, ser confirmado na Constituinte de 1934, ter assumido em 1937, ao implantar o Estado Novo, que garantiu a paz, a ordem e o progresso. Deposto em 1945, foi eleito deputado e senador no ano seguinte por várias unidades da federação, para, depois de eleger Marechal Dutra seu sucessor, em 1950, retornar ao Catete nos braços do povo, de onde saiu da mesma maneira, em 24 de agosto de 1954.
Aristóteles Drummond

Democracia com respeito

O negócio de campanha eleitoral na base da troca de acusações, insultos, futricarias menores não encontra acolhida junto ao eleitor. Mesmo os mais sofridos e humildes concluíram que o importante é a capacidade de realizar, fazer um bom governo, atender aos anseios da população, planejarem mais o futuro a médio e longo prazo do que promessas imediatistas sem sustentabilidade ao longo do tempo. Por isso, quem já exerceu cargos no executivo, como prefeito e governador, precisa dizer a que veio e o que andou fazendo. Mostrar que conhece a realidade da vida da população e sabe o que o Estado deve e precisa fazer para melhorar a qualidade dos serviços prestados. Nada será resolvido em um ou dois mandatos. Mas tem de evoluir na direção correta para alcançar um nível satisfatório.
Aristóteles Drummond

Um livro a ser lido

O livro que o sr. José Serra, ex-presidente da UNE e orador no comício de Jango no dia 13 de março de 1964, acaba de lançar um livro onde narra sua experiência desde a eleição para a União Estadual de Estudantes, em São Paulo, até a volta do exílio, treze anos depois. E é uma leitura obrigatória para quem gosta de conhecer diferentes visões da política, naqueles anos. O texto é quase que coloquial, fazendo com que a leitura seja contínua. E, embora homem fechado, transmite absoluta sinceridade na identificação de pessoas e opiniões.
Aristóteles Drummond

A nova Duque de Caxias

Os municípios nas periferias das grandes capitais, infelizmente, não são exemplos de boa gestão pública, de um olhar sério para o futuro. A visão de seus políticos, na maioria dos casos, não ultrapassa a eleição seguinte. Pouco é feito pelas contas, pelo planejamento e muito menos pelo ambiente favorável a investimentos que as permitam que deixem de ser meros dormitórios e feudos eleitorais. Aqui, no Rio, estamos assistindo, em Duque de Caxias, a um bom exemplo de gestão compromissada com o acerto, sem se refugiar no dia a dia eleitoreiro do clientelismo.
Aristóteles Drummond

A cabeça do eleitor

O eleitor vai querer saber se o processo se dará com mais ou menos intervenção estatal, com mais ou menos controle da inflação, com mais ou menos combate à burocracia e ao inchaço do Estado, com política externa mais pragmática ou com maior alinhamento político. É o que deve acontecer nos estados e na própria sucessão presidencial. Ganhará quem convencer o brasileiro que terá melhores condições de acertar e não apenas de discursar.
Aristóteles Drummond

Maus empresários

No mesmo momento em que as lideranças empresariais se empenham na defesa de um melhor ambiente de negócios no Brasil, de um pouco de otimismo nos empreendedores e consumidores, de confiança numa economia mais aberta, com menos impostos e maior base de contribuintes, tem gente que ainda defende barreiras protecionistas. Com isso, apequenam um empresariado moderno, ágil, que vem conquistando com sacrifício prestígio e qualidade ao que é produzido no país. O que o empreendedor pede é pouco. Quer apenas respeito aos contratos, impostos justos e cobrados a todos, sem ilhas de contemplados eventuais, e a reforma trabalhista que estimule o emprego e favoreça as relações trabalhistas, dentro da tradição do Brasil de harmonia entre capital e trabalho.
Aristóteles Drummond

Bom senso é bom!

Cautela e caldo de galinha são conselhos sempre úteis aos imprudentes. Não estamos vivendo um bom momento na economia, na harmonia e no social. Muitas queixas e reclamações, quase todas justas e com sentido, surgem diariamente. Mas o caminho para superar as deficiências não é o de gerar dificuldades para o dia a dia das cidades, das empresas e das pessoas. Muito pelo contrário, desestimula qualquer investidor um clima de insegurança, violência, intolerância. O mundo todo anda procurando vender oportunidades para atração de novos negócios, que empregam gente, pagam impostos, contribuem para a o progresso. Hoje, todos acompanham o que se passa no mundo pela televisão. Será que queremos viver um longo período de confusão nas ruas como vem ocorrendo no Egito e na Venezuela, por exemplo?
Aristóteles Drummond

O etanol é nosso!

O Brasil foi pioneiro no uso do etanol como combustível para o setor automotivo. Primeiro, na mistura na gasolina e no diesel, depois no motor projetado para uso do álcool e, por fim, no lançamento dos veículos flex, hoje dominado a indústria mundial. No governo do presidente João Figueiredo, criou-se formidável parque produtor, nas usinas de açúcar e nas destilarias voltadas para o álcool. Em seguida, como que por idiossincrasia política, o álcool foi sendo abandonado, deixou de ser incentivado e ficou praticamente restrito à mistura, que tem efeitos ambientais altamente positivos.
Aristóteles Drummond

Carlos Lacerda imperdível

De sua famosa metralhadora giratória não escaparam amigos que se tornaram, na maioria das vezes, ex-amigos, como os casos de Mario de Andrade, Sobral Pinto, Gustavo Corção, Julio de Mesquita Filho. Era duro e violento em bater em monstros sagrados de seu tempo, como os Robertos Campos e Marinho e o Marechal Castelo Branco, que foi num crescente para chegar, por fim, ao rompimento. Durante pelo menos dois anos, afirmou ser um dos líderes da Revolução, para depois se referir ao movimento como golpe militar. Um furacão de incoerência, de ambição, mas de muito talento.
Aristóteles Drummond

Bom senso e boa educação

Anda faltando razão e bom senso em tudo quanto é lado neste Brasil que se deixa dominar pelas tensões pré-eleições. Nesta confusão toda, governo e oposição têm suas motivações, mas, no final, todos perdem a razão. A oposição é negativista demais, por vezes exagerando nas críticas, e omissa nas propostas concretas. O governo, com certa arrogância, não ouve seus próprios quadros e permanece imóvel com o fogo amigo dos que entravam projetos nas áreas do meio ambiente, dos índios e dos agitadores do campo. Ora, ninguém pode negar a qualidade dos quadros do setor elétrico, preservados inclusive pela presidenta, que tem gente de sua confiança e reconhecida competência na área.
Aristóteles Drummond

Querer combater a corrupção

Como diria Nelson Rodrigues, estamos diante do óbvio ululante. As excelentes operações da Polícia Federal, solitário ponto positivo na luta contra a corrupção e a fraude no Brasil, assim como a simples leitura dos jornais pelas entidades responsáveis pela defesa do interesse público, como Receita Federal, Secretaria de Previdência Complementar-PREVIC, CVM, MP e secretarias estaduais e municipais de fazenda, além dos tribunais de contas, seriam suficientes para que o Brasil avançasse no combate à corrupção e à fraude. Infelizmente, não é o que acontece. A ineficiência é flagrante. E são muitos os exemplos, como a indiferença das entidades arrecadadoras de impostos diante de empresas notoriamente faltosas em suas obrigações básicas.
Aristóteles Drummond

CVM, Polícia Federal e os fundos

Nessa onda de escândalos, desperta sérias desconfianças que até hoje não tenha sido concluídas investigações dos frequentes rombos nos fundos de pensão de grandes empresas e até mesmo prefeituras. Os fundos supostamente são fiscalizados pela Comissão de Valores Mobiliários, nas aplicações que fazem em papéis de renda fixa ou variável, pela área de previdência complementar do governo federal, pelos tribunais de contas e, evidentemente, pelo Ministério Público e Polícia Federal.
Aristóteles Drummond

Tudo no vermelho

O Brasil precisa, para crescer e o governo para sobreviver, de investimentos. Só com assim se gera empregos, melhora a infraestrutura, moderniza o parque industrial e aumenta a produtividade agrícola, com aumento saudável na receita. Mas algo de estranho se passa no país que o clima reinante é hostil ao investimento, tornando qualquer iniciativa no mínimo temerária. Como ser otimista com um quadro destes? O rebaixamento do Brasil em breve será seguido por outras agencias avaliadoras, as perdas nas reservas acentuadas, o colapso na infraestrutura sem solução no curto prazo.
Aristóteles Drummond

Homens de 64

Nesse festival proporcionado pelos 50 anos do movimento de 64, falta um espaço para se marcar a colaboração, ou consentimento, de um grupo de notáveis e admiráveis brasileiros. Aqueles que, certamente, não estariam, sob nenhuma hipótese, envolvidos em atos de barbárie e de afronta aos direitos humanos. O próprio Ato Institucional número 5 (AI-5) aconteceu quando o regime acuado por sequestros de diplomatas e atos hoje denominados de luta armada teve de reagir de forma institucional, e teve como signatários ilustres e insuspeitos brasileiros. Basta ver a lista.
Aristóteles Drummond

Cuidado com os afogados

Estamos literalmente cercados de problemas e riscos. Nossos vizinhos estão em crise na economia, sem crédito internacional, desestimulando a poupança interna e sem condições de atrair o mais modesto empreendedor, seja no comércio, na indústria ou na agricultura. O Brasil tem graves problemas para cumprir metas, investir na infraestrutura que impede o crescimento da economia, déficit na balança comercial e está cercado de suspeitas dos mercados financeiros. Mesmo assim, é solicitado a dar créditos, fornecer bens de primeira necessidade e até financiar obras de governos com os quais tem afinidades políticas, como é o caso de Cuba e de Angola.
Aristóteles Drummond

Descomplicar a energia

Para o Brasil não viver na dependência de chover mais ou menos, ligar mais ou menos termoelétricas de operação cara, onerar o custo Brasil e manter o preço da energia, que já está em patamar internacional, o governo federal deveria tomar medidas imediatas e sem gastar um tostão. Bastaria fazer com que o negócio da geração e distribuição voltasse a ser atrativo, liberando os projetos existentes e retidos na burocracia, quando não no delírio das autoridades ligadas ao meio ambiente, a movimentos indígenas e quilombolas.
Aristóteles Drummond

O preço das ligações perigosas

A conta das companhias problemáticas chegou. Até o final do semestre vamos ter um balanço preocupante em relação ao tamanho previsto do rombo este ano com a diminuição do comércio bilateral com a Argentina. Neste momento, empresas argentinas estão com mais de um bilhão de dólares retidos para pagamento de compras efetuadas no Brasil. Vamos ter meses complicados com o agravamento das dificuldades políticas e econômicas dos vizinhos e companheiros de Mercosul. Não se pode negar a importância do efeito da crise argentina no Brasil na medida em que o comércio bilateral só é superado pela China e EUA, sendo, portanto, o terceiro parceiro comercial do Brasil. E o primeiro, no setor automotivo.
Aristóteles Drummond

Falta bom senso

Não são apenas as pessoas que precisam ter a chamada inteligência emocional para garantir acesso e estabilidade na vida, inclusive a profissional. Os povos também têm suas marcas comportamentais e por elas respondem. Agora, o Brasil, ao ensaiar dar 16 anos a um regime cada vez mais bolivariano, fascinado pelo senil ditador cubano, perde o respeito e a simpatia dos seus mais tradicionais parceiros e aliados. Afinal, não resta a menor dúvida que, neste momento, nossa prioridade e encantamento estão dirigidos para a Venezuela, Bolívia, Nicarágua, Equador, Uruguai e Argentina.
Aristóteles Drummond

O selvagem e atrasado sindicalismo brasileiro

O fato econômico mais importante deste ano que se inicia é o evoluir da decisão da General Motors (GM) de encerrar suas atividades na unidade do Vale do Paraíba. Esta, talvez, seja a menor da grande empresa, atuando no Brasil há mais de um século. As ameaças do sindicato local são absurdas, chegando a pregar a retirada de incentivos fiscais de que a empresa, como as demais do setor automotivo, recebe do governo federal. Ou seja, na prática, tornar a GM inviável a ponto de ter de fechar suas demais unidades. E isso com a empresa que se destacou no ano passado pelos lançamentos de novos modelos e que ganhou pontos no mercado. O sindicato do Vale do Paraíba reedita o ABC, quando os exageros levaram a indústria a se distribuir por outras cidades e estados.
Aristóteles Drummond

Seis meses fazem diferença

Os primeiros seis meses de 2014 marcarão a conclusão de uma importante parte das obras em andamento no estado do Rio, especialmente na área das estradas, que melhorará a vida de milhões de pessoas, sem exagero algum. O arco metropolitano e o contorno de Volta Redonda, por exemplo, alteram o fluxo de rodovias da importância da BR 040 e das vias Dutra e Lúcio Meira. Na capital, os avanços no Porto Maravilha e os da linha 4 do metrô serão mais visíveis e com menos impacto no dia a dia de bairros movimentados como Ipanema e Leblon. Este quadro e mais as empresas privadas em instalação dará uma musculatura ao estado, que deve começar a ver seus aeroportos em obras, inclusive fora da capital, como é o caso de Cabo Frio, que pode se consolidar como central de cargas para atender não apenas ao setor petrolífero. Basta terminar os acessos ao Rio, também em fase de conclusão no que toca aos acessos à Ponte Presidente Costa e Silva.
Aristóteles Drummond

Financiador e sócio

Roberto Campos já defendia a poupança nacional como instrumento de desenvolvimento econômico. E que era melhor termos sócios estrangeiros do que financiadores. Uma pena que não tenha sido ouvido. O Brasil só faz aumentar sua dívida interna e assiste seu risco fazer crescer os juros pagos no mercado internacional. Basta constatar que os bancos oficiais, nos seus papéis perpétuos, chegaram a marca dos 10% ao ano, quando as instituições sólidas dos países desenvolvidos mal chegam aos 2%. E, depois, os ditos nacionalistas voltarão à defesa do calote sob a alegação de que somos explorados pelos juros exorbitantes. Sócios ficam cada vez mais difíceis para empreendimentos médios, que formam a grande fatia do mercado. Nosso mundo empresarial está reduzido a meia dúzia de conglomerados endividados e a outra de estatais aprisionadas à intervenção e à dominação do Estado.
Aristóteles Drummond

Os focos do atraso

O PAC, tanto o primeiro como o segundo, não tem suas obras dentro do previsto, e são projetos escolhidos pela presidente da República. Os investimentos privados sofrem para a obtenção de aprovação de suas obras. Muitos amargam prejuízos pela demora em começar a produzir. Os agentes do atraso, verdadeiros sabotadores, são entidades públicas e políticas tratadas com grande deferência pelo governo. E, sejamos realistas, tolerados pelos próprios prejudicados, conformados com uma postura comparável aos países mais atrasados do mundo, especialmente da África. Uma mistura de ignorância, má fé, ideologia, corrupção e sentimentos que nem Freud conseguiria explicar.
Aristóteles Drummond

Fogo que sobe…

No mercado financeiro dos anos 60, corria entre os analistas o dito popular de que fogo quando sobe e água quando desce, ninguém segura, assim como moeda que perde a confiança perde valor. O Real foi como um sonho de noite de verão em relação a se tornar moeda forte e estável. A tentação dos gastos veio, a criatividade no falsear dados e manipular recursos ganhou força e fazer do câmbio uma queda de braço com o mercado virou questão de honra para o governo. Tudo é feito para ganhar tempo, empurrar a crise para frente. Moeda é confiança e a nossa já perdeu há muito tempo. Nos BRICs, na média dos últimos cinco anos, estamos invariavelmente na pior posição, na América Latina, Peru, Chile (por enquanto), Colômbia e México são mais respeitados como ambiente de negócios. Na política internacional, somos os primos ricos e generosos de Cuba, Angola, Venezuela e Argentina.
Aristóteles Drummond

Chile amigo

Uma pena que um país como o Chile, que vem se consolidando como exemplo de crescimento sólido, com legislação moderna, antenada com o mundo que vivemos, e com bons índices de melhorias sociais, jogue tudo a perder numa cartada eleitoral. De um lado, a sobriedade dos que trabalham, visando resultados práticos na vida da população, no prestígio do país nos mercados internacionais, na defesa da ordem e da lei, na preservação de conquistas, especialmente daquelas conseguidas na dura recuperação após o país quase cair no abismo do totalitarismo e de modelo econômico fracassado. Duas candidatas, duas mensagens claras. Uma foi presidente, com um governo moderadamente de esquerda, eleita por poucos votos, mas rica em recalques e ressentimentos, saudosista dos anos de instabilidade econômica, social e política, que levaram a intervenção de seus chefes militares para restaurar a ordem, a segurança, os princípios da democracia e afastar as influências externas evidentes.
Aristóteles Drummond

Hidrovias possíveis

O Brasil só tem a ganhar com mais investimentos nas hidrovias, que são, na área dos transportes, o meio mais rápido de se baixar o custo Brasil. E possivelmente o de menor investimento. No sudeste, os resultados do rio Tietê-Paraná são altamente positivos e já chegam a mil quilômetros de navegabilidade? a metade do próprio Tietê, dentro do estado de São Paulo. A questão da Amazônia é mais complicada e merece estudos, debates e ações efetivas. Recentemente houve em Manaus, o seminário "O Futuro Amazônico; Hidrovias 2014 a 2031", organizado pelo Ministério dos Transportes, em parceria com a Marinha do Brasil, através da participação do Almirante Domingos Sávio, um dos grandes valores de sua geração na nossa armada, com comando na região.
Aristóteles Drummond

Sindicalismo selvagem

O Brasil precisa avançar no direito do empregado defender as oportunidades de melhorar seus rendimentos pela via do trabalho e do esforço, não do paternalismo. Este acaba por limitar o mercado, com prejuízos econômicos e sociais facilmente identificáveis. Bons empregos pedem bons empregados. Recentemente, o comércio de Petrópolis, que vive basicamente dos visitantes ou moradores de finais de semana, foi impedido, por decisão solitária do sindicato, de abrir suas portas em feriado que caiu num sábado, no inicio do mês. O trabalhador e o pequeno empresário, que também é um trabalhador, perderam na receita do dia e mais no acréscimo proporcionado pelo feriado.
Aristóteles Drummond

Na rota do atraso

O presidente da CNI, Robson Andrade, é de raros pronunciamentos em defesa dos interesses empresariais, muito voltado para a politicagem das palestras não proferidas. Mas até ele saiu de sua omissão para reclamar dos efeitos nefastos na economia de uma legislação trabalhista de uma generosidade inacreditável com o dinheiro do patronato, acarretando aumento nos custos (e riscos) de nossas empresas. E pior, quando não é a legislação que beira o absurdo, é a interpretação dada pelos tribunais. Na verdade, a Justiça do Trabalho só se justifica, conforme a Carta do Trabalho, primeiro documento de amparo ao trabalhador, na Itália nos anos 20, origem de nossas leis trabalhistas, com a presença paritária de patrões e empregados nos tribunais, o que prevaleceu até o governo FHC.
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Planos e seguros ameaçados

Quem tem um mínimo de sensibilidade percebe que uma das metas em curto prazo das forças que querem enfraquecer a livre empresa? Acuando setores com multas, controles de preços e restrições ambientais? É atingir o setor segurador. Com ênfase na área de saúde, na qual são vendidos os serviços pela modalidade de planos. As principais operadoras do país já não querem os planos individuais, que, por decisões judiciais, vinham apresentando prejuízos. O setor segurador, em geral, tem sido mal interpretado pelo Judiciário, como observou o advogado santista Paulo Henrique Cremoneze, chamando a atenção para o seguro de transportes. Este, aliás, é alvo de decisões que chegam a ser surpreendentes, estimulando o pouco cuidado na manipulação de cargas, uma vez ?que o seguro paga?, como se não houvesse requisitos para a cobertura contratada. O mercado tem regras sábias, como as apólices de automóveis, que são decrescentes na medida em que o segurado não apresente sinistros por anos sucessivos. E deve ser severo com que negligência no trato com o que é segurado.
Aristóteles Drummond

Simplificar o poder legislativo

O Senado se justifica como na sua criação, na primeira Constituição do Império, por ser cargo vitalício e de nomeação do Imperador, reunindo os nomes mais respeitados e preparados da sociedade, um conselho de sábios e de bom senso. Com os tempos modernos, o Senado, como nos EUA, reúne, ao lado dos notáveis, figuras menores acolhidas pelo voto popular, infelizmente pouco seletivo. Seria o caso de se voltar à criação de um Conselho da República que reunisse os ex-presidentes e, por cinco anos, após a aposentadoria, os que presidiram o STF. É o momento de se tocar nesses temas, como o da extinção do Senado.
Aristóteles Drummond

A marca Vargas

Vargas foi homem de mãos limpas, tinha o gosto do Poder, da articulação política, do compromisso com o social e com o desenvolvimento. Com sua morte, o PTB participou da chapa de JK, abrigou na bancada federal Jânio Quadros, fez de Jango, reeleito, o vice em 1960. Quando da ultima eleição indireta, no Colégio Eleitoral, o eleito foi Tancredo Neves, seu Ministro da Justiça e orador a beira do tumulo, em São Borja. Na primiera eleição direta, em 89, o eleito foi Fernando Collor, neto de seu amigo e Ministro Lindolfo Collor. Itamar Franco começou sua vida publica no PTB. Até Maluf, tomou gosto pela política através de seu cunhado Ricardo Jafet, getulista influente que dirigiu o Banco do Brasil.
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Rumo ao desemprego

Nosso processo de desenvolvimento já sofre com a falta da mão de obra qualificada. Se faltam médicos para a saúde, faltam também engenheiros para as obras, indústrias e demais atividades ligadas à profissão. Os números de profissionais estrangeiros trabalhando nas áreas do petróleo, siderurgia e mineração são significativos, como se pode constatar no Ministério do Trabalho. No entanto, existe uma dificuldade muito mais séria para que o Brasil receba investimentos geradores de empregos. A nossa legislação trabalhista, somada a entendimentos dos tribunais, levaria um empreendedor estrangeiro a imensa dificuldade de explicar como escolheu um país de clima tão hostil ao patronato, tão paternalista, tão populista. E tão generoso com o dinheiro de terceiros.
Aristóteles Drummond

Credibilidade na economia

Na economia, as desonerações setoriais chegaram ao limite e não resolvem. É preciso avançar na reforma fiscal, simplificando e tornando a cobrança eletrônica mais presente. Esta evita a fraude e a corrupção. Muita coisa tem avançado nesta área, menos a questão fundamental de menos carga fiscal e maior base de contribuintes. A questão do petróleo, que é de grande monta, deveria ser mais simples e direta. Cinco cotas de 20%, uma para os estados, outra para os municípios, uma terceira para a saúde e uma quarta para a educação. Respeitados os contratos vigentes. Já o imposto sobre a exploração mineral iria todo para a infraestrutura.
Aristóteles Drummond

Estímulo ao empreendedor

Nada mais curioso do que se verificar que os governos, a começar pelo federal, demore tanto a soltar um pacote geral de estímulo ao investimento e à simplificação da sufocante burocracia, que insiste em imperar nesses tempos de tecnologia democratizada. Falam muito do excesso de ministérios, mas o último a ser criado, confiado a Guilherme Afif Domingos, voltado para a pequena e média empresa, poderia ser o canal para promover um verdadeiro surto de novos negócios. Para isso, valeria a criação de incentivos para distritos industriais destinados a pequenas e médias indústrias, de até 100 empregados; o deslanchar das Zonas de Processamento para Exportação (ZPEs), lançadas no governo Sarney, pelo seu ministro da Indústria e Comércio, José Hugo Castelo Branco.
Aristóteles Drummond

Cabeça antiamericana

Nada mais fora de moda do que esta reação exagerada aos informes dados a público por um desertor dos serviços de inteligência norte-americanos. Natural que um país com as responsabilidades dos EUA procurem acompanhar o que se passa pelo mundo. Nós é que devemos tomar cuidado com os assuntos que sejam considerados de segurança nacional. O resto é querer desviar a atenção da população do que interessa. A suposta espionagem foi feita com todos os países e nenhum do primeiro mundo se manifestou com a veemência do Brasil e seus amigos “bolivarianos”.